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Economia da Ergonomia

José Roberto Dourado Mafra

Ergonomista Economista. Professor Adjunto, FACC/UFRJ.

Conceitos apresentados

Capítulo

4

Neste capítulo veremos os conceitos chaves da Economia da Ergonomia, iniciando-se com uma breve revisão de fundamentos, para nos possibilitar o entendimento dos termos Economia da Ergonomia, os custos ergonômicos, os benefícios e o investimento necessário em Ergonomia 1 . Em seguida, caracterizaremos as principais contribuições metodologias discutidas na literatura, para, então, apresentarmos uma proposta de metodologia para a avaliação dos fatores de influência dos problemas, enquanto ausência de ergonomia, desde um ponto de vista dos impactos financeiros no negócio da empresa, para então tratarmos da avaliação do custo benefício, como base de argumentação com os níveis decisórios da organização. Finalizando o capítulo, trazemos uma breve panorâmica do custeio, referências para saber mais, um exemplo de aplicação, bem como exercícios e uma discussão.

4.1 Conceito: Qual o valor atribuído às coisas?

A Economia define seu conceito básico como a relação da utilidade com a satisfação de necessidades, ou seja, o valor das coisas; já a Ergonomia trata das relações ou interações entre seres humanos e sistemas de trabalho, ou seja, de suas interfaces (físicas, cognitivas e organizacionais) e coloca o ser humano no centro dos processos de trabalho. Desta forma, podemos deduzir que a Economia da Ergonomia trata do valor das coisas quando o ser humano faz interface com os sistemas de trabalho. O fundamento essencial de ambas as abordagens é convergente, na utilização “ótima” de recursos, ou seja: a qualidade de vida no trabalho (condições de realização) e a produtividade (qualidade do produto e da produção). Um aspecto técnico (do produto/produção) e um aspecto social (da saúde e do ser humano).

Para entendermos o que é tratado aqui, vejamos as duas vertentes teóricas. Na Economia, a preocupação com o funcionamento da firma, com seus problemas, já vinha sendo discutida desde o século retrasado (Adam Smith, Marx, Taylor etc.), onde eram tratados os problemas da eficiência técnica do funcionamento dos processos e das relações de trabalho. A Teoria da Firma, foi um conceito ampliado pelo economista britânico Ronald Coase, em seu artigo The Nature of Firm (Coase, 1937), onde tratou da questão dos contratos que, superpostos aos funcionamentos técnicos, se estabelecem para viabilizar o funcionamento da firma, com as questões do agenciamento, onde introduz o conceito de custos de transação para explicar a natureza e os limites das firmas; e "The Problem of Social Cost" (Coase, 1960), que sugere que os “direitos de propriedade” podem se sobrepor aos problemas das externalidades (ver Teorema de Coase).

Alguns conceitos importantes em Economia, no nosso caso, são: a teoria do valor e, principalmente, a questão do valor agregado, bem como o conceito de custo de oportunidade. Além disso, são importantes as questões envolvidas nas avaliações financeiras, de gestão econômica e de projetos de investimento.

1 Para efeito de destaque sempre empregaremos o termo Ergonomia como nome próprio.

A função de produção considera o processo de produção, que permite obter o máximo produto

a partir de certa quantidade de fatores de produção. Portanto, a função de produção, sendo

escolhido um determinado processo técnico e organizacional mais conveniente, indica o máximo de produto que se pode obter, com as quantidades de fatores.

A função de produção pode ser representada por:

Onde:

q = (x 1 , x 2 ,

,

x n ),

(1)

q = quantidade máxima produzida do bem, sendo q > 0 e

x 1 , x 2 ,

, x n são as quantidades utilizadas dos diversos fatores de produção, sendo x i > 0

(i = 1, 2,

,

n).

A função pode assumir várias formas. Considerando um exemplo linear de uma função de

produção temos:

q = c o + c 1 x 1 + c 2 x 2 +

+ c n x n

(2)

Para uma firma, q = produção de produtos, c = custos dos fatores, x 1 = área física disponível, x 2

= quantidade de trabalho, x 3 = elementos constituintes, x 4 = quantidade utilizada de insumos, e assim por diante; que, do ponto de vista econômico e para a engenharia de produção, devem ser balanceados para atingir o ótimo de produção.

