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Acessibilidade e Design Universal: desafios da Ergonomia do Ambiente Construído Accessibility and Universal Design:

Acessibilidade e Design Universal: desafios da Ergonomia do Ambiente Construído Accessibility and Universal Design: challenges to Ergonomics of the Built Environment

Laura Bezerra Martins Doutora em Arquitetura Programa de Pós-graduação em Design | Universidade Federal do Pernambuco - laurabm@folha.rec.br

Ergonomia do ambiente construído, acessibilidade, design universal, pessoas com deficiência.

Este artigo propõe levantar algumas questões relativas ao ambiente urbano, a partir da discussão sobre a Ergonomia do ambiente construído e estratégias de design para pessoas com deficiência, visando os princípios da acessibilidade e do design universal. Também é meta discutir a aplicação da NBR 9050, que como Norma deve ser atendida, mas a partir da observação de que é uma referência e que se faz necessário o estudo de teorias, princípios, dados e métodos da ergonomia, da antropometria, da proxêmica, do design universal e do Projects for Public Spaces - PPS, visando otimizar o bem estar humano e o desempenho global do sistema

Ergonomics of the built environment, accessibility, universal design, disabled people.

This paper aims to raise some questions related to the urban environment from the ergonomics and built environment point of view as a strategy to the disabled people. It also includes the principles of accessibility and universal design. Another discussion to be carried out refers to the application of the NBR 9050. It includes answer how this Brazilian Norm may be interpreted, considering that it is a reference and necessary to the study of theories, principles, data and methods of ergonomics, anthropometry, proxemics, universal design applied to disabled people and Projects for Public Spaces - PPS. This approach will optimizer human well being and better system global performance.

1. Introdução

A cidade contemporânea consiste em um sistema complexo configurado pela diversidade urbana e pela associação de diversos fatores que podem ser considerados como multi-sociais e culturais (o patrimônio, os valores culturais, as riquezas naturais). O espaço urbano é constituído por elementos (físicos, sociais, culturais, ambientais e temporais) interativos e interconectados que compõem e definem a morfologia urbana.

Segundo Zancheti (1999), os maiores problemas urbanos da atualidade estão profundamente enraizados na ausência do espaço público enquanto idéia cultural fundadora da sociabilidade urbana.

Neste sentido, a cidade brasileira está assentada em bases físicas, políticas e culturais de segregação e de exclusão social. Os espaços de circulação foram dissociados do seu significado de lugar de encontro humano, de troca de

experiências e de conhecimento, tendo sido reduzido a um espaço de fluxo de veículos e pessoas em movimento, ou lugar de isolamento.

No sistema urbano, as vias de circulação pública apresentam-se como uma rede viária e determinam à dinâmica espacial. Para Baptista (2002), as cidades possuem a função de acolher os homens, proporcionar a todo cidadão o direito de ir e vir, e de estabelecer suas relações sociais, econômicas e culturais com independência, segurança e comodidade.

No entanto, observam-se, tanto nas vias de circulação (ruas, passeios, ciclovias, etc.) como na própria configuração da cidade (lotes, quadras, equipamentos urbanos, etc.), problemas como: inadequação às necessidades dos usuários, praças, ruas e centros históricos depredados, com pichações e abandonados.

Devido à inadequação dos espaços de circulação às necessidades dos usuários, notam-se constrangimentos e riscos que comprometem a

dos espaços de circulação às necessidades dos usuários, notam-se constrangimentos e riscos que comprometem a
segurança e, conseqüentemente, a utilização da via de circulação. Desse quadro, resulta um grande número

segurança e, conseqüentemente, a utilização da via de circulação. Desse quadro, resulta um grande número de acidentados "de trânsito" em virtude de traumatismos causados pelo ato acidental ao caminhar. Vale ressaltar que o Instituto de Desenvolvimento, Logística, Transportes e Meio Ambiente - IDELT (2004) divulga que dois terços dos leitos hospitalares de ortopedia e traumatologia dos hospitais públicos ocupados por acidentados de trânsito, constituindo uma perda social e econômica inaceitável para nosso país.

No espaço urbano, as inter-relações da interface homem-tarefa-ambiente podem ser observadas nas múltiplas manifestações do ser (e estar) na cidade.

O comprometimento da acessibilidade das vias

de circulação de pedestres é determinado pela presença de barreiras arquitetônicas e urbanas, pela falta ou má sinalização desses espaços, pela inadequação do mobiliário urbano, pelo estado de conservação e dimensionamento, entre outros. Para Nicholl e Boueri (2001), acessibilidade é o critério que determina se os elementos do ambiente construído como:

parques, casas, prédios, os espaços e instalações inclusos nestes, podem ser alcançados e utilizados.

Este artigo tem foco nas vias de circulação pública (estruturas de circulação de públicas voltadas ao uso do pedestre) e nos espaços livres públicos (parques e praças) do ambiente urbano e, propõe como objetivo discutir a Ergonomia do ambiente construído e estratégias

de design para pessoas com deficiência, visando

os princípios da acessibilidade e do design universal.

Também é meta deste artigo discutir a aplicação da NBR 9050, que como Norma deve ser atendida, mas a partir da observação de que ela é uma referência e não um fim. Defende-se que ao aplicar as NBR 9050 o projetista deve ter em mente: [1] a visão sistêmica da Ergonomia; [2] os parâmetros e necessidades dos seres humanos, como as dimensões antropométricas e a influência da

proxêmica; [3] a filosofia e princípios do Design Universal; [4] a qualidade do projeto para espaços públicos. O intuito é promover autonomia ao usuário e torná-lo um cidadão.

