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A BÍBLIA

Pr. Franck Neuwirth

1a aula – Definições:

I) O termo Bíblia:
A palavra “Bíblia” é derivada de uma palavra grega que significa “rolo” ou “livro” – na
verdade um rolo feito com folhas de papiro coladas umas às outras. O livro que nós
chamamos de Bíblia é o Grande Livro, o mais importante do mundo!
A Bíblia é uma coleção de livros – 66 no total. Mas a Bíblia é muito mais do que uma simples
coleção de livros – é a Palavra de Deus!

II) A escrita da Bíblia:


A Bíblia levou cerca de 1500 anos para ser escrita. Desde Gênesis e Jó, escritos no tempo
de Moisés (± 1450 a.C.), até o Apocalipse, escrito pelo apóstolo João (± 80 a.D.). Ela foi
escrita em três idiomas (hebraico, aramaico e grego), por diferentes autores (em torno de
40), sendo estes: reis, pescadores, pastores, boiadeiros, médicos, etc., vivendo em lugares
diferentes (três continentes diferentes – Europa, Ásia e África). Porém nenhum destes se
contradizem, pois Deus os guiou para que cada um escrevesse exatamente aquilo que Ele
mesmo queria, por isso todos os escritos são dignos de inteira confiança.

III) As divisões da Bíblia:


A Bíblia possui duas grandes divisões – O Velho Testamento (ou Antigo Testamento) e o
Novo Testamento. O Velho Testamento é uma coleção composta por 39 livros, já o Novo
Testamento é composto por 27 livros.

IV) O Velho Testamento:


Os 39 primeiros livros da Bíblia são chamados de Velho Testamento. Estes 39 primeiros
livros que temos em nossas Bíblias, são exatamente os mesmos 39 livros que compõem o
cânon (veremos esse termo mais adiante) das escrituras judaicas. O Velho Testamento da
igreja católica possui mais 7 livros na sua composição (veremos quais mais adiante
também).
O Velho Testamento começa com a criação do homem e da raça humana. Continua
narrando a história do povo escolhido por Deus – Abraão, Isaque e Jacó, e seus
descendentes. Enfim, narra como foi formada a nação de Israel.
Ele começa a mostrar também todo o Plano de Deus para a salvação dos pecadores, isso é
fato, tanto que os profetas que Deus enviou muitas vezes, falaram da vinda do Messias – O
Salvador do mundo.

V) O Novo Testamento:
O Novo Testamento é formado por 27 livros aceitos pelos cristãos como Escrituras
Sagradas. Eles ensinam sobre a vinda do Messias prometido – Jesus Cristo – e sobre o
começo da Igreja Cristã. Também descrevem a vida, morte e ressurreição de Jesus.
O Novo Testamento explica porquê Jesus morreu, e nos ensina como podemos ser salvos
do nosso pecado.

VI) Termos relacionados:

1) Revelação: A palavra revelação significa um processo de desvendamento. Para nós é o


ato ou processo pelo qual Deus nos mostra exatamente aquilo que Ele quis dizer
quando “inspirou” os autores a escrever aquilo que escreveram.

Podemos encontrar duas maneiras pela qual Deus revelou Sua Palavra aos homens:

a) A revelação geral: A revelação geral é suficientes para despertar no homem a


consciência da existência de Deus (alguém que criou todas as coisas, sustenta o
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Universo e colocou dentro de nós a noção do certo e do errado). Na revelação
geral, encontramos os seguintes meios pelos quais Deus se revelou:

 A natureza: Romanos 1.18-21.


 A providência divina para a humanidade e criação: Romanos 8.28; Atos 14.17;
Colossenses 1.17.
 A natureza moral do homem: Gênesis 1.26; Atos 17.29.

1. A revelação especial: Esta é a revelação divina através de Seu Filho – Jesus


(João 1.18); e também através da Sua Palavra escrita – A Bíblia (1 João 5.9-
12). A revelação especial é suficiente para a salvação de todo aquele que crer
(crendo em Jesus e na Sua Palavra).