O resultado da produção é multiplicado pelo preço do produto e se obtém a receita da empresa

que, ao serem descontados os custos de produção se obtém o “lucro”. Não entraremos aqui em maiores detalhes sobre as características econômicas, contábeis ou fiscais do lucro. O importante é entender o que pode afetar o resultado da empresa em termos de custos e receita, ou seja, por um lado, o que falta neste processo e estará afetando o lucro da empresa e, por outro lado, as providências e os investimentos necessários para recuperar ou aproximar o “ótimo de produção” no funcionamento daquela organização.

Na Ergonomia, as questões estão relacionadas aos aspectos físicos, cognitivos e organizacionais 2 , cujos fundamentos teóricos estão tanto na escola sociotécnica 3 (oragnização, sistema de pessoas e sistema técnico), quanto na teoria da atividade 4 (pessoas, ferramentas de mediação e objetivos). Neste ambito um conceito central é a diferença entre o trabalho prescrito onde figuram as normas e procedimentos formais, e o trabalho real, onde ocorrem as “variabilidades” em função da atividade e os operadores têm de lançar mão das “regulações”. Outros conceitos chave são o de “carga de trabalho”, o que pesa sobre o ser humano, e o de “situação de trabalho” onde se dá na interação com as interfaces dos sistemas de trabalho.

O ponto de partida da análise ergonômica é a demanda, que define uma ausência de Ergonomia na empresa. Ou seja, a função de produção apresenta problemas e não funciona tão bem como deveria. Nesta ausência, em geral, dois efeitos podem ser computados, quais sejam:

efeitos na qualidade de vida (saúde dos trabalhadores) e efeitos na produtividade (níveis da produção e qualidade do produto). A ausência em ambas têm origem nas condições de trabalho,

2 O aspecto organizacional em ergonomia também é conhecido como macroergonomia.

3 Ao Tavistock Institute for Human Relations, em Londres, é creditado a origem do conceito e da prática dos projetos de Sistemas Sócio Técnicos, no início da década de 40, a partir de estudos em minas de carvão na Inglaterra.

4 A teoria da atividade iniciou-se a partir dos trabalhos de Vygotsky e tem como princípio as ações do sujeito mediadas por ferramentas e destinadas a um objetivo. Além de Vygotsky, Luria e Leontiev, seus colaboradores, contribuíram para a expansão da Neuropsicologia e Neurolinguística, cabendo a Leontiev a proposição da teoria da atividade.

ou de produção. Cabe mencionar que, para o nosso entendimento, custos ergonômicos são resultados da ausência de Ergonomia.

Desta forma, na função de produção (equação 2), devem ser considerados, ou analisados, em uma função paralela (equação 3), das ausências de ergonomia nos fatores que apresentam desfuncionamento, ou perdas, sendo estes pontos onde deverão ser efetuadas intervenções, para que se possa melhorar o processo e atingir o ótimo de produção, desejado. Isto pode ser representado no sistema de equações a seguir:

pode ser representado no sistema de equações a seguir: q = c o + c 1

q = c o + c 1 x 1 + c 2 x 2 +

+ c n x n

(2)

d = d o + d 1 x 1 + d 2 x 2 +

+ d n x n

(3)

Para a mesma firma, d = perdas, d 1 x 1 = perdas em função da área física disponível, d 2 x 2 = perdas em função da quantidade de trabalho, d 3 x 3 = perdas em função dos elementos constituintes, d 4 x 4 = perdas em função da quantidade utilizada de insumos, entre outras, que do ponto de vista da ergonomia, para a engenharia de produção, é onde existem falhas no processo de produção.

Este comjumto de perdas, expressos na equação (3) pode, inicialmente, ser detectado nos próprios indicadores que a empresa utiliza. Entre estes se pode destacar falhas na gestão da qualidade, da saúde, do meio ambiente, da segurança ocupacional, além de perdas patrimoniais, de eficiência e de produtividade, que nem sempre ficam evidentes nos relatórios gerenciais. Nesse sentido, a metodologia da Ergonomia torna evidentes estas falhas e suas respectivas perdas. Dessa forma, as perdas no processo, diretas ou indiretas, relativas a problemas com a ausência de Ergonomia, são, então, classificadas como “custos ergonômicos”. Também conhecidos como custos sombra. Para a aplicação dessa metodologia, torna-se necessária uma abordagem participativa e social do trabalho.

