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TESE de Graduação para 3º Dan

O Taekwondo E o seu contributo para o desenvolvimento Psicossomático da criança.

Orientador: Mtr. Acácio Gaspar

Psicossomático da criança. Orientador: Mtr. Acácio Gaspar Pedro Miguel Baptista Machado Kukkiwon: 05172214 Data do

Pedro Miguel Baptista Machado Kukkiwon: 05172214 Data do Exame: 25-10-2005

O Taekwondo e o seu contributo para o desenvolvimento psicossomático da criança Pedro Miguel Baptista Machado 25/10/2005

da criança Pedro Miguel Baptista Machado – 25/10/2005 Introdução: Nesta Tese irei fazer uma análise baseada

Introdução:

Nesta Tese irei fazer uma análise baseada no conhecimento que tenho vindo a

adquirir ao longo de seis anos a dar treino de Taekwondo, acompanhada de uma

interligação com os quatro estágios de desenvolvimento cognitivo segundo Jean Piaget.

É notório o desenvolvimento de um praticante que comece a treinar em criança,

relativamente a outro que só começou a treinar depois da adolescência, pois o atleta que

treina desde criança tem mais elasticidade, velocidade, resistência, disciplina e um

poder mental superior ao que começou a treinar depois da adolescência.

Na prática do Taekwondo o atleta aprende a:

Fisicamente:

1. Maximizar e a ganhar velocidade muscular;

2. Aumentar resistência física;

3. Aumentar a elasticidade.

Aumentar resistência física; 3. Aumentar a elasticidade. Mentalmente: 1. Ser cortês; 2. Ser integro; 3. Ser

Mentalmente:

1. Ser cortês;

2. Ser integro;

3. Ser perseverante;

4. Ter um espírito indomável;

5. Ter auto-domínio.

Quando o atleta já passou a adolescência é muito mais complicado introduzir da

componente mental, pois este já passou a fase da sua estruturação mental e, se não

adquiriu a sensibilidade mental para absorver a componente disciplinar inerente à

pratica do Taekwondo, nunca conseguirá interiorizar verdadeiramente a componente

mental.

A componente mental é fundamental para que o atleta aprenda a conhecer-se, a

respeitar os outros e a cumprir as normas impostas pela sociedade, de forma a dar uma

imagem exemplar do praticante de Taekwondo.

Torna-se necessário, então, que o treinador de Taekwondo tenha bem presente todos

estes objectivos, de forma a conseguir transmitir toda estas componentes quando está a

leccionar uma aula de Taekwondo.

O Taekwondo e o seu contributo para o desenvolvimento psicossomático da criança Pedro Miguel Baptista Machado 25/10/2005

É imprescindível que o Treinador acompanhe todos os atletas de forma a clarificar

as situações duvidosas que possam eventualmente aparecer, de forma a que não exista o

perigo do atleta aprender somente a componente física.

Pelas razões acima descritas, considero que seja mais fácil passar a mensagem

completa do Taekwondo às crianças do que aos adolescentes ou adultos.

Taekwondo às crianças do que aos adolescentes ou adultos. Desenvolvimento:  Abordagem aos estádios de

Desenvolvimento:

do que aos adolescentes ou adultos. Desenvolvimento:  Abordagem aos estádios de desenvolvimento cognitivo

Abordagem aos estádios de desenvolvimento cognitivo

baseada nas teorias de Jean Piaget.

Segundo Jean Piaget, psicólogo suíço (1896-1980), existem

quatro estádios de desenvolvimento cognitivo, que passo a descrever:

1. Sensório-Motora (até aos dois anos);

Neste estádio, a criança é essencialmente observadora,

procurando todos os objectos e movimentos do ambiente envolvente,

usando essencialmente a intuição e aprendendo a fazer os primeiros

movimentos básicos.

2. Pré-Operatório (dos dois aos seis anos);

Durante esta fase, a criança sofre uma transformação qualitativa,

isto porque começa a coordenar os movimentos, aprendendo a andar, e

começa a adquirir vocabulário. A disciplina que se incute nesta idade é

fundamental, pois esta pode ou não facilitar a relação da criança com a

sociedade.

3. Operatório Concreto (dos seis aos doze anos);

A criança começa a formar-se mentalmente, iniciando o

desenvolvimento dos primeiros raciocínios, sempre baseados numa

relação com objectos concretos.

Esta é a fase ideal para que a criança comece a treinar

Taekwondo, uma vez que está em formação ósseo-muscular e

psicossomática, facilitando a interiorização de todas as componentes

necessárias para ser um aprendiz de Taekwondo.

