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EXPERIÊNCIAS LABORATORIAIS SOBRE A INFLUÊNCIA DO MOVIMENTO DE CHUVADAS NO TRANSPORTE DE SAIS SOLÚVEIS NO ESCOAMENTO SUPERFICIAL

João L. M. P. de Lima * , Celia B. González * , M. Isabel P. de Lima **

* Instituto do Mar - Centro Interdisciplinar de Coimbra, Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Ciências e Tecnologia.

** Instituto do Mar - Centro Interdisciplinar de Coimbra, Departamento Florestal, Escola Superior Agrária de Coimbra.

Resumo

O escoamento superficial em zonas agrícolas contribui significativamente para o problema da qualidade da água em muitas bacias hidrográficas. Sendo a maioria de fertilizantes, insecticidas e outros agro-químicos aplicados superficialmente, no solo, é importante conhecer a dinâmica do transporte destas substâncias no escoamento superficial.

Este estudo apresenta os resultados de trabalhos laboratoriais que foram realizados com o fim de estudar a influência do deslocamento de chuvadas na dinâmica do transporte de sedimentos e químicos solúveis no escoamento superficial. As experiências foram realizadas usando um canal de terra e um simulador de chuva. O movimento da chuvada foi gerado fazendo-se mover o simulador de chuva, a velocidade constante, no sentido ascendente e descendente, ao longo do canal. O sal solúvel usado foi o cloreto de sódio, que foi aplicado à superfície do solo em forma cristalizada e em solução.

Os resultados obtidos revelam diferenças consideráveis no transporte associado a chuvadas idênticas com movimento ascendente e descendente. Chuvadas que se deslocam no sentido descendente conduzem a um maior transporte do que chuvadas idênticas que se deslocam, à mesma velocidade, no sentido ascendente.

Palavras-chave

Poluição difusa; Agro-químicos; Movimento da precipitação; Escoamento superficial; Simulador de chuva.

1. Introdução

O escoamento superficial em zonas agrícolas contribui significativamente para o problema da qualidade da água em muitas bacias hidrográficas. Sendo a maioria de fertilizantes,

importante

conhecer a dinâmica do transporte destas substâncias no escoamento superficial. Esse transporte afecta a qualidade das águas a jusante, podendo constituir uma fonte de poluição e afectar os ecossistemas em áreas a jusante das da aplicação dos agro-químicos.

insecticidas

e

outros

agro-químicos

aplicados

superficialmente,

no

solo,

é

Vários autores têm referido a existência de alterações nas características do escoamento superficial gerado por precipitação com origem em frentes móveis, relativamente às que são observadas quando a precipitação é estática. Entre outras, existem variações ao nível dos caudais de ponta, tempo de base do escoamento superficial, forma dos hidrogramas e volume de escoamento. Por exemplo, ignorar o movimento da chuvada pode resultar em estimativa por defeito ou por excesso dos caudais de ponta (e.g., Maksimov, 1964; Yen e Chow, 1968; Wilson et al., 1979; Singh, 1998; Lima e Singh, 1999).

Devido à inter-relação entre a chuva e o escoamento superficial, espera-se que o movimento das chuvadas afecte o escoamento e o transporte a ele associado, quer de sedimentos quer de agro-químicos. Este estudo apresenta os resultados de trabalhos laboratoriais que foram realizados com o fim de estudar a influência do deslocamento de chuvadas no transporte de sedimentos e químicos solúve is no escoamento superficial. As experiências foram realizadas usando um canal de terra e um simulador de chuva, o que permitiu controlar as características espaciais e temporais da precipitação, as condições de humidade do solo e as concentrações das substâncias aplicadas à superfície do solo. O movimento da chuvada foi gerado fazendo- se mover o simulador de chuva, a velocidade constante, no sentido ascendente e descendente, ao longo do canal de terra. O sal solúvel usado foi o cloreto de sódio, que foi aplicado à superfície do solo em forma cristalizada e em solução.

Salienta-se que, apesar dos processos agora investigados já terem sido extensivamente estudados tanto no campo como no laboratório, recorrendo a simuladores de chuva (e.g., Bryan e De Ploey, 1983, Bowyer-Bower e Burt, 1989, Morgan, 1995), a grande maioria dos estudos utilizou intensidades de precipitação constantes, o que contrasta fortemente com as características de chuvadas naturais que são altamente variáveis tanto no tempo como no espaço (e.g., Huff, 1967; Eagleson, 1978; Sharon, 1980; Lima, 1998; Willems, 2001). As distribuições espacial e temporal da precipitação estão entre os factores principais que afectam o escoamento superficial em solos inclinados.

