Вы находитесь на странице: 1из 25

CADERNOS DE

ISSN 1413-9928

ENGENHARIA DE ESTRUTURAS

Universidade de São Paulo Escola de Engenharia de São Carlos Departamento de Engenharia de Estruturas

Cálculo e armação de lajes de concreto armado com a consideração do momento volvente

Guilherme Aris Parsekian Márcio Roberto Silva Corrêa

Número 2

São Carlos, 1998

CÁLCULO E ARMAÇÃO DE LAJES DE CONCRETO ARMADO COM A CONSIDERAÇÃO DO MOMENTO VOLVENTE

Guilherme Aris Parsekian 1 & Márcio Roberto Silva Corrêa 2

RESUMO Para calcular lajes de concreto armado considerando-se todos os esforços resistentes, incluindo-se o momento volvente, é necessário o conhecimento de

procedimentos para determinar momentos normais a duas direções escolhidas, segundo

as quais serão dispostas as armaduras, que cubram o terno de esforços M x , M y e M xy . No presente trabalho, são estudados e comparados dois métodos para armaduras ortogonais:

o primeiro baseado na verificação dos momentos normais, de acordo com WOOD

(1968), e o segundo baseado no equilíbrio de forças, de acordo com LEONHARDT & MÖNNIG (1978) e um método para o caso de armaduras oblíquas entre si, adaptado de WOOD (1968). Com a finalidade de se considerar a resistência do concreto ao momento volvente no detalhamento das armaduras, são estudadas as resistências do concreto às tensões cisalhantes devidas à força cortante e ao momento torçor e as maneiras de se combinarem essas tensões. Utilizando-se “softwares” de modelagem de malhas em elementos finitos, processamento e análise de resultados, fez-se um pequeno estudo de lajes retangulares apoiadas nos quatro lados, procurando-se avaliar as recomendações existentes na bibliografia especializada, sobre as armaduras de canto necessárias a esse tipo de laje. Fez-se, também, uma comparação de detalhamentos das lajes de um pavimento tipo calculadas pelo método dos elementos finitos sem a consideração da rigidez à torção e pelo método dos elementos finitos considerando-se a rigidez à torção.

Palavras-chave:

concreto armado; pavimentos de edifícios; lajes; momento volvente; método dos elementos finitos

NOTAÇÃO UTILIZADA

As x , As y F F x , F y

I

K

c

M * x , M * y

M

M

M

n1

n2

nθ

- áreas de armaduras dispostas segundo as direções X e Y - força de compressão no concreto - forças segundo as direções X e Y

- momento de inércia de flexão

- valor absoluto da tangente do ângulo crítico - momentos fletores equivalentes normais às direções X e Y - momento normal correspondente a M * x e M * y - momento normal correspondente a M x , M y e M xy

- momento normal ao plano θ

1 Eng. Civil, Mestre em Engenharia de Estruturas, Aluno de doutorado do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP. E-mail: arispskn@sc.usp.br 2 Eng. Civil, Doutor em Engenharia de Estruturas, Professor do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP. E-mail: correa@sc.usp.br

2

M nθ,x , M nθ,α

s

xy

xyc

c

u

- parcelas do momento normal ao plano θ, nas direções X e α - momento estático - momentos fletores normais às direções X e Y - momento volvente - momento volvente resistido pelo concreto - forças normais segundo as direções principais 1 e 2

- momento torçor - momento torçor resistido pelo concreto - momento torçor último - força cortante - força cortante última - distância do deslocamento de diagrama de momentos

- base de uma seção - largura das vigas de seção retangular - cobrimentos segundo as direções X e Y

M

M x , M y M M N 1 , N 2

T

T

T

V

V u

a l

b

b w c x , c y

d - altura útil de uma seção

fc - resistência do concreto à compressão

fck - resistência característica do concreto à compressão

fy - resistência do aço

h - altura de uma seção

k - tangente de θ; parâmetro para cálculo de τ wu1

w - parâmetro adimensional para cálculo do módulo de resistência

Φ - coeficiente de segurança do ACI

α - ângulo de referência; parâmetro para cálculo de t wu1

ϕ - direção crítica

λ - razão entre o maior e o menor lado de uma laje

θ

ρ, ρ x , ρ y

τ

τ

τ

τ

τ

τ

τ

τ

ψ 4

- direção de um plano qualquer - taxas geométricas de armadura

- tensão cisalhante - tensão cisalhante devida à força cortante resistida pelo concreto - tensão cisalhante devida ao momento torçor - tensão cisalhante devida ao momento torçor resistida pelo - tensão cisalhante de projeto devida ao momento torçor - tensão cisalhante devida à força cortante de referência - tensão cisalhante de projeto devida à força cortante de - tensão cisalhante permitida em lajes sem armadura transversal - parâmetro para cálculo de τ wu1

c

t

tc

td

w

wd

wu1

1 INTRODUÇÃO Existem várias maneiras de se calcular a armadura necessária para uma laje. A partir de valores de momentos fletores e volvente (M x , M y e M xy ), pode-se pensar em calcular os valores dos momentos principais e dispor as armaduras segundo as direções principais. Este procedimento tem pouco sentido prático, uma vez que para cada ponto da laje existem duas direções principais perpendiculares diferentes. Um procedimento bastante utilizado é o de desconsiderar a torção na laje, tratando-a como faixas ortogonais fletidas. Desta maneira, têm-se os esforços resistidos

3

apenas por M x e M y , o que implica no aumento dos valores destes momentos e da flecha, porém define as direções x e y como principais. Neste caso, o projetista deve estar sempre atento às regiões de canto de laje onde há necessidade de uma armadura de combate aos momentos volventes, apesar de o método de cálculo empregado não indicar.

Também é comum os esforços serem calculados com a contribuição de M xy , porém o valor do momento volvente ser desprezado no detalhamento, sendo as armaduras calculadas simplesmente a partir dos momentos M x e M y . Este procedimento não é correto, pois vão existir direções onde os esforços resistentes são menores que os esforços aplicados. Este trabalho nasceu da necessidade de se saber como tratar os momentos M x e M y na presença de M xy , de maneira prática e correta.

