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Língua Portuguesa – Prof a Ana Paula Nome: Nº 3 a série: E. Médio A

Língua Portuguesa – Prof a Ana Paula

Nome:

3 a série:

E. Médio

A MORFOSSINTAXE – A SINTAXE BINÁRIA

MÓDULO II – AS NATUREZAS MORFOLÓGICAS E SUAS POSSIBILIDADES SINTÁTICAS

O RACIOCÍNIO DAS FUNÇÕES SINTÁTICAS

As classes gramaticais em português são: substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, pronome, numeral, artigo, conjunção, preposição, interjeição. As sete primeiras delas podem ser agrupadas em quatro naturezas morfológicas básicas, cada uma delas com algumas possibilidades sintáticas:

Natureza Substantiva: substantivos, pronomes substantivos, numerais substantivos, orações substantivas; Natureza Adjetiva: adjetivos, locuções adjetivas, pronomes adjetivos, numerais adjetivos, artigos e orações adjetivas; Natureza Adverbial: advérbios, locuções adverbiais e orações adverbiais; Natureza Verbal: verbos e locuções verbais.

Cada uma dessas classes básicas tem possibilidades limitadas de funcionar sintaticamente, isto é, de desempenhar uma função na estrutura sintática da frase. Vejamos agora as possibilidades sintáticas de cada uma dessas quatro naturezas gramaticais:

Natureza Gramatical

Funções Sintáticas Possíveis

Substantiva

Sujeito, Objeto Direto, Objeto Indireto, Predicativo (do Sujeito e do Objeto), Complemento nominal, Aposto, Agente da Passiva, Vocativo

Adjetiva

Adjunto Adnominal, Predicativo do Sujeito e Predicativo do Objeto

Adverbial

Adjunto Adverbial

Verbal

Núcleo do Predicado Verbal e do Predicado Verbo-Nominal

II. O RACIOCÍNIO DAS FUNÇÕES SINTÁTICAS

Para apreender bem o raciocínio de cada função sintática, devem-se levar em conta dois aspectos cruciais: a ligação da expressão analisada na estrutura sintática da frase (se se liga a nome ou a verbo) e a intenção semântica que a expressão veicula, em relação ao termo ou à expressão a que se liga sintaticamente. É importante lembrar que a sintaxe portuguesa é binária, funciona a partir de pares de significado, o que implica que identificar a função sintática de um termo pressupõe identificar, primeiro, com que outro termo da frase está fazendo par. Por exemplo, na frase “Os alunos resolveram tranquilos os exercícios de Língua Portuguesa”, se quisermos pensar sobre o termo tranquilos, o caminho é este: ele se liga, sintaticamente, a alunos, substantivo com o qual combina em gênero e número. Portanto, tranquilos tem, na frase, uma natureza morfológica adjetiva. Consultando nossa tabela morfossintática, veremos que a função sintática que esse adjetivo pode desempenhar é adjunto adnominal ou predicativo, conforme sua semântica. Se veicular uma característica inerente ao ser referido, será adjunto adnominal; se, ao contrário, veicular uma característica temporária do ser, funcionará como predicativo. Na frase em questão, tranquilos funciona como predicativo do sujeito alunos.

A seguir, listamos as funções sintáticas de termos ligados a verbos e ligados a nomes, bem como fornecemos o

raciocínio de cada uma dessas funções:

A. Termos Determinantes do Verbo

01. Objeto Direto e Objeto Indireto — para funcionar como objeto, seja direto, sem preposição, seja indireto, ligado ao verbo

por meio de preposição, a expressão deve ter natureza substantiva e designar o alvo da ação, o ser que recebe a ação realizada pelo sujeito agente. Para existir objeto direto na frase, o verbo deve estar na voz ativa ou na voz reflexiva; já o objeto indireto aparece com verbo em qualquer voz. A mãe da família arrogou-se o direito de viajar sozinha. Entregamos, ao professor de Química, o relatório sobre nossa última experiência. Fizeram-se novas experiências com o genoma humano?

02. Adjunto Adverbial — para funcionar como adjunto adverbial, a expressão deve ter natureza adverbial e ligar-se a verbo,

adjetivo ou outro advérbio, indicando as circunstâncias da ação, da característica ou da outra circunstância, respectivamente.

Abrimos o carro com o pé de cabra. Ele canta muito mal, gente.

Porque brigou com o pai, sumiu de casa e nem telefonou.

Eu estou bastante curioso pelo desempenho de meu filho no vestibular.

