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FILOSOFIA E LÓGICA

FILOSOFIA E LÓGICA

Graduação

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FILOSOFIA E LÓGICA

A EPISTEMOLOGIA E A FILOSOFIA
DA CIÊNCIA
UNIDADE 9

Nesta unidade aprenderemos que a Filosofia da Ciência procura identificar


as peculiaridades da ciência e descobrir em que operações da razão ela
fundamenta suas técnicas, seus procedimentos de pesquisa e,
conseqüentemente, seus resultados.

OBJETIVOS DA UNIDADE:
• examinar a constituição da Epistemologia e da Filosofia da
Ciência.

• fornecer uma apreciação mais ampla dos argumentos que


transformaram o debate sobre a ciência numa discussão sobre
os valores e o compromisso do conhecimento científico para
com a sociedade.

PLANO DA UNIDADE:

• A questão inicial da Filosofia da ciência.

• A classificação das ciências.

• A neutralidade da ciência.

• O cientificismo e a ideologia da ciência.

Bons estudos!

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UNIDADE 9 - A EPISTEMOLOGIA E A FILOSOFIA DA CIÊNCIA

1- A QUESTÃO INICIAL DA FILOSOFIA DA CIÊNCIA


A Filosofia da Ciência enquanto uma especificação da filosofia destacou-
se no final do século XIX, a partir da polêmica travada entre William Whewell
e John Stuart Mill. A preocupação central da Filosofia da Ciência diz respeito
à reflexão crítica sobre os fundamentos do saber científico. Em outras
palavras, diz-se que a Filosofia da Ciência ou Epistemologia busca constituir
uma “teoria do conhecimento científico”. No entanto, podemos a partir desse
tema geral, desdobrá-lo em uma série de problemas que são discutidos
pelos filósofos da ciência ao longo dos tempos, tais como:

• A preocupação acerca do método de investigação científica;

• A questão sobre a classificação das ciências;

• A natureza e as especificidades das teorias científicas;

• A questão acerca do papel da ciência e a sua utilidade na sociedade.

A Filosofia da Ciência pode ser dividida em duas grandes áreas: a


epistemologia da ciência e a metafísica da ciência. (1) A epistemologia da
ciência discute a justificação e a objetividade do conhecimento científico. (2)
A metafísica da ciência discute aspectos filosoficamente problemáticos da
realidade desvendada pela ciência. Podemos dizer que a filosofia da ciência
possui como expressão máxima as reflexões dos filósofos Thomas Kuhn e
Karl Popper. As questões levantadas por estes filósofos acerca dos problemas
da ciência podem ser resumidas na seguinte reflexão de Gilles-Gaston
Granger:

“A ciência é uma das mais extraordinárias criações do


homem, ao mesmo tempo pelos poderes que lhe confere e pela
satisfação intelectual e até estética que suas explicações
proporcionam. No entanto, ele não é lugar de certezas absolutas
e, exceto nas matemáticas, nas quais sabemos exatamente as
condições em que um teorema é verdadeiro, o conhecimento
científico é necessariamente parcial e relativo. É limitado o campo
em que a visão científica do conhecimento pode legitimamente
conhecer? Devemos traçar fronteiras à ciência? A resposta é
não, no sentido de que nenhuma razão derivada da natureza
da ciência obrigue a se delimitar seu campo de investigação. No
entanto, nem toda espécie de fenômeno lhe é igualmente
acessível. O obstáculo único, mas radical, me parece ser a
realidade individual dos acontecimentos e dos seres. O
conhecimento científico exerce-se plenamente quando pode
neutralizar essa individuação, sem gerar gravemente seu objeto,
como acontece em geral nas ciências da natureza. (...) Por outro
lado, a ciência não se propõe de modo algum resolver as
questões que envolvem escolhas de valor. Vimos que ela própria
levanta problemas éticos; sem dúvida, ela deve contribuir para
nos informar e nos esclarecer a respeito desses problemas, mas

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absolutamente não seria capaz de resolvê-los. O erro mais grave


sobre esse ponto consistiria em transformar conhecimentos
positivos cientificamente estabelecidos em preceitos de escolha
e de ação.” (GRANGER, 1994, pp. 113-114).

