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Universidade Federal de Goiás - UFG Escola de Engenharia Elétrica e de Computação Especialização em

Universidade Federal de Goiás - UFG Escola de Engenharia Elétrica e de Computação Especialização em Instalações Elétricas Prediais

Especialização em Instalações Elétricas Prediais Coletânea Sobre Dimensionamento de Componentes de uma

Coletânea Sobre Dimensionamento de Componentes de uma Subestação e Estudo de Caso

IGOR LOPES MOTA

Goiânia

2010

2

IGOR LOPES MOTA

Coletânea Sobre Dimensionamento de Componentes de uma Subestação e Estudo de Caso

Monografia apresentada à escola de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Federal de Goiás para o preenchimento dos requisitos de obtenção do título de Especialista em Instalações Elétricas Prediais.

Área de concentração: Sistema de Energia Elétrica Orientador: Prof. Dr. Euler Bueno dos Santos

Goiânia

2010

3

SÃO PERMITIDAS A REPRODUÇÃO E A DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE.

MOTA, I. L., Coletânea Sobre Dimensionamento de Componentes de uma Subestação e Estudo de Caso. Monografia de Final de Curso de Especialização – Escola de Engenharia Elétrica e de Computação, Universidade Federal de Goiás, 2009.

Palavras Chave: Subestação Consumidora, Projeto de Subestação, Proteção de Subestação, Custos de Subestação

4

IGOR LOPES MOTA

Coletânea Sobre Dimensionamento de Componentes de uma Subestação e Estudo de Caso

Monografia apresentada à escola de Engenharia Elétrica e de Computação da

Universidade Federal de Goiás para o preenchimento dos requisitos de obtenção do título de

especialista em Instalações Elétricas Prediais, aprovada em Banca Examinadora constituída pelos seguintes professores:

pela

de

de

,

Prof. Dr. Euler Bueno dos Santos - Orientador Escola de Engenharia Elétrica e de Computação Universidade Federal de Goiás

Prof. Dr. Antônio César Baleeiro Alves Escola de Engenharia Elétrica e de Computação Universidade Federal de Goiás

Prof. Dr. Sérgio Granato de Araújo Escola de Engenharia Elétrica e de Computação Universidade Federal de Goiás

Prof. Dr. Enes Gonçalves Marra Escola de Engenharia Elétrica e de Computação Universidade Federal de Goiás

5

Dedico este trabalho aos meus pais, Hugo e Meire, pelo amor e dedicação de todos os dias, às minhas irmãs Ludmila e Raíssa e minha namorada Mariana, grandes mulheres que me deram força e incentivo moral e à minha querida Vozinha Ovídia pelo imenso amor. Pessoas fundamentais na minha vida que sempre estiveram ao meu lado.

Igor Lopes Mota

6

AGRADECIMENTOS

Ao Prof. Dr. Engenheiro Eletricista Euler Bueno dos Santos pela sua orientação e

constante preocupação em busca do conhecimento e desenvolvimento da Engenharia Elétrica no Estado de Goiás. Ao Engenheiro Eletricista Klênyo Lúcio da Silva pelo aprendizado, por ter aberto as portas para o grande universo da prestação de serviços de engenharia e pelos investimentos em minha carreira. Agradeço-o ainda pela importante contribuição com o empréstimo da licença do software ETAP versão 7.1.0 para que as simulações pudessem ser realizadas.

A todos os professores e funcionários que trabalharam para a realização do curso de

Especialização em Instalações Elétricas Prediais.

E a todos aqueles que de forma direta ou indireta contribuíram para que pudesse

chegar aos resultados obtidos.

7

RESUMO

A energia elétrica gerada nas usinas hidrelétricas ou termoelétricas é controlada através de um conjunto de equipamentos de proteção, controle e seccionamento que juntos caracterizam uma subestação de energia, de forma a garantir confiabilidade, segurança e um nível de qualidade satisfatório. Para atender a todos estes requisitos, vários critérios e normas devem ser seguidos levando-se em conta a necessidade de cada instalação e o custo de implantação do sistema. De toda forma, uma subestação sempre passa pelo campo da necessidade do cliente, pelas características físicas destinadas ao seu fim, pela sua localização em relação aos demais prédios da edificação, pela segurança dos equipamentos instalados e, principalmente, pela segurança dos seus operadores. O correto dimensionamento físico do abrigo ou da estrutura de sustentação da subestação, o correto cálculo de corrente de curto- circuito da instalação e uma proteção elétrica bem coordenada e eficiente garantem um bom nível de segurança de uma subestação, seja ela de média ou alta tensão. Nesta monografia será desenvolvido um estudo básico sobre subestações de média tensão para cargas de até 5,0 MVA.

8

ABSTRACT

The electricity generated in hydroelectric and thermoelectric plants are controlled by a set of protective equipment, control and switching that together characterize a power substation to ensure the reliability, security and a satisfactory level of quality in the system. To meet all these requirements, criteria and standards should be followed taking into account the need for each installation and the cost of deploying the system. In every way, a substation where the field is the need of the client, the physical characteristics for their purpose, by its location in relation to other buildings of the building for safety equipment and, especially, for the safety of their operators. The correct sizing of the physical structure of the shelter or support of the substation, the correct calculation of current short-circuit protection of electrical installation and a well coordinated and efficiently provide a good level of safety of a substation, it is the medium or high voltage. This monograph will develop a basic study on medium voltage for the substation loads of up to 5.0 MVA.

9

LISTA DE FIGURAS

Figura 1.1 - Participação dos estados na geração de energia elétrica (ANEEL, 2009)

19

Figura 1.2 – Sistema simplificado de GTD de energia elétrica

20

Figura 3.1 - Componentes genéricos de uma entrada de energia

28

Figura 3.2 - Subestação abrigada em alvenaria – cubículos de medição, proteção e transformação

32

Figura 3.3 – Subestação blindada em cubículo metálico (Beghim, 2009)

33

Figura 3.4 - Subestação ao tempo de 112,5 kVA instalada em poste

35

Figura 3.5 - Subestação ao tempo de 300 kVA instalada em postes em estrutura H

35

Figura 3.6 - Localização da subestação em relação à edificação (MAMEDE, 2007)

37

Figura 4.1 - Chave fusível MT para distribuição – instalação externa (Balestro, 2009)

39

Figura 4.2 - Chave seccionadora com abertura sem carga (Beghim, 2009)

40

Figura 4.3 - Chave seccionadora com abertura sob carga sem base fusível (Beghim, 2009)

41

Figura 4.4 - Chave seccionadora com abertura sob carga com base fusível (Beghim, 2009)

41

Figura 4.5 - Fusível de MT limitador de corrente HH (Dreyffus, 2009)

43

Figura 4.6 - Curva tempo-corrente fusível HH de Média Tensão (Dreyffus, 2009)

43

Figura 4.7 - Elos fusíveis modelos H, K, T, EF e olhal (Delmar, 2009)

46

Figura 4.8 - Disjuntor de MT com extinção a PVO (Beghim, 2009)

49

Figura 4.9 - Disjuntor de MT com extinção a vácuo com manobra lateral (Beghim, 2009)

49

Figura 4.10 - Disjuntor de MT com extinção a vácuo com manobra frontal (Beghim, 2009)

50

Figura 4.12 - Pára-Raios de distribuição de MT (Balestro, 2009)

52

Figura 4.13 - Transformador de corrente MT (Seedel, 2009)

53

Figura 4.14 - Transformador de potencial MT (Seedel, 2009)

53

Figura 4.15 – Esquema de ligação das bobinas em triângulo

55

Figura 4.16 – Esquema de ligação das bobinas em estrela

56

Figura 4.17 - Transformador de potência com óleo isolante (Comtrafo, 2009)

57

Figura 4.18 - Transformador de potência com isolante a seco (Comtrafo, 2009)

58

Figura 5.1 - Proteção de sobrecorrentes – TC e Relés

67

Figura 5.2 – Curvas tempo-corrente de disjuntor de baixa tensão (O Setor Elétrico, 2009)

73

Figura 5.3 - Curvas típicas IEC NI, MI, EI, TD - simulado no ETAP 7.1.0

75

Figura 5.4 - Princípio da seletividade

77

Figura 5.5 - Seletividade fusível x fusível - simulado no ETAP 7.1.0

79

Figura 5.6 - Seletividade relé x fusível - simulado no ETAP 7.1.0

80

Figura 5.7 - Seletividade relé x relé – simulado no ETAP 7.1.0

81

10

Figura 5.8 - Proteção de transformador – pontos ANSI e INRUSH - simulado no ETAP 7.1.0

84

Figura 5.9 - Detalhe da instalação correta de cabos blindados em TC

89

Figura 6.1 - Curva de Comportamento da Tensão e Corrente do Pára-Raio (Fonte: TARGET)

95

Figura 6.2 - Malha de aterramento – configuração para subestações

99

Figura 7.1 - Trajetória de circulação de ar refrigerante

105

Figura 7.2 - Temperatura interna em relação à temperatura externa

106

Figura 7.3 - Espaçamentos Mínimos Para Instalações Internas (TARGET, 2005)

110

Figura 7.4 - Dimensões de abertura de obstáculos (TARGET, 2005)

114

Figura 7.5 - Dimensões do obstáculo (TARGET, 2005)

115

Figura 9.1 - Diagrama unifilar

125

Figura 9.2 - Coordenadograma fase e neutro - simulado no ETAP 7.1.0

130

11

LISTA DE TABELAS

Tabela 1.1 - Capacidade de geração do Brasil (ANEEL, 2009)

16

Tabela 1.2 - Empreendimentos em construção no Brasil (ANEEL, 2009)

17

Tabela 1.3 - Empreendimentos autorizados para construção no Brasil (ANEEL, 2009)

17

Tabela 1.4 - Capacidade de geração do estado de Goiás (ANEEL, 2009)

18

Tabela 1.5 - Empreendimentos em construção em Goiás (ANEEL, 2009)

18

Tabela 1.6 - Empreendimentos autorizados para construção em Goiás (ANEEL, 2009)

18

Tabela 4.1 - Corrente de fusão para os elos fusíveis tipo K (NBR 5359)

44

Tabela 4.2 - Corrente de fusão para os elos fusíveis tipo T (NBR 5359)

45

Tabela 4.3 - Corrente de fusão para os elos fusíveis tipo H (NBR 5359)

45

Tabela 5.1 – Corrente e tempo de atuação e não atuação

73

Tabela 5.3 – Índices das curvas tempo-corrente da norma ANSI C37.90

76

Tabela 5.4 – Índice K de condutor (NBR 14039)

88

Tabela 5.5 – Energia liberada em arcos elétricos e seus danos (Eletropaulo, 1975)

90

Tabela 5.6 – Relação corrente de arco e de curto franca (Kaufmann, 1975)

91

Tabela 6.1 – Dados para a especificação de pára-raios (NTD05/CELG)

95

Tabela 7.1 – Espaçamentos mínimos para instalações internas (NBR 14039)

111

Tabela 7.2 – Espaçamentos mínimos para instalações externas (NBR 14039)

112

Tabela 7.3 – Distâncias mínimas x tensão nominal (NBR 14039)

112

Tabela 9.1 – Níveis de curto-circuito 3φ e 1φ

125

Tabela 9.2 – Dados do transformador

126

Tabela 9.3 – Resumo da parametrização do relé

129

12

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

A

Ampère

ABNT

Associação Brasileira de Normas Técnicas

ANEEL

Agência Nacional de Energia Elétrica

ANSI

American National Standards Institute

Art.

Artigo

AT

Alta Tensão

BT

Baixa Tensão

CGH

Central Geradora Hidrelétrica

CGU

Central Geradora Undi-Elétrica

CH SEC

Chave Seccionadora

DPS

Dispositivo de Proteção Contra Surtos

DJ

Disjuntor

EOL

Central Geradora Eolielétrica

GTD

Geração, Transmissão e Distribuição

Hz

Hertz

IEC

International Electrotechnical Commission

kA

Kilo- Ampère (1000 x Ampère)

kVA

Kilo-Volt Ampère

kW

Kilo-Watt

MT

Média Tensão

MVA

Mega- Volt- Ampère (1.000.000 x Volt- Ampère)

MVAr

Mega Volt- Ampère Reativo(1.000.000xVolt- Ampère Reativos)

MW

Mega-Watts (1.000.000 x Watts)

NTD

Norma Técnica de Distribuição

PCH

Pequena Central Hidrelétrica

pu

por unidade

PVO

Pequeno Volume de Óleo

QGBT

Quadro Geral de Baixa Tensão

RTC

Relação de Transformação de Corrente

13

RTP

Relação de Transformação de Potencial

SE

Subestação

SEL

Sistema Elétrico

SiC

Carboneto de Silício

SOL

Central Geradora Solar Fotovoltaica

SPSC

Sistema de Proteção contra Sobrecorrentes

SPST

Sistema de Proteção contra Sobretensões

TC

Transformador de Corrente

TP

Transformador de Potencial

UHE

Usina Hidrelétrica de Energia

UTE

Usina Termelétrica de Energia

UTN

Usina Termonuclear

V

Volts

VA

Volt-Ampère

VAr

Volt- Ampère Reativo

W

Watts

ZnO

Óxido de Zinco

Ohm

14

SUMÁRIO

RESUMO

 

7

ABSTRACT

 

8

LISTA

DE

FIGURAS

9

LISTA

DE

TABELAS

11

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

12

SUMÁRIO

14

1. Introdução

 

16

2. Estudo da carga

23

2.1. Demanda

23

2.2. Enquadramento Tarifário

24

3. Escolha do Tipo da Subestação

26

3.1. Partes Componentes de uma Subestação de Consumidor

26

3.2. Tipos de Subestação

 