2. Instalação experimental

Este estudo utilizou, como equipamentos principais, uma estrutura de suporte do solo, designada ao longo do texto por canal de terra, e um simulador de chuva. Estes equipamentos descrevem-se de seguida (ver Figura 1).

Direcção da chuvada

Direcção da chuvada

Direcção da chuvada

Direcção da chuvada

(ascendente) (ascendente) (ascendente) (ascendente) (descendente) (descendente) (descendente) (descendente) chuva
(ascendente)
(ascendente)
(ascendente)
(ascendente)
(descendente)
(descendente)
(descendente)
(descendente)
chuva
chuva
simulada
simulada
solo solo
solo
solo

canal de terra

canal de terra

recolha do

recolha do

escoamento superficial

escoamento superficial

Fig. 1. Esquema da instalação labor atorial, onde se pode observar o canal de terra e o simulador de chuvadas móveis, com a indicação do sentido ascendente e descendente das chuvadas.

2.1.

Canal de terra

O canal de terra foi construído em ferro zincado, com as seguintes dimensões: 2.0 m de

comprimento, 0.1 m de largura e 0.12 m de altura. A estrutura permite o ajuste da inclinação

do canal, através de pés reguláveis, e a recolha do escoamento superficial no extremo de

jusante do canal de terra. A influência da inclinação do solo não foi considerada neste estudo, embora este seja reconhecidamente um dos factores críticos que controlam a erosão do solo pelo escoamento superficial (Bryan e Poesen, 1989); realizaram-se todas as experiências com

a superfície do solo inclinada a 10%.

2.2. Características do solo

O solo usado nas experiências laboratoriais foi recolhido na margem direita do rio Mondego,

em Coimbra, Portugal. O material terrígeno estava disponível em quantidade e exibia, in situ,

sinais de importante erosão hídrica. O material foi removido de um afloramento do Triássico, composto por rochas sedimentares com pendor de 10º Oeste. Quanto à mineralogia, ele é principalmente composto por quartzo, feldspatos, quartzito, moscovite e minerais argilosos. O solo consiste em 11% de argila, 10% de silte e 79% de areia.

2.3.

Características do simulador de chuva

As

componentes básicas do simulador de chuva usado neste estudo foram as seguintes: três

nebulizadores e respectiva estrutura de sustentação, e as ligações com o reservatório de alimentação do sistema e com a bomba. Os nebulizadores, orientados para baixo, são de cone preenchido (3/8 HH - 22 FullJet – Spraying Systems Co.).

Os nebulizadores foram instalados à altura de 2.2 m, medida acima do centro geométrico da

superfície do solo e encontravam-se distanciados entre si de 0.95 m. A pressão de funcionamento no bocal dos nebulizadores foi mantida constante (1.6 bar). A manutenção de

uma pressão estável evitou variações na intensidade da chuva durante os eventos simulados.

O deslocamento da chuvada foi obtido movendo-se a estrutura de sustentação dos

nebulizadores sobre rodas ao longo do canal e em sentidos opostos. Isto foi conseguido usando dois motores eléctricos. A velocidade de deslocamento do simulador de chuva foi sempre de 0.18 m/s.

3. Metodologia

Os ensaios laboratoriais consistiram na aplicação sobre o canal de terra de chuvadas simuladas, movendo-se no sentido ascendente e descendente segundo a direcção da linha de maior declive da superfície do solo (Figura 1). Cada experiência laboratorial consistiu em várias repetições consecutivas de chuvadas idênticas, nunca em número inferior a 4. Neste trabalho, designam-se por chuvadas idênticas chuvadas que têm a mesma intensidade de precipitação, mesmo padrão e igual distribuição do diâmetro equivalente das gotas, e que se deslocam na mesma direcção e sentido com a mesma velocidade.

Os ensaios foram realizados para uma inclinação do canal de terra de 10%. Durante cada

evento chuvoso foi mantida constante a velocidade de deslocamento da chuvada (0.18 m/s) e

a sua duração. Antes de se iniciar cada experiência, constituída por uma série de ensaios, foi

aplicado um químico solúvel sobre o solo, no caso, cloreto de sódio. O solo colocado no canal

de terra foi sempre substituído após as várias repetições consecutivas de cada evento chuvoso

simulado num dado sentido (descendente ou ascendente).