2. Acessibilidade

No censo demográfico realizado em 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 24,6 milhões de pessoas, ou 14,5% da população total, apresentaram algum tipo de incapacidade ou deficiência. São pessoas com ao menos alguma dificuldade de enxergar, ouvir, locomover-se ou alguma deficiência física ou mental. Neste levantamento foi utilizado um conceito ampliado para caracterizar as pessoas com deficiência, incluindo diversos graus de severidade na capacidade de enxergar, ouvir e locomover-se, de forma compatível com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), divulgada em 2001 pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Se considerarmos apenas a população com idade igual ou superior a 65 anos o percentual da população com algum tipo de deficiência sobe para 54%. Segundo Góis e Petry (2003) em 2000 o censo do IBGE estimava a expectativa de vida em 68,6 anos. Porém, a esperança de vida livre de incapacidades é de apenas 54 anos. Isso significa dizer que é estimado pelo IBGE que cada brasileiro passe 14 anos ou 21,3 % de sua vida apresentando algum tipo de incapacidade, seja de locomoção, visual ou outras. E que, a expectativa de vida ao nascer do brasileiro vem subindo de 62,9 anos em 1980, para 71,2 em 2003, IBGE (2007). De acordo com as projeções estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 1950 e 2025 a população de idosos no país crescerá 16 vezes contra 5 vezes da população total, (CORDE,

1998).

Derivado das premissas que as deficiências aumentam com a idade e que a população está envelhecendo podemos deduzir que o número de pessoas convivendo com algum tipo de deficiência tende a aumentar.

está envelhecendo podemos deduzir que o número de pessoas convivendo com algum tipo de deficiência tende
Neste contexto A NBR 9050 - Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos (ABNT,

Neste contexto A NBR 9050 - Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos (ABNT, 2004), tem como objetivos: [1] estabelecer critérios e parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade; [2] considerar as diversas condições de mobilidade e de percepção do ambiente, com ou sem ajuda de aparelhos específicos, como: próteses, aparelhos de apoio, cadeiras de rodas, bengalas de rastreamento, sistemas assistivos de audição ou qualquer outro que venha a complementar necessidades individuais; [3] proporcionar à maior quantidade possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção, a utilização de maneira autônoma e segura do ambiente, edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos; dentre outros.

A norma deve, portanto, se constituir num veículo de referência à garantia da qualidade ambiental, assegurar ao indivíduo o direito de ir e vir e o direito de usufruir de espaços condizentes com as atividades que ali serão desenvolvidas, além de interceder no sentido de evitar a ocorrência de procedimentos ou condições que atuem causando constrangimentos ao equilíbrio físico e psicológico dos usuários.

Mas, se por um lado atender a esses critérios e parâmetros contribui para que todas as pessoas, inclusive as com deficiência ou mobilidade reduzida, tenham assegurado a equiparação de oportunidades e de autonomia em suas atividades cotidianas, por outro lado, aplicar a Norma repetitivamente e indiscriminadamente:

1º: sem conceber o projeto de acessibilidade como integrante de um sub-sistema do sistema chamado cidade, considerando os espaços público e privado, elementos arquitetônicos e mobiliários, vias de circulação, elementos tecnológicos e informacionais como sub- sistemas;

: sem entender princípios de disciplinas relacionadas ao ser humano (antropologia, antropometria, sociologia, psicologia, semiótica etc.) e de disciplinas relacionadas ao ambiente

(arquitetura, design, engenharias etc.) de modo a analisar as interações e adequações ao ser

humano;

: sem avaliar detalhadamente os seus resultados, sejam eles satisfatórios ou não; significa relegar todo um campo de conhecimento ao obscurantismo, além de limitar a nossa capacidade, como profissionais, de elaborar soluções adequadas a cada contexto particular e principalmente ao usuário.

O que se tem observado é que as grandes

cidades já não comportam o crescimento desenfreado. O excesso de pessoas em calçadas e passeios públicos, tornando-os cada vez mais estreitos e congestionados diante a invasão dos automóveis. As mudanças tecnológicas das últimas décadas e fenômenos sociais e econômicos, como o problema da violência, têm acarretado transformações culturais e alterações

no hábito das pessoas. No entanto, para que uma cidade cumpra seu papel de integrar a sociedade, esta deve permitir a circulação de seus cidadãos em toda sua estrutura: vias de circulação pública e espaços livres públicos. Deste modo, percebe-se que o ambiente urbano, por sua complexidade, necessita ser tratado a partir de uma visão holística, em que a acessibilidade é um requisito básico na promoção de um ambiente adequado às necessidades, capacidades, habilidades e limitações de seu usuário.