As questões que se colocam são: A Ergonomia oferece benefícios reais ao negócio? E, como avaliar se uma intervenção de Ergonomia é viável (e em quanto) economicamente? Para responder a essas questões é necessário entender as questões do diálogo entre ergonomistas e homens de negócios, ao viabilizarem projetos e programas na empresa. Assim, para entender a forma como vem sendo encaminhado o problema da avaliação econômica da Ergonomia, buscou-se, na literatura, o estado do conhecimento a respeito desse tema.

4.2 Metodologias de custeio em Ergonomia

Como é demonstrado na literatura, variam, consideravelmente, os caminhos para demonstrar as vantagens econômicas da Ergonomia. Essas demonstrações vão desde o desenvolvimento de um modelo de caso de negócio, umas mais elaboradas, outras qualitativas, até abordagens de planilhas. De qualquer forma, todas as contribuições ajudam a confirmar que as intervenções de Ergonomia oferecem benefícios consideráveis para a organização em questão, incluindo resultados financeiros quantificáveis.

Num editorial da Applied Ergonomics, tratando da efetividade de custos da ergonomia, Stanton e Baber (2003) mencionam que um dos estudos clássicos de efetividade de custos da Ergonomia ocorridos na década de 70, veio do dispositivo de luz de freio colocada no centro e no alto do vidro traseiro nos automóveis (McKnight e Shinar, 1992; Akerboometal, 1993). Esse tipo de colocação da luz de freio oferece vantagens cognitivas sobre as luzes de freio convencionais. Estudos posteriores mostraram que os custos eram pequenos (US$ 10 por carro) e os benefícios bem maiores (estimados em torno de US$ 900 milhões de economias anuais), do que tinham sido antecipados. Os autores lamentam que nem todas as intervenções sejam de justificativas tão claras.

Beevis e Slade (1970) argumentam que justificativas para melhorias no desempenho de sistemas que envolvem humanos-máquinas, apesar de necessárias, não são suficientes sem o apoio de uma análise de custo-benefício. Apontam uma contradição no modo como essa evidência não estava sendo coberta pelos especialistas. Para descobrir se as intervenções de ergonomia eram efetivas em custos, eram tomadas medidas antes e depois da intervenção, após isso ganhos (ou perdas) eram contabilizados. Essa não é uma posição satisfatória para nenhuma organização quando está diante da implementação de mudanças. Homens de negócios precisam que os custos e ganhos devam ser identificados "antes" da decisão de implementar as mudanças que deverão ser feitas. Apontam como um sinal de maturidade da disciplina ser o quanto se pode antecipar na identificação de expectativas de retornos (perdas e ganhos).

Beevis (2003) reedita seu artigo de 1970, atualizando as questões, e aponta que as dificuldades na identificação de benefícios poderem ocorrer em virtude de alguns desses benefícios serem invisíveis. Ele sugere que quando nas organizações os administradores estão indiferentes ao problema, pode ser preciso um modelo de "caso de negócio" que preveja a viabilidade econômica da proposta de intervenção, para convencê-los da necessidade de investir. O que é diferente da organização "arriscar no escuro" com os custos da intervenção, para, após o fato, provar que a intervenção ergonômica foi viável.

Beevis identifica três categorias principais para a informação financeira: custos poupados (incluindo correta identificação do problema raiz ao invés de gastar dinheiro corrigindo o problema errado, aumento da produtividade, redução de danos, melhoria no moral, aumento de competência, entre outras); custo evitado (incluindo perda de vendas, aumento do treinamento, melhoria de suporte e manutenção, melhoria nas taxas de rejeição) e novas oportunidades (incluindo projeto de sistemas flexíveis, expansão de mercados para negócios, e maior âmbito de usuários). Comparado com as poupanças, o custo de uma intervenção ergonômica é, geralmente, bastante favorável.

