VIABILIDADE SÓCIO – AMBIENTAL DA RECICLAGEM DO ALUMÍNIO:
ESTUDO DE CASO DA “ALUMÍNIOS KADOCH”, EM APARECIDA DE GOIÂNIA - GOIÁS
Paulene de Lima Canêdo 1 Harlen Inácio dos Santos 2
Universidade Católica de Goiás – Departamento de Engenharia – Engenharia Ambiental Av. Universitária, N.º 1440 – Setor Universitário – Fone (62)3946-1351. CEP: 74605-010 – Goiânia - GO.
RESUMO
Atualmente é crescente o emprego do alumínio na construção civil, na indústria eletro- eletrônica e na produção de eletrodomésticos diversos, resultando na geração de resíduos, o que torna interessante a reutilização do mesmo através da reciclagem como matéria-prima, tornando-se uma atividade econômica viável. Essa pesquisa foi desenvolvida com intuito de avaliar em pequena empresa, a utilização do metal. Para alcançar os objetivos foi feito um estudo de caso na Alumínios Kadoch, instalada em Aparecida de Goiânia – Goiás, onde a reciclagem é feita através da fundição do metal, sendo utilizadas sucatas de alumínio como matéria – prima, a qual é transformada em utilitários domésticos. Por se tratar de uma atividade exercida sem nenhum controle ambiental, foi analisado o processo de produção, avaliando seus impactos ao meio ambiente e ao meio social. Apesar de apresentar alguns impactos locais, a reciclagem de alumínio é viável sócio e ambientalmente, pois é uma forma de poupar fontes energéticas, recursos naturais não – renováveis além de gerar renda para várias pessoas.
Palavras Chaves: Reciclagem, Alumínio, Fundição.
ABSTRACT
Now it is growing the job of the aluminum in the building site, in the industry eletro- electronics and in the production of several appliances, resulting in the generation of residues, what turns interesting the reutilizes of the same through the recycling as raw material, becoming a viable economical activity. That research was developed with intention of evaluating in small company, the use of the metal. To reach the objectives it was made a case study in Aluminum Kadoch, installed in Aparecida from Goiânia - Goiás, where the recycling is made through the foundry of the metal, being used scraps of aluminum as matter - it excels, which is transformed in utilitarian domestic. For treating of an activity exercised without any environmental control, the production process was analyzed, evaluating their impacts to the environment and the social way. In spite of presenting some local impacts, the recycling of aluminum is viable partner and ambientalmente, because it is a form of saving energy sources, natural resources no - renewable besides generating income for several people.
Key- words: Recycling, Aluminum, Casting
Goiânia, 2007/1
1 Acadêmica do curso de Engª Ambiental da Universidade Católica de Goiás (paulenelima@hotmail.com)
2 Biólogo, Doutor, Profº Orientador da Universidade Católica de Goiás – UCG (harleninacio@uol.com.br)
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1 INTRODUÇÃO
O alumínio, apesar de ser o terceiro elemento mais abundante na crosta terrestre é o metal mais jovem usado em escala industrial. Mesmo utilizado a milênios antes de Cristo, o alumínio começou a ser produzido comercialmente há cerca de 150 anos. Hoje é o segundo metal mais utilizado, perdendo em utilização apenas para o aço (ABAL, 2007). É o mais importante dos metais não-ferrosos, possui grande importância industrial, isso devido as suas propriedades, como baixo peso específico, comparado com outros metais de grande consumo, resistência à corrosão, boa resistência às intempéries, produtos químicos e a água do mar, bom manuseio na fabricação, boas qualidades estéticas, além de boa condutibilidade elétrica e térmica. Seu principal diferencial é a reciclabilidade, sem a perda de propriedades físico- químicas. Ao contrário de outros materiais, ele pode ser reciclado infinitas vezes sem perder suas qualidades no processo de reaproveitamento (ALCOA, 2006). A reciclagem de alumínio a partir da