29

4. Principais Equipamentos de Subestações

39

4.1. Chaves Seccionadoras

 

39

4.2. Fusíveis Limitadores Primários

41

4.3. Disjuntor de Média Tensão

46

4.4. Pára-Raios a Resistor Não-Linear

50

4.5. Transformador

de

Corrente

52

4.6. Transformador

de

Potencial

53

4.7. Transformador

de

Potência

54

5. Proteção contra Sobrecorrentes

61

5.1. Conceitos Filosóficos de Proteção

62

5.2. Tipos de sistemas de Proteção

63

5.3. Princípios Básicos da Proteção

64

5.4. Dispositivos de Proteção Contra Sobrecorrentes

66

5.5. Curva Tempo-Corrente

 

74

5.6. Coordenação e Seletividade

77

15

5.8. Proteção

de

Cabos

86

5.9. Proteção

de

Painéis

90

6. Proteção Contra Sobretensões

93

6.1. Dispositivos de Proteção Contra Sobretensões

93

6.2. Aterramento

 

98

6.3. Comentário Sobre o Tipo de Aterramento do Neutro

99

7. Arquitetura

102

7.1. Iluminação

 

102

7.2. Infra-Estrutura e Outros

103

7.3. Ventilação e Controle de Temperatura

104

7.4. Acessibilidade e Segurança

106

7.5. Construção Civil

 

107

7.6. Instalações Auxiliares

107

7.7. Dimensionamento Físico das Subestações

108

8. Influência dos Custos no Projeto de uma Subestação

116

8.1. Comparação de Custos de uma Subestação de 500 KVA

116

8.2. Custos de Implantação

122

9. Estudo de Caso: Projeto de uma Subestação de 1.000 kVA

124

9.1. Dados da Unidade Consumidora

124

9.2. Elementos e Seus Ajustes de Proteção

126

9.3. Especificação dos Equipamentos:

131

9.4. Orçamento e Relação de Materiais da Subestação:

138

10. Conclusões e Proposta para Trabalhos Futuros

140

Bibliografia

143

Anexos

146

A.1. Nomenclatura de relés da American Standard Association (ASA)

146

A.2. Layout da Subestação Abrigada 1,0 MVA 13,8/0,38 kV – Estudo de Caso

149

16

CAPÍTULO

1

1. Introdução

Um país desenvolvido não pode ser imaginado sem energia elétrica ou com problemas em seu fornecimento. Energia da qual dependem muitos investimentos nacionais e internacionais que movimentam a economia e garantem o progresso e a geração de empregos. Tamanha a importância do sistema elétrico de um país, que alguns institutos de pesquisa de desenvolvimento econômico apontam no consumo de energia elétrica um dado importante na classificação do nível de participação na economia mundial do país. Essa consciência do tamanho da importância da energia elétrica já foi reconhecida no Brasil. Após alguns apagões devidos a falta de investimentos no setor, o Brasil está correndo atrás do prejuízo. Hoje, o Brasil possui no total 2.063 empreendimentos em operação, gerando 103.619.806 kW de potência. Está prevista para os próximos anos uma adição de 39.242.875 kW na capacidade de geração do País, proveniente dos 129 empreendimentos atualmente em construção e mais 474 outorgadas, o que representa cerca de 37,8% da potência disponível atualmente, comprovando as informações anteriores (ANEEL, 2009). Dados importantes são expostos nas tabelas que seguem. Tabela 1.1 - Capacidade de geração do Brasil (ANEEL, 2009)

 

Empreendimentos em Operação no Brasil

 

Tipo

Quantidade

Potência Outorgada (kW)

Potência Especializada (kW)

%

CGH

289

162.594

161.993

0,16

EOL

33

414.480

414.480

0,40

PCH

338

2.683.309

2.637.247

2,55

SOL

1

20

20

0

UHE

159

74.700.627

74.922.779

72,31

UTE

1.241

26.385.985

23.476.287

22,66

UTN

2

2.007.000

2.007.000

1,94

Total

2.063

106.354.015

103.619.806

100

17

Tabela 1.2 - Empreendimentos em construção no Brasil (ANEEL, 2009)

 

Empreendimentos em Construção no Brasil

 

Tipo

Quantidade

Potência Outorgada (kW)

%

CGH

1

848

0,01

EOL

7

339.500

2,67

PCH

65

1.084.017

8,52

UHE

23

7.781.400

62,14

UTE

33

3.520.623

27,66

Total

129

12.726.388

100

Tabela 1.3 - Empreendimentos autorizados para construção no Brasil (ANEEL, 2009)

Empreendimentos Outorgados entre 1998 e 2009 no Brasil

Tipo

Quantidade

Potência Outorgada (kW)

%

CGH

73

49.613

0,19

CGU

1

50

0

EOL

50

2.388.173

9,01

PCH

163

2.220.741

8,37

SOL

1

5.000

0,02

UHE

13

8.790.000

33,15

UTE

173

13.062.910

49,26

Total

474

26.516.487

100

O Estado de Goiás não poderia ser diferente, onde possui no total 57 empreendimentos em operação, gerando 8.725.859 kW de potência, o que representa 8,42% da energia elétrica gerada no Brasil. Está prevista para os próximos anos uma adição de 2.023.318 kW na capacidade de geração do Estado, proveniente dos 13 empreendimentos atualmente em construção e mais 26 com sua outorga assinada, o que representa 23,18% da energia disponível no estado.

18

Tabela 1.4 - Capacidade de geração do estado de Goiás (ANEEL, 2009)

 

Empreendimentos em Operação

 

Tipo

Quantidade

Potência (kW)

%

CGH

10

5.069

0,06

PCH

12

166.502

1,91

UHR

11

8.019.146

91,90

UTE

24

535.142

6,13

Total

57

8.725.859

100

Tabela 1.5 - Empreendimentos em construção em Goiás (ANEEL, 2009)

 

Empreendimentos em Operação

 

Tipo

Quantidade

Potência (kW)

%

PCH

5

107.300

12,09

UHE

8

780.500

87,91

Total

13

887.800

100

Tabela 1.6 - Empreendimentos autorizados para construção em Goiás (ANEEL, 2009)

 

Empreendimentos em Operação

 

Tipo

Quantidade

Potência (kW)

%

CGH

4

3.001

0,26

PCH

8

146.997

12,95

UHE

3

233.000

20,52

UTE

11

752.520

66,27

Total

26

1.135.518

100

Seguem gráficos de barras indicando a participação dos diversos estados da federação na geração de energia elétrica.

19

19 Figura 1.1 - Participação dos estados na geração de energia elétrica (ANEEL, 2009) Toda a

Figura 1.1 - Participação dos estados na geração de energia elétrica (ANEEL, 2009)

Toda a energia elétrica gerada em usinas hidrelétricas, termoelétricas, nucleares, solares ou eólicas é transmitida em alta tensão (AT) de forma a reduzir perdas de energia no processo. Geralmente, a energia gerada é em baixa tensão por causa das características da maioria dos geradores de energia comumente utilizados. Para se realizar a elevação da tensão para um nível de transmissão adequado utiliza-se de subestações elevadoras. Esse nível de tensão de transmissão em alta tensão (AT) não é compatível com o nível de tensão de distribuição (dentro das cidades) e muito menos com o nível de tensão dos consumidores finais. Por isso, em pontos próximos aos centros de cargas das cidades, subestações rebaixadoras são construídas para transformar o nível de tensão de transmissão (AT geralmente) para o nível de tensão de distribuição (MT geralmente). As redes de distribuição de cidades são construídas e operadas em média tensão (MT) de forma a reduzir perdas de energia no processo. Esse é o nível de tensão que atende aos consumidores que se enquadram nas exigências do Art. 6º - II da Resolução 456 da ANEEL de 29 de Novembro de 2000. Os consumidores que se enquadram no Art.6° - II da Resolução da ANEEL são atendidos pelas concessionárias em MT, tornando-se necessário uma subestação rebaixadora de MT para BT para adequar aos níveis de tensão dos equipamentos usuais em indústrias, prédios comerciais e residenciais e conjuntos de residências. Todas estas subestações têm nos transformadores seu elemento principal, o que quer dizer que para o sistema funcionar bastaria somente ele. Mas aspectos de segurança, operação e proteção do próprio transformador, das linhas de transmissão, dos consumidores e dos operadores do sistema elétrico, vários outros equipamentos são necessários para manter o

20

sistema em um funcionamento seguro, de bom nível e confiável. Assim sendo, pode-se citar as chaves seccionadoras, os disjuntores, os transformadores de corrente e potencial entre outros. Como já mencionado, uma subestação de energia tem a finalidade de modificar algumas grandezas elétricas, como tensão e corrente, permitindo a sua distribuição aos pontos de consumo em níveis adequados de utilização. Elas podem ser classificadas de acordo com sua função dentro de um sistema elétrico:

Subestação Central de Transmissão:

Normalmente construídas ao lado de usinas geradoras de energia elétrica com a finalidade de elevar a tensão da energia gerada para níveis econômicos em se tratando de transmissão de energia para os grandes centros consumidores.

Subestação Receptora de Transmissão:

Construídas próximas aos centros consumidores e alimentadas por linhas de transmissão que partem das subestações centrais de transmissão.

Subestação de Subtransmissão:

São construídas no centro de um bloco de carga e alimentadas por uma subestação receptora de transmissão. É de onde partem os alimentadores primários que alimentam os transformadores de distribuição ou as subestações de consumidores.

Subestação de Consumidor:

São construídas em propriedades particulares supridas através de alimentadores

primários originados de subestações de subtransmissão.

primários originados de subestações de subtransmissão. Figura 1.2 – Sistema simplificado de GTD de energia

Figura 1.2 – Sistema simplificado de GTD de energia elétrica

21

A resolução 456 da ANEEL de 29 de Novembro de 2000 estabelece níveis de tensão para consumidores de acordo com a potência instalada ou demandada, classificando em níveis de fornecimento conforme Art. 6º - II – Tensão primária de distribuição inferior a 69 kV:

quando a carga instalada na unidade consumidora for igual a 75kW e a demanda contratada ou estimada pelo interessado, para o fornecimento, for igual ou inferior a 2.500 kW. Entretanto, a concessionária de energia é quem definirá a tensão primária de fornecimento ao consumidor em questão. As concessionárias de energia elétrica devem atender em tensão primária de distribuição nos casos que se encaixem neste item da resolução 456 da ANEEL. O nível de tensão deverá ser indicado pela concessionária, obedecendo, é claro, aos níveis estabelecidos pela ANEEL. Para elaboração de projetos de subestação para uma determinada concessionária, devem-se tomar como orientação as normas técnicas que cada empresa possui. Estas normas estabelecem padrões de construção, critérios de análise e comparação de projetos, condições gerais, proteção, aterramento, etc. compatíveis com as Normas Brasileiras de Instalações Elétricas de Alta Tensão – NBR 14039/05. Esta monografia tratará somente das Subestações de Consumidor alimentadas em Média Tensão. De acordo com a NBR 14039/2005, média tensão corresponde às tensões entre 1,0kV e 36,2kV. Pelo exposto, este trabalho tem como objetivo reunir informações e apresentar um estudo de caso sobre subestações de consumidores atendidos em média tensão, de forma a contribuir para a pesquisa e estudos de engenheiros eletricistas que atuem nesta área da engenharia elétrica. Objetiva-se envolver assuntos como equipamentos utilizados na construção de uma subestação, dispositivos e conceitos de proteção de sobrecorrente e sobretensão, arquiteturas, orçamentos dos tipos de subestações e um estudo de caso real aplicando o tema desenvolvido. Informações a respeito de todos os assuntos aqui desenvolvidos são encontradas em livros e trabalhos existentes, mas em diversas obras diferentes. Tal situação torna a pesquisa de um engenheiro projetista que atua na área de subestações mais difícil, pois necessitaria adquirir vários livros e trabalhos científicos. Por estes motivos, este trabalho se justifica por agrupar informações diversas em um só trabalho.

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No capítulo 2 deste trabalho, serão desenvolvidas e apresentadas noções e conceitos sobre estudo de carga de uma instalação e enquadramento tarifário de acordo com a resolução 456 da ANEEL e a norma NTD-05 da Companhia Energética de Goiás – CELG. O capítulo 3 apresenta os principais tipos de subestações, como o tipo abrigado, ao tempo ou cubículo blindado. As justificativas para a escolha de cada tipo de subestação são discutidas de forma a contribuir na tomada de decisão do engenheiro eletricista responsável pelo projeto. Já no capítulo 4, os principais equipamentos utilizados em subestações são apresentados. Princípios de funcionamento, tipos e figuras de cada equipamento podem ser observados de maneira a contribuir para um melhor entendimento sobre o equipamento. Conceitos, filosofias e métodos de cálculo sobre proteções de sobrecorrente podem ser encontrados no capítulo 5 desta monografia. No capítulo 6, a proteção de subestações contra sobretensões são discutidas de maneira a apresentar formas de controle e limitação de riscos, tanto para o operador da subestação quanto para a instalação. Como iluminar uma subestação? Como garantir a ventilação? Como mitigar a existência de riscos de acidentes por contato ou choque? Tais perguntas poderão ser respondidas no capítulo 7, onde o assunto arquitetura de subestações é discutido. Os custos de implantação de uma subestação são discutidos no capítulo 8, onde são apresentados orçamentos de 3 tipos de subestações de 500 kVA, sendo analisado o impacto da escolha do tipo de subestação, bem como dos equipamentos que farão parte da construção. Como proposto, no capítulo 9, um estudo de caso real é desenvolvido desde as primeiras definições até a apresentação de uma planta baixa com cortes e detalhes de uma subestação consumidora atendida em tensão 13,8 kV de potência 1.000 kVA.