Hendrick (1997) enfatiza que as organizações, usualmente, não estão dispostas a implantar uma intervenção a não ser que exista um claro benefício econômico para isso. Para auxiliar nessa abordagem, Hendrick delineia como identificar custos e benefícios, ao desenvolver uma proposta de intervenção ergonômica para uma empresa. Hendrick (2003) argumenta que o ergonomista profissional precisa colocar suas propostas ergonômicas em termos econômicos, ou seja, é necessário apresentar o projeto nesta linguagem, já que as decisões a respeito de mudanças devem ser racionalizadas em bases financeiras. Sua boa notícia é que, normalmente, "bons" projetos de Ergonomia têm resultados com expressivos benefícios econômicos, apresentando casos que apóiam essa afirmativa.

Oxenburgh (1997) propôs um sistema de análise de custo-benefício, baseado no trabalho de Liukkonen, que incorpora alguns dos conceitos de Custeio Baseado na Atividade (ABC - Activity Based Costing). O ABC foi um aprimoramento da contabilidade gerencial para melhorar a informação contábil para os gerentes e administradores das empresas. Nesse sistema de custeio baseado na atividade ou ABC, assume-se como pressuposto que os recursos de uma empresa são consumidos por suas atividades e não por produtos ou serviços que ela fabrica (NESS e CUCUZZA, 1995). Oxenburgh (2004), com base em seu método, desenvolveu um programa de computador. Seu método de análise baseia-se nos custos diretos e indiretos do trabalho, e os custos anteriores às mudanças e mais o custo das mudanças, são comparados com o previsto, no caso de planejamento e decisão, ou após a intervenção.

Um modelo de caso de negócio é proposto por Seeley e Marklin (2003), assinalando que administradores corporativos nem sempre entendem a relação entre uma intervenção ergonômica e os benefícios financeiros para a companhia. Eles também argumentam que a Ergonomia tem que aprender a linguagem do negócio para colocar seu trabalho de uma maneira mais efetiva.

Em todos os casos vistos, sugerem que os custos do envolvimento e da intervenção ergonômica tendem a ser uma pequena fração do orçamento total. Os custos das intervenções figuram em torno de 1% a 12% (HENDRICK, 2003), em que se situam com payback periods de 6 a 18 meses (OXENBURGH, 2004). O que apresenta um quadro bem otimista para a Ergonomia.

Duas questões devem ser ressaltadas, em termos da avaliação das intervenções ergonômicas, que dizem respeito às avaliações econômicas. Em primeiro, a questão do custeio (o que considerar)

e, em segundo, a avaliação propriamente dita (como tratar os dados). Ou seja, o problema

comum ao se estruturar uma análise financeira de projetos de investimento persiste. Segundo especialistas, o grande problema da análise de investimentos está na determinação dos elementos relevantes que irão compor a formulação da análise. Com esses elementos, ou o problema sendo estruturado, é uma aplicação de ferramentas matemáticas e a sensibilidade do analista para a avaliação. Nesse sentido, a forma de contabilizar as receitas e as despesas, que compõem o projeto, deve ser aprofundada, para se entender o problema que se quer analisar.

Desse modo, o método aqui proposto (adaptado de MAFRA, 2004), avalia os efeitos da ausência de Ergonomia e trata dos elementos desde a origem do problema, passando por suas alternativas de solução, até a implementação final, permitindo avaliar previamente a efetividade das proposições de soluções encaminhadas pela Ergonomia, como será visto a seguir.

4.2.1 Custeio da ausência de Ergonomia

Esta metodologia pode ser resumida em três grandes etapas, quais sejam: (i) Estimativa de perdas; (ii) direcionamento dos custos e expectativa de benefícios; e, (iii) gestão da solução. Vejamos estas etapas um pouco mais detalhadamente.

A primeira etapa consiste em se determinar uma Estimativa Inicial de perdas pela ausência de

ergonomia. A pergunta que deve ser feita aqui é: quanto a empresa está perdendo no processo?

A resposta estará apontando a efetividade em custos dos efeitos dos problemas que a empresa

apresenta. A técnica para se determinar o valor desta estimativa é: qualificar os problemas, quantificar a ocorrência dos efeitos e, então, precificar, ou seja, avaliar o valor monetário da ocorrência e multiplicar pela quantidade de ocorrências.

Quadro 1. Estimativa Inicial

Itens de Custeio

Natureza do parâmetro

Empresa no estado anterior à análise

Conjuntura, setor e posição da empresa.