fundição é uma prática que vem proporcionando um significativo crescimento em função do avanço de seu emprego e pelas vantagens que a atividade apresenta, assumindo papel multiplicador na cadeia econômica, pois reúne desde as empresas produtoras e seus parceiros, até recicladores, sucateiros e fornecedores de insumos (ABAL, 2007). A atividade normalmente alcança viabilidade econômica, sendo praticada durante todo ano, já que a maioria dessas empresas localizam-se em perímetro urbano, onde a oferta e disponibilidade de material são abundantes, bem como a procura pelos produtos confeccionados. Os fatores ambientais relevantes para a atividade estão relacionados à economia de recursos naturais, que evita a exploração de novas jazidas de minérios, poupando o meio ambiente e a diminuição de resíduos dispostos na natureza, diminuindo o volume de lixo enviado aos aterros sanitários, bem como a qualidade ambiental de nossas cidades (ABRALATAS, 2007). Com essa visão desenvolvemos essa pesquisa em uma unidade de fundição de alumínio instalada em Aparecida de Goiânia. O empreendimento é caracterizado como micro- empresa, que atua no ramo da reciclagem, produzindo peças e utensílios domésticos a partir da fundição do alumínio. Diante do exposto, essa pesquisa justifica-se pela demanda crescente referente ao uso desse metal na indústria de eletrodomésticos, na construção civil e na produção de embalagem para a indústria alimentícia, bem como pela atual geração de sucatas, sob a forma
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de latas, fios, placas e outros.
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Não existem referências com relação à existência do alumínio antes do início do século XIX. A primeira delas foi em 1808, quando o britânico Humphry Davy estabeleceu a existência do alumínio e o nomeou alumium ( SANTOS, 2003 ). Em 1827, o alemão Freidrich Wöhler descreveu um processo para produção de pó de alumínio por reação de potássio com cloreto de alumínio. Em 1845, Wöhler estabeleceu a densidade do componente e uma de suas propriedades físico-químicas – a leveza (SANTOS, 2003 ). A partir de 1850 os estudos rapidamente evoluíram com o objetivo de desenvolver uma via para produção de alumínio em larga escala. O preço do metal, inicialmente, era tão alto quanto o do ouro e da platina, caindo rapidamente para algo em torno de 90% nos 10 anos seguintes. No entanto, ainda nesta fase, o preço era alto o suficiente para inibir a adoção do material pela indústria (SANTOS, 2003 ). E, finalmente, em 1886, dois jovens cientistas desconhecidos, Paul Louis Toussaint Héroult (francês) e Charles Martin Hall (norte-americano), trabalhando separadamente e desconhecendo o trabalho um do outro, inventaram simultaneamente um novo processo eletrolítico (Hall-Heroult), que atualmente é a base de toda a produção de alumínio. Eles descobriram que se eles dissolvessem oxido de alumínio (alumina) em um banho de criolita liquefeita e passassem por este uma poderosa corrente elétrica, o alumínio liquefeito se depositaria no fundo do banho. Dar-se-á então inicio a uma nova era do metal no mundo (SANTOS, 2003). O alumínio é o terceiro metal mais abundante da crosta terrestre, com um total estimado de 8% da sua composição. Não é encontrado no estado livre e sim na forma de óxidos hidratados ou silicatos (DANTAS et al., 1999). Na forma elementar é um metal de cor branca prateada característica, dúctil, maleável, inodoro, bom condutor de calor e eletricidade, com ponto de fusão 660°C e ebulição de 2.327°C (SANTOS, 2003). A exposição à água, ao oxigênio e a outras substâncias oxidantes leva à formação de uma camada superficial do óxido de alumínio, o que confere ao metal alta resistência à corrosão. O alumínio não evapora mesmo em altas temperaturas, possui a capacidade de reduzir cátions de muitos metais pesados ao estado metálico. É rapidamente oxidado pela água a 180°C (SANTOS, 2003).