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CAPÍTULO

2

2. Estudo da carga

Uma instalação elétrica é a união de todos os componentes e sistemas necessários para se disponibilizar a energia elétrica de forma segura e conforme padrões técnicos exigidos pelas normas nacionais e das concessionárias de energia que suprem o respectivo consumidor. Cada equipamento a ser energizado solicita (ou demanda) uma determinada quantidade de energia da rede, e essa demanda possui suas características. Numa instalação completa, os equipamentos podem estar ligados simultaneamente ou não, ou alguns ligados e outros não, ou ainda, estão ligados a plena carga enquanto que outros não o estão. Enfim, toda instalação demanda certa quantidade de energia elétrica dependendo do uso dos equipamentos nela instalados. As concessionárias de energia já possuem estudo da demanda média de cada tipo de instalação, seja ela residencial, comercial, hospitalar, industrial, etc., onde para cada tipo de equipamento se prevê um consumo padrão. Quando não se tem este padrão de consumo, a demanda deve ser calculada pelo responsável técnico da instalação. A demanda total de uma instalação é o valor que determina as características do fornecimento de energia a este consumidor, obedecendo aos limites de fornecimento da concessionária e às determinações da ANEEL. A partir destes limites se determina o dimensionamento de equipamentos e cabos para entrada de energia. Alguns aspectos sobre demanda serão abordados.

2.1.

Demanda

Um aspecto da carga instalada a ser considerado é a solicitação das instalações ao longo do dia, semana, mês e ano. Percebe-se que somente uma parte da carga instalada é solicitada à concessionária, tendo uma média de consumo de energia elétrica. É definido pela ANEEL como fator de demanda, que nada mais é que a média das potências elétricas ativas ou

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reativas, solicitadas ao sistema elétrico pela parcela da carga instalada em operação na unidade consumidora, durante um intervalo de tempo especificado. Porém, a unidade consumidora não consome esta demanda em tempo integral ao longo do dia, mês e ano. Possui uma sazonalidade de consumo alternando em função do horário do dia. Por este motivo, contrata-se uma demanda com tarifa horosazonal de forma a pagar somente por aquilo que se consome. Essa demanda contratada é a potência que a concessionária de energia deverá disponibilizar ao consumidor. Por outro lado, o consumidor deverá pagar integralmente o valor da tarifa multiplicado pela demanda contratada, seja ou não utilizada a energia disponibilizada. O valor da demanda contratada e o enquadramento horosazonal deve ser muito bem escolhido em função do comportamento de consumo de energia elétrica afim de se ter um menor custo de energia, pois estão previstos multas e sobretaxas em cima do que se consome em relação ao que se contrata junto à concessionária. Por exemplo, a demanda de ultrapassagem é a parcela da demanda medida que excede o valor da demanda contratada, expressa em quilowatts (kW). Os equipamentos de medição de energia colhem os valores de maior demanda de potência ativa integralizada no intervalo de 15 (quinze) minutos durante o período de faturamento, expressa em quilowatts (kW). Este valor é o que é considerado na composição da fatura de energia elétrica.

2.2. Enquadramento Tarifário

Em instalações onde a demanda é superior a 75 kW e que é necessária uma subestação, uma demanda deverá ser contratada. A resolução 456 da ANEEL define as estruturas tarifárias disponíveis no mercado de energia elétrica brasileiro, que é definido de acordo com a tensão de fornecimento e a demanda de energia da unidade consumidora. Nesta resolução são definidos os principais termos que afetam ao valores tarifários: o horário do dia e a época do ano:

Horário de Ponta (P): período de 3 horas consecutivas que vai das 18h às 21h, exceto sábados, domingos e feriados nacionais.

Horário Fora de Ponta (F): horas complementares ao horário de ponta.

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Período Úmido (U): Período de 5 meses consecutivos, compreendendo os meses de dezembro a abril.

Período Seco (S): Período de 7 meses consecutivos, compreendendo os meses maio a novembro.

De acordo com o Art. 2º, item XVI da resolução 456, a estrutura tarifária convencional é caracterizada pela aplicação de tarifas de consumo de energia elétrica e/ou demanda de potência independentemente das horas de utilização do dia e dos períodos do ano. Este tipo de tarifa é permitido para as unidades consumidoras atendidas por tensão de fornecimento inferior a 69 kV e sempre que for contratada demanda inferior a 300 kW.

Já no item XVII do mesmo Art. 2°, a estrutura tarifária horo-sazonal é definida como

um conjunto de tarifas diferenciadas de consumo de acordo com as horas de utilização do dia e época do ano. A tarifação horo-sazonal é classificada em dois tipos:

Tarifa horo-sazonal azul: modalidade estruturada para aplicação de tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica de acordo com as horas de utilização do dia e os períodos do ano, bem como de tarifas diferenciadas de demanda de potência de acordo com as horas de utilização do dia;

Tarifa horo-sazonal verde: modalidade estruturada para aplicação de tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica de acordo com as horas de utilização do dia e os períodos do ano, bem como de uma única tarifa de demanda de potência.

A tarifação horo-sazonal é permitida para as unidades consumidoras atendidas pelo

sistema elétrico interligado e com tensão de fornecimento igual ou superior a 69 kV. Se houver opção do consumidor, poderão ser enquadrado unidades consumidoras atendidas pelo sistema elétrico interligado e com tensão de fornecimento inferior a 69 kV, quando a demanda contratada for igual ou superior a 300 kW em qualquer segmento horo-sazonal. Ainda, quando a unidade consumidora faturada na estrutura tarifária convencional houver apresentado, nos últimos 11 ciclos de faturamento, 3 registros consecutivos ou 6 alternados de demandas medidas iguais ou superiores a 300 kW. Não será desenvolvido um estudo aprofundado sobre demanda e tarifação de energia elétrica por não serem estes o tema proposto nesta monografia.

26

CAPÍTULO

3

3. Escolha do Tipo da Subestação

Uma subestação de energia, como já apresentado nos capítulos anteriores, possui algumas funções dentro de uma instalação elétrica, tais como medição do consumo de energia elétrica para faturamento, proteção das instalações e equipamentos e transformação do nível de tensão da rede para o nível de tensão aplicável ao uso determinado. Estas funções podem ser atingidas através de alguns tipos consagrados de subestações.

A escolha do tipo de uma subestação deve atender as características e exigências de

cada instalação, seguindo padrões e normas nacionais e internacionais de segurança e qualidade, além de um fator de grande importância na engenharia: os custos de implantação. Esta escolha influencia em vários itens das instalações, tais como a proteção do sistema elétrico, a entrada de energia do empreendimento, o dimensionamento dos cabos alimentadores dos painéis de BT, etc Este capítulo apresentará os tipos mais usados de subestações e seus componentes.

3.1.

Partes Componentes de uma Subestação de Consumidor

As subestações de consumidor apresentam os seguintes componentes:

Entrada de Serviço composta pelo ponto de ligação, ramal de entrada, ponto de entrega e o ramal de entrada;

Cabine de medição, proteção, seccionamento e transformação.

3.1.1.

Entrada de Serviço

A entrada de serviço de uma subestação compreende os dispositivos localizados entre o

ponto de derivação da rede de distribuição da concessionária de energia e os terminais da

medição do consumidor. Neste percurso alguns itens compõem a entrada de energia:

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Ponto de ligação:

Ponto onde é derivado da rede da concessionária um ramal de ligação para atender a respectiva subestação, conforme figura 3.1, ponto A.

Ramal de Ligação:

É o trecho entre o ponto de ligação e o ponto de entrega, percurso que deve ser aéreo, conforme figura 3.1, ponto B. Normalmente, como o ramal de ligação é uma extensão do sistema de suprimento de energia, a responsabilidade do projeto, construção e manutenção caberá a concessionária local.

Ponto de Entrega

Ponto onde a concessionária se obriga a fornecer a energia elétrica, sendo responsável tecnicamente, pela construção, operação e manutenção. Não corresponde necessariamente ao ponto de medição do consumidor. O ponto de entrega pode variar conforme o tipo da subestação, sendo entrada aérea ou subterrânea.

Ramal de Entrada

É a interligação do ponto de entrega da concessionária aos terminais de medição. Assim como o ponto de entrega, varia de acordo com o tipo de subestação, sendo aéreo ou subterrâneo. O ramal de entrada aéreo é constituído de condutores ao tempo e suspensos em estruturas adequadas para instalações aéreas. O ramal de entrada subterrâneo é constituído de condutores com isolação apropriada para a aplicação e instalados em condutos enterrados no solo. Neste tipo de instalação é importante observar a necessidade de se utilizar caixas de passagem no percurso enterrado deixando um “chicote” dentro, sendo que as caixas devem ter dimensões aproximadas de 80x80x80cm (chicote é uma sobra de cabo enrolado). Além disto, em locais de trânsito pesado de veículos, é necessário instalar junto aos condutos envelopamentos de concreto e/ou camas de areia no fundo da vala onde serão lançados para proteção contra esforços mecânicos. Segundo a norma NBR 14039/05, o engenheiro projetista deve prever no dimensionamento dos cabos alimentadores uma queda de tensão de no máximo 5% do ponto de ligação com a rede da concessionária até o ponto de conexão com a unidade de transformação (ponto de utilização).

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28 Figura 3.1 - Componentes genéricos de uma entrada de energia 3.1.2. Cabine de Medição, Proteção

Figura 3.1 - Componentes genéricos de uma entrada de energia

3.1.2. Cabine de Medição, Proteção e Seccionamento

A parte da subestação destinada à instalação dos equipamentos de medição, proteção, e seccionamento, a cabine de medição e proteção deve constituir-se por dois compartimentos contíguos, delimitados por parede de alvenaria até o teto, com os seguintes usos:

O primeiro compartimento, chamado de recinto de medição, destina-se a receber o ramal de entrada, a chave seletora de entrada e a instalação dos transformadores de corrente (TC) e de potencial (TP) da medição fornecidos pela concessionária local;

Em outro compartimento devem ser instalados os equipamentos de proteção,

delimitados entre si por muretas de alvenaria e providos na parte frontal de grade de proteção que irá servir de anteparo para os operadores. Esses cubículos destinam-se apenas à instalação de equipamentos e dispositivos de média tensão, tais como disjuntores de MT, TC e TP de proteção, etc. No cubículo de medição deve-se instalar uma janela para iluminação natural, sempre que possível. Assuntos relacionados com arquitetura de subestações serão abordados também no capítulo 7.

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3.1.3. Cabine de Transformação

A cabine de transformação deve ser instalada preferencialmente no centro de cargas, com o transformador rebaixador instalado com as características adequadas quanto ao seu tipo, sendo com isolante óleo ou a seco. Todas as cabines devem apresentar de forma visível a qualquer operador ou visitante uma placa com a inscrição: “PERIGO DE VIDA – ALTA TENSÃO” e os símbolos característicos desse perigo.

3.2. Tipos de Subestação

Ao projetar uma subestação, vários aspectos influenciam nas tomadas de decisões, alguns técnicos e outros econômicos. Em geral as subestações são classificadas em 3 tipos:

Subestação em alvenaria;

Subestação blindada em cubículo metálico;

Subestação instalada ao tempo.

3.2.1. Subestação em Alvenaria

São as subestações onde os equipamentos são instalados em dependências abrigadas. É o tipo de subestação mais comum no ambiente industrial. Apresenta um custo reduzido além de ser de fácil montagem e manutenção. No entanto, uma área relativamente grande é demandada para a instalação. Sua aplicação é mais notável em instalações industriais que disponham de espaço próximo aos centros de carga. Podem ser classificadas em compartimentos de acordo a função desempenhada:

medição, proteção e transformação.

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3.2.1.1. Posto de Medição

É aquele destinado à localização dos equipamentos auxiliares de medição, tais como os

transformadores de corrente e potencial. Normalmente, são postos de exclusividade da concessionária, sendo todos os seus acessos lacrados de modo a não permitir a entrada de pessoas que não sejam autorizados pela concessionária.

A construção do posto de medição é obrigatória, para a maioria das concessionárias, nos

seguintes casos:

Quando a potência de transformação for superior a 500 kVA;

Quando existir mais de um transformador na subestação;

Quando a tensão secundária do transformador for diferente da tensão padronizada pela concessionária.

Quando a potência de transformação for menor ou igual a 500 kVA a medição deverá ser feita em tensão secundária, sendo dispensada a construção do posto de medição. Acima de

500 kVA de potência de transformação, a medição deverá ser feita em tensão primária, em um

posto de medição específico, quando determinado pela concessionária. Na maioria das concessionárias, os transformadores de corrente e de tensão (TC e TP) de medição são fornecidos e instalados pela concessionária, cabendo ao consumidor apenas a montagem e disponibilização do cavalete ou estrutura de sustentação destes equipamentos, de acordo com as normas da respectiva concessionária.

3.2.1.2. Posto de Proteção

É aquele destinado à instalação de chaves seccionadoras, fusíveis e/ou disjuntores

responsáveis pela proteção geral e seccionamento da instalação.

De acordo com a NBR 14039/05, em subestações de potência de transformação de até

300 kVA, a proteção poderá ser realizada por disjuntor acionado por um relé de sobrecorrente

(50/51 e 50N/51N) ou através de chaves seccionadoras e fusíveis limitadores de corrente, sendo que neste caso obrigatoriamente a proteção na baixa tensão deverá ser feita por disjuntor. Acima desta potência de transformação, a proteção em média tensão deverá ser realizada pelo menos por disjuntor acionado por um relé de sobrecorrente (50/51 e 50N/51N).