Ouvimos a notícia pelo rádio. Embora contrariado, resolveu ir à festa.

Vide verso

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03. Agente da Passiva — para funcionar como agente da passiva, a expressão deve ter natureza substantiva e ligar-se a verbo na

voz passiva analítica, pelas preposições por ou de. Em termos semânticos, o agente da passiva designa quem praticou a ação que

o sujeito passivo recebe. Flores foram ofertadas ao paraninfo pelos formandos. Os roqueiros serão convidados do prefeito da cidade a realizar um show beneficente de Natal.

B. Termos Determinantes do Nome

01. Adjunto Adnominal — para funcionar como adjunto adnominal, a expressão deve ter natureza adjetiva (adjetivo, locução

adjetiva, artigo, pronome adjetivo, numeral adjetivo e oração adjetiva) e ligar-se a um substantivo com o qual concorda, no caso

de adjetivos, artigos, numerais e pronomes adjetivos. Em termos semânticos, o adjunto adnominal serve para categorizar os seres,

a partir de uma característica inerente de cada ser.

Amor de mãe é presente que se deve valorizar. Aqueles três meninos australianos permanecerão mais um mês no Brasil.

O menino triste resolveu tranquilo a prova de Redação.

É importante ressaltar que o artigo, o numeral adjetivo, o pronome adjetivo e a oração adjetiva sempre funcionam como

adjunto adnominal do substantivo a que se ligam.

02. Predicativo — para funcionar como predicativo, seja do sujeito seja do objeto, a expressão deve ter natureza substantiva

(substantivos, pronomes e numerais substantivos) ou adjetiva (adjetivos e locuções adjetivas) e ligar-se a termo substantivo. Em termos semânticos, o predicativo expressa uma característica temporária do ser, exceto quando acompanha o verbo ser numa frase. Quanto ao predicativo do objeto, via de regra, ele expressa uma visão que o sujeito tem do objeto, ou um estado em que este o encontrou.

O governador nomeou papai Secretário da Saúde.

Consideraram ingênua a ré do crime de assassinato passional. Respiramos aliviados, quando soubemos que o garoto sequestrado, nosso vizinho, fora resgatado são e salvo. Os vizinhos encontraram arrombada a porta da frente do escritório de advocacia.

03. Complemento Nominal — para funcionar como complemento nominal, a expressão deve ter natureza substantiva e ligar-se,

por preposição, a um substantivo, a um adjetivo ou a um advérbio. O complemento nominal, semanticamente, designa o alvo da

ideia contida no nome a que se liga sintaticamente, equiparando-se, pois, ao objeto indireto: a diferença é que o objeto se liga a verbo e o complemento nominal, a nome. Nossa ida a Paris foi ma-ra-vi-lho-sa.

A oferta de dinheiro pela prefeitura ao velejador português repercutiu mal na mídia.

04. Aposto — para funcionar como aposto, a expressão deve ter natureza substantiva e ligar-se a outro termo, de natureza

também substantiva, com o qual o aposto mantém uma relação de equivalência. São os seguintes os tipos de aposto:

a) O aposto explicativo, que é a sobra de uma oração subordinada adjetiva explicativa original, cujo pronome relativo e cujo

verbo foram apagados. Alberto Santos Dumont, que é o pai da aviação, viveu muitos anos em Paris. Alberto Santos Dumont, o pai da Aviação, viveu muitos anos em Paris. Só desejo isto: sua felicidade.

b) O aposto especificativo, que é um nome próprio, especificando um nome comum de sentido genérico.

A

cidade de Piracicaba é conhecida pelo rio homônimo.

O

professor Telles, do CLQ, tem um irmão que leciona no Liceu.

c) O aposto resumitivo, que é um pronome indefinido que resume uma enumeração anterior, e com o qual deve o verbo

concordar. Vento, chuvas, tempestades, nada demoveria o mensageiro de levar o recado até o general. Professores, funcionários e alunos, todos fizeram sua parte.

d) O aposto enumerativo, que é o contrário do resumitivo, já que consiste em enumerar os componentes de um termo de caráter

genérico, lançado antes no discurso. Fui ao shopping e comprei várias peças de vestuário: blusas, saias, shorts e meias. Gosto de ler alguns autores: Cecília Meireles, Clarice Lispector, Manuel Bandeira e Machado de Assis.

e) O aposto individualizante, que consiste em usar uma expressão, como cada um, que individualize os componentes de uma

enumeração ou outro referente anterior. Professores, funcionários e alunos, cada um fez a sua parte. Os irmãos seguiam viagem quietos no carro, cada qual imaginando o que viveria no novo lar.