2) Inspiração: A palavra “inspirada”, encontrada em 2 Tm 3.16, quer dizer literalmente


“soprada”, “bafejada” ou “baforada” por Deus, ou seja, Deus “soprou” aos autores
bíblicos aquilo que Ele queria que escrevessem, sem, contudo descaracterizá-los de
seus estilos pessoais, personalidade e criatividade. Segundo Charles Caldwell Ryrie,
Deus supervisionou Seu conteúdo, mas não ditou as palavras, salvo algumas exceções
(Deus falando com Moisés, por exemplo)1. Deus permitiu que eles escrevessem
segundo o estilo de cada um e o produto final – os manuscritos – foram isentos de
qualquer erro. No entanto, é bom ter em mente que todas as palavras utilizadas foram
devidamente escolhidas para que dessem o sentido exato daquilo que Deus queria
transmitir aos seus leitores.

3) Iluminação: O uso do termo “iluminação” é aplicado ao ministério do Espírito Santo na


vida do crente, e difere do termo “revelação” pois este trata do seu conteúdo, já a
“iluminação” se trata do significado deste conteúdo. Uma pessoa não-crente pode
receber a palavra (tê-la revelada para si), porém não compreende nada, considerando-a
loucura (1 Co 2.14), já que o Espírito Santo não revelou-a para si. É como um negativo
de um filme fotográfico – enquanto não for iluminado, após sua revelação, não nos
mostrará tudo o que podemos ver: quando o incrédulo olha para a Palavra de Deus, vê
apenas o negativo preto e branco (se é que podemos chamar de preto e branco), que é
suficiente para mostrar sua condição de pecado e o plano de Deus para sua salvação,
porém quando o Espírito Santo ilumina, revelando a Palavra de Deus para nós,
podemos notar todo o colorido e clareza que Ela traz para as nossas vidas.

4) Inerrância: Quando falamos da inerrância da Bíblia, queremos dizer que as Escrituras,


nos manuscritos originais, não afirmam nada contrário aos fatos, não possui nenhuma
contradição nos textos, nem erros. Esta definição declara que a Bíblia sempre diz a verdade,
e que sempre diz a verdade a respeito dos assuntos de que trata, não dizendo tudo o que se
pode saber sobre determinado assunto, mas sim, que tudo o que foi afirmado é verdadeiro.

Aspectos importantes, com relação a esta verdade:

a) A Bíblia pode ser inerrante e ainda assim, usar de linguagem simples: Isso quer dizer
que a Bíblia não procura dar provas científicas ou históricas de tudo o que relata. Por
exemplo, a Bíblia pode dizer que o Sol nasce, ou que a chuva cai, porque, do ponto de vida
do observador é exatamente isso o que ocorre. Pode também mencionar que em
determinado momento morreram 5000 homens, mesmo se na ocasião morreram 4999, 4800
ou 5100; logicamente o autor não diria que morreram 5000 se na verdade foram 10000. Em
todos os casos, foi utilizado de uma linguagem simples, inteligível para os ouvintes e ao
mesmo tempo, do ponto de vista de Deus, tal fato não é errado!

b) A Bíblia pode ser inerrante e mesmo assim conter citações vagas ou livres: Isso
quer dizer que a Bíblia pode usar de citações indiretas, que não foram as palavras literais da
1
EDITORA MUNDO CRISTÃO. A Bíblia Anotada. 1. Ed. São Paulo: 1991, pág 1645.

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pessoa em questão, e ainda assim conter toda a idéia daquilo que foi dito, sendo algo
completamente inerrante e sob a direção do Espírito. Podemos ver um exemplo claro do
emprego de uma citação livre no texto de Mt 5.3-12 comparado com Lc 6.20-23.

c) A Bíblia pode ser inerrante e ainda assim, usar se construções gramaticais pouco
usadas pela maioria de seus escritos, ou por literaturas da época: Isso quer dizer que a
Bíblia pode em alguns casos usar de uma linguagem gramatical simples (para os “cultos” da
época), simplesmente pelo fato de quem escreveu também era uma pessoa simples, no
entanto, tudo o que esta pessoa escreveu está correto. O que importa, principalmente, é a
fidedignidade dos escritos, não a melhor construção gramatical. Isso tudo porque foram das
mais diversas pessoas que escreveram, tanto pessoas que viviam no palácio real (como
Neemias), como pessoas que viviam da pesca (como Pedro).

II – Resumindo:
Com tudo o que pudemos observar, devemos crer que TUDO o que está escrito na Bíblia foi
escrito sem erros, mesmo sendo escrito de maneira simples, visando o entendimento de
todo o povo.
Observamos também que Deus autenticou os escritos, sem se preocupar com pormenores
de pessoas que na verdade não acreditam em Deus, nem mesmo na Sua Palavra.