2 MÉTODO DE WOOD As rotinas de detalhamento de armaduras segundo duas direções preferenciais, de acordo com WOOD (1968), têm como base o critério de resistência do momento normal, conhecido como critério de Johansen, ou critério das linhas de plastificação. O momento normal a um plano qualquer calculado com os momentos M * x e M * y (M n1 ), correspondentes às armaduras dispostas na laje, deve ser maior ou igual ao momento normal ao mesmo plano dado pelos esforços M x , M y e M xy (M n2 ). A armadura começará a plastificar segundo um plano de menor resistência.

a plastificar segundo um plano de menor resistência. FIGURA 1 - Terno de esforços M x
a plastificar segundo um plano de menor resistência. FIGURA 1 - Terno de esforços M x
a plastificar segundo um plano de menor resistência. FIGURA 1 - Terno de esforços M x
a plastificar segundo um plano de menor resistência. FIGURA 1 - Terno de esforços M x
a plastificar segundo um plano de menor resistência. FIGURA 1 - Terno de esforços M x
a plastificar segundo um plano de menor resistência. FIGURA 1 - Terno de esforços M x
a plastificar segundo um plano de menor resistência. FIGURA 1 - Terno de esforços M x

FIGURA 1 - Terno de esforços M x , M y e M xy e armaduras segundo as direções X e Y

2.1 Momentos Positivos em Todas as Direções Deve-se ter M n1 M n2 ou M n1 - M n2 0. A parte esquerda da inequação, aqui chamada de f(θ), é a função do excesso de momento normal. Substituindo-se M n1 e M n2 pelas equações de transformação tensorial, tem-se:

4

4 FIGURA 2 - Momentos normais desenvolvidos a partir de M x , M y e

FIGURA 2 - Momentos normais desenvolvidos a partir de M x , M y e M xy e de M * x e M * y

f(

θ =+−++θ

)

M .cos

x

M .sen

y

θ

M .cos

x

θ

M .sen

y

θ

*

2

*

2

2

2

M

xy

.sen

θθ ≥

.cos

0

(1)

Dividindo-se por cos 2 θ e chamando-se tanθ de k, tem-se:

fk

(

)

*

=+

x

M

M

*

y

.

k

2

M

−−

x

M

y

.

k

2

M

xy

2

k

0

(2)

Para cada par de M * x e M * y , tem-se um valor crítico de k, onde a função f(k) é mínima. Para calcular este valor, pode-se utilizar o teste da derivada primeira da função. Derivando-se a equação (2) e igualando-se a zero, chega-se a:

M

*

y

=

M

y

+

1

k

. M

xy

(3)

e

k

crítico

=

M xy

M

*

y

M

y

(4)

Neste ponto, f(k) deve ser igual a zero para que os momentos normais sejam iguais. Portanto, substituindo-se a eq. (3) na eq. (2) e igualando-se a zero, tem-se:

M

*

x

=

M

x

+

kM

.

xy

(5)

Nas outras direções, f(k) deve ser sempre positivo, ou seja f(k crítico ) deve ser um ponto de mínimo. Para tanto, a segunda derivada da função deve ser maior que zero:

2

dfk (

)

dk

2

0220

>⇒

.

M

y

.

M

y

*

>⇒

*

MM

>

yy

(6)

O valor de k crítico define a tangente do ângulo onde os momentos normais M n1 e M n2 são iguais, sendo esta a direção onde está havendo equilíbrio dos esforços aplicados e resistentes. Em um caso limite, apareceriam fissuras segundo esta direção.

é

positivo. Portanto, pode-se adotar k sempre positivo e M xy em valor absoluto. Então,

podem-se simplificar as expressões fazendo:

y

+

1

k

. M

xy

Se

M

*

y

=

M

e

M

*

y

>

M

y

, chega-se à conclusão de que M

xy

/

k

5

M

M

*

x

*

y

= + K M .M x xy 1 = + M . M y xy
= + K
M
.M
x
xy
1
= +
M
.
M
y
xy
K

(7)

onde K é o valor absoluto de k.

O parâmetro K, valor absoluto da tangente do ângulo crítico, determina quanto do momento M xy será resistido por M x e quanto por M y . Admitindo-se que o braço de alavanca do momento resistente seja igual para as armaduras em x e y, a quantidade de armadura será proporcional à soma (M x + M y ). Para um valor mínimo da área de armadura, tem-se:

d(M

*

x

+

M

*

y

)

d

K

1 d(M + K . M ++ M .M ) y xy y xy 1
1
d(M
+ K
.
M
++
M
.M
)
y
xy
y
xy
1
K
=
0 ⇒
=
M
.1
 =⇒=
0
K
1
xy
2
d K
K

Então, a forma mais econômica é fazer:

* MMM = + x x xy * MMM = + y y xy
*
MMM
=
+
x
x
xy
*
MMM
=
+
y
y
xy

(8)

Em alguns casos, como aqueles em que a armadura em uma direção é igual à armadura mínima, é possível que esta simplificação seja menos eficiente, podendo o projetista determinar qual o momento resistido pela armadura mínima e calcular o correspondente valor de K , com as eqs. (7).

2.2 Momentos Negativos em Todas as Direções

Para o caso de campos de momentos estritamente negativos, a situação é análoga à anterior, mudando apenas o posicionamento das armaduras e, consequentemente, o

sinal das equações. Desta forma, tem-se:

* MMM = − x x xy * MMM = − y y xy
*
MMM
=
x
x
xy
*
MMM
=
y
y
xy

(9)

2.3 Campos de Momentos Positivos e Negativos

Em casos em que um momento principal é positivo e o outro é negativo, devem ser verificadas tanto as equações positivas, eqs. (8), quanto as negativas, eqs. (9), podendo existir, em um mesmo ponto da laje, armaduras positivas e negativas. Pode acontecer de, ao se tentar calcular momentos positivos, resulte um momento negativo. O valor negativo não tem significado físico, pois está se tentando combater um momento positivo (com tensões de tração na parte inferior da laje) com uma armadura na face superior. Desta forma, não há necessidade de armadura positiva segundo esta direção, devendo ser considerado zero o momento calculado negativo.

6

Neste caso, K =1 deixa de ser a solução mais econômica. Melhora-se o resultado calculando-se o valor do ângulo crítico correspondente ao momento feito nulo (neste caso diferente de 45 o ), e determinando-se o valor do outro momento com as eqs. (7). Procedimento análogo deve feito ao obter-se um valor de momento equivalente negativo no calculo da armadura, utilizando-se equações análogas às eqs. (7), subtraindo-se |M xy | ao invés de somá-lo, para calcular os valores de K e do momento não nulo.

Resumidamente tem-se:

se M * x < 0 impõe-se M * x = 0 sendo M * y = M y +

se M * y < 0 impõe-se M * y = 0 sendo M * x = M x +

2 M xy M x 2 M xy M y
2
M
xy
M
x
2
M
xy
M
y

;

.

Também pode-se obter um resultado positivo ao se tentar calcular momentos negativos. Analogamente:

se M * x > 0 impõe-se M * x = 0 sendo M * y = M y -

se M * y > 0 impõe-se M * y = 0 sendo M * x = M x -

2 M xy M x M 2 xy M y
2
M
xy
M
x
M 2
xy
M
y

;

.