Essas dentre muitas questões são, portanto, o objeto de discussão


da filosofia da ciência. A seguir, iremos examinar alguns desses problemas e
discussões acerca dos fundamentos do saber científico.Mentido é o mais
apropriado.

2- A CLASSIFICAÇÃO DAS CIÊNCIAS

Desde os tempos áureos da Filosofia, os filósofos possuem a


preocupação de elaborar uma classificação geral das ciências. A primeira
classificação sistemática das ciências se deve a Aristóteles. Aristóteles
empregou três critérios para classificar os saberes:

• Critério da ausência ou de presença da ação humana. Levando em conta


esse aspecto, Aristóteles estabeleceu uma distinção entre ciências teoréticas,
ou seja, as ciências que tem como objetivo o conhecimento puro e racional
do mundo. Ex.: Física, matemática, biologia, etc. As ciências práticas, as que
possuem como objetivo o conhecimento de princípios instrumentais a serem
aplicados no comportamento social e intelectual do homem. Ex.: Moral,
política, lógica;

• Critério de imutabilidade e permanência: nesse critério, Aristóteles


estabelece uma distinção entre metafísica, física ou ciências da natureza e a
matemática;

• Critério de praticidade: Nesse, Aristóteles distingue as ciências que tem


por objeto a práxis (a ação ética e política) das ciências técnicas (a fabricação
de objetos artificiais).

Uma outra interessante classificação das ciências nos é fornecida pelo


filósofo do século XIX Auguste Comte. Ele propôs uma classificação das
ciências baseada no critério do grau de simplicidade ou generalidade dos

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UNIDADE 9 - A EPISTEMOLOGIA E A FILOSOFIA DA CIÊNCIA

fenômenos investigados. Para este filósofo, era necessário partir da


investigação dos fenômenos mais gerais ou simples, até atingir os fenômenos
particulares. Assim, de acordo com esse princípio, as ciências são classificadas
em cinco grupos: astronomia, física, química, biologia e sociologia.

Diferentemente de Aristóteles e Auguste Comte, o filósofo


contemporâneo Carl Hempel classificou as ciências em dois grandes grupos:

• Ciências empíricas: são aquelas que procuram descobrir, descrever e explicar


as ocorrências do mundo em que vivemos. As afirmações dessas ciências,
diz Hempel, devem ser confrontadas com os fatos de nossa experiência;

• Ciências não-empíricas: são aquelas que dispensam a referência à


experiência. Estas se desenvolvem no plano da abstração e do raciocínio.
Ex.: a lógica e a matemática. Por sua vez, as ciências empíricas dividem-se
em ciências naturais e ciências sociais ou ciências humanas. Para Hempel,
as ciências naturais são aquelas que estudam o conjunto de seres e coisas,
orgânicas e inorgânicas, que compõem a natureza. São exemplos de ciências
naturais: a física, a química, a biologia, etc. Por outro lado, as ciências sociais
estudam as relações do homem consigo mesmo, com os outros homens e
com a natureza. Exemplos desse tipo de ciência são: sociologia, economia,
antropologia e história.

Bem, com base nesses três exemplos de filósofos e suas teorias


classificatórias, você possui subsídios suficientes para compreender as
distinções entre as ciências e os seus limites de atuação.

3- A NEUTRALIDADE DA CIÊNCIA

Segundo Chauí (2005, p. 235),

“Como a ciência se caracteriza pela separação e pela distinção


entre o sujeito do conhecimento e o objeto e por retirar dos
objetos de conhecimento os elementos subjetivos; como os
procedimentos científicos de observação, experimentação e
interpretação procuram alcançar o objeto real ou o objeto
construído como modelo aproximado do real; enfim, como os
resultados obtidos por uma ciência não dependem da boa ou
má vontade do cientista nem de suas paixões, estamos
convencidos de que a ciência é neutra ou imparcial.”