Perspectivas de custo

Condições internas de operacionalidade

Quadro de custos

Mapeamento de problemas

O objetivo é obter um quadro de custos, que pode ser relativizado com a conjuntura, bem como

com o processo de que faz parte. Esse já aponta as possibilidades inerentes, bem como algumas decorrências da ausência da Ergonomia. Com uma demanda ergonômica estabelecida, pode-se orientar o custeio para a classe de problema dela decorrente.

A estimativa inicial aponta a proporção da ausência de ergonomia na empresa, como um todo.

Esse indicador engendra um debate com todos os agentes envolvidos, que abrange desde o quadro de características das situações de trabalho, com o estado atual da empresa, até as perspectivas de Custos Ergonômicos, tomados como perdas no processo. A essência do debate

é o reconhecimento de pontos de intervenção e a importância relativa que lhes é atribuída,

enquanto problemas. É necessário um consenso acerca desses dois aspectos para se prosseguir

na Ação Ergonômica. O resultado disso é a formação de um Quadro Básico da Situação.

Os Custos Ergonômicos podem ser: Custos Diretos: relacionados às pessoas - acidentes e lesões, absenteísmo, custos de treinamento, nível de habilidade requerida, tempo-padrão, manutenção; e, relacionados aos processos e materiais quebras de máquinas; erros e itens danificados; utilização de equipamentos além da necessidade; manutenção. E, também podem

ser Custos Indiretos, tais como processos trabalhistas e indenizações, custos fixos, entre outros.

Assim, definidos os elementos do Quadro Básico, estrutura-se o problema e com o grupo de Ergonomia, calcula-se e prepara-se o quadro de perdas, que representa um valor econômico para discussão com as pessoas da empresa. As possibilidades de perdas estão ilustradas, a seguir, no Quadro 2.

Quadro 2. Possibilidades de perdas estimadas na Instrução da Demanda

Perdas

Item de Custo

Definição

Ponto de impacto

Valor /

       

período

Funcionamento

Pessoal

Índices de ausência (absenteísmos e afastamentos);

Custo de compensação

 

Operacional

Gargalos, atrasos,

Lucro cessante em vendas

 

Perdas e refugos

Lucro cessante na planta

 
 

Imagem e Reputação

Vendas

Lucro cessante

 

Qualidade

Lucro cessante

 

Suplementares

 

INSS

Notificação e multas (FAP e NTEP)

 

Encargos e Fiscalização

Trabalhista

 
 

Vigilância Sanitária

Parada, interdição e multa

 

Total Estimado

   

Esse quadro indicativo é apresentado para discussão e consenso com a diretoria da organização. Então, aos problemas consensuados podem ser estabelecidas análises sistemáticas para o aprofundamento das questões, no que consistirão as etapas subseqüentes.

A segunda etapa consiste no direcionamento dos custos e em se determinar qual a expectativa

de benefícios da intervenção. Com a modelagem operante da situação de trabalho revelam-se as atividades reais nos sistemas, evidenciando a efetividade e, geralmente, uma série de atividades sombra, que se mostram como, naquele nível de problemas, são essenciais para a realização das

tarefas. A relação com a efetividade pode, então, ser estabelecida e os nexos de custos melhor percebidos. O tratamento desses permite desenvolver uma matriz de resultados possibilitando a transposição do quadro de problemas (abertos e mais genéricos) em um Quadro Ergonômico, evidenciando com maior precisão os custos da ausência de ergonomia, aos quais se podem adicionar os custos gerais de soluções (investimento necessário) dela decorrentes.

A pergunta aqui passa a ser: Quais são os Benefícios? Ou, o que é esperado em termos de

melhorias? Ao se analisar os problemas mais profundamente já se pode prever os tipos de soluções apropriadas, ou cabíveis em cada caso. Com base nessas opções se pode fazer os

orçamentos das alternativas de solução e prever a expectativa de benefícios, em cada caso. Então

a pergunta passa a ser: Quais são os Investimentos necessários? Ou seja, o que deve ser

mobilizado em termos de recursos, neste processo, para ocorrer uma transformação positiva?

