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ARTIGO ORIGINAL

O centro de Atenção Psicossocial e as


estratégias para inserção da família*

CENTERS OF PSYCHO-SOCIAL ATTENTION AND THE STRATEGIES FOR FAMILY INSERTION

EL CENTRO DE ATENCIÓN PSICOSOCIAL Y


LAS ESTRATEGIAS PARA LA INSERCIÓN DE LA FAMILIA

Guisela Schrank1, Agnes Olschowsky2

RESUMO ABSTRACT RESUMEN


Esta pesquisa tem o objetivo de identificar This research has the objective of identi- Esta investigación tiene el objetivo de
as ações de saúde mental desenvolvidas fying the mental health activities develo- identificar las acciones de salud mental de-
no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ped at Centers of Psycho-Social Attention sarrolladas en el Centro de Atención Psico-
voltadas para a família no cuidado do (CAPSs) directed to the family in the care of social (CAPS) volcadas para la familia en el
indivíduo com sofrimento psíquico. Trata- individuals in psychological suffering. It is cuidado del individuo con sufrimiento psí-
se de um estudo descritivo, analítico e do a descriptive, analytic survey of the case quico. Se trata de un estudio descriptivo,
tipo estudo de caso com abordagem study type with a qualitative approach. analítico del tipo ‘estudio de caso’ con
qualitativa. Para a coleta dos dados, foram Data collection was carried out through abordaje cualitativo. Para la recolección de
realizadas a observação e a entrevista observation and semi-structured inter- los datos, fueron realizadas la observación
semi-estruturada com profissionais de um views with professionals of a CAPS. The y la entrevista semiestructurada con profe-
CAPS. Os resultados mostraram que o results showed that the work at a CAPS sionales de un CAPS. Los resultados mos-
trabalho no CAPS só se concretiza pela becomes successful only when there is traron que el trabajo en el CAPS sólo se
parceria e participação familiar. O aten- family partnership and participation. concretiza con la asociación y participación
dimento individual, o grupo de família, a Individual sessions, family groups, active familiar. La atención individual, el grupo de
busca ativa, a visita domiciliar e as ofici- searches, home visits and workshops are familia, la búsqueda activa, la visita domi-
nas são estratégias realizadas no CAPS na strategies used at CAPSs for the effective ciliaria, los talleres son estrategias reali-
efetivação da inserção da família. Nessa insertion of the family. In this partnership, zadas en el CAPS para la efectividad de la
parceria, o vínculo aparece como funda- bonding appears as essential in the inserción de la familia. En esta asociación,
mental na construção de caminhos menos construction of less suffering and less el vínculo aparece como fundamental para
sofridos e menos estigmatizados da vivên- stigmatized ways of psychical suffering. la construcción de caminos menos sufridos
cia do sofrimento psíquico. y menos estigmatizados de la vivencia del
sufrimiento psíquico.

DESCRITORES KEY WORDS DESCRIPTORES


Saúde mental. Mental health. Salud mental.
Serviços de Saúde Mental. Mental Health Services. Servicios de Salud Mental.
Família. Family. Familia.
Enfermagem psiquiátrica. Psychiatric nursing. Enfermería psiquiátrica.

* Extraído da dissertação “O Centro de Atenção Psicossocial e a inserção da família”, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2006. 1 Enfermeira. Mestre
em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pelotas, RS, Brasil. guisela@pop.com.br 2 Professora Adjunta da Escola de
Enfermagem e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, RS, Brasil.
agnes@enf.ufrgs.br

