Вы находитесь на странице: 1из 63

UNIVERSIDADE DE CABO VERDE

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS

DINÂMICA DE PAISAGEM E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL À JUSANTE DO


VALE DA RIBEIRA SECA

JAILSON DE JESUS SILVA JARDIM

LICENCIATURA EM GEOGRAFIA - RAMO ENSINO

Praia, 2010
Jailson de Jesus Silva Jardim

Dinâmica de Paisagem e Preservação Ambiental à Jusante do Vale da


Ribeira Seca.

Trabalho do fim de curso


apresentado na UniCV, Campus de
Palmarejo, como requísito parcial,
para a obtenção do grau de
licenciatura em Geografia ramo
Ensino.

Orientador: Dr. José Maria Semedo

Praia, Junho de 2010


Jailson de Jesus Silva Jardim

Dinâmica de Paisagem e Preservação Ambiental à Jusante do Vale da


Ribeira Seca.

Membros de júri

____________________________________

____________________________________

____________________________________

Praia, _______de _______________ de 2010

Agradecimentos
Essa etapa que agora termina fica marcado na minha memória, aqual gostaria de
registrar meus agradecimentos a todos que de uma forma ou outra contribuiram para
tornar esse sonho em realidade. São muitos os que gostaria de agradecer:

Em primeiro lugar a Deus pela vida, saúde e determinação que me concedeu para
ultrapassar todos os obstaculos. Por tudo que Deus me concedeu para chegar até aqui.

À minha Mãe que me deu vida para que possa apreciar a paisagem, ela que fez tudo
para que eu possa conseguir os meus objectivos.

Ao meu Orientador, Doutor José Maria Semedo. Muito obrigado pela paciência,
compreenção e ensinamentos durante os quatro anos e durante a orientação deste
trabalho.

Agradeço a todos os meus professores que contrbuiram e de que maneira para a minha
formação durante esses quatro anos, meus sinceros agradecimentos.

Aos meus colegas pela convivência, paciência e principalmente pela compreenção nos
momentos mais dificeis.

À minha esposa Marise e a minha filha Luana que acompanharam-me de forma


incondicional e lidaram comigo nas horas dificeis. Pelo amor, respeito, apoio e carinho.

A toda minha família que conheceram as minhas dificuldades e souberam ajudar


quando precisei, a Zizi, Zezinha, Anita, Suvy, Neusa e meu irmão Gessy. A minha irmã
Zizi e minha Mãe Helena em especial que deram o que tinham e o que não tinham para
que eu chegasse até aqui. Ao meu irmão Beto, Nelson, Minha irmã Lena, Tinho,
Gracete e Gorete que me acolheram apoiaram em todos os momentos. A todos meus
sinceros e profundos agradecimentos, ficará sempre marcada na minha história que
vocês todos são especiais.

Aos meus amigos: Nataniel, Elias, Herminigildo, Elisa, Cristina, Samir, pelo apoio e
amizade.

Grato sou a todos e devo-vos a minha gratidão, meus sinceros agradecimentos!


Dedicatória

Dedico este trabalho a todos os meus familiares de uma forma geral e em particular a
minha filha “LUANA”.

Dedico também a minha Mãe que semeou com sabedoria e colheu com paciência.
Siglas

BHRS – Balanço Hídrico de Ribeira Seca

INGRH - Instituto Nacional de Gestão dos Recursos Hidricos

PDH – Plano de Desenvolvimento Hidráulico

PDARS – Plano de Desenvolvimento Agrícola de Ribeira Seca

SIG – Sistema de Informação Geográfica


Índice de Figuras
I- INTRODUÇÃO e JUSTIFICAÇÃO

O presente trabalho, subordinado ao tema «Dinâmica de paisagem e preservação


ambiental à jusante do Vale da Ribeira Seca» enquadra-se no âmbito do curso de
Geografia e constitui o trabalho de fim de curso, na área de Geografia, a apresentar à
Universidade de Cabo Verde para a obtenção do grau de Licenciatura em Ensino de
Geografia.

A primeira referência à palavra “paisagem” na literatura aparece no "Livro dos


Salmos", poemas líricos do Antigo Testamento, escritos por volta dos anos de 1000
A.C. em hebraico por diversos autores, mas atribuídos na maioria ao rei David. Esses
poemas eram cantados nos ofícios divinos do Templo de Jerusalém, e depois foram
aceitos pela Igreja Cristã como parte de sua liturgia. No “Livro dos Salmos”, a
“paisagem” refere-se à bela vista que se tem do conjunto da Cidade de Jerusalém, com o
templo, castelos e palacetes do Rei Salomão. Essa noção inicial, visual e estética, foi
adotada em seguida pela literatura e pelas artes em geral, principalmente pela pintura na
segunda metade do século XVIII. Além do retrato real da beleza da natureza, os pintores
e escritores pré-românticos e românticos, assim como os simbolistas e os
impressionistas, retratavam também a paisagem como um reflexo da "paisagem
interior", dos sentimentos de melancolia e solidão.

A palavra “paisagem” possui, assim, conotações diversas em função do contexto e


da pessoa que a usa pintores, geógrafos, geólogos, arquitetos, ecólogos, todos têm uma
interpretação própria do que é uma paisagem (METZGER, J.P. 2001).

No campo da geografia, nomeadamente da geografia física, têm privilegiados os


aspectos mais concretos da paisagem, ou melhor, a paisagem real, o espaço objecto, no
sentido de extensão cartesiana (RIMBERT, 1973).
O homem urbano moderno, cada vez mais, sente uma necessidade de retorno aos
ambientes naturais ou rurais, quer seja em busca dos valores da natureza ou
simplesmente para apreciação da paisagem. Essa necessidade de se relacionar de um
modo mais próximo à natureza liga o homem moderno aos seus mais remotos
ancestrais, lembrando que para eles a compreensão dos recursos associados a uma
paisagem era um factor determinante de sucesso e sobrevivência de suas comunidades.
Nos nossos dias um relacionamento com a paisagem de forma sustentável é de
fundamental importância para o nosso desenvolvimento, do ponto de vista económico,
social e cultural. A nossa geração vem vivenciando grandes transformações nas
paisagens do nosso planeta devido ao impacto da actividade humana sobre o meio
ambiente, a qual vem operando em magnitudes, taxas e escalas espaciais sem
precedentes.

Há muitas pesquisas que explicam as causas dessas impressionantes mudanças


globais, mais possuem duas origens fundamentais: a primeira consiste no aumento do
metabolismo industrial, através dos diversos processos de fluxos de energia e material
resultante da extracção transformação e uso de recursos naturais. Já a segunda refere se
aos processos de mudança do uso e de cobertura do solo no planeta. Nesse ultimo
aspecto, os principais usos do solo, do ponto de vista económico e de extensão espacial,
incluem a agricultura nas suas diversas formas, a pecuária, o povoamento, a urbanização
e as actividades de extracção de recursos naturais. Como resultado esses e outros tipos
de uso de solo vêm alterando a cobertura de vegetação natural e semi-natural da terra a
uma escala global.

Nesse sentido, uma grande pressão tem ocorrido nos trópicos visando a ocupação
das áreas de florestas. As consequências desse processo de destruição das florestas
tropicais são várias, incluindo desde redução significativa da base de recursos genéticos
(biodiversidade) da biosfera (HAINES-YOUNG et al., 1993), até a alteração do clima
global, pela emissão de CO2 e água (WOODWE, 1984) ou pela mudança do albedo da
Terra (VERTRATE et al. 1990). Impactos significativos poderão ser sentidos devido à
degradação dos solos, alteração dos regimes hídricos e aumento do fluxo de sedimentos
(TURNER II et al., 1994).

A degradação ambiental constitui uma preocupação global, nacional e local, as suas


consequências já foram debatidas em vários fóruns nacionais e internacionais. A
degradação ambiental tem apresentado grandes modificações nas paisagens, que tem
sido a preocupação dos geógrafos, ecologistas, ambientalistas, governantes e a
sociedade em geral, quanto a mim na minha infância na área em estudo recordo dos
extensos campos verdes, hoje se encontram degradada devido a acção humana por um
lado e por outro lado a alteração climática. Isso motivou-me a realizar esse trabalho que
espero vir a ser mais um passo na construção de novos conhecimentos científicos, que
venha a servir como alerta, acerca do estado ambiental regional.

No estudo da dinâmica da paisagem à jusante do Vale da Ribeira Seca, nas últimas


décadas, requer então a compreensão do sistema de processos de conversão e de uso do
solo, espaços utilizados para agricultura e pastagens, a resultante cadeia de sucessão
vegetal. Esse estudo deve enfocar a escala e velocidade em que essas mudanças afectam
os sistemas biológicos, económicos e sociais locais.

A bacia Hidrográfica da Ribeira Seca dispõe de grandes áreas de cultivo, 272 ha em


regime permanente, o que faz dela uma das maiores áreas de regadio da ilha de
Santiago. O sistema de rega predominante é do tipo tradicional, ou seja, por alagamento,
provocando um consumo bastante elevado de água. Entretanto dados do PDH indicam
que a área ocupada por toda a bacia é de 5.120 ha, isso somando a extensa área ocupada
com agricultura de sequeiro.
Verifica-se a salinização do solo provocado pela má gestão dos recursos hídricos,
levando a utilização da água salobra na agricultura e pela apanha de areia nas praias na
foz da bacia, permitindo a infiltração da água do mar.
Segundo o Recenseamento Agrícola de 1988, a criação do gado constitui uma
actividade complementar da agricultura e tem tido grande importância na economia
local. De acordo com os dados do Recenseamento Pecuário de 94/95, existem, no
Concelho, 3.892 explorações, das quais cerca de 99% são do tipo familiar.

