You are on page 1of 10




    
       !"#$"
%'&)(*&)+,.- /10.2*&4365879&4/1:.+58;.2*<>=?5.@A2*3B;.- C)D 5.,.5FE)5.G.+&4- (IHJ&?,.+/?<>=)5.KA:.+5MLN&OHJ5F&4E)2*EOHJ&)(IHJ/)G.- D - ;./);.&
Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007

CONDIÇÕES PARA APLICAÇÃO E USO


DO POSTPONEMENT NA INDÚSTRIA
DE ALIMENTOS: O CASO DA EMPRESA
PROCESSADORA DE SUCO DE
LARANJA

Karine Araújo Ferreira (UFSCar)


karineprod@yahoo.com.br
Mário Otávio Batalha (UFSCar)
dmob@power.ufscar.br

Na economia global, as empresas têm procurado maneiras para


reduzir seus custos de desenvolvimento de produtos, suprimento de
matérias-primas e distribuição física. Uma maneira para redução de
custos é obter benefícios como economia de escaala por manter o
produto em um estado semi-acabado, realizando sua diferenciação no
momento e local onde a demanda é mais conhecida. Assim, a adoção
do postponement, que consiste em retardar a configuração final dos
produtos ou sua disponibilidade até que os pedidos dos consumidores
sejam recebidos, está sendo cada vez mais adotada pelas empresas,
dado a convicção de que ele contribui positivamente, permitindo a
customização de produtos, e possibilitando assim atingir as exigências
requeridas para gerenciar a complexidade e variedade crescente dos
produtos. Apesar de o conceito ter surgido há mais de 50 anos, pouco
ainda se sabe sobre sua aplicação, principalmente na indústria
brasileira de alimentos. Assim, o presente artigo tem como objetivo
investigar quais os fatores condicionantes para a adoção e uso do
postponement em empresas da indústria de alimentos. A pesquisa
realizada é de natureza qualitativa, onde foi elaborada revisão
bibliográfica sobre o tema postponement, seguido por estudo de caso
em empresa processadora de suco de laranja. As principais
contribuições deste trabalho são maior aprofundamento teórico sobre
o tema e a busca de informações que forneçam subsídios para auxiliar
à adoção, uso e consolidação do postponement em empresas da
indústria de alimentos.

Palavras-chaves: postponement, logística, indústria de alimentos, suco


de laranja
P PQ RSRUT8VW XYVAZ\[XVA]W RSXYVA]^F_Y`6`.aYbY`8aYcY% dYe %f_Y`6gUdhY_Yijk% h
l'mMn?mIo p?q rsut9mv wJx*myrz9o w9{?t9|~}~w??t?v€{9q ~‚ w?p9wƒ~w9„?o myq nO…mMp9o r~|u}~w9†>z?o wO‡ˆm…NwmyƒIt?ƒN…mMnJ…rM„?q ‚ q {?r~{9m
Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007