Recebido:
O 24/10/2006
centro de Atenção Psicossocial e Rev Esc Enferm USP
Aprovado:
as estratégias13/04/2007
para inserção da família
Schrank G, Olschowsky A
2008; 42(1):127-34.
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INTRODUÇÃO da internação de longos períodos, por um tratamento que
não isola os pacientes de suas famílias e da comunidade,
O primeiro contato que temos com o mundo é através mas que envolve os familiares no atendimento com a de-
dos nossos pais, pois é na família onde recebemos os vida atenção necessária, ajudando na recuperação e na re-
primeiros valores, estabelecemos as primeiras relações integração social do indivíduo com sofrimento psíquico.
afetivas, encontramos as respostas para as questões do Nossa vivência no CAPS nos motivou a estudar a famí-
dia-a-dia e compartilhamos nossas dúvidas, angústias lia e seu doente, pois suas relações apontavam para o
e temores. A família tem fundamental importância para preconceito e desconhecimento dos familiares em rela-
a formação do indivíduo, porque constitui a base, o ali- ção à doença mental, fazendo-nos pensar: Será que a fa-
cerce principal para o desenvolvimento humano. Embora mília dispõe de um preparo emocional e assistencial para
essa seja quase sempre representada por um conjunto acolher e cuidar de seu familiar adoecido? Como a famí-
de pessoas, ela também se constitui de relações afetivas lia tem participado no resgate da cidadania do doente
estabelecidas entre os membros sanguíneos ou não(1). mental? A família tem recebido orientações suficientes
Refletindo sobre nossa experiência em saúde mental, para colaborar no cuidado de seu familiar?
percebemos que quando um familiar adoece, ocorre uma Frente essa temática, pensamos ser necessário conhe-
mudança na convivência diária da família, causando an- cer práticas assistenciais que envolvam tanto os usuários
siedade e preocupação, pois, na maioria das vezes, acre- quanto os familiares para, desse modo, buscar a partici-
ditamos que estamos imunes à doença. O adoecimento é pação de ambos nas atividades do serviço desempenha-
um evento imprevisto que desorganiza o modo de funcio- das por uma equipe multiprofissional comprometida em
namento de uma família. ajudar, dividindo com as famílias o tempo e a
A situação amplia-se na vivência da doen- responsabilidade de cuidar, de apoiar nas
O CAPS é um serviço dificuldades e de oferecer suporte e atenção.
ça mental, pois junto com a patologia psiqui-
átrica vem associados o estigma, o precon- substitutivo de atenção Uma das mudanças proporcionadas
ceito e a exclusão do indivíduo com sofri- em saúde mental que com a reestruturação da assistência psiquiá
men-to psíquico. Sentimentos como revolta, tem demonstrado trica foi a de possibilitar que o doente men-
medo, vergonha, entre outros, fazem a com- efetividade na tal permaneça com sua família, mas para
plexidade desse fenômeno, pois o doente e a substituição da que este convívio seja saudável e positivo, é
família, além do tratamento, devem apreen- internação de longos preciso que o serviço esteja inserido numa
der a lidar com o imaginário da incapacida-
períodos, por um rede articulada de apoio e de organizações
de e periculosidade do louco, evitando os
próprios preconceitos e os da sociedade(2). tratamento que não que se proponham a oferecer um continuum
de cuidados(2).
isola os pacientes
Assim, consideramos um desafio para os de suas famílias e O comprometimento da família no cui-
familiares cuidarem uma pessoa com doen-
ça mental, o que em parte justifica este estu-
da comunidade. dado do doente exige uma nova organiza-
ção familiar e aquisição de habilidades que
do, pois requer enfrentamento de valores e podem, num primeiro momento,desestru-
sentimentos estigmatizados dos indivíduos e da socieda- turar as atividades diárias dos familiares. Porém, essa
de os quais exigem, para este processo, uma mudança no responsabilidade do familiar com seu adoecido também
olhar essa pessoa, passando a enxergá-la com capacida- é positiva, pois além de intensificar suas relações, o fa-
des e potencialidades, possibilitando a convivência com miliar torna-se um parceiro da equipe de saúde para cui-
a diversidade. dar do usuário, sendo facilitador nas ações de promoção
Por muitos anos, a pessoa com diagnóstico de doença da saúde mental e de inserção do indivíduo em seu meio.
mental foi tratada em instituições que tinham como prin-
Muitas vezes, o familiar responsável concentra sua
cípio terapêutico fundamental o isolamento(2).
dedicação e seu tempo no cuidado da pessoa com sofri-
Na atualidade, após os movimentos de crítica à institui- mento psíquico, o que pode levar a transformações na sua
ção psiquiátrica, os hospitais psiquiátricos são substituí- vida, como dificuldades no trabalho e diminuição do
dos por serviços de caráter extra-hospitalar como o CAPS lazer(3). Pensamos que a equipe de saúde mental deve estar
(Centro de Atenção Psicossocial), Núcleo de Atenção aten-ta e comprometida com essa problemática: a dificul-
Psicossocial (NAPS), Ambulatório de Saúde Mental, Hospi- dade/complexidade do cuidado da família e do usuário,
tal-dia, Serviços de Saúde Mental nos Hospitais Gerais, Cen- buscando construir dispositivos de apoio e mecanismos
tros de Convivência, Pensão Protegida, Lares Abrigados en- que facilitem a participação e a integração da família.
tre outros que buscam a reinserção do indivíduo com sofri-
mento mental na sociedade e o resgate da sua cidadania. Nesta multiplicidade de sujeitos envolvidos, a família
se destaca pelo seu papel de cuidadora e por ser, mui-
O CAPS é um serviço substitutivo de atenção em saúde tas vezes, o elo mais próximo que os usuários têm com o
mental que tem demonstrado efetividade na substituição mundo(4).