05. Vocativo — para funcionar como vocativo, a expressão deve ter natureza substantiva; todavia, ao contrário de outras figuras

sintáticas, o vocativo não se liga necessariamente a termo da oração, porque, como nomeia o interlocutor numa conversa, pode referir-se apenas a ele. Por essa razão, a Nomenclatura Gramatical Brasileira não reconhece o vocativo como função sintática.

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Pessoal, prestem atenção a este tópico da matéria! Pessoal, amanhã não haverá aulas. Retira-te, criatura do mal!

III. A CLASSIFICAÇÃO DO SUJEITO E DO PREDICADO, TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO.

O sujeito de uma oração constitui a expressão de natureza substantiva, com que o verbo tende a concordar em número e

pessoa, ligando-se o verbo, portanto, a ela. O predicado contém uma informação sobre a ação do sujeito, se estiver na voz ativa o verbo, ou sobre o ser que recebe a ação verbal, no caso da voz passiva. São as seguintes as possibilidades de sujeito em Português:

a) sujeito determinado simples ou composto — o sujeito possui determinada sua natureza e é constituído por um só núcleo

(sujeito simples), ou por mais de um núcleo (sujeito composto) Márcio e Rodrigo viajam pela Europa. Gostam de visitar museus. Meu primo Orlando regressa da Austrália depois de amanhã. Ninguém abriu a porta?

b) sujeito indeterminado — o emissor não pode, ou não quer, determinar a natureza do sujeito. Hás duas formas de indeterminar o sujeito, em Português:

b.1. usar o verbo transitivo indireto, de ligação, intransitivo ou transitivo direto com objeto direto preposicionado na terceira pessoa do singular, seguido do pronome se, que opera, na estrutura, como índice de indeterminação do sujeito (IIS). Vive-se bem nesta cidade? Era-se mais feliz quando a tecnologia não mediava tanto nossas relações com o mundo. Assiste-se a boas peças de teatro na região de Campinas. Amar a Deus sobre todas as coisas, diz o primeiro mandamento.

b.2. colocar o verbo na terceira do plural, sem que haja referente anterior para o pronome pessoal. Falaram mal de você na festa de ontem. Decidiram alargar a avenida e o fizeram num tempo recorde. Andaram dizendo que você e sua mulher estão se separando. É verdade?

c) sujeito inexistente ou oração sem sujeito — é típico de processos verbais cuja autoria não se pode atribuir a um ser em

particular; por isso esses verbos são chamados de impessoais. Nesses casos, permanecem na terceira pessoa do singular, claro, com exceção do verbo ser, que pode concordar com o predicativo. São os seguintes:

c.1. os verbos indicativos de fenômeno meteorológico:

Trovejou muito sobre as pradarias, assustando os animais que pastavam. — Vai já, já, tomar banho, moleque!, trovejou a mãe, irada.

c.2. o verbo fazer, indicando tempo decorrido ou fenômeno meteorológico. Vai fazer seis meses que partimos da Grécia. Fez muito frio nesta madrugada, não?

c.3. o verbo haver, indicando existência, ocorrência e tempo decorrido. Houve vítimas no acidente aéreo em Munique? Deve haver outras maneiras de solucionarmos este problema. Há quantos anos não vamos a um baile, hein?

c.4. o verbo ser , na expressão Era uma vez e nas indicações de horário, datas e distâncias, situação esta em que concorda com o predicativo. Era uma vez dois reis, que viviam brigando por causa de uma mina d´água. Hoje são 29 de setembro. Agora são duas horas. São oito quarteirões até minha casa.

d) sujeito elíptico, oculto ou desinencial — -ocorre pela elipse do sujeito, que todavia é identificável pela desinência do verbo.

Daí chamar-se também desinencial. Nesse contexto, oculto, apesar de muito usada, não é a palavra que melhor descreve esse tipo de sujeito. Tens telefone? Orai, para que possamos receber a iluminação de Deus. Márcia e Paula receberam convites para o baile. Estão todas preocupadas com a roupa que usarão no evento. Quanto ao predicado, ele é a declaração, contida na frase, sobre a ação do sujeito agente ou sobre o sujeito passivo, que recebe o processo verbal como alvo dele.