3.1. Medição das chuvadas

Nas experiências de laboratório usou-se uma única chuvada. A distribuição da intensidade da chuva ao nível do solo foi medida num plano horizontal, para a chuvada estática (Figura 2). Como a largura da superfície do solo é pequena (0.1 m), a intensidade da chuvada simulada pode ser considerada unidimensional, isto é, variável somente ao longo do canal de terra. A intensidade média da chuvada foi 3.2 mm/min e o comprimento de aplicação da água ao nível da superfície do solo foi 5.3 m. O volume total precipitado em cada evento foi aproximadamente 310 ml. O tamanho médio das gotas (diâmetro equivalente das gotas) foi aproximadame nte 1.5 mm (Lima, 1997).

Nebulizadores 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 -3.0 -2.5 -2.0 -1.5
Nebulizadores
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
-3.0
-2.5
-2.0
-1.5
-1.0
-0.5
0.0
0.5
1.0
1.5
2.0
2.5
3.0
precipitação (mm/min)

distância (m)

Fig. 2. Distribuição da intensidade da chuva simulada ao nível do solo (superfície horizontal). Os nebulizadores, a operar a uma pressão de 1.6 bar, estavam posicionados a 2.2 m da superfície do solo e distanciados entre si de 0.95 m. O ponto correspondente ao zero do eixo das abcissas corresponde ao posicionamento do nebulizador central.

3.2. Medição da perda de solo e do sal solúvel transportado

Antes de ser colocado no canal, o solo foi submetido a um procedimento padrão tendo sido

peneirado para remover pedras grosseiras e material orgânico (e.g. raízes). Posteriormente, o solo foi colocado uniformemente no canal de terra, em camadas sucessivas, até se obter uma espessura uniforme de solo no canal de 0.1 m. Estes procedimentos foram repetidos para as diferentes experiências, constituídas por um conjunto de repetições das simulações de chuva.

O teor de água da camada superficial do solo foi controlado por equipamento TDR (Time

Domain Reflectometer).

O transporte de sal solúve l no escoamento superficial foi investigado a partir da aplicação de

cloreto de sódio na superfície do solo. Essa aplicação foi feita de duas formas: aplicação de 500 ml de uma solução de cloreto de sódio a 25 g/l; e aplicação de 25 g de cloreto de sódio na

forma cristalizada. O sal, quer em solução quer em grão, foi espalhado de uma forma uniforme sobre o solo. As aplicações de sal foram feitas antes de cada experiência, entendendo-se por uma experiência um conjunto de repetições de um evento chuvoso, movendo-se num dado sentido.

O escoamento superficial e os sedimentos e sal solúvel transportados, associados a cada

evento chuvoso simulado, foram colectados em recipientes colocados na extremidade inferior

do canal de terra. O peso dos sedimentos foi estimado por secagem das amostras num forno, a

baixa temperatura. A quantidade de sal transportada no escoamento superficial foi estimada com um condutivimetro portátil devidamente calibrado.

Nalguns ensaios fez-se a recolha do escoamento superficial de 10 em 10 segundos após o início do escoamento superficial, enquanto que nos outros só foi recolhida a totalidade do escoamento resultante de cada evento chuvoso. No primeiro caso o objectivo foi caracterizar a evolução no tempo do transporte sólido e de sais solúveis no escoamento superficial.

4. Resultados e discussão

Todos os ensaios foram realizados para uma inclinação da superfície do solo de 10% e uma velocidade de deslocamento da chuvada de 0.18 m/s. Contudo, as condições iniciais de água

no solo não foram idênticas em todos os ensaios o que afectou as condições de infiltração da

água no solo e, consequentemente, o correspondente escoamento superficial e os processos de transporte a ele associados. Observou-se claramente a existência de escoamento Hortoniano

no canal, que ocorreu somente em partes da superfície do solo, dado que as chuvadas estavam em movimento.

A Figura 3 mostra os hidrogramas observados para duas das experiências, constituídas por

quatro repetições consecutivas de chuvadas idênticas movendo-se no sentido ascendente e o

mesmo número de repetições de chuvadas movendo-se no sentido descendente. Nestas experiências as condições iniciais de humidade do solo em cada evento simulado foram sensivelmente as mesmas. Consequentemente, os quatro hid rogramas obtidos para chuvadas

movendo-se em cada sentido (ascendente e descendente) são aproximadamente idênticos. Os resultados confirmam a existência de diferenças notáveis relativamente aos caudais de ponta, tempo de base do escoamento superficial e forma dos hidrogramas, quando se comparam os hidrogramas correspondentes a chuvadas ascendentes e descendentes. As chuvadas movendo-

se no sentido descendente conduziram a maiores caudais de ponta (cerca de quatro vezes superiores) e menores tempos de base dos hidrogramas.