2a aula: As divisões da Bíblia e seu conteúdo:

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I) Divisão geral:

1) Pentateuco (Gênesis, xodo, Levítico, Números e Deuteronômio)

2) História (Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras,


Neemias, Ester)

3) Poéticos (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares)

4) Proféticos
a) Profetas Maiores (Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel)
b) Profetas Menores (Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum,
Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias)

5) Bibliográficos (Mateus, Marcos, Lucas, João)

6) Histórico (Atos)

7) Epístolas
a) Epístolas Paulinas (Romanos, 1 e 2Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses,
Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemom)
b) Epístolas Gerais (Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João, Judas)

8) Revelação (Apocalipse)

II) Divisão por sua revelação na história:

1) Criação (Gênesis 1-11)

2) Israel (Gênesis 12 – Malaquias)

3) Cristo (Evangelhos)

4) Igreja (Atos – Apocalipse 3)

5) Consumação (Apocalipse 4-21)

III) O conteúdo da Bíblia:

1) Pentateuco: Os cinco primeiros livros da Bíblia são chamados de Pentateuco –


uma palavra que significa “cinco livros”. Eles são conhecidos como livros da Lei,
porque contém leis e instruções que Deus deu a Moisés para o povo de Israel.
Todos eles foram escritos por Moisés, exceto o último capítulo de Deuteronômio,
porque este fala sobre a sua morte.

2) História: Os livros de Josué até Ester, cobrem cerca de 800 anos da história de
Israel. Eles falam sobre a conquista de Canaã pelos israelitas, o período dos
juízes, dos reis, a divisão de Israel em reino do norte (e seu cativeiro para a
Assíria) e reino do sul (e seu cativeiro para a Babilônia), e o retorno deste povo
para Israel.

3) Poéticos: Estes são livros denominados de poesia e de louvor. A poesia hebraica


freqüentemente utiliza pares de linhas. A segunda linha ou repete o pensamento
da anterior, ou faz um contraste. Vemos esse tipo de construção nestes cinco
livros, mas em especial no livro dos Salmos.
4) Proféticos: Os últimos 17 livros do Velho Testamento são conhecidos como livros
de profecias (exceto Lamentações, por se tratar de confissão de pecados do
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povo e clamor pela misericórdia de Deus). Nós dividimos este grupo em dois
outros grupos – Profetas Maiores e Profetas Menores – tal divisão se dá
unicamente pelo tamanho dos livros. Deus sempre enviou profetas na história de
Judá e de Israel. Estes profetas levavam dois tipos de mensagens para o povo:
1) Arrependimento, ou volta para o Senhor; e, 2) Decretavam o juízo de Deus
como conseqüência da desobediência.

5) Bibliográficos: Os quatro primeiros livros do Novo Testamento falam da história


da vida de Jesus. Eles são conhecidos como Evangelhos – palavra que significa
“boas novas”. Estes livros falam das “boas novas”, ou “boas notícias” de Deus,
dizendo que Jesus é o Seu Filho que veio para a Terra, viver como nós, anunciar
a salvação e morrer em nosso lugar por causa de nossos pecados.

6) Histórico: O livro de Atos começa narrando a ascensão de Jesus para o Céu,


Sua comissão para os discípulos para anunciar a salvação e o começo da Igreja
Cristã. Ele narra ainda as viagens missionárias do apóstolo Paulo.

7) Epístolas: São cartas escritas para líderes das igrejas locais ou mesmo para
indivíduos. As primeiras são denominadas de Epístolas Paulinas, já que foram
escritas pelo apóstolo Paulo, já as últimas são denominadas Epístolas Gerais,
pois foram várias pessoas que as escreveram.

8) Revelação (Apocalipse): Este último livro da Bíblia fala sobre o fim do mundo
atual e início dos “Novos Céus e Nova Terra”. Foi escrito pelo apóstolo João
durante seu exílio na ilha de Patmos. João relata sobre a visão que Jesus lhe deu
sobre aquilo que iria acontecer no futuro.

3a aula: O Cânon das Escrituras:

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I) O que significa Cânon?:
A palavra Cânon significa literalmente “vara de medir”, “régua”, “regra”, e em relação à
Bíblia, refere-se à coleção de livros que passaram pelos testes de autenticidade e
autoridade, significando que estes livros foram aprovados e podem ser utilizados como
nossa regra de fé e prática cristã.

