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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO

ACÓRDÃO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO ACÓRDÃO/DECISÃO MONOCRATICA REGISTRADO(A) SOB N°

I miii mil um mu mi um mi mu mi mi

'02960942*

Vistos, relatados e discutidos estes autos de

Apelação n° Bonifácio,

990.09.127594-8, da Comarca

de

José

em

que

é apelante

OTONIO

BARBOSA DOS

SANTOS sendo apelado MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE

SÃO PAULO.

ACORDAM, em 12 a Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte

decisão:

"POR VOTAÇÃO UNÂNIME, DERAM PROVIMENTO AO

APELO PARA ABSOLVER O ACUSADO COM FUNDAMENTO NO ART. 386, III, DO CPP.", de conformidade com o voto do

Relator, que integra este acórdão.

O

julgamento

teve

Desembargadores VIÇO MANAS

a

participação

dos

(Presidente sem voto),

ANGÉLICA DE ALMEIDA E BRENO GUIMARÃES.

São Paulo, 17 de março de 2010.

OAO MORENSHI

RELATOR |

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Apelação Criminal n" 990.09.127594-8- comarca de José Bonifácio

Apelante: Otonio Barbosa dos Santos

Apelado: Ministério Público

Voton" 15.855

Vistos.

1. Ao relatório da r. sentença, o qual se adota, acrescenta-se que, na 2 a vara

da comarca de José Bonifácio, Otonio Barbosa dos Santos foi condenado a dois anos e seis

meses de reclusão, em regime inicial aberto, e vinte dias-multa, no valor unitário mínimo

legal, por infração ao art. 229 do CP, substituída a pena privativa de liberdade por duas

restritivas de direitos, consistentes em prestação pecuniária no valor de dez salários

mínimos e prestação de serviços à comunidade pelo prazo de um ano, seis meses e vinte

dias.

Inconformado, recorreu o acusado buscando sua absolvição alegando, para

tanto, insuficiência probatória e "erro de fato", pois seu estabelecimento está localizado nas

proximidades de chácaras onde se realizam festas de licitude duvidosa (sic).

Processado e contrariado o recurso, nesta instância a d. Procuradoria Geral

de Justiça opinou pelo seu improvimento.

E o relatório.

2. Consta da denúncia que Otonio Barbosa dos Santos, vulgo "Oto".

mantinha, por conta própria e com intuito de lucro, casa destinada/a prostituição e a

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encontros para fins libidinosos, no estabelecimento denominado "Casa Noturna", situado à

margem da rodovia BR 1 53, na altura do km 104, na cidade e comarca de José Bonifácio.

Segundo o apurado, o acusado iniciou as atividades de seu estabelecimento

em 10.08.2001. A partir dessa data, recrutou, atraiu e abrigou várias meretrizes em seu

estabelecimento, dentre elas Cláudia Patrícia Cardoso de Lima, Jackehne Marques da

Silva, Edna Batista da Rocha, Ana Paula Franco, Marisa Chaves, Sheila Mana Araújo

Martineli, Regina Raquel de Oliveira, lida Aparecida Cavalari, Josiane de Souza, Nilva

Santos Leão, Rúbia Maria de Lima Santos, Gislaine de Cássia Marques da Silva. Angela

Natalina Figueiredo e Júlia Elena Villa Fane, com intuito de gerenciar o comércio sexual,

obtendo lucros com a realização de "shows" de "striptease", aluguel de quartos do próprio

imóvel aos interessados nas prostitutas, bem como com a cobrança de R$ 10,00 (dez reais)

a titulo de multa para os clientes que estivessem interessados em retirar a garota do

estabelecimento para com ela manter relação sexual em outro local.

Ainda segundo a denúncia, o acusado obtinha lucro também com a venda de

bebidas alcoólicas, orientando previamente as meretrizes a estimular o consumo de bebidas

pelos fregueses, pagando, inclusive, comissão a elas por dose de bebida alcoólica vendida.

O recurso deve ser provido, porém sob outro fundamento.

A época dos fatos, o delito de casa de prostituição era assim tipificado:

"Manter, por conta própria ou de terceiro, casa de prostituição ou lugar destinado a

encontros para fim libidinoso, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do

proprietário ou gerente".

Em 07.08.2009, entrou em vigor a Lei n° 12.015 que, entre outras medidas,

alterou a redação do art. 229 do CP, que passou a ser: "Manter, por^conta própria ou de

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terceiro, estabelecimento em que ocorra exploração sexual, haja, ou não, intuito de lucro

ou mediação direta do proprietário ou gerente".

Essa modificação fez com que, para configuração do delito em pauta, seja

necessário mais que a simples manutenção do lugar para a prática de encontros para fim

libidinoso - é preciso, agora, que o local seja destinado a exploração sexual. E. quanto à

definição de "exploração sexual", cita-se o artigo publicado pela e. procuradora de justiça

Luiza Nagib Eluf, publicado no site "Consultor Jurídico" em I o . 10.2009, que muito bem

analisou o tema:

fazer

o

que

"Crime é manter pessoa

em condição de explorada,

não quer.

Explorar

é colocar

em situação

análoga

sacrificada, à de escravidão,

obrigada

impor

a

a

prática

de sexo contra vontade

ou, no mínimo, induzir a isso, sob as piores condições,

sem

remuneração ou liberdade de escolha.