0.015 0.013 Descendente 0.010 0.008 Ascendente 0.005 0.003 0.000 0 10 20 30 40 50
0.015
0.013
Descendente
0.010
0.008
Ascendente
0.005
0.003
0.000
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
caudal (l/s)

tempo (s)

Fig. 3. Hidrogramas de escoamento superficial para quatro repetições consecutivas de chuvadas idênticas movendo-se no sentido descendente e ascendente, ao longo do canal.

O

transporte de sedimentos associado ao escoamento superficial a que diz respeito a Figura 3

encontra-se representado na Figura 4, onde se pode igualmente observar a variação temporal ocorrida relativa a este processo. O transporte do material erodido do solo foi feito,

principalmente, através do escoamento superficial.

20 15 Descendente 10 Ascendente 5 0 0 10 20 30 40 50 60 transporte
20
15
Descendente
10
Ascendente
5
0
0
10
20
30
40
50
60
transporte sólido (g/m 2 )

tempo (s)

Fig. 4. Variação no tempo da quantidade de sedimentos transportada no escoamento superficial, para quatro repetições consecutivas de chuvadas idênticas movendo-se no sentido descendente e ascendente, ao longo do canal. Na Figura 3 apresentam-se os hidrogramas de escoamento superficial correspondentes.

Os resultados destas experiências mostram que também existem diferenças significativas na perda de solo associada a chuvadas idênticas que se movem em sentidos opostos ao longo do canal. A perda de solo para as chuvadas com movimento descendente foi sempre maior do que a perda de solo para chuvadas idênticas com movimento ascendentes. Note-se que, com o aumento do número de eventos simulados, ocorreram necessariamente mudanças das características da camada superficial do solo (i.e., redução dos finos existentes na camada superficial, transportados em eventos precedentes). Isto conduz a uma ligeira redução, progressiva, do material sólido transportado à medida que se sujeita o solo à acção de mais repetições consecutivas do mesmo evento chuvoso. Relembra-se que, no canal, o solo foi substituído antes de se proceder a cada uma das experiências de simulação de chuva, mantendo-se o solo durante a realização das várias repetições consecutivas que constituíam cada uma das experiências. A infiltração pode também ter sido afectada devido à ocorrência de processos físico-químicos resultantes da interacção do sal com as partículas do solo (e.g. argila).

A Figura 5 mostra a variação no tempo do sal transportado no escoamento superficial, ainda

para as mesmas experiências relatadas anteriormente (Figuras 3 e 4). Neste caso o sal foi aplicado em grão sobre a superfície do solo de acordo com o procedimento descrito no capítulo 3. Assinala-se que em cada uma das experiências o sal foi aplicado à superfície do solo uma única vez, ou seja, antes de cada conjunto de repetições consecutivas do mesmo tipo de chuvada que diz respeito a cada experiência. O sal transportado no escoamento superficial diminuiu à medida que se procedeu a mais simulações de chuva, como se observa na Figura 5. Esta diminuição é mais acentuada nas chuvadas descendentes.

Durante a primeira chuvada foi transportada grande quantidade de sal, parte dissolvido no escoamento superficial parte em grão, comparativamente com as quantidades transportadas

nas chuvadas seguintes. As diferenças observadas nos resultados obtidos para chuvadas que

se moviam no sentido ascendente e descendente devem-se às características dos hidrogramas de escoamento superficial correspondentes. As chuvadas descendentes conduzem, por exemplo, a caudais de ponta mais elevados, com grande capacidade de transporte.

3.0 3.0 1ª Descendente 2ª Descendente 2.5 2.5 1ª Ascendente 2ª Ascendente 2.0 2.0 1.5
3.0
3.0
1ª Descendente
2ª Descendente
2.5
2.5
1ª Ascendente
2ª Ascendente
2.0
2.0
1.5
1.5
1.0
1.0
0.5
0.5
0.0
0.0
0 20
40
60
80
100
0
20
40
60
80
100
tempo (s)
tempo (s)
3.0
3.0
3ª Descendente
4ª Descendente
2.5
2.5
3ª Ascendente
4ª Ascendente
2.0
2.0
1.5
1.5
1.0
1.0
0.5
0.5
0.0
0.0
0 20
40
60
80
100
0
20
40
60
80
100
tempo (s)
tempo (s)
transporte de sal (g)
transporte de sal (g)
transporte de sal (g)
transporte de sal (g)

Fig. 5. Variação no tempo da quantidade de sal transportado no escoamento superficial, para quatro repetições consecutivas de chuvadas movendo-se no sentido ascendente e descendente, ao longo do canal. Na Figura 3 apresentam-se os hidrogramas de escoamento superficial correspondentes.