II) Como foram “canonizados” os livros da Bíblia?


Antes de mais nada, devemos ter em nossas mentes que os livros da Bíblia já possuíam
autoridade canônica antes que qualquer teste fosse aplicado, tais testes apenas
testificavam aquilo que já era reconhecido pela Igreja. A Igreja ou Concílios Eclesiásticos
nunca concederam autoridade a qualquer livro, os livros eram ou não canônicos por si
mesmos no momento em que foram escritos. A Igreja e os Concílios apenas reconheciam
tais livros como Palavra de Deus, e então iam colecionando-os, formando o que temos hoje
como Bíblia Sagrada.

III) Quais foram os testes aplicados?


Vários testes iam sendo aplicados para se reconhecer a autoridade de um livro, dentre os
tais, temos:

1) Teste da autoridade do escritos: Em relação ao Velho Testamento, isso


significava a autoridade do profeta, legislador, ou líder de Israel. No caso do Novo
Testamento, significava que o livro deveria ter sido escrito ou influenciado por um
apóstolo para ser reconhecido como canônico. Em outras palavras deveria ter a
assinatura ou a aprovação de um apóstolo para ser reconhecido como Palavra de
Deus.
2) Teste do conteúdo: Os próprios livros deveriam ter alguma prova intrínseca de
seu caráter peculiar, inspirado e autorizado por Deus, em outras palavras, o livro
deveria por si só provar que tinha algum sentido de ser escrito, e isso de forma a
fortalecer a fé dos crentes, edificando-os. Isso provava que tal livro comunicava
uma revelação de Deus para os homens.
3) Teste da aprovação pelas igrejas da época: O veredito da igreja primitiva era
muito importante para a autenticação da canonicidade de algum livro da Bíblia.
Entre as primeiras igrejas cristãs, houve uma surpreendente unanimidade entre
os livros que deveriam ser reconhecidos como Palavra de Deus. Embora
existiram casos em que determinados livros foram recusados por uma minoria de
igrejas, nenhum livro recusado pela maioria das igrejas foi integrado ao Cânon
das Escrituas.

IV) Os livros apócrifos:


A palavra “apócrifo” vem do termo grego que significa “oculto”, “secreto”, “misterioso”, termo
aplicado aos livros que são tido como sagrados, porém sua validade é negada por muitos.
Na antiga igreja cristã, o termo era usado para designar livros de autoria incerta, escritos
sob pseudônimos, bem como aqueles que possuem validade canônica dúbia. A partir do
século V, esta palavra foi utilizada para indicar livros “não canônicos”, e não obras
“heréticas”, e essa é a idéia atual deste termo.

1) Apócrifos do Velho Testamento: Os saduceus aceitavam somente os livros de


Moisés como sagrados. Os fariseus palestinos aceitavam o Velho Testamento
conforme temos em nossas Bíblias (Bíblias Evangélicas). Os judeus helenistas
aceitavam também os livros apócrifos, ou seja, essencialmente os livros que
estão no Cânon atual da Igreja Católica Apostólica Romana. A Septuaginta
(tradução para o grego do Velho Testamento) sempre inclui os livros apócrifos, e
esta era lida pela maioria dos cristãos de língua grega, por isso esses cristãos
usavam estes livros juntamente com o Velho Testamente canônico. De modo
geral, podemos dizer que os livros apócrifos eram tidos em alta conta e
usualmente considerados canônicos pela maioria dos cristãos. Por ocasião da
Reforma, porém, toda a tradição reformada rebaixou os livros apócrifos ou a
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classe de livros comuns (não sagrados), ou a posição de úteis como registros de
exemplos morais, história e alegoria espiritual, etc, sem ser uma base doutrinária.
São eles:

a) 1 Esdras
b) 2 Esdras
c) Tobias (presente na Bíblia Católica)
d) Judite (presente na Bíblia Católica)
e) Adições ao livro de Ester (presentes na Bíblia Católica, é o trecho de 10.4
até o capítulo 16)
f) Sabedoria de Salomão (presente na Bíblia Católica)
g) Eclesiástico ou Sabedoria de Jesus Ben-Siraque (presente na Bíblia
Católica)
h) Baruque (presente na Bíblia Católica)
i) Epístola de Jeremias (presente na Bíblia Católica, no capítulo 6 de Baruque)
j) Adições a Daniel (presentes na Bíblia Católica nos capítulos 13 e 14)
k) Oração de Manassés
l) 1 Macabeus (presente na Bíblia Católica)
m) 2 Macabeus (presente na Bíblia Católica)
n) 3 Macabeus
o) 4 Macabeus

