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#3 ENTREVISTA:

REVISTA
crianças e jovens
em situação de
DEZEMBRO DE 2010

vulnerabilidade

GESTÃO:
cidades do interior
no foco do
tecnologias na educação prêmio nacional

NOVAS TECNOLOGIAS NA ESCOLA


Capacitar professores é fundamental
TV Escola_3.indd 1 15/12/2010 18:29:58
GUIA PARA SINTONIZAR
A TV Escola é um canal gratuito distribuído por satélite para todo o Brasil.
Para assisti-la, é necessário uma antena parabólica – digital ou analógica –
e sintonizar!

Dados de sintonia 1
SINAL ANALÓGICO
Polarização horizontal
Frequência 3770

Dados de sintonia 2
SINAL DIGITAL
Banda C
Polarização vertical
Frequência 3965

 Para que tudo esteja funcionado perfeitamente, é  Se você não tem TV Escola na sua TV a cabo, peça
preciso se certificar de que todos os cabos e conectores a sua operadora local que solicite nosso sinal gratuita-
estão interligados. Qualquer fio fora do lugar pode im- mente pelo endereço:
pedi-lo de assistir ao seu programa preferido no canal. TV Escola – Ministério da Educação MEC – Esplanada
Caso você tenha dúvidas, a TV Escola elaborou o Manual dos Ministérios – Sede Bloco L1 – Sobreloja 118 –
de Instalação e Sintonia, que está disponível no Portal Brasília DF CEP: 70047-900
do MEC: www.mec.gov.br. Na página, você deverá clicar
no ícone TV Escola, no canto direito do seu monitor.
 Agora você também pode acompanhar, em tem-
 Você também pode acompanhar os programas da po real, os programas da TV Escola pela internet.
TV Escola pelas operadoras de DTH (Direct-to-Home): Basta acessar tvescola.mec.gov.br e entrar na página
Canal 112 • SKY da TV Escola, onde você encontra também a grade com
Canal 694 • TELEFÔNICA TV os destaques da semana.
Canal 123 • VIA EMBRATEL

2 Revista TV Escola | novembro/dezembro 2010

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E D I TO R I A L

Caro professor,

As novas tecnologias da informação e comunicação chegaram para nos inserir

definitivamente na era do trabalho coletivo. Hoje, além de nos comunicar uns com

os outros de forma intensa, geramos conhecimento e produtos juntos. A matéria de

capa desta edição aborda os programas de formação que estão aí para alinhar a

escola com esta dinâmica revolucionária.

Pensando ainda nesta conexão direta professor-tecnologia, a seção Mundo

Virtual apresenta o Portal da TV Escola, que disponibiliza online os vídeos exibidos

no canal e apresenta um leque de propostas para sua utilização em sala de aula.

Comprovando que o domínio da utilização dos recursos tecnológicos pode re-

sultar em grandes ganhos para a educação, nossa equipe de reportagem esteve em

Rondônia para ver de perto as razões pelas quais as escolas de uma cidade da região

amazônica se destacam no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

E se o assunto é destaque: acompanhe a seção Gestão, que deu um giro pelo

Brasil para mostrar as peculiaridades das escolas finalistas ao Prêmio Nacional de

Referência em Gestão Escolar, apontando, claro, a vencedora.

Confira também o trabalho que vem sendo realizado por professores como você

nas seções Você é o repórter e Profissão professor. Quem sabe, na próxima edição,

teremos suas contribuições em nossas páginas?! Boa leitura e até a próxima!

A Redação.

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novembro/dezembro | 2010

Revista TV Escola - Tecnologias na Educação


Publicação da Secretaria de Educação a Distân-
cia do MEC – Ministério da Educação – realizada IMAGEM DE CAPA: ilustração ALIEDO
pela Araguaia Indústria Gráfica e Editora Ltda.
12 G E S TÃO
Coordenação editorial Professores e alunos de cidades
Total Editora do interior do Brasil mostram
Diretor executivo que com vontade, dedicação e
Juarez Borato muito trabalho é possível ser
Editora executiva notável, independentemente da
Bianca Encarnação posição geográfica
Reportagem
Catarina Chagas, Cathia Abreu,
Douglas Duarte, Luiza Xavier,
Mariana Faria, Ronaledo Pelli e
Zeca Bandeira 16 M U N D O V I RT UA L
O Portal da TV Escola
Revisão disponibiliza online os
Christina de Abreu
programas exibidos no canal
Projeto gráfico e diagramação
e apresenta sugestões de
Ampersand Comunicação Gráfica
como integrar seus conteúdos
Produção gráfica
às aulas.
Cristiane Camargo
Documentação
Luciane Farias
7 E N T R E V I S TA

Total Editora
“A ideia da vulnerabilidade não é 2 0 B R A S I L A FO R A
característica pessoal, mas uma De Vilhena, em Rondônia,
Rua Padre Anchieta, 2454 | 12º andar | conjunto
1201 | Bigorrilho, Curitiba – PR, 80730-000
consequência do território onde a uma amostra de como a
pessoa vive. É um cenário de apropriação da tecnologia
Fone: (41) 3079-0007 – Fax: (41) 3078-9010 violação de direitos.” pode impulsionar o
E-mail: totaleditora@totaleditora.com.br rendimento escolar.
Tiragem desta edição: 120 mil exemplares

Ministério da Educação
Secretaria de Educação a Distância
Esplanada dos Ministérios, Bloco L | sala 100
Brasília/DF | 70047 – 900
Tel: (61) 2022-9512 – Fax (61) 2022-9523
E-mails: seed@mec.gov.br tvescola@mec.gov.br
Internet: www.tvescola.mec.gov.br

Esta publicação não se responsabiliza por opiniões


emitidas por seus articulistas e entrevistados

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22 VO C Ê É O R E P Ó R T E R
O cinema vai à escola no Rio Grande
do Norte, estimulando a produção
audiovisual por parte de alunos e
professores.

34 S A LTO PA R A O F U T U R O
Ambientes fechAdos livres
de tAbAco protegem A sAúde

Tabagismo é tema de destaque


de todos. Apóie essA idéiA.

24
www.actbr.org.br

T EC N O LO G I A & E D U C AÇ ÃO AFJ-ADE-Cartaz cx fosf 40x60.indd 2


para 2011. 12/15/07 4:06:39 AM

O professor Edmir Perrotti, da


USP, chama atenção para
aspectos relacionados aos
processos de produção, circulação
e apropriação da informação nas
39 D E S TAQ U E S
Na grade da TV Escola,
dinâmicas educacionais.
programas sobre preservação
de patrimônio histórico, jogos
olímpicos, símbolos
natalinos, ciência e criança,
26 S I N TO N I A M EC
entre outros, pretendem
As últimas informações diretamente
propor novos caminhos
do Ministério da Educação.
à prática pedagógica.

36 CO R R E D O R C U LT U R A L
Sites, livros, filmes e outras
ferramentas pelo dinamismo 50 P RO F I S S ÃO P RO F E S S O R
das aulas “Uma proposta de relação direta
da educação formal com
a educação ambiental,
que contempla o uso contínuo
e cotidiano de material
38 BASTIDORES reciclável em sala de aula.”
Morte e vida Severina,
obra do pernambucano
João Cabral de Melo
Neto, será apresentada
em terceira dimensão.

28 C A PA
O domínio tecnológico como condição
imprescindível para avançar nos
processos de ensino e aprendizagem

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CARTAS

FALE CONOSCO Envie as cartas com seu nome completo, endereço e telefone para
Caixa Postal 76574849 SP ou através do e-mail tvescola@mec.gov.br

ELOGIOS 1 APOIO NA PÓS-GRADUAÇÃO


Excelente a Revista da TV Escola Tec- Tenho acompanhado as matérias pela
nologias na Educação, 2ª ed.2010. Hoje, revista, que minha escola municipal re-
reunimos na telessala para trabalharmos cebe, e tenho gostado muito.Acabei de
o PPP, com a turma da UVA (graduação). concluir uma pós-graduação em tecno-
Foi gratificante ouvir dos colegas profes- logia na educação e utilizei bastante as
CONECTADO sores e alunos que assistem à TV Escola matérias da revista TV Escola na elabo-
Além de acompanhar as reportagens e e gostam da programação. Aproveitei a ração da minha monografia. Fico muito
notícias da revista TV Escola, sempre que oportunidade para apresentar a revista grata e parabenizo. A revista é ÓTIMA!
posso acesso a página da internet da tv@ que acabara de chegar, contribuindo com Evanize Pereira, Recife – PE.
escola para verificar as programações e os recursos pedagógicos e ensino-apren-
assistir a alguns vídeos. dizagem. PARA TER ACESSO 1
Paulo Lins D. Reis, Belém – PA. Juraci Araújo, Florânia – RN. Gostaria de receber a revista TV ESCOLA.
Sou professor e acompanho sempre a re-
ROUPA NOVA ELOGIOS 2 vista TV ESCOLA por ter um conteúdo pro-
Parabéns pelo novo visual da página da Quero aproveitar a oportunidade para gramático bem interessante e aplicável.
TV Escola!!! São os pequenos detalhes que parabenizá-los também pelas matérias Wagner de O. Lima
fazem a diferença de um grande trabalho! da Revista da TV Escola. Os conteúdos só
Ex: um calendário, uma enquete, uma vêm enriquecer a nossa prática pedagógi- PARA TER ACESSO 2
grade de programação, os impressos an- ca em sala de aula. Agradeço a toda equi- Gostaria de saber como faço para adquirir
tigos das revistas e outros. Nós, professo- pe por levar a milhões de profissionais da as revistas da TV Escola?
res, ganhamos em quantidade, qualidade educação a partilha de conhecimentos. Estou fazendo uma pós-graduação: Edu-
e, principalmente, no conteúdo dos vários Elismar Pereira, Água Boa – MT. cação Profissional Tecnológica, e penso
níveis de aprendizagem através da video- que essas revistas serão de grande con-
teca. Aqui, no TELEPOSTO do Instituto de ÁFRICA EM PAUTA tribuição.
Educação Governador Roberto Silveira, Quero parabenizar a Revista da TV Es- Solange Fileti Barboza, Domingos
temos, em nosso arquivo, as primeiras re- cola - Tecnologias na Educação pela Martins – ES.
vistas da TV Escola e ainda os primeiros reportagem sobre a África. Achei muito
vídeos em VHS que foram ao ar no ano interessante conhecer a economia, a cul- A Revista da TV Escola é
de 1996. Somos admiradoras e tura e também os problemas distribuída somente em escolas
educadoras que vivenciamos dia- dos africanos. Pra mim, a da rede pública, Secretarias de
riamente a grade de programação através melhor reportagem da revista. Educação, Bibliotecas e Universidades
do play, do rec, do pause, do rew e do ff. Parabéns! cadastradas em nosso banco de
Parabéns a todos da TV Escola!!! Nossa dados. Você pode acessar a revista na
equipe: Tânia T.Colodete, Simone da Silva Rubenilza Silva, íntegra em versão eletrônica (PDF) no
e Patrícia da Conceição. São Bento do Trairi – nosso portal. Acesse http://tvescola.
Tânia Tavares Colodete, Duque de RN. mec.gov.br na seção Impressos.
Caxias – RJ.

6 Revista TV Escola | novembro/dezembro 2010

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E N T R E V I S TA

O POTENCIAL EDUCATIVO DOS

VULNERÁVEIS
ZECA BANDEIRA

A EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS E JOVENS EM SITUAÇÃO

DE VULNERABILIDADE SOCIAL TRANSFORMOU-SE

EM ESPECIALIDADE PARA A PROFESSORA PAULISTA

MARIA JÚLIA AZEVEDO GOUVEIA.


AOS 47 ANOS, FORMADA EM PSICOLOGIA PELA UNI-

VERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUI-

TA FILHO (1990), COM MESTRADO EM EDUCAÇÃO PELA UNIVERSI-

DADE DE SÃO PAULO (2003), ELA BUSCA FORMAS DE COMBATE ÀS

MAZELAS QUE IMPEDEM O DESENVOLVIMENTO DE CRIANÇAS E

ADOLESCENTES.

MARIA JÚLIA JÁ TRABALHOU COM POPULAÇÃO DE RUA E, HOJE,

DIVIDE-SE ENTRE SÃO PAULO E O INTERIOR DO PARÁ, CONHECEN-

DO, ASSIM, DUAS PONTAS DA DIVERSIDADE BRASILEIRA. COMO

FORMULADORA, COORDENADORA E SUPERVISORA DE EQUIPES

MULTIPROFISSIONAIS, DEFENDE MUDANÇAS RADICAIS – MAS, PA-

RADOXALMENTE, SIMPLES – EM ALGUNS PRECEITOS DO NOSSO

SISTEMA EDUCACIONAL.

Revista TV Escola | maio/junho 2010 7

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“A CURIOSIDADE NÃO É MAIOR OU MENOR DEVIDO À
SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE. AFORA SITUAÇÕES DE
DESNUTRIÇÃO EXTREMA, A ENERGIA PARA O APRENDIZADO
ESTÁ DISPONÍVEL PARA OS JOVENS”

Qual é a definição de um jovem em situ- internet expõe as crianças ao que o muro sico é não ter água, energia, ou mesmo
ação vulnerável? A ideia da vulnerabi- evitava. A gente ainda quer ensinar obe- professores.
lidade não é característica pessoal, mas diência, mas temos de enfatizar o ato de
uma consequência do território onde dizer não. Como o professor deve conduzir o
a pessoa vive. É resultado de situações aprendizado de alunos em situação
que se produzem neste bairro, ou cida- Isso basta? Não. Não podemos esque- vulnerável? O professor sofre as mes-
de, onde não estão garantidos os direitos cer que a adolescência é um tempo de mas dificuldades dos alunos, por mais
individuais. É um cenário de violação de experimentação, quando se prova o que que as escolas tentem impor realidades
direitos. Por exemplo: não ter acesso a é ser adulto. A gravidez na adolescên- diferentes dentro dos muros. A exigência
água potável é situação de vulnerabili- cia se dá em situação de experiência de hoje para o educador é criar situações de
dade. Quando acontece com os adultos, pouco cuidado e muito risco – daí ser um aprendizagem. A curiosidade não é maior
compromete o presente; com crianças problema, assim como as drogas pesa- ou menor devido à situação de vulnera-
e jovens, compromete presente e futuro das, cocaína, que intensificam energia bilidade. Afora situações de desnutrição
e, por isso, demanda intervenção muito e aceleração, coisas que os jovens têm extrema, a energia para o aprendizado
rápida. O ciclo de desenvolvimento hu- o suficiente. As situações de risco estão está disponível para os jovens. O desafio
mano gera uma demanda de garantia ligadas a pouco cuidado e a pouco apoio para o professor é pô-la em funciona-
de direitos muito ampliada, maior do que dos adultos. mento. São duas lutas paralelas: melho-
numa pessoa formada. rar as condições e, o mais importante, fa-
A falta de condições e direitos bási- zer o foco na energia para o aprendizado
Quais são os riscos que espreitam o cos, como alimentação, aparecem – investir no que está disponível, não no
ambiente escolar hoje no Brasil? O como principais adversários da edu- que falta.
mundo ocidental fez a escolha do grande cação? As situações de violência são
investimento de educação no sistema es- muito visíveis e valorizadas, mas não Como deve ser a formação dos pro-
colar. Temos Ministério da Educação com são a principal questão. A principal é a fessores que vão trabalhar com
estratégias, programas e orçamento de- falta de garantias, como viver trancado crianças nessa situação? A nossa for-
finido. Mas a educação não se restringe nos apartamentos das grandes cidades, mação inicial ainda está muito distante
à escolaridade. Por que, por exemplo, a tutelado o tempo inteiro, sem chance dos desafios na vida real do aprendiza-
gente constroi o equipamento e o cerca de fazer escolhas e se responsabilizar do, segue vinculada ao campo especí-
com muros? Para garantir a proteção, por elas. Na periferia e no interior do fico de conhecimento. O que importa
num ambiente a salvo da heterogeneida- Brasil, tenho conhecido realidades com é a matemática, não o sujeito que está
de do mundo. Mas nossa vida tem hoje enorme grau de dificuldade de garan- aprendendo. É preciso saber quem são
um impacto grande de forças virtuais, tias de direitos. Não é só andar quilô- as crianças, do que elas precisam. A
que atravessam muros. O acesso a TV e a metros até a escola, o problema clás- necessidade de aprimoramento fica