1. Introdução
A fim de responder melhor e mais rapidamente as mudanças dos mercados atuais, guiados
pelos consumidores, com demanda imprevisível, variedade crescente e curtos ciclos de vida
dos produtos, as empresas têm modificado rapidamente seus conceitos operacionais e
produtivos, buscando principalmente a agilidade e a flexibilidade. A adoção do conceito
postponement (do inglês, retardo) é identificada como uma importante abordagem para
facilitar a realização de conformidade às exigências do cliente devido sua contribuição para
customização dos produtos e serviços (VAN HOEK, 2000a).
O assunto vem sendo estudado de forma descontinuada há décadas e as primeiras experiências
utilizando o postponement remontam da década de vinte (COUNCIL OF LOGISTICS
MANAGEMENT, 1995, p.210). Na literatura acadêmica, o termo foi introduzido
primeiramente na literatura de marketing por Alderson (1950), que afirma que em sua
essência, o postponement consiste em adiar o máximo possível qualquer movimentação e/ ou
configuração final de produtos e serviços no processo produtivo ou distribuição. Assim, o
produto não é deslocado até que a localização da demanda (ou ponto de consumo) seja
conhecida, ao mesmo tempo em que sua configuração final só acontece quando as
preferências do consumidor são conhecidas.
Apesar da atenção crescente ao tema, sua aplicação prática ainda é pequena e, muitos estudos
se limitam a revisões teóricas ou elaboração de modelos matemáticos e de simulação
relacionados ao assunto (ZINN, 1990; ERNST & KAMRAD, 2000; VAN HOEK, 2001;
CHUNG & HUNG-CHENG, 2003; SU et al., 2005; BAILEY & RABINOVICH, 2005).
Além disso, embora diversos autores tenham estudado a aplicação do postponement em
setores onde o conceito é extensivamente aplicado, como roupas, confecções, eletrônicos e
automotivo; poucos estudos foram feitos sobre a viabilidade e o uso da teoria do
postponement no setor alimentício, onde o conceito ainda é pouco aplicado. Assim, neste
artigo procurar-se-á investigar quais os fatores e/ou condições para aplicação do conceito
postponement, bem como seu uso em uma empresa processadora de suco de laranja.
A pesquisa realizada neste trabalho é de natureza qualitativa, seguido por estudo de caso
exploratório em empresa processadora de suco de laranja. A coleta de dados foi realizada por
meio de entrevistas semi-estruturadas realizadas com os responsáveis pelas áreas de produção
e logística da empresa pesquisada. Na seção 2 apresenta-se revisão bibliográfica sobre
conceitos relacionados ao tema postponement, destacando: definição e tipos de postponement,
fatores que favorecem sua adoção, vantagens e resultados obtidos pela aplicação desta
estratégia. O estudo de caso relatando a aplicação do postponement em empresa processadora
de suco de laranja é apresentado na seção 3, assim como fatores que favorecem sua aplicação
nesta empresa e principais impactos observados. Por fim, são apresentadas as considerações
finais do trabalho (seção 4), seguido pelas referências bibliográficas.
2. Postponement
2.1. Definição e tipos de postponement
O postponement é uma prática que está crescendo e sendo cada vez mais difundida na
literatura acadêmica e em aplicações práticas. O conceito foi introduzido primeiramente na
literatura de marketing por Alderson (1950), que nota que o postponement pode mudar a
diferenciação dos bens (forma, identidade e posição do estoque) a um momento tão tarde
quanto possível, aproximando-se ao ponto de explicitação da demanda. Postergar a

2
P PQ RSRUT8VW XYVAZ\[XVA]W RSXYVA]^F_Y`6`.aYbY`8aYcY% dYe %f_Y`6gUdhY_Yijk% h
l'mMn?mIo p?q rsut9mv wJx*myrz9o w9{?t9|~}~w??t?v€{9q ~‚ w?p9wƒ~w9„?o myq nO…mMp9o r~|u}~w9†>z?o wO‡ˆm…NwmyƒIt?ƒN…mMnJ…rM„?q ‚ q {?r~{9m
Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007

movimentação do produto foi denominado de “postergação de tempo” (time postponement),


enquanto a postergação na diferenciação do produto foi denominada de “postergação de
forma” (form postponement).
Em 1965, Bucklin agregou mais detalhes ao trabalho de Alderson, estudou limites de
aplicação da estratégia e criou o conceito oposto ao de postponement, o da especulação. A
especulação é o inverso do postponement e consiste em finalizar todas as operações o mais
cedo possível no processo de manufatura (BUCKLIN, 1965). Depois de 1965, poucos
trabalhos abordaram o assunto, e o tema foi retomado no final da década de 80 por Zinn &
Bowersox (1988) que propuseram que o conceito do postponement poderia ser separado em
cinco diferentes tipos, cada qual com uma estrutura de custo própria. Além do postponement
de tempo, o autor destaca quatro tipos de postponement de forma: etiquetagem/rotulagem,
embalagem, montagem e manufatura. No postponement de etiquetagem, a etiqueta só é
afixada uma vez que o produto foi vendido numa marca dentre as diferentes oferecidas pela
empresa. No postponement de embalagem, o produto só é embalado após este ter sido
vendido em um tamanho, quantidade ou tipo particular de embalagem. Da mesma forma, no
postponement de montagem, os componentes são montados na forma final do produto após o
pedido ser recebido. Finalmente, no postponement de manufatura, somente uma fração dos
componentes do produto é expedida. Uma vez próximo ao mercado, o produto é então
finalizado com a adição de materiais locais.
Bowersox & Closs (1996) definem dois tipos de postponement: o postponement de
manufatura ou forma e o postponement logístico ou de tempo. O postponement de manufatura
consiste fabricar um produto base ou padrão em quantidades suficientes para realizar
economia de escala, enquanto as características de finalização, tais como cor, sejam adiadas
até que os pedidos dos consumidores sejam recebidos. Já o postponement logístico consiste
em manter toda linha de produtos em estoque já diferenciados e centralizados. O
deslocamento dos estoques é adiado até o recebimento do pedido dos clientes. Quando a
demanda ocorre, os pedidos são transportados diretamente ao varejo ou ao consumidor.
Um importante conceito ao se abordar o tema postponement é o de Customer Order
Decoupling Point (CODP - ponto de desacoplamento do pedido do consumidor), que é o
ponto do processo de produção até onde o consumidor exerce influência direta na produção,
ou ainda, é o ponto de separação entre o que é produzido para estoque e o que é produzido sob
encomenda (PIRES, 2004). Além disso, o CODP especifica a posição na cadeia de
suprimentos onde a customização ocorre.
2.2. Fatores que favorecem a adoção do postponement
Entre os fatores operacionais que influenciam o postponement, Van Hoek (1999) destaca:
intensidade de utilização de tecnologia da informação integrando os processos internos e os
processos interorganizacionais; níveis de turbulência do mercado; freqüência de mudança
tecnológica de produtos e processos; nível de complexidade da etapa final do processo de
manufatura; grau de modularidade e padronização do produto; nível de diferenciação possível
durante o estágio final do processo de manufatura e número de atividades de customização
realizadas pela operação. Para Sampaio (2003), o aumento da competitividade e os avanços da
tecnologia da informação são importantes fatores que influenciaram a adoção do
postponement no mercado brasileiro recentemente. A questão não é querer implementar o
postponement, mas sim, poder, isto é, ter a organização construída de forma consciente,
consistente e sistemática as condições mínimas de estrutura, infra-estrutura e relacionamento
interorganizacional necessárias para sua implementação.