3 MÉTODO DE LEONHARDT & MÖNNIG

Uma outra maneira se determinar armaduras oblíquas à direção dos esforços principais é fazer o equilíbrio de forças aplicadas e resistentes de uma seção. Pode-se tratar a região tracionada de uma laje como uma chapa, admitindo-se que as tensões normais e cisalhantes sejam iguais aos momentos aplicados à laje, divididos por um braço de alavanca médio. Por ser um problema de mais fácil visualização, será estudada inicialmente uma chapa de concreto armado sujeita a um estado de tensão qualquer, onde se quer determinar tensões normais segundo duas direções perpendiculares que cubram este estado de tensão.

3.1 Chapa de Concreto Armado

Em uma chapa de concreto armado com armadura de tração em direções diferentes das principais, aparecerão, em um estado limite, fissuras segundo um plano de menor resistência, dependendo das armaduras dispostas. Imaginando-se uma chapa fissurada, apresenta-se o seguinte problema:

- chapa de concreto armado com armaduras por unidade de comprimento A sx e A sy dispostas segundo os eixos X e Y de um plano cartesiano, sujeita a tensões principais σ 1 e σ 2 (σ 1 é a maior), sendo α o ângulo entre σ 1 e o eixo X, onde ocorrem

fissuras segundo um ângulo ϕ, medido a partir do eixo Y. Fazendo-se o equilíbrio de uma seção paralela a ϕ, tem-se:

7

7 b x = 1 . cos ( ϕ ) b y = 1 . sen

b x = 1 . cos (ϕ)

b y = 1 . sen (ϕ)

b 1 = 1 . cos (ϕ-α)

b 2 = 1 . sen (ϕ−α)

FIGURA 3 - Esforços em uma chapa de concreto segundo uma direção paralela a .

uma chapa de c oncreto segundo uma direção paralela a . 2 ⋅ b 2 ⋅

2

b

2

sen α

+

Fb

x

x

= 0
=
0
∑ ⇒− X 0 = Nb ⋅ ⋅ cos α + N 11
∑ ⇒−
X 0
=
Nb
cos
α
+
N
11

F

x

F

x

=

=

Nb

⋅⋅

11

cos

α

Nb

⋅⋅

2

2

sen

α

N

1

cos(

b

)

x

ϕα

−⋅

cos

α

N

2

sen(

)

ϕα

−⋅

sen

α

cos ϕ

(10)

Y

=

0

FN =⋅

x

1

F

y

=⋅ N

1

Nb ⋅⋅

11

sen

α

+

N

2

⋅⋅ b

2

cos

α

−⋅ Fb

x

x

=

0

F

y

F

y

=

=

Nb ⋅⋅

11

sen

α

+

Nb ⋅⋅

2

2

cos

α

N

1

cos(

b

)

y

ϕα −⋅

sen

α

+

N

2

sen(

ϕα

)

cos

α

sen ϕ

(11)

(cos

(cot

2

α

an

+

tan

ϕαα

sen

cos

)

ϕαα

sen

cos

+

sen

2

−⋅ N

2

(tan

ϕαα

sen

cos

sen

2

α

)

α

)

+⋅ N

2

(cos

2

α

cot

an

ϕαα

sen

cos

)

(12)

Chamando-se tan ϕ = K e rearranjando-se as equações, obtêm-se:

8

FN

=

x

FN

=

y

1

1

cos

sen

2

2

α

α

+

+

N

N

2

2

sen

cos

2

2

α

α

+

+

(

(

NN

1

NN

1

2

2

)

)

K

1

⋅⋅

K

⋅⋅

sen

sen

αα ⋅

cos

αα ⋅

cos

(13)

3.2 Lajes com Armadura Ortogonal Em uma laje sujeita a momentos principais M 1 e M 2 onde se quer calcular momentos equivalentes M * x e M * y , pode-se, admitindo um braço de alavanca médio (z m ), fazer:

M * x = F x . z m ;

M * y = F y . z m ; M 1 = N 1 . z m ;

M 2 = N 2 . z m

Portanto:

M

M

*

*

x

y

=

M

1

M

= ⋅

1

cos

sen

2

2

α

α

+

+

M

M

2

2

sen

cos

2

2

α

α

+

+

(

(

MM

1

MM

1

2

2

)

)

K

1

⋅⋅

⋅⋅

K

sen

sen

αα cos

αα cos

(13)

Escrevendo-se M x , M y e M xy a partir de M 1 , M 2 e α, chega-se a:

MM

x

=⋅

1

MM =⋅

M

y

xy

1

=−

(

cos

sen

1

2

α

α

MM

2

+⋅ M

M

+⋅

2

2

2

)

sen

2

sen

cos

α

α

α

2

cos

α

(14)

Substituindo-se as eqs. (14) nas eqs. (13) e ajustando-se o sinal de K, chega-se

a:

M

M

*

*

x

y

M

= +

x

K

M

xy

=

M

1

y M

K

+

xy

(15)

Conclui-se, portanto, que os resultados do método de Leonhardt & Mönnig são equivalentes aos de Wood, as eqs. (15) são iguais às eqs. (7). O método de Leonhardt-Mönnig é uma aproximação física para o problema, enquanto que o método de Wood é uma aproximação numérica. A verificação de momentos normais a várias direções, sendo uma direção crítica onde haverá equilíbrio entre os momentos externos e internos, equivale a determinar o equilíbrio de esforços internos e externos admitindo-se fissuras segundo uma direção crítica, uma vez que as fissuras aparecem onde o momento normal interno é menor que o externo. Em LEONHARDT & MÖNNIG (1978), o ângulo crítico econômico também é verificado como sendo igual a 45º (o que equivale a K=1), sendo comentado que este ângulo deixa de ser econômico para casos em que a área de armadura secundária é menor que 20% da área de armadura principal, o que equivale ao que foi dito anteriormente sobre a necessidade de armadura mínima, uma vez que, tanto na norma alemã (na qual os autores da referida bibliografia se baseiam), quanto na norma brasileira de concreto armado, esta é a mínima armadura a ser disposta na laje.

9

Para caso de momentos principais positivo e negativo, é recomendado que seja verificado o par de momento M 1 e M 2 , considerando-se a força N 2 = M 2 /z m como de tração ao invés de N 1 , ou seja, invertendo-se os sinais dos momentos. Isto equivale à necessidade de verificação das equações para armaduras positivas e negativas.

4 MOMENTOS EQUIVALENTES EM DIREÇÕES OBLÍQUAS ENTRE SI

Em alguns tipos de laje com lados inclinados pode ser interessante disporem-se as armaduras formando um ângulo entre elas diferente de 90º. Desta forma, pode-se conseguir uma disposição mais racional das armaduras nas lajes e evitar o corte desnecessário de barras com vários comprimentos diferentes. Neste caso, faz-se necessário encontrar um par de momentos equivalentes M * x (com armadura paralela ao eixo X) e M * α (armadura paralela a um ângulo α entre a armadura e o eixo X), que cubram o terno de esforços M x , M y e M xy dado, conforme proposto por G. S. T. Armer (1968).