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Entendendo a família como uma unidade de cuidado, Os instrumentos utilizados para a coleta de dados fo-
ou seja, cuidadora nas situações de saúde e doença dos ram: a observação e a entrevista semi-estruturada.
seus membros, compete aos profissionais apoiá-la,
O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de
orientá-la e fortalecê-la quando esta se encontrar fragili-
Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande
zada. Assim, o tratamento não se restringe apenas a medi-
do Sul sob o parecer número 2005438.
camentos e eventuais internações, mas, também a ações e
procedimentos que visem a uma reintegração familiar, Como técnica para a análise dos dados, propusemos a
social e profissional, bem como a uma melhoria na quali- Análise Temática que “consiste em descobrir os núcleos
dade de vida do doente e do familiar(5). de sentido que compõem uma comunicação cuja presen-
ça ou freqüência signifiquem alguma coisa para o objeti-
Frente a problemática em relação aos familiares e a vo analítico visado”(7).
pessoa com sofrimento psíquico, apresentamos a necessi-
dade de repensar o cuidado numa perspectiva assistencial Esta análise apresentou três etapas:
que foge do modelo tradicional centrado na cura da doença. a) Pré-Análise: primeiramente foi realizada a leitura flu-
tuante, que consistiu na leitura exaustiva e organização
OBJETIVO do material de acordo com a representatividade, homoge-
neidade e pertinência, objetivando responder questões
Identificar as ações de saúde mental desenvolvidas teoricamente colocadas. Nesta fase, foram categorizados
no CAPS voltadas para a família no cuidado do indivíduo e codificados os conceitos teóricos mais gerais da análi-
com sofrimento psíquico. se com palavras chaves ou frases.
Tivemos a clareza de que dados não falam por si mes-
MÉTODO mos, são construídos com questionamentos e fundamen-
tação teórica, exigindo inúmeras leituras do material para
identificar as idéias centrais das falas dos entrevistados.
Este estudo se caracterizou como sendo uma pesquisa
descritiva, analítica e do tipo estudo de caso com aborda- b) Exploração do Material: nesta etapa, foram realizadas
gem qualitativa. Optamos pela estratégia de pesquisa es- a classificação e a agregação dos dados, identificando as
tudo de caso, pois investiga um fenômeno contemporâneo categorias que comandarão a especificação dos temas.
dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando
Assim, constituíram-se os seguintes temas: inserção
os limites entre o fenômeno e o contexto não estão clara-
da família, estratégias para a inserção familiar e a vivência
mente definidos(6). O estudo de caso também possibilita a
do estigma da doença mental.
observação da realidade concreta em funcionamento com
acesso a informações privilegiadas e detalhadas. c) Tratamento dos Resultados Obtidos e Interpretação: na
interpretação dos resultados, procuramos articular os
Entendendo o trabalho realizado no CAPS como coleti- temas encontrados com o referencial teórico e objetivo
vo e em movimento, o qual se constitui e se transforma do trabalho.
para satisfazer necessidades dos diferentes atores, bus-
camos, por meio do estudo de caso, conhecer a
RESULTADOS
multiplicidade das ações e situações realizadas ou não
para a inserção da família no cuidado em saúde mental.
O CAPS II Fragata é reconhecido como um serviço de
O universo eleito para a coleta dos dados foi o Centro atenção em saúde mental ordenado pela lógica não
de Atenção Psicossocial II Fragata (CAPS II Fragata) loca- manicomial, onde os recursos extra-hospitalares são o
lizado na cidade de Pelotas - RS. A escolha foi intencional, suporte de um modelo de tratamento centrado na relação
porque esse serviço apresenta-se estruturado de acordo terapeuta-paciente, sustentado pelo respeito aos direitos
com as políticas atuais preconizadas pela assistência de de cidadania das pessoas com sofrimento psíquico.
saúde mental no Brasil, possibilitando assim, explorar
as questões desta pesquisa. Este serviço orienta-se de acordo com a modalidade
definida na Portaria nº 336 de 2002, a qual determina que
Definimos a equipe multiprofissional como sujeitos o CAPS II é um serviço de atenção psicossocial com capaci-
do estudo, cujo critério de escolha foi a representação de dade operacional para atender uma população entre
um profissional por categoria e, nos casos que houveram 70.000 (setenta mil) e 200.000 (duzentos mil) habitantes,
mais de um profissional, o critério foi o de maior tempo com o funcionamento em dois turnos, das oito às 18 (dezoi-
de serviço no CAPS, totalizando 10 (dez) sujeitos da pes- to) horas, cinco dias úteis na semana, podendo comportar
quisa: um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem, um um terceiro turno com funcionamento até às 21 (vinte e
psicólogo, um psiquiatra, um assistente social, um artis- uma) horas. O serviço, com esta modalidade deve desen-
ta formado em Artes Plásticas, um artista formado em volver as seguintes atividades: atendimento individual, em
Música, um professor de Educação Física, um recepcio- grupo e oficinas, visitas domiciliares, atividades comuni-
nista e um artesão. tárias e refeições para os usuários assistidos no serviço(4).