3
P PQ RSRUT8VW XYVAZ\[XVA]W RSXYVA]^F_Y`6`.aYbY`8aYcY% dYe %f_Y`6gUdhY_Yijk% h
l'mMn?mIo p?q rsut9mv wJx*myrz9o w9{?t9|~}~w??t?v€{9q ~‚ w?p9wƒ~w9„?o myq nO…mMp9o r~|u}~w9†>z?o wO‡ˆm…NwmyƒIt?ƒN…mMnJ…rM„?q ‚ q {?r~{9m
Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007

Em sua tese de doutorado, o mesmo autor investigou a aplicação do postponement em cinco


empresas (duas automobilísticas, tintas, computadores e em uma doceria) e destacou os
fatores operacionais que favoreceriam a aplicação do postponement no Brasil. Estes foram
agrupados em dimensões relacionadas ao produto, processo, mercado, cadeia de suprimentos
e tecnologia, conforme destacado no quadro 1:
Dimensão Aspectos
Produto Modularidade; Formulação específica do produto; Complexidade e
customização final; Densidade Monetária
Processo Processo Modular; Processos Produtivos Sobrecarregados;
Processos de Manufatura Flexíveis; Pulmão Estratégico; Economia
de Escala
Mercado Variação da Demanda; Volume; Estágio do Ciclo de Vida; Ciclo de
vida; Tempo de Entrega; Freqüência de entrega; Adoção
Cadeia de Suprimentos Relacionamento colaborativo; Resposta rápida dos fornecedores;
Proximidade com os fornecedores; Sequenciamento de peças;
Legislação; Treinamento; Sistema pós-venda
Liderança Estratégia da Organização; Comprometimento
Tecnologia E-commerce; Sistema de pagamento; Fornecedores de
equipamentos

Quadro 1 - Fatores operacionais que favorecem a aplicação do postponement no Brasil.


Fonte: SAMPAIO (2003).

Na cadeia de suprimentos da indústria de alimentos, pesquisas prévias têm projetado a


viabilidade total do postponement. Morehouse & Bowersox (1995) predisseram que no futuro
próximo aproximadamente 50% de todos os estoques (na agroindústria) serão mantidos em
um estado semi-acabado esperando por processamento final e empacotamento baseado nos
pedidos dos consumidores. Apesar destas fundamentações teóricas do conceito de
postponement, as empresas alimentícias têm começado a executar sistemas de produção
postergada somente recentemente e de forma lenta.
2.3 Vantagens e resultados obtidos pela aplicação do postponement
O postponement tem como principal objetivo retardar a configuração final dos produtos até
que os pedidos dos consumidores sejam recebidos, podendo representar uma resposta das
indústrias a mercados turbulentos. Diversos autores têm apontado os possíveis benefícios do
postponement (ZINN, 1990; VAN HOEK, 2000 b; VAN HOEK, 2001; YANG et al., 2004),
dentre os quais se destacam menores ciclos de desenvolvimento de produtos, diminuição de
custos devido à: vendas perdidas, agilidade na cadeia de suprimentos e o aumento na
confiabilidade de entrega. Vantagens relacionadas à logística, como diminuição das despesas,
diminuição de custos com transporte e estoques e agilidade para responder rápido às
mudanças nas preferências dos consumidores são também destacadas. Estas melhorias são de
suma importância, pois segundo Stalk (1988) sem otimização, os custos de manufatura
normalmente aumentam a uma taxa de 25 a 35% por unidade cada vez que a variedade dobra.
Além disso, na cadeia de suprimentos de alimentos processados, o custo logístico como
percentual do valor agregado representa entre 30 a 40% do valor total destes produtos
(LAMBERT et al, 1998). Assim, o ganho esperado é pela agilidade na configuração final dos
produtos / redução de custos logísticos / aumento no nível serviço ofertado, proporcionado
pelo atraso na configuração final ou postergação logística.