O ângulo α é medido no sentido anti-horário entre o eixo x e a direção da armadura resistente a M * α , conforme figura 4.

armadura resistente a M * α , conforme figura 4. FIGURA 4 - Momentos para armaduras

FIGURA 4 - Momentos para armaduras paralelas ao eixo x e à direção

O momento M n1 calculado com M * x e M * α é:

M

n1

= ⋅

M

*

x

cos

2

θ

+

M

*

α

cos

2

(

α

θ

)

(16)

Utilizando-se o procedimento de Wood, chega-se às expressões para determinar os momentos normais a duas direções oblíquas, equivalentes ao terno de esforços M x , M y e M xy . Resumidamente tem-se:

i) Momentos equivalentes positivos:

10

M

M

se

M

*

*

x

α

=

=

M

x +

2M

M

y

sen

2

α

+

xy

cot

α +

M

y

cot

M M

xy

+ ⋅

y

cot

α

sen α

;

2 α +

M

xy

+

M

y

cot

α

sen

α

M * x resultar negativo; adotar M * x = 0 e recalcular M * α com a expressão:

*

α

=

1  

sen

2

α

M

y

+

(

M

xy

+

M

y

cot

α

)

2

x

+

2M

xy

cot

α +

M

y

cot

2

α

(

)

M

;

caso M * α tenha dado negativo, então adotar M * α = 0 e recalcular M * x :

M

*

x

= M

x +

2M

xy

cot

α +

M

y

cot

2 α +

( M

xy

+

M

y

cot

α

)

2

M

y

;

caso ambos M * x e M * α resultem negativos não há necessidade de armadura positiva

ii) Momentos equivalentes negativos:

M

M

*

*

x

α

=

=

M

2M

+

x xy

cot

α +

M

y

cot

M

y

sen

2

α

M M

xy

+ ⋅

y

cot

α

sen α

;

2

 

M

xy

+

M

y

cot

α

α −

 

sen

 

α

se

M

M * x resultar positivo, adotar M * x = 0 e recalcular M * α com a expressão:

*

α

=

1

sen

2

α

M

y

(

M M

xy

+ ⋅

y

cot

α

)

2

x xy

cot

α +

M

y

cot

2

α

(

)

+

M 2M

;

caso M * α tenha dado positivo, então adotar M * α = 0 e recalcular M * x :

M

*

x

=

M

2M

+

x xy

cot

α +

M

y

cot

2

α −

(

M M

xy

+ ⋅

y

cot

α

)

2

M

y

;

caso ambos M * x e M * α resultem positivos não há necessidade de armadura negativa.

A equação para cálculo de M * x , quando M * α é feito igual a zero, pode ser

substituída pela equação para o cálculo de M * x para armaduras ortogonais, quando M * y

é nulo, uma vez que, em ambos os casos, existe a necessidade apenas de armadura segundo a direção X.

11

5 RESISTÊNCIA DO CONCRETO AO MOMENTO VOLVENTE

O cisalhamento desenvolvido em uma peça de concreto armado sujeita a um momento torçor é, em parte, resistido pelo próprio concreto. Para determinar qual o máximo momento volvente resistido pelo concreto, é necessário determinar-se a máxima tensão cisalhante de torção que o concreto pode resistir. Existe, na bibliografia especializada, uma série de estudos que procuram determinar o valor dessa tensão. Esses estudos revelam que o valor da máxima tensão cisalhante resistida pelo concreto em uma peça sujeita à torção pura é significantemente maior do que em peças sujeitas à torção combinada com flexão, força cortante ou forças axiais.

A maior parte dos trabalhos feitos sobre este assunto refere a vigas. Desta forma, serão discutidas inicialmente vigas de concreto armado e em seguida as analogias que podem ser feitas para uma laje de concreto armado.

5.1 Tensões Cisalhantes Devidas à Força Cortante em Vigas

Uma seção sujeita à força cortante possui tensões cisalhantes, distribuídas ao longo de sua área. A integração destas tensões na seção resulta na força cortante. Em muitas normas de concreto, incluindo o ACI e a norma brasileira de concreto

, que

(NB1), é adotado um valor convencional da tensão cisalhante (τ w ) igual a

V

b

w

d

corresponde ao valor médio desta tensão. Esse valor será usado no presente trabalho, pois a máxima tensão cisalhante que

o concreto resiste, de acordo com o ACI e com a NB1, discutida nos parágrafos seguintes, é comparada a esse valor convencional.

A norma americana de concreto (ACI 318-89, revised 1992) permite considerar

a resistência do concreto às tensões cisalhantes devidas à força cortante igual a 3: :

τ c =⋅Φ 2,0

cortante igual a 3 : : τ c =⋅Φ 2 , 0 ⋅ fck (psi) ou

fck (psi) ou τ c =⋅Φ 0,166

2 , 0 ⋅ fck (psi) ou τ c =⋅Φ 0 , 166 ⋅ fck (MPa);

fck (MPa); com Φ = 0,85.

O anexo da NB116/89 considera o seguinte valor para resistência do concreto às

tensões cisalhantes devidas à força cortante em peças sujeitas a flexão simples:

τ c = 0,15

peças sujeitas a flexão simples: τ c = 0 , 15 ⋅ fck (MPa) Comparando-se os

fck (MPa)

Comparando-se os dois valores, percebe-se que o limite do ACI é 6% menor que

o da NB1, ressaltando-se que, na comparação entre as normas, é importante levar em

conta, também, as diferenças existentes entre os coeficientes de segurança. O ACI adota coeficientes de majoração iguais a 1,4 para cargas permanentes (“dead loads”) e 1,7 para cargas acidentais (“live loads”). A NB1 adota coeficiente de majoração igual a 1,4 para cargas permanentes (g) e acidentais (q).

Para um caso idealizado com g igual a 80% da carga total, tem-se:

NB1 - carga majorada = 1,4×(g+q);

AC1 - carga majorada = 1,4×0,80×g + 1,7×0,20×q = 1,46×(g+q).

3 As notações utilizadas no ACI estão adaptadas para as

equivalentes da NB1. Desta forma, a notação

para a resistência específica do concreto, f’c no ACI, será adotada fck e assim por diante.

12

Na recomendação para cálculo do momento volvente (descrita no final deste item) utilizaram-se idéias do ACI e da NB1 para cálculo das tensões de referência, porém, os limites máximos das tensões de cisalhamento foram adotados de acordo com as prescrições da NB1, devendo-se, portanto, utilizar os coeficientes de segurança da norma brasileira.