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3.2.1.3. Posto de Transformação

É aquele destinado à instalação de transformadores de força. Os principais tipos de

transformadores são classificados de acordo com o tipo de isolamento: à óleo ou a seco. Os transformadores a seco não requerem instalações auxiliares, já os de isolamento à óleo requerem algumas precauções, segunda a NBR 14039/05:

Construção de barreiras incombustíveis entre os transformadores e demais aparelhos;

Construção de dispositivos adequados para drenar ou conter o líquido

proveniente de um eventual rompimento do tanque. Essas precauções têm o objetivo de conter o óleo num possível vazamento do tanque do transformador. As principais partes componentes de um sistema coletor de óleo com barreiras corta-chamas são:

Recipiente de coleta de óleo;

Sistemas corta-chamas;

Tanque acumulador.

O recipiente de coleta de óleo pode ser construído com uma área plana igual à seção

transversal do transformador, incluindo os radiadores. Também pode ser construído com área plana de dimensões reduzidas, prevendo-se, no entanto, um declive mínimo no piso de 10%

no sentido do recipiente, a fim de coletar o óleo que por ventura vaze.

O sistema corta-chama funciona como barreira de proteção impedindo que a chama, no

caso de incêndio, atinja o tanque acumulador. Deve ser construído de material incombustível

e resistente a temperaturas elevadas. Os dutos de escoamento devem ter diâmetros de 75 mm.

O tanque acumulador deve ter capacidade de armazenar todo o volume de óleo contido

no transformador. Para transformadores de potência nominal superior a 1.500 kVA e inferior

a 3.000 kVA, a capacidade útil mínima do tanque acumulador é de 2m³. Nos casos onde houver mais de um transformador, pode-se construir apenas um tanque acumulador com capacidade útil mínima igual a capacidade do maior transformador da instalação.

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32 Figura 3.2 - Subestação abrigada em alvenaria – cubículos de medição, proteção e transformação 3.2.2.

Figura 3.2 - Subestação abrigada em alvenaria – cubículos de medição, proteção e transformação

3.2.2. Subestação Blindada em Cubículo Metálico

Tipo e tecnologia escolhida por consumidores que não dispõem de espaço para alocação

de uma subestação em alvenaria. Neste caso, os custos são maiores em relação à subestação

em alvenaria devido aos equipamentos serem compactos e construídos com materiais de

maiores resistências e capacidade de isolação elétrica. Em termos de funcionalidades, nada

muda de um tipo para outro, porém, a manutenção e a montagem são mais complexas.

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33 Figura 3.3 – Subestação blindada em cubículo metálico (Beghim, 2009) 3.2.3. Subestação Instalada ao Tempo

Figura 3.3 – Subestação blindada em cubículo metálico (Beghim, 2009)

3.2.3. Subestação Instalada ao Tempo

As subestações instaladas ao tempo são aquelas em que os equipamentos são instalados ao tempo e os aparelhos abrigados. Podem ser classificadas segundo a montagem dos equipamentos:

Subestação aérea em plano elevado;

Subestação de instalação no nível do solo.

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3.2.3.1. Subestação aérea em plano elevado

São assim consideradas as subestações cujo transformador está fixado em torre ou plataforma, geralmente são fabricadas em concreto armado, aço ou madeira. Observa-se que postes de concreto são muito utilizados neste tipo de subestação. Todas as partes vivas não protegidas devem estar situadas, no mínimo, a 5 metros do piso. Quando não for possível observar a altura mínima de 5m para as partes vivas, pode ser tolerado o limite de 3,5 metros, desde que o local seja provido de um sistema de proteção de tela metálica ou equivalente, devidamente ligado à terra. Essa exceção deve atender as seguintes características:

Afastamento mínimo de 30 cm das partes vivas;

Malha de tela com 50 mm de abertura, no máximo;

Fios de aço zincado ou material equivalente de 3 mm de diâmetro, no mínimo.

Os equipamentos podem ser instalados da seguinte forma:

Em postes ou torres de aço, concreto ou madeira adequada;

Em plataformas elevadas sobre estrutura do concreto, aço ou madeira adequada;

Em áreas sobre cobertura de edifícios, inacessíveis a pessoas não qualificadas

ou providas do necessário sistema de proteção externa. Em nenhum equipamento, neste caso, não deve ser empregado líquido isolante inflamável. As concessionárias, CELG D, por exemplo, determinam um limite de potência do transformador instalado em um único poste em 225 kVA. Acima de 225 kVA, podendo chegar até 500 kVA dependendo da concessionária, a instalação deverá ser feita em dois postes numa estrutura conhecida como estrutura “H”, onde o transformador é instalado em uma base aérea fixada nos postes. As figuras que seguem (3.4 e 3.5) estão conforme a NTD-05 revisão 01 da CELG D.

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35 Figura 3.4 - Subestação ao tempo de 112,5 kVA instalada em poste Figura 3.5 -

Figura 3.4 - Subestação ao tempo de 112,5 kVA instalada em poste

3.4 - Subestação ao tempo de 112,5 kVA instalada em poste Figura 3.5 - Subestação ao

Figura 3.5 - Subestação ao tempo de 300 kVA instalada em postes em estrutura H

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3.2.3.2. Subestação Instalada ao nível do solo

É o tipo de subestação em que os equipamentos, tais como disjuntores e transformadores, são instalados em bases de concreto construídas ao nível do solo e os demais equipamentos, tais como pára-raios, chaves fusíveis e seccionadoras, são montadas em estruturas aéreas. Esse tipo de subestação não costuma ser montada em áreas urbanas por causa do elevado custo do terreno e dos equipamentos, em virtude de serem apropriados para instalação ao tempo. Pode-se tornar mais econômica em instalações em locais rurais por ser um terreno mais barato. Para níveis de média tensão têm-se uma pequena utilização desse tipo de subestação. Muito utilizada, porém, para níveis de tensão maior ou igual a 69 kV.

3.2.4. Localização da Subestação x Tipo de Transformador

A norma brasileira NBR 14039/2005 sugere a localização do transformador de acordo

com o seu tipo de isolamento: à óleo mineral ou a seco. Isso por causa do fator segurança dos

operadores desta subestação e dos operários adjacentes.

O tipo de isolamento do transformador é importante nesta determinação quando se

prevê uma possível “falha” no sistema elétrico local ou adjacente que possa provocar uma perturbação no transformador capaz de danificá-lo. Quando se trata de um transformador à óleo, uma explosão pode provocar uma grande “bolha” de fogo e causar sérios danos às instalações próximas além de incêndios e por em risco a vida de pessoas que estejam próximas ao local. No caso dos transformadores a seco isso não acontece. O comportamento deste tipo de transformador devido a grande perturbação é de quebra ou rompimento do seu corpo gerando falhas no seu funcionamento.

A norma NBR 14039/05 determina que quando uma subestação de transformação fizer

parte integrante da edificação, somente é permitido o emprego de transformadores de líquidos isolantes não inflamáveis ou transformadores a seco. No caso da edificação para uso industrial, local onde a norma subentende que há pessoal de manutenção trabalhando, pode-se concluir que a subestação não é parte integrante da

edificação, para efeito da aplicação de transformadores, nas seguintes situações:

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Quando a subestação está fora da edificação, mesmo que esteja no interior da propriedade, conforme figura 3.6 item 1;

Quando a subestação está no interior da edificação, mas as portas abrem para fora da edificação, e a subestação é separada do interior da edificação por paredes de alvenaria, não havendo nenhuma abertura para dentro, por exemplo, para ventilação, conforme figura 3.6 item 2;

Quando a subestação está no interior da edificação, e as portas abrem para dentro da edificação, e se são portas corta-fogo e a subestação é separada do interior da edificação por paredes de alvenaria, não havendo outra abertura para dentro, por exemplo, para ventilação, conforme figura 3.6 item 3;

Quando a subestação está totalmente no interior da edificação, e as portas abrem para dentro da edificação, e a subestação é separada do interior da edificação por paredes de alvenaria, mas não há nenhuma abertura para dentro, por exemplo, para ventilação, conforme figura 3.6 item 4;

por exemplo, para ventilação, conforme figura 3.6 item 4; Figura 3.6 - Localização da subestação em

Figura 3.6 - Localização da subestação em relação à edificação (MAMEDE, 2007)

No caso da edificação para uso residencial ou comercial, local onde a norma subentende que não há pessoal de manutenção trabalhando, pode-se concluir que a subestação não é parte integrante da edificação, para efeito da aplicação de transformadores, somente quando a

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mesma está fora da edificação, mesmo que esteja no interior da propriedade, conforme figura 3.6 item 1. Em todas as outras situações, onde a subestação está no interior da edificação, a subestação é parte integrante da edificação.

39

CAPÍTULO

4

4. Principais Equipamentos de Subestações

Nas subestações normalmente existem dispositivos que possuem a função de medição da energia consumida para faturamento ou controle interno, de proteção e seccionamento das instalações e coordenação com o sistema elétrico e de transformação do nível de tensão de fornecimento para os níveis desejáveis. Para isto, cada função é feita por um equipamento específico dimensionado para o seu correto uso. Como exemplos, podem ser citadas as chaves seccionadoras, disjuntores, pára-raios, transformadores de corrente, de potencial e de potência, fusíveis que serão apresentados neste capítulo.

4.1. Chaves Seccionadoras

Elemento de seccionamento que pode ter função de proteção de sobrecorrentes. A chave fusível com isolador de corpo único, também conhecida como chave seccionadora de distribuição com base tipo C, é empregada normalmente em sistemas de distribuição para corrente nominal não superior a 200A. Sua função de proteção é feita pelo elemento elo fusível instalado na parte móvel do equipamento, assunto que será melhor apresentado no item 4.2.

assunto que será melhor apresentado no item 4.2. Figura 4.1 - Chave fusível MT para distribuição

Figura 4.1 - Chave fusível MT para distribuição – instalação externa (Balestro, 2009)

40

A chave seccionadora com isolador tipo pedestal é empregada nas chaves fusíveis e são apoiados numa base metálica que também tem a função de fixar a chave em estrutura da rede de distribuição ou na subestação. São normalmente empregadas na proteção de subestação de força de até 69 kV. Estas chaves fusíveis são equipamentos adequados para aberturas do circuito sem carga. No caso da proteção de transformadores individuais é permitida a abertura dos seus terminais primários circulando apenas a corrente de magnetização. Mesmo assim, verifica-se a existência de arco elétrico durante a operação da chave cuja magnitude depende da velocidade da manobra que o operador imprime na vara de manobra.

da manobra que o operador imprime na vara de manobra. Figura 4.2 - Chave seccionadora com

Figura 4.2 - Chave seccionadora com abertura sem carga (Beghim, 2009)

Existem chaves fusíveis que permitem a abertura do circuito circulando corrente no valor da corrente nominal da chave, sem necessidade de ferramentas especiais. Na operação em carga, a chave fusível dotada de câmara de extinção, a corrente é desviada do contato superior da chave para o contato auxiliar que está instalado dentro da câmara por meio de um braço de aço inoxidável. Na abertura desse contato o arco formado ficará no interior da câmara onde será gerado um gás deionizante. O gás expelido, o alongamento do arco e a velocidade de abertura do braço de aço inoxidável proporcionarão a interrupção do arco. Esse tipo de chave tem um custo mais elevado em relação às chaves sem abertura sob carga.

41

41 Figura 4.3 - Chave seccionadora com abertura sob carga sem base fusível (Beghim, 2009) O

Figura 4.3 - Chave seccionadora com abertura sob carga sem base fusível (Beghim, 2009)

O cartucho ou porta-fusível é a parte principal e ativa da chave fusível. É o componente

da chave que aloja o elo fusível, responsável pelas características de proteção da chave, e ainda é a parte móvel da chave, elemento que quando esta é manobrada, se move para desconectar as pontas. Apresenta uma função secundária, porém de grande importância, pois, após a operação da chave, o cartucho fica suspenso na extremidade inferior desta, servindo como elemento indicador de atuação da chave fusível, permitindo às equipes de manutenção fácil identificação do local onde ocorreu a interrupção do sistema.

do local onde ocorreu a interrupção do sistema. Figura 4.4 - Chave seccionadora com abertura sob

Figura 4.4 - Chave seccionadora com abertura sob carga com base fusível (Beghim, 2009)

4.2. Fusíveis Limitadores Primários

O fusível é um dispositivo de proteção que opera pela fusão do seu elemento interno (elo

fusível) na passagem de corrente. Trata-se de um dispositivo de proteção simples e de baixo

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custo se comparado com os outros dispositivos de proteção. Podem ser usados tanto na média

tensão quanto na baixa tensão. O seu baixo custo, sua eficiência em limitação de corrente e sua alta capacidade de interrupção justifica sua utilização.

A característica fundamental do fusível é que ele usa um elemento metálico que será

fundido para obter a interrupção da corrente e possui uma curva de tempo-corrente fixa não

ajustável. É importante observar que o gráfico de tempo-corrente do fusível é formado de duas curvas:

Curva de tempo mínimo de fusão;

Curva de tempo máximo de interrupção.

Na escolha do fusível, deve ser levada em conta a energização e partida de equipamentos a serem protegidos, tais como transformadores e motores. Isso significa que o elo fusível não deve romper neste tipo de operação.