4
P PQ RSRUT8VW XYVAZ\[XVA]W RSXYVA]^F_Y`6`.aYbY`8aYcY% dYe %f_Y`6gUdhY_Yijk% h
l'mMn?mIo p?q rsut9mv wJx*myrz9o w9{?t9|~}~w??t?v€{9q ~‚ w?p9wƒ~w9„?o myq nO…mMp9o r~|u}~w9†>z?o wO‡ˆm…NwmyƒIt?ƒN…mMnJ…rM„?q ‚ q {?r~{9m
Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007

Deve-se também ressaltar que pesquisas envolvendo o tema postponement têm crescido nos
últimos anos e alguns autores têm apontado resultados obtidos nos diferentes setores. Em
pesquisa entre 3700 companhias, o Council of Logistics Management (apud Van Hoek et al.,
1999) concluiu que mais de 40% dos entrevistados norte-americanos e quase 50% dos
europeus empregam estratégias de postponement mais frequentemente do que nos cinco anos
atrás. Em pesquisa realizada pela Oracle/ Cap Gemini Ernest & Young, Matthews & Syed
(2004) verificaram que os líderes na implementação bem sucedida de postponement têm custo
total de estoque reduzido em mais que 40%. Resultados semelhantes foram encontrados na
aplicação deste conceito em uma empresa de software, onde o postponement permitiu a
redução dos custos operacionais da empresa em mais que 30%, basicamente devido a melhor
gestão de estoques e custos de transporte reduzidos (VAN HOEK et al., 1999). No setor
automobilístico, Hamzagic (2003) investigou o retardamento da montagem final em uma
montadora. Os ganhos para a montadora abrangem: reduções do estoque da referida matéria-
prima, atendimento personalizado das necessidades de produção, proximidade do fornecedor,
promovendo um relacionamento mais estreito e transparente. Resultados da aplicação do
postponement no setor têxtil são também destacados por Cunha (2002) que investigou o tema
na malharia Henring. De acordo com a mesma autora, apesar de deficiências observadas na
implantação do postponement, a aplicação desse conceito permitiu a redução de lead time na
produção da empresa.
Baseado nestas pesquisas é possível destacar os benefícios da aplicação do postponement em
diferentes setores como o automobilístico, computadores e têxtil. Este estudo busca identificar
o uso e os fatores que condicionam a aplicação deste tema em empresas do setor alimentício,
onde o conceito é ainda pouco difundido.
3. Estudo de Caso: Empresa Processadora de Suco de Laranja (Empresa X)
A seguir são apresentados os resultados do estudo realizado em empresa processadora de suco
de laranja, destacando: o perfil da empresa pesquisada, o processo de definição e produção do
suco de laranja, o uso do postponement, seus principais facilitadores e impactos
proporcionados pela aplicação desta estratégia na empresa investigada. Por motivo de sigilo, a
empresa estudada foi denominada Empresa X.
3.1. Caracterização da Empresa
A Empresa X foi fundada em 1963 no estado de São Paulo e é uma das maiores produtoras de
suco concentrado e congelado no país, possuindo cerca de 30% de market share brasileiro.
Dentre os seus principais produtos estão o suco concentrado e congelado e o suco natural.
Além destes, são produzidos alguns sub-produtos como: óleo de laranja, essências e polpa
cítrica, que tem aplicação na fabricação de produtos químicos e solventes, aromas e
fragrâncias, tintas, cosméticos, complemento nutricional para ração animal, entre outros.
Aproximadamente 99% da sua produção de suco é exportada para os diversos países,
atingindo todos os continentes. Somente uma pequena parcela é vendida no Brasil. A empresa
possui 4 unidades produtivas, sendo três localizadas no Brasil, nas cidades de: Bebedouro,
Limeira e Matão, e uma no exterior, nos EUA. Emprega aproximadamente 1700 funcionários
no Brasil.
3.2. O processo de definição do suco
Na empresa X são produzidos basicamente dois tipos de sucos: o suco concentrado e
congelado e o suco natural. Aproximadamente 60% da sua produção destina-se a fabricação
do suco concentrado e congelado, e os 40% restantes, o natural.