8 Revista TV Escola | novembro/dezembro 2010

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E N T R E V I S TA

ESPORTE E ARTE AJUDAM A PROTEGER QUALQUER UM DE


NÓS DE COISAS CONCRETAS, COMO USO DE DROGAS
E DE SER PRECONCEITUOSO (...).
INVESTIR EM ESPORTE E ARTE É APOSTAR EM PROTEÇÃO.

intensificada na situação de vulnera- bandidos fascinam os meninos. Toma- que funciona o cotidiano escolar no
bilidade, pela falta de oportunidade mos como um dado definitivo, mas te- Brasil, fica difícil.
de usufruir do patrimônio cultural. Há mos de ter menos fé nisso. O que é que
necessidade diferente para o professor, fascina? Na verdade, tem a ver com o A localização da escola em área de
que precisa investir no seu próprio re- aprendizado de dizer não. Os adultos risco influencia na qualidade do en-
pertório cultural. Quanto mais amplia- precisam analisar o que é maravilho- sino? Os estudos dizem que não. Tem
do o repertório, menos o risco de ser so, não no sentido de desvalorizar, mas um grau de dificuldade posto, mas há
preconceituoso com os estudantes. de ampliar o campo de escolha. Morar diversos exemplos de infraestrutura e
na rua, por exemplo, que acompanha o situação socioeconômica precárias com
A proximidade de uma área de risco fascínio de liberdade, impõe um conjun- resultados surpreendentes. A leitura,
influencia decisivamente na rotina to de regras intenso, com limites muito por exemplo, consegue mudar cidades
dos estudantes? Na verdade, a roti- duros. E a ida dos meninos para a rua inteiras.
na de vida influencia decisivamente no muitas vezes é uma solução familiar.
estudante. No Pará, na época de chuva Que atividades extracurriculares aju-
intensa, ele não consegue chegar à es- Qual é a importância da família dian- dam a proteger crianças em situação
cola. Em áreas rurais, na temporada de te de uma situação de vulnerabilida- de vulnerabilidade? O esporte ainda
colheita, ele vai faltar inevitavelmente. de? Sem nenhuma questão moral, o que é a melhor opção? E a arte? Esporte e
A escola precisa construir adaptação de a gente chama de família está numa si- arte ajudam a proteger qualquer um de
acordo com o lugar onde está. Se o com- tuação tão vulnerável que tem poucas nós de coisas concretas, como uso de
promisso da escola é com o aprendiza- condições de contribuir. Conheci um drogas e de ser preconceituoso com ne-
do, por que não construir a adaptação? programa no Uruguai, que está sendo gros, de botar fogo em índio. Investir em
A saúde já mudou diversas aspectos em testado em Taboão da Serra (SP), que esporte e arte é apostar em proteção. A
relação a isso. Trinta anos atrás, quem levava à convivência familiar um pou- escolarização fez um abandono do cor-
tinha médico em casa era rico; cons- co da cultura valorizada pela escola. po, que virou suporte da cabeça. Veja
truiu-se uma adaptação com o médico Leitura, por exemplo. Os professores em qualquer escola: reunimos os ado-
de família. O sistema escolar está con- visitam as casas, no horário que possa lescentes sentados durante quatro ho-
vocado a construir adaptações. reunir todo mundo, e leem para a fa- ras, presos. No intervalo, eles quase se
mília, discutem a organização de tem- matam. Está aqui a importância de cui-
Como derrubar a visão, muito presen- po e lugar para estudo, na realidade da dar do corpo. A arte protege pela pos-
te nos jovens, de que os bandidos são família. Assim, produzem rotina dentro sibilidade de expressão de coisas que a
fortes e vitoriosos? Como enfrentar o da casa, com valores importantes para gente não sabe como dizer. Permite que
fascínio? Descobri que os adultos acei- a escola. Para o professor, conhecer a tenhamos expressão no mundo, além de
tam muito rápido essa ideia de que os família valoriza o estudante. Do jeito criar laços entre as pessoas.

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180°

diâmetro = 6cm

temperatura = -18°C

Com a Olimpíada Brasileira de


Matemática das Escolas Públicas,
você descobre que a matemática
raio = 3cm está mais presente na
sua vida do que você imagina.

79°

A matemática está nas coisas mais simples do seu dia a dia. Até na hora de comer um sorvete, por exemplo.
Para aumentar o apetite de alunos e professores das escolas públicas em todo o país pela matemática, o
Ministério da Educação e o Ministério da Ciência e Tecnologia promovem a Olimpíada Brasileira de Matemática
das 10
Escolas
Revista TVPúblicas (Obmep).2010
Escola | novembro/dezembro Desde 2005, são mobilizados mais de 20 milhões de alunos, todos os anos,

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tornando a Obmep a maior Olimpíada de Matemática do mundo.

Mais informações sobre a Olimpíada Brasileira


de Matemática das Escolas Públicas: www.obmep.org.br
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23/11/10 11:49
Interior premiado
UMA ESTÁ NA PERIFERIA DE UMA CIDADE NO INTERIOR DO CEARÁ. OUTRA SOFREU COM AS CHUVAS QUE ATINGI-

RAM BLUMENAU EM 2008. HÁ A QUE SE LOCALIZA NA FRONTEIRA COM O PARAGUAI E TAMBÉM A QUE FICA EM UM

MUNICÍPIO DO LESTE DE MINAS GERAIS. ISSO SEM FALAR NA DE RONDONÓPOLIS, NO MATO GROSSO. MAS FOI DA

ZONA RURAL DA BAHIA QUE SAIU A VENCEDORA DO PRÊMIO NACIONAL DE REFERÊNCIA EM GESTÃO ESCOLAR. A

DISPUTA FOI ACIRRADA, DEMONSTRANDO QUE, MESMO DISTANTES DOS PRINCIPAIS CENTROS URBANOS DO

PAÍS, É POSSÍVEL SER NOTÁVEL, INDEPENDENTEMENTE DA POSIÇÃO GEOGRÁFICA. A PARTIR DE AGORA, VOCÊ

CONFERE O QUE HÁ DE ESPECIAL NAS SEIS INSTITUIÇÕES INDICADAS, A COMEÇAR PELA PREMIADA, CLARO!

RONALDO PELLI

PROTAGONISTAS DAS PRÓPRIAS HISTÓRIAS “Se a família participa ativamente da vida escolar, as chances
“O prêmio tem nos permitido revelar a alma da comunidade”, de perdermos nossos alunos para os apelos negativos da so-
diz Francisco Cruz do Nascimento, o Chico, diretor do vencedor ciedade tornam-se nulas”, palavra de premiado.
Colégio Estadual Casa Jovem II, que fica na zona rural de Igra-
piúna, na Bahia. Ele explica que um dos trunfos de sua escola ENTUSIASMO, ORGANIZAÇÃO E
foi tentar aproximar a vida dos seus 722 alunos – sendo parte CRIATIVIDADE
significativa de assentados, quilombolas e a população ribeiri- O mérito de colocar uma escola do interior no centro das
nha – das aulas. atenções de um prêmio de alcance nacional é de gente como
Entre as múltiplas ações da diretoria, destaca-se a aliança Gleydson de Oliveira, diretor do Centro de Atenção Integrada à
com diversas organizações locais para que os alunos da edu- Criança e ao Adolescente (Caic) Senador Carlos Jereissati, que
cação profissional façam estágio na própria região. A escola fica em Russas, cidade a 165 quilômetros de Fortaleza, no Ce-
tenta ainda valorizar e aproveitar os saberes da terra. “O reco- ará. Alunos e professores foram unânimes em afirmar que ele
nhecimento faz com que os alunos possam se tornar verdadei- empolga o colégio, que tem quase mil e quinhentos alunos.
ros protagonistas das suas histórias, mostrando que no campo “Gleydson parece que tem uma pilha, é muito empolgado e
existe lugar para todos, que não há necessidade de abandono acaba nos animando”, diz Antônia Alves, professora de história,
do campo para aventuras incertas nos grandes centros urba- resumindo a percepção de todos na escola. Empolgação, po-
nos”, explica Chico, que fez questão de afirmar que o prêmio foi rém, é apenas um dos quesitos envolvidos na gestão. Segundo
resultado de um trabalho coletivo. “Pais e lideranças comuni- a professora Antônia, sobra organização na diretoria.
tárias participam da avaliação de desempenho dos estudantes. Organização que faz o Caic procurar parceiros fora dos
Essa nota consta de 20% da avaliação no terceiro e quarto bi- muros da escola, como é o caso de uma empresa de calçados
mestres”, diz o diretor, destacando também a participação de vizinha. Depois do aperto de mãos, a indústria tornou-se pa-
todos no processo educacional, com ações como o Grêmio e trocinadora do coral dos alunos e passou a doar o material que
o Colegiado Escolar, além do desejo comum de compartilhar é usado nas aulas de artesanato. Além disso, firmou o com-
a gestão, transformando-a em democrática além do discurso. promisso de empregar os estudantes ao completarem 18 anos.

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G E S TÃO

Representantes do Colégio Estadual Casa Jovem II

Na Senador Carlos Jereissati, há ainda projetos criativos zar os moradores sobre a importância da preservação das matas

FOTOS RONALDO PELLI


que incentivam a escrita e a leitura, como o De leitor a escritor e, com isso, evitar uma nova tragédia natural. “É um projeto de
e ações disciplinares do bem, como o controle de frequência todo mundo”, explica a professora Tânia Maria Leopoldo da Silva
escolar que também conta com a participação dos estudan- Oliveira, organizadora do movimento.
tes. Eles monitoram ainda o recreio dos seus colegas. “Estavam Imbuídos desde então de espírito ecológico, os alunos ti-
acontecendo muitas brincadeiras violentas”, diz a presidente veram uma surpresa em 2010: ao saírem pelas ruas percebe-
do grêmio estudantil, Karla Karolina de Deus Maciel, de 13 ram que árvores da avenida que beira o rio – o mesmo que
anos. Agora, além das habituais corridas, voltaram à cena da transbordou há dois anos – seriam cortadas. Como já haviam
escola jogos como damas e brinquedos quase inocentes, descoberto que unir forças surte efeito, as crianças organi-
O
como corda e elástico. Com um senso de praticidade zaram um protesto e as árvores sobreviveram. Mas o
projeto editou
inerente às ações, a escola figurou como finalis- livros escritos e ilustra- diretor da escola, Adijanes Vitor Zimermmann, teve
ta do Prêmio Nacional de Referência em Gestão dos por alunos do 1º e 2º ano que dar satisfações à Câmara dos Vereadores da
Escolar. com a intenção de promover a cidade.
mudança no hábito de leitura
Além de fazer barulho do lado de fora, a Júlia
por meio de dramatização
PROJETOS, PROJETOS e contação de his-
Lopes de Almeida é também bastante agitada den-
E MAIS PROJETOS tórias. tro dos muros. Seus alunos comandam um telejornal
De Blumenau, em Santa Cataria, apareceu mais uma can- escolar (http://telejornaldaescola.blogspot.com/) que já
didata de projetos transbordantes em criatividade. A Escola de foi premiado nacionalmente. “É importante que, no século 21,
Educação Básica Júlia Lopes de Almeida sofreu com a enchen- se tenha liberdade de expressão”, brada Vitor Henrique Küster
te de 2008 – quando se tornou o teto para os desabrigados e, Moraes Maximian, de 11 anos, que cursa o 6º ano e quer ser
segundo relatos, foi depredada –, mas dessa tragédia nasceu a político e jornalista quando crescer.
união entre diretoria, professores, alunos e pais. No mesmo ano, Alunos, professores e coordenadores da Júlia Lopes de Al-
o grupo já tinha começado a agir em prol da comunidade e con- meida também são autores de ideias simples, mas de grande
seguiu promover a semana do meio ambiente, para conscienti- repercussão, como as malas diretas da sexualidade e do antita-

Revista TV Escola | novembro/dezembro 2010 13

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bagismo, que fazem de CoMunIDaDe Presente
características meninos e meninas em- Em Caratinga, Minas Gerais, a Escola Estadual Menino Je-
baixadores de campa- sus de Praga, também valoriza a presença da comunidade,
dos finalistas no prêmio nhas conscientizadoras com atividades como feiras de ciências e peças de teatro,
nacional de Referência dentro de suas famílias. além de incentivar a participação dos pais no longo proces-
so de aprendizado. “A escola realiza um trabalho de cons-
em Gestão Escolar aPrenDer CoM cientização com as famílias para que todos estejam sempre
o DIa a DIa em sintonia com os objetivos educativos”, conta a diretora
A  Escola Estadual Pau- do colégio,  Sandra Lima da Silva Soares, que  também ex-
>>Projetos educacionais simples,
lo Freire, em  Iguatemi, plica que a autoavaliação e um plano de metas e resultados
mas criativos e com forte cunho
pedagógico no Mato Grosso do Sul, direcionado para cada turma individualmente são trunfos
foi outra finalista a se da instituição para garantir o aprendizado sem prejuízo.
>>Desenvolvimento de propostas
destacar pela aposta
lúdicas no ensino
numa integração do DeDICação De anos
>>Parcerias com instituições aprendizado com o co- Mariza Cruvinel, diretora da Escola Estadual Odorico Leocá-
da sociedade com a inserção do tidiano dos alunos fora dio da Rosa, em Rondonópolis, no Mato Grosso, é mais uma
aprendizado no cotidiano dos
das salas de aula, além a trabalhar com a ajuda da comunidade escolar para aferir
alunos
de parcerias com se- como está o ensino do colégio. “A escola realiza uma pes-
>>Transparência na gestão tores da sociedade. A quisa institucional anual com os pais, alunos, professores e
e planejamento anual para diretora  Cecília Welter demais funcionários, para avaliação do trabalho realizado
encontrar gargalos na Ledesma – que presta pelos vários setores e solicita sugestões para melhoria no
aprendizagem e buscar soluções
contas sobre ações e próximo ano”, diz a diretora, demonstrando a importância
>>Incentivo da avaliação dos gastos, além de mostrar dada à participação de todos e lembrando do planejamento
resultados por parte de alunos, a missão e o objetivo da como algo essencial na aprendizagem.
pais e comunidade instituição, em um blog Cruvinel sintetizou o sentimento de dever cumprido – e
(http://wwwpaulofreire. comprido, porque as ações são muitas – que impera nas es-
blogspot.com/) – expli- colas finalistas do Prêmio. Segundo ela, além da repercus-
ca que projetos como o Escola a Caminho das Famílias ajustam são dos meios de comunicação, a escola chegou a receber
as metodologias educacionais à realidade vivida pelos alunos uma moção da câmara de vereadores da cidade. “Com todo
assegurando a permanência e minimizando a evasão, além de esse trabalho realizado por um grupo dedicado, os frutos
aumentar o rendimento escolar e a integração colégio-comu- estão aparecendo. Mas queremos ressaltar que para alcan-
nidade. “As parcerias complementam as ações que a escola já çar esse sucesso não é de um ano para o outro. Isso é re-
desenvolve, contribuem para a melhora da aprendizagem e pro- sultado de vários anos de dedicação”, afirmou, mostrando
movem a gestão democrática porque a escola abre suas portas que até pode ser difícil, mas não é impossível a formação
para a comunidade.” de qualidade.