Nas últimas décadas verifica se um vertiginoso avanço da informática, que


propiciou o desenvolvimento e refinamento de poderosos conjuntos instrumentais
voltados ao mapeamento, análise e representação de fatos relacionados à Terra. Nesse
aspecto, a ecologia de paisagem, uma disciplina ainda emergente, pode trazer grandes
contribuições a este tipo de estudo. Tendo como papel principal o enfoque da
heterogeneidade espacial como força motriz dos padrões e processos ecológicos, a
ecologia da paisagem busca a compreensão da dinâmica da heterogeneidade e do efeito
da actividade humana como um factor de organização de paisagem (FORMAN;
GODRON, 1986 e TURNER; GARDNER, 1991). Com essa abordagem, diversas
pesquisas já foram desenvolvidas, objectivando compreender os processos que regulam
o desenvolvimento de paisagens, a citar: (KRUMMEL et al. 1987; TURNER;
RUSCHER, 1988; TURNER, 1988; TURNER, 1990; DALE e tal. 1993; DALE e t
al. 1994 e GILRUTH et al. 1995).
PROBLEMÁTICA

Tema: Dinâmica da Paisagem e Preservação Ambiental à jusante do Vale da


Ribeira Seca.

Pergunta de partida

Qual a importância da alteração climática e da actividade humana na dinâmica de


paisagem à jusante do Vale da Ribeira Seca?

Objectivo Geral

a) Conhecer e dar a conhecer o real estado da paisagem, tendo em vista a


preservação ambiental à jusante do Vale da Ribeira Seca.

Objectivos Específicos

b) Descrever a evolução da paisagem da região de estudo em função das


transformações naturais e agentes intervenientes.
c) Contribuir para o combate à desertificação, à perda do solo e da cobertura
vegetal.
d) Conhecer a formação geológica do lugar, as características climáticas e o
espaço físico.
e) Analisar os efeitos provocados pela intervenção do homem na tentativa
de minorar os processos erosivos.
f) Caracterizar o tipo de agricultura praticada nas vertentes e seus efeitos
erosivos.
f) Analisar as técnicas agrícolas e seus impactos ambientais.
HIPÓTESE

No século XX tem se notado grandes transformações nas paisagens a nível global,


devido ao impacto da actividade humana sobre o meio ambiente. Na tentativa de
descobrir a importância da actividade humana e da alteração climática na área em
estudo. Delineamos a seguinte hipótese:
a) A acção do homem e a alteração climática podem ser factores que estão
por detrás da dinâmica de paisagem a jusante do Vale da Ribeira Seca

b) A falta de chuva pode provocar consequências negativas na paisagem

c) A apanha de areia nas praias pode contribuir para intrusão salina.

METODOLOGIAS
Segundo estudiosos, existem um número infinito de paisagens pois elas estão em
constante mutação. Seja por pressões antrópicas, clima, variação de luzes, configurações
geográficas e dinâmicas da própria natureza.

Para (BERTRAND, 1971) “ a paisagem não é a simples adição de elementos


geográficos disparatados. É, numa determinada porção do espaço, o resultado da
combinação dinâmica, portanto instável, de elementos físicos, biológicos e antrópicos
que, reagindo dialecticamente, uns sobre os outros, fazem da paisagem um conjunto
único e indissociável, em perpétua evolução.”

Para uma análise científica da paisagem deve se “observar” os elementos visuais


como forma, textura, cor, linha, escala, espaço e diversidade. Além disso compreender e
conhecer seus aspectos físicos como a terra, água, vegetação, estruturas e elementos
artificiais (são estruturas espaciais criadas por diferentes tipos de solo, ou construções
diversas de carácter pontual, linear ou superficial). Onde perspectivamos para realização
deste trabalho estabelecer uma abordagem biofísica que baseia-se na observação directa
do lugar, englobando recolha e tratamento dos dados.

Os métodos utilizados na realização desta pesquisa estão relacionados a uma


sequência de operações para se chegar a um determinado objectivo, ficou composta da
seguinte forma:

a) Actualização bibliográfica para a avaliação do estado da arte e aquisição


de bases teóricas, pesquisa de gabinete, com uma análise das
informações pertinentes a revisão bibliográfica, da interpretação dos
dados colhidos e da redacção do texto final.

b) Pesquisa de campo, destinada à obtenção de dados acerca dos


fenómenos que ocorrem actualmente na região, com observações
directas no local de ocorrência, acompanhando os detalhes dos objectos
de estudo, sendo complementadas pelas entrevistas, obtendo-se mais
pormenores no tratamento das informações. Foi realizados registos
fotográficos, que permitiu preservar detalhe para um estudo comparativo
com fotografias realizadas no local décadas antes, permite comparar a
paisagem entre antes e depois. Foi utilizado a carta Agro-ecólogica da
ilha de Santiago.

Estes métodos e técnicas permitiram a caracterização e análise dos processos


naturais e das actividades antrópicas da área de estudo, de vital importância para criação
medidas de preservação ambiental, visando as transformações sofridas e as tendências
actuais da dinâmica.
ENQUADRAMENTO TEÓRICO

De acordo com a Convenção Europeia de Paisagem (FLORENÇA, 2000)


“Paisagem” designa uma parte do território, tal como é apreendida pelas populações,
cujo carácter resulta da acção e da inter-acção de factores naturais e/ou humanos; A
introdução do conceito de paisagem na linguagem científica e especificamente da
geografia deve-se a Alexander von Homboldt (METZGER, 2001) e correspondia a
“característica total de uma região terrestre”.

Na segunda metade do século XX e particularmente nas duas últimas décadas a


ecologia de paisagem, também denominada geoecologia, teve um grande
desenvolvimento tanto nos domínios teóricos como metodológicos no estudo integrado
do território e este domínio do conhecimento foi explorado por geógrafos, biólogos,
arquitectos, agrónomos e técnicos de ordenamento do território.

A abordagem teórica e metodológica, no domínio da geografia foi desenvolvida na


primeira metade do século XX por (TROLL, 1899/1975) na Alemanha, principalmente
baseada no estudo de comunidades fitossociológicas apoiadas na interpretação de
fotografias aéreas complementadas com trabalhos de campo. No domínio da geografia
esta abordagem teve maior desenvolvimento na Escola alemã e na ex-Europa de Leste,
com a designação de geoecologia, com forte influência da geografia humana, da
fitossociologia e da biogeografia.

Na segunda metade do século XX, autores soviéticos e franceses (BERTRAND,


1968; TRICART, 1977, SOCHAVA, 1972) desenvolveram estudos integrados da
paisagem, sob a óptica dos geossistemas, com forte inspiração da perspectiva da escola
alemã.

Em paralelo nos Estados Unidos (ARTHUR & WILSON) a ecologia de paisagem


influenciada por ecólogos e biogeógrafos procuram adaptar a teoria de “ilhas” ao
planeamento de áreas protegidas em territórios continentais.

A exploração das imagens de satélites, o desenvolvimento do sistema de informação


geográfica (SIG) trouxe novas ferramentas para a análise integrada do espaço não só na
sua fisionomia, estrutura e dinâmicas, mas ainda na sua percepção gestão pelas
comunidades humanas.
O planeamento do território através do conhecimento dos limites e das
potencialidades de uso económico de cada “unidade de paisagem” constituiu o
paradigma desta escola desenvolvida pela escola alemã e muito praticada na Europa
Oriental.

A crise ecológica evidenciada nas últimas décadas do século XX permitiu o maior


envolvimento de domínios científicos como a ecologia, a biologia e geografia, e outras
áreas de conhecimento na problemática das relações entre o homem e o espaço
envolvente.

A ecologia de paisagem tem-se dedicado ao estudo da dinâmica espacial e temporal


dos componentes físicos, biológicos e socioculturais das paisagens, num quadro
interdisciplinar que abrange a geomorfologia, a climatologia, a biogeografia, a geografia
humana, a história e outras ciências do ambiente da sociedade e do homem.

No entanto, destaque-se que a ecologia de paisagem tem sido marcada por duas
principais abordagens: uma abordagem ecológica que tem privilegiado a importância do
contexto espacial sobre os processos ecológicos e a importância destas relações em
termos de conservação biológica; uma abordagem geográfica que privilegia o estudo da
influencia do homem sobre a paisagem e a gestão do território;

Este domínio de conhecimento vem adquirindo um grande vigor nos limiares do


novo século, devido à percepção crescente de que os problemas ambientais requerem
estudos a diferentes escalas, a consolidação das ferramentas teóricas e metodológicas
desenvolvidas nas últimas décadas do século XX, espacialmente o desenvolvimento das
imagens de satélites e o sistema de informação geográfica.

A área em estudo sendo um Vale, entre duas encostas (PENCK, 1924) foi um dos
primeiros teóricos a estudar detalhadamente este aspecto. Em sua concepção o
ajustamento tectónico de um curso de água pode condicionar inicialmente o arranjo dos
processos areolares, acentuando a declividade da encosta e, por consiguinte, na
evolução do modelado como um todo.
II- MEIO FISICO

Breve Caracterização da Área em estudo

O Arquipélago de Cabo Verde localiza-se no Atlântico Norte, na região setentrional


da Macaronésia. É constituído por dez ilhas de dimensões muito variáveis, que oscilam
entre 35 km2 (Ilha de Santa Luzia) e 991 km2 (Ilha de Santiago).

A ilha de Santiago, sendo a mais extensa, apresenta maior diversidade de relevo e


uma maior quantidade de bacias hidrográficas, com vales muito encaixados nas
cabeceiras dos maciços montanhosos, mas podendo terminar em vales amplos de fundo
plano, em terrenos aluviais onde se desenvolvem as culturas de regadio.

O Vale da Ribeira Seca corresponde a uma das maiores bacias hidrográficas da ilha
de Santiago, nasce no maciço de Pico de António a 1394 metros e desenvolve-se na aba
oriental da ilha e desagua nas proximidades de Pedra Badejo no Concelho de Santa
Cruz.

Esta ilha, localizada entre os paralelos 15º 20’ e 14º 50’ de latitude Norte e o
meridiano 23º 50’ e 23º 20’ de longitude Oeste do meridiano de Greenwich, fica situada
na parte Sul do Arquipélago.
O Vale da Ribeira Seca localiza-se na área nordeste da ilha de Santiago (Fig.1), com
uma extensão de 71,5 km2. Estende-se entre o Pico de Antónia e a zona de Lagoinha
(Achada Igreja) é dividida em três sub-bacias hidrográficas: Ribeira de Montanha com
uma área de 12,50 km2, Ribeira de Mendes Faleiro Cabral/São Cristóvão com uma área
de 25,50 km2 e Ribeira Seca (onde localiza a área em estudo) que é o leito principal da
Bacia com uma área 33,5 km2. Abrange praticamente três concelhos, o de São
Domingos, São Lourenço dos Órgãos e Santa Cruz. A área em estudo está
exclusivamente localizada no concelho de Santa Cruz.
Fig.1: Mapa da localização da Bacia da Ribeira Seca.