5
P PQ RSRUT8VW XYVAZ\[XVA]W RSXYVA]^F_Y`6`.aYbY`8aYcY% dYe %f_Y`6gUdhY_Yijk% h
l'mMn?mIo p?q rsut9mv wJx*myrz9o w9{?t9|~}~w??t?v€{9q ~‚ w?p9wƒ~w9„?o myq nO…mMp9o r~|u}~w9†>z?o wO‡ˆm…NwmyƒIt?ƒN…mMnJ…rM„?q ‚ q {?r~{9m
Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007

O suco natural, como o próprio nome diz, é um suco extraído naturalmente da laranja, sem
diluição ou adição de componentes, pronto para ser consumido. Já o suco concentrado e
congelado é obtido por meio do processo de extração e concentração da polpa da laranja,
sendo, após este processo, congelado a baixas temperaturas para preservar suas propriedades
naturais. Neste caso, a customização final do suco, como sua diluição, adição de açúcar,
essência, embalagem, rótulo e outros componentes, é realizada pelos clientes de acordo com
as características de cada mercado.
O suco concentrado e congelado ainda é sub-dividido em duas categorias que caracterizam
sua forma de processamento e venda. São elas: o suco denominado standard (ou padrão) e o
suco especial. O suco standard constitui-se de uma preparação padrão (ou base), para que o
processamento final do suco seja realizada posteriormente. Dentro desta categoria são
produzidas duas a três bases, separadas de acordo com as características dos mercados a que
se destinam. Já o suco especial é mais customizado, produzido dentro de características pré-
determinadas pelos clientes. Neste caso, embora a configuração final também seja realizada
pelos clientes (responsáveis pela diluição, embalagem e distribuição do suco), algumas vezes,
suas características já devem ser definidas desde o momento do plantio e separação da laranja,
que forneça um suco com as propriedades e sabor exigidos pelos clientes.
Após o processamento e transformação da laranja em suco concentrado e natural, este é
estocado nas unidades produtivas da empresa X até ser transportado aos clientes. Das
unidades produzidas localizadas no Brasil, o suco é levado até o centro de distribuição da
empresa localizado no porto de Santos por caminhões termicamente isolados. No porto de
Santos, o suco é transportado em tambores (mercado menor) ou a granel (mercado maior)
para os países onde estão localizados os clientes, sob condições de temperatura controlada.
3.3. Visão geral do postponement na empresa X
O tipo de postponement empregado pela empresa X é o postponement de forma (ou
manufatura), que foi verificado em diferentes atividades, conforme será detalhado a seguir. O
postponement de tempo (ou postponement logístico) não é adotado pela empresa.
Antes de descrever como ocorre o postponement na empresa X, é importante ressaltar que
conforme já mencionado, os clientes da empresa na compra do suco (concentrado e congelado
ou natural) são as empresas responsáveis pela customização final do suco (diluição,
embalagem e distribuição). O suco que chega aos atacadistas e varejistas e que posteriormente
são adquiridos pelo consumidor final, não é fornecido pela empresa X, ou seja, não existe no
mercado final um produto com a marca da Empresa X.
A intensidade da personalização e aplicação do postponement na empresa X depende do tipo
do suco a ser fabricado. No caso do suco natural, por exemplo, ocorre principalmente o
postponement de forma nas atividades de embalagem e rotulagem, onde o suco natural, em
90% dos casos, é enviado praticamente pronto ao cliente, sendo necessária apenas o processo
de adição de embalagem e rótulo. Já para o suco congelado e concentrado (principalmente o
standart), a aplicação de postponement de forma e customização é mais intensa. Neste caso,
ocorre a postergação de forma na manufatura e nas atividades de embalagem e rotulagem.
Toda etapa de abastecimento e de produção é feita pela empresa X para estoque e em
formulação praticamente única do suco concentrado. Este é então transportado até o país do
cliente, onde após a chegada ao destino, pode então ser customizado (geralmente por empresa
independente e parceira no processo de distribuição), de acordo com a embalagem, volume,
diluição, adição de essência, etc., requeridos pelo mercado local. Dessa forma o ponto de