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É fundamental o comportamento do Treinador em todas as

situações em que este esteja a ministrar treinos de Taekwondo, uma vez

que as crianças vão olhar para o Treinador e repetir tudo o que ele faz,

considerando-o como que se fosse um modelo. É necessário que o

Treinador não desiluda a criança sobre pena de perder irremediavelmente

o atleta.

A relação treinador/atleta deverá ser uma relação de grande

confiança, de forma a que a criança aceite a disciplina que será

ministrada durante a fase de aprendizagem do Taekwondo.

4. Operatório Formal (a partir dos doze anos);

A partir deste estágio a criança deixa de o ser e começa a tornar-

se adulta. Faz os primeiros raciocínios baseados no abstracto. Quanto

melhor tenha sido o desenvolvimento nos outros três estádios, melhor

serão os raciocínios feitos daqui para a frente.

Neste estádio será muito mais complexo interferir com as

estruturas mentais adquiridas.

Se o praticante só começou a treinar a partir desta altura, o

Treinador deverá prestar muita atenção à evolução da aprendizagem do

atleta. Terá de estar numa constante verificação da componente mental,

pois a maioria dos praticantes que começam nesta fase querem absorver

apenas a componente física e não a componente mental. O Treinador não

poderá admitir tal coisa, caso contrário estará a contribuir para a

degradação da imagem do Taekwondo, deixando de estar a formar um

praticante e passando a formar uma arma humana descontrolada.

Divisão a aprendizagem do Taekwondo em três níveis distintos.

Poderemos dividir a aprendizagem do Taekwondo nos seguintes níveis:

1. Físico (até cinto castanho);

2. Mental (de cinto castanho a 2º Dan);

3. Espiritual (a partir de 2º Dan).

É muito importante o ministrar das aulas de Taekwondo e em especial no primeiro

nível, uma vez que estamos a munir o atleta com conhecimento que poderá ser usado

para fins destrutivos. Durante esta fase é imperioso que o educando se aperceba que não

deve usar os conhecimentos adquiridos em qualquer outro sítio que não seja no dojang.

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O treinador deve ainda incentivar o atleta a ser persistente e a acreditar que pode

vencer qualquer obstáculo, mas acima de tudo deve ensiná-lo a aceitar condignamente

uma derrota.

Para transitar entre o nível físico e o mental é imprescindível que o praticante tenha

interiorizado toda a disciplina imposta pela prática do Taekwondo, caso contrário

arrisca-se a nunca conseguir o conseguir fazer.

Passado ao nível mental, o atleta deverá já ser capaz de atingir um nível de

meditação em que consiga ter uma mente tão clara como a água quando está estagnada

num copo. Quando conseguir atingir este nível de concentração, o atleta será capaz de

se aperceber da dinâmica associada a cada técnica e aperfeiçoa-las de forma a melhorar

a performance e a eficácia de cada uma.

Transitando ao nível espiritual, o atleta começará a sentir uma energia proveniente

do ambiente circundante e aplicá-la em cada movimento. Nesta altura, torna-se quase

impossível derrotá-lo. Atinge um nível em que é capaz de derrotar qualquer adversário

com uma só técnica. Na presença de situações problemáticas, o praticante que atingiu o

nível espiritual terá de ser capaz de resolver todos os problemas sem ter de que recorrer

ao conhecimento adquirido ao longo da sua vida de praticante de Taekwondo.

Experiência obtida com os jovens do Lar de Semide.

 Experiência obtida com os jovens do Lar de Semide. Durante dois anos desenvolvi um projecto

Durante dois anos desenvolvi um projecto com os

Jovens que estavam colocados no Lar de Semide por

ordem do tribunal de menores. Esta instituição recebia

os jovens enviados por este tribunal e mantinha-os até

perfazerem dezoito anos, sendo que só podiam sair do lar para efeitos de educação e

actividades.

Estes jovens tinham falta de estruturas sócio-familiares e na grande maioria não

tinham adquirido as condições necessárias para um bom desenvolvimento intelectual.

Deparei-me com situações delicadas, tais como adolescentes que não tinham a

capacidade de saber o porquê da importância de respeitar as normas impostas pela

sociedade, deturpando a noção de liberdade. Apercebi-me, pois, que eram crianças com

grandes carências afectivas. Estas situações manifestavam-se sob a forma de violência,

desinteresse e marginalidade.

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Perante tais situações, vi-me na necessidade de organizar um plano de treinos

específicos.