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A equipe multiprofissional do CAPS é composta, atual- [...] não tem propriamente, assim, atividades para os fami-
mente, por dois psiquiatras, duas enfermeiras, dois técni- liares porque são muitos pacientes. Então, tem mais ativi-
cos de enfermagem, uma auxiliar de enfermagem, uma dades para os pacientes. Muito difícil acompanhante fazer
assistente social, três psicólogas, dois educadores físi- alguma coisa, mais são os pacientes. Mas com os familia-
cos, uma artista plástica, uma artesã, três oficiais admi- res, até o momento, só o grupo de família (EP2).
nistrativos, três merendeiros, três guardas-municipais e O grupo de família é a atividade realizada no CAPS
um auxiliar para serviços gerais. O trabalho da equipe exclusivamente para os familiares. Esse grupo possibili-
multiprofissional do CAPS é orientado de acordo com a ta uma interação e compartilhamento das vivências entre
interdisciplinaridade, ou seja, busca uma descentra- os participantes, constituindo um espaço de troca de co-
lização do saber e do poder pela divisão das responsabi- nhecimento e de experiências,
lidades, de acordo com a peculiaridade de cada profis-
são que compõe a equipe. importante ferramenta para ampliar a capacidade de lidar
com os problemas, assim como tem permitido que um fami-
Com base no modo psicossocial, o CAPS preconiza, liar possa se abrir para o discurso do seu companheiro(9).
como uma das suas metas, a desinstitucionalização, am-
parada por um processo prático de desconstrução do Essa troca de conhecimentos entre os atores envolvi-
modelo tradicional da atenção psiquiátrica, propondo um dos no grupo aparece como um processo de
conjunto de dispositivos que possibilitam a construção e [...] feedback, assim, o que está ajudando o CAPS, mas
a invenção de novas perspectivas de vida e subjetividade, também, no que a família está precisando mais de ajuda.
com base não apenas em diagnósticos e prognósticos da Não só em relação ao usuário, mas em relação a essas
doença mental, mas sim, na complexidade que envolve o pessoas que vivem com ele, familiares, independendo se
indivíduo na sua dimensão psíquica e nas suas relações é pai, mãe, no ambiente que ele convive ali, que ele possa
com o meio em que vive. Assim, este serviço busca a saber mais como lidar com a pessoa, porque que é dife-
reinclusão das pessoas com sofrimento psíquico na famí- rente, qual é a melhor maneira de tratar para que todo o
lia, na comunidade e na visa produtiva, através da recu- ambiente fique mais harmonizado, para que as coisas
peração da auto-estima e reestruturação de vínculos. melhorem dentro do serviço (EP4).

O CAPS tem orientado suas práticas de acordo com o Os integrantes do grupo têm a possibilidade de com-
modo psicossocial, considerando a família como a base partilhar as situações vivenciadas com o usuário, assim
fundamental no processo de reinserção da pessoa com como, os profissionais têm a oportunidade de orientar e
sofrimento psíquico na sociedade e no próprio meio fami- esclarecer o familiar quanto às situações da vida cotidi-
liar(4). Configuram-se como atividades de atenção à famí- ana, destacando o dispositivo grupal como
lia no CAPS Fragata o acolhimento, a visita domiciliar, o estratégia privilegiada por sua capacidade diferenciadora,
atendimento individual e em grupo aos familiares, bus- intercessora nos processos contemporâneos individuali-
cando assim, implementar essa parceria e a interação zados de experimentação da subjetividade(10).
entre os atores desse processo.
A vivência em grupo possibilita o senso de inclusão,
Assim, o CAPS busca o redirecionamento da assistên- valorização e identificação nas experiências coletivas dos
cia nos responsáveis do tratamento no contexto da refor- problemas de saúde. Além disso, pode favorecer a escuta
ma psiquiátrica brasileira por meio da inserção familiar, e, na medida em que se dispõe de vários olhares acerca
pois de uma mesma problemática, a capacidade resolutiva mu-
é reconhecido o valor da participação da família na assis- tuamente se reforça(11).
tência ao doente mental, para o alcance de melhor qualida-
Desse modo, o cuidado produzido no grupo é resulta-
de de vida do doente e da família(8).
do de uma força coletiva cuja responsabilidade tam-
A parceria com a família se constitui em estratégias de bém se encontra nas mãos do coordenador do grupo, o
mobilização e comprometimento para lidar com a loucu- qual deve ter um
ra no território, proporcionando a potencialidade de tro- olhar atento à singularidade dos sujeitos, o que implica
cas entre o serviço, usuário e sua rede social(3). uma atenção personalizada dirigida à construção de um
Desse modo, apresentamos uma das temáticas processo terapêutico que leve em conta as particularida-
emergidas nesta pesquisa: estratégias de inserção famili- des de cada situação(9).
ar para o cuidado da pessoa que sofre psiquicamente. Os Assim, a participação da família no grupo constitui
entrevistados trazem em suas falas as seguintes estraté- uma oportunidade de
gias que oportunizam a parceria da família no cuidado:
grupo de família, atendimento individual, busca/chama- [...] procurar trazer o problema da família para motivar os
mento, oficinas e a visita domiciliar. familiares também, porque tem muitas pessoas que se
sentem sobrecarregadas com o paciente, e o CAPS vai
Dentre estas estratégias, o grupo de família apareceu incentivar para que o familiar faça parte do processo de
como a principal atividade: tratamento (EP9).