PrÊMIo De gestão esColar


o Prêmio de gestão escolar aconte- e o aprendizado dos alunos incen- Podem participar escolas da rede
ce, anualmente, sob organização do tivando práticas de gestão que pos- pública com mais de cem alunos
Conselho nacional de secretários sam servir de referência para todo o matriculados na educação básica.
de educação e o apoio de diversas país. entre os critérios de avaliação as inscrições acontecem no primeiro
entidades públicas, privadas, na- estão a coordenação democrática da semestre de cada ano.
cionais e internacionais. o objetivo escola, a autoavaliação e o incentivo Para mais informações:
é melhorar o desempenho da escola ao processo de melhoria contínua. >> http://www.consed.org.br/

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Novas perspectivas
tecnológicas

CatarIna CHagas

A
profissão de professor sempre teve uma rela- para dinamizar qualquer aula. Seu conteúdo, obvia-
ção direta com livros, giz, quadro negro e pa- mente, segue a programação da TV Escola, ou seja, é
pel. Nos últimos anos, isso mudou bastante. voltado ao professor, levando em conta o currículo da
O universo de recursos do docente entrou em expan- educação básica. Para Rodrigo Prado, programador da
são – pode não abrir mão do material de sempre, mas TV Escola, a seção mais importante do portal é a vide-
incorpora hoje uma relação direta com a tecnologia. oteca. “Nela, qualquer pessoa pode assistir aos vídeos
Televisão e internet cada vez mais marcam presença exibidos no canal sob demanda, quantas vezes quiser,
na escola, trazendo novas perspectivas para o ensino. e, independentemente, da grade de programação”.
Uma se tornou extensão da outra e como exemplo Rodrigo lembra que ter a programação disponível
disso tem-se a TV Escola. O canal, cuja programação online era uma demanda já apresentada muitas vezes
é uma caixa de ferramentas para ser usada em sala pelos professores à equipe da TV Escola, por meio de
Ilustração: MaJane sIlveIra

de aula, desdobra-se na rede na forma de um portal e-mails, cartas e encontros. Pedido atendido: agora,
especialmente desenvolvido para oferecer apoio aos pequenos trechos dos programas estão disponíveis
professores no mundo virtual. para qualquer visitante do portal e, para assistir aos
Criado em 2009, o portal da TV Escola já reúne vídeos completos gratuitamente, basta preencher um
uma quantidade considerável de recursos educativos pequeno cadastro (veja no quadro ao lado). Facilidade

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M U N D O V I R T UA L

de acesso é tudo quando se pretende ofertar algo


ao professor, afinal esse é o internauta que não
tem tempo a perder, só a ganhar. Por isso, para
cada vídeo, a página oferece uma pequena sinop-
se, além de informações como duração e faixa de
ensino a que se destina. Para alguns programas
há, ainda, material de apoio em formato PDF. Esses
arquivos são de fácil acesso e contêm sugestões de
atividades, questões para debate e links para sites
relacionados ao tema em questão.
Pelo portal, o usuário pode, ainda, conferir
a programação diária da TV Escola e assistir aos
programas ao vivo. O ícone “links e canais” amplia
ainda mais a viagem que o professor pode fazer
pela web, apresentando indicações de outros por-
tais e sites em que são encontrados materiais po-
tencialmente interessantes.
Clicando em “TV Escola nos estados”, pro-
fessores e outros visitantes encontram espaço
para deixarem suas impressões sobre o portal e
a própria TV Escola. Por fim, em “Impressos”, o
professor acessa as principais publicações rela-
cionadas ao canal, como o guia da TV Escola, o
manual de instalação e sintonia e – claro! – as
edições completas da Revista TV Escola Tecnolo-
gias na Educação.
Resultado: só em agosto deste ano, o portal da
TV Escola recebeu mais de 72 mil visitas. A página
é mantida por uma equipe de quatro pessoas. Dia-
riamente, os colaboradores atualizam os vídeos,
que acompanham a grade de programação do ca-
nal, e propõem ideias para incrementar a página.
Para se cadastrar E há novidades à vista: “O professor vai poder
criar listas com seus filmes favoritos, compartilhá-
-las com seus alunos e até editar trechos mais
ao clicar “play” em um programa na Videoteca, você importantes”, adianta Rodrigo. Ele conta também
precisa fazer login com e-mail e senha. no primeiro que os próximos passos do portal incluem atuar
nas redes sociais, como Facebook, Twitter, Flickr e
acesso, basta clicar em “cadastre-se” e preencher os
Orkut. “Estamos, atualmente, selecionando o con-
dados solicitados: nome, e-mail, data de nascimento, teúdo específico para essas redes”, explica. O me-
canismo de busca do portal também será aprimo-
senha, estado, município, ocupação e formação acadê-
rado, permitindo que o visitante possa encontrar o
mica. pronto! uma mensagem de confirmação é envia- momento exato em que o conteúdo buscado apa-
da e, daí por diante, basta fornecer e-mail e senha para rece num vídeo, por exemplo. Ou seja: é autonomia
e interação ao alcance do mouse. Então, visitar é
acessar quantos vídeos quiser.
preciso: http://tvescola.mec.gov.br.

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capital
humano
Douglas Duarte

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B R A S I L A FO R A

nEm o BaRulho Da chuVa QuE cai pontualmEntE ÀS tRÊS Da taRDE Em VilhEna,

ciDaDE DE 50 mil haBitantES Em RonDÔnia, impEDE QuE SE ouÇa a BRonca VinDa

Da Sala Do 9o ano: É o lÍDER naZiSta aDolF hitlER chamanDo a atEnÇÃo DE SEuS

SuBoRDinaDoS. Em outRo Dia, SEu contEmpoRÂnEo chaRlES chaplin contEXtua-

liZou a REVoluÇÃo inDuStRial E a cRiSE DE 1930, BRaD pitt contou a hiStÓRia Do

mÍtico hERÓi GREGo aQuilES E o cinEaSta BRaSilEiRo JoRGE FuRtaDo DiViDiu com

oS alunoS alGumaS DE SuaS iDEiaS a RESpEito DE JuStiÇa Social.

V
ilhena é uma das cidades brasileiras onde gente MultIMÍDIa
começa a se delinear um cenário em que “É uma ilusão achar que o acervo é o suficiente.
professores e alunos usam livros, quadro Todo mundo conhece histórias de caixas de DVDs
negro, rádio, TV e computadores de forma integra- da TV Escola fechadas por anos a fio, deixadas no
da. Neste município da região amazônica, a pro- fundo de um armário. O material distribuído pelo
ximidade entre os coordenadores de telessalas da MEC só tem valor se é visto pelos alunos e pelos
rede pública estadual e as coordenadorias da TV professores”, destaca Luciana Löff Francescon,
Escola em nível municipal, estadual e federal está coordenadora da TV Escola de Vilhena. “E quem
dando bons frutos nos últimos anos. Comparando garante que esse material seja visto, que o acervo
os resultados tanto do Índice de Desenvolvimento cresça, que a estrutura funcione, que a sala seja
da Educação Básica (Ideb) quanto da Prova Brasil usada, é o coordenador de telessala de cada esco-
dos anos de 2005, 2007 e 2009, a rede estadual de la. Pela nossa experiência, quando não há alguém
ensino de Vilhena, com 17 escolas, está acima da dedicado exclusivamente a isso ou que não traba-
média da rede municipal da própria cidade, das lha de forma efetiva, o programa sofre”, diz ela.
escolas estaduais brasileiras e da média total do
estado. Ainda não há avaliações específicas que
possam confirmar que o uso de multimídia, espe-
cialmente a televisão, seja o principal fator fazendo
a diferença nos índices de Vilhena – mas é difícil
negar que ele tenha algum peso.
Isso, é claro, vai muito além de passar filmes
como “As últimas horas de Hitler”, “Tempos mo-
dernos”, “Troia” e o clássico “Ilha das Flores”. Na
verdade, para os alunos estes são apenas o prato
principal de uma dieta que inclui documentários,
programas didáticos, vídeos específicos sobre a re-
alidade regional e até mesmo material audiovisual
produzido pelos próprios alunos e professores. A TV
Escola oferece uma base sólida de programação em
Fotos: Douglas Duarte

quase todos esses campos, mas o sistema de Vilhe-


na se apóia num tripé: gente, acervo e estrutura físi-
ca. Tudo unido por uma coordenadoria preocupada
com a eficiência.

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Infelizmente, ter um profissional capacitado e exclusivo nesta
função ainda é raro Brasil afora. O cargo de coordenador de telessala
muitas vezes é visto como um trabalho mais leve e vai para profes-
sores, momentaneamente, incapacitados de dar aula ou mesmo per-
to da aposentadoria. “Tem essa ideia de que o coordenador trabalha
menos por estar fora de sala. Embora force menos a voz, a coluna e a
mão, eu sei bem que não é verdade”, diz Laurides Boaventura dos San-
tos, coordenadora da telessada da Escola Estadual Marechal Rondon.
Além disso, a falta de professores nas salas de aula acaba “roubando”
efetivo das telessalas. “Colocar alguém de matemática ou outra ma-
téria com poucos quadros é um risco, porque em algum momento a
rede vai precisar dele em frente a um quadro negro. O maior inimigo
da telessala é essa rotatividade do cargo”, diz Luciana.
E a razão é simples: leva tempo até um professor se tornar um
bom coordenador de telessala. Luciana e Laurides estimam que seja
necessário ao menos um ano para se conhecer bem o acervo, enten-
der como conseguir peças que faltam – na coordenação municipal, na
internet, em locadoras, com professores e amigos – e, principalmente,
como encaixar esses materiais no currículo de cada série e junto a
cada professor.
Fazer isso, tem algo de dom e algo de formação. No caso de Lu-
ciana e Laurides, ambas têm jeito com tecnologia, boa comunicação
interpessoal e já fizeram o Mídias na Educação, programa de qualifi-
cação a distância em que o MEC dissemina boas práticas no uso de
impressos, rádio, TV e computação na educação. Também se dizem
expectadoras assíduas do Salto para o Futuro, programa da TV Escola
que, em muitas oportunidades, discute as tecnologias aplicadas em
sala de aula.
Uma das formas que Rondônia encontrou para melhorar o per-
fil dos coordenadores e de quebra evitar a rotatividade foi abrir um
concurso específico para professor multimídia. Como eles não podem
dar aulas “comuns”, estão a salvo da rotatividade. Em breve sairão os
primeiros 200 selecionados, que serão distribuídos pelas cerca de 420
escolas do estado.

Coordenação
Mas o trabalho eficiente nas escolas não basta. A coordenação de
cada cidade é um posto chave. Cabe a gente como Luciana, lotada
oficialmente na Representação de Ensino de Rondônia em Vilhena,
formar um grupo coeso com os coordenadores de cada telessala. O
trabalho é mais do que encontrar e copiar materiais para escolas
sem infraestrutura de captação e gravação, inclui reuniões com os
coordenadores uma vez a cada mês letivo para que eles troquem
experiências, ajudem os que estão começando e dividam boas prá-
ticas, sugestões de cursos, vídeos e mesmo macetes para contornar
problemas meramente técnicos como um DVD com defeito.

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> Nas escolas, instituir o agendamento de aulas com antecedência para permitir o planeja-

Boas práticas em Multimídia


mento e evitar que filmes apenas “tapem buracos”.
>Coordenadores de telessala devem trocar experiências presencialmente, com encontros
constantes, e virtualmente, através de um site ou listas de discussão. Um bom modelo é o
blog do Núcleo de Tecnologias da Educação de Vilhena: http://ntevha.blogspot.com.
>Escolher professores que demonstrem facilidade com a tecnologia, sejam comunicativos,
tenham passado por cursos de qualificação relevantes, de preferência professores multimí-
dia concursados, que não possam ser “roubados” para salas de aula.
>Manter em nível municipal e estadual um sistema unificado de controle e avaliação das aulas.
> Ter um acervo organizado e fichado para localizar com facilidade vídeos úteis.
> Em classe, vale parar filmes no meio, comentar e debater. Aula com audiovisual não é ir
ao cinema.
> Planejar material para datas históricas, feriados e efemérides com antecedência.

Também é o coordenador municipal quem monitora, admi- Em muitas escolas, a falta de telessalas é suprida com um
nistra e, por vezes, alimenta o sistema estadual informatizado de carrinho-pedestal onde vão TV, aparelho de DVD e (ainda) um vi-
gestão de aulas, algo que está sendo implementado em Rondônia deocassete. Foi a bordo de um desses que Hitler chegou à 9ª série
e já faz parte da rotina em Vilhena. O vídeo usado para cada disci- da Marechal Rondon, já que a telessala oficial estava ocupada pe-
plina está disponível online, assim como a função atribuída a ele los alunos de ensino religioso. É preciso alguma boa vontade para
no currículo - de acordo com uma ficha detalhada preenchida por ouvir o que se passa nas cenas e às vezes é difícil ler as legendas
cada professor - e até o aproveitamento da aula em questão. Os dos diálogos rápidos na tela ofuscada pela luz que vem de fora.
dados são acompanhados pela gestão estadual em Porto Velho. Mas os alunos não parecem se importar. Foram eles quem esco-
Da capital, vêm elogios: “Vilhena é um dos municípios em lheram o filme, afinal. O que leva ao último ponto-chave: o que
que a TV Escola deu mais certo por conta de dois fatores, acho: a usar em classe?
rede não é grande como a de outros municípios e os professores se Embora os filmes sejam uma ótima pedida – principalmen-
mantiveram nas telessalas e em muitos casos nas mesmas esco- te quando os alunos participam com boas sugestões – Luciana e
las”, explica Cleusa Buonamigo, da coordenação da TV Escola em Laurides garantem que seu encanto passa rápido. “Depois de al-
Porto Velho. “Eu mesma, quando ainda dava aula, aprendi muito gumas aulas, os professores percebem que nem sempre os filmes
com eles a como usar vídeos”. são a melhor pedida. Pela duração, às vezes você tem que ocupar
duas, três aulas, e os alunos já esqueceram o que aconteceu no
Acervo e estrutura começo. Geralmente, conteúdos mais focados e curtos, que você
“Ah, é claro que eles querem sair da sala de aula comum, né?”, pode exibir e discutir numa única aula, funcionam melhor”, ex-
explica Laurides enquanto cerca de vinte alunos se acomodam plica Luciana.
nas cadeiras acolchoadas da telessala e a professora de filosofia Ainda há muito trabalho pela frente. Conteúdos locais,
e ensino religioso verifica se o DVD está tocando e fecha as corti- por exemplo, ainda são a exceção. “Eu sinto que é muito
nas, deixando a sala na penumbra. mais fácil você encontrar material sobre o Rio Yang-Tsé,
A Marechal Rondon é uma escola de porte médio, com estru- na China, do que sobre o Madeira, que passa aqui perto”,
tura ampla, dispondo de espaço e orçamento para montar uma exemplifica Laurides. Já há iniciativas de produzir conteú-
sala exclusivamente dedicada aos conteúdos audiovisuais. Não é a do sobre realidades particulares de cada estado, mas ainda
realidade da maioria das escolas do estado, nem do país. Em mui- são tímidas.
tas delas a decisão oscila entre adquirir um aparelho de DVD ou O certo é que há algo na própria lógica da multimídia que
um computador para a secretaria, comprar discos virgens ou uma ajuda a sua expansão pelas escolas. “Depois que um coordenador
nova prateleira, consertar o bebedouro ou pintar os muros. Como de telessala faz um bom trabalho, se forma um círculo virtuoso
a verba para estrutura permanente é a mesma, os coordenadores de cobranças na escola. Se um professor novo não usa vídeo, os
muitas vezes improvisam: “Em outras escolas, já fiz rifa, vatapá, alunos cobram. Se o coordenador de telessala substituto não tra-
usei dinheiro da cantina... Tudo para comprar equipamentos de balha direito, o professor cobra. Todo mundo começa a contar com
que precisávamos. Se não for assim, as coisas não acontecem”. aquilo”, diz Luciana.