3. Ergonomia do Ambiente Construído

A Ergonomia (Human Factors) é uma

disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem estar humano e o desempenho global do sistema (IEA, 2000).

dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem estar humano e o desempenho
Neste contexto e a partir de vários autores, Martins (2003) coloca que ergonomia do ambiente

Neste contexto e a partir de vários autores, Martins (2003) coloca que ergonomia do ambiente construído estuda a relação humana nas suas interações com o espaço construído, sendo que a ergonomia no âmbito do ambiente construído passa a incorporar o conhecimento de disciplinas relacionadas ao ser humano (antropologia, antropometria, sociologia, psicologia, semiótica etc.) a disciplinas relacionadas ao ambiente (arquitetura, design, engenharias etc.) de modo a analisar as interações e adequações ao ser humano. Pode-se considerar o uso do espaço interno e urbano, com base nos conceitos de espaço público e privado, as barreiras arquitetônicas, a apreensão do espaço, os mapas cognitivos, a navegação e circulação no espaço arquitetural, os sistemas de informação e comunicação, a acessibilidade e o design universal, relacionando-os às atividades de trabalho, de serviços e de lazer.

Moraes (2004) considera que o termo ambiental refere-se a uma ampla gama de aplicações que vão desde os fatores ecológicos até os aspectos mais restritivos como a iluminação e a temperatura de um ambiente. De toda a forma, continua a autora, o aspecto principal está relacionado a interação do homem com o ambiente considerando as suas características e limitações culturais, cognitivas, emocionais e físicas. Tais interações podem resultar numa gama de problemas referentes aos seguintes aspectos:

• Ambientes urbanos: problemas de circulação e ambientação que se relacionam com o ser humano e o planejamento urbano. São

problemas de fluxos de veículos e pedestres, orientações espaciais, marcos referenciais e barreiras arquitetônicas.

• Ambientes públicos fechados (tais como

aeroportos, shopping centers e hospitais): os mesmos problemas de circulação e orientação

acrescidos dos problemas de layout e uso de cor.

• Ambiente laborais (como escritórios e

fábricas): têm-se as questões referentes a natureza do trabalho e a dicotomia entre o trabalho prescrito (aquele planejado pelos organizadores do trabalho) e o trabalho real

(aquele efetivamente realizado pelo trabalhador/operador).

• Ambiente doméstico: tem-se espaços

domésticos extremamente reduzidos e que não consideram a natureza das tarefas realizadas no

ambiente do lar, o que resulta em acidentes que afetam particularmente idosos e crianças.

• Ecologia ambiental: do ponto de vista

ergonômico, refere-se a relação das comunidades com os equipamentos que melhorem suas condições de vida, que sejam fáceis de aprender a utilizar e manter e que considerem as questões de sustentabilidade.

Cumpre explicitar que as questões ambientais consideram as premissas da acessibilidade e do design universal (que será discutido mais adiante).

A acessibilidade é definida pela NBR 9050

(ABNT, 2004) como a possibilidade e condição

de alcance, percepção e entendimento para a utilização com segurança e autonomia de edificações, espaço, mobiliário, equipamento urbano e elementos.

A ergonomia aplicada à pessoa com

deficiência não tem um enfoque especial ou distinto ao de outras aplicações: sempre se trata de adaptar o entorno às características das pessoas e para isso tem que analisar a relação que existe entre as necessidades, capacidades, habilidades e limitações do indivíduo e as condições do que se quer adaptar, seja uma residência, um equipamento, um posto de trabalho, etc., com a finalidade de harmonizar demandas e capacidades, pretensões e

realidades, preferências e restrições. Neste contexto, aborda-se como foco a acessibilidade no ambiente urbano, considerando a interface do sistema humano- atividade-ambiente urbano, assumindo como premissa a relação entre o usuário (pedestre, motorista, ciclista etc.), a atividade (caminhar, correr etc.) e o ambiente urbano (espaço de circulação pública).

E, tomando como ponto de partida o

entendimento de que a cidade se constitui num

sistema complexo e configurado pela

E, tomando como ponto de partida o entendimento de que a cidade se constitui num sistema
diversidade urbana e pela associação de fatores sociais e culturais, ou melhor, percebe-se o espaço

diversidade urbana e pela associação de fatores sociais e culturais, ou melhor, percebe-se o espaço urbano composto por diversos elementos dinâmicos (sociedade, história, cultura) e estáticos (elementos da configuração espacial, morfologia). Teixeira Jr. (2001) explica que as ações no espaço urbano correm em uma realidade social estruturada em termos de sistemas, ou seja, um conjunto de regras e de lógicas de procedimento que, nos mais diversos âmbitos, tende a regular o comportamento dos seres humanos.

A Ergonomia, a partir de sua visão sistêmica assume o papel de subsidiar o planejamento, projeto e avaliação do ambiente construído, tomando o usuário como elemento central. O profissional de Ergonomia por sua vez se utiliza de parâmetros do ser humano, como suas dimensões antropométricas e investiga suas necessidades para assim melhor adequar o ambiente.

4. Dimensões Antropométricas

Ambientes e produtos devem estar adequados à população usuária, por isso é importante adotar tabelas antropométricas no seu processo projetual buscando acomodar a maior porcentagem possível da população alvo. Quanto a sua aplicação, de acordo com Iida (2005) a antropometria pode ser estática, dinâmica e funcional. A antropometria estática é aquela em que as medidas se referem ao corpo parado ou com poucos movimentos e deve ser aplicada ao projeto de objetos sem partes móveis ou com pouca mobilidade, como no caso de mobiliário em geral. Alerta para que a maior parte das tabelas existentes é de antropometria estática. A antropometria dinâmica mede o alcance dos movimentos corporais e deve ser aplicada no caso de trabalhos que exigem muitos movimentos corporais ou quando se devem manipular partes que se movimentam em máquinas ou postos de trabalho. As medidas antropométrias relacionadas com a execução de tarefas específicas são chamadas de antropometria funcional e envolve também o movimento dos ombros, rotação do tronco, inclinação das costas

e o tipo de função que será exercido pelas mãos (as mãos podem exercer 17 funções diferentes, como agarrar, posicionar e montar).

