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Escola Secundária de Pinheiro e Rosa

Escola Secundária de Pinheiro e Rosa

Escola Secundária de Pinheiro e Rosa

Ano lectivo: 2010/2011

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

CURSOS: Científico-humanísticos

Filosofia

Subdepartamento Curricular de Filosofia, Psicologia e Sociologia

Ficha de trabalho

10º Ano

Tema: A religião e os desafios da tolerância.

1. Como pode a religião influenciar a vida de uma pessoa?

Paulo José de Almeida Santos é português, nasceu em 1965, possui o bacharelato em Engenharia Electrónica. Trabalhou durante anos no Centro de Electrónica Aplicada (instituição de investigação científica ligada ao Instituto Superior Técnico).

Foi, desde criança, católico praticante. Todavia, depois da adolescência foi, a pouco e pouco, afastando-se do catolicismo e aproximando-se do islamismo (que tinha conhecido através de leituras e viagens por diversos países do Oriente.

Aos 24 anos converte-se definitivamente ao Islão, deixa crescer a barba e toma o nome árabe de Abdullah Yusuf (palavras que, traduzidas à letra, significam “servo de Deus” e “José”). Abandona Portugal: vai para a Turquia e, depois, para o Afeganistão onde se junta a um grupo de “mujahedin” [o termo significa “guerreiros de Deus”], guerrilheiros muçulmanos que combatiam o governo comunista (apoiado por tropas da ex. União Soviética). Luta lado a lado com outros muçulmanos, aprende árabe e descobre que os vários grupos de “mujahedin” estão divididos por inúmeras rivalidades e chegam a lutar entre si. Uma dessas rivalidades é o facto de alguns desses grupos apoiarem o antigo rei do Afeganistão, Zair Shah, e outros não. O grupo de Paulo Almeida Santos é um que não o apoiam.

Paulo Almeida Santos considera que a tomada do poder pelo rei e seus partidários significaria uma nova guerra civil no Afeganistão. E convence-se de que a única solução é matar o rei. Convence-se de que o deve matar em nome de Deus: “Reflecti longamente com alguns teólogos; concluíram que tal acção não contrariava a lei islâmica e deram-me o seu assentimento. Mas a decisão foi minha!”

O rei vivia em Roma, na Itália, pois estava exilado desde a sua deposição pelos comunistas. Paulo Almeida Santos vai a Roma e, fazendo-se passar por jornalista, marca uma entrevista com Zair Shah. Uma vez na presença dele tenta atingi-lo com uma pequena espada que levava escondida, mas consegue apenas feri-lo antes de ser dominado pelos guarda-costas.

Foi julgado por um tribunal italiano e condenado a 15 anos de prisão (a pena foi depois reduzida para 10 anos). Paulo Almeida Santos nunca se arrependeu do que tentou fazer: “Sei que estava dentro da Lei de Deus”, declarou ele ao jornalista José Pedro Castanheira, que o entrevistou para o jornal Expresso. E, ao falar de outro rei, o rei Fahd da Arábia Saudita (que considera corrupto, hipócrita e mau muçulmano), declara que “se fosse caso disso, não teria a mínima dúvida em o assassinar”.

Adaptado a partir de uma reportagem e entrevista de José Pedro Castanheira publicada no jornal Expresso em 1993 e republicada a 27-10-2001.

A partir da leitura do texto, responda às seguintes questões:

1. Qual foi a primeira religião de Paulo Almeida Santos?

2. Qual é o significado, em português, do nome “Abdullah Yusuf” e do termo “mujahedin”?

3. Porque é que, segundo o próprio, Paulo Almeida Santos tentou matar o antigo rei do Afeganistão?

4. Paulo Almeida Santos arrependeu-se do que tentou fazer? Porquê?

5. A história que acabou de ler revela a enorme influência que a religião pode ter na vida humana. Trata-se neste caso de uma influência bastante negativa. Mas essa influência pode ser positiva e originar acções meritórias e altruístas. Conhece certamente exemplos. Apresente dois deles.

2.

O que é o fundamentalismo religioso?