Mesmo tendo esta visão como predominante, a ciência em nada pode


ser caracterizada como neutra ou desinteressada. Essa visão é uma ilusão,
pois quando o cientista define o seu objeto de investigação ou conhecimento
ou decide usar um ou outro método em sua investigação para obter um

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resultado esperado, sua atividade não é neutra nem parcial. A neutralidade


da ciência diz respeito aos valores morais e sociais que, em tese, não
influenciariam os cientistas em seu trabalho de pesquisa e investigação.
Neste caso, o conhecimento científico seria considerado neutro por não
atender a nenhum valor particular, podendo suas práticas serem realizadas
sem a influência de qualquer valor, não serviriam a nenhum interesse
específico. No entanto, como vimos acima, parece que a ciência não procede
dessa maneira. De fato, vamos investigar alguns procedimentos científicos,
tais como os exemplos que forneceremos a seguir conforme a filósofa Marilena
Chauí (2005, p. 235), ilustram que a neutralidade e imparcialidade da ciência
é um mito:

• “O racismo não é apenas uma ideologia social e política. É também uma


teoria que se pretende científica, apoiada em observações, dados e leis
conseguidas com a biologia, a psicologia, a sociologia. É uma certa maneira
de construir tais dados, de sorte a transformar diferenças étnicas e culturais
em diferenças biológicas naturais imutáveis e separar os seres humanos em
superiores e inferiores, dando aos primeiros justificativas para explorar,
dominar e mesmo exterminar os segundos”;

• “Por que Copérnico teve que esconder os resultados de suas pesquisas e


Galileu foi forçado a comparecer perante a Inquisição e negar que a Terra se
movia ao redor do Sol? Porque a concepção astronômica geocêntrica
(elaborada, na Antiguidade, por Ptolomeu e Aristóteles) permitia que a Igreja
Romana mantivesse a idéia de que a realidade é constituída por uma
hierarquia de seres, que vão dos mais perfeitos – os celestes – aos mais
imperfeitos – os infernais – e que essa hierarquia colocava a Igreja acima
dos imperadores, estes acima dos barões e estes acima dos camponeses e
servos”;

• “Se a astronomia demonstrasse que a Terra não é o centro do Universo e


que o Sol não é apenas uma perfeição imóvel, e se a mecânica galileana
demonstrasse que todos os seres estão submetidos às mesmas leis do
movimento, então as hierarquias celestes, naturais e humanas perderiam
legitimidade e fundamento, não precisando ser respeitadas. A física e a
astronomia pré-copernicanas (elaboradas por Ptolomeu e Aristóteles)
serviam – independentemente da vontade de Ptolomeu e de Aristóteles, é
verdade – a uma sociedade e a uma concepção do poder que se viram
ameaçadas por uma nova concepção científica”;

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• “Um último exemplo pode ser dado através da antropologia. Durante muito
tempo, os antropólogos afirmaram que havia duas formas de pensamento
cientificamente observáveis e com leis diferentes: o pensamento lógico-
racional dos civilizados (europeus brancos adultos) e o pensamento pré-
lógico e pré-racional dos selvagens ou primitivos (africanos, índios, tribos
australianas). O primeiro era considerado superior, verdadeiro e evoluído; o
segundo, inferior, falso, supersticioso e atrasado, cabendo aos brancos
europeus “auxiliar” os selvagens “primitivos” a abandonar sua cultura e
adquirir a cultura “evoluída” dos colonizadores”.

Enfim, esses exemplos ilustram que não têm como aceitar a neutralidade
e a imparcialidade da ciência como se fosse possível compreender que o
conhecimento científico é um “saber pelo saber”, ou seja, completamente
desinteressado. Os valores morais e sociais influenciam de tal forma as
escolhas das pesquisas, ao privilegiar umas em detrimentos de outras, o
que torna impossível considerar a ciência neutra e imparcial. Portanto, é
uma ilusão conceber que o cientista esteja imune à influência do contexto
social em que está inserido. Assim, a ciência se encontra fundamentalmente
envolvida na moral e na política, pelas quais se evidencia o comprometimento
e a responsabilidade social do cientista das quais ele não pode abdicar.

4- O CIENTIFICISMO E A IDEOLOGIA DA CIÊNCIA

Segundo Chauí (2005, p. 235),

“O senso comum, ignorando as complexas relações entre as


teorias científicas e as técnicas, entre ciência pura e ciência
aplicada, entre teoria e prática e entre verdade e utilidade, tende
a identificar as ciências com os resultados de suas aplicações.
Essa identificação desemboca numa atitude conhecida como
cientificismo, isto é, fusão entre ciência e técnica e a ilusão da
neutralidade científica.”