Cada projeto requer a seleção dos dados antropométricos adequados e relacionados aos percentis específicos. Como o projeto que atenda a 100% da população é praticamente inviável, recomenda-se uma análise de custo/benefício para que se estabeleçam soluções de compromisso para atender uma gama maior de usuários. Assim sendo, dados antropométricos devem ser relacionados como uma das várias fontes de informação ou ferramentas disponíveis para o projeto. A dimensão corporal é apenas uma das referências humanas que têm impacto na fixação das dimensões dos espaços.

Um projeto ergonomicamente adequado não pode ser determinado apenas com preocupações antropométricas, sendo fundamental tomar o usuário em sua complexidade de ser humano.

Segundo Panero & Zelnik (2002), um espaço é considerado adequado quando as pessoas conseguem movimentar-se nele sem esbarrar em nada ou em ninguém. Essa dimensão, diferente

das medidas antropométricas, não é física, uma vez que ao acomodar o corpo ao ambiente, os fatores envolvidos não podem simploriamente

se limitar às medidas e distâncias. Para Hall

(1997), há certas „dimensões ocultas‟ que estão

baseadas na natureza da atividade ou interação social que deram origem ao estudo da proxêmica.

O estudo das dimensões humanas estáticas e

dinâmicas realizado pela antropometria, nos permite obter dados fundamentais para o projeto de espaços e produtos com base no usuário. Para Hall (1997), a proxêmica espressa as observações, inter-relações e teorias referentes ao uso que o homem faz do espaço, considerando-se a cultura que pertence. „O homem tem criado uma nova dimensão, a Dimensão Cultural, da qual a proxêmica é apenas uma parte. O tipo de relação existente entre o homem e a dimensão cultural é tal que

tanto o homem como o meio, participam para

O tipo de relação existente entre o homem e a dimensão cultural é tal que tanto
configurar-se reciprocamente próprio mundo, o homem está certamente determinando o tipo de organismo que quer

configurar-se reciprocamente

próprio mundo, o homem está certamente determinando o tipo de organismo que quer ser‟ (Hall, 1997).

Ao criar seu

A partir de observações e entrevistas a respeito

do comportamento humano em determinadas situações sociais, Hall (1997) classificou quatro zonas de distanciamento, cada uma em dois

níveis:

1. Íntima na distância íntima a presença de

uma pessoa resulta inconfundível e, às vezes,

pode fazer-se irresistível ou angustiante devido

a grande intensidade ou elevação dos estímulos sensoriais recebidos:

- íntima próxima (0 a 15 cm): amor, luta,

conforto, proteção;

- íntima afastada (15 a 45 cm): contato, aperto de mãos;

2. Pessoal pode ser concebida como formada

por uma pequena esfera ou bolha protetora que

o organismo mantém ao seu redor, interpondo-la entre ele e os demais:

- pessoal próxima (45 a 75cm): bolha

imaginária;

- pessoal afastada (75 a 120cm): alcance das

mãos;

3. Social a fronteira que espera a fase afastada

da distância pessoal da fase próxima da distância social marca o „limite da dominação‟.

O detalhe visual íntimo do rosto já não é mais

percebido e não se toca nem espera ser tocado por outra pessoa, a menos que se faça um esforço especial:

- social próxima (120 a 210cm): negócios

impessoais, reuniões sociais informais;

- social afastada (210 a 360cm): negócios

formais;

4. Pública na transição das distâncias pessoal e

social para a pública se produzem diversas e importantes modificações sensoriais. A distância pública está fora por completo do círculo de implicações, compromisso e envolvimento entre as partes:

- pública próxima (360 a 750cm): ação de fuga ou defesa;

- pública afastada (acima de 750cm): figuras públicas importantes.

Com efeito, a proxêmica ou estudo das dimensões subjetivas e ocultas, é de grande contribuição para projetos que lidam com o ambiente urbano uma vez que trata diretamente com os sentidos dos usuários provocando sensação de conforto, segurança e bem estar. Mas, é necessário atender a esses e outros princípios constantes na filosofia do Design Universal.

5. Design Universal

O conceito de desenho universal está definido pelo Decreto-Lei 5296/2004 e pelas normas técnicas NBR 9050/2004 da ABNT. Em ambos os casos, as definições são importantes como referencial de soluções de uso dos elementos ambientais pelo maior número possível de pessoas, independente de suas características físicas, habilidades e faixa etária. Assim, o conceito de desenho universal permite o entendimento de que a acessibilidade planejada para pessoas com deficiência e pessoas com mobilidade reduzida esteja integrada às demais soluções para o cidadão - com ou sem deficiência, seja temporária ou permanente -, neste caso, para o pedestre.