 
 

A

prostituição

forçada

é

exploração

sexual,

um

delito

escabroso,

merecedor de punição severa, ainda mais se praticado contra crianças. O resto não

merece a atenção do direito penal. A profissional

do sexo, por opção própria,

maior

de

18

anos, deve ser deixada em paz, regulamentando-se a atividade

.). "

Dessa forma, cabe analisar a prova para verificar se no estabelecimento do

acusado era praticada exploração sexual.

O laudo da perícia realizada no local dos fatos (fls. 48/60) concluiu que ele

"bem poderia ser utilizado para a prática de prostituição e a encontros para fins

libidinosos" (sic).

O laudo de constatação de imagens, elaborado a partir de gravação feita no

local dos fatos, descreve uma apresentação de "striptease" (fls. 81/84).

O acusado, em juízo, falou que seu estabelecimento é um bar e não uma

casa de prostituição. As mulheres que estavam lá são garçonetes. Os quartos fazem parte

da casa e ficam em outra construção. Os quartos são utilizados pelas garçonetes e por ele,

que dormem no local e voltam para suas casas no dia seguinte./O palco é/utilizado para o

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"show" musical que ocorre às sextas-feiras. Não ocorre prostituição lá. Os quartos são

apertados e as camas, de solteiro, não oferecendo condições para utilização como casa de

prostituição (tis. 140).

A delegada de polícia Rosiani de Fátima Bianchi Saad informou que,

quando da diligência, encontraram a casa em funcionamento. Lá estavam vários homens e

mulheres seminuas; havia venda de bebida alcoólica, quartos com camas e um palco

próprio para apresentação de "striptease". As mulheres confirmaram, espontaneamente,

que se prostituíam. O preço era combinado com o cliente. Para os programas realizados na

casa era pago o aluguel

do quarto ao proprietário e, quando saíam de lá, o cliente para a

Otonio uma "multa" de dez reais por hora que a moça ficasse ausente (fls. 154/155). No

mesmo sentido os testemunhos de Irena Derraz Rodrigues, escrivã de polícia, e de Paulo

Fernandes Antunes Quintas, agente policial (fls. 156/157).

A conselheira tutelar Mônica de Cássia Euzébio Torres participou da

diligência. Conversou com mulheres que estavam no local, as quais confirmaram que

faziam programas na casa. Elas estabeleciam o preço do programa "conforme a cara do

cliente". Se quisessem permanecer ali, pagavam aluguel do quarto. Quem não queria ficar

ia para um motel. Não havia menores de idade no local (fls. 158). A outra conselheira

tutelar que participou da diligência. Anay Aparecida Barbosa, nada acrescentou a esse

testemunho (fls. 206).

Fernando José Sobrinho e Gilmar Alves Pereira afirmaram conhecer o

estabelecimento sem, no entanto, terem feito programa com moças de lá. Gilmar chegou a

conversar com quem acertou programa lá, mas levou a moça para outro lugar (tis

r

.^

159/161). Paulo Rogério de Jesus Barbosa não se recordou com exatidão dos fatos, mas

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afirmou que o ambiente era o de casas onde se realizam programas sexuais. Houve

insinuações por parte das garotas (fls. 204/205).

Júnior César de Freitas, José Luis dos Santos e Donizete Roberto Theodoro

de Almeida negaram que tenham feito programa com as mulheres do bar, mas

confirmaram que elas se insinuavam e bebiam com eles (fls. 360/369).

Gislaine de Cássia Marques da Silva foi procurar emprego de garçonete no

local, que era uma lanchonete, mas foi informada de que não estavam precisando. Como

era tarde, dormiu lá. As outras mulheres também dormiram lá (fls. 190/192).

Regina Raquel de Oliveira confirmou que trabalhava no local e fazia

programas. Recebia dos próprios clientes e pagava a Otonio somente o aluguel do quarto.

Quando não saíam, o programa era feito nos quartos em que as meninas dormiam.

Recebiam comissão pela bebida alcoólica que vendiam aos clientes (fls. 222/224).

Nesse contexto, o que se infere é que a casa noturna servia de local para

contratação de programas sexuais entre os clientes e as mulheres que lá trabalhavam. Esses

programas eram combinados sem a interferência do acusado, que lucrava com o aluguel

dos quartos, com a "multa" cobrada quando o cliente levava a garota para outro local e

com a venda de bebidas.

Assim, em que pese o estabelecimento servir como ponto de encontro e de

negociação entre prostitutas e clientes, não se vislumbra a ocorrência de exploração sexual.

As mulheres que lá exerciam seu ofício eram todas maiores de idade e assim agiam de livre

e espontânea vontade, inclusive combinando o preço diretamente com o cliente. Nenhuma

delas, nem mesmo na delegacia de polícia, alegou estar ali contra sua vontade. Houvesse

exploração, natural que aproveitassem a presença policial para se^vrar da situação, o que

não ocorreu.

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WL\

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Dessa fonna, ausente circunstância elementar para configuração do tipo

penal, de rigor a absolvição do acusado por atipicidade da conduta.

3. Ante o exposto, dá-se provimento ao apelo para absolver o acusado com

fundamento no art. 386, III, do CPP.

ião Morenghi

,

relator

tk

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