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Universidade Anhanguera-Uniderp

Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

ROGERIO ANTONIO MATIAS VALADAO

PATOS DE MINAS / MG
2011
1. IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO

Projeto visando conclusão de pós-graduação em Ciências Penais, cujo


tema escolhido para aprofundamento trata-se do estudo do Princípio da
Insignificância.

1.1 TEMA

O tema a ser tratado é de relevante interesse para o mundo jurídico,


tendo em vista a escala desordenada do legislador penal brasileiro em produzir uma
legislação quase que apenas baseada no caso real. A cada crime de repercussão na
opinião pública nacional passa-se a “endurecer” ainda mais as penas e também a
progressão de regime de cumprimento dessas mesmas penas.
Sendo assim, através da utilização do Princípio da Insignificância em
julgamentos por nossos doutos magistrados, seja em primeiro grau ou em grau de
recurso, deverá ser buscado um Direito Penal que passe a tratar apenas e tão
somente dos bens jurídicos mais importantes para a vida em sociedade.
Por tamanha importância em sua utilização, inúmeros trabalhos já foram
produzidos, mas ainda assim não foi esgotado o tema. Há que se buscar um espírito
crítico sobre o que fora redigido por importantes doutrinadores pátrios e
estrangeiros, atualizando pontos específicos e acrescentando novas ideias.

1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

Conforme dito anteriormente, nos dias atuais o legislador penal cria,


extingue ou modifica a legislação vigente levando em consideração o que a opinião
pública gostaria bastante que se fosse feito.
Não há uma discussão amadurecida no interior do Congresso Nacional a
respeito de políticas públicas sobre segurança pública visando atacar as reais
causas de violação aos bens jurídicos, pois, trata-se quase que exclusivamente de
tudo aquilo que envolve o caso concreto apenas após o cometimento do crime.
Por diversas vezes nosso ordenamento jurídico busca nas ideias de
Günther Jakobs, através da teoria do Direito Penal do Inimigo, fonte subsidiadora

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para suas novas perspectivas. Farto número de estudos científicos demonstra o
quanto a teoria não atende de forma eficaz os anseios de uma diminuição real do
número de cometimento de crimes.
Como se nota claramente, as violações se dão tanto quantitativa quanto
qualitativamente. Há muito se faz necessário retomarmos o curso para realmente
fazer valer o Estado Democrático de Direito vigente no Brasil e preservarmo-nos do
cárcere, por exemplo, daqueles vilipendiadores de bens jurídicos que podem muito
bem serem tratados por outros ramos do ordenamento jurídico que possuam uma
consequência menos severa que o Direito Penal, já que neste a privação da
liberdade ou de direitos essenciais se dá de forma direta.

1.3 JUSTIFICATIVA

Por diversas vezes o magistrado de varas criminais se debruça sobre


problemas que facilmente seriam resolvidos pelos demais ramos do direito. Vale
lembrar que o Direito Penal tem a consequência mais grave de todos os ramos da
ciência jurídica, pois somente ele pode privar a pessoa física de sua liberdade.
Em um Estado Democrático de Direito é de bom alvitre que se garanta ao
cidadão que não viola o ordenamento jurídico o maior número possível de direitos e
garantias individuais, enquanto que aquele que viole esse mesmo ordenamento
tenha retirado de sua esfera jurídica o mínimo de direitos e garantias individuais. Um
Direito Penal Garantista se faz dessa forma.
Sendo assim, preenchendo os vários requisitos que a doutrina e
jurisprudência passam a elencar, faz-se necessário maior relevância para a atuação
do agente que violar apenas aqueles bens jurídicos de maior importância seja na
esfera individual ou coletiva. Pequenos açoites não deverão ser de análise pelo
Poder Judiciário.
Pela relevância que nos dias atuais tal tema passou a ganhar,
encontramos diversos manuais acadêmicos, monografias, artigos científicos e
decisões de nossos tribunais superiores tendo como cerne o Princípio da
Insignificância. Por se tratar do espírito de uma pós-graduação haveremos, por
algumas vezes, que discordar, data venia, do posicionamento de renomados

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doutrinadores e magistrados. Haverá um posicionamento crítico no sentido de
fomentar o debate no nível que a ciência jurídica faz por merecer.

