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A RURALIDADE X URBANIDADE

Autoras: Cheila Garcia


Juliana Plá
Roberta Mecking
Vanessa Bosenbecker

Professora: Karen Mello

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Resumo
O presente artigo reflete a respeito do tema Rural x Urbano, explicitando as diversas maneiras de
caracterizá-los dentro de conceitos e limites em diferentes fases na história.
Palavras-Chave: Rural, Urbano, Revolução Industrial, Limites.

Resumen
El presente artículo refleje acerca del tema Rural x Urbano, explicitando las diversas maneras de
caracterizarlos dentro de los conceptos y límites en diferentes fases en la historia.
Palabras-Clave: Rural, Urbano, Revolución Industrial, Límites.
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O presente artigo abordará questões que envolvem a ruralidade e a


urbanidade traçando, entre elas, comparações dos aspectos que diferem ou
assemelham para melhor compreendermos como cada uma se encaixa na
sociedade.

As pessoas que nascem e residem no meio urbano percebem, muitas


vezes, o campo como um desafio à cidade, como um espaço a ser tomado por
essa, sinal de atraso e subdesenvolvimento. Na história existem vários registros
de autores que retratam o fim do rural por diversos motivos, como por exemplo, a
hipótese da completa urbanização lançada pelo filósofo e sociólogo marxista
francês Henri Lefebvre em 1970 e o cercamento das propriedades rurais por
George Sturt em 1861.
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Enquanto a idéia de o que é urbano já é abordada há séculos, nos


proporcionando uma concepção mais clara, a idéia de rural há pouco tempo é
tratada de forma a demonstrar a sua real importância, uma vez que estes
conceitos são elaborados por urbanos. Este fator fica evidenciado analisando o
conceito de cidade apresentado por Élvio Rodrigues Martins.

“Nódulo central da urbanidade, locus privilegiado da modernidade, do


pensamento científico, das práticas sofisticadas e da grande produção
e circulação do capital – é, por excelência o lugar da aglomeração, da
crítica, do processo decisório, das territorialidades nômades em
constantes trocas”. (2000, p. 63-70)

URBANIDADE E RURALIDADE

Em Tempos Remotos:

De acordo com o texto “Diferenças fundamentais entre o mundo rural e o


urbano” de Sorokin, Zimmerman e Galpin, a separação entre os habitantes das
cidades antigas e o meio ambiente já se fazia perceber tendo como conseqüência
a dicotomia rural-urbano.

A Bíblia aponta corretamente a simultaneidade entre a origem da cidade e


do ambiente artificial de muros e construções urbanas “E eles (a posteridade de
Noé) disseram uns aos outros, “Vinde, façamos tijolos, e queimemo-los bem”. Os
tijolos serviram-lhe de pedra, e o betume, de argamassa. Disseram: ”Vinde,
edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus”
(gêneses 11:3-5). Em geral as antigas cidades do Egito, Babilônia, Assíria, Pérsia,
Grécia, Roma, China, Europa medieval e outros lugares eram separadas da
natureza por muros de pedra e tijolo, que chegavam a ser muito extensos e
grossos, e que eram frequentemente ornados com uma série de torres altas
(postos de vigia).
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Através dos séculos percebe-se que valores diferentes foram agregados ao


conceito de cidade. Segundo Raymond Williams (1921,p.388) :

[...] “a cidade está associada, nos séculos XVI e XVII, ao dinheiro e à lei,
e, no século XVIII, à riqueza e ao luxo; que há uma associação
persistente, chegando ao auge no final do século XVIII e no XIX, à
imagem da turba, das massas; que, nos séculos XIX e XX, a cidade é
associada à mobilidade e ao isolamento”.

Pensa-se que para diferenciar os conceitos de urbano e rural ambos


devem ser contextualizados no mesmo período histórico. Pois o desenvolvimento
desses ocorre, dentro de suas escalas, conjuntamente. E diferentes perspectivas
de análise resultarão em diferentes formas de perceber o limite entre eles.