6
P PQ RSRUT8VW XYVAZ\[XVA]W RSXYVA]^F_Y`6`.aYbY`8aYcY% dYe %f_Y`6gUdhY_Yijk% h
l'mMn?mIo p?q rsut9mv wJx*myrz9o w9{?t9|~}~w??t?v€{9q ~‚ w?p9wƒ~w9„?o myq nO…mMp9o r~|u}~w9†>z?o wO‡ˆm…NwmyƒIt?ƒN…mMnJ…rM„?q ‚ q {?r~{9m
Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007

desacoplamento na cadeia de suco é deslocado para mais próximo do mercado consumidor,


onde estão localizadas as empresas re-processadoras e distribuidoras.
3.4. Fatores para aplicação e principais impactos do postponement na empresa X
Para identificar os fatores que condicionam/favorecem a aplicação do postponement de forma
na empresa de suco de laranja investigada, utilizou-se como referência as características
operacionais para implementação do postponement em empresas brasileiras identificadas por
SAMPAIO (2003) em pesquisas em outros setores (no quadro 1). Para tanto, os fatores que
facilitam a adoção do postponement encontrados na revisão bibliográfica foram confrontados
com os obtidos na pesquisa empírica. No quadro 2 são apresentados os fatores comuns entre
literatura e prática, e os fatores adicionados pelos entrevistados da empresa X, classificados
nas dimensões produto, processo, mercado, gestão da cadeia de suprimentos e tecnologia.
Dimensão Aspectos Postponement de
forma
Modularidade Sim
Variação do peso do produto Sim
Variação do volume do produto Sim
Produto Variação no tamanho da embalagem Sim
Densidade Monetária (preço do produto) Sim
Intensidade da Personalização Média- Elevada
Complexidade e customização final Baixa
Processo Modular Sim
Processo Processos de Manufatura Flexíveis Sim
Economia de Escala Sim
Variação da Demanda Média
Volume de vendas Elevado
Estágio do Ciclo de Vida Maturação
Mercado
Ciclo de vida 45 dias a 36 meses
Tempo de Entrega 30 a 40 dias
Freqüência de entrega Elevada
Relacionamento colaborativo Sim
Gestão da Cadeia de Resposta rápida dos fornecedores Sim
Suprimento Proximidade com os fornecedores Sim
Treinamento Sim
Uso de tecnologias para simulação Sim
Tecnologia Troca eletrônica de informações Sim
Fornecedores de equipamentos Sim

Quadro 2 - Fatores operacionais que favorecem a aplicação do postponement na Empresa X


Fonte: ENTREVISTAS

Cabe ressaltar que no quadro 2 foram apresentados apenas os fatores avaliados positivamente, ou
seja, os fatores que condicionam e contribuem para a prática do postponement pela empresa X. A
legislação que foi considerada facilitadora na revisão bibliográfica, não foi considerada
condicionante da prática do postponement na empresa X, e por isso não foi inserida no quadro 2.
Alguns fatores como variação do peso, volume e embalagem foram considerados facilitadores e
impulsionadores do uso do postponement nesta empresa. Embora estes não sejam identificados
como condicionantes a adoção do postponement em empresas brasileiras de outros setores
estudadas por SAMPAIO (2003), também aforam apontados por alguns autores na literatura
internacional como facilitadores.

7
P PQ RSRUT8VW XYVAZ\[XVA]W RSXYVA]^F_Y`6`.aYbY`8aYcY% dYe %f_Y`6gUdhY_Yijk% h
l'mMn?mIo p?q rsut9mv wJx*myrz9o w9{?t9|~}~w??t?v€{9q ~‚ w?p9wƒ~w9„?o myq nO…mMp9o r~|u}~w9†>z?o wO‡ˆm…NwmyƒIt?ƒN…mMnJ…rM„?q ‚ q {?r~{9m
Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007