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O principal minério do qual o alumínio é extraído é denominada bauxita, a qual é
um produto da decomposição de rochas alcalinas formadas durante um período entre 80 e 100
milhões de anos. Este minério de alumínio encontra-se próximo à superfície no topo de morros ondulados no interior de planaltos ou na crista e encostas de serras, sendo a espessura média das camadas de 4,5 metros (DANTAS et al., 1999).
O Brasil possui a quarta maior jazida de bauxita do mundo, superada apenas pelas
jazidas da Austrália, Guiné e Jamaica (ALCOA, 2007). Ela é encontrada no Pará: Oriximiná, Distrito de Porto, Trombetas e Distrito de Carajás; em Minas Gerais: Poços de Caldas e Ouro Preto e no Rio de Janeiro: em Resende (SANTOS, 2003). Depois de minerada, é transportada para a fábrica, em seu estado natural, com impurezas que precisam ser eliminadas. Então se inicia a primeira reação química da série que vai viabilizar a obtenção da alumina e do alumínio. Ela é moída e misturada a uma solução de soda cáustica que a transforma em pasta. Posteriormente essa pasta é aquecida sob pressão e recebe nova adição de soda cáustica, esta se dissolve formando uma solução, que passa por processos de sedimentação e filtragem para eliminar as impurezas. Com a eliminação de todas as impurezas, é extraída a alumina, que é o primeiro produto do processo de produção de alumínio.
Para a transformação da alumina em alumínio primário – processo conhecido como redução – consiste na dissociação eletrolítica da alumina, onde numa primeira fase o
material é tratado com fluoreto e criolita. Logo após, vem o processo de redução, que se realiza em cubas eletrolíticas em altas temperaturas. Posteriormente, vai para o forno, em seguida o alumínio líquido é depositado em formas e colocado em contato com água para ficar sólido (ABRALATAS, 2007).
A história da produção de alumínio no Brasil começa na década de 1930. Com
uma produção da ordem de 1,2 milhão de toneladas, o Brasil é o sexto produtor mundial de alumínio primário, precedido por Estados Unidos, Rússia, Canadá, China e Austrália (SANTOS, 2003). O primeiro setor industrial em importância na utilização desse metal é o de transportes, no qual se destacam as indústrias automobilísticas, aeroespacial, material ferroviário e naval. Nas indústrias elétrica e eletrônica, serve para a produção de cabos e condutores destinados à transmissão de energia. As indústrias de embalagem, utensílios domésticos, de ligas metálicas e de construção civil também utilizam o alumínio em muitos dos seus procedimentos. Seu uso na alimentação também pode ser evidenciado no tratamento
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de água potável como agente floculante, na forma de alumínio e sulfato de alumínio (SANTOS, 2003). O alumínio é infinitamente reciclável, devido suas propriedades físico-químicas. Segundo o PROSAB (1999) reciclagem é o processo através do qual os resíduos retornam ao sistema produtivo como matéria prima e esse retorno ao processo produtivo pode dar-se de forma artesanal ou industrial. A relevância da reciclagem está fundamentada no aumento crescente do consumo de latas de alumínio. O Brasil produz todo mês cerca de 64 milhões de latas de alumínio (RODRIGUES E CAVINATO, 1997). De acordo com a ABAL (Associação Brasileira do Alumínio, 2006), o Brasil desde 2001 detém a liderança mundial na reciclagem de latas de alumínio, com índices de 85% em 2001, 87% em 2002 e 89% em 2003, representando um volume de 121,1 mil toneladas sobre o total de latas consumidas. Os números da reciclagem de alumínio no País devem manter-se nos próximos anos, embora a tendência, segundo José Roberto Giosa, coordenador da comissão de reciclagem da ABAL, no quesito reciclagem é de que o índice permaneça estável em torno dos 90%. Na prática, esse número já acontece. O levantamento feito pela ABAL é de dois a três pontos percentuais menores do que a realidade, devido à informalidade que impera no setor. Um exemplo são as empresas de "fundo de quintal" que
reutilizam o alumínio para a fabricação de produtos como artefatos de cozinha, dentre outros.