Quadro 3. Expectativa de Benefícios

Itens de Custeio

Natureza do parâmetro

Localização de problemas

Determinação de nexo de perdas no processo

Orçamento da solução

Expectativa de ganhos no processo

Quadro de indicadores

Opções e decisão de investimento

Nesse momento serão discutidas as análises de alternativas, os orçamentos de soluções e recomendações. É quando acontecem a validação dos achados com a gerência e a restituição do problema para a diretoria e, ao mesmo tempo, o consenso do rumo dos projetos. Surge aqui, então, o Quadro de Alternativas para eliminação do problema, com proposições e propostas. Junto a esse quadro estão acopladas as Perspectivas de Ganhos (expectativas de retornos). São debatidas as propostas e pode ser especificado e feito o orçamento das soluções negociadas.

E, a terceira etapa, é a Gestão da Solução 5 , ou monitoramento e constatação de benefícios na

fase de implantação dos projetos. São escolhidas alternativas que propiciem as melhorias possíveis e de posse destas opções, pode-se verificar o impacto dos investimentos nas Soluções, bem como os benefícios e avaliar a efetividade da sua implantação.

Quadro 4. Gestão da Solução

Itens de Custeio

Natureza do parâmetro

Alternativas para eliminação do problema

Análise de ganhos no processo

Orçamento da solução

Opções e decisão de investimento

Avaliação de resultados

Acompanhamento após a solução

Cabe lembrar que a prevalência de custos relativos a perdas ergonômicas, é uma função da relevância da característica do problema. Cada um dos componentes do problema e seu respectivo custo representam um aspecto da demanda, informando em termos de efetividade e custo. Esse conjunto é um vetor integrado pelos n itens que formam o quadro da demanda, nessa perspectiva. Considerando que a Demanda Ergonômica é definida por uma função gerencial, pode-se admitir, associados nessa função, um quadro de Custos Ergonômicos, ou perdas por ausência de Ergonomia, problemas, que devem ser resolvidos.

4.2.2 Custo-benefício ou Efetividade em Ergonomia

O cálculo da Relação Custo Benefício (CB) de uma intervenção avalia os custos, enquanto

investimentos necessários e os benefícios são divididos em duas categorias: redução de custos

ergonômicos e ganhos de produtividade.

CB = B/C

(4)

Onde,

B = benefícios = redução do custo ergonômico + ganhos de produtividade

C = Investimento necessário ou Custo da intervenção

O cálculo da Relação custo efetividade CE de uma intervenção avalia os custos, enquanto

investimentos necessários e os benefícios são divididos em duas categorias financeiros (redução

de custos ergonômicos e ganhos de produtividade) e intangíveis, ou qualitativos.

CE = BE/C

(5)

Onde,

BE = Benefícios Efetivos = Resultados tangíveis (monetários) + intangíveis

C = Investimento necessário ou Custo da intervenção

4.3 Avaliação financeira de Projeto

As análises de investimentos tomam como base o risco, o retorno e a liquidez do projeto. Para

avaliar o investimento, de forma simples e rápida, adotam-se alguns métodos de análise, que partem da definição do Fluxo de Caixa Descontado (FCD) do projeto, quais sejam: o Valor Presente Líquido (VPL), a Taxa Interna de Retorno (TIR), a adição de valor sobre o custo de oportunidade da empresa e o pyaback period descontado, tempo de retorno do investimento, ou Ponto de Equilíbrio (PE). Com isso, algumas questões surgem. São estas: primeiro, como os benefícios serão percebidos na empresa e, em função disso, qual a regra de amortização a ser adotada (ROSS, WESTERFIELD e JAFFE, 2002).

5 Ver Capítulo sobre Gestão de Ergonomia na empresa.

4.4

Exercício de fixação

1. Numa análise em uma empresa têxtil, surgiram duas ordens de problemas, afastamentos e refugos, que

demonstravam perdas em torno de 33.500 dias perdidos e refugos de 100 mil pares de meias, por ano, num determinado setor da empresa. Isto, sem contar o menor aproveitamento dos espaços, capacidade ociosa, produtividade reduzida e os custos das lesões. Qual seria a estimativa inicial desta perda e o deve

ser a feito nesta situação?

