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Crônica de
D. Pedro I
Fernão
Lopes
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Crônica de D. Pedro I
Fernão Lopes

Como foi treladada Dona Ines pera o mosteiro Dalcobaça, e da morte


Del Rei Dom Pedro

Por que semelhante amor, qual el Rei Dom Pedro ouve a Dona Enes, raramente
he achado em alguma pessoa, porem disseram os antigos quc nenhum he tam
verdadeiramente achado, como aquel cuja morte nom tira da memória o gramde
espaço do tempo. E se algum disser que muitos forom ja que tanto e mais
que el amarom, assi como Adriana e Dido, e outras que nom nomeamos,
segundo se lee em suas epistolas, respondesse que nom falamos em amores
compostos, os quaaes alguns autores abastados de eloquemcia, e
floreçentes em bem ditar, hordenarom segumdo lhes prougue, dizendo em nome
de taaes pessoas, razões que numca nenhuma delas cuidou; mas fallamos
daquelles amores que se contam e leem nas estorias, que seu fumdamento
teem sobre verdade. Este verdadeiro amor ouve elRei Dom Pedro a Dona Enes
como se della namorou, seemdo casado e aimda Iffamte, de guisa que pero
dela no começo perdesse vista e falla, seemdo alomgado, como ouvistes, que
he o prinçipal aazo de se perder o amor, numca çessava de lhe emviar
recados, como em seu logar teemdes ouvido. Quanto depois trabalhou polla
aver, e o que fez por sua morte, e quaaes justiças naquelles que em ella
forom culpados, himdo contra seu juramento, bem he testimunho do que nos
dizemos. E seemdo nembrado de homrrar seus ossos, pois lhe ja mais fazer
nom podia, mandou fazer huum muimento dalva pedra, todo mui sotillmente
obrado, poemdo emlevada sobre a campãa de çima a imagem della com coroa na
cabeça, como se fora Rainha; e este muimento mandou poer no moesteiro
Dalcobaça, nom aa emtrada hu jazem os Reis, mas demtro na egreja ha maão
dereita, açerca da capella moor. E fez trazer o seu corpo do mosteiro de
Samta Clara de Coimbra, hu jazia, ho mais homrradamente que se fazer pode,
ca ella viinha em huumas andas, muito bem corregidas pera tal tempo, as
quaaes tragiam gramdes cavalleiros, acompanhadas de gramdes fidalgos, e
muita outra gente, e donas, e domzellas, e muita creelezia. Pelo caminho
estavom muitos homeens com çirios nas maãos, de tal guisa hordenados, que
sempre o seu corpo foi per todo o caminho per antre çirios açesos; e assi
chegarom ataa o dito moesteiro, que eram dalli dezassete legoas, omde com
muitas missas e gram solenidade foi posto em aquel muimento: e foi esta a
mais homrrada trelladaçom, que ataa aquel tempo em Portugal fora vista.
Semelhavelmente mandou elRei fazer outro tal muimento e tam bem obrado
pera si, e fezeo poer açerca do seu della, pera quamdo se aqueeçesse de

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morrer o deitarem em elle. E estamdo el em Estremoz, adoeçeo de sua
postumeira door, e jazemdo doemte, nembrousse como depois da morte Dalvoro
Gomçallvez e Pero Coelho, el fora çerto, que Diego Lopes Pachequo nom fora
em culpa da morte de Dona Enes, e perdohou-lhe todo queixume que del avia,
e mandou que lhe emtregassem todos seus beens; e assi o fez depois elRei
Dom Fernamdo seu filho, que lhos mandou emtregar todos, e lhe alçou a
semtemça que elRei seu padre comtra elle passara, quamto com dereito pode.
E mandou elRei em seu testamento, que Ihe tevessem em cada huum ano pera
sempre no dito mosteiro seis capellaaens, que cantassem por el e lhe
dissessem cada dia huuma missa oficiada, e sahirem sobrel com cruz e augua
beemta: e elRei Dom Fernamdo seu filho, por se esto melhor comprir e se
cantarem as ditas missas, deu depois ao dito moesteiro em doaçom por
sempre o logar que chamam as Paredes, termo de Leirea, com todallas rendas
e senhorio que em el avia. E leixou elRei Dom Pedro em seu testamento
çertos legados, a saber, aa Iffamte Dona Beatriz sua filha pera casamento
cem mil livras; e ao Iffamte Dom Joham seu filho viimte mil livras; e ao
Iffamte Dom Denis outras viinte mil; e assi a outras pessoas. E morreo
elRei Dom Pedro huuma segumda feira de madurgada, dezoito dias de janeiro
da era de mil e quatro cemtos e cimquo anos, avemdo dez annos e sete meses
e viimte dias que reinara, e quaremta e sete anos e nove meses e oito dias
de sua hidade, e mandousse levar aaquel moesteiro que dissemos, e lamçar
em seu muimento, que esta jumto com o de Dona Enes. E por quamto o Iffamte
Dom Fernamdo seu primogenito filho nom era estomçe hi, foi elRei deteudo e
nom levado logo, ataa que o Iffamte veo, e aa quarta feira foi posto no
muimento. E diziam as gentes, que taaes dez annos numca ouve em Portugal,
como estes que reinara elRei Dom Pedro.

