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Consciência à cidadania, de autoria de Eduardo Pordeus (Versão para impressão) - Bo...

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Consciência à cidadania
Autor:Eduardo Pordeus

Texto extraído do Boletim Jurídico - ISSN 1807-9008


http://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=1087

A nossa República, apesar de mais que centenária, começa gradativamente


a ser posta perante o seu real significado e pretensioso interesse: a coisa
pública para o bem estar do cidadão. Sendo indispensável, para este fim,
que a democracia (o dito “governo de todos, por todos e para todos”) seja
permeada pelos valores e pelos princípios norteadores de uma sonhada
justiça social. Afastando-se deste farol para uma ordem justa - esta talvez
entranhada na consciência do homem, as idéias democráticas restam
comprometidas, a ponto de poderem se tornar mera abstração.
Nesse sentido, pode ser importante para cada ser humano um toque, de
certo modo, revolucionário dentro do qual se aponte uma atitude
anticonformista e antiburguesa, instrumento de aversão em face de
qualquer forma de autoritarismo e abuso de poder. Neste contexto, a
juventude, em especial, necessita de um norte crítico a partir de discussões
e debates mais sólidos sobre a realidade que circunda seu contexto social.
O mais razoável era que pudesse haver, na consciência dos cidadãos, um
certo entendimento de que o ordenamento jurídico fosse um fim para a
promoção dos mais nobres propósitos aspirados por qualquer civilização -
e não apenas um meio, como é comum acontecer. Partindo-se desta
premissa, é necessário entender a lição de alguns estudiosos, a exemplo do
professor cearense Paulo Bonavides, compreendendo que não pode haver
uma efetiva democracia enquanto perdurarem a concentração de renda, os
privilégios de uma classe dita dominante do país e, com efeito, a visível e
inevitável exclusão social (tão impiedosa!), já aludidas no discurso de
posse do presidente do Conselho Federal da OAB Roberto Busato em
2005.
Assim, na condição de excluídos são, pois, os sem-teto, sem-terra, sem-
saúde, sem-pão entre outros, todos sedentos e famintos, principalmente de
justiça. Em verdade, não esquecer que justiça e pão são (estão) caros, e por
falta da oportunidade de discutir sua atual condição social, o cidadão fica
condicionado a pagar ainda um preço mais alto por tudo isso.
Ora, alguns afirmam que democracia para ser concreta, recobra o
caminhar de mãos dadas com a justiça social, na quadra do constante
aperfeiçoamento. Mas notamos, neste viés, apenas as retóricas figuras (e
comumente presente nos mais eloqüentes discursos políticos), quais
sejam: democracia, justiça, cidadania, inclusão social, dignidade humana
entre outros.
Apesar das distorções destes conceitos e forjamento de uma aparente
utopia, onde tudo faz parecer postiço e sem significado, mostra-se patente
a crença de que o homem ainda tem capacidade de se indignar, bem como
de fazer valer os seus instrumentos e as suas prerrogativas cidadãs para
que os agentes públicos velem e respeitem, na prática, os seus direitos.

http://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/impressao.asp?id=1087 31/05/2011
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Não se deve esquecer, contudo, que na investida contra a problemática


aqui abordada, existem entidades ou Organizações da sociedade civil,
sobremodo, comprometidas com a causa maior de respeito aos direitos de
cidadania e que se desprendem, na maior parte das vezes, de quaisquer
agremiações partidárias ou radicalismo ideológico e, para tanto, auxiliam
o Estado nos seus fins políticos.
Mesmo assim, o mais urgente é se adotar uma consciência à cidadania,
sem algemas à alienação, nem à prepotência, nem à submissão do mais
fraco ao forte. Preciso também urgentemente saber a quem interessa tantos
desmandos e perpetuação dos descasos excludentes que maltratam os
sacrossantos direitos da pessoa humana, corroborando o protesto poético
já consagrado na música brasileira: “Brasil Mostra Tua Cara/ Quero ver
quem paga pra gente ficar assim...”.
Em outras palavras, é curial a necessidade de um nível de compreensão
mínima que sirva de ponto de partida e seja capaz de incluir os
marginalizados dentro desse processo cognitivo (de conhecimento).

Nesta linha de raciocínio, mostra-se também imperial que na sociedade


haja mecanismos que permitam a ampla extensão da educação, ainda
restrita a setores privilegiados; que se ampliem os espaços públicos de
consumo e produção de cultura; que o pluralismo de partidos e sua
eficácia independam do poder econômico e que os adversários políticos
sejam considerados opositores e não inimigos, como sói acontecer.
A condição do fortalecimento de uma democracia encontra-se na
politização das pessoas, que devem deixar o hábito (ou vício?) da
cidadania passiva, do individualismo, para se tornarem mais participantes
e conscientes da consolidação de um verdadeiro Estado Democrático de
Direito.

Eduardo Pordeus
Acadêmico no Curso de Direito - UFCG.
Inserido em 27/2/2006
Parte integrante da Ediçao no 167

Forma de citação
PORDEUS, Eduardo. Consciência à cidadania. Boletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 4, no 167.
Disponível em: <http://www.boletimjuridico.com.br/ doutrina/texto.asp?id=1087> Acesso em: 31
mai. 2011.

http://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/impressao.asp?id=1087 31/05/2011