Resposta: Estimativa inicial de perdas pela ausência de Ergonomia. Primeiramente, para os dias perdidos, se deverá saber os salários pagos, obtendo a fração diária dos salários e multiplicar pelos dias perdidos. No setor de pessoal é informado que o salário base pago aos trabalhadores nesse setor é R$450.00; deve-se multiplicar por dois para incluir, aproximadamente, os encargos pagos pelo empregador = R$900.00/mês. Divide-se pela média de 20 dias úteis do mês = R$45/dia. E multiplica-se pelos dias perdidos (33.500 x R$45) = R$1.507.500,00. Em segundo, para os refugos, se multiplica a quantidade de refugos pelo valor unitário do custo do produto. No setor de produção é informado que o custo do par

de meias é R$5,00 (100000 x R$5,00 = R$500.000). Somando-se os dois valores, totaliza R$2.007.500,00

como estimativa inicial de perdas pela ausência de Ergonomia.

O que deve ser feito neste caso: um estudo do fluxo de produção para a identificação de focos de

problemas na linha (gargalos, erros, re-trabalhos, esforços físicos excessivos, repetitividade, entre outros) e

valores serão então relacionados com as características dos problemas (estrutura de causa e efeito), onde serão analisados para serem propostas soluções.

os

2.

No caso anterior, faça a análise de retorno e liquidez, adotando uma opção de investimento na ordem

de

R$ 200.000,00, considerando como risco do projeto a expectativa de benefícios de redução de 50%

dos dias perdidos e eliminação de 98% dos refugos, no primeiro ano.

Resposta: Num primeiro momento os ganhos de R$ 1.003.750,00 em dias perdidos e de R$490.000,00 em refugos = R$1.493.750,00, considerados os retornos no ano. Dividindo pelo investimento obtemos uma proporção de 7,46875:1, ou seja: 747% de retorno sobre o investimento. E o investimento se paga em 0,134 6 ano, que é aproximadamente um mês e 18 dias, ou 48 dias. Acrescenta-se a ressalva que não foram avaliados os ganhos de produtividade, utilização da capacidade ociosa, indenizações trabalhistas, entre outras, o que tornaria o resultado do projeto ainda mais atrativo do ponto de vista de investimento.

4.5 Conclusão

Parece claro que a Ergonomia pode ser caracterizada como um caso de negócio. E, como é demonstrado na experiência e registrado na literatura, a Ergonomia apresenta resultados bastante atrativos do ponto de vista econômico e financeiro. A Ergonomia, quando aliada à Qualidade, coloca-se como base no requisito de melhoria contínua dos processos. Porém, diferentemente da qualidade, que é uma exigência de mercado (Normas ISO), a Ergonomia tem, no Brasil, exigência de Lei, pela Norma Regulamentadora 17, do Ministério do Trabalho e Emprego, que agora vem a ser reforçada com o FAP 7 e o NTEP 8 . Compreende-se sua exigência legal pelo simples fato das condições de trabalho colocarem em risco a integridade física e mental dos trabalhadores. Mas, curiosamente, em geral, as melhorias da Ergonomia trazem, efetivamente, benefícios para os processos produtivos. Isso ocorre em termos de melhorias em diversos aspectos do processo, tais como: produtividade, qualidade da produção, moral dos trabalhadores, entre outros, e que, em todos os casos podem ser traduzidos em resultados financeiros.

Nesse momento, será feita uma breve panorâmica do custeio:

6 É o inverso do retorno, neste caso de 7,46875.

7 Fator Acidentário Previdenciário, Decreto nº 6.042, de 12/02/2007.

8 Nexo Técnico Epidemiológico, Lei nº 11.430, em 26/12/2006, alterando o Art. 2º da Lei no 8.213, de 24/07/1991 (Plano de Benefícios da Previdência Social), dando origem ao nexo técnico epidemiológico. O NTEP é a componente freqüencista do FAP, a partir da qual se dimensiona, para os benefícios, a gravidade e o custo.

Primeira etapa - evidenciam-se as condições e a proporção de perdas em termos de custos ergonômicos; Segundo etapa - na modelagem operante, refinam-se os elementos e impactos da ausência da ergonomia, na forma de custos, e avalia-se a perspectiva de benefícios; Terceira etapa - gestão e acompanhamento da implantação da solução, avaliação dos resultados, ou seja, o impacto das soluções naquela organização. Estruturação dos dados pontuados tanto pelo custeio, quanto pelas avaliações de investimento.