Fernão Lopes (1380? – 1460?) terá nascido em Lisboa, de uma família do


povo. É considerado o maior historiógrafo de língua portuguesa, aliando a
investigação à preocupação pela busca da verdade. Foi escrivão de livros
do rei D. João I e "escrivão da puridade" do infante D. Fernando. D.
Duarte concedeu-lhe uma tença anual para ele se dedicar à investigação da
história do reino, devendo redigir uma Crónica Geral do Reino de Portugal.
Correu a província a buscar informações, informações estas que depois lhe
serviram para escrever as várias crônicas (Crônica de D Pedro I, Crônica
de D. Fernando, Crônica de D. João I, Crônica de Cinco Reis de Portugal e
Crônicas dos Sete Primeiros Reis de Portugal.). Foi "guardador das
escrituras" da Torre do Tombo.

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Os Protagonistas

D. Dinis e Isabel de Aragão


Em 1297, o Tratado de Alcanices, assinado entre D. Dinis, Rei de Portugal,
e D. Fernando IV, de Castela, fixou as fronteiras de Portugal
sensivelmente como elas existem hoje.
O Rei-Lavrador pôde, assim, desenvolver uma política de estabilidade
indispensável ao fomento econômico, social e cultural do Reino.
Poeta, a educação literária recebida de Domingos Anes Jardo, Chanceler de
Évora e Bispo de Lisboa, que frequentara a Universidade de Paris,
reflete-se na sua obra poética e no gosto pela cultura de que a fundação
da Universidade, em 1290, é exemplo maior. Isabel de Aragão, sua mulher,
desenvolveu uma obra notabilíssima de assistência social e apoiou as obras
de construção da Igreja e do Mosteiro de Santa Clara-a-Venha, junto do
qual mandou construir um Paço, onde Pedro e Inês viriam a residir.

D. Afonso IV
D. Afonso IV, o Bravo, procurou, no essencial, prosseguir a política de
boas relações com Castela e Aragão, que o Pai havia mantido com êxito, por
forma a garantir a estabilidade da Casa de Portugal. Quando D. Constança,
mulher do Infante D. Pedro morreu, pouco depois de ter nascido D.
Fernando, D. Afonso IV, temendo que o filho decidisse casar com D. Inês e
aumentasse por isso, a influência dos Castros, seus irmãos, sobre as
opções de estratégia diplomática e política de D. Pedro, logo que este
passasse a ter a responsabilidade da governação, decidiu afastar
drasticamente os seus receios e os dos seus conselheiros pela condenação à
morte de D. Inês de Castro.

D. Pedro
D. Pedro nasceu em Coimbra, em 1320. Aos vinte anos recebeu em casamento
D. Constança, filha do Infante D. Juan Manuel, e descendente de Afonso X
de Castela.
Acompanhava-a, no seu séquito, D. Inês de Castro, de uma nobre família da
Galiza muito influente na política castelhana. De uma beleza que deixou
fama, tudo parece indicar que o Infante cedo se deixou enamorar por ela,
dando lugar, de imediato, a resistências que culminariam com o seu exílio
na vila fronteiriça de Albuquerque. Mas só depois do falecimento de D.
Constância, Pedro e Inês passaram a viver mais livre e publicamente a
paixão que os consumia.

Os Lugares e Os Acontecimentos

Coimbra
Coimbra é a terra dos amores de Pedro e Inês. Aqui se terão visto pela
primeira vez. Os "saudosos campos do Mondego" e os arvoredos da Fonte dos

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Amores terão sido o palco dos seus secretos encontros. Após a morte de D.
Constança, passaram a viver no Paço régio, situado junto do Mosteiro de
Santa Clara-a-Velha. Nele terão nascido os três filhos: os Infantes D.
Pedro e D. Dinis e a Infanta D. Beatriz. Aí ou em local muito próximo,
terá sido executada a sentença que condenara D. Inês. É, no entanto, de
tradição popular que a tragédia ocorreu no local depois conhecido por
Fonte das Lágrimas.

