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Nome: Evandro Silva Frias Garcia

Ideologia
Os pensadores da antiguidade clássica e da Idade Média entendiam ideologia como o
conjunto de idéias e opiniões de uma sociedade. Maquiavel, no entanto, já dizia que as
idéias são diferentes "no palácio e na praça", conforme as diferentes condições de vida
dos que as defendem.

Define-se como ideologia o sistema de idéias que dá fundamento a uma doutrina


política ou social, adotada por um partido ou grupo humano. Foi Karl Marx quem
formulou a mais completa teoria sobre a origem e o papel da ideologia nas diversas
formas de organização social. Para Marx, ideologia é um conjunto de idéias e conceitos
que corresponde aos interesses de uma classe social, embora não obrigatoriamente
professado por todos seus membros. Há uma ideologia da burguesia, como há uma
ideologia do proletariado. A ideologia de certa classe decorre da posição que ela ocupa
num modo de produção historicamente determinado.

Segundo Marx, o acervo ideológico de uma sociedade constitui a superestrutura, que é


condicionada pela realidade material, ou infra-estrutura. Assim, a filosofia, a arte, o
direito, a política e a religião são formas de ideologia, pois se manifestam segundo os
interesses específicos das classes sociais em que se constituem. A ideologia também
atua sobre a realidade socioeconômica, modificando-a, num processo de reciprocidade.

Todo sistema de idéias se cria em relação estreita com circunstâncias históricas,


econômicas ou sociais. Entre a ideologia e essas circunstâncias se dá uma interação
dialética. As condições da realidade determinam certo tipo de pensamento, e esse
pensamento age sobre ela, modificando-a. Como a realidade se modifica continuamente,
as ideologias também desaparecem e dão lugar a novos corpos doutrinários.

Ideologia e religião. Muitas vezes se fala em ideologia como se pertencesse à mesma


categoria lógica da religião. Ambas são, de certa maneira, sistemas de idéias que
compreendem questões referentes à verdade e à conduta, mas as diferenças entre as duas
têm mais importância que as similaridades.

Uma teoria religiosa da realidade pode defender uma sociedade justa, mas dificilmente
apresentará um programa político prático. Com ênfase na fé e no culto, a religião apela
para a espiritualidade e seu objetivo é a redenção ou purificação do espírito, enquanto
uma ideologia fala a um grupo, uma nação ou uma classe. As religiões em geral
atribuem sua própria origem a uma revelação, enquanto a ideologia sempre pretende,
ainda que de forma enganosa, existir apenas pela razão.

Apesar das diferenças, em certos movimentos religiosos se encontram os primeiros


elementos ideológicos do mundo moderno, como no caso de Girolamo Savonarola, que
no século XV tentou dar ao cristianismo uma dimensão ideológica e inspirou
movimentos como o calvinismo e as comunidades puritanas do Novo Mundo. De fato,
tanto na Reforma quanto na Contra-Reforma, quando o cristianismo se investiu de
militância e intolerância renovadas e se deu uma nova ênfase à conversão, a religião
aproximou-se muito da ideologia.

Ideologias modernas. As ideologias que mais direta e incisivamente determinaram a


realidade contemporânea encontram-se ligadas a alguma forma de nacionalismo e de
socialismo. O fascismo foi a mais extrema manifestação do nacionalismo.

As condições históricas, econômicas e sociais em que se encontrava a Europa após a


primeira guerra mundial, com a recessão das atividades produtivas, foram responsáveis
pelo aparecimento do fascismo e do nazismo, ideologias baseadas no valor absoluto da
nacionalidade e na pureza racial como fator de liderança, opostos às noções de
internacionalismo e solidariedade inter-racial. Tais convicções levaram esses povos a
superarem as contradições internas de classes para confluírem numa ideologia
hegemônica. Admitia-se a interferência do estado na produção, na educação, no lazer e
em toda atividade individual que pudesse redundar em benefício para a nação.

Muitas correntes doutrinárias socialistas surgiram a partir de meados do século XIX.


Todas têm em comum o objetivo de implantar uma organização social em que o regime
predominante de propriedade seja coletivo, especialmente no que se refere aos meios de
produção. Essa idéia básica orientou diversas tendências socializantes, como o
anarquismo, o socialismo corporativista, o socialismo cristão, o marxismo, entre outras.

Gênese das ideologias. Uma ideologia pode ser determinada por fatores presentes no
meio histórico-social que a gera, e se modifica ou desaparece quando o contexto que as
criou se altera. A ideologia, como pensamento historicamente situado, é uma tomada de
consciência da realidade ou, como querem alguns pensadores, um reflexo da realidade.
As ideologias seriam, nesse sentido, um epifenômeno, ou uma espécie de representação
mental de uma situação determinada.