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A |
sonegação fiscal praticada por essas empresas informais também atrapalha a contabilidade |
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da |
ABAL. |
Apesar dos bons resultados, a ABAL considera improvável que o país chegue a
reciclar 100% de latas, devido à sua grande extensão territorial e às dificuldades logísticas para a reciclagem nas regiões mais remotas. No entanto, a tendência para os próximos anos é
de que o país passe a utilizar cada vez mais o alumínio secundário, proveniente da reciclagem,
devido aos custos com a energia elétrica, que incidem diretamente sobre o preço do alumínio
primário. Como no processo de reciclagem a economia de energia é da ordem de 95%, vai continuar sendo vantajoso reaproveitar o alumínio, pois os produtos provenientes da
reciclagem são mais competitivos no mercado. Outro fator que ajuda sustentar a liderança brasileira é o fato de que o hábito confere rendimentos extras a uma parcela significativa da população. Pois, cerca de 75 latinhas pesam um quilo e o preço pago por tonelada, gira em torno de R$ 3.000,00, variando
de acordo com cada região do Brasil. De acordo com Scarlato e Pantin (1992), a reciclagem não pode ser otimizada a
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ponto de constituir uma solução para os problemas econômicos, não deve, porém, ser menosprezada como mais uma alternativa para equacionar o problema do lixo. A reciclagem vem sendo adotada como forma de tratamento dos resíduos sólidos urbanos para vários municípios brasileiros, visando reduzir o volume e o potencial de periculosidade do lixo (NUNESMAIA, 1997). O reaproveitamento de materiais recicláveis presentes no lixo podem ser considerados como fonte de matéria-prima secundária na fabricação de novos produtos. Num sentido mais direto, o alumínio reciclado ajuda a controlar os preços e escassez de matéria-prima e encoraja o processo de reciclagem (REINFELD, 1994). De acordo com REVIVERDE (2006) na reciclagem do alumínio, a economia de energia é de 95% em relação ao processo primário. Cada tonelada de alumínio reciclado economiza a extração de 5 toneladas de bauxita (matéria prima para se fabricar o alumínio). A grande vantagem da reciclagem dos metais é a de se evitar as despesas da fase de redução do minério a metal. Essa fase envolve um alto consumo de energia, requer transporte de grandes volumes de minério e instalações caras (SILVA, 1995). Para Numesmaia (1997), a valorização dos recicláveis contidos no lixo urbano ocorre em usinas e ou unidades de compostagem/reciclagem, através de catadores e pela coleta seletiva. Para Inácio (1998), seria importante que as pequenas e médias empresas recicladoras tivessem apoio financeiro e tecnológico para melhorar suas tecnologias de reciclagem, pois assim estariam contribuindo na geração de empregos, na diminuição de lixo e na produção de produtos de melhor qualidade com tecnologia "limpa". Quanto às legislações que disciplinam esta atividade, chamando atenção para a importância do controle e operação nas instalações de reciclagem e fundição de alumínio podemos citar:
Decreto n.° 1.745, de 06 de dezembro de 1979, que aprova o regulamento da Lei n.° 8.544, de 17 de outubro de 1978, que dispõe sobre a prevenção e o controle da poluição do meio ambiente no Estado de Goiás; A lei n.° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e outras providencias, em seu artigo. 54. “Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar danos à saúde humana, ou que provoquem a mortalidade de animais ou a destruição significativa da flora”.
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3 OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral
O objetivo desse estudo é comprovar a viabilidade sócio-ambiental na utilização do alumínio, através da verificação dos seus processos de reciclagem, tendo como base para essa pesquisa análise em empresas que atuam nessa atividade em Goiânia.