2) Apócrifos do Novo Testamento: A maior parte da literatura apócrifa do Novo


Testamento (que é mais numerosa que os apócrifos do Velho Testamento), pode
ser classificada como o próprio Novo Testamento (ou seja: Evangelhos, Atos,
Epístolas e Apocalipses). A literatura que vai além dessas classificações são as
obras que se declaram cânones de disciplina eclesiástica e de liturgia, como as
“Constituições Apostólicas”, que afirmam representar práticas apostólicas, e o
“Testamento de Nosso Senhor”, que faz a assertiva ousada de conter os
discursos de Cristo proferidos depois da ressurreição. Veremos abaixo alguns
escritos apócrifos do Novo Testamento:

a) Evangelhos: 1) Segundo os hebreus; 2) Aos egípcios; 3) De Tomé; 4) De


Pedro; 5) De Nicodemos e 6) Da Infância.
b) Atos: 1) De João; 2) De Paulo; 3) De Pedro e 4) De Tomé.
c) Epístolas: 1) Terceira Epístola aos Coríntios; 2) Dos Apóstolos; 3)
Correspondência entre Paulo e Adgar; 4) Aos Laodicenses e 5)
Correspondência entre Paulo e Sêneca.
d) Apocalipses: 1) De Pedro e 2) De Paulo.

4a aula: O valor da Bíblia para nós:

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A própria Bíblia declara o valor importantíssimo que ela representa para as nossas vidas,
gostaria que pensássemos em dois textos muito importantes no tocante ao valor das
Escrituras para os crentes, um do Velho Testamento e outro do Novo Testamento:

I) Salmo 19.7-9:
Neste trecho Davi faz seis declarações acerca da Palavra de Deus:

1) É perfeita e restaura a alma (v. 7a): A palavra usada no hebraico para lei é
torah, enfatizando a natureza didática das Escrituras, mencionando que Deus
deixou para nós tudo o que precisávamos para Sua instrução. Isto tanto para o
nosso credo (o que cremos), nosso caráter (o que somos) como para nossa
conduta (o que fazemos).
Quando Davi menciona que a escritura é perfeita, quer dizer que ela é inteira,
completa, suficiente, não restando nenhuma revelação adicional para nós. Nós
não precisamos buscar nada além do que aquilo que Deus já revelou em Sua
Palavra.
Esta Palavra perfeita, afeta as pessoas restaurando sua alma, isto é, transforma
por completo a vida de alguém. A Palavra de Deus tem poder para transformar
qualquer pessoa, tornando-a em alguém do jeito que Deus gostaria que fosse.

2) É fiel e dá sabedoria (v. 7b): Quando Davi menciona testemunho está se


referindo às Escrituras como um depoimento divino. Neste testemunho Deus se
mostra como Ele é, e o que Ele espera de nossas vidas.
Além disso, continua, este testemunho é fiel, o que significa digno de confiança.
Deus é digno de confiança, podemos confiar nEle, e depositar em Suas mãos o
destino de nossas vidas.
Pedro, na sua segunda carta, refletiu sobre o momento em que visualizou a
Glória de Jesus, contudo não era isso a base de sua fé, pois ele continua:
"Assim, temos ainda mais firme a palavra dos profetas" (1.19).
Continuando, a escritura dá sabedoria aos símplices. A pessoas simples,
segundo o sentido original do texto, é aquela que facilmente seria influenciável,
contudo o poder das Escrituras a livra de cair em ciladas, pois Deus transforma
uma pessoa simples em sábia.

3) É reta e alegra o coração (v. 8a): Preceitos são orientações e princípio


divinos para o nosso caráter e nossa conduta. Visto que Deus nos conhece,
Ele colocou nas Escrituras tudo o que precisávamos saber para nosso viver
santo. As Escrituras são o caminho reto no qual Deus quer que andemos
(Deus não escreve certo com linhas tortas, Deus escreveu certo através
de Sua palavra que é reta!). E é por isso que a Palavra de Deus nos dá
alegria, pois ao invés de andarmos pelos caminho tortuosos desta vida,
temos a confiança de que Deus nos orienta no caminho em que devemos
andar, por isso podemos gozar a alegria que somente Ele pode oferecer.