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Entretanto, para que a participação familiar no servi- Nesse sentido, a participação da família como prota-
ço seja efetiva, além da disposição e da vontade de parti- gonista das estratégias de cuidado e reabilitação, inserida
cipar, é necessário que haja o vínculo entre profissionais nas diversas atividades do CAPS como nas assembléias,
e família, comunidade e usuário, sendo um aspecto rele- festas e grupos, constituem-se de ações que podem possi-
vante no cuidado em saúde mental, pois nas práticas de bilitar a construção de laços, em que o usuário e a família
atenção psicossocial a relação entre os técnicos e famili- são escutados e acolhidos no sofrimento trazidos por eles.
ares se intensifica no compartilhamento e organização Assim, a partir dos relatos dos entrevistados, identifica-
de novas formas de viver na sociedade. A idéia de res- mos as atividades das oficinas, o atendimento indivi-
ponsabilização dos atores sociais envolvidos na atenção dual, a visita domiciliar, a busca ativa e o grupo de fa-
psicossocial, remete para a parceria com a comunidade, mília como estratégias de integração entre equipe, famí-
visando o grau de autonomia e ações norteadas por uma lia e usuário.
ética de solidariedade(12).
As oficinas são atividades identificadas como estraté-
O vínculo pode alicerçar uma relação compromissada gia para a inserção da família no CAPS, pois, ao mesmo
entre a equipe, usuário e família, propiciando uma convi- tempo em que pode oportunizar ao usuário meios para a
vência que deve ser sincera e de responsabilidade. Assim, sua reinserção social e o rompimento do isolamento atra-
o estabelecimento de vínculos vai facilitar a parceria, pois vés da vivência subjetiva, permitirá que o trabalho reali-
através do relacionamento teremos uma ligação mais zado nas oficinas se estenda à família, no sentido de pro-
humana, mais singular que vai buscar um atendimento duzir territórios existenciais que promovam a reinvenção
que melhor se aproxime às necessidades dos usuários e da vida em seus aspectos mais cotidianos(13).
famílias, implementando uma atuação da equipe mais
Nesse contexto, a atividade das oficinas possibilita a
sensível para a escuta, compreensão de pontos de vulne-
reconquista ou conquista dos usuários em relação à sua
rabilidade e a construção de intervenções terapêuti-
participação na sociedade com autonomia e reconheci-
cas individuais, respeitando a realidade específica e tor-
mento de um cidadão. Esse trabalho requer ajuda da fa-
nando a parceria como algo possível e concreto.
mília, pois o usuário precisa sentir-se amparado para
Convocar a família para assumir a responsabilidade produzir conexões entre os diversos aspectos componen-
do cuidado do usuário em conjunto com a equipe, exige tes do cotidiano, como o trabalho, lazer, amigos, refletin-
mais do que um redirecionamento das práticas, exige com- do na credibilidade e amadurecimento da própria família
prometimento e responsabilidade para a construção de nesse processo.
um cuidado que é coletivo desses atores em promover e
A família não necessita estar presente nas atividades
manter a autonomia do usuário, reconquistar sua cida-
das oficinas para constituir uma estratégia da sua parti-
dania e seu espaço na sociedade, construindo uma
cipação no cuidado, porque os resultados do trabalho
responsabilização e um cuidado coletivo.
realizado nas oficinas irão, de uma certa forma, refletir
Participar, estar próximo, junto, fazer em conjunto se na atitude do usuário em casa e na sociedade, manifes-
constituem práticas construídas no dia a dia da vivência tando suas potencialidades e capacidades trabalhadas,
do sofrimento psíquico. Essa relação, esse vínculo, rever- conforme as falas a seguir:
te-se em confiança, em caminhos menos sofridos, menos [...] normalmente não tem tanta participação dos familiares
estigmatizados e mais partilhados para inventar novos nas oficinas, porque as oficinas são mais para os pacien-
modos de atenção em saúde mental. tes. Mas tem alguns casos que o familiar participa das
oficinas (EP6).
O vínculo ao serviço entra também como um recurso
de vencer as resistências da família nessa parceria, pois [...] participam das oficinas, os familiares junto com os
no convívio diário, na troca das informações, no esclare- pacientes. Alguns, não são todos que participam do traba-
cimento das dúvidas, na descoberta de diferentes modos lho do CAPS em conjunto com as oficinas, com o que tiver,
de fazer o cuidado em saúde mental é que vão estruturar- com os afazeres do CAPS (EP3).
se propostas de atenção, de agir, de considerar, de acei-
tar as individualidades dos usuários e das famílias. Nes- As oficinas realizadas no CAPS caracterizam-se por
te sentido, trabalhar no CAPS requer dos profissio- ser um espaço que possibilita o contato dos usuários com
nais habilidades e motivação para construir trocas de atividades manuais, explorando a criatividade e a inven-
conhecimentos teóricos e práticos entre a equipe, assim tividade através do aprendizado das técnicas e dos sabe-
como, compreender e acolher a vivência dos familiares e res, sendo coordenadas por profissionais habilitados na
usuários. área(5).
As atividades das oficinas também podem promover a
Portanto, as atividades de inserção familiar
participação efetiva da família, mas para isso, elas de-
[...] são grupais, individuais e através das visitas. E no dia vem ser caracterizadas como um dispositivo assistencial
a dia, também tem familiar que acompanha o usuário no do modo psicossocial de organização horizontalizada e
CAPS (EP1). com a participação, além dos usuários, de seus familia-