A nível estrutural dividi o grupo em três subgrupos:

1. Dos seis aos doze anos;

2. Dos doze aos catorze anos;

3. Dos catorze aos dezassete anos.

Tinha ainda outro problema, pois, por variadas razões, estes jovens só tinham um

treino por semana, de uma hora, por grupo.

Feita a divisão, foi necessário iniciar uma aproximação às crianças, de forma a que

elas sentissem que podiam confiar em mim. Contudo, esta aproximação foi complexa,

pois apesar de ter a necessidade de estar próximo deles, era impreterível conseguir

transmitir disciplina.

Para ultrapassar esta situação, movimentei-me e contactei com outras escolas no

sentido de se realizarem intercâmbios. Dos sessenta jovens, seleccionei os dez que mais

demonstraram ter uma evolução considerável.

Seguindo as regras da instituição, os jovens eram submetidos a sessões semanais

com o psicólogo, que se encarregava de acompanhar a evolução individual de cada

criança e de ma transmitir, de forma a que nunca corrêssemos o risco destes não estarem

a ter uma formação apenas parcial de Taekwondo.

O passo seguinte foi participar com os atletas seleccionados em competições.

Contudo, os atletas não disponham nem de material nem de meios financeiros para o

adquirirem. Para ultrapassar esta dificuldade, utilizei um método não pedagógico, ou

seja, emprestava-lhes o meu material e o de outros atletas da minha responsabilidade.

Conforme é sabido, é imprescindível que cada atleta tenha o seu material e que esteja

integralmente adaptado a esse material.

Desenvolvi sessões de meditação para que eles clarificassem os seus próprios

pensamentos de forma gradual. Dei-lhes todo apoio que podia, mostrei-lhes que

acreditava neles e que se quisessem e se treinassem arduamente, poderiam ser grandes

atletas de Taekwondo. Foi imprescindível eles perceberem que, para mim eram todos

iguais e que me limitava a mostrar-lhes o Do do Tae e do Kwon.

Passados os primeiros seis meses de treinos, obtivemos os primeiros resultados. Em

reunião com o psicólogo, tive a excelente notícia que o grupo de dez estava mais

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focado, começavam a ter bons resultados nos estudos, já não resolviam os problemas

com violência e estavam mais corteses nos seus relacionamentos.

Atendendo a este excelente resultado optei por lhes dar uma compensação e

organizei um torneio em que pudessem participar, o Meeting da Latada 2004. Para este

torneio convidei a melhor equipa de competição de Portugal, da qual eu próprio fazia

parte, a ATK, e disse-lhes que aqueles eram os melhores do Taekwondo, na vertente de

combate, em Portugal. Acrescentei que tinha convidado os melhores porque também eu

acreditava que eles tinham capacidade de os defrontar e ter bons resultados.

De facto, nesse torneio, estes jovens defrontaram-se como verdadeiros lutadores,

nunca se sentindo inferiores. Acabaram por ter melhores resultados que o que seria de

esperar.

Tivemos o cuidado de gravar os combates de todos eles e depois passar as gravações

do torneio no Lar de forma a que eles se sentissem orgulhosos pelo trabalho que

estavam a desenvolver, bem como para que os outros cinquenta se interessassem mais

pela modalidade.

No Natal e no início das férias grandes, era hábito do Lar fazer-se uma festa para

que os jovens pudessem demonstrar às suas famílias o que tinham feito ao longo de um

ano. Eles empenharam-se para que a demonstração de Taekwondo saísse perfeita.

Assisti a situações em que um jovem, por se ter enganado na execução de uma técnica,

começou a chorar, acabando eu por ter de o tranquilizar desdramatizando a situação.

Ao fim de dois anos de projecto submeti os atletas à sua prova de fogo. Participei

com eles no Torneio Queima das Fitas 2005, torneio este em que estavam presentes um

total de 143 atletas. Este torneio tem um nível igual ou superior a um campeonato

nacional. Demonstraram um tal empenho que todos conseguiram um lugar num podium,

tendo ainda conseguido efectuar técnicas só vistas nas equipas de demonstração

coreanas, técnicas estas que mesmo nós, ao fim de tantos anos de treino, temos

dificuldade em executar.

O Taekwondo e o seu contributo para o desenvolvimento psicossomático da criança Pedro Miguel Baptista Machado 25/10/2005

Experiência obtida treinar diariamente crianças.

 Experiência obtida treinar diariamente crianças. Em contraste com a situação descrita acima, tenho

Em contraste com a situação descrita acima, tenho

trabalhado com jovens provenientes de famílias

estruturalmente e socialmente bem inseridas na sociedade.