A temperatura média anual é de 22ºC. Os microclimas da bacia variam do árido


(clima do litoral) na parte jusante semi-árido que se estende até ao Poilão à partir do
qual se desenvolve a área de transição para a zona sub-húmido (São Jorge dos Órgãos) e
sub-húmido seco com grande excesso de água no verão e pequena concentração térmica
– estável. Mais a montante ocorre uma zona sub-húmido que se prolonga até ao Pico de
Antónia, com clima de altitude. Esta forte variação da precipitação em espaço curto é
característica dos climas insulares.
De acordo com o Censo 2000, a população da Ribeira Seca é composta por 14.343
pessoas sendo 6.719 homens e 7.624 mulheres. É considerada jovem uma vez que,
48,3% possui idade inferior à 15 anos e 77,4% inferior à 35 anos. Infelizmente, cerca de
17.3% da população são analfabetas tendo como a principal actividade a
agricultura, tipicamente rural, ou como actividade primária. Implicitamente, obrigando
uma grande pressão sobre a Terra e, dadas as condições de escassez prevalecentes,
também sobre a água, inclusive para usos domésticos.
FACTORES DA DINÂMICA PAISAGÍSTICA NA ÁREA EM ESTUDO

Solo e Geologia

Segundo (MARQUES, 1992) o solo é uma formação superficial incoerente, mas


sujeita a dinâmicas evolutivas, funções das interacções de factores climáticos,
litológicos, topográficos e bióticos, constituindo-se assim, o solum.

Segundo (GOMINHO e PINA, 2007) a área em estudo apresenta solo sujeito a


degradação devida a salinização, consequências da qualidade da água utilizada na rega,
a erosão e a extração da areia nos leitos da ribeira. A salinização devida, sobretudo pela
utilização da água salobra empregue na irrigação e na agricultura. A ocorrência de
elevada evapotranspiração e reduzida precipitação anual associado a fraca drenagem
também contribuem para a salinização dos solos, formando uma toalha freática salina
relativamente próxima da superfície do terreno, acumulando sais ao longo da estrutura
do solo.

A erosão hídrica que ocorre na época da chuva, num período curto e irregular de
aproximadamente três meses transporta grande porção do solo para o mar. Durante o
período de seca os materiais mais finos caem nas áreas do sapatamento lateral das
vertentes, o solo fica mais leve e vai ser transportado facilmente com a chegada das
chuvas.

Na área em estudo as principais características pedológicas identificadas no trabalho


de campo, Março de 2010, são os seguintes tipos de solos:
a) Vertisolos: são solos que apresentam características do basalto;
b) Solos pouco evoluídos de erosão sobre aluviões: com características
diferenciadas em termos de textura, solo pouco evoluído, causada pelos materiais
provenientes do basalto que arrancados e depois transportado pelas cheias, na qual se
constatou a erosão fluvial.
c) Solos pouco evoluídos de transporte ou de erosão sobre coluviões de
encostas: são formados sobre materiais diversos resultantes da acumulação de resíduos
de alteração mecânica e de rochas vizinhas;
d) Solos isohúmicos (cinzenta): são solos das zonas áridas e semiáridas
caracteriza-se por uma mineralização rápida da matéria orgânica profundamente
incorporada no perfil.
e) Solos isohúmicos (castanho): são solos de cor castanha de estrutura poliédrica
bem diferenciada, em termos de textura é média.
f) Solos fersialiticos; são solos de cor vermelho, com presença de óxido de ferro.
Localizam-se nas zonas áridas e semi-áridas e tem PH ligeiramente inferior a
neutralidade. Ás vezes chamadas de solos ferraliticos.

Geologia

Segundo (SERRALHEIRO, 1976) a sequência estratigráfica da bacia da Ribeira


seca, de acordo com a nomeclatura geológica da ilha de Santiago é constituída por três
grandes formações geológicas:

a) Formação dos Órgãos (CB); composta por sedimentos de idade


Miocénica. Esta camada geológica não permite a formação de um aquífero
favorável, pelo facto de as suas rochas, quando molhadas, formarem camadas
impermeáveis que impossibilitam recargas significativas.
b) Formação do Pico de Antónia (PA); constituída por depósitos de
pillow-lavas e piroclastos de grande permeabilidade, favorecendo a recarga
natural da bacia e está situada na parte média e jusante da bacia.
c) Depósitos Aluvionares ou Aluviões; encontram-se à jusante da Ribeira
Seca. São compostos por materiais grosseiros de elevada permeabilidade. As
aluviões conseguem atingir uma profundidade de 30m e constituem dreno
natural das formações vulcânicas permeáveis, como os depósitos dos pillow-
lavas. As aluviões é o material predominante na área de estudo. A figura 2 é o
mapa geológico da Ribeira Seca, verifica-se que os aluviões compreendem a
maior parte do leito da ribeira e das áreas destinadas para a prática da
agricultura, na parte á jusante.
Fig.2: Mapa Geológico de Ribeira Seca.

No Vale da Ribeira Seca as Formações dos Órgãos (CB) estão cobertas pelas lavas
do Complexo do Pico de Antónia (Miocénica e Pliocénicas). No fundo do vale, sobre as
formações do CB, encontram-se depósitos de cascalhos e areias recentes do
Quaternário, depósitos de enxurradas. Os depósitos de cascalho e areias Quaternárias
são dominantes no fundo do vale, em toda área a jusante do Vale.
GEOMORFOLOGIA

Na ilha de Santiago destaca-se a grande unidade geomorfológica, o seu ponto mais


alto, o Pico de Antónia com 1394m de altitude, onde nasce a Bacia dos Picos e da Seca
e termina a jusante do Vale da Ribeira Seca, na foz da Ribeira.

Segundo (AMARAL, 1964) a forma de relevo da ilha de Santiago faz lembrar uma
pêra, a sua parte mais larga voltada para o sul, apresenta-se dissimétrica, quer olhemos
de norte para sul ou de ocidente para oriente. Repuxada para sul e ocidente, a montanha
mais alta (Pico de Antónia) é tudo quanto resta do grande aparelho vulcânico que
largamente contribui para a formação da ilha. Na vertente voltada para o oriente (a qual
fica localizada a Bacia da Ribeira Seca), aquela que está mais amplamente exposta à
acção dos ventos alísios de nordeste, o Pico tem uma forma dissimétrica, cortado
profundamente por vales que descem por ela, divergindo em todas as direcções, para o
oceano. A dissimetria leste-oeste da ilha de Santiago é composta por terras mais baixas
e mais extensas para nascente, onde a maioria dos vales, amplamente abertos, terminam
por várzeas espaçosas, terras altas para poente, declives fortes que descem rapidamente
do Pico de Antónia para o oceano, terminando muitas vezes em arriba vigorosa. A
distância que separa a linha do cimo do maciço do Pico de Antónia do litoral é cerca de
13 km no lado ocidental e de 20 km no lado oriental.

O vale da Ribeira Seca prolonga ao longo das achadas completamente abertas,


extensos espaços destinados a pratica da agricultura do sequeiro, do regadio e as
achadas destinadas a pecuária.

O Vale da Ribeira Seca desenvolve na fachada oriental da ilha, constitui um dos


Vales mais extensos da ilha com 72km de extensão e tem uma forma triangular, na foz
da bacia é mais estreita, a medida que aproxima para o interior do Vale a área vai se
alargando.
A altitude média do Vale da Ribeira Seca é de 290,4m, a área em estudo tem um
declive médio de 8,6%. Estende uma densa área que permite a prática da agricultura e a
pecuária.

Ao estudar a morfologia da ilha de Santiago, se por um lado a aridez da ilha permite


ver com clareza as formas, despidas de manto vegetal, por outro nem sempre foi
possível reconstituir o relevo inicial, de tal modo todo ele foi destruído pela erosão que
rapidamente progride neste clima semiárido, e tão espessos são por vezes os taludes de
materiais desagregados que ocultam as estruturas.

De acordo com a aula de campo de Março de 2010, verificou-se diversas


construções realizadas pelo homem na tentativa de combater a erosão e a perda do solo,
muitas vezes benéficas, mais noutros casos deixando marcas negativas no ambiente,
principalmente na paisagem.

A construção de arretos, meia luas, canteiros paralelos para prática da agricultura,


nas vertentes tem causado a erosão e provocado perdas de solos. Levando em
consideração o clima árido e semiárido que afecta a jusante do vale da ribeira seca, nos
únicos três meses húmidos e irregulares da ilha, quando as gotas caem a terra encontra-
se seca é facilmente arrastado, vai encher os pequenos arretos, meia luas e canteiros, a
partir de certa altura, a escorrência vai-se organizando, as ranhuras e os sulcos de
escoamento vão coalescendo até na base da encosta ou vertente surge um único
colector. Desse ponto em frente entra no domínio da escorrência organizada, na base da
encosta ou vertente, em função da erosão ser regressiva, forma-se um barranco
(ravinas).
Foto nº1: Construção de Arretos e de Pedreira nas encostas.

Na ilha de Santiago o cultivo do milho do sequeiro ocupa mais de dois terços da


área da ilha, o milho é plantado nas encostas declivosas ou achadas. As culturas exigem
duas ou três “monda” de Julho a Outubro, época marcada das chuvas. A precipitação é
muito irregular, frequentemente episódica, elevada, violenta e concentrada. A
irregularidade da chuva e à sua intensidade, tendo em conta que o horizonte superficial
do solo é extraordinariamente incoerente devido as “mondas” e perante um elevado
declive e a inexistência de coberto vegetal protector, a dinâmica desencadeada pela
escorrência desorganizada conduz sempre à decapitação do perfil do solo, indo o
material sólido acumular-se no leito das ribeiras, por isso que encontram se cascalheiras
no leito da ribeira.