5.2 Tensões Cisalhantes Devidas ao Momento Torçor em Vigas

Uma seção sujeita à torção possui tensões cisalhantes distribuídas em contornos

de tensão constante conforme a FIGURA 5, sendo maiores as tensões próximas ao perímetro externo.

trajetórias de tensão

próximas ao perímetro externo. trajetórias de tensão τ t , m a x , localizada no

τ t,max , localizada no

ponto médio do maior lado

FIGURA 5 - Tensões cisalhantes de torção

O valor de τ t,max é dado pela expressão:

=

T

b

2

h

τ t max

,

(17)

w onde b é o menor lado do retângulo, h é o maior e T é o momento torçor.

O valor do parâmetro adimensional w varia de 0,208 a 0,333 na teoria elástica e

de 0,333 a 0,5 na teoria plástica. Em ACI COMMITTEE 438 (1969) e em NAWY (1990), são feitas referências ao trabalho de HSU 4 , confirmado por outros,

estabelecendo-se que w pode ser tomado como 0,333. O ACI adota este valor. Para seções compostas de retângulos pode-se fazer a somatória de b 2 . h.

A NB1 utiliza, para determinação da máxima tensão cisalhante devida à torção,

a fórmula de Bredt, válida para peças com tensões compatíveis com o estádio II (seção fissurada). Em LEONHARDT & MÖNNIG (1977) e em GIONGO (1994), podem ser encontradas maiores informações de como tratar vigas sujeitas à torção segundo a norma brasileira. Estudos feitos pelo ACI, relatados em ACI COMMITTEE 438 (1969), OSBRUN et al. (1969) e HSU & HWANG (1977), determinam o valor máximo da tensão cisalhante devida à torção igual a 6 fck (psi) ou 0,5 fck (MPa) para peças sujeitas a torção pura. Para peças sujeitas a flexão e torção, existe uma redução grande na resistência do concreto a torção. Em VICTOR & FERGUSON (1968), HSU (1968), LAMPERT & COLLINS (1972) e KIRK & LASH (1971), podem ser encontradas expressões que relacionam torção e flexão. Por facilidade de cálculo, o ACI prefere levar em conta esta interação de modo indireto, reduzindo a resistência à torção do concreto para peças sujeitas a torção e flexão para 40% do valor verificado para peças sujeitas a torção pura.

do valor verificado para peças sujeitas a torção pura. 4 HSU, T.T.C. (1968). Torsion of structural
do valor verificado para peças sujeitas a torção pura. 4 HSU, T.T.C. (1968). Torsion of structural

4 HSU, T.T.C. (1968). Torsion of structural concrete - plain concrete rectangular sections. Torsion of structural concrete. SP-18, American Concrete Institute.

13

Segundo o ACI, esta redução é segura para todos os possíveis casos de combinação de torção e flexão. Desta forma, a máxima tensão cisalhante devida à torção (τ tc ) resistida pelo concreto será igual a 04, (,05fck ) =⋅02, fck (MPa).

igual a 04, ⋅ (,05 ⋅ fck ) =⋅ 02, fck (MPa). A NB1 (1982) não

A NB1 (1982) não prevê resistência do concreto à torção.

5.3 Interação Entre Força Cortante e Momento Torçor

Na bibliografia especializada, são encontradas várias referências a ensaios feitos procurando-se estudar a interação entre força cortante e torção. Dentre esses trabalhos, pode-se citar HSU (1968) para vigas sem estribos, e OSBURN et al. (1969) e LIAO &

FERGUSON (1969) para vigas com estribos.

A partir destes ensaios, são sugeridas curvas de interação entre estes dois tipos

de solicitação. A FIGURA 6, extraída de HSU (1968), mostra a superfície de interação entre torção, força cortante e flexão.

de interação entre torção, força cortante e flexão. FIGURA 6 - Superfície de interação entre tor

FIGURA 6 - Superfície de interação entre torção, flexão e força cortante [ HSU (1968) ]

De uma maneira geral, pode-se representar a interação entre força cortante e momento torçor pela seguinte equação:

T

m

V

+ 

T

u

V

u

n

= 1

(18)

Os fatores m e n dependem do valor do momento fletor. Conforme visto na

FIGURA 6, HSU (1968) adota m=2 e n=1 para valores de momento fletor baixos, e m=2 e n=2 para momentos fletores de médios a altos.

O ACI (1992) e o EUROCODE (1992) adotam m=n=2. A NB1 adota m=n=1,

sendo a mais conservadora das normas neste assunto. Ensaios experimentais feitos em vigas L, relatados em LIAO & FERGUSON (1969), determinam um erro máximo de 10% para a curva de interação com m=n=2. Para verificar-se a necessidade de armadura de combate à torção em vigas de concreto armado, basta substituir os esforços últimos, T u e V u , pelos esforços resistidos

pelo concreto, Tc e Vc (obtidos a partir de τ tc e τ c ). O ACI possui uma recomendação geral para a necessidade de armadura de combate à torção em vigas. Momentos torçores menores que

14

0 85

T c =⋅

,

 fck  2  ⋅ ∑ ( b ⋅ h )   20
fck
2
(
b
h
)
20

,

fck

em MPa,

b

e

h em mm (ACI 318M-83) não

necessitam de armadura. Este valor corresponde a 25% do momento torçor resistido pelo concreto em peças sujeitas à torção pura. Segundo o ACI, a resistência do concreto às tensões cisalhantes devidas à força cortante não sofre grande influência de momentos torçores dessa magnitude.

5.4 Tensões Cisalhantes Devidas à Força Cortante em Lajes

O procedimento para cálculo da tensão cisalhante devida à força cortante média

é idêntico ao de vigas.

O ACI determina que a máxima tensão cisalhante que o concreto resiste em lajes

ou

, discutido com maiores detalhes em ASCE-ACI

é um

Φ ⋅ 0,17

valor

entre

Φ ⋅⋅2

fck

τ

c ≤ Φ ⋅⋅4

valor entre Φ ⋅⋅ 2 fck ≤ τ c ≤ Φ ⋅⋅ 4 fck (psi) fck
fck
fck

(psi)

fck

τ

c ≤⋅Φ 0,33

Φ ⋅⋅ 4 fck (psi) fck ≤ τ c ≤⋅Φ 0,33 ⋅ fck COMMITTE 426 (1974)
fck
fck

COMMITTE 426 (1974) e em PARK & GAMBLE (1980).

A NB1 permite tensões cisalhantes em lajes até o valor de τ wu1 . Pode-se calcular

τ wu1 segundo o anexo da NBR 7197 / 1989:

τ

wu 1

=⋅

ψ

4

fck
fck

1,0 (Mpa)

ψ 4 tem um dos seguintes valores:

I) ψ

4

=

0 12

,

α ⋅ k

1

3

d

L

para cargas distribuídas, podendo adotar-se

d

L
L

= 0,14 ⋅⋅ k

α

quando

sendo L o menor vão teórico das lajes

20 , apoiadas ou o dobro do comprimento teórico das lajes em balanço;

4

ψ

II) ψ

4 = 0,08 ⋅⋅ α k para cargas lineares paralelas ao apoio, permitindo-se a

k para cargas lineares paralelas ao apoio, permitindo-se a redução, na proporção a 2 d ,

redução, na proporção a 2d , da parcela da força cortante decorrente de cargas cujo

afastamento a do eixo do apoio seja inferior ao dobro da altura útil d;

III) quando há cargas distribuídas e cargas lineares paralelas ao apoio, ψ 4 é

obtido por interpolação proporcionalmente às parcelas de força cortante decorrentes

desses dois tipos de carregamento.