Contudo, e com a evolução da mentalidade social actualmente

vigente, tenho vindo a verificar que se caminha para uma falta

de valores generalizada. Os jovens demonstram ser bastante

indisciplinados, e, para tornar a situação ainda mais complexa,

alguns pais tentam interferir com o trabalho do treinador.

Certos jovens vêm com o único interesse de treinar a componente física do

Taekwondo, situação esta que não pode ser

física do Taekwondo, situação esta que não pode ser tolerada pelo treinador. Para que o atleta

tolerada pelo treinador.

Para que o atleta seja bem formado é

necessário que o treinador imponha disciplina e

que não permita interferência de factores externos

ao treino. Caso não consiga reunir as condições

necessárias, é preferível aconselhar o atleta a

treinar outra modalidade, pois este demonstra,

assim, que não tem apetência para a prática do

Taekwondo.

Se o treinador seguir à risca estas normas, conseguirá formar excelentes praticantes

de Taekwondo e grandes pessoas com uma distinta conduta social.

Experiência obtida como praticante.

Pessoalmente comecei o meu treinamento já um pouco tarde, com doze anos. Era

um aluno que tinha grandes dificuldades de coordenação de movimentos e pouca

elasticidade, factos inerentes à minha estatura. Para compensar, era muito dedicado, ia

para os treinos uma hora mais cedo para treinar o que para os outros era simples e ficava

mais uma hora depois do treino para corrigir técnicas e posições em frente ao espelho.

Tinha como objectivo ser o melhor. Para ter sucesso, tentava captar toda a

informação que me era transmitida, eliminando tudo o que fossem críticas destrutivas e

aproveitando as críticas construtivas.

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Quando cheguei aos meus dezasseis anos fui captado para a Selecção Nacional,

motivo que constituiu uma grande honra. A partir desse momento, treinei ainda mais,

pois já não tinha só o objectivo de ser o melhor da minha categoria em Portugal mas

pretendia construir um nome a nível nacional e se possível a nível internacional.

Ao atingir uma outra meta, a de adquirir o cinto negro, que coincidiu com a minha

entrada para universidade em Coimbra, deparei-me com um problema. Não havia

Taekwondo em Coimbra. Este problema tinha duas hipóteses de resolução: ou desistia

ou fundava eu próprio uma escola. Optei pela segunda opção, e fundar uma escola do

nada.

Nesta fase, comecei pela primeira vez a admirar a beleza técnica, a questionar o

porquê de a técnica se realizar daquela forma, qual a sua aplicação, e a melhorar as

técnicas de base.

Actualmente, sinto que entrei na parte espiritual, não me consigo imaginar sem o

Taekwondo, é algo que faz parte do meu quotidiano. Sinto a necessidade de saber mais

e mais. Quando executo uma técnica faço-a com convicção e com a sensação que nada

nem ninguém a pode evitar. Sinto todos os movimentos, critico-me cada vez que

executo uma técnica de uma forma menos adequada. Tento experimentar outras formas

de as executar, procurando a existência de alguma forma de as executar com mais

eficácia.

Quando faço competição não sinto nervosismo, concentro-me no meu objectivo,

marcar pontos. Não me preocupo com quem vou competir, sinto-me completamente à

vontade para defrontar qualquer adversário. Socialmente, não tolero injustiças, procuro

sempre dar o exemplo e ser cortês. Sou extremamente confiante, tento sempre vencer as

metas, mas quando não o consigo, aceito a derrota e tento tirar algo dela felicitando o

vencedor.

a derrota e tento tirar algo dela felicitando o vencedor. Conclusão: O Taekwondo é uma arte

Conclusão:

O Taekwondo é uma arte marcial, com forte ligação à tradição coreana, que visa

que a aprendizagem de defesas, levando os praticantes a se conhecerem melhor e a

acreditar em si próprios.

Esta arte marcial, quando é ministrada, como um todo, a crianças, ensina-lhes a

importância do método, da auto-disciplina e da apreensão de toda a informação que

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lhes é dada ao longo da vida. Ensina ainda a importância da honestidade, o respeito

pelos mais fracos e a defesa da justiça, seja em que circunstância for.

Torna as crianças menos violentas e mais aptas a clarificar a mente.

Resumiria o princípio do Taekwondo a uma expressão que ouvi com um mestre

coreano “Deus criou os homens todos diferentes, depois apareceu o Taekwondo e

fez dos homens todos iguais!”.

apareceu o Taekwondo e fez dos homens todos iguais!”. Bibliografia: 1. Diciopédia – Porto Editora; 2.

Bibliografia:

1. Diciopédia Porto Editora;