4) É pura e ilumina os olhos (v.8b): Mandamento nos dá a idéia de algo não


opcional. A Bíblia não é um livro de sugestões para as nossas vidas. Suas
ordens possuem autoridade e são obrigatórias para todas as pessoas.
Qualquer um que tratar a Bíblia com desprezo irá ter sua recompensa, e
aqueles que a observam serão ricamente abençoados. Davi continua
afirmando que este mandamento é puro, que poderia ser traduzido por lúcido,
ou seja, a Escritura não é algo obscuro, confuso ou enigmático; talvez existam
passagens em que precisamos entender melhor o contexto para saber melhor,
contudo, vista como um todo a Bíblia é um livro simples, claro e transparente.
Somente um cego espiritual não a pode compreender.

5) É límpida e permanece para sempre (v.9a): Temor fala da admiração


reverente a Deus que nos compele a adorá-Lo. Nesse sentido, a Bíblia é o
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manual de como se adorar a Deus, afinal de contas, somente adoramos aquele
a quem conhecemos. Quando se fala límpida, quer-se dizer ausente de
sujeira, impureza, contaminação ou imperfeição, ela é eterna e
inalteravelmente perfeita. Disse Jesus: "Passará o céu e a terra, porém as
minhas palavras não passarão" (Mc 13:31). A Bíblia não promove nenhuma
sujeira, nem está desatualizada para os nossos dias. Ela é e continua sendo
um livro relevante para o homem do século 21.

6) É verdadeira e totalmente justa (v. 9b): Os juízos são as ordenanças ou


vereditos que procedem do Juiz de toda a terra. A Bíblia é o padrão pelo qual
Deus julgará todos os moradores da terra dando a cada um o destino que
merecem, baseando-se na reação que tiveram para com a Sua bendita
palavra. Ela é verdadeira, querendo dizer que o julgamento será baseado na
verdade divina, e ela é justa pois julgará a cada um corretamente.

II) 2 Timóteo 3.16:


Paulo também salienta a plena suficiência das Escrituras, ele mostra quatro verdades sobre
a Palavra de Deus, afirmando que Ela é integralmente adequada para cada necessidade
espiritual:

1) A Escritura ensina a verdade: Primeiramente Paulo declara que a Escritura


é útil para o ensino. A palavra grega traduzida por “ensino” faz uma referência
primária ao conteúdo do ensino, em vez de referir-se ao processo do ensino.
Todo cristão tem a capacidade espiritual de receber e reagir a este ensino pois
possui o Espírito Santo que o ilumina para entender essas preciosas verdades.

2) A Escritura reprova o pecado e o erro: Ela também é útil para a


repreensão. Ela confronta e repreende a má conduta e o falso ensino. De
acordo com o Pastor Richard Trench, reprovar é “repreender a outrem com um
eficiente brandir do vitorioso braço da verdade, de modo a trazê-lo, se não à
confissão, pelo menos a uma convicção de pecado”. A Bíblia tem esse efeito
sobre nós, quando a estudamos e sentimos seu poder convencedor.

3) A Escritura corrige o comportamento: Isto é, ela não somente nos revela


um comportamento pecaminoso ou ensino errôneo, como também nos corrige.
A palavra usada para “correção”, literalmente significa “endireitar” ou “erguer”.
Em outras palavras, a Bíblia nos restaura uma correta postura espiritual.
Enquanto deixamos a Palavra de Deus habitar ricamente em nós (Cl 3.16), ela
nos edifica (At 20.32) e transforma nossas fraquezas em forças.

4) A Escritura educa na justiça: A educação na justiça é outro processo pelo


qual a Palavra de Deus transforma nosso pensamento e nosso
comportamento. A palavra grega traduzida por “educação” é paideion. Esta
palavra pertence à família de paidion, que, em outros lugares do Novo
Testamento, se traduz por “criança” ou “crianças”. Assim, este versículo mostra
Deus treinando os crentes como um pai ou um professor treinaria uma criança.
Desde a infância espiritual até a maturidade espiritual, a Bíblia treina educa os
crentes no viver santo.