Parasabermais:

APPLIED ERGONOMICS, 2003. Cost Effectiveness. Volume 34, Issue 5, Pages 407-496 (September 2003), Edited by Prof. N. Stanton, Dr. C. Baber, Elsevier Ltd. COASE, Ronald H. "The Nature of the Firm." Economica, November 1937, 4, pp. 386- 405. COASE, R.H. “The Problem of Social Cost.”, Journal of Law and Economics, oct, 1960, pp. 1-44. HENDRICK, Hal W. 2003. Determining the costbenefits of ergonomics projects and factors that lead to their success, pp. 419-427 Vol.34, Issue 5, (Sep. 2003), Applied Ergonomics, Elsevier. HENDRICK, Hall W, KLEINER, Brian M. 2006. Macroergonomia: uma introdução aos projetos de sistemas de trabalho. Rio de Janeiro: Virtual Científica. MAFRA J.R.D. 2006. Metodologia de Custeio para a Ergonomia. Revista Contabilidade & Finanças. Número 42, Setembro/Dezembro de 2006. pp. 77 a 91. MAFRA, J.R.D. 2004. Economia da Ergonomia: Metodologia de Custeio Baseado no Modelo Operante. Tese de Doutorado, Programa de Engenharia de Produção, COPPE/UFRJ. MAFRA, J.R.D. 2005. Custeio Baseado na Análise Ergonômica do Trabalho: estudo de caso em uma cozinha industrial. Revista Ação Ergonômica. UFRJ. NIOSH Program Portfolio: Global Collaborations, Economic Factors. Encontrado em:

http://www.cdc.gov/niosh/programs/global/economics.html. 2010. OXENBURGH, Maurice. (1997) - Cost Benefit Analysis of Ergonomics Programs. 150 AIHA JOURNAL (58) February. OXENBURGH, Maurice S., MARLOW, Pepe and OXENBURGH, Andrew. 2004. "Increasing Productivity and Profits through Health and Safety." CRC Press. ROSS, Stephen; WESTERFIELD, Randouph; JAFFE, Jeffrey. 2002. Administração Financeira: corporate finance. São Paulo, S.P Ed. Atlas. VIDAL, M.C. 2003. Guia para Análise Ergonômica do Trabalho (AET) na empresa. Rio de Janeiro. Editora Virtual Científica.

Questionário

a) O que vem a ser um custo ergonômico?

b) Quais os fatores que podem ser considerados como custos ergonômicos?

c) O que são benefícios em ergonomia?

d) O texto menciona três formas de identificação de custos ergonômicos. Escolha uma delas e justifique sua preferência com argumentos práticos.

c) Comente os critérios para avaliação econômica e financeira da ergonomia: existe algum mais

importe do que os demais? Justifique sua resposta.

Exercício de estimativa: Caso

Você tem informação limitada para realizar um estudo ergonômico. No entanto os resultados são extremamente importantes para esta empresa. Qual o procedimento que você escolherá? Defina a empresa e prepare uma apresentação incluindo a sensibilização para a importância do projeto no negócio, a forma de atuação e os custos envolvidos.

Debate

Dois pontos serão tratados nessa discussão. Esses são: o problema da composição dos indicadores dentro de uma lógica formal, ou de uma lógica menos formal e a questão que diz respeito ao problema do

mapeamento, dentro de uma construção social, na pertinência dos pesos relativos e na importância relativa de quem determina o grau da preferência e pertinência do atributo.

Quanto à composição dos indicadores, ela mesma, encontra alguns problemas do ponto de vista da lógica formal ou booleana. A diferença fundamental é que a lógica booleana resulta sempre em 0 ou 1, que é chamada de característica. Os modelos de utilidade são mais abrangentes, permitindo variáveis não quantitativas (ZOUGUAYROL e ALMEIDA, 1999). Por outro lado, a abordagem da lógica fuzzy trabalha com a noção de pertinência, que é um valor que é assumido em contexto e estará, comparado ao proposto anteriormente, assumindo quaisquer valores entre 0 e 1 (YAGER e FILEV, 1994).

Quanto à construção social, o problema do mapeamento aparece tanto na pertinência dos pesos relativos em si, quanto na importância relativa (nível na cadeia de decisão) de quem determina o grau da preferência e pertinência de um atributo. Assim, perguntas tais como: que atributos sobre que períodos de tempo são importantes? As preferências de quem são importantes? Qual a importância relativa de cada conjunto de preferências? Devem ser respondidas. As respostas a essas perguntas são extremamente dependentes do contexto.

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