Algumas ideologias se apresentam como instrumento de dominação de um grupo, ou de


uma classe, sobre outros. Por exemplo, a oposição entre a aristocracia que representava
o poder feudal e a elite ascendente dos comerciantes, ou burguesia, deu origem à
estruturação de uma ideologia baseada em novos valores, como a idéia de êxito no
desempenho de atividade econômica, a valorização do trabalho e o abandono do
conceito heróico de honra. Esses novos valores se generalizaram entre as diferentes
camadas na sociedade emergente, desfecharam o golpe de misericórdia contra o
feudalismo e contribuíram para a vitória da burguesia.

Ideologia no Brasil

Na sociedade brasileira podem-se identificar diferentes sistemas de idéias


predominantes em cada grande período histórico. Na primeira fase da colonização
vigorou a ideologia do colonizador que, a partir do século XVII, entrou em choque com
os elementos ideológicos gerados no próprio país.

Assim, a primeira noção em torno da qual se formaram outras idéias foi a de


dominação. O colono europeu era o dono e o conquistador da terra descoberta e, por
isso, tudo se transformava em objeto de exploração. A dominação se fortaleceu com o
regime paternalista, em que o patriarca ("coronel" ou senhor-de-engenho) era o árbitro
universal e, ao mesmo tempo, o protetor de uma pequena comunidade familiar que dele
dependia incondicionalmente.

Esse regime só pôde existir graças ao trabalho escravo aplicado à monocultura. Toda
sociedade escravocrata necessariamente valoriza o lazer e deprecia as atividades
manuais ou braçais e daí decorre o gosto brasileiro pelo direito, pela oratória e pelo
beletrismo. A elite intelectual, filha da casa-grande alicerçada no suor escravo,
lentamente elaborou os elementos principais de uma ideologia brasileira, que acabou
por entrar em choque com o dogmatismo dominador.

O período da colonização, portanto, caracteriza-se por uma ambivalência ideológica,


pois havia uma dualidade de interesses econômicos, políticos, intelectuais, enfim, uma
ambivalência de clima social. A ideologia construída em grande parte pela simples
implantação ou incorporação de valores externos convivia com uma ideologia autóctone
em formação, que eclodiu nos movimentos nativistas: a insurreição pernambucana
(1648-1654), a guerra dos mascates (1710) e a inconfidência mineira (1789), entre
outros. Esses movimentos marcam o início de um período ideológico de transição, em
que o choque entre os valores antigos e os novos fez nascer na consciência do brasileiro
um sentimento de inferioridade em face do colonizador.

Entre todos os movimentos nativistas, somente na inconfidência esteve em jogo a


realidade brasileira como um todo. Nos demais, de consciência ideológica parcial, uma
comunidade nativa se insurgia contra outra, aventureira e de mentalidade exploradora.
As lutas que se prolongaram durante o período do Reino Unido (revolução
pernambucana de 1817), o primeiro reinado (guerra da independência da Bahia de 1823
e confederação do equador), a regência (cabanos, farrapos, balaiada e sabinada) e as do
segundo reinado (revolução liberal de São Paulo e de Minas Gerais em 1842 e
revolução praieira) atestam uma transição ideológica na mentalidade das elites do país.

O período seguinte, que começa depois da guerra do Paraguai e da abolição da


escravatura, é útil para compreender o que se pode chamar de paradoxo burocrático
brasileiro. Com a abolição, em 1888, deu-se a desorganização de todo o setor agrícola,
cujo sustentáculo era o café. Considerando que, teoricamente, na evolução de uma
civilização, ocorre gradativamente a passagem do setor primário (agricultura) para o
secundário (indústria), e deste para o terciário (comércio, serviços públicos e
particulares), a vida nacional, assim perturbada, deveria ter-se ajustado no setor
secundário. Isso, porém, não foi possível, pois não havia mentalidade industrial e, na
época, a atividade econômica não estava ainda em pleno desenvolvimento.

Assim, a saída para a população mais favorecida foi saltar do setor primário para o
terciário, o que inflacionou as atividades comerciais e os serviços burocráticos em todos
os níveis. O político assumiu então o papel anteriormente desempenhado pelo senhor-
de-engenho ou pelo patriarca da casa-grande, com uma clientela de protegidos que
favoreceu o empreguismo público.

No século XX, consolidada a república, houve uma tomada de consciência nacionalista,


entendendo-se pelo termo tanto o alcance nacional dos programas políticos como a
defesa contra a dominação e a imposição de valores estrangeiros. A atividade política
nos centros urbanos do país já industrializado viu-se profundamente influenciada pelas
idéias anarquistas e comunistas dos imigrantes europeus, enquanto que nas regiões
rurais predominava ainda o autoritarismo próprio da estrutura social arcaica herdada
incólume da colônia.

A intermitente interferência das instituições armadas na vida política brasileira desde a


proclamação da república contribuiu com elementos ideológicos importantes para a
formação de uma consciência nacional pró-militarista e conservadora e de sua
contrapartida democrática e progressista.

Bibliografia: Enciclopédia de Filosofia

http://encfil.goldeye.info/ideologia.htm