Segundo Cambiaghi (2007) o conceito de design universal tem sido discutido por profissionais na área de projeto desde 1961 com o objetivo de reduzir barreiras arquitetônicas enfrentadas pelas pessoas com deficiência e assim tornar ambientes construídos acessíveis a diversidade humana. Para a autora, o design universal tem sido usado inadequadamente por muitos profissionais como um simples sinônimo da aplicação de normas técnicas, o que cria projetos pobres e problemas de acessibilidade nas construções.

De acordo com Mace et all. (1998) e divulgado pelo Centro para o Design Universal da Escola de Design da Universidade Estadual da Carolina do Norte USA, pode-se assumir a definição do Design Universal como sendo o projeto de produtos e de ambientes aptos para o uso do

pode-se assumir a definição do Design Universal como sendo o projeto de produtos e de ambientes
maior número de pessoas sem necessidade de adaptações nem de um projeto especializado. Também propõe

maior número de pessoas sem necessidade de adaptações nem de um projeto especializado. Também propõe 7 princípios norteadores:

[i] uso eqüitativo - o projeto é útil e acessível para todas as pessoas - com o mesmo modo de uso para todos; evita a discriminação de algum usuário; garante a privacidade e segurança; é atrativo.

[ii] uso flexível - o projeto se adequa a múltiplas

preferências e habilidades individuais - permite

o acesso e uso (direita e esquerda); facilita a

precisão e exatidão; proporciona adaptabilidade do espaço em que está utilizado.

[iii] uso simples e intuitivo - o projeto é

compreensível independentemente da experiência, conhecimento, habilidades de linguagem ou nível de concentração.- elimina complexidades desnecessárias; é consistente com as expectativas e intuição dos usuários; proporciona informação efetiva e pontual durante e depois a realização da tarefa.

[iv] informação perceptível - o projeto possui a

informação necessária para o uso, independente das condições ambientais e capacidades sensoriais dos usuários. - emprega modalidades verbais, táteis ou pictóricas para apresentar a informação básica; proporciona contraste adequado entre a informação e o fundo.

[v] tolerância ao erro - o projeto minimiza as

conseqüências perigosas derivadas de ações acidentais ou não intencionais. - proporciona elementos de segurança diante do erro; desvia a realização de ações involuntárias em tarefas que requerem vigilância; previne visualmente de perigos e erros.

[vi] mínimo esforço físico - o desenho pode ser

usado de maneira eficiente, cômoda com um

mínimo de fadiga. - permite sua utilização mantendo o corpo em uma posição neutra; reduz

a necessidade de repetir ações; minimiza a manutenção de esforços físicos.

[vii] espaços e dimensões adequados para aproximação e uso - o projeto proporciona

espaço e dimensões tais que garantem a aproximação, alcance, manipulação e uso independentemente do tamanho, postura e mobilidade do usuário. - alcance dos componentes de forma confortável; prover adequado espaço para o uso de dispositivos de assistência.

Produzir produtos que possam ser usados pelo maior número de usuários possíveis, incluindo o deficiente e o idoso, é uma estratégia econômica e social que contribui para o sucesso do produto. Ao ampliar o mercado, os produtos se tornam mais baratos que os produzidos em menor quantidade como é o caso dos produtos para as “populações especiais”.

Design universal é uma proposta, ou mesmo uma atitude, de conceber e/ou adequar produtos, ambientes e sistemas de forma que „todos‟, sem exceção possam usufruir destes, levando-se em consideração a diversidade do homem incluindo as diversas atividades, independente de suas habilidades e limitações, de forma fácil e segura.

Embora o termo Design Universal seja amplamente utilizado, cumpre esclarecer que tal termo guarda uma certa inadequação uma vez que é impossível o projeto para todos considerando que sempre haverá algumas pessoas não contempladas pela opção projetual escolhida devido a particularidade da sua deficiência ou as suas dimensões físicas localizadas nos limites maior ou menor da distribuição da curva de freqüência.

Feeney (2002) prefere o termo Design Inclusivo porque este aceita o fato de que pode não ser possível projetar para todos e para certos grupos da população. O Design Inclusivo seria um desafio para examinar as necessidades de todas as pessoas e ver se elas podem ser acomodadas em uma única solução inclusiva a todos. Para Feeney, ao se examinar as necessidades não se deve olhar para as diferenças e sim para as semelhanças. Todas as pessoas necessitam acessar os ambientes e conseqüentemente o projeto deve estar preparado para acomodar uma ampla gama de

pessoas necessitam acessar os ambientes e conseqüentemente o projeto deve estar preparado para acomodar uma ampla
usuários. O Design Inclusivo seria o design de produtos e ambientes que, sem adaptação ou

usuários. O Design Inclusivo seria o design de produtos e ambientes que, sem adaptação ou a necessidade de uma assistência técnica especial, são fáceis, convenientes e seguros para usar com o mínimo de instrução e treinamento pelo público em geral, ou por grupos com necessidades específicas, enquanto que, ao mesmo tempo, proteja certos grupos, como crianças, do mau uso do produto. Isto é uma forma de projetar que engloba uma determinada maioria de usuários potenciais incluindo os menos hábeis e menos competentes (Feeney,

2002).

Na aplicação do design universal em espaços públicos é aqui enfatizada a necessidade de se pensar o espaço urbano como um local de trocas e de socialização onde a qualidade ambiental é requisito essencial. Nesse sentido, devem-se observar todos os atributos que compõe esse lugar.