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res e de profissionais de diversas áreas, incorporando rio e família, desse modo, a visita domiciliar é uma estra-
um espaço terapêutico a partir do momento em que possi- tégia de atenção que pode abrir espaços de cuidado, de inter-
bilitem aos sujeitos que nelas participam um lugar de fala, locução, de acolhimento, de aceitação e de possibilidade.
expressão e acolhimento(14).
A visita domiciliar também é uma atividade que possi-
Desse modo, os discursos devem ser materializados bilita ao profissional intervir e compreender o cuidado
nas práticas assistenciais para que possamos conside- desenvolvido pela família, o qual tem como “finalidade
rar a oficina como uma estratégia global e não-técnica, preservar a vida de cada um de seus membros, para al-
permitindo o questionamento das Políticas de Saúde cançar o desenvolvimento pleno de suas potencialidades,
Mental para que haja uma ruptura radical com o modo de acordo com suas próprias possibilidades e as condi-
asilar. Porém, essa ruptura irá se concretizar no momento ções do meio onde ela vive”(15).
em que todos os atores envolvidos - profissionais, usuá-
rios, familiares e comunidade - forem englobados nesse Entendemos que este recurso deve ser sistemático e
processo(10). contínuo na proposta de trabalho do CAPS, pois abre uma
porta singular para a convivência e a parceria entre equi-
Afinal, oportunizar a produção do conhecimento e do pe e família.
social, no sentido de proporcionar espaços de atuação
do usuário nas dimensões individuais, coletivas e cultu- A busca/chamamento também são estratégias de in-
rais, faz com que as oficinas estabeleçam um modo de serção familiar, realizada através das visitas domicilia-
cuidar e de promover a subjetividade do usuário, o que res, de bilhetes e telefonemas para a família:
inclui, nessa questão, a parceria da família e equipe como [...] a gente insiste muito, manda bilhete, telefona, a gente
um dos aspectos essenciais para o início e manutenção sempre usa alguns recursos assim, e sempre insistindo
desse processo. muito (EP5).
Já a atividade da visita domiciliar aparece como outra [...] a gente acha que é bom que eles vêm outro dia partici-
estratégia para promover a participação familiar no tra- par de outras atividades. Pega o telefone e liga para as
balho conjunto com a equipe. Através dessa atividade, a pessoas que não costumam freqüentar o CAPS. O usuá-
equipe tem a possibilidade de conhecer a dinâmica fami- rio diz: - ele não vai me levar, ele tem dificuldade de ir.
liar e compreender como ela se relaciona no seu meio, Então, a gente tenta conversar para ver de que forma
além de oportunizar uma interação do profissional com pode se fazer (EP4).
essa família, visando à busca de uma parceria no cuida-
do do usuário e possibilitando um atendimento domici- A busca mostra um sentido de comprometimento e res-
liar, pois ponsabilidade conjunta da equipe. É um modo de estar
com a família quando as mesmas se apresentarem dis-
[...] quando tu vai no domicílio, tu também tem contato com tantes do tratamento, ou com dificuldades no cuidado ou
o familiar. Então, se tem um familiar que não vem no CAPS, até mesmo quando a família não consegue conciliar seu
mas aí tu faz uma visita domiciliar, tu também tem esse horário com o do funcionamento do CAPS. Possibilita um
contato [...]. Eu já fiz várias visitas domiciliares e a gente outro espaço de expressar compromisso, de acolhimento
também conhece a realidade daquela família (EP7).
das necessidades e dificuldades, ultrapassando a estru-
A visita domiciliar é uma prática assistencial que se tura física das práticas assistenciais.
constitui como essencial para o cuidado do usuário e
O CAPS possui recursos terapêuticos grupais e indivi-
família, porque ela proporciona a oportunidade de aco-
duais para os usuários, familiares e comunidade. Dentre
lher esses atores no meio em que vivem. Isso é importante
essas atividades, o atendimento individual revela uma
por oferecer modos de cuidados alternativos àqueles
prática terapêutica que possibilita uma atenção à família
centrados na instituição, possibilitando o conhecimento
com a escuta e o acolhimento do sofrimento, o que
das reais necessidades do usuário e familiares.
oportuniza a promoção da saúde, assim como, se consti-
Além disso, é uma atividade em que a equipe também tui de uma estratégia para a equipe buscar a parceria da
pode utilizar para identificar as famílias que não partici- família, mostrando que o cuidado do usuário se faz com
pam das atividades do CAPS ou que demonstram dificul- um trabalho conjunto entre equipe e família.
dades em cuidar do usuário, oportunizando uma aproxi-
mação que possa gerar um trabalho conjunto entre equi- O atendimento individual possibilita as pessoas en-
pe e família, constituindo-se, desse modo, como uma es- volvidas um contato mais direto e preciso, propiciando
tratégia para buscar a parceria da família no cuidado. uma conversa resolutiva das dificuldades encontradas
Através das visitas domiciliares, os profissionais têm a pelos profissionais, ou familiares e usuários. Quando há
oportunidade de fundamentar suas intervenções com base necessidade de compreender atitudes, questionar algu-
na realidade experienciada juntamente com a família. ma situação, ou seja, quando o assunto a ser abordado
envolve a intimidade, a vida particular, é proposto o aten-
O cenário no domicílio exige, dos profissionais, criati- dimento individual. Esse atendimento também aparece
vidade, solidariedade e respeito pelas escolhas do usuá- como uma estratégia para a equipe assistir a família, pois

