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FILOSOFIA MÉDICA

ESTUDO DE CASOS - 3

C ASO 1

Nome: JL Idade: 7 anos


Sexo: F Cor: B Nat: RJ

Queixa Principal: “está sempre resfriada”

Criança apresentando coriza crônica, com eventuais episódios febris. A mãe


também refere as mesmas queixas, bem como de suas três outras filhas.

Perguntada sobre as suas condições de habitação, a mãe conta que mora em


um barraco de madeira, onde o vento entra constante e intensamente.

Expliquei-lhe que, naquelas circunstâncias, seria muito difícil obter um


tratamento favorável daqueles sintomas.

Alguns anos depois, esta moradora obteve uma doação de material de


construção, e pôde reformar seu barraco, com a cooperação de outros
moradores.

C ASO 2

Nome: FSG Idade: 32


Sexo: f

QP: Veio pedir remédio para emagrecer

Perguntei porque ela não conseguia emagrecer


Ela respondeu que comia pouco e mesmo assim não emagrecia
Perguntei se ela não beliscava durante o dia. Disse que sim.
Coloquei que, ao invés de tomar este tipo de remédio, que apresenta muitos
efeitos colaterais, seria melhor ela cuidar de sua ansiedade.
Ela começou, então a contar que tinha problemas sexuais. Era frígida.
Esclarecendo melhor, disse não sentir desejo pelo marido, apesar dele ser
boa pessoa.
Procurei caracterizar melhor a frigidez. Ela começou a chorar, dizendo que
sabia que o problema é que ela não esquecia o primeiro marido, que morreu
assassinado há 12 anos. Contou que sempre pensava nele, que era o pai de
suas 2 filhas, inclusive durante a relação sexual. Não gostava do atual
marido, e achava que ia acabar se separando.

Ofereci encaminhamento para psicoterapia, no que ela se interessou. Pedi


que pensasse no assunto e voltasse na semana seguinte.

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C ASO 3

Nome: MSC Idade: 27 Sexo: F Nat: Ne ECiv: Prof: doméstica

QP: dores na coluna, dor de cabeça

Refere apresentar, há mais ou menos 2 anos, dores na coluna lombar, com


irradiação para o epigástrio e cefaléia pulsátil, frontal, ambos relacionados à
época da menstruação. Refere também disfagia e dor abdominal baixa. Nega
alterações urinárias e corrimentos.

Ex. fís. emagrecimento discreto. exame normal, (leve dor à palpação da


coluna lombar.)

Ao ser perguntada sobre o funcionamento do intestino, respondeu que “não


fazia isto há 7 anos”. Expliquei-lhe o mal entendido e pedi que falasse mais.

Contou que fora violentada pelo homem com quem se casou e teve filhos. Ele
batia e a maltratava. Depois ele foi para Brasília, e não deu mais notícias.
Desde então não tivera mais relações sexuais. Tinha medo de se aproximar
de outros homens. Não gostava de se arrumar, apesar da boa aparência.
Antes do casamento trabalhava muito, na roça. Não se divertia. Ao falar de
sua adolescência, ficou com os olhos cheios de lágrimas.
Perguntei-lhe o que sentia. Ela disse que estava sentindo “as carnes
tremendo” e nervoso.
Continuou a falar, ininterruptamente, por mais cerca de 15 minutos, sobre seu
sofrimento.
Expliquei-lhe que seria impossível falar de tudo de uma só vez, e sugeri que
procurasse um dos psicólogos do Posto. Pedi MIF e ultra-sonografia pélvica.

C ASO 4

R, 7 anos. Mãe-advogada

QP: febre há 3 dias; manchas no corpo


antecedentes de asma; come mal; está em tratamento com um alergista.

Observações: mãe bastante ansiosa, falando muito; criança pálida, mas


esperta, comentando coisas da sua escola.

Perguntei qual era a rotina de alimentação da criança.


A mãe respondeu que ele acordava, tomava café da manhã. As 10h tomava
suco ou refresco, enquanto via a televisão; depois almoçava; no meio da
tarde tomava lanche, e à noite, jantava. Talvez pelo fato de não sair muito
para brincar, comia muito pouco, e ela tinha que insistir muito.