Para combater essa erosão é necessário eliminar a escorrência superficial


desorganizada com a construção, seguindo as curvas de níveis, com muretes, os quais
para serem eficazes terão de ser convenientemente vegetalizados e separados uns dos
outros em função das declives.
INTRUSÃO SALINA

O aumento da população e o consequente crescimento do tecido urbano em regiões


costeiras, aliados ao interesse de implantação de moradias próximas às praias (saída das
pessoas das zonas do interior para as zonas litorais), a intensificação da agricultura e
industrialização, causam problemas de poluição dos recursos naturais das zonas litorais,
em especial os recursos hídricos. As águas subterrâneas, um recurso hídrico que sofre
um grande impacto ambiental, traduzido pela salinização e pela disponibilidade de água,
que é causado pelo excesso da exploração, realizada através de poços perfurados nos
aquíferos costeiros, apanha de areia na foz da ribeira que provoca o rebaixamento do
limite da água do mar (Areia), permitindo assim a entrada de água salgada nas
proximidades das áreas cultivadas e dos poços, resume-se no contacto entre água
salgada e água doce.

Segundo (TODD, 1980) “os mecanismos responsáveis pela intrusão salina são
classificados em três categorias. A primeira envolve a redução ou a reversão dos
gradientes de água subterrânea, que permite que a água salina mais densa desloque a
água doce. O segundo método é proveniente da destruição de barreiras naturais que
separam água salina e água fresca e o terceiro mecanismo ocorre onde há disposição de
resíduos de água salina no subsolo”. No caso da jusante da ribeira seca, o primeiro e o
segundo mecanismo são responsáveis pela intrusão salina.

De acordo com o Censo 2000, a população da ribeira seca é considerada jovem,


cerca de 17.3% é analfabeta tem como actividade principal a agricultura e a actividade
primária. Dadas as condições de escassez prevalecentes, provocada pela seca e má
gestão dos recursos naturais, são esses mesmos recursos naturais que abastecerá a
população nas suas diversas actividades diárias, que necessitam de água..

Segundo (PINA et al.) a espessura da camada sedimentar da região em estudo é


variável mas deverá ter uma espessura máxima de 50 m de acordo com as observações
realizadas em furos. Os aquíferos existentes no vale são utilizados intensivamente na
agricultura. A fraca precipitação e sobre exploração destes aquíferos, verificadas nos
últimos anos, resultaram numa significativa contaminação das zonas próximas do mar
dos aquíferos de água doce por água salgada.
Década depois dos autores citados acima, na aula de campo de Março de 2010,
verificou-se que os poços que estão cada vez mais pertos do mar, encontram-se tão
sedentos que nem vestígios da presença do valioso recurso hídrico.
As condições de escassez prevalescentes e fraco poder das autoridades ambientais,
não conseguiram impedir a devastadora apanha de areia na foz da Bacia da Ribeira
Seca, que veio rebaixar as areias na foz permitindo a entrada de água salgada que ja
deslocou a uma distância de aproximadamente 2 km para o interior da Bacia.

Fo

to nº2: Entrada das Águas do Mar na foz da Bacia e a 2km da foz em direcão ao interior.

O quadro seguinte são dados óbtidos através de controlo que se tem sido feito pelo
Instituto Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos confirmam essa realidade
(INGRH). Tabela adaptada tendo em conta a localização da área em estudo.
Tabela 1: Localidades, caracteristicas dos Poços, temperatura e forma de
exploração dos poços.

Localidade Jaracunda Achada Casona Macati Cutelo Poilão


colaço Coelho

Caudal 20m 12m 14,10m 45m 24m 13.50m

Temperatura 28,2ºc 26ºc 27ºc 27,2ºc 24,4ºc 20,9

Horas de 12h 8h 12h 17,30h


funcionamento

Exploração 240m3/dia 96m3/dia 540m/dia 420m/dia


por M3/dia

Segundo (COSTA, 2005) “Os estudos das causas, da dinâmica local e


consequências da contaminação das águas subterrâneas por águas marinhas, constituem-
se ferramentas de valor imprescindível na previsão de cenários, para gerir, de forma
sustentável, as atividades que contaminam o meio ambiente”. Verifica-se graves
problemas de água que com o tempo, se não foram tomadas as devidas precauções,
traduzirá em escassez e grandes pressões sobre os recursos disponíveis.

A área em estudo é da época quaternária, dominada por aluviões que vai até uma
profundidade de 50m. O local é uma zona de declive, com aglomerados urbanos na sua
margem. O clima da região é árido e com duas estações por ano, uma seca e outra
húmida.

A massa de aluviões que circunda o local, com boa capacidade de permeabilidade e


um lençol freático muito importante para abastecimento população e agricultura.

De acordo com as escavações dos Poços realizadas, os aluviões estão a cerca de


50m de profundidade. Os aluviões são alimentados pelas chuvas estacionais e
irregulares, e também pela, entrada das águas do Mares, permitindo uma infiltração
muito rapida no solo.

Essa massa de água constitui um dos maiores lençóis freáticos do concelho de Santa
Cruz. A água é bombeada facilmente pelos Agricultores, nas épocas das chuvas algumas
vezes encontram água doce a correr na Ribeira. Durante um curto período de tempo
devido a facilidade de infiltração, porque o escoamento dá-se de uma forma lenta. A
área é alimentada por uma bacia de 72km2, todas as bacias que estão a montante da
Ribeira Seca fazem a drenagem em direcção a jusante.

As civilizações agrícolas sempre dependeram da captação de água para consumo


doméstico e para irrigação. O lençol tem sido utilizado desde a época em que os homens
aprenderam a cavar os Poços. Os dejetos, animais e humanos, muito dispersos, não
chegavam a causar poluição. Mais com o aumento da população e baixa nível de
precipitação aumentou a procura, cada vez mais.
CLIMA e COBERTURA VEGETAL

O arquipélago de Cabo Verde é composto por dez principais ilhas e cerca de 13


ilhéus, localizada aproximadamente 500 km da costa ocidental da África. Devido a esta
localização geográfica na zona saheliana, o seu clima é grandemente condicionado pelas
massas de ar quente e seco provenientes do continente Africano – Deserto do Sáhara.
Deste modo a precipitação anual é escassa e muito irregular, com valores diferentes de
ilha para ilha, exibindo mesmo grandes variações intra-ilha. Os valores médios são da
ordem de 200-400 mm/ano.
O clima é do tipo tropical seco, com duas estações, a seca e a húmida. A estação
seca ou das “brisas”, de Dezembro a Junho e a estação húmida ou das “águas”, de
Agosto a Outubro. Os meses de Julho e Novembro são considerados de transição. A
estação das chuvas é irregular, devendo-se ressaltar que desde 1968 a precipitação tem
sido bastante deficitária (Anexo).
O principal factor para a diferenciação microclimática em Cabo Verde destaca se a
altitude. A altitude é o factor determinante do clima na ilha de Santiago, está dividida
em andares microclimáticos.
De acordo com a vegetação assim é o clima da região, de acordo com cada andar
micro climático, existe ali um microclima diferente naquela região e também o coberto
vegetal tem acompanha as diferentes características microlimáticas do lugar.
No caso da Ribeira Seca a altitude é de 300 a 400 metros, a média anual das
precipitações, ronda os 200 a 300 mm e para as zonas sob a influência dos ventos alísios
a média anual ronda os 100 a 150 mm. Em altitude, sobretudo nas encostas expostas aos
ventos alísios de nordeste, as precipitações atingem 600 a 700 mm, em média, por
vezes, até o valor de 1000 mm.
De uma forma geral na ilha de Santiago, a temperatura média mensal ronda os 25 a
27ºc, nos meses mais quentes (Agosto e Setembro) e 22 a 24º C nos meses mais frios
(Janeiro e Fevereiro), sendo as médias anuais nunca superiores a 27º C e não inferiores
a 18º C.
Relativamente aos ventos predominantes, pode-se assinalar a existência de vários
tipos de tempo, de acordo com as massas de ar que predominam:
a) Alísio marítimo, de direcção nordeste;
b) Alísio continental ou Harmatão – Lestada;
c) Invasão do ar polar;
d) Monção do sudoeste africano;
e) Perturbações tropicais – Ciclones.
Esses ventos são responsáveis pelas características climáticas de Cabo Verde de
forma geral e em particular da ilha de Santiago. Exercem influências negativas na
cobertura vegetal da ilha. Por exemplo, o Harmatão, proveniente do continente
Africano, traz bruma seca que cobre os poros das plantas impedindo a sua transpiração,
deste modo verificou-se que dificultam o crescimento e desenvolvimento da vegetação.
Em Cabo Verde as ilhas mais montanhosas são as que apresentam maiores
precipitações, infiltração, evapotranspiração real, o volume das que escorrem e o
volume das utilizáveis.
Tabela 2: Características que dificultam crescimento da vegetação por ilhas.
Ilha Superfice Precipitação Escorrência Infiltração EVT Vol.utilizável
Real
(km2) (mm/a) Superficial (mm/a) (mm/a)
(mm/a)
(mm/a)

Santiago 991 320 108 55 157 14

Santo 779 350 125 69 157 2


Antão

São 227 75 10 5 60 2
Vicente

São 338 150 37 23 90 2


Nicolau

Fogo 476 450 182 88 180 3


Brava 67 350 122 68 160 15

Maio 269 km2 100 15 10 75 0,7

Sal 261 km2 75 10 5 60 0,5

Boavista 620 km2 75 10 5 60 0,8

Fonte: Análise de alguns aspectos do problema dos recursos hídricos em Cabo Verde – SABINO, A.
Advino.

Fig 3: Precipitação anual por ilha (mm/a).

Fig 4: Escorrência superficial anual por ilha (mm/a).