4.2.1.1. Fusíveis de Média Tensão

Os fusíveis de média tensão do tipo limitadores de corrente são destinados ao uso interno ou externo em sistemas de corrente alternada de 60 Hz para tensões acima de 1,0 kV. São largamente usados na proteção de transformadores, motores, alimentadores e banco de capacitores. Quando uma corrente de falta de alta intensidade atravessa o fusível, sua fusão ocorre antes que a corrente de falta atinja seu valor máximo.

A característica de limitação ocorre quando o tempo de interrupção do fusível, que é

igual a soma do tempo de fusão (ts) e o tempo de extinção do arco (tL), for menor que o

tempo da corrente presumida atingir o seu valor máximo, normalmente em um quarto (¼) de ciclo. Estes fusíveis não são fabricados para proteção de sobrecarga e sim para proteção de curto-circuito.

O fusível de MT mais comumente usado em instalações industriais é o tipo HH. Deve

ser escolhido com corrente de carga máxima do circuito.

43

43 Figura 4.5 - Fusível de MT limitador de corrente HH (Dreyffus, 2009) Figura 4.6 -

Figura 4.5 - Fusível de MT limitador de corrente HH (Dreyffus, 2009)

- Fusível de MT limitador de corrente HH (Dreyffus, 2009) Figura 4.6 - Curva tempo-corrente fusível

Figura 4.6 - Curva tempo-corrente fusível HH de Média Tensão (Dreyffus, 2009)

44

4.2.1.2. Elo Fusível de Distribuição

Os elos fusíveis são utilizados em chaves fusíveis nos sistemas de distribuição primária das concessionárias. São normatizados pela norma NBR 5359 onde são classificados nos tipos: H, K e T:

Tipo K: é largamente utilizado na proteção de redes aéreas de distribuição urbanas e rurais. São considerados elos fusíveis de atuação rápida;

Tipo T: é considerado fusível de atuação lenta. Sua aplicação é na proteção de ramais primários de redes aéreas de distribuição;

Tipo H: é utilizado na proteção de transformador de distribuição e fabricado

para correntes de até 5A. São considerados elos fusíveis de alto surto, isto é, apresentam um tempo de atuação lento para altas correntes. Esta relação de rapidez mencionada na classificação dos tipos de elos fusíveis é definida como a relação entre o valor da corrente mínima de fusão a 0,1 segundo e a corrente mínima de fusão a 300 segundos para elos fusíveis de corrente nominal de até 100 A ou 600 segundos para elos fusíveis de corrente nominal acima de 100 A. A NBR 5359 estabelece que os elos fusíveis devem estar de acordo com os valores apresentados nas tabelas abaixo. Tabela 4.1 - Corrente de fusão para os elos fusíveis tipo K (NBR 5359)

   

Corrente de Fusão (A)

 

Relação

Corrente Nominal (A)

300 ou 600 seg (*)

10 seg

0,1 seg

de

Mín.

Máx.

Mín.

Máx.

Mín.

Máx.

Ra idez

 

6

12,0

14,4

13,5

16,2

72

86,4

6,0

10

19,5

23,4

22,5

27,0

128

153,6

6,6

15

31,0

37,2

37,0

44,4

215

258,0

6,9

25

50,0

60,0

60,0

72,0

350

420,0

7,0

Preferências

40

80,0

96,0

98,0

117,6

565

678,0

7,1

65

128,0

153,6

159,0

190,8

918

1.101.5

7,2

100

200,0

240,0

258,0

309,6

1.520

1.824,0

7,6

140

310,0

372,0

430,0

516,0

2.470

2.964,0

8,0

200

480,0

576,0

760,0

912,0

3.880

4.656,0

8,1

 

8

15,0

18,0

18,0

21,6

97

116,4

6,5

12

25,0

30,0

29,5

35,4

166

199,2

6,0

Não Preferenciais

20

39,0

47,0

48,0

57,6

273

327,6

7,0

30

63,0

76,0

77,5

93,0

447

536,4

7,1

50

101,0

121,0

126,0

151,2

719

867,8

7,1

80

160,0

192,0

205,0

246,0

1.180

1.416,0

7,4

(*) 300 segundos para elos fusíveis até 100 A, 600 segundos para elos fusíveis de 140 e 200 A.

45

Tabela 4.2 - Corrente de fusão para os elos fusíveis tipo T (NBR 5359)

   

Corrente de Fusão (A)

 

Relação

Corrente Nominal (A)

300 ou 600 seg (*)

10

seg

0,1 seg

de

Mín.

Máx.

Mín.

Máx.

Mín.

Máx.

Ra idez

 

6

12,0

14,4

15,3

18,4

120

144,0

10,0

10

19,5

23,4

26,5

31,8

224

268,8

11,5

15

31,0

37,2

44,5

53,4

388

465,6

12,5

25

50,0

60,0

73,5

88,2

635

762,0

12,7

Preferências

40

80,0

96,0

120,0

144,0

1.040

1.248,0

13,0

65

128,0

153,6

195,0

234,0

1.650

1.980,0

12,9

100

200,0

240,0

319,0

382,8

2.620

3.144,0

13,1

140

310,0

372,0

520,0

624,0

4.000

4.800,0

12,9

200

480,0

576,0

850,0

1.020,0

6.250

7.500,0

13,0

 

8

15,0

18,0

20,5

24,6

166

199,2

11,1

12

25,0

30,0

34,5

41,4

296

355,2

11,8

Não Preferenciais

20

39,0

47,0

57,0

68,4

496

395,2

12,7

30

63,0

76,0

93,0

111,6

812

974,4

12,9

50

101,0

121,0

152,0

182,4

1.310

1.572,0

13,0

80

160,0

192,0

248,0

297,6

2.080

2.496,0

13,0

(*) 300 segundos para elos fusíveis até 100 A, 600 segundos para elos fusíveis de 140 e 200 A.

Tabela 4.3 - Corrente de fusão para os elos fusíveis tipo H (NBR 5359)

Corrente

 

Corrente de Fusão (A)

 

Nominal (A)

300 seg

10

seg

0,1 seg

Mínimo

Máximo

Mínimo

Máximo

Mínimo

Máximo

1

2,5

3,3

6,8

8,6

53

80

2

3,5

4,3

9,2

12,0

89

130

3

4,7

5,9

11,3

14,5

89

130

5

7,4

9,2

15,3

18,5

89

130

Quando o elo fusível é usado na proteção de um alimentador, sua corrente nominal (IE) deverá ser maior ou igual a corrente de carga máxima (IC) do alimentador, considerando uma eventual previsão de aumento de carga. Por outro lado, corrente nominal do elo (IE) deverá ser menor ou igual que um quarto da mínima corrente de curto-circuito (ICC_mín) no trecho a ser protegido, conforme expressão 4.1:

I ≤ I

I _ Í

(4.1)

A corrente do elo fusível não deve exceder a corrente da chave fusível que geralmente encontra-se em série com o fusível.

46

46 Figura 4.7 - Elos fusíveis modelos H, K, T, EF e olhal (Delmar, 2009) 4.3.

Figura 4.7 - Elos fusíveis modelos H, K, T, EF e olhal (Delmar, 2009)

4.3. Disjuntor de Média Tensão

Os disjuntores são equipamentos destinados ao chaveamento e a interrupção de corrente elétricas de uma instalação. Estes equipamentos necessitam de um acionador para operarem, que pode ser um relé ou botões de controle instalados no painél de proteção. O relé é o elemento que processa as informações obtidas através de sensores de corrente ou tensão (TC e TP) e as analisam determinando assim se deve ou não interromper o circuito. Por ter a capacidade de interromper o circuito sob carga ou em falta (defeito), o disjuntor tem como sua principal função a interrupção das correntes de falta de um circuito durante o menor tempo possível, determinado pelo seu respectivo relé. Neste tipo de manobra um fenômeno físico muito prejudicial aos equipamentos surge e precisa ser eliminado: o arco elétrico.

4.3.1. Arco Elétrico

O arco elétrico é um fenômeno que ocorre quando se separam dois terminais de um circuito que conduz determinada corrente de carga, de sobrecarga ou defeito. Pode ser definido também como um canal condutor formado num meio fortemente ionizado, provocando um intenso brilho e elevando, consideravelmente, a temperatura natura do meio em que se desenvolve (MAMEDE, 2007).

47

No instante inicial do movimento do contato móvel, a pressão entre os contatos diminui, aumentando-se, consequentemente, a resistência elétrica entre eles e conduzindo a corrente a circular apenas por algumas saliências existentes nas superfícies dos contatos. Isso acarreta grandes perdas ôhmicas, elevando consideravelmente a temperatura das superfícies condutoras. Imediatamente após a separação dos contatos, a corrente continua passando através do meio fortemente ionizado. Ao se proceder o afastamento total dos contatos, observa-se a formação do arco que precisa ser extinto o mais rapidamente possível, para a evitar a fusão dos contatos. O arco pode atingir cerca de 4.000K (3.726ºC) na sua periferia, podendo chegar aproximadamente a 15.000K (14.726ºC) no seu núcleo. Os valores dessas temperaturas podem variar em função do meio extintor (SILVA, 2009). No chaveamento sob carga, ou seja, sob passagem de uma corrente elétrica de carga, o aparecimento do arco elétrico é inevitável, o qual precisa ser prontamente eliminado. O arco formado desta forma torna-se o meio de continuidade do circuito mencionado até que a corrente atinja seu ponto zero durante o ciclo senoidal. Como princípio básico para a extinção de um arco elétrico qualquer, é necessário que se provoque o seu alongamento por meios artificiais, reduza a sua temperatura e substitua o meio ionizado entre os contatos por um meio isolante eficiente que pode ser o ar, óleo ou gás, o que permite, assim, classificar o tipo de meio extintor, consequentemente, as características construtivas do disjuntor (MAMEDE, 2007). Interrupção no ar sob condição de pressão atmosférica é característica de seccionadores tripolares que operam em carga e de disjuntores de baixa tensão. Utilizam processos de interrupção como alongamento e resfriamento do arco, alta velocidade de manobra e fracionamento do arco. Interrupção no óleo consiste no processo do interruptor no interior de um recipiente que contém óleo mineral. Na separação dos contatos, há a formação de um arco entre eles. Como o arco elétrico apresenta uma temperatura elevada, as primeiras camadas de óleo que tocam o arco são decompostas e gaseificadas, resultando na liberação de certa quantidade de gases, compostos na sua maioria por hidrogênio, associado a uma porcentagem de acetileno e metano. Os gases deslocam-se para a superfície do óleo e, nesta trajetória, levam consigo o próprio arco, que se alonga e resfria ainda nas imediações dos contatos, extinguindo-se, em geral, logo na sua primeira passagem da corrente pelo zero natural.

48

Interrupção no gás hexafluoreto de enxofre (SF6) consiste na abertura do interruptor no interior do recipiente contendo este gás. O princípio básico de interrupção em SF6 se fundamenta em sua capacidade de levar rapidamente a zero a condutibilidade elétrica do arco, absorvendo os elétrons livres na região do mesmo, e de restabelecer com extrema velocidade a sua rigidez dielétrica após cessados os fenômenos que motivaram a formação do arco. Interrupção no vácuo consiste na abertura dos contatos no interior de uma ampola onde se fez um elemento nível de vácuo. Mediante a separação dos contatos, surge um arco entre eles de grande intensidade, acompanhado de certa quantidade de vapor metálico resultante de uma pequena decomposição dos contatos formando um plasma. Após a extinção do arco, é restabelecida a rigidez dielétrica entre os contatos do disjuntor. A intensidade com que se forma o vapor metálico durante a disrupção do arco é diretamente proporcional à intensidade da corrente que é interrompida. O arco não sofre nenhum processo de resfriamento durante a sua extinção, o que diferencia substancialmente esse tipo de disjuntor de muitos outros (MAMEDE, 2007). A forma com que o disjuntor elimina o arco elétrico é quem o qualifica e diferencia em três tipos:

Disjuntores a pequeno volume de óleo (PVO);

Disjuntores a vácuo;

Disjuntores a SF6.

4.3.2. Disjuntores a Pequeno Volume de Óleo

Disjuntores a pequeno volume de óleo (PVO) têm os contatos instalados no interior de câmaras de extinção, individualmente separadas e montadas juntamente com a caixa do mecanismo de comando numa estrutura de cantoneiras de ferro. Os pólos que contêm a câmara de extinção, os contatos fixos e móveis de abertura/fechamento e o líquido de extinção do arco são os principais elementos do disjuntor. O óleo utilizado nos disjuntores pode ser o parafínico ou naftênico. São disjuntores muito utilizados no mercado atual, sendo recomendados para instalações onde a frequência de chaveamento não seja intensa, sendo reservada somente às paralisações temporárias para manutenção, por exemplo, e em atuações de proteção contra falhas (MAMEDE, 2007).