Observei que na “rotina” que ela havia relatado, não havia espaço para a
escola. Ela não soube responder, já que a criança, de fato, frequentava a
escola. Sugeri um esquema de alimentação menos rígido, e algum esporte,
se possível.

Ao exame: constatada escarlatina.


Passei Antibiótico e pedi que voltasse em uma semana, para dar notícias.

Na volta, ela foi logo dizendo que achou muito boa a conversa, e que estava
transando muito melhor a alimentação do filho e procurando aula de natação.
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C ASO 5

GBL; 4 meses
Mãe psicóloga, 32 anos
Data: 1987
Consulta de puericultura.
Queixas: a criança apresentava o sono agitado, e havia apanhado um
resfriado. Atualmente estava sem febre. Aleitamento materno, complementado
com lanche.

Na consulta anterior a mãe havia comentado que queria voltar a trabalhar, em


meio expediente, tendo-lhe sido sugerido o início da papa de frutas,
substituindo uma mamada.
Perguntada sobre a aceitação da papa de frutas, ela disse que a criança
aceitava bem, mas que isto não havia resolvido o problema, já que a criança
não ampliara o intervalo entre as mamadas.
Perguntei a que horas ela dava a papa de frutas. Ela respondeu que “logo
depois da primeira mamada da manhã”.
Coloquei que, a esta hora, certamente a criança não estaria com fome, e
portanto, isto não poderia substituir mesmo uma refeição. Perguntei se ela
não estaria com dificuldade de substituir o seio.

Perguntei com que idade gestacional ela havia se licenciado do trabalho. Ela
respondeu que aos 3 meses. Contou que, nesta época, trabalhava com o pai
(psicanalista), no consultório, e não estava gostando. Achava “uma barra”
trabalhar com psicologia, embora gostasse de estudar, e agora estava
pensando em abandonar a psicologia e investir em outra área.

Sugeri que ela tentasse criar condições para elaborar melhor estas questões,
e, se quisesse realmente trabalhar, colocasse a papa de frutas num horário
em que a criança tivesse fome.

C ASO 6

Nome: CMSF Pront: 208 Idade: 24


Sexo: F Cor: B Nat: PE ECiv: cas Prof: do lar

QP: Durante a 1ª gravidez, ao fazer exames de rotina, foi constatada a


presença de Schistosoma Mansoni e Necator Americanus. Não fez nenhum
tratamento para estes problemas. Queixa-se de palpitações, e trouxe os
exames feitos naquela ocasião.

Ao ex. Higiene precária, Pitiríase versicolor, restante normal

Perguntei porque só agora ela havia trazido estes exames. Ela disse que não
gostava de se tratar. Perguntei porque. Ela respondeu que se sentia muito
criança, que achava que a vida era um sonho cor de rosa, mas também se
sentia muito angustiada. Falou bastante tempo de sua vida.
Solicitei um novo exame de fezes, e passei loção anti-fúngica para a pele.

2ª consulta: Ex. parasitol. negativo


tinha corporis
Retomamos as questões anteriores e voltou a falar de sua vida. Indiquei uma
psicoterapia.
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Encaminhei para biópsia retal e ex. preventivo.

3ª consulta- iniciou psicoterapia

4ª consulta-
biópsia retal - ovos viáveis de S. Mansoni
preventivo classe II
Receitei Mansil e Flagyl

5ª consulta lombalgia
Prescrito aspirina

6ª consulta
urina turva, corrimento amarelado
Prescrito Flagyl; EAS, EPF

7ª consulta
EAS negativo
EPF- E. Nana

8ª consulta
Fez nova biópsia retal- ainda com ovos de S. Mansoni viáveis
Repeti o tratamento com Mansil
Solicitei nova biópsia

9ª consulta
dor abdominal há 3 dias; tenesmo
Ex fís normal, exceto dor à palpação do flanco esq.
pedi novo EPF

10ª consulta- EPF: ascaridiase


Prescrito Mebendazol

11ª consulta
biópsia retal negativa

12ª consulta
veio conversar
Bem vestida, bem penteada, está trabalhando em um salão de cabeleireiro em
Ipanema. Resolveu interromper a psicoterapia. Está pensando em se separar.