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VO C Ê É O R E P Ó RT E R

QuanDo o CIneMa Vai À esCola


CatHIa aBreu

D
a minha experiência com o centro de Documentação os eventos são tantos que extrapolam os muros das escolas,
e comunicação popular – organização não Governa- ocupando outros espaços da comunidade, como auditórios, teatros
mental fundada em 1991 – desenvolvi minhas habili- e praças. Em alguns municípios, o cinema na Escola já reuniu um
dades nas áreas de planejamento estratégico, produção e uti- público três mil pessoas em praça pública para assistir às produ-
lização de vídeo, fotografia e rádio com o foco em educação e ções locais. hoje, o projeto dispõe de um acervo considerável de
cultura. mas a história que tenho para contar começou a acon- documentários, reportagens e filmes de ficção de curta e média
tecer no segundo semestre de 2008, em uma de minhas aulas, metragem realizados por agentes culturais locais. nessas produ-
com a criação do “cinema na Escola”. ções os protagonistas são os estudantes, educadores e artistas po-
o projeto consiste, desde o início, em atividades de exibição e pulares de cada município.
discussão de filmes nacionais e regionais, de curta e média dura- a partir do envolvimento e da repercussão que conseguiu, nós,
ção. mas o propósito que era de promover o acesso da população do cinema na Escola, realizamos, em 2010, uma parceria com a se-
aos bens culturais cresceu, passando a incluir também o interesse cretaria Estadual de Educação e cultura, como resultado implan-
de estimular a capacitação de estudantes, educadores e grupos tamos a Rede potiguar de televisão Educativa e cultural (RptV). o
culturais para a produção audiovisual no Rio Grande do norte. canal, que já está disponível na cidade de currais novos, em breve
hoje, a iniciativa se expande por todo estado, ou seja: o cinema será exibido também nas cidades de assu, mossoró e natal.
na Escola está na capital e no interior, envolvendo um total de dez no comando da RptV estão estudantes e educadores, que tem
municípios e articulando as áreas da cultura, comunicação e edu- o propósito de produzir e veicular conteúdos audiovisuais que so-
cação nos espaços da escola e na comunidade. cializem as práticas educativas transformadoras, contribuam com
Embora tenha como foco o cinema, o projeto realiza oficinas de a preservação da natureza e fortaleçam a identidade cultural bra-
formação em áreas específicas e afins, como é o caso das oficinas de sileira e nordestina.
desenho, fotografia, leitura da imagem, roteiro e linguagem de vídeo,
tV e cinema. a imagem também tem sido utilizada como forma de
documentação e socialização de pesquisas sobre o patrimônio cul- Sou Raimundo Melo, professor há 22 anos. Graduado em
tural e como registro de práticas educativas transformadoras. letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte,
as capacitações e produções audiovisuais acontecem ao pós-graduado em Ciências Sociais pela Universidade
longo do ano letivo e todos os municípios participantes rea- Federal da Paraíba, comunicador e pesquisador da
lizam suas mostras de cinema. Durante o evento, acontecem cultura popular brasileira. Já realizei mais de 50
novas oficinas; mostras de fotografias, artes visuais, cinema e documentários e ganhei diversos prêmios por essas
vídeo; além de apresentações culturais. há ainda, em parale- produções. Na Secretaria Estadual de Educação e
lo, discussões de propostas culturais e educativas para o mu- Cultura do Rio Grande do Norte coordeno o Projeto
nicípio; debates sobre a continuidade e ampliação do projeto; Cinema na Escola e a Rede Potiguar de Televisão
e articulação de parcerias. Educativa e Cultural no Estado.

Exibição do projeto Cinema na Escola em praça


pública de Natal-RN.
Foto cedida pelo autor.

 tvescola@mec.gov.br assIM CoMo o raIMunDo, voCÊ PoDe


ManDar o relato De uMa eXPerIÊnCIa PeDagÓgICa DIFerenCIaDa Para esta seção.
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ContaMos CoM a sua PartICIPação Pelo e-MaIl.

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S I N TO N I A M EC
conhecimento
e pesquisa
O Portal Domínio Público, do Ministério da Educação, é uma fonte de co-
nhecimento e pesquisa que está à disposição de professores, estudantes e da
comunidade em geral. O Portal oferece um amplo acervo de obras literárias,
artísticas e científicas na forma de textos, sons, imagens e vídeos. São publi-
cações já em domínio público ou que tiveram sua divulgação devidamente
autorizada. São mais de 130 mil obras, 66 mil teses e dissertações, mais 15 mil
publicações literárias em vários idiomas. Entre eles, os escritores Graciliano
Ramos, Guimarães Rosa, Machado de Assis e Mário de Andrade. Há obras do
português Eça de Queiroz e do inglês William Shakespeare. Além disso, há mú-
sica erudita, popular e reproduções de obras de arte. O usuário tem a opção de fazer cópia dos textos e imprimi-los, totalmente ou em
parte. Tudo isso disponível gratuitamente, para qualquer usuário da internet. Acesse http://www.dominiopublico.gov.br

Brasil cresce Brasil cresce


na educação básica i na educação básica ii
O Brasil aparece entre os três países que mais evoluíram na educação Na tabela geral, o Brasil está na 53ª posição. Entre as
básica nesta década. A informação faz parte do relatório preliminar do nações latino-americanas, superou a Argentina e a Co-
Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) 2009, divulgado lômbia. Está 19 pontos atrás do México, que ocupa o 49º
no início de dezembro de 2010, pela Organização para a Cooperação e lugar; a 26 pontos do Uruguai (47º), e a 38 pontos do Chile
Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. A educação brasileira (45º). A avaliação foi realizada em 65 países, 34 deles da
evoluiu 33 pontos entre os exames realizados no período 2000-2009. OCDE. Participaram 470 mil estudantes, sendo 20 mil bra-
Em 2000, a média brasileira das notas em leitura, matemática e ciên- sileiros, das 27 unidades da Federação, de escolas urbanas
cias era de 368 pontos. Em 2009, a média subiu para 401 pontos. Com e rurais, públicas e privadas. Responderam as provas de
isso, o país atingiu a meta do Plano de Desenvolvimento da Educação leitura, matemática e ciências, estudantes nascidos em
(PDE), que era média de 395 pontos nas três disciplinas. O crescimento 1993. Na média nacional, o Brasil cresceu principalmente
do investimento em educação, o foco na aprendizagem das crianças, a em matemática, passando de 334 pontos, em 2000, para
definição de metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica 386 pontos em 2009; em ciências, passou de 375 para 405,
(Ideb) por escolas, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas e em leitura, de 396 para 412. Na avaliação do Pisa por
Públicas (Obmep) são alguns dos aspectos responsáveis pelo resultado unidades da Federação, o Distrito Federal aparece com as
positivo apontados pelos especialistas. A meta para 2012 é subir mais 16 melhores notas, seguido por Santa Catarina, Rio Grande
pontos e chegar a 417. Para alcançar essa meta, a prioridade do Minis- do Sul, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, São Paulo,
tério da Educação será investir em educação infantil e na valorização do Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Goiás, todos com mé-
magistério, em formação e melhoria na remuneração dos professores. dia superior à média nacional.

Revista TV Escola | novembro/dezembro 2010 23

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Infoeducação:
objeto educacional
do século 21

eDMIr PerrottI*

S
e você se preocupa com os rumos mática denominada em língua inglesa de
da educação brasileira no século information literacy, ou seja, alfabetiza-
XXI e não conhece ainda o termo ção ou letramento informacional , e que
infoeducação, é momento de atentar para traduzida para o espanhol ganhou a sigla
a palavra. Surgida para nomear o “1º Co- ALFIN (alfabetización informacional). Os
lóquio Brasil-França de Infoeducação”, portugueses vêm falando em literacia, os
realizado na Escola de Comunicações e franceses em educação para a informa-
Artes, da Universidade de São Paulo, no ção; nós criamos o termo infoeducação,
ano de 2000, a nova formulação referia- pois entendemos que as duas questões
-se a questões que ganharam importância devem ser tratadas de forma articulada e
central na chamada “era da informação”: correlata, já que há uma interdependência
as relações cada vez mais complexas e in- inescapável entre tais termos, sobretudo
trincadas entre informação e educação na pensando-se nos recursos de autoforma-
contemporaneidade. ção de que dispomos atualmente.
A complexidade resultante dessa re- Variados documentos e iniciativas,
lação entre informação e educação vem em diversas partes do mundo, chamam
sendo pauta constante nas agendas ofi- a atenção para aspectos relacionados
ciais e nos mais diferentes fóruns educa- aos processos de produção, circulação e
edmir Perroti é professor da disciplina
Infoeducação: acesso e apropriação tivos e científicos internacionais. Na reali- apropriação da informação nas dinâmicas
da informação na contemporaneidade, dade, desde a década de 1970, a UNESCO, educacionais. Além de aspectos materiais
do Programa de Pós-Gradução em Ciência
da Informação, e da disciplina Políticas atenta sobretudo a alertas de entidades e técnicos das questões (existência ou não
Públicas de Leitura, do Departamento como a American Library Association de computadores com acesso a web, labo-
de Jornalismo e Editoração da Escola
Ilustração MÁrIo Bag

(ALA- Associação dos Bibliotecários Ame- ratórios de informática, bibliotecas, midia-


de Comunicações e Artes da Universidade
de São Paulo; é também diretor científico ricanos), vem se manifestando sobre a tecas, livros, tvs, dvds, dentre outros), tais
do Colabori - Colaboratório de Infoeducação, questão. Assim, a partir desse período, documentos vêm-se voltando especial-
na mesma universidade.
perrotti@usp.br vem tendo destaque especial uma proble- mente para outras dimensões da proble-

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T EC N O LO G I A & E D U C AÇ ÃO

mática: as possibilidades de conhecimento As aprendizagens informacionais de- beiram a vertigem, produzindo saturação,
e cultura de que os dispositivos informacio- verão se dar por meio de programas siste- estresse informacional.
nais são portadores. Daí falarem em alfa- máticos e permanentes, desenvolvidos em Em conclusão: a infoeducação neces-
betização, em letramento informacional, diferentes graus, como já ocorre em várias sita ser tomada como questão educativa
em educação para a informação, da mesma partes do mundo, de forma autônoma e urgente pelo país; ser desenvolvida sob a
forma que falamos em infoeducação. específica, mas articulada com conteúdos forma de programas inscritos nos currícu-
A infoeducação é, desse modo, uma disciplinares desenvolvidos pela sala de los e nos projetos político-pedagógicos das
formulação que, em comum com as abor- aula. A escola brasileira necessita discutir e unidades de ensino de diferentes esferas.
dagens acima citadas (“information lite- encaminhar a questão, sem perda de tem- Tais programas podem ser formulados e
racy”, “ALFIN”, “educação para a informa- po. Precisa preocupar-se com o desenvolvi- implementados a partir de instâncias hoje
ção”), propõe a informação como objeto mento orgânico de ações cujo foco é a rela- já existentes. Por tradição, a biblioteca
específico de ensino-aprendizagem, nos es- ção afirmativa e criativa de crianças, jovens escolar – com seus diversos profissionais
paços escolares. Todavia, há uma diferen- e adultos com a cultura da informação e a – vem desempenhando o papel de respon-
ciação entre a proposta da infoeducação e complexidade que a caracteriza. O concei- sável pela elaboração e desenvolvimento
as abordagens adotadas explicitadas an- to de Infoeducação traduz, nesse aspecto, a desses programas, em diferentes partes
teriormente. A infoeducação não apenas compreensão dessa necessidade emergente, do mundo, inclusive em algumas expe-
propõe aprendizagens sobre o manejo de uma vez que os modos como nos informa- riências brasileiras que pudemos acom-
dispositivos informacionais diversificados, mos e como informamos estão diretamente panhar. Nesse cenário surge um novo
sobre a lógica muitas vezes nada simples ligados à natureza de nossos vínculos com ator: o infoeducador, profissional híbrido,
presente nesses dispositivos ou mesmo o o conhecimento, a cultura, a construção de nascido de demandas de nossa época e
sobre desenvolvimento de habilidades e sentidos para o mundo e para nós próprios. que reúne saberes relacionados tanto ao
competências no trato com a informação. A Sendo assim, reconhecida em várias campo da informação como da educação.
infoeducação propõe ir além: sugere cons- e importantes partes do mundo a neces- E o infoeducador pode ser qualquer pro-
truir atitudes afirmativas e críticas face a sidade urgente da infoeducação, a discus- fissional que se relacione com esses dois
informação. Por tal razão os conceitos de são centra-se, atualmente, no modo de se campos (informação e educação), como
apropriação e de protagonismo cultural lhe fazer isso: quais os saberes informacionais os responsáveis pelos espaços escolares
são extremamente caros. Nossos estudantes a serem ensinados? Qual a gradação das voltados para as questões informacionais,
precisam aprender não só a usar, mas a po- aprendizagens? Quando iniciar? Quando como os laboratórios de informática, por
sicionar-se em relação ao aparato informa- terminar? Quanto tempo deve tal ensino exemplo. O importante é que esse infoe-
cional que os envolve. Precisam aprender a durar? Quem ensina? Onde? Com que con- ducador esteja preparado para a missão e
atribuir valor a livros, jornais, revistas; a fon- cepções, conceitos e práticas? Com que dis- a função especiais de proporem e desen-
tes informacionais diversas e díspares como positivos? Quem e como avaliar? volverem programas de infoeducação que
tv, rádio, computadores, web, cds, dvds. Por dialoguem com as dinâmicas escolares e
outro lado, precisam saber relacionar-se e,
igualmente, atribuir valor a instâncias in-
formacionais de nossa época, como biblio-
E m meio às diferentes dúvidas e posições,
um dado se afirma: o domínio dos sa-
beres informacionais não se dá por osmose,
comunitárias, que articulem instâncias
privilegiadas de informação e cultura na
escola e fora dela (bibliotecas escolares e
tecas, museus, centros de arte, de cultura, como muitas vezes pensa o senso comum. públicas, salas e cantos de leitura, labora-
de memória, e demais espaços, códigos e Demanda processos intelectuais comple- tórios de informática, salas de aula, mu-
linguagens constitutivos dos processos de xos, dispositivos informacionais, mediações seus, centros de arte, de cultura etc). Com
conhecimento. Sem tais aprendizagens cul- pedagógicas e a implementação de ações isso, estarão participando ativamente e
turais, sem a construção de atitudes diante que implicam tanto o campo informacional não como mero suporte dos processos de
do bombardeio informacional que nos aco- como o educacional. Ações que, por sua vez, ensino-aprendizagem. Estarão, em articu-
mete, será difícil oferecermos oportunidades eram desconhecidas no passado, já que as lação com os demais educadores, dando
a nossos alunos de participação ativa e au- relações com a informação eram de natu- respostas necessárias às demandas nasci-
tônoma na cultura multiforme, dinâmica e reza distinta. Não conhecíamos, por exem- das em época recente e indispensáveis aos
complexa dos tempos atuais. plo, ritmos cognitivos como os atuais, que processos educativos do século 21.