6. Projeto para Espaços Públicos

Parte-se do pressuposto de que o planejamento do ambiente urbano, respeitando a vocação de cada comunidade e levando em consideração as necessidades dos usuários, efetivamente se contribuirá de forma positiva para a renovação desses espaços de convivência coletiva. Segundo Takaki (2005) o espaço de circulação urbano é configurado por dimensões físico- espaciais, sócio-culturais, ambiental e econômica que interagem entre si. Estes correspondem à interação e dinâmica urbana, que vai desde a inter-relação do usuário com a calçada, até todo o sistema viário. Sendo cada nível, relacionado com a interação dos usuários com os elementos da configuração espacial (figura 01).

Deste modo, as vias respondem a uma lógica e ordenação, determinam as interações dos elementos do espaço urbano (calçada, quarteirão, bairro, cidade), configurando e influenciando a vivência e experiência do usuário (atividades realizadas pelos usuários, requerimentos e/ou motivação para realização da tarefa).

requerimentos e/ou motivação para realização da tarefa). Figura 1: Níveis interfaciais - usuário-atividade-ambiente

Figura 1: Níveis interfaciais - usuário-atividade-ambiente Fonte: Takaki (2005)

Neste sentido, Wheller (2001) apud Takaki

(2005) afirma que para a promoção de qualidade de vida às pessoas e comunidades, é necessário

a inclusão de garantia de segurança,

desenvolvimento de recursos, promoção de parques e espaços abertos, adequação de calçadas e provisão de serviços. Segundo o autor estas qualidades, juntas, ajudam a tornar o

ambiente mais agradável e adequado aos usuários.

Desta forma, estudos realizados pelo Project for Public Spaces PPS destacam atributos habitáveis do ambiente construído. Estes atributos incluem aspectos tangíveis (dados estatísticos) e qualidades intangíveis que os usuários sentem em relação a um lugar ou entorno. Segundo o autor, o Transit Cooperative Research Program (1997) coloca que os „atributos chave‟ dos espaços urbanos consistem em componentes essenciais para um lugar habitável, compreendendo:

- usos e atividades: relativos às atividades sociais e ao uso e ocupação do solo;

- conforto e imagem: compreende as

expectativas subjetivas dos habitantes, como usam o lugar, resultando em interações, apropriações e transformações pelos usuários relativo aos índices de conforto e aspectos da paisagem urbana;

apropriações e transformações pelos usuários – relativo aos índices de conforto e aspectos da paisagem urbana;
- acessos e conexões: são aspectos relativos a acessibilidade, se referem à facilidade de trânsito

- acessos e conexões: são aspectos relativos a acessibilidade, se referem à facilidade de trânsito e habilidade de circulação, como também à continuidade viária, buscando a continuidade do sistema viário; e

- sociabilidade: consiste num componente decisivo para o espaço, refere-se a um sentido mais forte do lugar ou senso comum.

Já os „aspectos intangíveis‟, são critérios gerais referentes à quantidade de vezes que determinada comunidade fala sobre seus problemas e necessidades, como: segura, divertida, encantadora, acolhedora, entre outras.

Uma importante consideração no desenvolvimento deste modelo consiste em não determinar valores de julgamento de cada atributo. Ou seja, estar de acordo com as necessidades e anseios dos usuários.

Assim sendo, é intenção deste estudo trazer à discussão a premência de se considerar as necessidades e anseios dos usuários, a partir do pressuposto de que uma vez considerados estes elementos, se estará favorecendo a renovação e requalificando o espaço urbano, neste caso, as vias de circulação pública e os espaços livres públicos, além de se criar um sentimento de adoção e apropriação por parte da comunidade.

7. Considerações quanto a Aplicação da NBR

9050

Enquanto referência normativa, o Brasil possui uma das normas técnicas mais avançadas do mundo. A NBR 9050 lançada inicialmente em 1985, encontra-se em sua 3ª revisão publicada em 2004. Essa norma é referenciada pela lei 10.098 de 2000 e regulamentada pelo decreto nº 5.296 de 2004. Também é referenciado por diversos códigos municipais sendo obrigatória sua aplicação.

Tanto a norma, a lei e o decreto argumentam sobre a importância de se conceber o projeto seguindo as prerrogativas do Design Universal. Porém este princípio exige do projetista (designers, arquitetos) criatividade para

proporcionar soluções que atendam a uma ampla gama de usuários em uma dada circunstância. Neste sentido, um modelo padrão pode não ser o mais indicado em situações particulares.

Entende-se que a NBR 9050 estabelece parâmetros mínimos, condições aceitáveis, que podem ser refinados pela criatividade do projetista. O importante é entender: qual o princípio que está por trás de cada parâmetro? A quem aquela medida e destinada? Talvez exista uma solução que atenda a esse princípio e a esse usuário de forma mais adequada aos parâmetros iniciais da norma. Mas, por falta de consideração dos requisitos acima discutidos, a má aplicação de seus parâmetros e critérios resulta em projetos pouco eficazes.

Sem esgotar o tema, no Quadro 01 se pode observar dois exemplos de aplicação da Norma que não representam atenção no atendimento aos detalhes de uso ou mesmo harmonia e legibilidade do sistema.

O espaço urbano verdadeiramente acessível não necessita necessariamente estar repleto de rampas e pisos táteis. Na maioria dos casos uma simples organização do espaço urbano, reservando faixas exclusivas e desimpedidas de circulação e faixas de mobiliários, projetadas considerando o ser humano, suas atividades, os princípios do design universal e a qualidade ambiental deste espaço podem resultar em projetos mais eficazes e com melhor aceitação para o público.