O cientificismo é a crença segundo a qual a ciência pode e deve


conhecer tudo e que seu procedimento é perfeito, ou seja, a ciência é
considerada o único conhecimento possível e o método das ciências da
natureza é o único capaz de explicar todas as ocorrências da realidade. O
cientificismo, diz Chauí (2005, p. 235) “(...) desemboca numa ideologia e
numa mitologia da ciência. O que é a ‘ideologia da ciência’ e ‘mitologia da
ciência’?

• A Ideologia da ciência: Crença no progresso e na evolução dos


conhecimentos que, um dia, explicarão totalmente a realidade e permitirão
manipulá-la tecnicamente, sem limites para a ação humana;

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• A Mitologia da ciência: Crença na ciência como se fosse magia e poderio


ilimitado sobre as coisas e os homens, dando-lhe o lugar que muitos
costumam dar às religiões, isto é, um conjunto doutrinário de verdades
intemporais, absolutas e inquestionáveis.

Pode-se dizer que a ideologia e a mitologia cientificistas encaram a


ciência não pelo prisma do trabalho do conhecimento, mas pelo prisma dos
seus resultados específicos, como também uma forma velada de poder social
e de controle do pensamento. Sendo assim, aceitam a “ideologia da
competência”, ou seja, a idéia de que na sociedade existem dois grupos: os
IMPORTANTE
que sabem e os que não sabem. Os primeiros são competentes e possuem
o direito de mandar e de exercer poderes; os demais são vistos como
incompetentes e, por isso, devem obedecer e ser mandados. Enfim, a
sociedade sob este ordenamento possui certa estrutura através da qual
deve ser dirigida e comandada pelos que “sabem” e os demais devem
executar as tarefas que lhes são ordenadas por quem tem o “saber”.

Podemos concluir o nosso estudo com a seguinte reflexão:

“Além de fazer parte essencial da atividade econômica, a ciência


também passou a fazer parte do poder político. Não é por acaso,
por exemplo, que governos criem ministérios e secretarias de
ciência e tecnologia e que destinem verbas para financiar
pesquisas civis e militares. Do mesmo modo que as grandes
empresas financiam pesquisas e até criam centros e laboratórios
de investigação científica, assim também os governos
determinam quais as ciências que irão ser desenvolvidas e, nelas,
quais as pesquisas que serão financiadas. Essa nova posição
das ciências na sociedade contemporânea, além de indicar que
é mínimo ou quase inexistente o grau de neutralidade e de
liberdade dos cientistas, indica também que o uso das ciências
define os recursos financeiros que nelas serão investidos. A
sociedade, porém, não luta pelo direito de interferir nas decisões
de empresas e governos quando estes decidem financiar um
tipo de pesquisa em vez de outra. Dessa maneira, o campo
científico torna-se cada vez mais distante da sociedade sem que
esta encontre meios para orientar o uso das ciências, pois este

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é definido antes do início das próprias pesquisas e fora do


controle que a sociedade poderia exercer sobre ele.” (CHAUÍ,
2005, p. 235).

LEITURA COMPLEMENTAR:
ALVES, RUBEM. Filosofia da Ciência. 21ª Ed. São Paulo:
Brasiliense,1995. 224 pág.

É HORA DE SE AVALIAR!
Não esqueça de realizar as atividades desta unidade de
estudo, presentes no caderno de exercício! Elas irão ajudá-
lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia
no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija
as respostas no caderno e depois as envie através do nosso
ambiente virtual de aprendizagem (AVA) .Interaja conosco!

Terminamos mais uma unidade. Você compreendeu alguns problemas


que a filosofia da ciência reflete e discute. Notou como os problemas são
importantes e atuais? Pois bem, agora você está apto a se aprofundar um
pouco mais sobre esses assuntos, consultando a leitura complementar
recomendada. Claro, sinta-se à vontade caso queira investir em outras fontes
no seu aprofundamento sobre a filosofia da ciência. Então, procure a
biblioteca do seu campus e siga em frente! Até a próxima unidade!

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