5a aula: Como estudar a Bíblia - Observação:

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O primeiro passo para um bom aprendizado da Bíblia (logicamente após a oração e pedido
de iluminação do Espírito Santo) é a observação dos textos a serem estudados. O grande
problema de nossos dias é querermos tudo “mastigado” sem investirmos tempo na leitura e
observação dos textos bíblicos. Quanto mais olharmos para qualquer texto das Escrituras,
maiores informações iremos extrair do mesmo (isto somente olhando para o mesmo, sem
buscar informações extras em outro livro qualquer).

Para um bom exemplo do que quero dizer, veja a figura abaixo:

Quantos quadrados esta figura possui? 36, 37 ou mais?2

Notamos com isso que a observação é algo muito importante, neste exemplo, quanto mais
observamos, mais conseguimos visualizar outros quadrados.

A grande diferença deste exemplo com relação à Bíblia é que, neste caso, em determinado
momento paramos de enxergar novos quadrados. Já na Bíblia podemos descobrir a cada
momento algo que não conseguimos observar anteriormente. E é exatamente por isso que
sempre que a estudamos somos enriquecidos pois é uma fonte inesgotável de princípios e
aplicações para a nossa vida cristã em todos os momentos.

Para facilitar a nossa observação em determinada passagem bíblica, temos algumas


perguntas que devem ser feitas ao texto, visando captar as informações necessárias para o
nosso estudo, a saber:

Quem? Quais? – pessoas (quem está sendo mostrado no texto: Jesus, discípulos, etc)

O quê? Que? – coisas (que coisas podemos observar: pérola, tesouro, lírios, etc)

Quando? – tempo (quando isso aconteceu?: época de Moisés, Império Romano, noite, etc)

Onde? – locais (onde se passa esta história?: Jerusalém, Egito, Cafarnaum, etc)

Por quê? (desde que tenha explicação no próprio texto)

2
No total são 91 quadrados.
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Exemplo de observação: João 3.16

Quem amou? – Deus.


Quem disse isso? – Jesus (temos que ver os versículos anteriores).
O quê Deus amou? – o mundo.
Quando Jesus disse isso? – quando estava conversando com Nicodemos.
Onde Jesus estava - em Jerusalém (2.23).
O quê Deus fez? – enviou Seu Filho.
Por quê Deus enviou Jesus? – para que todo os que cressem tivesses a vida eterna.
O quê este texto é? – uma continuação de algo que Jesus havia dito anteriormente.
O quê Jesus havia dito anteriormente? – que todo o que crê tem a vida eterna.
Que tipo de filho era Jesus? – o Filho unigênito.
Que tipo de amor Deus demonstrou? – muito grande: “de tal maneira”.
Quais pessoas que crerem terão a vida eterna? – todas.

6a aula: Como estudar a Bíblia - Interpretação:


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Após observarmos bem o texto, iremos para o próximo passo, a interpretação. Neste caso
iremos buscar o sentido de tudo o que já foi observado, usando agora algumas ferramentas
que muito podem nos ajudar, entre as quais podemos destacar:

•Dicionário Secular (para as palavras difíceis)


•Dicionário Bíblico (para uma melhor visão do contexto e termos usados na época)
•Enciclopédias (nos dão uma abordagem bem detalhada sobre o assunto)
•Comentários Bíblicos (para analisarmos pontos de vista sobre o assunto)
•Bíblias de Estudo (que possuem vários recursos de estudo)
•Concordância (buscar outros textos que falam sobre o mesmo assunto)
•Versões nas línguas originais (para melhor definirmos alguma palavra)
•Atlas Bíblico (para conhecer a geografia dos lugares)
•Bíblias em outras versões (para conseguir sinônimos das palavras não compreendidas)

Perguntas de interpretação:

Por quê? – razões (razões pelas quais alguém disse tal coisa: Porque Jesus fala em lírios?)

O quê? – sentido ou significado (o quê “fulano” quer dizer com isso?)

Por quê? – importância (Por quê Jesus diz que somos mais importantes do que os
pássaros?)

O quê? – exigências (o que Jesus exigiu ao cego?)