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[...] o CAPS é aberto, as pessoas da equipe são abertas parceria e da participação familiar. Esse processo não é
quando o familiar necessita de atendimento, atendimento estável e não é fácil, exigindo do usuário, da família e da
individual (EP8). equipe: vontade, credibilidade e desejo de conquista.
Oferecer atendimento quando o familiar solicita tam- A inserção da família acontece no compartilhamento
bém se faz necessário para cuidar dessa família, mas não da responsabilidade pelo cuidado integral do usuário,
se constitui em uma estratégia de inserção familiar no sendo condição sine qua non para possibilitar uma inter-
cuidado, apenas ao fato da equipe manter-se aberta para relação congruente com as necessidades do usuário e
o atendimento. A concretização da “inserção da família família.
exige uma atitude de compromisso e responsabilização da
equipe com a sua efetivação”(16). No CAPS, a inserção da família também se constitui
como uma dinâmica singular, na qual esse relacionamen-
Atividades como festas comemorativas (festa junina, to deve apoiar-se na desconstrução da idéia de estar só
festa de natal), assim como, eventos realizados para pro- no enfrentamento do sofrimento psíquico, integrando,
mover a integração família-usuário-comunidade-técnico, acolhendo, cuidando e incluindo os atores dessa relação
também são instrumentos facilitadores para o trabalho nos espaços cotidianos da vida: trabalho, lazer, moradia
conjunto da família com a equipe: entre outros.
O familiar participa do grupo de família [...], mas os familia- Essa possibilidade de parceria também sofre dificul-
res participam de tudo, tem festas, tem atendimento quan- dades, devendo a família parceira ser olhada também como
do a gente chama a família, tem atendimento individual objeto de intervenção da equipe de saúde mental, pois
também, tem visitas domiciliares, essa busca. Mas aqui no não se cuida sem família e, para tal, é exigido um olhar
CAPS, no serviço, é o grupo de famílias, mas a gente usa ampliado para todos os recursos encontrados nela pró-
de outros recursos, no caso, de telefones, visita domicili-
pria e na sua rede social.
ar, pedir a participação em festas, em eventos, quando
tem. É uma forma de chamá-los (EP5). A participação familiar no serviço e nos cuidados com
o usuário pode possibilitar uma aproximação das rela-
Todas as atividades desenvolvidas para promover a
ções afetivas e um rompimento de preconceitos como a
integração da família com os usuários, profissionais e
incapacidade e a periculosidade, os quais haviam ajuda-
outros familiares são essenciais, pois além do aprimora-
do no processo de afastamento do convívio social. Para
mento das relações, é um espaço que possibilita a troca
essa efetivação, além da participação familiar, também é
de experiência e de ajuda entre as pessoas que vivenciam
necessário que os profissionais estejam cientes da im-
a mesma situação do processo saúde-doença.
portância familiar neste processo, assim como, acredita-
A participação da família nos eventos realizados com rem e se responsabilizarem por essa participação.
os usuários também é uma oportunidade da equipe co-
Nesse sentido, a equipe de saúde tem papel fundamen-
nhecer a família e convidá-la para visitar o serviço e par-
tal na inserção da família no cuidado do usuário, pois
ticipar de uma atividade, demonstrando que tal atitude é
deve buscar potencialidade/criatividade na construção
fundamental para o cuidado do usuário, como forma de
de um ambiente e condições que favoreçam a participa-
motivação e valorização.
ção familiar. Para isso, os profissionais devem acreditar
O grupo de família, o atendimento individual, a busca/ nessa parceria e compreender que esse processo está em
chamamento, as oficinas e a visita domiciliar são estra- constante mudança, ou seja, a inserção familiar não é
tégias de inserção familiar facilitadoras do trabalho do estável, muito menos fácil. Ao contrário, exige que os pro-
CAPS, caracterizando-se como intervenções em movimen- fissionais tenham perseverança, vontade e credibilidade
to, exigindo dos profissionais negociação e interlocução para promover essa integração, fundamentada pelo dese-
nesse processo de parceria que deve ser criado, criticado jo de conquista. Além disso, o trabalho entre equipe e
e revisto diariamente. família deve ser conjunto, o que requer o compartilha-
mento da responsabilidade e do compromisso para a
Desejo, vontade, persistência são atributos necessári- concretização de uma assistência integral ao usuário.
os na equipe do CAPS para promover a parceria que se
constitui através da acolhida e do vínculo, ou seja, dar Trabalhar no CAPS em conjunto com as famílias, re-
créditos, dar ouvidos, aceitar e fazer novos nexos e novos quer dos profissionais uma ação cotidiana, orientação,
significados no relacionamento com a família. informação, esclarecimento, troca constante de modos
de lidar e transformar as diferentes trajetórias de vida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho conjunto do CAPS com a família é necessá-
rio para o cuidado não ser fragmentado, necessitando de
No presente estudo, um CAPS que pressupõe seu traba- continuidade e cumplicidade entre os envolvidos em to-
lho no modo psicossocial deve, fundamentalmente, con- dos os espaços sociais possíveis. Assim, as estratégias
siderar que essa proposta só se concretiza através da como o atendimento individual, o grupo de família, a bus-