O predicado também tem uma classificação, conforme os componentes estruturais que apresente:

Predicado Nominal = verbo de ligação e predicativo do sujeito. Núcleo de informação do predicado:

predicativo do sujeito (PS);

Vide verso

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Predicado Verbal = verbo de ação (transitivo e intransitivo), sem predicativo do sujeito. Núcleo de informação do predicado: verbo;

Predicado Verbo-nominal = verbo de ação (transitivo e intransitivo), com predicativo do sujeito ou do objeto. Núcleos de informação do predicado: verbo e predicativo.

Os vizinhos ouviram, constrangidos, a fala do policial exaltando a relação civilizada que deviam manter entre si.

O

garoto andava triste pelos corredores.

O

garoto andava pelos corredores.

O

júri considerou o réu culpado de homicídio doloso.

IV. EXERCÍCIOS DE MORFOSSINTAXE

Textos para as questões 01 a 03

LXXII

Uma Reforma Dramática

“Nem eu, nem tu, nem qualquer outra pessoa desta história poderia responder mais, tão certo é que o destino, como todos os dramaturgos, não anuncia as peripécias nem o desfecho. Eles chegam a seu tempo, até que o pano cai, apagam-se as luzes, e os espectadores vão dormir. Nesse gênero há porventura alguma coisa que reformar, e eu proporia, como ensaio, que as peças começassem pelo fim. Otelo mataria a si e a Desdêmona no primeiro ato, os três seguintes seriam dados à ação lenta e decrescente do ciúme, e o último ficaria só com as cenas iniciais da ameaça dos turcos, as explicações de Otelo e Desdêmona, e o bom conselho do fino Iago: ‘Mete dinheiro na bolsa.’ Desta maneira o espectador, por um, acharia no teatro a charada habitual que os periódicos lhe dão, porque os últimos atos explicariam o desfecho do primeiro, espécie de conceito, e, por outro lado, ia para a cama com uma boa impressão de ternura e de amor:”

(Machado de Assis, Dom Casmurro)

01. Identifique a predicação dos verbos abaixo, transcritos do texto:

a) chegar (l.02)

c) matar (l.04)

b) apagar (l.03)

d) dar (l.05)

CXXXV

Otelo

“Jantei fora. De noite fui ao teatro. Representava-se justamente Otelo, que eu não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. Vi as grandes raivas do mouro, por causa de um lenço, — um simples lenço! — e aqui dou matéria à meditação dos psicólogos deste e de outros continentes, pois não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo. Os lenços perderam-se, hoje são precisos os próprios lençóis, alguma vez nem lençóis há, e valem só as camisas. Tais eram as ideias que me iam passando pela cabeça, vagas e turvas, à medida que o mouro rolava convulso, e Iago destilava a sua calúnia. Nos intervalos não me levantava da cadeira; não queria expor-me a encontrar algum conhecido. As senhoras ficavam quase todas nos camarotes, enquanto os homens iam fumar. Então eu perguntava a mim mesmo se alguma daquelas não teria amado alguém que jazesse agora no cemitério, e vinham outras incoerências, até que o pano subia e continuava a peça. O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer. Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras amorosas e puras, e a fúria do mouro, e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público.”

(Machado de Assis, "Dom Casmurro")

02. “TAIS eram as ideias que ME iam passando pela cabeça, vagas e turvas, à medida que o mouro rolava convulso."

Reescreva o período, substituindo cada pronome em destaque por outro de sentido equivalente.

03. (Fuvest) No texto do capítulo CXXXV, o SE ocorre duas vezes como partícula apassivadora.

a) Construa uma frase em que o verbo REPRESENTAR seja intransitivo.

b) Utilizando o verbo PERDER construa uma frase em que o SE venha a ser índice de indeterminação do sujeito.

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04. No último período do capítulo LXXII "espectador" acaba sendo sujeito de dois verbos.

a) Quais são esses verbos?

b) Em que modo e tempo se encontram os verbos?

(Unesp) "Brancas rochas, pelas encostas, alastravam a sólida nudez do seu ventre polido pelo vento e pelo sol; outras, vestidas de líquen e de silvados floridos, avançavam como proas de galeras enfeitadas; e, de entre as que se apinhavam nos

cimos, algum casebre que para lá galgara, todo amachucado e torto, espreitava pelos postigos negros, sobre as desgrenhadas

Espertos

regatinhos fugiam, rindo com os seixos, de entre as patas da égua e do burro; grossos ribeiros açodados saltavam com fragor de pedra em pedra; fios direitos e luzidios como cordas de prata vibravam e faiscavam das alturas aos barrancos; e muita fonte, "

posta à beira de veredas, jorrava por uma bica, beneficamente, à espera dos homens e dos gados

farripas de verdura, que o vento lhe semeara nas telhas. Por toda a parte a água sussurrante, a água fecundante

05. Na oração "grossos RIBEIROS açodados saltavam com fragor de pedra em pedra", o substantivo destacado ocupa o núcleo

do sujeito (grossos RIBEIROS açodados). Baseando-se neste comentário, analise a frase a seguir e indique as funções sintáticas

que nela exercem os substantivos em destaque:

"Brancas rochas, pelas ENCOSTAS, alastravam a sólida NUDEZ do seu ventre polido pelo vento e pelo sol".