Exemplo de interpretação: João 3.16

O quê quer dizer a palavra “pereça” no dicionário comum? – deixar de existir, acabar,
findar, morrer, ser destruído, assolado ou devastado.
O quê quer dizer a palavra “pereça” no sentido bíblico? – ser destruído, morrer
espiritualmente, isso é um contraste com a vida eterna.
Qual palavra “amor” é mencionada neste texto? – É a palavra derivada da
palavra  que quer dizer “a mais alta forma de amor”3, esse é um tipo de amor que
não coloca condições para ser demonstrado, ama pelo simples fato de amar sem querer
nada em troca. O interessante é que o termo está no tempo verbal “aoristo”
que no grego define uma ação que foi completa no passado. Deus amou e por causa
disso enviou Seu Filho, sem nenhuma outra explicação a ser dada.
Qual palavra Jesus usa para mundo? – É a palavra  que inclui todo o mundo,
incluindo os gentios, além dos judeus que era o que Nicodemos e os demais judeus
pensavam. Tal palavra evidencia um amor universal.
O quê era um fariseu? – era uma facção religiosa muito rigorosa dos judeus, eles eram
extremamente rigorosos com relação à lei de Moisés. Por isso foi que Nicodemos que
estava interessado em ouvir a Jesus foi ter com ele de noite, porque certamente temia a
repercussão que teria sua ida até onde Jesus estava.

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Robertson's Word Pictures in the New Testament

I.C.E. São José dos Campos – EBD 2003 – Curso Básico de Teologia 12
7a aula: Como estudar a Bíblia - Aplicação:

É muito importante observar bem o texto e interpretá-lo corretamente, mas se não


buscarmos uma aplicação pessoal para tudo o que lermos nas Escrituras, simplesmente
gastamos tempo. É necessário sim, investir tempo na leitura, mas algo de tremenda
importância é colocar em prática tudo o que lemos (ver Tg 1.22).

Perguntas de aplicação:

Como? – como funciona (Como podemos por em prática este trecho das Escrituras?)

Quando? – quando aplico isso (em casa, na igreja, no trabalho, etc)

Quem? – quem está incluído/excluído (crianças, jovens, mulheres, líderes, empregados, etc)

Por quê? – por quê os ouvintes de hoje precisam disso? (relevância do texto para hoje)

O quê? – que promessa devemos nos apropriar? Que mandamentos devemos obedecer?
Que princípios devemos pôr em prática?

Exemplo de aplicação: João 3.16

Como Podemos colocar em prática este versículo?


1. Acreditando em Deus (para obter a salvação pessoal).
2. Evangelizando os nossos amigos (pois eles também podem vir a crer).
Quando aplico isso? – Em todos os momentos (em se falando de evangelizar aos outros).
Quem deve praticar isso? – Todos os crentes.
Por quê precisamos saber isso? – Para termos a certeza da vida eterna (tenha a vida
eterna).
O quê devemos colocar em prática após entendermos este texto?
1. Devemos buscar continuamente retribuir a Deus o amor que Ele por nós
demonstrou.
2. Devemos amar as pessoas que estão perdidas neste mundo, pois Deus as ama
também e se entregou por elas.
3. Devemos ser gratos a Deus pela maravilhosa obra redentora que Ele efetuou
por nós, nos garantindo a vida eterna.
4. Devemos priorizar as coisas espirituais, pois a vida que Deus nos dá não se
limita aos anos que vivemos neste mundo, já que Ele nos dá uma vida eterna.

Bibliografia:

I.C.E. São José dos Campos – EBD 2003 – Curso Básico de Teologia 13
CHAMPLIN, R. N., BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. 3. Ed. São
Paulo: Candeia, 1995.
EDITORA MUNDO CRISTÃO. A Bíblia Anotada. 1. Ed. São Paulo: 1991.
EDITORA SANTUÁRIO. Bíblia Sagrada. 9 Ed. Aparecida: 1986.
GRUDEM, WAYNE. Teologia Sistemática. 1. Ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1999.
GUNDRY, Robert H. Panorama do Novo Testamento. 4. Ed. São Paulo: Vida Nova, 1987.
LACHLER, Karl. Prega a Palavra. 1. Ed. São Paulo: Vida Nova, 1990.
MACARTHUR, John F. Jr. Nossa Suficiência em Cristo. 1. Ed. São José dos Campos:
Editora Fiel, 1984
MILNE, BRUCE. Estudando as Doutrinas da Bíblia. 3. Ed. São Paulo: ABU, 1993.
PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia Livro por Livro. 18. Ed. São Paulo: Editora Vida, 1996.
EWALD, Heinrich. Revelation: Its Nature and Record. 1. Ed. Edinburg: Morrison and Gibb,
1884.
ZONDERVAN PUBLISHING HOUSE. The Holy Biblie. 3. Ed. Michigan, USA: 1984

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