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EduCação é uM assunto quE rEndE Muitas Páginas.
até agora, uMas 38 Mil Páginas. aCEssE o Portal do MEC.

O Portal do MEC oferece serviços exclusivos e conteúdos online a todos que têm interesse em educação. São diversos serviços que vão desde as inscrições no Enem de incl
e no ProUni, feitas exclusivamente pelo Portal do MEC, até a formação e atualização dos professores com a Plataforma Freire. Em 2009, o portal mudou seu visual e sua muita
estrutura, tornando-se mais objetivo, interativo e fácil de navegar. Com cerca de 38 mil páginas e um grande volume de matérias, artigos, informação das secretarias, mais o
editais, entre outras informações, o portal é acessado diariamente por milhares de pessoas em todo o Brasil e em vários países do mundo e atende a todos os itens Para s

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Portal do MEC: pelo segundo
ano consecutivo vencedor
do Top Educação na categoria
Portais Educacionais.
Ministério
da Educação

Enem de inclusão digital facilitando o acesso de portadores de necessidades especiais. Tudo com
al e sua muita interatividade para você comentar, criticar e enviar sugestões para melhorar ainda
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ilustrações aliedo

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Qualificação
aproxima
professor
das novas
tecnologias
Nas últimas três décadas, novas ferramentas tecnológicas e mídias fo-

ram introduzidas em nosso cotidiano numa velocidade quase deliran-

te. Ofertas e demandas brotam espontaneamente, exigindo agilidade de

praticamente todos os segmentos da sociedade. Numa era em que espe-

cializações técnicas começam a ganhar mais terreno do que as próprias

relações humanas, a educação precisa fincar suas estacas, mostrar

que acompanha a alucinante revolução da informação. E os programas

de formação para domínio da informática estão aí para isso.

Zeca Bandeira

A
ssim como blogs, redes sociais, chats e O curso de especialização em Tecnologias em
portais espalham-se internet afora, ca- Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio
pacitações são oferecidas para profes- de Janeiro (PUC-Rio) em parceira com o Ministério
sores se adaptarem à nova ordem. Os da Educação é uma opção de caminho a ser trilhado
educadores buscam ficar por dentro des- por professores de escolas estaduais e municipais do
se maravilhoso mundo da web, agora 2.0, e, para isso, Ensino Fundamental e Médio. Coordenado pela pro-
precisam encontrar resposta para uma pergunta-chave: fessora Gilda Helena Bernardino de Campos, do Cen-
como utilizar computadores e outros aparelhos a servi- tro de Ciências de Educação (CCE-PUC), disponibiliza
ço dos processos de ensino e aprendizagem? 6.300 vagas e é aberto a educadores de todo o país.

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Foi um achado para a professora carioca Maria Salete Lopes exemplo, das instituições atendidas pelo projeto Um Computa-
Paulo, 60 anos, que leciona português e literatura no ensino mé- dor por Aluno (UCA). “Trabalho com o computador na sala como
dio do Colégio Estadual André Maurois, no Rio de Janeiro. “Não se fosse uma caneta ou um caderno, é uma ferramenta móvel,
sou da geração da informática. Mas fui buscar algo novo, que que está à disposição do professor a qualquer horário”, resume
me permitisse trazer o aluno para perto de mim”, ensina, reco- Cláudio André, professor da Universidade Federal da Paraíba e
nhecendo que, logo no início, teve dificuldades para apresentar coordenador do programa de formadores do UCA.
aos alunos o que aprendia: “Faltava dominar a tecnologia”. Nada Para ele, a partir desta nova situação é possível traçar um
grave. Com a natural evolução do aprendizado, passou a levar os plano estratégico de formação de professores. Uma dessas
alunos para o laboratório de informática do colégio, que dispõe estratégias é fazer o levantamento de todos os programas de
de banda larga e 50 computadores ligados em rede. formação existentes, para não repeti-los e avançar. “Um exem-
“O interesse aumentou e aula passou a ter outro efeito”, conta plo disso é o Mídias na Educação, que já tem alguns anos de
Salete, que também leciona no 9º ano do Instituto Superior de Edu- existência e vai sofrendo alterações porque o público tem novos
cação do Rio (Iserj). Mas a surpresa definitiva veio numa aula sobre conhecimentos”, aponta, lembrando que tornou-se possível ao
literatura de cordel. Ela pediu aos estudantes que pesquisassem o professor perceber, num dos estágios da formação, que a tecno-
assunto na internet. Diante dos resultados que obtiveram via web, logia tem de se integrar não apenas à sala de aula, mas a todo o
decidiram, voluntariamente, visitar a Feira de São Cristóvão, tradi- processo pedagógico.
cional ponto de nordestinos (e cordelistas) do Rio. Ou seja: o conhe- O Mídias na Educação é um programa de educação a dis-
cimento adquirido de maneira digital tornou-se objeto de interesse tância, com estrutura modular, voltado a professores da edu-
real. “A mídia deixou de ser um mero complemento da aula. Ficar cação básica, que proporciona formação continuada para o
falando para os alunos copiarem já era. Viramos mediadores entre uso pedagógico das diferentes tecnologias da informação e da
os estudantes e o conhecimento”, atesta a ex-turista de computa- comunicação – TV e vídeo, informática, rádio e impresso. São
dor, hoje feliz com o recurso que a ajuda “em tudo”. três níveis de certificação, que constituem ciclos de estudo: o
básico, de extensão, com 120 horas de duração; o intermediá-
rio, de aperfeiçoamento, que ocupa 180 horas; e o avançado, de

Do laboratório
especialização, com 360 horas. O programa é desenvolvido pela
Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação

para a sala
(Seed/MEC), em parceria com secretarias estaduais e munici-
pais de educação, além de universidades públicas – que são
responsáveis pela produção, oferta e certificação dos módulos
Em algumas escolas, até mesmo o fato de ir ao laboratório de e pela seleção e capacitação de tutores. O conteúdo do curso-
informática começa a cair em desuso, isso porque o computa- desenvolve as linguagens de comunicação mais adequadas aos
dor foi que adentrou a sala de aula. Esta é uma realidade, por processos de ensino e aprendizagem.

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Criado em 2005, o Mídias na Educação atendeu cerca de tegrado, principal programa de uso de tecnologia desenvolvido
150 mil professores até 2009. A oferta de cursos é organizada pela Seed, é uma ação que, nas palavras dela, ajuda a cativar os
em função da demanda do Plano de Ações Articuladas (PAR), professores resistentes ao uso da informática na educação.
que estabelece metas e indicadores de qualidade para o melhor “O que nós procuramos fazer é mostrar aos professores que
desempenho da educação básica no país. Os três principais eixos eles não podem ficar fora da realidade, porque há uma enorme
do programa são: tecnologia como objeto de estudo e reflexão; necessidade de se preparar o aluno para o mundo, para o mer-
como estratégia pedagógica; autoria e produção. Suas respecti- cado de trabalho”, pondera. “E hoje, ninguém desconhece o fato
vas metas contemplam: propiciar que o professor desmistifique de que até para trabalhar como caixa de supermercado é preciso
a linguagem da mídia e seja capaz de trabalhar com ela criti- saber lidar com o computador”.
camente; instrumentalizar o educador a escolher quando e por Claudelis, assim como muitos de seus pares que trabalham
que usar a mídia na sala de aula; tornar o professor também nos 723 núcleos de tecnologia municipais e estaduais espa-
um produtor de conteúdos em parceria com seus alunos e in- lhados pelo Brasil, encara como principal (e instigante) tarefa
centivá-lo a compartilhar esta produção no Portal do Professor. apresentar o computador – ferramenta para muitos antiga e
para outros ainda tão nova e assustadora – aos professores com
todas as suas inúmeras capacidades. Afinal, como nos lembra o

Os desafios
sociólogo polonês Zygmunt Bauman: “o advento dos sistemas
de computador apenas deu novo impulso a uma velha e perma-

da modernidade
nente tendência da especialização tecnicamente orientada – e
possibilitou que se desenvolvesse numa escala sem precedentes
e até então inconcebível”.
No caminho da modernização, brotam desafios, que servem para Não por acaso, foi criada, além da figura do multiplicador, a
ratificar a urgência da ação tomada. Em Rondônia, por exemplo, função dos servidores técnicos, formados na área de educação,
desde 2008, a professora Claudelis Maria Cardoso Ferreira, co- mas com o entendimento profundo da máquina com a qual to-
ordenadora do Núcleo de Tecnologia Municipal de Porto Velho dos nós temos de lidar. Em Santa Catarina, por exemplo, onde
tem, nos três módulos que compõem o Programa Nacional de o núcleo é coordenado pela professora Dóris Regina França, há
Formação Continuada em Tecnologia Educacional – Proinfo In- 17 desses profissionais que conjugam informática e educação, e

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atuam em sala de aula, convocados pelos professores, para ameni-
zar o estresse naqueles momentos em que homem e máquina não
conseguem se entender.
Dóris também usou um jeitinho especial, feminino e criativo,
para incentivar e ajudar a quebrar a resistência dos professores mais
velhos, que a ela também incomoda. “Trocamos o nome de ‘labo-
ratório’ para ‘salas informatizadas’, o que pode ajudar a entender
que não se trata de uma experiência, e, sim, de um local que vai ser
utilizado para potencializar o trabalho pedagógico”, ensina. “Eu pre-
ciso que o professor tenha este entendimento, de que ele pode usar
esta ferramenta para auxiliá-lo no processo de educação. Não é só
aprender a usar o computador, tem que saber como usá-lo no pro-
cesso pedagógico. Assim como a televisão não pode ser usada em
qualquer programa, o computador também não pode ser usado só
para fazer pesquisa, não é o que queremos”.

Análise a calhar
A comparação aparentemente simples feita pela coordenadora de San-
ta Catarina pode ser considerada visionária por permitir a inclusão no
debate de um estudioso das comunicações, o francês Dominique Wol-
ton. Em seu livro, Elogio do grande público, ele lembra ser impossível
“que a palavra comunicação termine reduzida ao seu primeiro sentido,
o de difusão, e que o segundo, a ideia de intercâmbio e, afinal de ética,
seja sistematicamente subestimado, esmagado”. Entender, assim, que
o uso de computadores é um fenômeno determinante no conjunto das
atividades de produção cultural, é essencial.
Vem desta compreensão a necessidade de aproveitar, principalmente
nas escolas, aquilo que a maior ferramenta de comunicação que hoje se co-
nhece pode oferecer à humanidade: o intercâmbio de ideias, ou, como se diz
atualmente, a interatividade. E aqui entra outra variante importante neste
processo, motivação maior de nossos estudos e preocupações: o aluno.
Os jovens que hoje estão nos bancos escolares conhecem ferra-
mentas tecnológicas praticamente desde que nasceram e se familiari-
zam com elas de uma maneira tão natural que, por vezes, até intimida
o professor. E se a conectividade está por toda a parte, como é que
pode ficar fora do ambiente escolar? “A culpa é nossa mesmo, é pre-
ciso mudar. Até os postos de gasolina mudaram as bombas de lugar
para se adaptar melhor aos consumidores. Por que as escolas não po-
dem mudar para melhor atender seus alunos?”, pondera a professora
Doris, numa interrogação que evoca várias respostas.
O fato é que os alunos hoje são craques no uso de redes sociais,
por exemplo. Mas como estimulá-los a ter a mesma desenvoltura na
área do conhecimento aplicado? Lairton José Ferst, técnico contra-

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tado pela União de Dirigentes Municipais de Educação (Undime) mente para este trabalho, por nomes conceituados na academia
de Cuiabá, no Mato Grosso dá a dica no sentido de explorar o e no mercado, e este material tem sido fundamental para as pes-
caminho do meio: “O professor tem de ter o cuidado de utilizar soas que, em todas as regiões brasileiras, iniciam professores na
essas ferramentas sociais a favor de um processo pedagógico, ou transformação do computador em instrumento pedagógico. Mas
seja, procurando explorar mais aquilo que chama a atenção dos não há teoria que vença a emoção.
alunos nessas ferramentas. Os jovens têm muita informação que A resistência de muitos educadores na hora de aprender é,
chegam dessas mídias, e, se nós conseguirmos explorá-las em na maioria das vezes, guiada pela angústia de não saber como
salas de aula, estaremos, como se fala, unindo o útil ao agradá- lidar com algo tão novo e que – pior – seus alunos são capa-
vel”, defende. “A ideia é que não se pode usar o computador sim- zes de manusear com tanta destreza. Sobre este cenário Valmir
plesmente como uma máquina. Por isso é importante capacitar Souto, coordenador do programa de tecnologia educacional da
os professores, e o Proinfo é um programa que merece todo o Secretaria de Educação de Rondônia, que em três anos benefi-
nosso respeito e que deve ser ampliado sempre”, arremata Ferst, ciou cerca de dez mil professores no estado, diz o seguinte: “O
totalmente inserido à lógica de atualização, outro comando do que o professor tem de fazer é admitir que, sim, o aluno tem mais
nosso tempo. familiaridade do que ele com o computador, mas entender que
a presença dele é imprescindível para o processo educacional e
pode potencializar esta disposição do aluno, dando a ele conteú-

Proinfo e a
do para trabalhar melhor”, aponta.
Souto sinaliza que é possível, por exemplo, usar a Wikipé-

superação de
dia, a enciclopédia virtual construída
a partir da colaboração dos internau-

desafios
tas, não como um programa de pes-
quisa somente, mas incentivando os
alunos a participarem da viagem da
Em suas 180 horas de capacitação, elaboração dos conceitos de forma
divididas em três módulos, o ProInfo colaborativa. “É possível fazer isso

Contatos
Integrado é um programa que existe com a turma e depois publicar na Wi-
para isso. O módulo I é a Introdução kipédia. Com certeza será uma forma

imediatos
à Educação Digital, com 40 horas; o II diferente de os jovens usarem o ins-
apresenta o curso de Tecnologias na trumento”, explica.

para
Educação, Ensinando e Aprendendo Sem dúvida alguma, vivemos
com TIC, e tem 100 horas de duração; numa era de muitas questões - e um

capacitação
o Módulo III consome 40 horas com igual número (ou maior) de soluções.
a Elaboração de Projetos. Atualmen- E como lembra Zygmunt Bauman,
te, são 314 mil professores da rede um dos principais pensadores sociais
pública do todo o país sendo capaci- Você, professor, pode se candidatar da atualidade, em seu livro Moderni-
tados. “Os primeiros resultados das aos programas de formação apre- dade e ambivalência: “Encontrá-las,
avaliações que contratamos mos- sentados nesta matéria. Procure o escolhê-las e apropriar-se delas é
tram que por meio destes processos representante do ProInfo na Secre- visto como um ato de emancipação e
de capacitação em rede que estamos taria de Educação do seu estado ou um aumento de liberdade pessoal”.
começando a mudar a cultura de uti- faça contato direto com o Ministério O importante é evitar que o caminho
lização de TIC pelos nossos professo- da Educação por meio da Diretoria de para a liberdade se perca numa rede
res”, afirma Demerval Bruzzi, diretor Produção de Conteúdos e Formação de dependência. A saída ratifica um
de Produção de Conteúdos e Forma- de Professores em Educação a Dis- dos conceitos da evolução profissio­
ção de Professores em Educação a tância pelo email: proinfo@mec.gov. nal do educador: é preciso, acima de
Distância do Ministério da Educação. br ou pelo telefone (61) 2022-9498. tudo, tornar-se cada vez mais capaz
Todo conteúdo foi criado especial- e informado.