Texto 1

«Alguns devotos religiosos sentem-se tão acossados e amargurados pela questionação ou rejeição das suas estimadas crenças que estão dispostos a recorrer ao assassínio, e até ao assassínio colectivo indiscriminado como sucede sempre que o fanatismo se junta ao ressentimento e à ignorância para produzir a fermentação odiosa daquilo que é praticado em nome da crença. “A fé é aquilo por que morro, o dogma é aquilo por que mato”, conforme reza a máxima – e o problema é que a fé se baseia no dogma. (…)

A fé é a negação da razão. A razão é a faculdade de ajustar o julgamento à informação, depois de a pesar. A fé é

acreditar mesmo mediante informação contrária. Søren Kierkegaard definiu a fé como um salto dado apesar de tudo, apesar do puro absurdo daquilo em que se pede que acreditemos. Quando as pessoas conseguem teimosamente escolher acreditar que o preto é branco, e são capazes na sua certeza absoluta, de ir ao ponto de matar quem com elas não concordar, não há muita hipótese de discussão. “A Fé, a Fé fanática, uma vez aferrando-se a uma qualquer falsidade, abraça-a até à morte”, disse Thomas Moore. (…)

A crença difere do conhecimento na medida em que, ao passo que este é verificado pelos factos e depende da

existência do tipo certo de relação entre a mente e o mundo, a crença existe completamente e apenas na mente, não se baseando em nada do que existe no mundo. Em suma, é possível acreditar em qualquer coisa: que as galinhas têm

dentes, que a relva é azul, e que as pessoas que não acreditam em nada disto são malévolas. É isto que torna tão sinistra a observação de Santo Agostinho: “a fé consiste em acreditar no que não se vê; a recompensa da fé consiste em ver aquilo em que se acredita” se se consegue acreditar em tudo, consegue “ver-se” tudo e, por conseguinte, é possível sentir-se no direito de fazer o que quer que seja: viver como um patriarca do Antigo Testamento (…) ou mesmo matar outro

ser humano».

A.C. Grayling, O significado das coisas, capítulo , Gradiva, pp. 142-144.

Texto 2

«A intolerância é um fenómeno psicologicamente interessante porque é sintomático de insegurança e medo. Os fanáticos que, se pudessem, nos a obrigariam a agir em conformidade com o seu modo de pensar, poderiam pretender estar a tentar salvar a nossa alma, mesmo contra a nossa vontade, mas, na verdade, fá-lo-iam porque se sentiam ameaçados. Os talibãs do Afeganistão obrigam as mulheres a usar véu, a ficar em casa e a desistir da sua educação e do seu emprego porque temem a sua liberdade. Os velhos tornam-se intolerantes para com os jovens quando ficam alarmados com a indiferença votada pela juventude ao que eles há muito conhecem e estimam. O medo gera a intolerância e a intolerância gera o medo: o ciclo é vicioso.

Mas a tolerância e o seu oposto não são apenas formas, nem sequer sempre, de aceitação e rejeição, respectivamente. É possível tolerar uma crença ou uma prática sem a aceitar. O que subjaz à tolerância é o reconhecimento de que o mundo é suficientemente vasto para permitir a coexistência de alternativas, e se nos sentimos ofendidos pelo que os outros fazem é porque já nos deixámos envolver demasiado. Toleramos melhor os outros quando sabemos como tolerar-nos a nós mesmos; aprender a fazê-lo constitui um objectivo da vida

civilizada.» A.C. Grayling, O significado das coisas, capítulo “Tolerância”, Gradiva, pág. 24.

Responda, a partir dos textos anteriores, às seguintes questões:

1. Sublinhe no texto 1 palavras e/ou expressões que permitam caracterizar a fé.

2. Esclareça a noção de dogma.

3. Assinale no texto 1 em que circunstâncias é que a fé pode levar ao fanatismo.

4. Dê exemplos, de culturas e povos diferentes, do fanatismo religioso existente na actualidade.

5. Transcreva do texto 2 as razões que podem levar à intolerância.

6. Explique, por palavras suas, em que consiste uma atitude tolerante e uma atitude intolerante.

7. Discuta a seguinte questão: Quais serão as causas explicativas do fundamentalismo religioso?

Bom Trabalho!

A professora: Sara Raposo.