3.2 Objetivos Específicos
- verificar a viabilidade sócio-ambiental da reciclagem de alumínio;
- avaliar o processo de reutilização do metal especialmente em pequena empresa;
- verificar seus impactos ao meio ambiente e à sociedade.
4 METODOLOGIA
O estudo foi realizado nas dependências da indústria de fundição de alumínio para a fabricação de panelas e utensílios domésticos, Alumínio Kadoch acessórios e utilidades, localizado à rua dos Tupinambás, quadra 27, lotes 17,18,19 no Jardim Eldorado em Aparecida de Goiânia – Goiás. A empresa foi escolhida por se tratar de um empreendimento que atua na informalidade, produzindo utilidades domésticas a partir da fundição de alumínio de forma artesanal.
As visitas à empresa se deram nos meses de março e abril de 2007, onde foram observadas as características da atividade, dados da reciclagem e posteriormente uma avaliação do processo de produção, visualizando os pontos negativos e positivos e também os riscos relacionados a atividade, bem como registro fotográfico. A quantificação de resíduos gerados e dos produtos reciclados foram obtidos através de informações dos proprietários do estabelecimento. Alguns aspectos relevantes, como geração de fumaça proveniente do forno de derretimento do alumínio, proliferação de pó resultantes do processo de acabamento dos produtos e a falta de licenciamento ambiental foram observados. A revisão da literatura, pesquisa sobre o alumínio e a reciclagem, além de informações relatadas pelos proprietários complementou as informações sobre a viabilidade sócio- ambiental da reciclagem, que é a bordagem principal deste estudo.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
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Descrição do processo produtivo
5.1 Chegada do material
A matéria-prima (sucata de alumínio), chega à empresa através de “catadores de metal” ou de pessoas vizinhas. Ao chegar é feita uma avaliação do material, sendo observadas as características do material, pois a qualidade do alumínio influencia no preço pago pela matéria-prima. Após avaliação o material é pesado e estocado no pátio da empresa. No Quadro 1 são apresentadas as características da fundição e dados da produção
na empresa Alumínio Kadoch acessórios e utilidades.
Quadro 1: Dados da fundição e características da produção.
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Matéria prima fundida por dia |
150Kg |
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Produção média diária de utensílios (panelas) |
75 unidades/15 jogos |
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Resíduo (borra) gerado diariamente-10% |
15 |
Kg |
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Resíduo (pó) gerado pelo lixamento das peças -2% |
3Kg |
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Peso total da produção diária |
132 Kg |
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Total de resíduos |
18 |
Kg |
O Quadro 2 mostra dados relacionados aos custos da matéria-prima e o valor de mercado do
produto acabado na Alumínio Kadoch.
Quadro 2: Custos financeiros com matéria-prima
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Preço médio por Kg de metal |
R$ 4,20 |
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Custos com matéria -prima – 150Kg (por dia) |
R$ 630,00 |
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Preço de venda do produto 5 peças (jogo) |
R$ 50,00 |
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Valor total da produção diária |
R$ 750,00 |
5.2 Preparação do material
No processo de derretimento do alumínio é usado um forno tipo betoneira de
ferro, que é alimentada com óleo lubrificante usado (óleo queimado) e ligada a um motor,
gerando grande poder calorífico. A matéria-prima utilizada é a sucata de alumínio mole. O
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processo de derretimento do metal é realizado uma vez por dia, geralmente na parte da manhã.
A Figura 1 mostra o forno de fundição em pleno processo de derretimento. Observa-se o aspecto de labaredas geradas com a colocação da sucata.