Embora todos os fatores destacados no quadro 2 sejam considerados significantes para aplicação
do postponement, alguns necessitam maior explicação, sendo destacados a seguir. O aspecto ciclo
de vida foi considerado um fator que influência na aplicação do postponement, podendo variar na
empresa X de 45 dias (considerando que o produto seja fabricado e entregue diretamente ao
cliente) a 36 meses, que é o prazo máximo de validade do produto. Em geral, este fica
armazenado na Empresa X no máximo 14 meses. Outro fator a ser destacado é o tempo de
entrega, que pode variar de 30 a 40 dias na empresa X (transporte ferroviário até o porto de
Santos, mais transporte hidroviário até os países de destino, e finalmente transporte rodoviário até
as empresas re-processadoras e distribuidoras do suco de laranja). Este tempo é relativamente
longo e para atender rapidamente os clientes, a empresa X mantém estoque do seu produto em
diversos continentes. Este fator contribui a aplicação do postponement, pois com o estoque do
suco concentrado em bases padrão, a empresa pode atender seus clientes mais rapidamente.
Em relação aos impactos proporcionados pelo uso do postponement, estes foram significativos na
empresa investigada. O primeiro deles foi a possibilidade de maior customização do produto e
melhor atendimento ao cliente. A utilização de bases de suco concentrado e congelado separadas
de acordo com os grupos de clientes possibilitou maior flexibilidade na fabricação do produto e
atendimento do cliente, permitindo realizar a configuração final do produto de acordo com as
necessidades de cada mercado consumidor.
Além das vantagens nas operações produtivas, o uso do postponement possibilitou ganhos
logísticos na gestão de estoques e transportes. Nas atividades de estoque, o uso do postponement
permitiu reduzir e otimizar o espaço para armazenagem de produtos, uma vez que com as bases
de suco concentrado não é mais necessário ter um espaço reservado para o estoque de
determinado tipo de suco para cada cliente especifico.
Na gestão de transportes, o uso do postponement permitiu melhorias no planejamento e gestão dos
meios de transporte, possibilitando a movimentação de maior quantidade de produtos, reduzindo o
número de viagens e evitando a necessidade de fretes adicionais. Além disso, uma das grandes
vantagens proporcionadas pelo postponement é a armazenagem e transporte do suco com menor
peso e volume em relação ao suco já pronto para beber. Conforme já mencionado o suco
concentrado, possui em geral, apenas 34% de água em relação ao produto final.
Finalmente, pode-se afirmar que todas essas vantagens proporcionadas pela prática do
postponement no processo de obtenção do suco de laranja permitem a empresa X a redução
significativa de seus custos operacionais e logísticos.
4. Considerações Finais
Este trabalho investigou o uso do postponement de forma em empresa processadora de suco
de laranja concentrado e congelado. Baseado na revisão bibliográfica foi possível notar que
existem poucos trabalhos que investigam aplicação do conceito postponement em empresas da
indústria de alimentos brasileira. Porém, esta prática vem crescendo nestas empresas.
O postponement é usado na empresa X na produção do suco natural e concentrado e
congelado. No caso do suco natural, adotou-se o postponement de forma nas atividades de
embalagem e rotulagem, que é realizado pelas empresas clientes da empresa X. Já para o suco
concentrado e congelado, o postponement de forma foi encontrado também na atividade de
fabricação e customização final do produto, além das atividades de embalagem e rótulo.
Os fatores que facilitam a aplicação do postponement na empresa processadora de suco de
laranja investigada foram destacados neste trabalho de acordo com as respostas dos
entrevistados e classificados nas dimensões do produto, processo, mercado, gestão da cadeia

8
P PQ RSRUT8VW XYVAZ\[XVA]W RSXYVA]^F_Y`6`.aYbY`8aYcY% dYe %f_Y`6gUdhY_Yijk% h
l'mMn?mIo p?q rsut9mv wJx*myrz9o w9{?t9|~}~w??t?v€{9q ~‚ w?p9wƒ~w9„?o myq nO…mMp9o r~|u}~w9†>z?o wO‡ˆm…NwmyƒIt?ƒN…mMnJ…rM„?q ‚ q {?r~{9m
Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007

de suprimentos e tecnologia. O uso de postponement na fabricação do suco concentrado e


congelado trouxe resultados significativos para empresa X, onde é possível destacar a redução
de: custos operacionais e logísticos, níveis e giro de estoque, fretes adicionais; otimização e
redução dos locais de armazenagem, maior flexibilidade e rapidez no atendimento ao cliente;
e maior customização do produto final, entre outros.
Por fim, cabe ressaltar que a aplicação deste conceito têm crescido nas empresas alimentícias.
Novas pesquisas sobre a aplicação do postponement em outros segmentos da indústria de
alimentos podem corroborar para maior entendimento e aplicação deste conceito no setor.
5. Referências