Os coeficientes α e k são dados pelas expressões:

k = 1,6 - d 1 , com d em metros α = 1 + 50 ρ 1 1,5 limitando-se o produto α ⋅ k ao valor 1,75, sendo ρ 1 a taxa geométrica de armadura longitudinal de tração afastada de 2h da face interna do apoio, considerando- se apenas as barras de aço prolongadas até o apoio e aí corretamente ancoradas. A taxa geométrica (ρ 1 ) deve ser menor que 2%. Nesse procedimento, são levadas em conta as influências da armadura longitudinal, da altura útil da peça e da resistência do concreto para diferentes tipos de

15

carga. Explicação detalhada sobre a influência de cada fator no cálculo de τ wu1 pode ser encontrada em FUSCO (1982). Com a finalidade de facilitar o uso destas expressões fizeram-se as seguintes simplificações:

a) adotando-se o valor de 0,0012 para ρ 1 (utilizando-se uma taxa de armadura

mínima de 0,12%), α terá valor constante de 1,06;

b) para cargas distribuídas, adota-se ψ 4 sempre igual a 0,14αk, por se entender

que, na maioria dos casos, d será menor que L/20 e por esta simplificação ser a favor da

segurança;

c) adotando-se o coeficiente C como sendo a relação entre a parcela de força

cortante decorrente de cargas distribuídas e o valor total da força cortante na laje, a

interpolação existente no item III ficará implícita. Para lajes apenas com cargas distribuídas, C=1.

Desta forma, tem-se:

τ c = τ wu1 = (0,06 ⋅+C 0,08) 1,06 (,1 6 d) fck 1,0 (MPa)

⋅ 1,06 ⋅ (,1 6 − d ) ⋅ fck ≤ 1,0 (MPa) (19) 5.5 Tensões

(19)

5.5 Tensões Cisalhantes Devidas à Torção em Lajes

As tensões cisalhantes nas lajes se desenvolvem segundo contornos semelhantes aos descritos em vigas. Porém, como as lajes possuem, em geral, b>>h, as tensões se distribuem horizontalmente na maior parte da laje e verticalmente nos cantos. A FIGURA 7 ilustra esta situação.

nos cantos. A FIGURA 7 ilustra esta situação. FIGURA 7 - Tensões cisalhantes de torção em

FIGURA 7 - Tensões cisalhantes de torção em lajes

No presente trabalho será adotada a idéia do método do ACI para cálculo de τ t,max , por entender-se que este é mais adequado à verificação a ser feita. O método da NB1 é baseado na hipótese de que a parte interna da seção de concreto armado estará fissurada e os esforços de torção serão resistidos pela armadura somente, não se levando em conta a resistência do concreto à torção. Desta forma, a seção é tratada como uma seção vazada. Como se está verificando a resistência do concreto à torção, deve-se tratar a seção cheia. Além disto, as lajes são, na grande maioria do casos, elementos de seção retangular com h b → ∞ e portanto com o valor de w da eq. (17) igual a 0,333.

e portanto com o valor de w da eq. (17) igual a 0,333. O valor de

O valor de τ t,máx será comparado com τ wu1 . Segundo PARK & GAMBLE (1980), a máxima tensão cisalhante de torção que

o concreto resiste em lajes pode ser admitida como duas vezes a mesma tensão para vigas.

Desta forma, tem-se τ tc =⋅Φ 0,4

fck = 0,34 ⋅ fck (MPa).
fck = 0,34 ⋅
fck (MPa).

Ensaios relatados em KANOH & YOSHIZAKI (1979) determinam a resistência à torção em lajes como sendo cinco vezes maior que o valor adotado.

16

5.6 Recomendação Para o Cálculo do Máximo Momento Volvente

Em PARK & GAMBLE (1979), é apresentada uma expressão para o cálculo do máximo momento volvente resistido pelo concreto em lajes, de acordo com o ACI. Adaptada para as unidades do sistema internacional de medidas (S.I.), esta expressão é:

M xy

= φ⋅
c

2 h 0,4 ⋅ fck ⋅ 3  τ  1 + 1,2 ⋅ w
2
h
0,4
fck
3
τ
1
+
1,2
w
τ
t

, h em metros e fck em MPa

tensões

cisalhantes iguais a 0,33fck para força cortante e 0,4 fck para momentos torçores e interação circular entre força cortante e torção, equivalente a adotar-se m=n=2 na eq. (18). Exprimindo-se em função das tensões, obtém-se:

Nesta

recomendação

em função das tensões, obtém-se: Nesta recomendação estão assumidas resistências do concreto a 2 2 2

estão

assumidas

resistências

Nesta recomendação estão assumidas resistências do concreto a 2 2 2  τ   τ

do

concreto

a

2 2 2  τ   τ   τ   τ 
2
2
2
τ
τ
τ
τ
wd
td
wd
td
+ 
1
+ 
 Φ ⋅
τ
Φ ⋅ τ
⇒   0 85
,, ⋅
0 33
fck
0 85
,, ⋅
0 4
fck 
c
tc

2

1

De acordo com a NB1, τ wu1 é a máxima tensão cisalhante resistida pelo concreto. Como não existe nenhuma recomendação para resistência do concreto à torção, τ wu1 será adotada também como tensão cisalhante resistida pelo concreto neste caso.

Desta forma, de maneira semelhante, chega-se a:

 τ

 τ

2

+ 

τ

 τ

td

wd

wu 1

wu 1

2

1 (20)

Esta consideração equivale a, supondo-se verticais as tensões devidas à força cortante e horizontais as tensões de torção, achar uma tensão diagonal resultante da soma vetorial dessas duas e compará-la com τ wu1 . A FIGURA 8 ilustra esta situação.

17

17 2 2 ττ= +≤ττ wd td wu 1 FIGURA 8 - Combinação de tensões cisalhantes
2 2 ττ= +≤ττ wd td
2
2
ττ=
+≤ττ
wd
td

wu 1

FIGURA 8 - Combinação de tensões cisalhantes em lajes

Simplificadamente, pode-se exprimir tensão cisalhante resultante, como a soma vetorial entre a tensão cisalhante devida à força cortante convencional com a máxima tensão cisalhante devida ao momento torçor, e comparar esta tensão resultante com τ wu1 , ressaltando-se que esta simplificação só é possível porque foram adotados coeficientes m=n=2 na eq. (18) e τ tc =τ wu1 .