Montemor-o-Velho
No Castelo de Montemor-o-Velho, nos primeiros dias de Janeiro de 1355, D.
Afonso IV reuniu o seu conselho, em que estiveram presentes nobres
influentes, como Diogo Lopes Pacheco, Pero Coelho e Álvaro Gonçalves. A
decisão de condenar Inês de Castro à morte terá sido tomada numa das salas
do austero Paço Real, hoje desaparecido. Temiam todos que, por influência
dos Castros, D. Pedro acabasse por ser levado a intervir nas lutas
internas de Castela, como estivera para acontecer nos finais de 1354,
tendo sido disso proíbido, à última hora, pelo próprio Afonso IV. Mas
também temiam perder, com D. Pedro, a influência que havia muito detinham
junto do velho monarca. Na manhã seguinte, dirigiram-se todos a Coimbra,
onde aproveitaram a ausência de D. Pedro, numa caçada, para dar
cumprimento à decisão tomada em Montemor.
O poeta e dramaturgo renascentista, António Ferreira, procura reconstituir
a tragédia dos últimos momentos da vida de Inês de Castro e o conflito em
que o Bravo se terá debatido. As "razões da estabilidade política",
invocadas pelos conselheiros, sobrepunham-se às "razões dos afetos".

Cantanhede
Foi em Cantanhede, em local não rigorosamente identificado, que D. Pedro,
em 1360, proferiu a célebre "Declaração" em que afirmava ter contraído
matrimônio com D. Inês de Castro, declaração polêmica quanto à sua
veracidade, devido não só à imprecisão de alguns dados tidos por
fundamentais, como também quanto à sua real intenção, orientada
provavelmente para a legitimação dos filhos de D. Inês. A "Declaração" de
Cantanhede inscrevia-se, afinal, na mesma linha de atuação que conduziu à
cerimônia da lendária coroação póstuma de Inês como Rainha de Portugal, no
Mosteiro de Santa Clara.

Os Testemunhos da Arte

Mosteiro de Alcobaça
É no transepto da Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça que se
encontram os túmulos de D. Pedro e de D. Inês, enquadrando-se o valor
simbólico de que se revestem na mística austera da espiritualidade
cisterciense. Em 1361, por ordem de D. Pedro, foi colocado no lado direito
do transepto o túmulo de D. Inês de Castro e, anos mais tarde, dando-lhe a

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direita, o túmulo do próprio D. Pedro. A atual colocação dos dois túmulos
data de meados do século XX, após obras de restauro e de reposição das
naves da Igreja no estilo gótico inicial.
Os túmulos de D. Pedro e de D. Inês, mandados esculpir pelo próprio Rei,
constituem os mais belos exemplares da arte tumulária medieval portuguesa.
Os baixos relevos do de D. Inês têm por tema principal cenas da Vida de
Jesus, da Ressurreição e do Juízo Final. Nas esculturas do de D. Pedro
estão representadas cenas da vida dos dois amantes desde a chegada de Inês
a Portugal.
Foi em 1178, no contexto da concretização do projecto europeu da
Reconquista Cristã, que D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal,
incumbiu os monges da Ordem de Cister de iniciarem a construção, em
Alcobaça, de uma Abadia e de outras obras destinadas à fixação das
populações e ao aproveitamento agrícola das terras recentemente
reconquistadas aos mouros. A estrutura da obra seguiu o plano da
Igreja-Mãe de Claraval como modelo. A simplicidade e a austeridade eram de
regra, a que o esforço de guerra acrescentava atributos de fortaleza,
igualmente notórios na Sé românica de Coimbra. O Mosteiro de Santa Maria
de Alcobaça é o primeiro edifício de estilo gótico evoluído que se
construiu em Portugal.

Mosteiro da Batalha
Por ironia do destino, a estabilidade política desejada por D. Afonso IV
ver-se-ia, cerca de 30 anos depois, comprometida.
A morte prematura de D. Fernando e o casamento da sua filha única, a
Infanta D. Beatriz, com D. João, rei de Castela, abriram uma crise de
sucessão (1383 - 1385) que quase conduziu à anexação castelhana da Coroa
de Portugal. Uma vez mais, a movimentação de grupo influente de
portugueses se opôs a esta pretensão e a Crise acabou por ser resolvida
com a aclamação, como Rei de Portugal, de D. João, Mestre de Aviz, filho
natural de D. Pedro e de Teresa Lourenço, nascido após a morte de D. Inês.
A vitória militar do exército anglo-português em Aljubarrota foi celebrada
pela edificação do Mosteiro da Batalha, que D. João I dedicou a Santa
Maria da Vitória. Nas Capelas Imperfeitas encontra-se o túmulo de D.
Duarte, primogênito de D. João I e seu sucessor.
O Rei Filósofo casou-se, em 1428, com D. Leonor de Aragão, bisneta de Inês
de Castro. Dela descenderiam, afinal, todos os reis da dinastia dos
Descobrimentos.

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