Uma travessia segura do leito carroçável da rua exige a redução e ou eliminação de desníveis e uma boa sinalização. Isto pode ser alcançado com um design urbano de qualidade e que considere as diferentes necessidades de seus usuários. No exemplo a seguir (figuras 02 e 03) é apresentada travessia para ciclistas e pedestres, acomodando inclusive pessoas cegas e pessoas usuárias de cadeiras de rodas. São três travessias que associadas estão adequadas a diferentes habilidades, limitações e necessidades.

de rodas. São três travessias que associadas estão adequadas a diferentes habilidades, limitações e necessidades.
  Quadro 01   Sinalização Tátil Identificação de conflitos Fonte: Martins e Baptista Requisitos
 

Quadro 01

 

Sinalização Tátil

Identificação de conflitos Fonte: Martins e Baptista

Requisitos de Acessibilidade Fonte: NBR 9050/2004

O que foi identificado?

(2007)

Havia uma real necessidade de se utilizar a sinalização tátil para advertir com antecedência a
Havia uma real necessidade de se utilizar a sinalização tátil para advertir com antecedência a

Havia uma real necessidade de se utilizar a sinalização tátil para advertir com antecedência a presença de um obstáculo suspenso, como o telefone público, porém a sinalização só contornou o poste e o telefone que além de não ser acessível continuou a ser um obstáculo não sinalizado.Fonte: NBR 9050/2004 O que foi identificado? (2007) São encontradas em calçadas sinalização tátil de

São encontradas em calçadas sinalização tátil de alerta, sem o contraste necessário e posicionadas equivocadamente ao longo de toda a extensão do meio-fio da calçada e contornando postes e árvores, contribuindo para a poluição visual do espaço público.acessível continuou a ser um obstáculo não sinalizado. O que a NBR 9050 diz? Obstáculos suspensos

O que a NBR 9050 diz?

O

que a NBR 9050 diz?

Obstáculos suspensos entre 60 e 210 cm, rebaixamento de calçadas, início e termino de circulações verticais e junto a desníveis aonde houver risco de queda.visual do espaço público. O que a NBR 9050 diz? Telefones públicos com volumes suspensos devem

Telefones públicos com volumes suspensos devem ter sua projeção sinalizada com pisos táteis de alerta. Devem ter amplificador de sinal e ser capaz de transmitir mensagens em texto. Para ser acessível deve possuir uma opção com altura máxima de 1.20 e garantir área de aproximação.verticais e junto a desníveis aonde houver risco de queda.   Travessia de Pedestres Identificação de

 

Travessia de Pedestres

Identificação de conflitos Fonte: Martins e Baptista

Requisitos de Acessibilidade Fonte: NBR 9050/2004

O que foi identificado?

(2007)

Nesta travessia foram instaladas rampas de rebaixamento de calçadas sinalizadas com piso tátil de advertência,
Nesta travessia foram instaladas rampas de rebaixamento de calçadas sinalizadas com piso tátil de advertência,
Nesta travessia foram instaladas rampas de rebaixamento de calçadas sinalizadas com piso tátil de advertência,

Nesta travessia foram instaladas rampas de rebaixamento de calçadas sinalizadas com piso tátil de advertência, porém o usuário em cadeira de rodas terá mais dificuldade de subir o leito carroçável da via do que a própria calçada.Fonte: NBR 9050/2004 O que foi identificado? (2007) Apesar dos esforços, instalação das rampas comprometeu a

Apesar dos esforços, instalação das rampas comprometeu a interpretação, e a qualidade da ambiência do lugar considerado de valor histórico.o leito carroçável da via do que a própria calçada.   O que a NBR 9050

 

O

que a NBR 9050 diz?

O rebaixamento do passeio deve possuir inclinação máxima de 8,33% e possuir abas laterais com no máximo 10%de valor histórico.   O que a NBR 9050 diz? Em vias de largura inferior a

Em vias de largura inferior a 6,00m de pequeno fluxo de veículos uma alternativa possível é a elevação da faixa de pedestre.9050 diz? O rebaixamento do passeio deve possuir inclinação máxima de 8,33% e possuir abas laterais

de largura inferior a 6,00m de pequeno fluxo de veículos uma alternativa possível é a elevação
Figura 02: Travessia de Ciclistas Zaandam, Holanda Fonte: acervo da autora (2007) Figura 03: Travessia
Figura 02: Travessia de Ciclistas Zaandam, Holanda Fonte: acervo da autora (2007) Figura 03: Travessia

Figura 02: Travessia de Ciclistas Zaandam, Holanda Fonte: acervo da autora (2007)

de Ciclistas Zaandam, Holanda Fonte: acervo da autora (2007) Figura 03: Travessia de pedestre Zaandam, Holanda

Figura 03: Travessia de pedestre Zaandam, Holanda Fonte: acervo da autora (2007)

Acessibilidade não se restringe a acessar um espaço, é necessário compreendê-lo, interpretá-lo, vivênciá-lo. Nesse contexto, o alcance à informação torna-se essencial, como o principal canal de informação do mundo exterior para o ser humano. As informações visuais são mais explorados, mas para quem não consegue enxergar é necessário uma alternativa.