49

49 Figura 4.8 - Disjuntor de MT com extinção a PVO (Beghim, 2009) 4.3.3. Disjuntores a

Figura 4.8 - Disjuntor de MT com extinção a PVO (Beghim, 2009)

4.3.3. Disjuntores a Vácuo

Disjuntores a vácuo são os que utilizam a câmara de vácuo como elemento de extinção do arco. São especialmente utilizados em instalações onde a frequência de manobra é relativamente intensa e também nas situações onde é aconselhável o uso de disjuntores a óleo. Para exemplificar, o seu uso é bastante acentuado no circuito de transformadores de fornos a arco em virtude da grande frequência de manobras, que pode chegar a 300 operações mensais.

de manobras, que pode chegar a 300 operações mensais. Figura 4.9 - Disjuntor de MT com

Figura 4.9 - Disjuntor de MT com extinção a vácuo com manobra lateral (Beghim, 2009)

50

50 Figura 4.10 - Disjuntor de MT com extinção a vácuo com manobra frontal (Beghim, 2009)

Figura 4.10 - Disjuntor de MT com extinção a vácuo com manobra frontal (Beghim, 2009)

4.4. Pára-Raios a Resistor Não-Linear

As linhas de transmissão e redes aéreas de distribuição urbanas e rurais são vulneráveis às descargas atmosféricas que, em determinadas condições, podem provocar sobretensões elevadas no sistema (sobretensões de origem externa), ocasionando a queima de equipamentos, tanto os da companhia concessionária de energia elétrica como os do consumidor. Para que se protejam os sistemas elétricos dos surtos de tensão, que também podem ter origem durante manobras de chaves seccionadoras e disjuntores (sobretensões de origem interna) são instalados equipamentos apropriados que reduzem o nível de sobretensão a valores compatíveis com a suportabilidade desses sistemas. Esses equipamentos protetores contra sobretensões são denominados pára-raios. Os pára-raios são utilizados para proteger os diversos equipamentos que compõem uma subestação de potência ou simplesmente um único transformador de distribuição instalado em poste. Os pára-raios limitam as sobretensões a um valor máximo. Este valor é tomado como o nível de proteção que o pára-raios oferece ao sistema. A proteção dos equipamentos elétricos contra as descargas atmosféricas é obtida através de pára-raios que utilizam as propriedades na não-linearidade dos elementos de que são fabricados para conduzir as correntes de descarga associadas às tensões induzidas nas redes e

51

em seguida interrompem as correntes subsequentes, isto é, aquelas que sucedem às correntes de descarga após a sua condução à terra. Atualmente existem dois elementos de características não-lineares capazes de desempenhar as funções anteriormente mencionadas a partir dos quais são constituídos os pára-raios: carbonato de silício e óxido de zinco.

Os pára-raios de carboneto de silício são aqueles que utilizam como resistor não-linear o carboneto de silício (SiC) e têm em série com este um centelhador formado por vários espaços vazios (gaps).

O carboneto de silício é um material capaz de conduzir alta corrente de descarga com

baixas tensões residuais, no entanto oferece uma alta impedância à corrente subsequente fornecida pelo sistema. Esse tipo de pára-raios só pode funcionar com a presença do centelhador série, devido a sua característica tensão x corrente.

O referido pára-raio possui corpo de porcelana vitrificada de alta resistência mecânica e

dielétrica, dentro do qual estão alojados os principais elementos ativos do pára-raios. Seu centelhador série é constituído de um ou mais espaçadores entre eletrodos, dispostos

em série com os resistores não-lineares, e cuja finalidade é assegurar, sob quaisquer condições, uma característica de disrupção regular com uma rápida extinção da corrente subsequente, fornecida pelo sistema.

O desligador automático é constituído de um elemento resistivo em série com uma

cápsula explosiva protegida por um corpo de baquilete. Sua principal utilidade é desligar o pára-raios defeituoso da rede através da sua auto-explosão. Adicionalmente, serve como indicador visual de defeito do próprio pára-raios. Os pára-raios de óxido de zinco são aqueles que utilizam o óxido de zinco (ZnO) e, ao contrário dos pára-raios de silício, não possuem centelhadores série. Assim como o SiC, o óxido de zinco apresenta uma elevada capacidade de condução de corrente de surto que resulta em baixas tensões durante a passagem da corrente de descarga, ao mesmo tempo que impede a passagem da corrente subsequente, fornecida pelo sistema. São construídos com corpo de porcelana ou polimérico. Este último é o que vem sendo mais utilizado por apresentar algumas vantagens, como, por exemplo, a sua aplicação em áreas de elevada poluição e em casos de falha por excesso de energia, os blocos de ZnO de porcelana entram em decomposição liberando gases que elevam a pressão interna até o

52

rompimento do corpo, expelindo fragmentos, ao contrário do polimérico cujo risco de liberação de fragmentos para o ambiente é remota (MAMEDE, 2007). Os pára-raios de óxido de zinco apresentam uma série de vantagens que justificam a sua maior utilização em instalações elétricas. Entre estas vantagens, as principais são:

Não existência de corrente subsequente nos pára-raios a óxido de zinco;

Apresentam maior capacidade de absorção de energia;

São dotados de um nível de proteção melhor definido, o que resulta da margem de segurança do isolamento dos equipamentos;

Por não possuírem centelhadores, a curva de atuação dos pára-raios de ZnO não apresentam transitórios.

dos pára-raios de ZnO não apresentam transitórios. Figura 4.12 - Pára-Raios de distribuição de MT (Balestro,

Figura 4.12 - Pára-Raios de distribuição de MT (Balestro, 2009)

4.5. Transformador de Corrente

Os transformadores de corrente (TC) são equipamentos que permitem aos instrumentos de medição e proteção funcionarem adequadamente sem que seja necessário possuírem correntes nominais de acordo com a corrente de carga do circuito ao qual estão ligados. Eles convertem eletromagneticamente correntes elevadas que circulam no seu primário em pequenas correntes secundárias, obedecendo a sua relação de transformação de corrente (RTC). Os transformadores de corrente devem ser especificados de acordo com a carga que será ligada no seu secundário.

53

53 Figura 4.13 - Transformador de corrente MT (Seedel, 2009) 4.6. Transformador de Potencial Os transformadores

Figura 4.13 - Transformador de corrente MT (Seedel, 2009)

4.6. Transformador de Potencial

Os transformadores de potencial (TP) são equipamentos que permitem aos instrumentos de medição e proteção funcionarem adequadamente sem que seja necessário possuírem tensão de isolamento de acordo com a rede à qual estão ligados. São empregados indistintamente nos sistemas de proteção e medição de energia elétrica. Em geral, são instalados junto aos transformadores de corrente.

geral, são instalados junto aos transformadores de corrente. Figura 4.14 - Transformador de potencial MT (Seedel,

Figura 4.14 - Transformador de potencial MT (Seedel, 2009)

54

4.7. Transformador de Potência

Transformador é um equipamento de operação que por meio de indução eletromagnética transfere energia de um circuito primário, para um ou mais circuitos denominados, respectivamente, secundário e terciário, sendo, no entanto, mantida a mesma frequência, porém com tensões e correntes diferentes. Na sua concepção mais simples, um transformador é constituído de duas modalidades de enrolamentos: o enrolamento primário, que recebe a energia do sistema supridor, e o enrolamento secundário, que transfere esta energia para o sistema de distribuição, descontando as perdas internas referentes a esta transformação. Os transformadores são construídos com as mais diversas características que dependem do tipo de carga que se quer alimentar ou mesmo do ambiente onde se pretende instalá-los. Os transformadores trifásicos, objeto deste estudo, podem ter seus enrolamentos ligados de três diferentes maneiras, dependendo da conveniência do sistema em que serão aplicados.

4.7.1. Ligação Triângulo

É aquela em que os terminais das bobinas são ligados entre si (um fim de uma bobina ao início da outra) seguindo uma determinada lógica, permitindo a alimentação em cada ponto de ligação. A tensão aplicada entre dois quaisquer destes pontos é chamada de tensão de linha, e a corrente que entra em quaisquer desses pontos é chamada similarmente de corrente de linha. A corrente que circula em quaisquer das bobinas é denominada corrente de fase. Nesse tipo de ligação tem-se:

=

(4.2)

= √3 ×

(4.3)

Onde V é a tensão de linha, I é a corrente de linha, V é a tensão de fase e I é a corrente de fase.

55

55 Figura 4.15 – Esquema de ligação das bobinas em triângulo 4.7.2. Ligação Estrela É aquela

Figura 4.15 – Esquema de ligação das bobinas em triângulo

4.7.2. Ligação Estrela

É aquela em que os terminais das bobinas são ligados a um ponto comum, podendo resultar esta ligação em três ou quatro fios. A tensão aplicada entre dois quaisquer dos fios é chamada de tensão de linha, e a corrente que circula em quaisquer destes fios é chamada de corrente de linha. Já a tensão medida entre o ponto comum e quaisquer dos fios é denominada tensão de fase. Nesse tipo de ligação tem-se:

= √3 ×

(4.4)

=

(4.5)

Onde:

é a tensão de linha; é a corrente de linha; é a tensão de fase;

é a corrente de fase.

A ligação estrela é comumente utilizada no secundário dos transformadores de força e distribuição, podendo, também, ser utilizada no primário.

56

56 Figura 4.16 – Esquema de ligação das bobinas em estrela Os transformadores são classificados quanto

Figura 4.16 – Esquema de ligação das bobinas em estrela

Os transformadores são classificados quanto ao meio isolante em dois grandes grupos:

Transformadores em líquido isolante e transformadores a seco.

4.7.3. Transformadores em Líquido Isolante

São utilizados em sistemas de distribuição e força e em plantas industriais comuns. Existem três tipos de líquidos que são usados em transformadores: óleo mineral, silicone e ascarel. A utilização do ascarel está proibida em território nacional por lei.

57

57 Figura 4.17 - Transformador de potência com óleo isolante (Comtrafo, 2009) 4.7.4. Transformadores a Seco

Figura 4.17 - Transformador de potência com óleo isolante (Comtrafo, 2009)

4.7.4. Transformadores a Seco

São de emprego mais específico por tratar-se de um equipamento de custo mais elevado, comparativamente aos transformadores em líquido isolante. São empregados mais especificamente em instalações onde os perigos de incêndio são iminentes, tais como refinarias de petróleo, indústrias petroquímicas, grandes centros comerciais, em que a norma da concessionária local proíbe o uso de transformadores à óleo mineral, além de outras instalações que requeiram um nível de segurança elevado contra explosões de inflamáveis.

58

58 Figura 4.18 - Transformador de potência com isolante a seco (Comtrafo, 2009) 4.7.5. Aspectos Relevantes

Figura 4.18 - Transformador de potência com isolante a seco (Comtrafo, 2009)

4.7.5.

Aspectos Relevantes dos Transformadores

4.7.5.1.

Impedância Percentual

A impedância percentual representa numericamente a impedância do transformador em porcentagem da tensão de ensaio de curto-circuito, em relação à tensão nominal. É medida provocando-se um curto-circuito nos terminais secundários e aplicando-se uma tensão nos terminais primários que faça circular nesse enrolamento a corrente nominal.

=

× 100 (%)

(4.6)

59

Onde:

é a tensão nominal de curto-circuito aplicada aos terminais do enrolamento

primário;

é a tensão nominal primária do transformador;

é a impedância percentual ou tensão nominal de curto-circuito, em % da tensão

nominal do transformador.

Quando se diz que um transformador trifásico de 300 kVA – 13,8 kV tem uma

impedância percentual de 4,5%, quer-se dizer que, provocando-se um curto-circuito nos seus

terminais secundários e aplicando nos terminais primários uma tensão de 621 V, faz-se

circular nos enrolamentos primários e secundários as respectivas correntes nominais que são

de 12,5 A e 455,8 A. Logo, 4,5 é a porcentagem da tensão primária de curto-circuito, V ,

em relação a nominal, ou seja:

=

4.7.5.2. Corrente de Energização

621

13.800 × 100 (%) = 4,50 %

(4.7)

Quando os terminais primários de um transformador são ligados, surge no sistema uma

elevada corrente circulante que pode ser igual à própria corrente de curto-circuito nos

terminais primários do equipamento. Em outras palavras, esta corrente, em média, é cerca de

oito vezes a corrente nominal do transformador em consideração (varia entre 5 e 20 vezes

dependendo das características construtivas). O tempo de circulação desta corrente é muito

curto, porém deve ser levado em consideração na calibração dos dispositivos de proteção, que

devem sofrer um retardo no seu tempo de disparo para esta condição particular, que será

abordado no item 5.7.1.

4.7.5.3. Geração de Harmônicos

Nos transformadores, os harmônicos são conseqüência da relação não-linear entre o

fluxo de magnetização e a corrente de excitação correspondente. Nestas condições são

gerados a onda fundamental de frequência industrial (60 Hz) e os vários componentes

60

harmônicos de ordem ímpar (3ª, 5ª, 7ª, etc.) destacando-se, pela importância, o harmônico de terceira ordem, devido à sua magnitude que é cerca de 40% da onda fundamental. Os transformadores ligados em triângulo no primário geram harmônicos de terceira ordem e seus múltiplos, independentemente de estarem operando em carga ou em vazio. As correntes harmônicas de terceira ordem estão em fase cuja soma nos pontos de conexão do triângulo com os terminais da rede é nula e, portanto, não circulam nos condutores de alimentação do transformador. Neste caso, as correntes harmônicas circulam somente no interior do circuito em triângulo. Os transformadores ligados em estrela não aterrada no primário não contribuem com tensões harmônicas, entre fases, de terceira ordem. Os transformadores com ligação em triângulo no primário e estrela não aterrada no secundário proporcionam, entre cada fase e neutro, uma pequena tensão harmônica de terceira ordem. No entanto, as tensões de terceira harmônica entre as fases secundárias são nulas. Os transformadores ligados em triângulo no primário e estrela não aterrada no secundário, tendo acoplado aos seus terminais uma carga conectada em triângulo, não permitem a circulação de correntes harmônicas no circuito compreendido entre o transformador e a carga. Os transformadores ligados em triângulo no primário e estrela aterrada no secundário, tendo acoplada aos seus terminais uma carga conectada em estrela, também aterrada, permitem a circulação de correntes harmônicas de terceira ordem. As correntes harmônicas nas três fases são iguais e estão em fase. Os transformadores ligados em triângulo no primário e triângulo no secundário proporcionam a circulação de correntes harmônicas de terceira ordem no interior dos respectivos enrolamentos, não circulando nos circuitos primários e nem nos secundários. Os transformadores monofásicos ligados em banco na configuração de triângulo aberto podem sofrer uma elevação de tensão nos dois terminais não conectados, cujo valor é igual à soma dos harmônicos de terceira ordem correspondentes.