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Produção
em série
A equipe do salto para o futuro trabalha de forma permanente para

debater assuntos polêmicos do cotidiano escolar. reuniões entre

profissionais do programa e consultores convidados acontecem em

sequência para definir os conteúdos das séries inéditas. entre os temas

em destaque para o primeiro semestre do próximo ano está o tabagismo.

Luiza Xavier

E
mbora o tema tenha sido abordado em outras edi- Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro.
ções, desta vez incluirá um aspecto diferente: a fu- O múltiplo enfoque permite oferecer aos professores ele-
micultura. A série tem o propósito de mostrar os di- mentos que facilitem debates mais aprofundados sobre o taba-
versos impactos causados pela indústria do tabaco, gismo, que podem ir da saúde à economia do país. “Com acesso
desde a plantação do fumo até a comercialização do cigarro. a informações corretas, o professor poderá reavaliar sua práti-
Com esta pauta, o Salto apresentará ao professor dados reve- ca pedagógica e sua visão a respeito do assunto, contribuindo
ladores sobre como e por que o jovem é um importante alvo para que os jovens possam formar uma visão crítica sobre o
das estratégias desse negócio lucrativo – o Brasil é o maior tema”, afirma Bárbara Pereira, editora-chefe e apresentadora
exportador de cigarros e o segundo maior produtor mundial, do programa. A exibição da série contribuirá para a estratégia
atrás apenas da China – e perigoso. do programa nacional de controle do tabagismo, que envolve
O conteúdo da série está sendo produzido sob três pers- esforços não só de profissionais de saúde, mas, também, de
pectivas: a globalização do problema do tabagismo, as causas outros agentes da sociedade, como advogados, economistas,
do tabagismo entre adolescentes e o impacto da produção de governantes e profissionais de comunicação social.
fumo sobre a saúde dos próprios produtores e sobre o meio Desde 2003, o Brasil é signatário da Convenção-Quadro
ambiente. A sugestão de abordagem partiu dos consultores para o Controle do Tabaco (CQCT), um tratado internacional de
Cristina Perez e Felipe Mendes, coordenadores de Prevenção saúde pública que determina a adoção de medidas para con-
e Vigilância da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto trolar a epidemia do tabagismo. A partir disso, implementar

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S A LTO PA R A O F U T U R O

actbr
As campanhas da Aliança
de Controle do Tabagismo
(ACTbr) devem aparecer
como pano de fundo
da série.

esse documento em nível nacional passou a ser considerada te do interior do Rio Grande do sul, maior produtor de tabaco
uma política de estado e o programa de controle do tabagis- do Brasil.
mo, antes coordenado pelo Ministério da saúde, passou a ser O programa vai mostrar o cotidiano dos pequenos agricul-
multissetorial, incluindo outros 15 ministérios, entre eles o da tores da região e a situação das escolas que, em época de colhei-
Educação. “O professor será um multiplicador dessa informa- ta, chegam a fechar para que as crianças e adolescentes ajudem
ção. vamos falar do que sabemos, do que é verdade, para tentar os pais na secagem das folhas de fumo. “Cada série é um desafio
fazer com que a população-alvo da indústria do tabaco tenha e nesta o desafio é ainda maior pelo ineditismo do tema. será
escolha”, argumenta a consultora Cristina Perez. a primeira vez que abordaremos o tabagismo dessa forma”, diz
Rosa Mendonça, supervisora pedagógica do programa.
Passo a Passo A escolha dos temas desenvolvidos nas séries do salto
O salto para o Futuro exibe dezenas de séries inéditas por ano. para o Futuro ocorre a partir de sugestões de professores de
Para delinear a estrutura de cada um dos cinco programas que todo Brasil e de orientações do Ministério da Educação. Em
compõem uma série, é preciso muita organização e esforço dos 2011, os telespectadores também poderão acompanhar outras
22 integrantes da equipe e dos consultores convidados. nor- temáticas ainda no primeiro semestre, assuntos como o traba-
malmente, são produzidas três séries ao mesmo tempo, o que lho com Quadrinhos nas escolas, Orientação sexual e Cibercul-
inclui viagens a diversas cidades brasileiras para gravação de tura estarão em pauta no programa, que, em 2010, completou
entrevistas. na série sobre tabagismo, a equipe percorrerá par- vinte anos de existência.

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Cinema Televisão Exposição literatura Teatro internet Cultura Artes Plásticas Foto
Exposição literatura TeatroArtes Plásticas Fotografia Música Educação Tecnologia
literatura Cultura

CORREDOR
Televisão Exposição Teatro internet Artes Plásticas Fotografi
Exposição literatura TeatroArtes Plásticas Fotografia Música Educação Tecnologia
Televisão Exposição literatura Teatro internet Cultura Artes Plásticas Fotografi
Exposição literatura TeatroArtes Plásticas Fotografia Música Educação Tecnologia

mapeamento dados sobre a educação


da educação O Índice de desenvolvimento da Educação Bási-

física
ca (ideb) é um sinalizador do desempenho das
instituições de ensino de todo o país. Criado pelo
instituto nacional de Estudos e de Pesquisas
Todos sabem que o Brasil sediará a Copa do
Educacionais Anísio Teixeira (inep), tem como
Mundo de Futebol, em 2014, e as Olimpía-
base de cálculo os resultados obtidos pelo sis-
das, em 2016. Mas muita gente desconhece
tema nacional de Avaliação da Educação Bási-
que 2009 e 2010 formam o Biênio da Edu-
ca (saeb) e pela Prova Brasil. você, professor,
cação Física Escolar. A iniciativa partiu do
pode ter acesso às variáveis que compõem o
Conselho Feral de Educação Física (Confef)
ideb para saber como está a avaliação da sua
para alertar a comunidade escolar e a so-
escola. Acesse http://sistemasideb.inep.gov.br,
ciedade como um todo sobre a importância
entre no banco de dados e fique por dentro da
da disciplina, que preconiza uma vida mais
nota das instituições do seu estado.
ativa e com mais qualidade. dentre as mui-
tas ações desenvolvidas pelo Confef para
fundamentar o biênio destaca-se uma base
de dados sobre a história do esporte, res-

interação online
paldada no trabalho de diversos pesquisa-
dores: o Atlas do Esporte no Brasil. Além de
textos que dão conta de uma ampla abor- Ou acompanhamos a tecnologia ou seremos excluídos por ela. no am-
dagem dos esportes e da sua relação, no biente escolar, esta premissa a cada dia ganha mais força. Algum do-
país, com outros segmentos, como saúde e mínio do universo tecnológico pode ser determinante para uma relação
turismo, há imagens, gráficos e tabelas que mais próxima com os alunos. Pensando nisso, criar meios de se relacio-
podem se tornar uma ferramenta de traba- nar online com os estudantes tende a “conectá-los” não só com o com-
lho interessante. Para acessar: putador, mas com o que você tem a dizer ao vivo. A internet disponibiliza
http://www.atlasesportebrasil.org.br alguns canais de relacionamento para facilitar e dinamizar a vida escolar.
O PRAl (http://www.pral.com.br), por exemplo, permite que o professor
disponibilize notas, insira avisos às turmas, crie de bancos de questões
e troque experiências com outros
educadores. Já os alunos podem
consultar notas e conteúdos, fazer
agenda escolar e comunicar-se
com seus professores. vale a pena
descobrir espaços como esses na
rede e potencializar a sua relação
com os estudantes.

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ásticas Fotografia MúsicaCiência Educação Tecnologia Moda Cinema Televisão
Tecnologia Moda Cinema Televisão Exposição literatura TeatroArtes Plásticas Cinema
as Fotografia MúsicaCiência Educação Tecnologia Moda Cinema Televisão

R CUlTURAl
Tecnologia Moda Cinema Televisão Exposição literatura TeatroArtes Plásticas Cinema
as Fotografia MúsicaCiência Educação Tecnologia Moda Cinema Televisão
Tecnologia Moda Cinema Televisão Exposição literatura TeatroArtes Plásticas Cinema

do outro lado
Como é importante a existência do leitor para que
um autor se fundamente. Esta constatação um
tanto óbvia pode ser entendida como a síntese do
trabalho de um especialista em literatura, que, em
seu livro, vem mostrar a curiosa interação entre
leitores e escritores. O autor traz à tona sua me-
mória pessoal de leitura e, nas entrelinhas de seu
texto, se expõe e exibe sua biblioteca particular
para dizer como é intensa a relação entre aquele
que lê e quem escreve. Por meio da leitura desta
obra, somos apresentados a muitos tipos de lei- o leitor fingido,
tores - amorosos, estrangeiros, videntes. Para cada um deles, o
prazer de ler revela-se de maneira diferente.
de Flávio Carneiro.
Editora Rocco. gigante
nas telas
Um gigante da literatura
mundial agora nos cinemas.
As viagens de Gulliver, obra
criada em 1726 pelo escritor
irlandês Jonathan swift, conta
a história de um rapaz que, de-
pois de um naufrágio, vivencia
situações incríveis. O livro, di-
vidido em três partes, relata as
aventuras de Gulliver por ter-
ras onde moram anões, gigan-
ritmo de férias tes, cientistas e animais fan-
tásticos. A adaptação para a
Fim do ano letivo. Já programou suas merecidas férias? desacelerar para recuperar o
telona trata da primeira parte
ânimo e recarregar as baterias para mais um ano nas salas de aula é mais do que ne-
do livro, em que o rapaz des-
cessário, é merecido! Para entrar neste ritmo, uma boa opção é programar um passeio
brava lilliput, um lugar onde
pedagógico com seus alunos. dá para misturar festa de final de ano, cultura, diversão e
vivem os minúsculos e impla-
descanso em um só evento. Boas agências de turismo fazem esse trabalho que incluem
cáveis seres lilliputianos. no
translado, passeio por lugares históricos, representações teatrais, caminhadas ecológi-
Brasil, a estreia dessa história
cas entre outras atividades. Abaixo, seguem algumas dicas de site dessas empresas:
fascinante está programada
http://www.buscararte.com.br/passeios.htm; http://www.espacopedagogicotur.com.br;
para dezembro de 2010.
http://www.educarturismo.com.br/.

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ba s t i d ore s

Tridimensão sertaneja
Mariana Faria

Morte e Vida Severina já foi tema de teatro, música, filme, seriado de TV, história em

quadrinhos e agora ganha uma versão animada na TV Escola. A saga de Severino,

lavrador que percorreu a caatinga, passou pela zona da mata e chegou ao litoral

“em busca do rio que não seca”  será retratada com tecnologia 3D (três dimensões). A

novidade – resultado de uma parceria com a Fundação Joaquim Nabuco – estreia na

programação do canal em abril de 2011.

O
embrião dessa história, que já se encontra pronta para A preocupação com a manutenção da identidade regional fez
ser exibida, tem origem em 2005, ano de comemoração com que o cartunista também buscasse inspiração nas xilogra-
dos 50 anos da publicação da obra Morte e Vida Severi- vuras e nas ilustrações da saga de outro herói: Dom Quixote de
na. Na época, a Editora Massangana, da Fundação Joaquim Na- La Mancha, o cavaleiro errante da obra do espanhol Miguel de
buco, lançou o poema de João Cabral de Mello Neto em quadri- Cervantes, publicada em 1604. Os grafismos em preto e branco
nhos e distribuiu para funcionários e parceiros da Fundaj, entre lembram desenhos feitos com o uso do nanquim, como os das
eles a TV Escola. O texto do autor pernambucano foi mantido ilustrações de Paul Gustave Dorè pintor e desenhista que trans-
na íntegra e a releitura ficou por conta das imagens feitas pelas formou em imagens trechos da história do velho fidalgo em busca
mãos do cartunista Miguel Falcão, conterrâneo de João Cabral. de novos mundos – jornada semelhante a de muitos  “Severinos”,
Para criar os traços da aventura de Severino pelo sertão nor- como o criado por João Cabral.
destino, Miguel revisitou as próprias lembranças e reencontrou Foram sete meses para transpor esses desenhos para a ani-
muitos dos locais citados pelo autor, como o Cemitério da Casa mação, um trabalho que envolveu mais de 15 pessoas e contou
Amarela e o rio Capibaribe. com a consultoria do próprio Miguel Falcão. O objetivo era não

Imagens do cartunista
Miguel Falcão para a
animação de Morte e
Vida Severina.

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Gero
camilo é presença perder a aura das ilustrações criadas pelo cartunista e incorporar possi-
marcante na filmografia bra- bilidades de movimentos de câmera e voz dos personagens.
sileira contemporânea. atuou nos O sotaque de severino foi garantido pelo ator cearense Gero Camilo,
longas bicho de sete cabeças e abril des- os outros personagens ganharam as vozes de oito atores de Recife. A tri-
pedaçado, ambos de 2001 e, no ano seguin- lha sonora ficou a cargo dos músicos lucas santanna e Rico Amabis.
te, apareceu em mais dois filmes de sucesso: lucas conta que a intenção, desde o início, foi a de fugir das trilhas comu-
madame satã e cidade de deus. é ganhador mente associadas ao nordeste, e, por isso, utilizou instrumentos carac-
de diversos prêmios, entre os quais o bafta (in- terísticos da sonoridade da região como a rabeca e a viola, para recriar
glaterra) pelo trabalho de montagem. gero o clima do sertão. “no decorrer do trabalho a gente acabou experimen-
camilo nasceu em 1970 e começou a tando os instrumentos desse universo, mas não como eles sempre são
carreira nos palcos de teatro tocados, e sim usando o som deles mais como ambiência do que como
aos 19 anos. melodia”, explica.
Miguel Falcão acredita que essa recriação do clássico Morte e vida
severina, tanto para quadrinhos quanto para animação, é uma conse-
quência da própria obra – escrita em 1952 e publicada em 1956 – porque
o per- ela “sugere imagens naturalmente”. E ele complementa: “é possível ver a
nambucano João paisagem e sentir o clima do sertão por meio das metáforas do texto de
cabral de Melo neto (1920- João Cabral”. Entre os recursos gráficos para passar essas sensações ao
1999) deixou uma vasta bibliogra- papel está a representação da morte. Onipresente nos diálogos do prota-
fia, grande parte em poesia. foi a partir gonista, a morte ganha corpo, foice e capa no desenho de Miguel, como
desse gênero literário que ele retratou um uma companheira constante de severino.
pouco da vida e dos costumes do homem Para Érico Monnerat, produtor da Tv Escola e um dos responsáveis
nordestino. para conhecer a história do pela série, essa reprodução da morte é um dos exemplos que mostram
poeta e de sua obra, acompanhe a sé- como a animação procurou ser fiel à densidade presente no poe-
rie mestres da literatura, da tv ma de João Cabral. “se muitas vezes
escola. o leitor precisa de mais de uma lei-
tura do texto para perceber o senti-
mento descrito nas estrofes, a
animação consegue mostrar
rapidamente, por exemplo, a
vastidão do sertão”, destaca
o Érico, que lembra ainda: “se o
francês Paul Gusta- texto pesa ao falar de morte,
ve dorè (1832-1883) foi um dos retoma a esperança ao falar de
mais atuantes ilustradores do século 19. vida nos versos finais”.
o artista deixou seus traços em importantes
obras da literatura mundial, como a divina comé-
dia, do escritor italiano dante alighieri. dorè ajudou a tv escola vai exibir a animação comple-
a dar vida a personagens conhecidos até hoje pelas ta, com cerca de 50 minutos de duração,
crianças, ao criar imagens para contos de fadas como nas faixas de horário reservadas ao en-
cinderela e chapeuzinho vermelho. a série a arte de sino fundamental e ao ensino médio.
ilustrar livros para crianças e jovens, exibida no antes da exibição, a proposta é que
salto para o futuro, apresenta algumas des- um especialista apresente aos teles-
sas imagens que ainda povoam o ima- pectadores a obra, contextualizan-
ginário de meninos e meninas. do aspectos históricos e sociais da
época em que foi lançada.