Uma pessoa cega ao atravessar um leito carroçável desconhecido, não têm conhecimento de qual é a largura da pista e de quanto tempo terá disponível para atravessá- la. Neste caso, uma sinalização tátil da indicando o número de faixas de rolamento e canteiros pode fornecer essa informação (figura 04). Uma pessoa cega pode acessar uma edificação de interesse histórico e se localizar no ambiente caso haja informações pontuais (sonoras ou táteis) ao longo do trajeto. Mas como compreender a volumetria da edificação, sua implantação seu partido arquitetônico? Um mapa tátil pode contribuir para esse compreensão possibilitando a

interpretação do objeto arquitetônico (figura 05). Vale reforçar a importância de se fornecer informações diversificadas e redundantes (sonoras, olfativas, táteis)

diversificadas e redundantes (sonoras, olfativas, táteis) Figura 04: Sinalização de faixas – Viena, Áustria.

Figura 04: Sinalização de faixas Viena, Áustria. Fonte: acervo da autora (2007)

faixas – Viena, Áustria. Fonte: acervo da autora (2007) Figura 05: Mapa tátil – Paris, França.

Figura 05: Mapa tátil Paris, França. Fonte: acervo da autora (2007)

Os exemplos não se esgotam e como cada caso é uma situação particular, ergonomistas, designers e arquitetos do ambiente urbano tem que analisar e diagnosticar as questões relativas a interface humano-tarefa-ambiente para, só então, determinar recomendações e requisitos de projetos com foco na acessibilidade e no design universal, visando proporcionar ao usuário soluções realmente eficazes.

8. Considerações Finais

A abordagem sistêmica é o elemento norteador das questões colocadas. O que se observa atualmente nas cidades brasileiras com relação ao espaço urbano, quer sejam nas

questões colocadas. O que se observa atualmente nas cidades brasileiras com relação ao espaço urbano, quer
vias de circulação pública ou nos espaços livres públicos, são projetos que não impõem como

vias de circulação pública ou nos espaços livres públicos, são projetos que não impõem como requisitos projetuais a questão da acessibilidade. Importante se deixar claro que, neste artigo, se assume que a adoção da NBR 9050 é apenas uma fase inicial, é a condição básica e mínima para se ter mobilidade e condições de circular no ambiente urbano das cidades.

disponíveis como fator fundamental da experiência perceptiva e da prática cotidiana. Devem estar acessíveis a todos os usuários, possuir um caráter universal e incluir todos os seguimentos de uma sociedade, independentemente do grau de comprometimento físico, cognitivo e sensorial, além de ser uma expressão dos anseios e qualidades da comunidade.

A partir de uma visão sistêmica do sistema humano-tarefa-ambiente urbano, a Ergonomia como disciplina científica assume

Portanto, só a partir do entendimento e interface com disciplinas de outras áreas do conhecimento, que apresentem princípios e

9. Referências Bibliográficas

o

papel de subsidiar o planejamento, o projeto

métodos que venham a contribuir para uma

e

a avaliação do ambiente construído. O

abordagem sistêmica e holística da interface

estudo da antropometria além de fornecer dados e medidas antropométricas, trata e subsidia projetos de mobiliários, contribuindo também com medidas e parâmetros de alcance dos movimentos corporais ou mesmo daqueles que se devem manipular partes,

ao espaço, a proxêmica ou estudo das

As vias de circulação pública e os espaços

humano-tarefa-ambiente urbano, a acessibilidade deixa de ser „uma conquista da autonomia e da independência‟ e passa a ser „uma das características da cidadania‟.

envolvendo inclusive projetos que envolvam movimento dos ombros, rotação do tronco, inclinação das costas e o tipo de função que será exercido pelas mãos. No que diz respeito

dimensões subjetivas e ocultas, é de grande contribuição para projetos que lidam com o ambiente urbano uma vez que trata diretamente com os sentidos dos usuários provocando sensação de conforto, segurança e bem estar. O design universal oferece princípios que devem ser seguidos na busca de produtos, ambientes e sistemas que possam ser usados pelo maior número de usuários

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possíveis, incluindo o deficiente e o idoso, tornando-se uma estratégia econômica e

CAMBIAGHI, S Desenho Universal:

social que contribui para o sucesso. A contribuição do PPS está na apresentação de parâmetros essenciais para a determinação de

Métodos e técnicas para arquitetos e urbanistas. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007.

um modelo que respeite a vocação de cada comunidade, levando em consideração as necessidades dos usuários, efetivamente contribuindo de forma positiva para a

FEENEY, R. The ergonomics approach to Inclusive Design are the needs of disabled and non-disabled people diferent? In:

renovação dos espaços de convivência coletiva.

livres públicos representam uma dimensão essencial para a cidade, devendo estar

Congresso latino-americano de Ergonomia, VII; Congresso brasileiro de ergonomia, XII; Seminário brasileiro de acessibilidade integral, I. 2002 Recife. Anais ABERGO 2002. Recife: ABERGO, 2002. CD-ROM.

XII; Seminário brasileiro de acessibilidade integral, I. 2002 Recife. Anais ABERGO 2002. Recife: ABERGO, 2002. CD-ROM.
GOIS, A. & PETRY, S. Brasileiro passa 1/5 de sua vida sem qualidade. Folha de

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