O centro de Atenção Psicossocial e Rev Esc Enferm USP


as estratégias para inserção da família
Schrank G, Olschowsky A
2008; 42(1):127-34.
www.ee.usp.br/reeusp/ 133
ca ativa, a visita domiciliar, as oficinas são atividades re- O vínculo reveste-se em confiança, em caminhos me-
alizadas no CAPS que tem como objetivos: orientar, esclare- nos sofridos e menos estigmatizados na inserção da famí-
cer, facilitar, incentivar e apoiar a família nessa proposta lia no cuidado, bem como, no engajamento de novas par-
de trabalho, objetivando, desse modo, a convivência e o cerias para dentro do território.
respeito frente à experiência do sofrimento psíquico.
Usuário, família, equipe e território são espaços de
Essa parceria entre equipe e família constitui-se atra- vida, de sentimentos, que nos abrem caminhos possíveis
vés da formação de vínculos, ou seja, o relacionamento para a implementação da parceria no cuidado em saúde
nas práticas assistenciais do CAPS é construída na proxi- mental.
midade do viver o dia a dia do sofrimento psíquico.

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Rev Esc Enferm USP Correspondência:


O centro de AtençãoGuisela Schrank
Psicossocial e

134 2008; 42(1):127-34.


www.ee.usp.br/reeusp/
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Schrank G, Olschowsky A
família