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D E S TAQ U E S d a P R O G R A M A Ç Ã O

Jogos olímpicos
Do Monte Olimpo ao Rio de Janeiro 2016

Surgidos na Grécia durante a res muito importantes quando se fala cios para o país. “Temos a grande opor­
Antiguidade, os jogos olímpicos repre­ em olimpíadas. tunidade de desenvolver o espírito olím­
sentam, há muitos séculos, a união entre “A base científica também é fun­ pico”, afirma.
os povos e a celebração do esporte como damental”, continua Ramos. “Atual­ Para isso, é essencial incentivar,
atividade de integração e entretenimen­ mente, o esporte é rico em recursos e nas crianças e jovens brasileiros, o gos­
to. Em 2016, será a vez de o Rio de Janeiro em equipamentos que ajudam a me­ to pelo esporte e a prática de diferentes
ser o anfitrião dessa festa. Os jogos, po­ lhorar a performance dos atletas cada modalidades esportivas, ainda mais
rém, já estão bem distantes do que eram vez mais, como maiôs que facilitam o sendo o Brasil um país com facilidade de
na Grécia antiga... deslocamento das nadadoras na água”. descobrir grandes talentos nessa área –
“Uma diferença, por exemplo, é Há muita gente dizendo que, em­ basta olhar para o exemplo do futebol.
que agora os jogos olímpicos contam bora vá sediar os próximos jogos olím­ Nesse processo, a escola terá um papel
com a participação de atletas mulhe­ picos, o Brasil não tem tempo hábil fundamental de incentivo e apoio aos
res”, aponta o diretor do Instituto de para, em seis anos, criar super atletas jovens atletas. “Acredito fortemente que
Educação Física da Universidade do Es­ que possam ganhar essas competi­ tudo isso passa pela educação”, conclui
tado do Rio de Janeiro (Uerj), Edson de ções. O professor da Uerj, no entanto, Ramos.
Almeida Ramos. O especialista explica aposta que 2016 trará grandes benefí­
também que, hoje, a conquista finan­
ceira dos atletas e a publicidade em
torno da quebra de recordes são fato­

8Saiba mais sobre a história das olim­


píadas na série campeÕes de Olímpia.
24, 25 e 31/jan, às 10h e às 14h; 1º, 14, 15,
21, 22/fev, às 10h e às 14h (reprise).

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Áreas rurais
8cOnheça a luta dos morado­
res de um pequeno vilarejo chi­
nês para manterem seus filhos na

Os desafios da educação longe de tudo única escola da região. No docu­


mentário UMA ESCOLA PRIMÁRIA
NAS MONTANHAS. 31/12, às 10h e
Um povoado, uma escola, uma sala, um professor. Em mui­ às 14h (reprise) e 31/1, às 22h.
tas áreas rurais – do Brasil e de outros países –, é assim que funciona o ensino
fundamental: alunos de várias idades e séries escolares são reunidos no mesmo
espaço e compartilham o professor e os poucos recursos materiais. Colocados em
situações assim por dificuldades geográficas (ou financeiras), eles aprendem, na
prática, a trabalhar em colaboração. Por outro lado, abordar o currículo escolar
tradicional nessas condições, adaptar conteúdos pensados para um contexto ur­
bano à realidade rural dos alunos, envolver os pais – que, em maioria, não com­
pletaram o ensino básico – nas atividades escolares e tocar o funcionamento de
uma escola sem diretor são alguns dos desafios enfrentados.

Símbolos natalinos
Por dentro das suas origens
Luzes coloridas, enfeites verdes e vermelhos, promoções A celebração do Natal envolve uma série de símbolos, a co­
de shoppings, panetone nos supermercados... Quando o final de meçar pela própria escolha de 25 de dezembro como data co­
ano vai chegando, é difícil ficar alheio às comemorações do Na­ memorativa – é o dia mais curto do ano no hemisfério norte e,
tal. Mesmo para pessoas não religiosas, dezembro é época de por isso, marca o medo das trevas da noite, mas também o início
festejar, de presentear pessoas queridas, de cultivar a solidarie­ de dias cada vez mais longos e ensolarados. Há muitos séculos,
dade. Celebrar o 25 de dezembro é tradição entre os brasileiros. esse dia já abrigava uma festa pagã e a simbologia cristã adicio­
Esse é um dos motivos pelos quais a data – que, para os cris­ nou um novo significado a ela: o de que o nascimento de Jesus
tãos, recorda o nascimento de trouxe luz para o mundo.
Jesus Cristo – figura como feria­ Outros símbolos incluem
do nacional em nosso calendá­ o presépio – representação da
rio, ainda que o Estado brasileiro cena do nascimento de Cristo –,
se declare laico, ou seja, livre da o Papai Noel – figura inspirada
interferência da religião. “Nosso em São Nicolau, um bispo ho­
Estado não é antirreligioso”, expli­ landês caridoso com as crian­
ca o padre Jesus Hortal Sanchez, ças –, os presentes, as velas e
ex­reitor da Pontifícia Universida­ até a árvore de Natal. “Origi­
de Católica do Rio de Janeiro. “A nalmente, utilizava­se o abeto,
celebração do Natal, em todo o árvore conífera que, mesmo no
ocidente, é uma tradição que não frio dos países nórdicos, per­
8 para saBer mais sobre a simbologia por trás da árvore
se pode ignorar, mesmo em países manece verde o ano inteiro, re­
de Natal, assista ao documentário O BRILHO DE UM OLHAR.
mais laiscitas que o Brasil, como a .mec.co presentando a vida permanen­
24/12, às 22h e 18/3, às 22h. co
la
m
s
tve

.br

França”. ASSISTA NO SITE


te”, conta Sanchez.

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Memória
Estado e sociedade na preservação do patrimônio das cidades

O monumento a Zumbi dos Palmares, no cen­ acautelamento e preservação”. Ou seja, somos todos res­
tro do Rio de Janeiro, já foi pichado dezenas de vezes. Na ponsáveis pela proteção de nosso patrimônio e nossa me­
Praça da Piedade, em Salvador, uma estátua mitológica foi mória. Porém, a depredação que já se tornou corriqueira
mutilada. Obras de arte espalhadas pelas ruas de São Paulo parece depor contra essa missão.
também sofreram vandalismo e situação semelhante já se Márcia argumenta que, para resolver essa situação,
repetiu com dezenas de monumentos e prédios históricos educar a sociedade é o caminho mais eficaz. “As pessoas
de norte a sul do país. Será que não reconhecemos a im­ preservam na medida em que conhecem e se sentem afeti­
portância de preservar o nosso patrimônio? Quem assume a vamente vinculadas ao patrimônio, que, em última instân­
responsabilidade de preservação e restauração desses mo­ cia, é seu”, aposta. “As políticas de educação patrimonial
numentos? que o Iphan vem construindo nos últimos anos são base­
Para a diretora do Departamento de Articulação e adas nessa premissa”.
Fomento do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Ela explica que a educação para a preservação da
Nacional (Iphan), Márcia Rollemberg, essa é uma tarefa cultura brasileira, representada por seus monumen­
a ser compartilhada entre governo e sociedade ci­ tos ou tradições populares, deve ser permanente, in­
vil. “A Constituição Federal reconhece cluindo aspectos do cotidiano das crianças, dos
que os bens culturais não podem jovens e de suas famílias. “A política pública de
ser vistos apenas como ‘bens patrimônio cultural busca ir além do    monu­
do estado’, sobretudo se mental, do bem edificado, reconhecendo que
pensamos que quem os muitas das referências da nossa memória,
produziu, ou produz da nossa identidade estão em bens de
no dia a dia, quem natureza cotidiana, vinculados ao dia a
convive diariamente dia de comunidades nas quais as verda­
com sua presença, são deiras ‘riquezas’ estão nos saberes dos
as pessoas”, explica. velhos, nas festividades de populações
Nossa constitui­ rurais, nos rituais de populações indíge­
ção afirma que “O nas, nas histórias contadas há gerações
Poder Público, com a em quilombos, comunidades caiçaras,
colaboração da comu­ etc.”, sugere.
nidade, promoverá e
protegerá o patrimô­
nio cultural brasileiro,
por meio de inventá­ 8Na série Breve história das capi-
rios, registros, vigi­ tais brasileiras, conheça um pouco da

lância, tombamento história das cidades mais importantes do


e desapropriação, e país.
de outras formas de De 27 a 31/dez, às 6h e às 16h (reprise). De 25 a
28/jan, 31/jan e 2/fev, às 16h30.

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Evolução
Oriente Ideias de Charles Darwin permanecem
versus atuais e polêmicas

Ocidente Muitas pessoas têm na cabeça a imagem do macaco que


aos poucos começa a andar em pé e, por fim, torna-se homem: a ideia
Diferentes modos de que dividimos ancestrais com os chimpanzés e outros primatas já
de ver e construir o circula no imaginário popular. As teorias propostas pelo naturalista

mundo inglês Charles Darwin, no livro A origem das espécies, publicado em


1859, pautam, até hoje, pesquisas científicas, rebeldias religiosas, au­
las de biologia e incontáveis discussões entre especialistas e leigos.
Estamos acostumados a divi­ Darwin passou cinco anos viajando pelo mundo a bordo do
dir o mundo em categorias que se con­
navio Beagle, observando e coletando plantas e animais, para de­
trapõem: países desenvolvidos versus
pois escrever suas observações e, finalmente, construir sua teoria
países em desenvolvimento, hemisfério
norte versus hemisfério sul, ocidente
versus oriente. De um lado, as roupas
sóbrias e opacas dos ocidentais de sécu­
los passados; do outro, vestimentas hi­ Arte
per coloridas da tradição oriental. De um
lado, os alimentos salgados da culinária
ocidental; do outro, a mistura de sabo­
e religião
res do oriente, que inclui doce, amargo, Uma parceria milenar
ácido. E poderíamos fazer uma lista in­
terminável de diferenças... Vale lembrar, Se o leitor fizer uma busca pelas principais obras de arte do mundo,
porém, que essa divisão dualista do verá que muitas delas têm raízes fincadas na religião: são pinturas de cenas
mundo, em que um lado se opõe a outro, bíblicas, imagens de santos e figuras mitológicas esculpidas, orações em forma de
não dá conta das particularidades que música... Ao longo da história, a arte esteve ligada às mais variadas práticas religiosas.
existem entre as diversas tradições pre­ No mundo ocidental, essa parceria esteve fortemente marcada pela união entre Estado
sentes nos mundos ocidental e oriental. e as igrejas cristãs, até que, durante o Renascimento, o surgimento do Estado laico co­
meçou a desvencilhar as duas coisas. Ainda assim, até hoje as religiões são um espaço
8 Saiba mais sobre a arte, os acon­
importante para o surgimento de novas manifestações artísticas, por exemplo, nas
tecimentos históricos e o pensamento
áreas de dança e música.
humano em diferentes culturas no pro­
grama O Oriente e o Ocidente. 8 Na série Música sacra, viaje por 600 anos de música religiosa ocidental.
1ª parte: 24/3, às 6h, às 13h e às 20h; Tendo como ponto de partida o contexto europeu, os
25/4, às 10h e 14h programas apresentam os principais com­
A Revolução Gó-
2ª parte: 25/3, às 6h, às 13h e às 20h; positores da área e suas obras.
tica: 29/3 às 6h, às 13h
26/4, às 10h e 14h 28, 29, 30, 31/dez, às 10h e 14h
e às 20h
Palestina e os Papas: 30/3, às 6h,
às 13h e às 20h
Tallis, Byrd e os Tudors: 31/3, às 6h,
às 13h e às 20h
Bach e o Legado Luterano: 1/4,
às 6h, às 13h e às 20h
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8 O programa nO Jardim de
darWin apresenta a história do
naturalista inglês e suas teorias.
27, 28 e 29/dez, às 22h.
ideias perigosas: 28/3, às 22h
O Grande debate: 29/3, às 22h
sobre macacos e homens: 30/3,
às 22h

da evolução, num processo árduo e que enfrentou muitas críti­ que o mundo e o homem foram criados por uma força divina.
cas antes de ser aceito pela comunidade científica. Para o jornalista Reinaldo José Lopes, editor de ciência da Fo­
As ideias de Darwin foram capazes de revolucionar comple­ lha de S. Paulo e autor do livro Além de Darwin, o ensino de
tamente o pensamento dos cientistas sobre o surgimento dos biologia nas escolas deve levar isso em consideração. “É fun­
seres vivos como os conhecemos hoje. Mais que isso, ajudaram damental indicar para os estudantes que não é preciso esco­
a entender parte do comportamento e da natureza humanas, ten­ lher entre convicções religiosas e fatos científicos, desde que
do implicações – nem sempre positivas – também nas ciências haja abertura dos dois lados: por parte da religião, para inter­
sociais. Porém, ainda não podem ser consideradas unanimidade. pretar crenças de maneira a não negar os fatos da ciência, e
Um dos embates mais claros nesse sentido é aquele tra­ por parte da ciência, para não querer ir além do que esses fa­
çado entre as ideias evolucionistas e as religiões que crêem tos dizem e negar a possibilidade do transcendente”, explica.

Ciência e criança
Campo fértil para atividades educativas
Quem convive com crianças sabe: elas são curiosas sobre o mundo ao seu redor e, desde cedo, se perguntam
como a natureza, seu próprio corpo e todas as coisas funcionam. Divulgar ciência para o público infantil em revistas, jornais
ou programas de televisão é uma forma de fomentar essa curiosidade e estimular o pensamento científico e o interesse pelas
diversas áreas da ciência. Ainda que em forma de brincadeira, essa exposição precoce aos temas científicos pode aproximar a
criançada da ciência, facilitar a compreensão de fenômenos a que elas serão apresentadas no contexto da educação formal e,
quem sabe, suscitar novas vocações para a pesquisa científica.

8 Dois coelhinhos muito curiosos buscam respostas para as mais diversas questões relativas à natureza na série pinG pOnG.

8 A série de Onde vem?, apresenta respostas diretas para a origem daquilo que está presente em nosso dia a dia, como o
fósforo, o leite, o papel etc.

8 Perguntas e respostas curiosas na mesma linha estão na série


as crianças perGuntam.
6, 13, 20 e 27/jan e 3, 10, 17 e 24/fev, às 22h50

8 Já a série cOnhecendO Os animais é uma boa dica para a educação infantil.


4, 7, 11, 14, 18, 21, 25, 28/jan, 1, 4, 8, 11, 15/fev, às 9h e às 18h (reprise).