As Figuras 6 e 7 confirmam o comportamento observado relativamente ao transporte de sal, agora para um conjunto alargado de ensaios laboratoriais. Nestas Figuras, o eixo das abcissas diz respeito ao número de ordem das várias repetições consecutivas de simulações de chuva realizadas no âmbito de cada experiência, num dado sentido. No primeiro conjunto de experiências aplicou-se na superfície do solo uma solução de cloreto de sódio (40 chuvadas, ver Figura 6) e no segundo conjunto de experiências aplicou-se este sal em grão (44 chuvadas, ver Figura 7), de acordo com o descrito no capítulo 3. As Figuras mostram a média e o desvio padrão da quantidade de sal transportada no escoamento superficial correspondente a cada uma das simulações de chuva realizadas.

Os resultados obtidos mostram alguma dispersão, que é justificada pela variabilidade das variáveis envolvidas (solo e chuva simulada), pelo procedimento experimental relacionado com a preparação e enchimento do canal de terra e pelas eventuais diferentes condições antecedentes de humidade na coluna de solo e ao longo do canal de terra. Nas Figuras 6 e 7, as curvas de aproximação numérica mostram a tendência do comportamento observado na comparação do sal transportado no escoamento superficial para chuvadas que se movem em sentidos opostos (ascendente e descendente).

18 15 12 Ascendente 9 Descendente 6 3 0 0 1 2 3 4 5
18
15
12
Ascendente
9
Descendente
6
3
0
0
1
2
3
4
5
6
transporte de sal (g/l)

número de ordem da chuvada

Fig. 5. Variação da concentração de sal (média e desvio padrão) no escoamento superficial associado a chuvadas consecutivas, num total de 40 simulações, movendo-se no sentido ascendente e descendente. O sal (cloreto de sódio) foi aplicado uniformemente na superfície do solo sob a forma de 500 ml de uma solução a 25 g/l.

12 10 8 Ascendente 6 Descendente 4 2 0 0 1 2 3 4 5
12
10
8
Ascendente
6
Descendente
4
2
0
0
1
2
3
4
5
6
transporte de sal (g)

número de ordem da chuvada

Fig. 6. Variação da quantidade de sal (média e desvio padrão) transportado no escoamento superficial associado a chuvadas consecutivas, num total de 44 simulações, movendo-se no sentido ascendente e descendente. O sal (cloreto de sódio) foi aplicado uniformemente na superfície do solo sob a forma cristalizada, num total de 25 g.

5. Conclusões

Este trabalho permite evidenciar a importância de se considerar o movimento das chuvadas na perda de solo e no transporte de agro-químicos associados ao escoamento superficial em encostas com diferentes orientações relativamente à direcção de ventos predominantes. O estudo mostra, experimentalmente, que as distribuições espacial e temporal da precipitação influenciam a dinâmica do transporte de sedimentos e de sais solúveis no escoamento superficial. Os resultados obtidos revelam diferenças consideráveis no transporte associado a chuvadas idênticas com movimento em sentidos opostos. Chuvadas que se deslocam no sentido descendente conduzem a um maior transporte do que chuvadas idênticas que se deslocam, à mesma velocidade, no sentido ascendente.

Estes resultados podem justificar-se face às respostas hidrológicas distintas observadas para chuvadas que se movem no sentido descendente e ascendente sobre planos inclinados. Quando comparadas com chuvadas que se movem no sentido ascendente, as chuvadas descendentes conduzem a escoamento superficial caracterizado por hidrogramas com maior caudal de ponta e menor tempo de base.

Futuras experiências laboratoriais deverão tomar em consideração diferentes características da chuvadas (e.g. comprimentos, intensidade e padrão da chuvada), diferentes características fisiográficas (e.g. forma e dimensão do canal de terra) e diferentes materiais (e.g. solo, sais).

Agradecimentos

Este estudo foi elaborado no âmbito do projecto de investigação POCTI/35661/MGS/2000, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) do Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT), aprovado no âmbito do Programa Operacional (POCTI) do Quadro Comunitário de Apoio III (2000-2006) e realizou-se no Laboratório de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). Algumas das experiências relatadas neste estudo foram realizadas com a colaboração do então aluno Sérgio Rolo, monitor do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

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