Exprimindo-se a eq. (20) em função dos esforços, tem-se, para lajes maciças:

2 2 ⋅ M  V   3  xy d  d 
2
2
M
V
 3
xy
d
d
2
d
h
+
≤ 1
τ
τ
wu1
wu1
2
2
V
h
⋅τ
d
wu1
M
M
=
1
− 
xy
xy
d
c
d ⋅τ
3
wu1

(21)

Para outras tipologias de lajes, como por exemplo lajes nervuradas, podem-se calcular as tensões cisalhantes devidas à força cortante e ao momento volvente e fazer a verificação na forma de tensões, utilizando a eq. (20), ressaltando-se a necessidade de comprovação experimental para a verificação do valor de τ wu1 , para o caso de lajes nervuradas. O valor do máximo momento volvente resistido pelo concreto determinado por este critério é menor do que o determinado pelo critério anterior. Para uma laje maciça com d=6 cm e cargas distribuídas, tem-se, adotando-se as simplificações descritas anteriormente, τ wu1 = 0,2285fck , que equivale a 81% do valor adotado em PARK & GAMBLE (1980) para a força cortante e a 67% do valor adotado para o momento torçor.

Utilizando-se os conceitos descritos neste trabalho, pode-se, de maneira criteriosa, levar em conta a resistência do concreto ao momento volvente no dimensionamento das armaduras de lajes de concreto armado. Valores de momentos volventes menores que M xyc , calculados com a eq. (21) para o caso de lajes maciças, podem ser desprezados no detalhamento. Para valores de

y c , calculados com a eq. (21) para o caso de lajes maciças, podem ser

18

M xy maiores que M xyc , pode-se diminuir o valor do momento volvente resistido pelo concreto do valor do momento volvente de cálculo.

6 EXEMPLO

Para ilustrar os conceitos anteriores, será verificada um ponto de uma laje com

h=7cm (d=6cm), concreto C20, aço CA50A, sujeito aos esforços M x =0,40 kNm/m, M y =3,00 kNm/m, M xy =1,50 kNm/m , V x =0,84 kN/m e V y =6,90kN/m. Considerando-se a laje sujeita apenas a cargas distribuídas, pode-se calcular

τ wu1 :

τ wu

1 = (0,06 ⋅+1

0,08) 1,06 (,1 60 0,06)

1 0 , 08 ) ⋅ 1 , 06 ⋅ (, 1 60 − 0 ,

20 = 1,02 =1,0 MPa

Utilizando-se V y =6,90 kN/m para calcular M xyc , tem-se:

M xyc =

2 − 3  1 , 4 ⋅ 6 , 90 × 10  0
2
− 3
 1 , 4
6 , 90
×
10
0 , 07
2 ⋅ 1 , 0
1
− 
0 , 06 1 , 0
3 14
,

=

0 00115

,

MN ⋅= m /,m 115

kN m / m

Portanto, M xy = 1,50 - 1,15 = 0,35 kNm/m. Verificando-se as armaduras positivas, obtém-se:

M * x = 0,40 + 0,35 = 0,75 kNm/m e M * y = 3,00 + 0,35 = 3,35 kNm/m.

Considerando-se uma área de armadura mínima igual a 0,12% da área de concreto, tem-se:

A smin = 0,84 cm 2 /m M min = 1,53 kNm/m.

Fazendo-se M * x =M min =1,53 kNm/m, pode-se recalcular o valor de K e de M * y :

K =

1,53

0,40

0,35

=

3,23

M

*

y

=

3,00

+

1

3,23

0,35

=

3,11

kNm/m.

7 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS PROCESSAMENTOS FEITOS

7.1 Lajes Retangulares Apoiadas nos 4 Lados

Procurando-se avaliar as recomendações existentes na bibliografia especializada, sobre as armaduras de canto necessárias nas lajes retangulares apoiadas nos quatro

lados, foi feito um pequeno estudo de lajes deste tipo. Ele é interessante, pois é um caso onde a presença do momento volvente é evidente, sendo recomendada a disposição de armadura de canto, mesmo quando os esforços são calculados desprezando-se a contribuição do momento volvente.

A norma brasileira de concreto armado (NB1-1982) recomenda que as armadura

nos cantos (inferiores e superiores) sejam iguais à metade da máxima área de armadura disposta no vão. Em JIMENEZ MONTOYA (1969), é recomendada uma área de armadura para os cantos igual a 75% da maior área de armadura do vão. No COMITÉ EURO-INTERNATIONAL DU BÉTON (CEB-1990) e em LEONHARDT &

19

MÖNNING (1978b) é recomendado que as armaduras dos cantos de lajes apoiadas sejam iguais à maior armadura no vão. A FIGURA 9 mostra essas recomendações.

armadura no vão. A FIGURA 9 mostra essas recomendações. NB1 / 1982 A scanto = 50%

NB1 / 1982

A scanto =

50% × As 1

JIMENEZ

A scanto =

MONTOYA

75% × As 1

CEB 1990 e LEONHARDT & MÖNNIG

A scanto =

100% × As 1

FIGURA 9 - Recomendações encontradas sobre a armadura de canto

A razão entre o valor do momento volvente no canto e o momento fletor no vão

de uma laje apoiada nos quatro lados varia conforme a razão entre a maior e menor dimensão da laje (λ). Para uma laje com λ=1, considerando-se os apoios indeslocáveis e

ν = 0,20, obtém-se M x 4,39 ×

M x 9,96 ×

O valor do momento volvente resistido pelo concreto depende do fck e da altura

da laje. Outro fator que pode modificar o valor de M xyc é o valor da força cortante, que,

em lajes maciças, tem menor influência. Mesmo admitindo-se que M xyc seja constante, a razão entre o valor do momento volvente utilizado para cálculo das armaduras e M xy calculado varia conforme variam os esforços:

. Para λ=2, tem-se

10

2

⋅⋅

p

2

e M xy 3,65 × .

⋅⋅

p

l

2

l

2

10

2

⋅⋅

p

l

2

10

2

⋅⋅

p

l

2

e M xy 5,15 ×

10

Apesar de M xy ser proporcional a M x , e admitindo-se M xyc como constante,

a razão

M

xy

M

xy

c

M

x

não é constante.

Existem, portanto, diversos fatores que influenciam a razão entre as armaduras de canto e de vão. Desta forma, não é possível determinar com exatidão qual deve ser esta razão. A utilização de computadores para o cálculo de pavimentos pode determinar com maior precisão estas armaduras, devendo os esforços ser tratados conforme os conceitos descritos anteriormente. Procurando-se verificar se as recomendações para determinar o valor da armadura de canto são seguras, estudaram-se alguns casos de lajes apoiadas nos quatro lados.