Figura1: Forno de fundição do alumínio (Março, 2007)
No forno são colocados 150 Kg de sucata de metal por cada etapa. O processo de derretimento leva de duas a três horas para ser concluído. Nessa fase, que o alumínio passa da fase sólida para líquida, ocorre a separação de material, uma “nata”, que são as impurezas contidas no alumínio, que com o aquecimento é separada e fica em suspensão. Esta borra é retirada através de uma pá tipo espumadeira e armazenada nas dependências da empresa. Ela é trocada por lixas que vão ser usadas na fase de acabamento dos utensílios. A Figura 2 mostra os resíduos que são retirados do forno quando o metal está sendo derretido, isso para que o produto final tenha uma boa qualidade.
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Figura 2: Resíduo (borra) do alumínio (Março, 2007)
5.3 Preparação dos moldes
A fabricação dos utensílios (panelas), a partir do metal fundido é feita através de moldes ou machos. Eles são colocados dentro de caixotes de madeira, onde é colocada terra (saibro úmido) em cima e por baixo. O saibro é compactado deixando um canal, onde passará o metal líquido. Eles são preparados antes de começar o processo de fundição e colocados sempre em fileiras, para facilitar a colocação do metal. A Figura 3 mostra os moldes prontos para receber o alumínio, observa-se o canal onde será colocado o alumínio.
Figura 3: Moldes prontos para receber o metal (Março, 2007)
5.4 Modelagem do produto
Com os moldes preparados e o alumínio derretido, passa-se para a colocação do metal. O alumínio líquido é retirado do forno de fundição com uma concha de ferro de cabo longo e em seguida é despejado na abertura do molde. O processo é repetido até o preenchimento de todas as formas. Nessa fase pode ocorrer derramamento ou respingo de metal, dependendo da habilidade do operário responsável. Quando isso ocorre esse material volta novamente para o forno para ser novamente derretido.
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A Figura 4 mostra o processo de preenchimento dos moldes, pode-se observar a
cor avermelhada do metal devido a alta temperatura.
Figura 4: Alumínio sendo colocado nos moldes (Março, 2007)
A solidificação da peça é muito rápida, podendo ser desformada logo em seguida,
embora a temperatura ainda permaneça muito alta.
5.5 Acabamento das peças
As peças saem das formas sujas, ásperas e com o sinal onde foi colocado o alumínio. Elas são encaminhadas para a fase de acabamento do processo de produção que é o lixamento e polimento das peças. Nessa fase é feita uma limpeza, cortando o excesso de
alumínio das bordas e a parte onde foi despejado o metal, posteriormente elas são lixadas, dando-lhes aspecto de brilho. Terminada esta fase, os utensílios são lavados para eliminação da fuligem e em seguida são colocados os cabos, que geralmente são em madeira. Logo após são montados os jogos e armazenados para comercialização.
A Figura 5 mostra o processo de polimento das peças, quando são retiradas as
bordas e o excesso de metal. Pode-se observar claramente pelo aspecto da figura a quantidade de poeira que é gerada no processo.
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Figura 5: Polimento das peças (Março, 2007)
5.6 Índice de aproveitamento da fundição
No Quadro 3 são apresentados os índices de aproveitamento da sucata de alumínio.
Quadro 3: Percentagem de aproveitamento da fundição
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Aproveitamento da sucata para fabricação de utensílios |
88 |
% |
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Borra e pó gerados |
12 |
% |
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Total |
100 % |
|
No processo de fundição apresentado, o índice de aproveitamento é total, ou seja, toda sucata que entra na empresa é reciclada ou aproveitada, pois a borra e o pó são trocados por lixas que são usadas diariamente no processo de produção.
5.7 Impactos gerados a partir do processo de fundição.
A Resolução CONAMA n.º 001 de 1986, estabelece impacto ambiental como qualquer alteração das propriedades físicas, químicas, biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria, resultante das atividades humanas que, diretamente ou
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indiretamente afetam: a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; a qualidade dos recursos ambientais. As atividades antrópicas econômicas e sociais provocam alterações na qualidade do meio ambiente em pequena ou grande escala, tendo um caráter negativo ou positivo. No quadro 4 são apresentados os principais impactos ambientais negativos relacionados à reciclagem de alumínio.