Vários são os Autores que debruçaram sobre a história das Ilhas de Cabo Verde,
sempre marcada por secas prolongadas, com três meses de chuvas muito irregulares. Na
área em estudo conforme consta no quadro nº3 (ver anexo) a precipitação tem vindo a
diminuir.
No arquipélago, automaticamente na ilha de Santiago tendo em conta a localização,
os tipos de ventos, as formas de relevo e a precipitação determinam a cobertura vegetal
da ilha.
Segundo (BRITO e SEMEDO, 1995) aceitam-se como limites no escalonamento
da vegetação os seguintes andares:
a) Andar árido que vai desde o litoral até altitudes de ordem dos 150/200
metros, as precipitações anuais costumam ser inferiores 300 mm;
b) Andar semi-árido que está localizado entre 150/200 metros a 300/400
metros, as precipitações anuais rondam os 300/400 mm;
a) Andar sub-húmido localiza entre 300/400 metros e 500/700 metros, as
precipitações anuais entre 400 e 600 mm;
c) Andar húmido localizado dos 500/700 metros a 1000/1400 metros, as
precipitações podem ser superiores a 600 mm;
d) Andar árido de altitude por cima dos 1300/1400 metros, mais esta
altitude se regista nas ilhas do Fogo e de Santo Antão.
Verifica-se que a área em estudo que apresenta um clima árido no litoral e semi-
árido a medida que aumenta de altitude. A jusante de Ribeira Seca com uma altitude
média de 290,4 m, a precipitação rondam 300/400 mm.
Na aula de campo de Março de 2010, incluindo entrevista realizada a população,
verificou-se um coberto vegetal predominante de arbustos, diferentes espécies
herbáceas, também a agricultura do sequeiro e do regádio em larga escala com espécies
diversificadas de cultivo, no sequeiro temos (Milho, feijões, Batata Doce e Mandioca) e
no Regádio temos a Bananeira, Papaieira, Coqueiro, Legumes e predominantemente a
Cana-de-açúcar que é muito resistente a seca, pode passar até meses sem ser regado ao
contrário doutras plantas.
A maioria das espécies nos andares áridos do litoral são provenientes da África
continental, da região do Sahel, espécies que adaptam ao ecossistema desse andar. As
espécies são na sua maioria introduzidas, não só da África mas também da América,
Europa e Índia.
Nessas áreas predominam espécies como Bombardeiro (Calatropis procera),
Lantuna (Lantana câmara), Purgueira (Jatropha curcas), Figueira (Ficus capensis e
ficus gna falocarpus), Tamarindeiro (Tamarindus indica), Zimbrão (Ziziphus
mauritiana), Barnelo (Grewia villsa), Acacia-mericana (Prosopis juliflora), Espinho-
catchupa (Dichrostachys cinerea), Carriço (Arundo donax), verificou-se outras espécies
de fruteiras como a Bananeira (Musa sp.), Mangueira (Mangifera indica), Papaieira,
Pinhão, etc. Há diversas espécies de leguminosas cultivadas.
De acordo com o questionário aplicado a população da região durante o período da
realização deste trabalho, constatou-se que há escassez de pasto para os animais.
Conclui-se que há uma intensa procura de pasto para subsistência dos gados na época
seca, isso acaba sempre por despir o tapete herbáceo no inicio do seu crescimento.
Conclui-se que de acordo com a quantidade das precipitações que caem cada época das
chuvas vai determinar a quantidade do pasto.
Deste modo, devemos ter em conta que os períodos de seca e a curta estação
húmida são factores naturais que limitam o crescimento da vegetação, por conseguinte o
pasto.
Constatou-se também um impacto negativo da actividade humana na cobertura
vegetal da área em estudo, na procura do pasto para o sustento dos gados, na procura da
sobrevivência da própria população que de uma forma ou doutra procura sobreviver. O
impacto da actividade humana não pode ser vista somente do ponto de vista negativo,
mas também as espécies vegetais existentes na região foram introduzidas pelo homem.
III- MEIO HUMANO

População e Emprego

A população predominantemente católica, cuja a principal actividade é a agricultura e


a pecuária numa escala familiar e de sobrevivência é composta conforme o censo de 2000
por 14.343 pessoas sendo 6719 homens (46,85%) e 7624 mulheres (53,15%). O número de
agregado familiar é de 2605, o que corresponde a uma média de 5,5 pessoas por família. A
população da bacia é relativamente jovem com 48,3% da população tem menos de 15 anos
e 77,4% menos de 35 anos. Comparando os dados da população de 1990 com os da ano
2000, constata-se que houve um aumento populacional de cerca de 8% em 10 anos. Esses
dados é da população total da Bacia. A maioria da população da bacia trabalha no sector
primário (agricultura e pecuária), uma percentagem baixa no sector secundária e terciário.

Tabela 3: População da Bacia de Ribeira Seca.

POPULAÇÃO DA BACIA HIDROGÁFICA DE RIBEIRA SECA/SUB-BACIAS

Sub-bacias Agregado
População Agregados/Sexo/Chefes

por

Total Mulheres Homens Total Família


mulheres homens
chefe chefe

Montanha 1641 886 755 302 109 193 5,4

Mendes Faleiro
Cabral/São Cristóvão 5870 3144 2726 1093 469 624 5,4
6832 3594 3238 1210 469 741 5,6
Ribeira Seca
Total 14343 7624 6719 2605 1047 1558 5,5

Fonte: Censo 2000.

De acordo com o questionário, a emigração entre outros factores, 42,7% de famílias de


Ribeira Seca são chefiadas por mulheres e 36% das explorações agrícolas são controladas
pelas mesmas. As que emigram muito dificilmente volta para a região, geralmente as mais
idosas que trabalham no campo. A população da região tem baixo nível de intrusão,
verificou-se que os filhos dos agricultores não evoluiram muito nos estudos, os que sairam
para estudar raramente voltam. Um nível muito baixo de pessoas tem formações básicas
Agrárias. As famílias localizam de acordo com os lugares onde existe recursos naturais
disponíveis.

AGRICULTURA

Agricultura de Sequeiro e Regádio

A agricultura de sequeiro é a actividade que ocupa não somente a maior parte dos
agricultores da bacia, como também a maioria das superfícies agricultáveis. Este tipo de
agricultura é praticado sem se ter em conta os critérios tecnicamente determinados para as
superfícies vocacionadas para o regime de sequeiro, de entre as quais se destacam:

a) Topografia (os terrenos com declives superiores à 25% e sem nenhum tipo
de protecção são muito susceptíveis à erosão hídrica, daí não são recomendáveis
para o cultivo do milho que é a cultura dominante no sequeiro).
b) Heterogeneidade, estrutura e textura dos solos.
c) Condições climáticas, sobretudo zonas áridas.

Foto nº3: Agricultura de Sequeiro nas encostas e no leito da Ribeira.

Contudo, esses critérios não são observados pelos agricultores que, perante a fraca
disponibilidade de terras e á necessidade de satisfazerem as suas necessidades básicas,
sobretudo em termos de alimentação, utilizam essas terras, consideradas impróprias ou
marginais para a agricultura na tentativa de conseguir algum rendimento. Para os
agricultores o parâmetro mais importante para a prática da agricultura é a pluviometria.
Assim, anualmente há uma grande pressão sobre as terras para a prática da
agricultura de sequeiro por parte dos agricultores dificultando a determinação com
exactidão das áreas de sequeiro realmente cultivadas, cujos os valores variam em função
do volume e a distribuição das precipitações anuais e das zonas ecológicas conforme o
quadro n°3 em baixo.

A agricultura de sequeiro é uma actividade agrícola onde é utilizado técnicas e


instrumentos tradicionais como a Enxada, Picareta, Pá, Maxin. Não utiliza fertilizantes
químicos nem Máquinas, é tipicamente tradicional. As técnicas utilizadas contribuem
para o desgaste do solo, isso vai facilitar o transporte dos matériais no período das
chuvas, também para o seu enfraquecimento porque cada área de cultivo tem o espaço
certo “cova” a ser cavado próxima vez, isso leva com que seja cavado sempre no
mesmo lugar todos as épocas “das águas”.
A culturas praticadas é a do Milho, Feijões, Batata-doce, Batata Comum, Mandioca,
Roca e a Abóbora, essas duas últimas em menor quantidade.

Entretanto dados disponíveis e aceitos indicam que a nível da bacia a área


geralmente ocupada em sequeiro é de 5120 ha, enquanto que a potencialidade técnica
está estimada em 3810 ha (PDARS).

Tabela 4: Taxa de ocupação das áreas e rendimento do milho segundo zonas


ecologica e precipitação.

TAXAS DE OCUPAÇÃO DAS ÁREAS E OS RENDIMENTO DO


MILHO SEGUNDO AS ZONAS ECOLÓGICAS E AS PRECIPITAÇÕES

Zonas ecológicas Anos Bons Anos Médios Anos Maus

TOA Rend. TOA Rend. TOA Rend.

Húmidas 100 0,70 90 0,80 30 0,30

Sub=húmidas 100 0,80 80 0,65 20 0,20

Áridas 100 0,65 60 0,30 5 0,1


TOA = Taxa de ocupação das áreas (%). Rend. = Rendimento (t/ha).

Fonte: INGRH, Fevereiro de 1999 estudo da bacia.

Regádio

A agricultura de regádio é uma das actividades mais importantes para a economia


familiar dos agricultores residentes na bacia. Ao contrário do que se verifica no regime
de sequeiro, a produção da agricultura irrigada é menos sujeita às aleatoriedades
climáticas. A agricultura de regádio consome maior quantidade de água, essas águas
quase sempre provem das explorações dos Poços, poucas vezes das chuvas.
Foto
nº4: Agricultura de Regádio no leito Principal da Ribeira Seca – Jusante.

Quanto as culturas irrigadas na bacia, há diversidades de culturas, uns cultivavam


em maior quantidade aquelas, como a cana-de-açúcar, mandioca, banana, batata-doce,
batata comum. Cultiva-se também algumas fruteiras e hortaliças. Segundo análise das
fotografias e conversas com os agricultores na parte mais próximo a foz havia grandes
produções de Banana, nesse momento verificou-se mais em pequena quantidade, nas
zonas mais interiores, nos últimos 2 km que se aproxima a foz verificou-se apenas terras
limpas e seca. É de salientar que a cana-de-açúcar é a cultura dominante,
fundamentalmente pelas seguintes razoes:

a) Resistência á seca, o que é importante perante situações da fraca


disponibilidade de rega;
a) Intervalos grandes de rega, podendo atingir mais de um mês;
b) Facilidade na conservação dos produtos dessa cultura, que são a
aguardente e o mel;
c) Possibilidade de utilizar as folhas na alimentação do gado.
Todavia, a cultura dominante na parte jusante da Ribeira Seca é a banana cultivada
em terrenos pertencentes à grandes proprietários. As culturas hortícolas vêm
progressivamente ganhando maior expressão devido a rentabilidade conseguida com a
introdução das novas tecnologias e a procura, a nível do mercado dos centros urbanos
nomeadamente a da vila de Pedra Badejo e a Cidade de Praia.