Foram estudadas lajes com dimensões 4mx4m e 4mx8m, com espessuras variando entre 7 e 12 cm e adotadas cargas correspondentes a uma flecha de 1,33cm, que corresponde ao limite normalizado para o deslocamento igual a l/300. A resistência do concreto ao momento volvente foi computada no cálculo. Utilizou-se fck = 15 e 20 MPa e E c = 17.884 e 20.156 MPa, respectivamente. Foi modelado o quadrante superior esquerdo de cada laje em 121 elementos quadrilaterais do tipo placa. Durante o processamento, cada elemento é divido automaticamente em 4 elementos triangulares.

20

A TABELA 1 mostra as características das lajes modeladas e os resultados dos processamentos.

TABELA 1 - Cálculo de lajes retangulares apoiadas nos quatro lados

Laje

dimensão (m x m)

h

g+q

fck

A s canto

A s vão (>)

A s canto

(cm)

(kN/m 2 )

(MPa)

(cm

2 /m)

(cm

2 /m)

/ A s vão

 

1 4

x 4

7

6,80

15

1,65

2,90

56,9 %

 

2 4

x 4

8

10,17

15

2,24

3,78

59,2 %

 

3 4

x 4

9

14,47

15

2,92

4,77

61,2 %

 

4 4

x 4

7

7,67

20

1,84

3,20

57,5 %

 

5 4

x 4

8

11,46

20

2,48

4,14

59,9 %

 

6 4

x 4

9

16,31

20

3,22

5,22

61,7 %

 

7 4

x 8

10

7,94

15

1,62

5,25

30,1 %

 

8 4

x 8

11

10,58

15

2,05

6,38

32,1 %

 

9 4

x 8

12

13,74

15

2,53

7,67

33,0 %

 

10 4

x 8

10

8,95

20

1,80

5,75

31,3 %

 

11 4

x 8

11

11,92

20

2,27

6,99

32,4 %

 

12 4

x 8

12

15,48

20

2,79

8,35

33,4 %

Em todos os processamentos feitos, os lados foram considerados indeslocáveis. Esta consideração é, para o cálculo de M xy , uma simplificação a favor da segurança. Além disso, é possível existirem casos em que as lajes são apoiadas em lados rígidos, como por exemplo lajes apoiadas em paredes de concreto armado (caso comum em reservatórios) ou lajes de concreto armado em edifícios de alvenaria estrutural. Dos processamentos feitos, considerando-se as lajes apoiadas em lados rígidos, percebe-se que a recomendação de se estimar as áreas das armaduras de canto como sendo iguais a 50% da maior área de armadura do vão não é segura, pois, nos processamentos feitos, foram encontradas áreas de armaduras de canto iguais a até 62% da maior área do vão. Portanto, pode-se afirmar que a recomendação da NB1 / 1992 pode ser segura em alguns casos de laje; porém, não é possível afirmar que esta recomendação é segura para todos os casos. Desta forma, dentre as recomendações citadas anteriormente, a que melhor atende a todos os casos estudados é aquela que adota áreas de armaduras de canto iguais a 75% da maior área do vão.

7.2 Cálculo de um Pavimento Tipo

Procurando-se avaliar a eficiência da consideração do momento volvente no cálculo de lajes de concreto armado, foi analisado um pavimento tipo calculado de duas

maneiras distintas:

i) pelo método dos elementos finitos, sem considerar o momento volvente, e ii) pelo método dos elemento finitos, considerando-se o momento volvente. Foi estudado o pavimento tipo do Ed. Residencial Andaluzia, cujo projeto é propriedade da D. C. Matos Engenharia de Projetos e Consultoria Ltda. A FIGURA 10 mostra a forma do pavimento. Foi adotado o seguinte carregamento distribuído nas lajes:

- sobrecarga = 1,50 kN/m 2

21

- revestimento do teto (gesso) = 0,20 kN/m 2

- contrapiso = 0,02x20 = 0,40 kN/m 2

- piso (cerâmica) = 0,20 kN/m 2 total (exceto peso próprio) = 2,30 kN/m 2

0,20 kN/m 2 total (exceto peso próprio) = 2,30 kN/m 2 FIGURA 10 - Forma do
0,20 kN/m 2 total (exceto peso próprio) = 2,30 kN/m 2 FIGURA 10 - Forma do

FIGURA 10 - Forma do pavimento tipo do Ed. Andaluzia

Para o método (i), foi adotado um valor de G próximo a zero para desconsiderar a contribuição de M xy e forçar o comportamento das lajes como faixas ortogonais fletidas. Depois de processado o modelo, foram traçadas curvas de isovalor, representando a distribuição dos momentos M x e M y . A partir destes valores as armaduras foram calculadas e detalhadas. O método (ii) é semelhante ao modelo (i), porém adotando G=E/(2+2µ), considerando assim todos os esforços resistentes. Depois de processado o modelo, foram calculados os momentos equivalentes M * x e M * y positivos e negativos e traçadas curvas de isovalor representando esses momentos equivalentes. As armaduras foram calculadas e detalhadas a partir dessas curvas. Nos dois processamentos, não foi considerada a rigidez à torção das vigas. A partir dos detalhamentos feitos, puderam-se avaliar os consumos de aço para

cada método. A

TABELA 2 mostra os consumos de aço obtidos.

22

TABELA 2 - Consumos de aço (kg)

 

E.F. s/ M xy

E.F. c/ M xy

A s positiva

247

198

A s negativa

189

192

Total

436

390

Analisando-se os resultados pode-se perceber que o consumo total positivo do método (ii) é menor que do método (i). Esta economia pode ser explicada por ter-se considerado todos os esforços resistentes das lajes e por ter sido levada em conta, de acordo com os critérios detalhados anteriormente, a resistência do concreto ao momento volvente. Para as armaduras negativas, obteve-se um consumo maior de armaduras no método (ii). Este aumento no consumo pode ser explicado pelo fato de o método (i) não levar em conta a contribuição da rigidez à torção, e conseqüetemente não indicar as posições onde são necessárias armaduras de combate ao M xy , o que não ocorre no método (ii), pois todos os esforços são considerados no cálculo. Comparando-se os deslocamentos obtidos no método (ii) com o método (i), pode-se verificar um diminuição de 21% no valor da flecha.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para o cálculo de lajes de concreto armado, principalmente com a utilização do auxílio de microcomputadores, é importante que se conheçam os métodos de detalhamento das armaduras em direções diferentes das direções principais dos esforços. No presente trabalho, foram estudados dois métodos de cálculo de momentos equivalentes a duas direções diferentes das principais: o método de Wood e o método de Leonhardt & Mönnig, chegando-se à conclusão de que esses são equivalentes, sendo o primeiro uma aproximação numérica para o problema e o segundo uma apr