Quadro 4: Impactos ambientais resultantes da fundição.
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Impacto Ambiental |
Caracterização do impacto |
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Geração de renda |
Positivo |
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Geração de empregos diretos e indiretos |
Positivo |
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Diminuição de resíduos na natureza |
Positivo |
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Diminuição da exploração de jazidas de alumínio |
Positivo |
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Poupa fontes energéticas |
Positivo |
||||||
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Poluição |
do |
ar |
(material |
particulado, |
fumaça, |
cloro |
Negativo |
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Impacto de vizinhança |
Negativo |
||||||
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Poluição visual |
Negativo |
||||||
No quadro 5 são apresentados os principais impactos ambientais relacionadas à geração de fumaça e pó do processo de lixamento.
Quadro 5: Impactos causados pela emissão de fumaça e geração de poeira.
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Geração de fumaça |
Emissão de gases; Poluição visual; Liberação de odores; Geração de fuligem; Intoxicação de seres humanos; |
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Geração de poeira (pó) |
Poluição do ar; Danos à saúde dos funcionários; Emissão de material particulado. |
5.8 Medidas mitigadoras
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As medidas mitigadoras têm por objetivo minimizar os impactos causados por atividades ou empreendimentos que implantados ou operados de forma incorreta afetam e prejudicam o meio ambiente. O impacto mais significativo na reciclagem de alumínio, especialmente na fundição do metal para fabricação de outro produto em micro-empresas ou em empresas de fundo de quintal, foco deste estudo é a emissão de fumaça e a proliferação de poeira.
No intuito de eliminar ou diminuir esses impactos devem ser adotados sistemas de controle de poluição, com lavadores de gases e sistema de remoção de poeira são fundamentais para o exercício da atividade. Além da conscientização ambiental das pessoas, pois na maioria das empresas visitadas estas não tinham conhecimento dos danos que a atividade oferece ao meio ambiente e às pessoas vizinhas ou que ali trabalham.
5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Com a atual situação e escassez de matéria – prima e recursos naturais, a reciclagem surge como uma forma de poupar recursos não - renováveis. Embora o Brasil esteja liderando o ranking mundial na reciclagem de alumínio, a atividade não é exercida com visão de preservação de recursos naturais. Ela é encarada como uma forma de obtenção de recursos econômicos, devido a falta de emprego que afeta grande parte de nossa sociedade. Na fundição de alumínio, especialmente em pequenas empresas, objeto de avaliação deste estudo, pode-se perceber este aspecto nitidamente, já que a maioria delas são encontradas em “fundos de quintais”, sendo exercida como uma forma de sobrevivência para a família e seus vizinhos, que têm a atividade como a única fonte de renda. A falta de informação é outro ponto importante observado, a maioria dessas pessoas não tem consciência ou conhecimento dos impactos que a fundição de alumínio proporciona ao meio ambiente, operando sem qualquer sistema de controle de poluição. Apesar de causar emissões locais ao meio ambiente a fundição de alumínio se torna viável sócio e ambientalmente, pois poupa fontes não – renováveis, além de gerar emprego e renda. Como incentivo a essa atividade, há a necessidade do estabelecimento de políticas de incentivo à reciclagem por parte das instituições de Governo, através de lançamento de créditos e extinção de impostos, visto que se trata de uma atividade geradora de renda.
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6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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REINFELD, N. V. Sistema de Reciclagem Comunitária. São Paulo. Editora: MAKRON BOOKS do Brasil Ltda, 1994.
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RODRIGUES, L. F. ; CAVINATO, V. M. Lixo: de onde vem? Para onde vai? . São Paulo. Editora Moderna,1997.
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Instituto de Pesquisas Tecnologicas: CEMPRE, 1995.
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