Segundo (PDARS) a bacia Hidrográfica Ribeira de Seca dispõe de grandes áreas


irrigáveis o que faz dela uma das maiores zonas de regádio da Ilha de Santiago e possui
áreas consideráveis de superfícies irrigada cujo limites em termo de expansão são
impostos pela disponibilidade da água para a rega.

Em função do tempo de disponibilidade da água para a rega, existe dois regimes de


regádio na bacia: regádio permanente e temporário. A irrigação temporária pratica-se
com a água que corre nas ribeiras logo depois da chuvas. Geralmente, dependendo da
quantidade de chuvas o tempo de permanência desta água no leito das ribeiras é de dois
até quatro meses. Tendo em conta esta duração, as culturas praticadas no regime de
regádio temporário, são aquelas que tem ciclo de vida curto, como as hortaliças,
principalmente a batata comum. Devido á aleatoriedade das chuvas a agricultura no
regime temporário é também bastante variável, havendo anos durante os quais ele não é
praticado. Neste contexto, apenas o regádio permanente oferece condições seguras para
o desenvolvimento de uma agricultura rentável.

Em relação as áreas irrigadas da bacia existem vários dados entre os quais o do


plano Director dos Recursos Hídricos que estima as áreas cultivadas em regádio
permanente em 164 ha e os dos outros estudos que apontam uma área de 351 ha,
geralmente cultivadas em sistema de regádio permanente e temporário.

Contudo, os diferentes estudos realizados no âmbito da elaboração do Plano de


desenvolvimento dos recursos hídricos da bacia, estimam que as áreas efectivamente
irrigadas em regime permanente é de 272 ha.

Quanto ao sistema de rega ele é predominantemente do tipo tradicional, ou seja por


alargamento, provocando um consumo bastante elevado de água para a rega. Assim, as
dotações diárias são empiricamente estimadas entre 40–50 m³ de água por hectare.

Constrangimentos na agricultura de regádio


Um dos principais constrangimentos da bacia hidrográfica de Ribeira Seca é fraca
produção e produtividade da agricultura irrigada devido principalmente á :

a) prática de técnicas culturais, tradicionais e de subsistência;


b) A fraca gestão dos recursos hídricos: os agricultores não adequam a área
irrigada em função da disponibilidade da água;
c) salinidade da água devido a intrusão salina que por sua vez advém da
exploração desenfreada dos inertes na foz da Ribeira Seca e sobre-exploração dos
pontos de água na parte jusante da mesma ribeira;
d) má distribuição da água de rega, tanto de ponto de vista da frequência (intervalo
de rega) assim como da quantidade (dose de rega);
e) fraca utilização de factores de produção, como estrumes, adubos e outros.

Os tipos de cultivos utilizados, excepção da bananeira, também contribuíram para


salinização do solo, de forma que arvores como a Mangueira, o Coqueiro, as Acácias,
etc. São árvores de raízes profundas procuram águas longas distâncias, enquanto se
teriam optado pelo cultivo de hortaliças (tem raízes superficiais) poderia evitar a
salinização. As técnicas de irrigação por alargamento através das levadas e canteiros
abertos, permitiu o desperdício da água doce. Nos últimos anos começaram a
implementar a rega gota-a-gota, teve um avanço siguimificativo.

Pecuária
A pecuária na bacia é uma actividade de quase todas as familias residentes, essa
actividade constitui a segunda fonte de rendimento depois da agricultura de regádio.

No geral não existem especializações neste domínio, Normalmente as famílias


dedicam á criação simultânea de várias espécies de animais ou seja uma mistura de
caprinos, bovinos, aves, etc. Embora algumas explorações cultivam raças melhoradas de
bovinos, as espécies exploradas são rústicas, resistentes e pouco produtivas. O quadro
em baixo indica o número de efectivos da pecuária em Ribeira Seca:

Tabela 5: Número de efectivos da Pecuária em Ribeira Seca.

Consumo

Localidade Bovinos Caprinos Suínos Aves Ovinos Cuinínos (m3/ano)

Ribeira 39 37 68 70 9 10 498,22
Seca(jusante)

Fonte: Estudos – Agriculturas e necessidades hídricas na B.H.R.S., INGRH, Fevereiro de 1999.

Fo
to nº5: criação de Gado nas encostas e no leito da Ribeira.

Segundo o questionário aplicado a pecuária praticada na bacia de Ribeira Seca tem


várias finalidades, entre as quais destacam-se as seguintes: pela subsitência e para o
mercado (venda para resolver outros problemas diários). Ainda os chefes das criações
disseram que há falta de pasto, falta de água para os animais e ainda baixo apoio
técnico.
EMPRESA FAMILIAR

A Indústria familiar no Vale da Ribeira Seca está ligada as produções da agricultura


e da pecuária. A maioria dos Agricultores e Criadores que localizam a jusante da Bacia
usam as mesmas técnicas na agricultura e na pecuária.
Na analise das produções familiares baseada em (LAMARCHE, 1998), permite
concluir que os agricultores e criadores que localizam a jusante da Ribeira Seca
enquadram principalmente em dois modelos de funcionamento: o modelo empresa
familiar e o modelo camponês.
No modelo empresa familiar encontram-se a maioria dos agricultores, aqueles que
tem na agricultura a sua principal fonte de renda. No modelo camponês estão aqueles
que buscam como objectivo principal a satisfação das necessidades familiares.
Todos esses agricultores são também criadores de gado, tem lógicas familiares o
que vária é a dependência do mercado. As técnicas utilizadas tanto na agricultura tanto
na pecuária são tradicionais, isso deixou impactos negativos no ambiente devido ao uso
de instrumentos e técnicas pouco sustentáveis. A mão-de-obra é familiar, as vezes
pagam pessoas mais nos períodos de bom ano agrícola e que vai ajudar na criação de
gado.
Verificou-se uma taxa baixíssima de chefes de produção que transforma os seus
produtos, quer na agricultura quer na pecuária.
Os seus principais produtos que comercializam na agricultura é a cana-de-açúcar,
que é o produto mais transformado pelos agricultores, com excepções por algumas
doces, as hortaliças (Tomate, Pimentão, Cebola, Cenoura, Batata Doce e Comum etc.),
as fruteiras (Banana, Papaia, Manga etc.). Na pecuária, a criação dos Porcos, Cabras,
Galinhas e Vacas, estes não são transformados pelos criadores da região, só vendem
inteiro ou põe no assogue.
Foto nº6: Formas de venda dos produtos agrícolas.

Verificou-se que há necessidade dos agricultores da região de unirem por


intermédio de Associações comunitárias e parceiros, levando a divulgação dos seus
produtos e desenvolver iniciativas de capacitação dos agricultores.
Há necessidade de alguns factores básicos para iniciar o processo que leve a
sustentabilidade desses produtores familiares e aos seus sistemas agrícolas, pois a
agricultura e pecuária praticada por eles exige dinamização nos sistemas de produção e
nas relações entre comunidades rurais para que estes agricultores melhorem suas
produções e continuem na área estudada, com melhores condições de vida.
IV- PAISAGEM e AMBIENTE

Paisagem

Ao estudar a dinâmica de paisagem da jusante de Ribeira Seca, tendo em vista


preservação ambiental, das conversas realizadas com as pessoas idosas do local e
analise de fotográfias, revelaram-nos a história social e espacial do lugar em estudo. Os
relatos dos idosos são relevantes, pois estes manifestam as mudanças na paisagem como
sendo desgastante durante décadas, construindo suas histórias de vidas e que estas
unidas formam a história da sociedade, assim como paisagem as quais vemos são fruto
de um processo sócio- espacial, é o resultado das interações entre elementos naturais e
humanos que se organizam de maneira dinâmica ao longo do tempo e do espaço - logo
se percebe que ambos revelam a memória de um povo. A analise de fotográfias permite
ter detalhes dos objectos e visualizar a paisagem décadas atráz.

Segundo (CAPRA, 1982) a nossa sociedade, como um todo, encontra-se em uma


crise derivada do fato de que estamos tentando aplicar os conceitos de uma visão de
mundo obsoleta – a visão de mundo mecanicista da ciência cartesiano-newtoniano – a
uma realidade que já não pode ser entendida em função desses conceitos. Vivemos hoje
num mundo globalmente interligado, no qual os fenômenos biológicos, psicológicos,
sociais e ambientais são todos interdependentes. “Para descrever esse mundo
apropriadamente, necessitamos de uma perspectiva ecológica que a visão de mundo
cartesiana não nos oferece”
Constatou-se que desde décadas atráz a influência da acção humana, alteração
climática, processos culturais na transformação da paisagem tem causado um impacto
ambiental tanto no lugar de estudo quanto nas áreas afectadas pela área. Na paisagem
local, principalmente nos campos agrícolas, estradas, casas e reservatórios construídas
na vertente, na vegetação, entre outras, interagindo sistematicamente uma sobre a outra.
Embora já havia presença humana desde os séculos anteriores, só nas últimas décadas
verificou-se diversas transformações. Essas áreas permaneceram durante últimas
décadas, apresentaram irregularidades devido a fraca quantidade de precipitação e
diversas explorações realizadas pelos agricultores e população em geral.

Os factores responsáveis pela dinâmica na área em estudo, primeiramente a


precipitação, devido a sua localização geográfica, ventos predominantes, características
do relevo geralmente declivosas. Condiciona a disponibilidade de água que terá destino
ao abastecimento da população e utilizada na prática agrícola. Levando em conta a
escassez associado a intensa procura, a população debruçou sobre os recursos que
esteve a sua disposição para saciar as suas necessidades básicas, isso levou a uma má
gestão e exploração dos aquíferos costeiros diminuindo cada vez a sua capacidade de
abastecimento por parte dos Poços e Foros.

Geologicamente na área em estudo dominada por aluviões, muito permiáveis


permitindo a infiltração, este aluviões estão a cerca de 50m em cima de um outro estrato
geológico, a formação dos Órgãos, impermeável de muito difícil infiltração, por baixo
encontra-se o estrato da formação do Pico de Antónia (PA).