ALDERSON, W. Marketing efficiency and the principle of postponement. Cost and profit outlook, n.3 p. 15-
18, 1950.
BAILEY, J.P; RABINOVICH, E. Internet book retailing and supply chain management: an analytical study of
inventory location speculation and postponement. Transportation Research Part E: Logistics and
Transportation Review, v. 41, n. 3, p.159-177, 2005
BOWERSOX, D. J., CLOSS, D J. Logistical Management: The Integreted Supply Chain Process. New York,
NY: McGraw-Hill, 1996.
BOWERSOX, D. J., CLOSS, D J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento.
São Paulo: Atlas, 2001.
BUCKLIN, L.P. Postponement, speculation and the structure of distribution channels. Journal of Marketing
Research, v.2, p. 26-31, 1965.
CHUNG, Y.; HUNG-CHENG, Y. A cost model for determining dyeing postponement in garment supply chain.
International Journal of Advanced Manufacturing Technology, v. 22, p.134-140, 2003.
COUNCIL OF LOGISTICS MANAGEMENT. World Class Logistics: The challenge of Managing Continuous
Change. United State of America: Oak Book, 1995, 423p.
CUNHA, D.C. Avaliação dos resultados da aplicação de postponement em uma grande malharia e
confecção de Santa Catarina. 2002. 173 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Departamento
de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002.
ERNST, R.; KAMRAD, B. Evaluation of supply chain structures through modularization and postponement.
European Journal of Operational Research, v.124, p.495-510, 2000.
HAMZAGIC, M. Flexibilidade de entrega na montadora e postpoponement. 2003. 166p. Dissertação (Mestrado
em Administração) - Departamento de Economia, Contabilidade e Administração da Universidade de Taubaté,
Taubaté, 2003.
LAMBERT, D.M; STOCK, J.R.; VANTINE,J.G. Administração estratégica da logística. São Paulo: Vantine
Consultoria, 1998.
MATTHEWS, P. ; SYED, N. The Power of postponement. Supply Chain Management, abril, 2004. Disponível
em: < http://www2.isye.gatech.edu/~pinar/teaching/isye3104-fall2004/postponement.pdf>. Acesso em: fev.2006.
MOREHOUSE, J.E.; BOWERSOX, D.J. Supply Chain Management. Logistics for the Future. Food Marketing
Institute, Washington, D.C., 1995.
PIRES, S.R.I. Gestão da cadeia de suprimentos: conceitos, estratégias, práticas e casos - supply chain
management. São Paulo: Atlas, 2004.
VAN HOEK, R.I. Postponement and the reconfiguration challenge for food supply chains. Supply Chain
Management, v. 4, n.1, p.18-34, 1999.
_______. The thesis of leagility revisited. International Journal of Agile Management Systems, v.2, n.3,
p.196-201, 2000a.
_______. Role of third party logistic services in customization through postponement. International Journal of
Service Industry Management, v.11, n.12, p.374-387, 2000b.

9
P PQ RSRUT8VW XYVAZ\[XVA]W RSXYVA]^F_Y`6`.aYbY`8aYcY% dYe %f_Y`6gUdhY_Yijk% h
l'mMn?mIo p?q rsut9mv wJx*myrz9o w9{?t9|~}~w??t?v€{9q ~‚ w?p9wƒ~w9„?o myq nO…mMp9o r~|u}~w9†>z?o wO‡ˆm…NwmyƒIt?ƒN…mMnJ…rM„?q ‚ q {?r~{9m
Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007

_______.The rediscovery of postponement a literature review and directions for research. Journal of
Operations Management, v. 19, n. 2 , p.161-184, 2001.
VAN HOEK,R.I.; VOS, B.; COMANDEUR, H.R Reestructuring European Supply Chains by Implementing
Postponement Strategies. Long Range Planning, v.32, n.5, p.505-518, 1999.
SAMPAIO, M. O Poder Estratégico do Postponement. 2003.198p. Tese (Doutorado em Administração) -
Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, 2003.
STALK, G. Time: The next source of competitive advantage. Harvard Business Review, v.66, n.4, p.44-51,
1988.
SU, J.C; CHANG, Y; FERGUSON, M. Evaluation of postponement structures to accommodate mass
customization. Journal of Operations Management, v. 23, n.3-4, p.305-318, 2005.
YANG, B.; BURNS, N.D.; BACKHOUSE, C. J. Postponement : review and an integrated framework.
International Journal of Operations & Production Management, v.24, n.5, p.268-487, 2004.
ZINN, W. O retardamento da montagem final de produtos como estratégia de marketing e distribuição. Revista
de Administração de Empresas, v. 4, p. 53-59, 1990.
ZINN, W.; BOWERSOX, D.J. Planning physical distribution with the principle of postponement. Journal of
Business Logistics, v.9, n.2, p.117-136, 1988.

10