61

CAPÍTULO

5

5. Proteção contra Sobrecorrentes

Um sistema elétrico (SEL) está sujeito a faltas e variações indesejadas durante sua operação normal. Esta anormalidade pode ter sua origem tanto dentro quanto fora do SEL em questão e, geralmente, se manifesta na forma de sobrecorrentes e ou sobretensões. Estas sobrecorrentes e sobretensões podem colocar em risco vidas e provocar danos aos equipamentos levando a paralisação total ou parcial do SEL. Dependendo da importância e da potência do SEL, o custo de interrupção de fornecimento de energia elétrica pode ser bastante elevado. Portanto, sempre deve existir um sistema de proteção operando em conjunto com o sistema elétrico principal. Em se tratando de equipamentos, a tecnologia vem evoluindo e produzindo equipamentos de melhor qualidade garantindo melhor desempenho aos esforços térmicos e dinâmicos que as sobrecorrentes e sobretensões impõem aos equipamentos. Contudo, desenvolver equipamentos totalmente imunes a estas anormalidades bem como duplicar equipamento para minimizar as interrupções eleva o custo ou até inviabiliza o investimento no SEL.

Um sistema de proteção tem a função básica de isolar o mais rápido possível um equipamento do sistema elétrico quando este tem um comportamento operacional anormal que pode colocar em risco vidas, prejudicar outros equipamentos ou, ainda, interferir na operação efetiva do resto do SEL. Outra função do sistema de proteção é possibilitar a localização e identificação dos tipos de falha que ocorreu no sistema elétrico ajudando a reduzir o tempo de reparo do SEL. Este capítulo tratará de conceitos e estratégias de como realizar a proteção de sistemas elétricos de potência para consumidores finais que possuem uma subestação de até 5 MVA.

62

5.1. Conceitos Filosóficos de Proteção

A filosofia de proteção nada mais é que dividir o SEL em regiões (zonas) de modo a

minimizar a quantidade de equipamentos desligados por uma falta, de forma confiável e de

baixo custo financeiro. Alguns conceitos serão expostos a seguir:

Confiabilidade;

Velocidade;

Seletividade;

Economia.

5.1.1. Aspecto da Confiabilidade

Um sistema de proteção deve ser o mais confiável possível, o que quer dizer que ele não pode falhar na ocorrência de sobrecorrentes e sobretensões. Para tal, é necessário conhecer em detalhes as características elétricas da instalação além de realizar testes detalhados de funcionamento do sistema de proteção na sua implantação. Conhecer as condições e acompanhar o desempenho dos equipamentos são itens importantes e devem estar listados no guia de manutenções periódicas da instalação correspondente, pois todo e qualquer equipamento de proteção é passivo de defeito, seja de fabricação ou de funcionamento. Da observação de que todo equipamento é passivo de defeito é que surgiu o conceito de proteção retaguarda (backup). Este conceito será apresentado no item 5.3.3.

5.1.2. Aspecto de Velocidade

A proteção de um SEL deve interromper a corrente de falta o mais rápido possível, de

forma a garantir que todos os componentes da instalação, operadores e pessoas próximas fiquem expostos as sobrecorrentes e sobretensões o mínimo de tempo possível. Devem ser levados em conta os níveis de suportabilidade dos equipamentos protegidos.

63

5.1.3. Aspecto de Seletividade

O sistema de proteção de um SEL em falta deve isolar os equipamentos ou circuitos defeituosos operando o menor número de equipamentos de proteção possível, garantindo assim um menor número de equipamentos fora de serviço. Os circuitos ou equipamentos que não estiverem com problema devem permanecer energizados. Para tanto, é comumente utilizado retardos nos tempos de atuação de determinados equipamentos de proteção, garantindo assim a seletividade. Outra maneira é a seletividade lógica, que somente é possível realizar em dispositivos digitais através de funções ou equações lógicas.

5.1.4. Aspecto Econômico

Para se projetar um sistema de proteção que garanta a máxima eficácia, que seja confiável e com o menor custo possível é necessário conhecer bem o SEL específico. Em

engenharia, o conceito de custo é sempre relevante nas tomadas de decisão. Por isso, para cada SEL a ser instalado, a relação custo-benefício deve ser bem analisada, pois, quanto maior

o

número de dispositivos utilizados na proteção e mais sofisticados estes o forem, maior será

o

custo de implantação.

5.2. Tipos de sistemas de Proteção

Uma falta no SEL pode levar ao aparecimento de sobrecorrentes e sobretensões. Muitas vezes, a falta começa com uma sobrecorrente e gera uma sobretensão como é o caso clássico de uma falta fase a terra que gera sobretensões nas fases sãs de um sistema trifásico. Ou ainda,

a falta começa com uma sobretensão e gera uma sobrecorrente como é o caso de um surto

atmosférico que pode levar ao rompimento da isolação do equipamento causando um curto- circuito (SILVA, 2009). De modo geral, um equipamento é fabricado para suportar certo valor de corrente e de tensão em operação. Esses valores são garantidos pelos fabricantes para um certo tempo, que, se ultrapassados, seja pelo valor ou seja pelo tempo estipulado podem levar a falha do

equipamento. Por tudo, os dispositivos de proteção instalados devem evitar que o

64

equipamento fique sujeito a correntes e tensões que ultrapassem os valores máximos admitidos pelo fabricante.

A função do dispositivo de proteção de sobrecorrente é evitar que o equipamento seja

alimentado por uma corrente superior a corrente máxima permitida e o dispositivo de proteção de sobretensão é evitar que o equipamento seja submetido a uma tensão superior a tensão máxima admissível.

5.3. Princípios Básicos da Proteção

Os princípios da proteção de sistemas elétricos são critérios que orientam engenheiros na elaboração dos estudos de proteção. Vale lembrar que tais princípios servem como orientação, deixando a decisão a cargo do engenheiro numa análise final. Os princípios são:

Princípio da Quantidade;

Princípio da Localidade;

Princípio da Retaguarda;

Princípio da Sensibilidade;

Princípio da Suportabilidade;

Princípio da Seletividade.

5.3.1. Princípio da Quantidade

Esse princípio afirma que todo equipamento deve ter pelo menos um dispositivo de proteção destinado a realizar sua proteção contra sobrecorrente e pelo menos um contra sobretensões, denominando-se como dispositivos de proteção principal.

A decisão a respeito da quantidade de dispositivos de proteção passa pela análise de

custos de implantação. Em se tratando de mercado, é muito comum utilizar 2 dispositivos de proteção contra sobrecorrentes, normalmente um fusível limitador de corrente de média tensão (MT) e um disjuntor de MT acionado por relé ou um fusível e um disjuntor de baixa tensão (BT). Para sobretensões é comum utilizar 1 dispositivo de proteção contra sobretensões, que geralmente são os pára-raios.

65

5.3.2. Princípio da Localidade

Este princípio diz que o dispositivo de proteção deve ser locado o mais próximo possível do equipamento a ser protegido. Isso permite uma facilidade na localização da falta e de efetuar a restauração do SEL e menor quantidade de equipamentos desligados. Num SEL com somente uma fonte de energia em MT, é designado um dispositivo de proteção na entrada de cada alimentador. Em um SEL com mais de uma fonte de energia, são designados dois dispositivos de proteção, um em cada lado do alimentador que tem possibilidade de receber fluxo de energia dos dois lados.

5.3.3. Princípio da Retaguarda

Todo dispositivo de proteção deve ter pelo menos um outro dispositivo de proteção operando em sua retaguarda, de modo que garanta a proteção caso o dispositivo de proteção principal venha a falhar. Este princípio é denominado de princípio da retaguarda (SILVA,

2009).

Por ser uma “garantia” do sistema de proteção, este princípio está diretamente relacionado com a confiabilidade do SEL em questão e, como não podia ser diferente, com os custos de implantação. Uma análise de custos poderia ser elaborada para a tomada de decisão da quantidade de dispositivos de proteção a ser utilizada, levando-se em consideração o custo da interrupção de energia, seja ela para uma concessionária ou um consumidor final que tem sua produção paralisada.

5.3.4. Princípio da Sensibilidade

A proteção deve sempre estar muito bem regulada de acordo com as características do elemento a ser protegido, considerando-se os níveis de curto-circuito, operação normal, etc. Isso levaria ao sistema de proteção a um funcionamento perfeito que seria sensível o suficiente para perceber ao menor valor de uma anormalidade e robusto o suficiente para não

66

operar em determinadas ocasiões, até certo ponto, normais tais como operação em condições nominal, emergencial, transitórios esperados e especificados (SILVA, 2009).

5.3.5. Princípio da Suportabilidade

Os dispositivos de proteção devem ser dimensionados e regulados para atuar o mais rápido possível sempre que o equipamento a ser protegido for submetido a condições anormais, de modo a não permitir que os limites de suportabilidade do equipamento protegido sejam atingidos. Os limites de suportabilidade de cada equipamento é uma informação a ser obtida junto ao fabricante, e devem ser conhecidos em detalhes antes da elaboração do projeto de proteção do sistema.

5.3.6. Princípio da Seletividade

O princípio da seletividade relata que todos os dispositivos de proteção mais próximos do local de falta e por ela sensibilizados devem atuar o mais rápido possível de modo a isolar a falta. Assim, garante a retirada de operação da menor quantidade de equipamentos e garante uma possível continuidade da operação do restante do SEL. É necessária uma visão global do SEL a ser protegido e não só ter uma visão pontual.

5.4. Dispositivos de Proteção Contra Sobrecorrentes

Um dispositivo de proteção de sobrecorrentes é um equipamento destinado a operar numa eventual sobrecorrente no circuito, de modo a eliminar esta sobrecorrente, evitando que os equipamentos protegidos possam ser danificados ou pessoas possam sofrer as consequências de um choque elétrico. Estes dispositivos de proteção são: fusíveis, relés e disjuntores. Não é o foco desta monografia, mas os principais dispositivos de proteção serão discutidos neste item.

67

5.4.1. Relés de Sobrecorrente

O relé de sobrecorrente é um dispositivo de proteção inteligente que interpreta os níveis

de corrente enviados pelos TC e através de um sinal de comando para a bobina de abertura do

disjuntor, opera o mesmo.

para a bobina de abertura do disjuntor, opera o mesmo. Figura 5.1 - Proteção de sobrecorrentes

Figura 5.1 - Proteção de sobrecorrentes – TC e Relés

Os relés disponíveis no mercado atualmente são todos micro-processados, e os

parâmetros de operação e proteção são ajustados ou parametrizados. Ajustar ou parametrizar um relé é definir o melhor conjunto de valores de seus parâmetros dentro de uma faixa pré- existente (valores default) do relé para que este opere adequadamente dentro dos princípios da coordenação de proteção.

A elaboração dos ajustes requer experiência e conhecimento do engenheiro de proteção.

A determinação destes valores passa pela análise de cada elemento da instalação a ser

protegida. Basicamente, o relé tem quatro ou cinco ajustes a serem definidos: tipo de curva

tempo-corrente (temporização), TAPE, dial de tempo e unidade instantânea independente se é relé de fase ou de neutro. Os relés modernos do tipo microprocessados possuem um conjunto de curvas para função 50/51 (fase) e um conjunto de curvas para função 50N/51N (neutro) que podem ser ajustadas independentemente. Assim, para cada função do relé, existem os seguintes parâmetros para ajustar:

68

Função 51 (Fase Temporizada):

Tipo de curva tempo-corrente;

Ajuste de corrente temporizado (TAPE);

Temporização (DIAL).

Função 50 (Fase Instantânea):

Ajuste de corrente do instantâneo (TAPE);

Temporização (DIAL).

Função 51N (Neutro Temporizado):

Tipo de curva tempo-corrente;

Ajuste de corrente temporizado (TAPE);

Temporização (DIAL).

Função 50N (Neutro Instantânea):

Ajuste de corrente do instantâneo do neutro;

Temporização (DIAL).

Ajustar o tipo de curva é escolher a curva tempo-corrente a ser usada. A característica

deve ser definida de tal forma que seja compatível com outras proteções do sistema, de acordo com o princípio da seletividade.

O TAPE também chamado de pick-up ou corrente de partida é a corrente mínima de

disparo do relé que causará o fechamento ou abertura de algum contato auxiliar do relé que

compõe o comando de desligamento do disjuntor.

A ajuste do TAPE para fase é função de corrente máxima de carga do circuito e da

corrente de curto-circuito mínima no final da zona de proteção. Geralmente, a corrente de curto-circuito mínima é a corrente de curto-circuito dupla fase. Ajustar o dial de tempo, também chamado de temporizador, corresponde em definir o tempo de disparo da função temporizada (51 ou 51N) ou da função instantânea (50 e 50N) de alguns relés. Isto significa que, quando a corrente injetada no relé ultrapassa o valor do tape, o relé temporiza seu disparo, ou seja, acontece o fechamento do contato de saída não permitindo

sua atuação instantânea.

69

5.4.1.1. Ajuste do TAPE do Relé Temporizado de Fase

Para calcular o TAPE de fase do relé do cliente, deve-se escolher o fator que

representará a sobrecarga admissível na instalação do consumidor, o fator de segurança (FS).

Normalmente, escolhe-se este valor entre 1,1 e 1,3. A corrente nominal do consumidor deve

ser multiplicada por este valor, para determinar a corrente máxima de sobrecarga entre as

fases. Considerando que o relé irá enxergar a corrente que passa pelo secundário dos TC´s, o

valor deste TAPE será:

Onde:

( )

< ( )

FS é o fator de segurança (1,1 a 1,3);

RTC é a relação de transformação de corrente.