O relevo declivoso da região em estudo, quando ocorre as chuvas infiltram-se


rapidamente, começa a movimentar em direcção a foz da bacia que é área mais baixa. A
medida que intensifica a escassez dos recursos naturais o homem na procura de
sobrevivência arranja alternativas. No caso da área em estudo foi a apanha de areia na
foz da Bacia e corte de arvores para lenha.

A apanha de areia na foz da Bacia tem baixado o nível das areias na foz que servia
como barreiras que impedia a passagem da água do Mar na foz da Bacia. Esse
rebaixamento das barreiras (Areias) na foz permitiu a entrada da água do Mar em
direcção a área cultivada, que já entrou cerca de 2 a 3 km.

As águas do Mar que entra no local infiltram no solo, juntando-se com a água doce
infiltrado na época das chuvas. A seca e a escassez continuam a população na procura
de sobrevivência, contínua na exploração dos aquíferos costeiros, com o tempo a água
explorada dos aquiferos começou a apresentar caracteristicas salobras que acabou por
salinizar o solo.

Essa região décadas atrás era um dos maiores produtores de Banana da ilha de
Santiago, até chegou a exportar Banana para Portugal durante década, nesse momento
verificou-se apenas terrenos despidos, confortado com a presença de coqueiros sem
frutos a cair, da zona da foz para o interior a medida que se verifica índice de
salinização do solo. A crescente indice de salinização, provocou uma decrescente nível
de produção, aumento do desaparecimento e a incapacidade de produção das espécies
cultivadas. A ausência de arvores fruteiras motivou a invasão das Acácias-Americanas
que vem aumentado a sua presensa gradativemente nos espaços abandonados pelos
agricultores.

A construção da estrada que liga Órgãos a Pedra Badejo, deixou marcas negativas
durante o período da construção, no periodo da construção e depois da construção, sem
nenhuma medida de reabilitação das áreas e espécies destruídas, até a data da última
visita a área em estudo não se tinha aplicado nenhuma medida de reabilitação. Os
estragos são avultados dando enfase a terraplanagem que destrói os solos pondo mais
fácil a erosão, corte de arvores para dar mais espaços a Estrada, destruição do habitat
natural das espécies, mudança do tráfego durante o período da construção. Etc.

A paisagem está alterada, é um espaço produzido, no qual o relevo serve de suporte


físico ou recurso, em que as diferentes formas de ocupação refletem o momento
histórico, económico e social (cultural). Portanto, o relevo e seu modelado representam
o fruto da dinamicidade entre os processos físicos e os agentes sociais atuantes, que
ocorrem de modo contraditório e dialético a partir da análise integrada das relações
processuais de uma escala de tempo geológica para a escala histórica ou humana.
Foto nº 7: Paisagem da jusante de Ribeira Seca à Vila de Pedra Badejo.
AMBIENTE

A verificação de que a paisagem da jusante da Ribeira Seca é um elemento em


constante alteração, provocada pela actividade do homem e alteração climática, e a
actual situação de aumento das populações urbanas, demonstra a necessidade de estudos
e discussões a respeito das consequências futuras destas constantes modificações da
paisagem.
O resultado da intervencão sistematica do homem na paisagem, representa o
impacto ambiental quer positiva ou negativa. Este último implica numa pressão sobre o
arranjo estrutural dos componentes do sistema ambiental, alterando seu dinamismo
negativamente, criando novos sistemas que nem sempre são favoráveis ao homem. A
natureza reage tentando criar novas formas de equilíbrio. A intervenção sistematica
pode ocorrer de várias maneiras, uso descontrolado dos recursos naturais,
implementação de medidas de preservação ambiental, as vezes deixando marcas
negativas, como por exemplo a construção da meia lua (Caldeiras) muitas vezes facilita
a erosão e perda do solo consecutivamente.
O ambiente natural da área em estudo tem sofrido transformações ao longo das
últimas décadas, provocada pelos factores acima referidos. A apresentação de
estratégias de preservação também constitui um dos objectivos deste trabalho.
Na aula de campo de Março de 2010, foi feito o levantamento dos principais
impactos negativos no ambiente local. Depois da analise da situação actual, foi
estabelecido conjunto de medidas que consideramos prioritárias, no âmbito da sua
conservação.
Os principais problemas verificados:
a) Indice de salinização do solo
b) Uma má gestão dos recursos hídricos
c) Utilização de técnicas tradicionais na agricultura e na pecuária
d) Baixo nível de intrusão da população
e) Inexistência de Associações comunitárias de caracter ambiental
f) Baixo controle dos recursos naturais pelas Autoridades competentes
g) Inexistência de formas de financiamento por outros parceiros.
h) Inexistência de Infraestruturas para transformar os seus produtos. Etc.
Um dos objectivos deste trabalho é também de melhorar as condições de gestão de
um conjunto de recursos existentes com a introdução de medidas de utilização
baseando-se nas potencialidades locais e em algumas estrategias para alcançar
resultados positivos para alterar a situação actual.

Segundo (OLIVEIRA, 2005) os fenómenos e actos sociais e económicos podem


exercer pressões e, consequentemente, determinar modificações no estado do ambiente.
Foi baseado nos esquemas e ideias desse autor que consideramos alguns itens como
principais problemas ambientais locais.

Na analise desse conjunto de problemas ambientais consideramos necessarias, um


conjunto de medidas de intervenção, principalmente, medidas preventivas, curativas,
adaptativas e repressivas. A educação ambiental é uma ferramenta muito importante na
gestão dos recursos naturais. Nessa logica que vamos apresentar algumas alternativas
para os problemas que consideramos prioritárias de intervensão:

a) A participação da população – a participação das populações será indispensável


para uma boa gestão dos recursos naturais. Para tal, esforços são necessários para a
integração e a responsabilização dos agricultores e criadores em todas as acções
relativas à mobilização e utilização dos recursos naturais. Verificou-se que há
necessidade de capacitação da população a lidar com os recursos naturais, e a ter uma
participação efectiva e consciente da população local na vida de cada comunidade da
Bacia.
Criação de Associações dos Camponeses com responsabilidade de
representar a população residente em cada comunidade da Bacia. Tentando
garantir a participação das organizações conscientes, da população geral, dos
proprietários e dos Camponeses.
b) A formação e a informação da população - A sensibilização dos agricultores,
proprietários e da população em geral, em todas as fases da implementação das
actividades das Associações criadas, é um elemento indispensável para a mudança da
mentalidade em relação à utilização dos recuros naturais, e das infra-estruturas de
abastecimento, conservação dos solos e da água. A formação dos membros das
Associações na construção de projectos, de forma a garantir o financiamento junto das
Organizações e Instituições governamentais. A actividade de formação, e garantia da
capacidade técnica de realização dos planos ou projectos previamente elaborados,
consideramos como prioritárias. Durante a formação deve ser incutido nas pessoas o
sentimento de pertença.
c) Os parceiros de intervensão – a parceria para execução dos planos ou
projectos de gestão dos recursos naturais consiste na concertação entre todos os
intervenientes no processo de desenvolvimento da bacia, nomeadamente os
responsáveis do poder central e local, os serviços técnicos, os camponeses e a
população em geral. A parceria deve ser contínua e realizada no quadro de
colaboração bem definido pelos diferentes intervenientes. Com efeito a
planificação e realização das acções devem ser feitas na base duma concertação
e de definição das responsabilidades de cada interveniente. Os parceiros devem
atribuir as responsabilidades as Associações, mas fiscalizando a sua execução.

d) Intervensões sociais - a bacia com as suas sub-bacias e ribeiras são


unidades ecológicas e socio-económicas bem definidas. Também, existem
interacções entre diferentes partes dessas unidades. As acções desenvolvidas a
jusante da Ribeira Seca podem ter efeitos/impactos positivos ou negativos sobre
as outras partes da sub-bacia e da bacia, daí a necessidade da implementação de
uma abordagem de caracter global e singular. Nesse caso apresentamos somente
para a jusante a qual temos informações pertinentes.

e) A gestão dos recursos naturais – a gestão dos recursos naturais está


automaticamente relacionado com o desenvolvimento de outros sectores da vida das
populações. A problemática da gestão dos recursos naturais não pode ser dissociada das
outras no contexto da vida das comunidades. A gestão dos recursos naturais deve ter em
conta as outras acções que estão sendo ou devem ser desenvolvidas para melhorar as
condições de vida da população. Nesse âmbito uma atenção particular deve ser dada ao
desenvolvimento das actividades geradores de rendimento na sua globalidade.
A responsabilidade de gestão dos recursos naturais, das infra-estruturas existentes,
são da população de forma geral e em particular das Associações. As medidas
represivas são de responsabilidade das Associações, de informar as autoridades
competentes a tomar as medidas legais, as sanções penais e administrativas para punir
acções infractoras.
Deixamos alguns objectivos capazes de orientar a gestão dos recursos naturais, que
poderia ser adoptado pelos responsáveis pela gestão dos recursos naturais, segundo
(VIEIRA e WEBER, 2000):

a) a segurança no aprovisionamento de recursos e a melhoria da posição da


balança comercial de recursos naturais;

b) a adaptação da demanda de recursos à evolução previsível da


disponibilidade relativa dos diversos recursos naturais em diferentes horizontes
temporais;

c) a valorização das potencialidade dos recursos da região e especialmente


dos recursos existentes no nível local;

d) a busca de harmonização entre as modalidades de utilização e de gestão


de recursos, a conservação do património natural e a reprodução das condições
ecológicas do desenvolvimento;

e) a renovação dinâmica da base de recursos naturais para as gerações


presentes e futuras.
CONCLUSÃO e SUGESTÕES

É sempre agradável chegar ao fim de um trabalho e ter a sensação de que a missão


foi comprida, ou seja os objectivos preconizados foram atingidos. Ao concluir um
trabalho deste tipo, fica sempre a sensação de que faltou alguma coisa, ou algum
conteúdo que podia ser desenvolvido ou tratado de uma outra forma, mas o importante é
que este trabalho foi concebido a partir de um projecto previamente elaborado e com os
objectivos bem definidos. É com grande satisfação que concluimos este trabalho, que
contribuiu bastante para o conhecimento do estado da paisagem e dos problemas e
potencialidades da região, permitiu conhecer as caracteristicas regionais da região em
estudo e apresentar algumas medidas a serem tomadas.