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Medicamentos genéricos
A promessa de tratamentos mais baratos
8 O desenvolvimento e a comercia­
O Brasil é famoso no mundo néricos ainda é menor do que a de me­ lização de novos remédios são os desta­
inteiro pelas quebras de patentes de dicamentos similares. Segundo pesquisa ques do programa DNA e dólares, feito
medicamentos, que podem possibilitar da Fundação Oswaldo Cruz publicada em com base em depoimentos de represen­
ao governo uma grande economia na 2009, aumentar o número de versões tantes dos grandes laboratórios farma­
compra de remédios. Nos últimos anos, genéricas de medicamentos no mercado cêuticos e dos pacientes que cederam
o país passou a produzir medicamentos poderia ajudar a reduzir os preços dos seus genes para testes.
genéricos para o tratamento de diversas medicamentos; porém, até agora, como 25/jan, às 23h.
doenças. No entanto, estudos mostram os genéricos estão disponíveis apenas em
que, em estabelecimentos públicos, a pequeno número, ainda não funcionam 8 O documentário Os caçadores de
disponibilidade dos medicamentos ge­ tão bem na redução de preços. vírus tem como foco o trabalho de cien­
tistas que estudam vírus perigosos, as
doenças causam por eles e formas de
combatê-los.

Hidrografia moderna 23/dez às 13 e 17h; 1/4, às 12h e às 16h

Importância natural e econômica dos rios


Não faz muito tempo, decorar todos os afluentes do importante Rio Amazonas era prática escolar, assim como saber de cor
e salteado separá-los entre as margens direita e esquerda. Hoje, porém, cada vez mais professores entendem que a hidrografia deve
ser ensinada de maneira mais aprofundada e reflexiva. O desafio é, então, abordar questões como a vida que há nos rios ou que deles
depende, os impactos ambientais de sua poluição, a importância econômica de atividades como pesca e navegação, entre outros
fatores – um trabalho, com certeza, mais árduo, mas com a recompensa de educar cidadãos mais conscientes.

8Saiba mais sobre as características dos principais rios do mundo, incluindo a influência sobre as populações
que, de alguma forma, dependem de suas águas, na série Os rios e a vida.
8, 15, 22, 29/dez, às 22h. Reno: 31/1, às 20h | Ganges: 1/2, às 20h | Yang-Tzé: 2/2, às 20h | Nilo: 3/2, às 20h |
Mississipi: 4/2, às 20h | Amazonas: 5/2, às 20h
8A série Os rios também conta a história de rios famosos, de como eles foram se transformando com
a ação do homem e qual sua importância no desenvolvimento das cidades.
13/jan e 8/fev, às 11h e às 17h (reprise).
8O documentário O poderoso Mississipi apresenta as expe­ dições feitas na
região deste rio e descreve as condições encontradas pelos
exploradores. A obra também faz referência às cidades
próximas a ele.
30 e 31/dez às 13h e 17h
Parte 1: A Grande Barreira: 24/3; às 16h; 25/3,
às 10h e 14h
Parte 2: Os Dois Rios: 31/3, às 16h; 1/4, às 10h e 14h

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Formação dos Estados Nacionais
Todo poder aos reis, mas com dinheiro da burguesia
A partir do século 10 , na Europa, o aumento na organização da atividade econômica com o apoio dos
produção agrícola dos feudos e o surgimento das classes reis. Assim foi plantada a semente dos Estados Nacio­
burguesas começaram a favorecer o estabelecimento nais, que pouco a pouco se estabeleceram, começando
de uma produção voltada para o comércio, e não para a por Portugal e terminando com Itália e Alemanha, já no
subsistência. Porém, a burguesia só poderia consolidar século 19. Séculos depois, ainda vivemos os reflexos des­
essa nova forma – mais capitalista, por assim dizer – de se processo.

8 O episódio O estadO, da série que conta a história de Otto von Bis­ choques internos entre facções com dife­
ecce hOmO, aborda a origem e do de­ marck, chanceler do Império Alemão rentes políticas, religiões e ideologias.
senvolvimento dos Estados nacionais e responsável pela unificação do país. 5 e 7/jan, às 10h e às 14h (reprise).
e de suas relações com as sociedades 6 e 7/jan, às 13h.
8Já irlanda, irlandas docu­
através da História: deveres coletivos e .mec.co

8Descubra como a bandeira tricolor menta conturbada história da


co
la

m
s
tve

.br
liberdades individuais, nacio­ co
la.mec.co
ASSISTA NO SITE
tornou­se o símbolo do Estado fran­ política irlandesa, da coloni­
m
s
tve

.br

nalidades e etnias, fronteiras ASSISTA NO SITE


cês – uma cor para cada um dos ideais zação até os dias de hoje.
e globalização.
revolucionários: de liberdade, frater­
8O filme um luGar chamadO nidade e igualdade – em co
la .mec.co
m
s
tve

.br

palestina mostra como o lugar se as Bandeiras eurOpÉias: ASSISTA NO SITE

transformou em um jogo de interes­ cOres e símBOlOs.


ses, no qual os envolvidos, na maioria
8saiBa mais sobre a Palestina
das vezes, não são palestinos ou isra­
no documentário homônimo: palestina.
elenses.
15 e 25/fev, às 11h e 17h (reprise).
26/jan, às 13h.
8O documentário arGÉlia aborda
8BismarcK: chanceler e demônio a guerra de independência do país e os
é um documentário, em duas partes,

Educação musical
Obrigatoriedade nas escolas a partir de 2011
8Entenda o poder transforma­
dor da música, sua função social e
A partir do próximo ano, o ensi­ deverão implantar o ensino de música da
seus elementos estruturais na série
no de música nas escolas será obrigatório forma que considerarem mais adequada,
eXplOrandO O mundO da música.
nas escolas de educação básica – assim levando em conta o contexto sociocultural
3,4,5,7,10,11,12,14,17,18 e 19/jan às 22h
preconiza a Lei 11.769, de agosto de 2008. em que vivem seus alunos e inserindo nas
Segundo especialistas do tema, o objetivo aulas canções e ritmos típicos da região
não é formar novos músicos, mas demo­ onde se encontram. Uma dificuldade a ser
8O documentário a música mOve
O mundO mostra a importância da
cratizar o acesso à arte e desenvolver a enfrentada, no entanto, é a falta de profis­
melodia e do ritmo nas mais diver­
criatividade e a sensibilidade. Por isso, a sionais formados para essa missão: será
sas culturas.
música não será uma disciplina exclusiva, necessário, então, desenvolver programas
24/dez, às 13h e 17h e 25/3, às 12h.
e, sim, parte do ensino de arte. As escolas de capacitação adequados.

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Racismo e violência
Algo que não se restringe ao passado
Ao longo da história, a humanidade vivenciou inúmeros a história como um dos episódios mais tenebrosos que o homem já
acontecimentos em que o racismo foi ator principal. A escravização protagonizou. Na África do Sul, o apartheid tornou oficial a segre­
de milhões de africanos a partir do século 16 é um exemplo que o gação racial e cerceou radicalmente os direitos dos negros. Embora
Brasil conhece muito bem – mas que também esteve presente na a maioria das pessoas lembre desses episódios com dor e prefira
história de muitos outros países. Mais tarde, o massacre dos judeus enterrá­los no passado, ainda hoje o surgimento de novos movi­
na Europa durante a Segunda Guerra Mundial também entrou para mentos racistas e de disputas violentas assombra a humanidade.

Rio São Francisco 8 O filme na veia dO riO propõe


uma reflexão sobre as consequ­
Polêmica sobre mudar o curso das águas ências das intervenções humanas
sobre os complexos ambientais.
12/jan, às 11h e às 17h (reprise).
Há quem diga que desde a época do descobrimento do Brasil já se pen­
sava na transposição do rio São Francisco como a única solução para as secas 8 A poluição das águas é o foco
do Nordeste. Até hoje, porém, não há consenso. O projeto inclui a construção dos episódios O caminhO dO riO e
de enormes canais para irrigar a região semi­árida do país – o que solucionaria um preçO a paGar, da série ÁGua,
o problema da seca na região de destino e geraria empregos durante as obras. a GOta da vida.
Por outro lado, há críticas sobre os impactos ambientais. Qual é a sua opinião? 11/jan às 22h30

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8 saiBa mais sobre as origens e as
heranças do racismo e da discriminação
em um leGadO selvaGem, episódio da série
racismO, uma história.
27/jan, às 23h.

8 Na série as cOres da Guerra, conheça


a história de pessoas que viveram os hor­
rores da Segunda Guerra Mundial.
11 a 13/jan, às 13h.
8 O documentário auschWitZ fala so­
bre um dos mais famosos campos de con­
centração, na Polônia, em funcionamento
entre 1940 a 1945.
19/jan, às 13h.

8 eles Filmaram a guerra em cores


apresenta os anos de ocupação alemã na
França durante a Segunda Guerra, mostran­
do cenas do cotidiano dos soldados e civis.
20 e 21/jan, às 13h.

Dos rios para o mar


A história do escritor Ernest Hemingway é tema de documentário

Ernest Hemingway nasceu em Illinois, Estados 8Conheça a história do escritor norte­americano no


Unidos, em 1899. Aos 17 anos, iniciou sua carreira de escri­ documentário dOs riOs para O mar, que fala sobre a vida
tor num jornal da cidade de Kansas. Mais tarde, começou de Hemingway a partir de cartas, fotografias, filmes casei­
a trabalhar como repórter para jornais canadenses e ame­ ros e entrevistas com pessoas próximas a ele.
ricanos. Mudou­se para Paris, onde se estabeleceu junto 27/dez, às 23h; 28/3, às 23h e às 4h e 28/4, às 10h e 14h
com outros expatriados americanos – Hemingway fala
sobre esta experiência em seu primeiro livro de destaque,
O Sol também se levanta, publicado em 1926. Anos mais
tarde, o período em que trabalhou como repórter durante
a guerra civil espanhola lhe rendeu o romance Por quem
os sinos dobram, lançado em 1940 – outro grande sucesso.
Porém, foi após a publicação de O velho e o mar, em 1952,
que Hemingway recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em
1954. Morreu poucos anos depois, em 1961.

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P RO F I S S ÃO P RO F E S S O R

nOme
P RO F I S S ÃO P RO F E S S O R
s
e Campo
Kátia Leit
ntO
d e nascime
d ata 1968
d e n ove mbro de
29
lidade
naciOna
ádua ­ RJ
O que é o Projeto Ábaco? Brasileira anto Antônio de P cionar e a desenvolver
eS
O Projeto Ábaco é uma Natural d a te mática. P
ós­ as práticas que mais
a e M
FOrmaç
ÃO eografi ocial e
istória, G imento S
proposta de relação direta me marcaram. E fo­
ã o e m H e s e nv o lv
da educação formal com Graduaç as de D io. ram muitas: desde
d u a ç ã o em Polític ndamental e Méd
a educação ambiental, que ­gra sino Fu
o combate ao des­
contempla o uso contínuo e ate m á t ica do En perdício até a dis­
M Balha
Que tra ott
cotidiano de material reciclá­
esc O l a e m
e n r iq u e Teixeira L ciplina do avançar
rechal H
Ciep – Ma
vel na sala de aula. sempre, aprender
para O: e adquirir conhe­
leciOna
Há quanto tempo existe e a 1º Ciclo. e: cimentos.
3º ano do e des envOlv
quem é direcionado?
d O p rOJetO Qu
títulO
O projeto foi implementado em
Projeto Á
baco

e C a m p o s Qual o retorno

Kátia Leit
1990, quando eu ainda lecionava desse seu
nas cidades de Santo Antônio de trabalho?
Pádua e Aperibé (RJ). Nesta época, Este trabalho é
iniciei o uso de materiais recicláveis, a minha marca
aproveitados do lixo para atividades e espontaneamente foi se de­
paradidáticas e lúdicas, que envol­ senvolvendo. Quando os primeiros jogos matemáticos foram
vessem o aluno na consciência ambiental. O trabalho envolvia alu­ mostrados e apreciados, este projeto não tinha nome, era uma
nos da 5ª série (atual 6º ano) ao segundo grau (atual ensino médio). filosofia acadêmica vivida na prática das minhas funções. O
Hoje, trabalho com crianças de 4 a 12 anos. Construí uma meto­ trabalho caminhou sozinho e, com certeza, pela real neces­
dologia própria, pautada em conceitos e conteúdos matemáticos. sidade de se olhar para o verde, a água, o meio ambiente e
criar consciência. Esse caminhar nos levou à criação do Insti­
O que você utiliza como material? tuto Brasileiro de Estudos e Adequação Ecológica (IBEA), que
Resíduos sólidos como caixas de ovos, garrafas pet, tampinhas e abraça o projeto e vem tentando difundir os princípios dos ába­
argolas de garrafas, isopor, anéis de latas, caixas de papelão, pali­ cos. Hoje temos: Ábaco Oficina, Ábaco Dança, Ábaco Sinfônico,
tos de churrasco, entre outros. Criamos novos objetos – em geral, Ábaco Folclore e Ábaco Sustentabilidade. Todos são interdis­
jogos de lógica – com base no contexto em que o projeto venha ciplinares com a grade curricular e encontram­se espalhados
ser implantado. em, pelo menos, seis unidades escolares da rede pública. Esse
é o grande retorno, ver mais pessoas utilizando materiais ain­
De onde veio a inspiração para desenvolver esse projeto? da não recicláveis, aumentando a vida útil desses materiais e
A escola na qual me formei no magistério, o Colégio de Pádua, proporcionando um ambiente com consciência ecologicamen­
em Santo Antônio de Pádua (RJ), oferece, até hoje, a todos os te correta.
seus alunos, as disciplinas Filosofia e Sociologia a partir da 5ª
série. Ali tive a oportunidade de conhecer e vivenciar muitos Para você, ser educador é...
conceitos – afinal, sem a prática como o conceito se desenvol­ Ter consciência de que todos podem ensinar o melhor que se tem
veria? Um deles é o de dizer não ao desperdício. Passei a le­ e buscar o melhor para apreender e repassar.

 tvescola@mec.gov.br | envie vOcÊ tamBÉm um peQuenO relatO da sua atuaçÃO cOmO educadOr. Quem saBe, na próXima ediçÃO,
cOlOcaremOs O seu perFil?

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VEJA AQUI ALGUMAS SUGESTÕES PARA VOCÊ UTILIZAR OS VÍDEOS DA

O primeiro passo é incentivar a criação da sala de vídeo


na sua escola, com os programas e documentários exi-
bidos pelo canal.

É sempre bom ter o apoio de um profissional da educação na


videoteca. Além de gravar os programas, catalogar e montar
o acervo, ele pode ajudar a escolher o material adequado à
aula planejada por você.

A utilização dos vídeos como recursos pedagógicos em sala


de aula é garantia de propostas pedagógicas mais convida-
tivas. Se for o caso, forme grupos de estudos com outros
professores para encontrar a melhor maneira de inserir os
recursos audiovisuais nas aulas.

Os diversos documentários e programas exibidos na TV Es-


cola são fontes de pesquisa e rendem bons debates sobre
os assuntos em pauta e sobre novas formas de ensinar e de
aprender.

Outra dica é convidar toda a comunidade para assistir aos


programas na escola. Essa é uma boa forma de promover
integração.

E que tal um cineclube na sua escola? Convide os integrantes


do grêmio estudantil para fazer a seleção dos filmes dispo-
níveis no acervo, organizar a exibição e também os debates
logo depois da sessão. Bom proveito!
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