1.4 OBJETIVOS

Visando facilitar o entendimento do tema proposto, há que se buscar


incialmente um aspecto histórico, trazendo ao conhecimento as circunstâncias que
levaram Claus Roxin, mestre alemão, a rascunhar as primeiras linhas a respeito do
Princípio da Insignificância, na década de 70.
Não se deve esquecer jamais o aprofundamento de estudos no que diz
respeito ao que a doutrina pátria passou a adotar sobre o pensamento do referido
autor de importância mundial. Serão diagnosticadas aquelas opiniões que coadunam
bem como as divergências. Posteriormente, serão trazidos a conhecimento também,
os aspectos jurisprudenciais sobre julgamento de casos concretos tendo como
justificativa o princípio em questão.
O entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de
Justiça, nas suas mais variadas formações, deverá ser pesquisado bem como
delimitado frente aos vários crimes dispostos no nosso ordenamento jurídico.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

Nota-se claramente que respeitável parcela de doutrinadores nacionais


dedica um capítulo exclusivo para o Princípio da Insignificância em seus respectivos
manuais.
No presente caso a variedade de títulos publicados e a profundidade com
que tratam o tema andam lado a lado, pois o que até então fora redigido sobre o
assunto em questão é de grande valor. Para nossa alegria há diversas publicações
com profundidade oceânica sobre o Princípio da Insignificância.
Ganha espaço no pensamento nacional um Direito Penal Garantista que
está plenamente de acordo com o espírito da constituição cidadã de Ulisses
Guimarães. Há que se tratar o Direito Penal como a ultima ratio para a solução de
casos concretos.

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Conforme o exposto deve-se ressaltar o posicionamento de Assis Toledo
onde “segundo o princípio da insignificância, que se revela por inteiro pela sua
própria denominação, o direito penal, por sua natureza fragmentária, só vai até onde
seja necessário para a proteção do bem jurídico. Não deve ocupar-se de
bagatelas”1.
A lição de Rogério Greco não pode ser posta de lado de forma alguma.
Logo, conforme sua visão peculiar, “uma vez escolhidos os bens a serem tutelados,
estes integrarão uma pequena parcela que irá merecer a atenção do Direito Penal,
em virtude do seu caráter fragmentário”2.

3. METODOLOGIA

A partir de publicações em manuais acadêmicos de Direito Penal,


monografias, sites especializados, artigos e demais textos com caráter científico
será buscada base sólida para que se construa uma monografia a altura do tema
escolhido.
Decisões já publicadas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior
Tribunal de Justiça, em seus respectivos sites, sejam através da ementa ou votos
dos ministros, também serão palco de importante parte da pesquisa a ser formulada.
O método indutivo de pesquisa será utilizado, buscando visualizar uma
pesquisa qualitativa, pois levará em conta o que fora produzido academicamente,
bem como julgados nos variados casos concretos.

4. REFERÊNCIAS

A fonte principal para pesquisa da futura monografia será uma bibliografia


de grandes nomes da ciência jurídica nacional e internacional. Sites especializados
em publicação de artigos científicos serão também amplamente utilizados bem como
as páginas de tribunais superiores. Preservadas estarão todas as exigências feitas
pela Associação Brasileira de Normas Técnicas para formatação do trabalho.
Referimos aos seguintes trabalhos e sites:

1
TOLEDO, Francisco de Assis. Princípios Basilares de Direito Penal. 5ª ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2002.
p. 133.
2
GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal, Parte Geral. 12ª ed. Rio de Janeiro: Editora Impetus, 2010. p. 59.
5
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal - Parte Geral. Vol. 1. 12ª ed.
Editora Saraiva, 2008.

GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal - Parte Geral. 12ª ed. Rio de Janeiro:
Editora Impetus, 2010.

MIRABETE, Júlio Fabbrini; FABBRINI, Renato N.. Manual de Direito Penal – Parte
Geral. 24ª ed. São Paulo: Editora Atlas, 2007.

PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro. 6ª ed. Editora Revistas dos
Tribunais, 2006.

QUEIROZ, Paulo. Direito Penal – Parte Geral. 6ª ed. Rio de Janeiro: Editora Lumen
Juris, 2010.

TOLEDO, Francisco de Assis. Princípios Basilares de Direito Penal. 5ª ed. São


Paulo: Editora Saraiva, 2002.

ZAFFARONI, Eugenio Raul; PIERANGELI, J. Henrique. Manual de Direito Penal


Brasileiro – Parte Geral. 7ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007.

Consultor Jurídico, disponível em www.conju.com.br. Acesso em 09 de abril de


2011.

Jus Navigandi, disponível em www.jus.com.br. Acesso em 09 de abril de 2011.

Superior Tribunal de Justiça, disponível em www.stj.jus.br. Acesso em 09 de abril de


2011.

Supremo Tribunal Federal, disponível em www.stf.jus.br. Acesso em 09 de abril de


2011.