(5.1)

5.4.1.2. Ajuste do TAPE do Relé Temporizado de Neutro

Para calcular o TAPE de neutro do relé do consumidor, deve-se escolher o fator que

representará a segurança na instalação do consumidor, em relação à corrente que passa pelo

condutor neutro, que num circuito equilibrado deveria ser nula. Porém, dificilmente uma

instalação terá circuitos perfeitamente equilibrados. Normalmente, escolhe-se este valor entre

0,1 e 0,3, fator de desequilíbrio (FDs). A corrente nominal do cliente deve ser multiplicada

por este valor, para determinar a corrente máxima de desequilíbrio entre as fases.

Considerando que o relé irá enxergar a corrente que passa pelo secundário dos TC´s, o valor

deste TAPE será:

Onde:

( ) < ( )

(5.2)

FDs: é o fator de desequilíbrio presumido (0,1 a 0,3).

70

5.4.1.3. Ajuste do TAPE do Relé Instantâneo de Fase

As unidades instantâneas recebem esse nome porque não obedecem às curvas inversas tempo-corrente, ou seja, atuam instantaneamente a partir dos valores de suas respectivas correntes de trip. São utilizadas, principalmente, para interromper correntes de valores elevados imediatamente, de forma que não provoquem danos às instalações elétricas ou ao sistema de distribuição. Para o cálculo da corrente de ajuste da unidade instantânea de fase, são levados em conta dois valores de correntes:

– Corrente de curto-circuito bifásico;

– Corrente de magnetização dos transformadores.

O valor de para transformadores até 2.500 kVA é dado por:

= 8 × _ á

(5.3)

Esta corrente de magnetização circula durante sua energização nos enrolamentos do mesmo (IINRUSH). Portanto, apesar de ser bem maior que a corrente nominal, não caracteriza sobrecarga ou curto-circuito. Logo, o relé não deve atuar para este valor de corrente, e sim, para os valores de corrente de curto-circuito bifásico e trifásico. Como o curto-circuito bifásico é sempre menor que o trifásico, ele será usado para o cálculo da corrente de ajuste instantânea, pois se o relé atua para o curto-circuito bifásico, é claro que, conseqüentemente, atuará também para o curto-circuito trifásico. Nessas condições:

< _ ( ) <

Considerando a corrente no secundário dos TC:

Sendo:

< _ ( ) <

_ ( ) = _

(5.4)

(5.5)

(5.6)

Desta forma, é possível especificar um valor coerente para a corrente de ajuste da unidade instantânea de fase. Para subestações compostas por mais de um transformador e caso os mesmos possam ser energizados um a cada vez, a corrente de magnetização é dada pela soma da corrente de magnetização do maior transformador, acrescida das correntes nominais dos demais

71

transformadores. Caso contrário (ou seja, os transformadores sejam energizados todos ao mesmo tempo), esta condição não vale.

5.4.1.4. Ajuste do TAPE do Relé Instantâneo de Neutro

Estas unidades obedecem aos mesmos princípios dos relés instantâneos de fase. Para o cálculo da corrente de ajuste da unidade instantânea de neutro, é levado em conta apenas o valor da corrente de curto-circuito monofásico mínimo, já que este é sempre menor que o valor da corrente de curto-circuito monofásico franco. Logo, se o relé atua para a corrente de curto-circuito monofásico mínimo, atuará também para o curto – circuito monofásico franco. Desta forma:

_ ( ) < Í

Considerando a corrente no secundário dos TC:

Sendo:

_ ( ) < Í

_ ( ) = _

(5.7)

(5.8)

(5.9)

Desta forma, é possível especificar um valor coerente para a corrente de ajuste da unidade instantânea de neutro.

5.4.1.5. Determinação do Tempo de Atuação do Relé Temporizado de Fase

O tempo de operação para proteção de sobrecorrente de fase, do relé de um consumidor, depende do valor do múltiplo, do dial de tempo e do tipo de temporização, através das expressões das curvas tempo-corrente (ver item 5.5). Apesar dos relés digitais possuírem uma tolerância maior em relação ao valor máximo do múltiplo, em comparação aos relés eletromecânicos, recomenda-se configurar o relé de forma que o valor do múltiplo de corrente não ultrapasse 100. Após calcular o tempo de atuação do relé do consumidor, o próximo passo é fazer a comparação com o tempo de atuação do relé da Concessionária. Para haver condições eficientes de coordenação e

72

seletividade, é necessário que, em caso de uma falta, o relé do consumidor atue antes do relé da Concessionária. Portanto:

Á >

(5.10)

Caso Á < , deve-se refazer os cálculos, de forma a encontrar valores adequados aos parâmetros para haver coordenação. A comparação entre concessionária e consumidor pode-se estender para a análise de proteção principal e retaguarda, ou ainda, dispositivo protetor e protegido.

5.4.1.6.

Determinação do Tempo de Atuação do Relé Temporizado de Neutro

O

tempo de operação para proteção de sobrecorrente de neutro, do relé de um

consumidor, depende do valor do múltiplo, do dial de tempo e do tipo de temporização, através das expressões das curvas tempo-corrente (item 5.5). A mesma análise do tempo de atuação do relé temporizado de fase vale para o relé de neutro.

5.4.2. Disjuntor de Baixa Tensão

Os disjuntores são dispositivos de proteção de sobrecorrentes de curva definida (termomagnéticos) ou à relés eletrônicos ou microprocessados.

Os disjuntores termomagnéticos possuem proteção contra sobrecarga temporizada fixa

(curva térmica) e proteção contra curto-circuito com disparo magnético sem temporização intencional (curva magnética). Já os disjuntores estáticos ou microprocessados possuem dispositivos eletrônicos, que nada mais são do que relés que fazem as proteções contra sobrecarga e curto-circuito de forma ajustável. Para os disjuntores microprocessados há o recurso de temporização de suas curvas de atuação e, portanto, a seletividade pode ser garantida. Neste caso, como tais disjuntores possuem um relé de sobrecorrente, vale o que foi dito no item 5.4.1.

73

73 Figura 5.2 – Curvas tempo-corrente de disjuntor de baixa tensão (O Setor Elétrico, 2009) O

Figura 5.2 – Curvas tempo-corrente de disjuntor de baixa tensão (O Setor Elétrico, 2009)

O formato de uma curva de tempo-corrente de um disjuntor de BT é ilustrado na figura

5.2. Pode-se perceber claramente os dois tipos de curva de um mesmo disjuntor, sendo um para sobrecarga (térmica) e outra para curto-circuito (magnética).

A normalização dos disjuntores de baixa tensão é feita basicamente pelas normas IEC

60947, IEC 60898 e as equivalentes NBR da ABNT. As IEC 60947-2 e IEC 60898 definem corrente convencional da não atuação (Int) como a máxima corrente de não atuação e, corrente convencional de atuação (I2) como mínima corrente de atuação em função da corrente nominal (IEC 60898) ou em função da corrente de ajuste (IEC 60947), conforme tabela 5.1.

Tabela 5.1 – Corrente e tempo de atuação e não atuação

Corrente Nominal ou de Ajuste (A)

IEC 60947-2

IEC 60898

Tempo Convencional (h)

Int

I2

Int

I2

63

1,05

1,30

1,13

1,45

1

>63

1,05

1,30

1,13

1,45

2

74

A IEC 60898 define, para o disparo instantâneo, geralmente magnético, as faixas de

atuação B, C e D, como segue, em função da corrente nominal do disjuntor:

Faixa B: de 3In a 5In;

Faixa C: de 5In a 10In;

Faixa D: de 10In a 20In;

Já a IEC 60947-2 prescreve uma precisão de 20% da corrente de disparo instantâneo

ajustada.

5.5. Curva Tempo-Corrente

Os dispositivos de proteção de sobrecorrente têm sua característica de atuação expressa através de uma curva denominada Curva Tempo-Corrente. Esta curva é a base da técnica de coordenação da proteção com seletividade temporal. Esta curva é representada num sistema de eixos cartesianos com o eixo das abscissas graduado em corrente e o eixo das ordenadas, graduado em tempo, ambos em escala

logarítmica. Um ponto genérico da referida curva (I,t) expressa que para uma corrente “I” submetida ao dispositivo de proteção este atua num tempo “t”.

A figura 5.3 apresenta as curvas típicas de tempo-corrente: normal inversa (NI), muito

inversa (MI), extremamente inversa (EI) e tempo definido (TD). Como pode ser observado, o eixo das abscissas está graduado em múltiplo do ajuste do relé. Com o advento dos relés estáticos e digitais, as curvas de tempo-corrente foram padronizadas em expressões matemáticas pela IEC 60225-4 e a norma britânica BS-142 e depois pela norma americana ANSI C37.90 e são atualmente utilizadas pela maioria dos relés.

75

75 Figura 5.3 - Curvas típicas IEC NI, MI, EI, TD - simulado no ETAP 7.1.0

Figura 5.3 - Curvas típicas IEC NI, MI, EI, TD - simulado no ETAP 7.1.0

5.5.1. Curvas da Norma IEC 60255-4

A expressão 5.11 permite a obtenção do tempo de atuação em função da corrente de

entrada no relé, segundo a norma IEC 60255-4:

t =

α

Ip 1

I

x M

(5.11)

76

Onde:

t é o tempo de atuação em segundos;

I é a corrente de entrada no relé em àmperes;

Ip

é a corrente de partida (TAPE, pick-up) em àmperes;

M

é o multiplicador do tempo (DIAL);

e β são parâmetros da função cujos valores são mostrados na tabela 9;

I/Ip é o múltiplo de fase.

Tabela 5.2 – Índices das curvas tempo-corrente da norma IEC 60255-4

Tipo de Curva – IEC

β

Normal Inversa (A)

0,14

0,02

Muito Inversa (B)

13,50

1,00

Extremamente Inversa (C)

80,00

2,00

Curto Inverso (D)

0,05

0,04

5.5.2. Curvas da Norma ANSI C37.90

A expressão 5.12 permite a obtenção do tempo de atuação em função da corrente de

entrada no relé, segundo a norma ANSI C37.90:

Onde:

t =

A +

 

B

D

E

I

Ip

− C +

I

Ip

− C +

I

Ip

− C

x M

t é o tempo de atuação em segundos;

I é a corrente de entrada no relé em àmperes;

(5.12)

Ip

é a corrente de partida (TAPE, pick-up) em àmperes;

M

é o multiplicador do tempo (DIAL);

A, B, C, D e E são parâmetros da função cujos valores são mostrados na tabela 9.

Tabela 5.3 – Índices das curvas tempo-corrente da norma ANSI C37.90

Tipo de Curva – ANSI

AAAA

B

C

D

E

Inverso

0,2074

2,2614

0,3000

-4,1899

9,1272

Muito Inverso

0,0615

0,7989

0,3400

-0,2840

4,0505

Extremamente Inversa

0,0399

0,2294

0,5000

3,0094

0,7222

Curto Inverso

0,1735

0,6791

0,8000

-0,080

0,1271

77

5.6. Coordenação e Seletividade

Seletividade é a propriedade de dois dispositivos de proteção não atuarem ao mesmo tempo para uma mesma falta dentro da interseção de suas zonas de proteção sendo que o dispositivo mais próximo de falta deve atuar primeiro. A seletividade permite que os dispositivos de proteção isolem o menor trecho do sistema submetido a qualquer tipo de falta sem interromper o fornecimento de energia a outras cargas. A figura 5.4 ilustra uma determinada situação.

cargas. A figura 5.4 ilustra uma determinada situação. Figura 5.4 - Princípio da seletividade Considerando uma

Figura 5.4 - Princípio da seletividade

Considerando uma falta na zona de proteção do dispositivo de proteção D2 da figura 5.4, este tem condição de perceber e eliminar esta falta num tempo igual a T2 + TE, onde T2 é o tempo necessário para D2 perceber a falta e fechar seu contato de disparo e TE é o tempo de eliminação da falta após o disparo de D2. Simultaneamente o dispositivo de proteção D1 também perceberá a falta. Suponha que o dispositivo D1 leve um tempo T1 para processar esta informação e fechar seu contato de disparo. Para que haja seletividade é necessário que:

T1 > T2 + TE

(5.13)

T1 - T2 > TE Define-se, intervalo de seletividade (T) como:

(5.14)

T = T1 - T2 > TE

(5.15)

Os valores de T1 e T2 são obtidos das curvas de tempo-corrente dos respectivos dispositivos de proteção e que o intervalo de seletividade deve ser superior ao tempo de eliminação da falta pelo dispositivo de proteção D2.

78

O tempo de eliminação (TE) da falta após o disparo do D2 depende do tipo de

dispositivo de proteção. Se D2 for um fusível, o tempo de eliminação (TE) será igual ao tempo

de fusão do elo fusível mais o tempo de extinção completa da corrente. Se D2 for um relé que

dispara um disjuntor o tempo de eliminação (TE) será o tempo de abertura dos contatos do

disjuntor mais o tempo total de extinção do arco formado pela corrente na câmara de extinção

do disjuntor que garante que a corrente de falta seja nula.

5.6.1.

Seletividade entre Dispositivos de Proteção

5.6.1.1.

Fusível x Fusível

A seletividade entre dois fusíveis é satisfatória quando o tempo de interrupção do

fusível protetor F2 não exceda a 75% do tempo mínimo de fusão do protegido F1 (SILVA,

2009). A figura 5.5 ilustra as curvas tempo-corrente de dois fusíveis.

á