Na Revolução Industrial

Com a Revolução Industrial o limite campo/cidade, tornou-se menos


tangível. O crescimento das cidades gerou a necessidade de implementação de
infra-estrutura, como apresenta-nos Leonardo Benévolo:

“[...] aumentam as quantidades postas em jogo; são construídas


estradas mais amplas, canais mais largos e profundos, e cresce
rapidamente o desenvolvimento das vias de transporte por água e por
terra, o aumento da população e as migrações de lugar para lugar
requerem a construção de novas casas, em números jamais vistos até
agora; o crescimento das cidades requer implementos cada vez mais
extensos e capazes; o aumento das funções públicas requer edifícios
públicos mais amplos, enquanto a, multiplicação das tarefas e o impulso
dado pelas especializações requer tipos de edificação sempre novos.“
(2004,p.35)

Com a ascensão da burguesia na cidade o campo passou a ser visto como


atrasado e pouco dinâmico o que acabou por distanciar as sociedades que viviam
no meio agrícola das que já faziam uso das tecnologias, nesse quadro geral o
Estado teve intensa participação, como tratam Rocha e Pizzolatti:

“[...] entre os agentes urbanos, o Estado deteve papel fundamental na


construção daquele momento marcado primeiro cmoo atrativo e, mais
tarde, pela expansão das estruturas da cidade sobre o campo. A
situação caracterizou-se tanto pela disposição de uma série de
infraestruturas que por certo tempo foram exclusivamente urbanas (o
acesso a serviços de saúde, educacional, à rede telefônica, elétrica e
abastecimento de água, por exemplo), como também pela função
catalizadora da cidade em relação aos habitantes das áreas rurais, que
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foram incorporados ao trabalho nas fábricas e nas demias atividades


urbanas.” (dezembro de 2005. p.47)

Presumem-se então, como conseqüência da Revolução Industrial dois


pontos principais: a perda da centralidade econômica social e simbólica por parte
do mundo rural e a visão deste como realidade arcaica enquanto as
aglomerações urbano-industriais, vistas como sinal de progresso.

No processo de globalização

No decorrer da história, a diferenciação entre rural e urbano vem tornando-


se cada vez mais complexos.
Carvalho Mendes apresenta-nos a urbanização do meio rural, através da
modernização do campo:

“[...] é isso que acontece quando se passa da policultura à agricultura


especializada; é também isso que acontece quando se mecaniza a
agricultura e se recorre cada vez mais a consumos intermédios
agrícolas produzidos industrialmente; é isso que acontece quando
também nas atividades agrícolas e rurais se constrói em altura, umas
vezes no sentido literal do termo, outras vezes no sentido literal, com
um grau de transformação industrial cada vez maior dos produtos rurais
[...]” (1999, p.105-114)

Em contrapartida, Maia expõe a ruralização do meio urbano:

“As atividades rurais quando inseridas no contexto da economia


citadina, não podem ser compreendidas como processos separados das
funções urbanas. As referidas atividades fazem parte da economia da
cidade, seja como ocupação diversificada do trabalhador urbano, seja
como possível estratégia de sobrevivência ou reprodução de capital
pelos praticantes de atividades rurais neste espaço [...] Assim, cabe
reafimar que o crescimento da população urbana não significou uma
integral ou exclusiva inserção dos indivíduos com as atividades
citadinas, embora os estudos urbanos tenham desconsiderado, por
vezes, esta abordagem e compreendido a população urbana como
homogeneamente participante da economia urbana marcada pela
dinâmica dos setores secundário e terciário.”

A cidade alimenta-se do que o campo produz, devolvendo-lhe manufaturas,


serviços em autoridade política, no direito e no comércio, àqueles que comandam
a exploração rural. Sendo assim, o campo precisou crescer e modernizar-se,
dentro de sua escala, para acompanhar o crescimento das cidades, e essas
precisaram da mão de obra proveniente do campo.
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Com o êxodo, resultado direto dessa necessidade, além da miscigenação


física, houve a miscigenação cultural, dificultando a elaboração de parâmetros
exatos que definam o início e o fim da ruralidade e da urbanidade de cada
comunidade, já que as populações oriundas do campo ainda conservam seus
costumes primeiros por não conseguirem se engajar no ciclo do capitalismo. Isso
pode ser percebido no surgimento de pequenas plantações e criações em seus
próprios quintais. A partir dessa nova realidade, surgem áreas de transição
chamadas subespaços, como intitulam Rocha e Pizzolatti:

“[...] o campo e a cidade, anteriormente compreendidos por suas


diferenças territoriais, tanto em papéis com em relação à produção e ao
consumo, apresenta de modo anômalo outro sentido no interior dos
subespaços [...] a coesão entre os subespaços rurais e a cidade,
acontece em diversos níveis e escalas. Essa coesão poderá ser maior
ou menor dependendo dos interesses e das necessidades da
urbanização e daqueles que mantêm atividades rurais na cidade, da
interferência em maior ou menor grau dos agentes urbanos e,
principalmente, das forças impostas pelo poder econômico do capital.”

O movimento de re-naturalização que valoriza o desenvolvimento


sustentável e proteção à natureza; procura a autenticidade valorizando memórias
e identidades capazes de se oporem à homogeneização que a globalização
propõe; e a mercantilização das paisagens pela valorização das atividades de
turismo e lazer.

Atualmente a relação urbano/rural é diferente da vivida anteriormente.


Existe uma busca pelo rural como forma de desopilação do ritmo acelerado vivido
nas cidades. Segundo Hervieu & Viard (2001), “a cidade e o campo se casaram,
enquanto ela cuida de lazer e trabalho, ele oferece liberdade e beleza”.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS:

O meio rural vem sendo dado como em fase de extinção há muito tempo.
Sempre sendo encarado como território a ser englobado pela cidade, território a
ser modernizado, desenvolvido.
No século XIX, Sturt relacionou o fim do ruralismo com o cercamento das
propriedades privadas, tratando-o como uma mudança da organização dos
modos de vida.
Teorias do período da revolução industrial apresentavam a “morte” do rural,
com a mecanização dos meios de produção.
Porém, pode-se afirmar que o rural não teve fim e provavelmente nunca
terá. O que varia é a perspectiva de análise. Para quem vive na cidade qualquer
meio externo ao urbano e que não corresponda a suas características principais é
rural. Já para quem vive no campo qualquer artificialização do espaço em direção
à urbanidade é tida como o fim do rural.
O que varia, também, são os parâmetros que definem o que é urbano e o
que é rural. Atualmente, com a facilidade de deslocamento (físico ou virtual) os
limites geográficos são postos em segundo plano, dando lugar às relações de
troca entre os espaços que dão suporte aos fluxos econômicos e sociais.
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REFERÊNCIAS:

BENÉVOLO, Leonardo. História da Arquitetura Moderna. Nb. 3 ed., São Paulo:


Editora Perspectiva, 2004.

WILLIAMS, Raymond. O Campo e a Cidade: na história e na literatura. Nb. 1 ed.,


São Paulo: Editora Schwarcs Ltda, 1990.

ROCHA, Fernando Goulart e PIZZOLATTI, Roland Luiz. Cidade: Espaço de


descontinuidades. Disponível em: <http://www.rc.unesp.br>. Acesso em: 04 de
junho de 2006.

SOROKIN, Pitirim A.; ZIMMERMAN, Carlo C.; GALPIN, Charles J. Diferenças


fundamentais entre o mundo rural e o urbano.

FERRÃO, João Relações entre o mundo rural e mundo urbano: Evolução


histórica, situação atual e pistas para o futuro. Disponível em:
<http://www.scielo.cl/scielo.php >. Acesso em: 04 de junho de 2006.

VEIGA, José Eli da. Destinos da Ruralidade no Processo de Globalização.

VIANA, Masilene Rocha. Urbanidade e Ruralidade na Produção do Espaço


Intra-Urbano Disponível em: <http://www.ts.ucr.ac.cr/eventos/br-cbass-con-des-
po-15.htm >. Acesso em: 17 de maio de 2006.

MENDES, Américo M. S. Carvalho. Será que Modernidade rima com


Ruralidade?
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