Baseado nos objectivos deste trabalho, “Dinâmica de paisagem e preservação


ambiental a jusante do Vale da Ribeira Seca” e nas pesquisas de campo e
bibliograficas, e também de acordo com o questionário aplicado a população da região
em estudo concluimos que a jusante do Vale da Ribeira Seca é uma zona agrícola por
excelência, cuja paisagem tem sofrido transfomações alarmantes nas últimas décadas.

Concluiu-se que os agentes responsáveis pela dinâmica paisagistica verificada no


local em estudo são, a chuva fraca e irregular de um lado e do outro a intervenção do
homem na natureza. A área em estudo localiza na região do clima árido e semi árido
com baixa média de precipitação anual. A cobertura vegetal também é muito dispersa
influênciado pelo clima da região.

A fraca quantidade de precipitação, consequentemente há baixa infiltração, cada vez


aumenta a procura da água para a irrigação. A seca e o desemprego motivaram a apanha
de areia, que permitiu a entrada da água do Mar. Nas actividades praticadas utilizam
técnicas e instrumentos tradicionais, deixando prejuizos ao ambiente e revela uma mã
gestão dos recursos naturais.
A intensa exploração dos recursos naturais acabaram por contribuir pela intrusão
salinização do solo da região em estudo.

Para combater os principais problemas da região em estudo propomos algumas


sugestões que consideramos serem muito importantes para a população e para a
paisagem da local:

a) Planeamento e gestão dos recursos naturais da região e controle na sua


exploração. Permitindo uma exploração sustentável dos recursos diponiveis
b) Disalinização da água, para aliviar a exploração dos Poços e Furos
c) Incremento da areia nas praias, para atingir o seu nível normal
d) Construção de infra-estruturas que permite a captação e infiltração das
águas no solo
e) Formar e informar a população a usufruir dos recursos naturais de forma
sustentável. Etc.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

Enquadramento teórico e metodológico


BEROUTCHACHVILI, Nicolas & BERTRAND, Georges – Le géossystème ou
« Système territorial naturel » - Revue Géographique des Pyrénées et du Sud-ouest,
t.49, f.2, pp. 167-180.

BERTRAND, Georges (1968) – “Paysage et géographie physique globale”. Revue


Géographique des Pyrénées et du Sud-ouest, t.39, f.2, p. 249-272.

BERTRAND, Georges (1978) “Paysage entre la Nature et la Société”. Revue


Géographique des Pyrénées et du Sud-ouest. 49, f.2, p. 239-252.

METZGER, Jean Paul (2001) – “O que é Ecologia de Paisagens?” – Biota


Neotropical Vol.1 (n1) (www.biotaneotropical.org.br) BN00701122001.

RIMBERT, S. (1973) – Approches des Paysages, L´Éspace Géographique, Paris. p.


233-241.

TRICART, J. (1979) Paysage et écologie. Revue de Géomorphologie dynamique:


géodynamique et étude externe: étude intégrée du milieu naturel XXVIII, no 3, p. 81-95.

TRICART, J. (1977) Ecodinâmica. Recursos Naturais do Meio Ambiente. R. Janeiro:


IBGE, 1977.

TROLL, Carl (1972) – Geoecology of High-Mountain Regions of Eurasia, Wiesbaden,


p. 1-13.

Estudos de casos referentes ao tema

BERTRAND, G. (1972) Ecologie d´Um espace géographique. Lês géosystèmes du


Valle de Prioro (Espagne du Nord-Ouest). L ’Espace Géogr. N. 2, p. 113-128.

CAPRA, F. (1982) O ponto de mutação. A ciência, a sociedade e a cultura emergente.


São Paulo, Cultrix.
CONTI, J. B. (1998) Clima e Meio Ambiente. São Paulo, Actual. P.53.

LAMARCHE, Hugues (Coord.). A agricultura familiar: do mito à realidade (vol. II).


Campinas: Editora da UNICAMP, 1998.
LAMARCHE, Hugues (1998) O Modelo Agricultura Camponesa e de Subsistência.

MARQUES, M. Monteiro (1992) Agricultura e Desertificação - Formas de


Degradação do solo. Lisboa. P. 31- 47.

ROUGERIE, G.; BEROUTCHACHVILI, N. (1991) Geosystèmes et paysages: bilan


e méthodes. Armand Colin Éditeur, Paris, 1991.

OLIVEIRA, J. F. S. (2005) Gestão Ambiental. Lisboa. P.120.

PENCK, W. (1924) Die morphologische analyse. Ein kapitel der physikalischen


geologie. J. Engelhorn’s Nachf. Stuttgart.

TODD, D. K. (1980) Groundwater Hydrology.v.2, John Wiley & Sons, Inc., New
York.

VENTURIERI, A. et al. (1998) – Avaliação da dinâmica da paisagem na ilha de


Mosqueiro, Município do Belém do Pará – Anais do IX simpósio brasileiro de
sensoriamento remoto, Santos Brasil, INEPE, p.247-256.

VIEIRA P. F. e WEBER J. (2000) Gestão dos Recursos Renováveis e


Desenvolvimento: Novos Desáfios para a Pesquisa Ambiental. 2ª ed. São Paulo, Cortez.

Bibliografia referente a Cabo Verde

AMARAL, I.(1964) Santiago de Cabo Verde - a terra e os homens - Memória da JIU,


Lisboa.

AMARAL, I. (1986) - Fronteiras do Sahel: alguns aspectos geográficos. Garcia de


Orta, Sér. Geogr., Lisboa, p. 1-54.

BEBIANO, B.A. (1932) - Geologia do Arquipélago de Cabo Verde - Comunicação ao


Serviço Geológico de Portugal, Lisboa.

CARREIRA, A. (1984) - Cabo Verde aspectos sociais, secas e fomes no século XX, 2ª
Ed. Ulmeiro Lisboa, p. 208.
COSTA, F. L. (1996) - Processos erosivos actuais na bacia da Ribeira Seca (Santiago
Oriental - Cabo Verde). Garcia de Orta. Série Geografia, vol. 15 (1), P. 29-34.

COSTA, C.T.F. (2005) Modelagem Numérico-analítica do Fluxo Hídrico e da


Contaminação de Água Subterrânea por Derivados de Petróleo. Tese de Doutorado.
Universidade Federal do Ceará. Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental,
Fortaleza.

INSTITUTO NACIONAL DE GESTÃO DOS RECURSOS HIDRÍCOS, (2007)


Conservação e o Uso Sustentável dos Aquíferos Costeiros da Bacia Hidrográfica da
Ribeira Seca - Cabo Verde. Definição e Estratégias de Intervenção. Coordenação
Marise Gominho e Antonio de Pina. Cidade da Praia.

MINISTÉRIO DE AGRICULTURA, ALIMENTAÇÃO E AMBIENTE, CABO


VERDE (2000) – Livro Branco sobre o Estado do Ambiente em Cabo Verde, Cidade da
Praia.

REIS CUNHA, F. (1960) - Variabilidade da precipitação na ilha de Santiago (Cabo


Verde), Garcia de Orta, Lisboa, Vol.8. p. 887-899.

SERRALHEIRO, ANTÓNIO (1976) - A Geologia da Ilha de Santiago (Cabo Verde) -


Boletim do Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico da Universidade de Lisboa
Vol. 14º Fasc. 2º Lisboa.

SILVA TEIXEIRA, A.J. E GRANDVAUX BARBOSA, L.A. (1958) - A Agricultura


do arquipélago de Cabo Verde - cartas agrícolas, problemas agrícolas. Memórias da
JIU, Lisboa.
Anexo
Anexo I
Anexo II
Anexo III

Questionário
Este questionario vai ser aplicado a população a jusante do Vale da Ribeira Seca, no
âmbito da realização do trabalho final do curso de licenciatura em geografia na
Universidade de Cabo Verde. Será integralmente preservado a identidade do
entrevistado, tendo em conta que este guião só vai servir para realização deste trabalho.

Tema do Trabalho: Dinâmica de Paisagem e Preservação Ambiental na Parte a Jusante


do Vale da Ribeira Seca.

Objectivo do guião de Entrevista:

• Avaliar as pressões antrópicas que há sobre a paisagem na área em estudo.

• Analisar os riscos da desertificação e perda do solo.

• Nº de Pessoas por família:

2a3 4a6 6a8 8 ou +

Sectores de actividades:

Sector Primário Sector Secundário Sector Terciário

Chefes de exploração por sexo e faixa etária:

M F Idade_____________

Tipos de Actividades Predominantes:

- Agricultura Pecuária Extracção Outros: _________________

Porquê?________________________________________________________________

Nível de produção na agricultura e na pecuária:

Alto Médio Baixo Muito baixo

Os proprietários são:

Familiares Associação de produtores Empresas Cooperativa

Outros: Quais __________________________________________________________

Áreas cultiváveis segundo o tipo de parcela:


Sequeiro Regadio. Regadio e sequeiro

Principais espécies animais existentes:

Bovinos Caprinos Suínos Ovinos Galinhas

Tipos de insumos:

Estrume Adubos Sementes melhoradas Pesticidas

Formas de criação dos animais:

A solta Fechado

Destino final aos seus produtos:

Venda Abastecimento da família Transformação Outros__________

Quais são as técnicas praticadas nessas actividades predominantes:

Tradicional Moderna Outras______________________

Porquê?________________________________________________________________

Nº de Pessoas por família que exerce actividades no Sector Secundário e Terciário:

1ou 2 3 ou + Nenhuma

Porquê?________________________________________________________________

Tipo de Habitação:

Casa individual Parte de Casa Apartamento Barraca


Vivenda Outros: Quais_____________________________________________

Nº de Pessoas por família que deixaram o local:

- 1 ou 2 3 ou 4 5 ou 6 Família Inteira

Porquê?________________________________________________________________

Nível de Instrução:

Sem Instrução Alfabetizado Ensino Básico Ensino Secundário


Ensino Superior Formação Agrária

Há tipos de Plantas/Animais que desapareceram no local:

- 1 ou 2 espécies - 3 ou 4 espécies - Várias Espécies

Porquê?________________________________________________________________

Abastecimento de água:
Chafariz Água canalizada Água de nascentes Água das cisternas

Autotanque Água dos poços Outros_____________________________

Оценить