Caso 7

CS, 32ª, nat. RJ

- O açúcar no seu sangue está um pouco aumentado. Sua pressão também. Tanto
um quanto outro têm a ver com seu excesso de peso, sua alimentação. Você acha
que dá para emagrecer?

- Não sei, doutor. Já tentei muitas vezes mas, de três anos para cá, não sei o que
aconteceu. Dei pra engordar sem parar, não consigo parar de comer.

- Porque você acha que isto aconteceu?

C. pensa um pouco, e responde:

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- Bem, estou lembrando que nesta época descobri que meu marido havia me traído.
Não consigo aceitar isto até hoje. Depois disso, fiquei totalmente fria com ele, sem
coragem de me separar, mas também sem conseguir perdoar. Depois disso que
danei a comer. Não consigo aguentar traição. Acho que é porque eu vi minha mãe
sofrer muito na mão do meu pai. Ele vivia transando com outras e, às vezes, chegava
em casa bêbado, e obrigava minha mãe a fazer relação com ele... Me lembro que eu
tinha uns cinco anos, e meu pai uma noite obrigou minha mãe a quebrar o resguardo.
Eu ficava fingindo que estava dormindo, escondida no lençol, morrendo de medo de
apanhar. Ele me batia muito.

Este relato configurou uma situação paradigmática. A partir do conhecimento da


comunidade, e da experiência de muitos relatos semelhantes, ficou evidente que
aquela era uma vivência partilhada por inúmeras pessoas naquela localidade. Por
acaso (ou, talvez, nem tanto por acaso), a paciente era professora de uma creche
local. Passamos a conversar sobre os inúmeros casos de desrespeito e violência
contra a criança que ela encontrava em seu cotidiano. Após medicá-la com um anti-
hipertensivo, e discutir a conveniência de um atendimento psicológico, saímos juntos
do consultório, reunimos algumas pessoas da equipe do Posto e moradores que
estavam por lá, e levantamos a necessidade de um movimento coletivo visando
mudar, no imaginário daquela comunidade, a relação com as crianças. C. estava
animadíssima. Foi marcada uma primeira reunião, à qual compareceram
representantes de escolas, moradores e líderes comunitários. Rapidamente surgiu a
proposta de se organizar uma comemoração do dia da criança, que divulgasse e
introduzisse aquela discussão na comunidade. Diversas entidades foram se
agregando ao processo e, no dia 12 de outubro de 1999, realizou-se uma festa de
rua, com 6 horas de programação. Os recursos utilizados, que incluíram som, lanche,
refrigerantes, material recreativo, além de um enorme bolo, trazido orgulhosamente
em uma caminhonete, foram levantados na e pela própria comunidade. Este dia
demarcou o início de um programa comunitário em defesa do respeito à criança.

C ASO 8

Casal DAS e DML


Data da Consulta: 06/1987

O casal já era cliente antigo do Posto. O marido bissexual, bastante


promíscuo, já fora tratado diversas vezes de doenças sexualmente trans-
missíveis. Estão recém chegados de uma viagem ao nordeste, durante a qual
morreu uma das duas filhas do casal, de diarréia (sic). A mulher apresenta-se
à consulta extremamente magra, com quadro clinico sugestivo de AIDS. Este
diagnóstico foi confirmado, e ela faleceu alguns meses depois. O marido, que
não apresentava nenhum sintoma de imunodeficiência, foi confirmado como
soropositivo.

Como DAS morava perto do Posto de Saúde, via-o frequentemente passar e,


conhecendo seus hábitos de vida e as características da infecção pelo HIV,
percebia claramente que havia uma epidemia se disseminando pela

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comunidade. Comecei a alertar as lideranças da comunidade sobre este
problema e, em 1990, foi iniciado, a partir da mobilização comunitária, o
Programa Comunitário de Controle da AIDS (PCCA). Este programa associa a
assistência clínica de pessoas portadoras de DST/HIV/AIDS com ações de
informação e oferta de meios de prevenção.

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