(Ufmg)

MORDENDO A ISCA

“Para Clarice Lispector, ‘escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra morde a isca, alguma coisa se escreveu.’ O que seria, então, essa não-palavra, se estamos mergulhados num mundo verbal e repleto de informações que nos atordoam a todo instante? Se tudo o que lemos e vemos já está devidamente fabricado, mastigado e até digerido, restando- nos apenas a contemplação passiva? Essa não-palavra poderia ser aquela ideia, sensação ou opinião só nossa que ninguém jamais expressou, como:

a vivência de uma paixão, o prazer de caminhar por uma praia deserta, o abrir da janela de manhã, a indignação diante dos

horrores de uma guerra ou da corrupção desenfreada em nosso país ou mesmo nossos sonhos, desejos e utopias. Entrando em contato com essas emoções, podemos descobrir um lado oculto de nós mesmos ou até deixar aparecer um pouco de nosso caráter rebelde, herói, vítima, santo e louco. Estar aberto, com o olhar descondicionado para captar essa ‘não-palavra’ é fundamental

para que possamos escrever, não as famigeradas trinta linhas do vestibular mas um texto que revele nossa singularidade. Por isso,

o ato de escrever requer coragem e, principalmente, uma mudança de atitude em relação ao mundo: precisamos nos tornar

sujeitos do nosso discurso e pensar com nossa própria cabeça. E como isso pode ser difícil! Quantas vezes queremos emitir nosso ponto de vista sobre um assunto e percebemos que nossa formação religiosa, familiar e escolar nos impede, deixando que o preconceito e a culpa falem mais alto! Quantas vezes o nó está preso na garganta e não podemos desatá-lo por força das circunstâncias! Ou, pior ainda, quantas vezes nos mostramos indiferentes diante das maiores atrocidades! A rotina diária deixa nossa visão de mundo bastante opaca. No dizer de Otto Lara Resende, o hábito "suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Só a criança e o poeta têm os olhos atentos para o espetáculo do mundo." No entanto, a superação dessas barreiras pode ser bastante prazerosa, já que o prazer não é uma dádiva e sim uma conquista. Conquista essa que podemos obter por meio da escrita, caminho eficaz para esse desvendamento de nós mesmos e do mundo. Para escrever, portanto, não necessitamos de inspirações divinas ou de técnicas e receitas mas de um olhar curioso, esperto e liberto de preconceitos e de padrões preestabelecidos. Só assim morderemos a isca.”

(MOURA, Chico. AGENDA DO PROFESSOR. São Paulo: Ática, 1994.)

Vide verso

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06. Identifique a função sintática dos elementos destacados no seguinte período do texto:

“PARA ESCREVER, portanto, não necessitamos de inspirações DIVINAS ou de técnicas e receitas, mas de um OLHAR curioso, esperto e liberto de PRECONCEITOS e de padrões preestabelecidos.”

Para escrever:

divinas:

olhar:

preconceitos:

07. Identifique a alternativa em que todos os termos grifados são pronomes:

a) Um só aluno não nos prestou nenhuma colaboração.

b) Quem a ajudará a alcançar todo o sucesso?

c) Aquele ao qual se entregou o prêmio ficou muito feliz.

d) Todos os que ajudam são nossos amigos.

e) N.d.a.

08. “Unamos agora os pés e demos um salto por cima da escola, a enfadonha escola, onde aprendi a ler, escrever, contar, dar

cacholetas, apanhá-las, e ir fazer diabruras, ora nos morros, ora nas praias, onde quer que fosse propício a ociosos.

Tinha amarguras esse tempo; tinha os ralhos, os castigos, as lições árduas e longas, e pouco mais, mui pouco e mui leve. Só

era pesada a palmatória, e ainda assim

velho mestre, ossudo e calvo, me incutiu no cérebro o alfabeto, a prosódia, a sintaxe, e o mais que ele sabia, benta palmatória, tão

praguejada dos modernos, quem me dera ter ficado sob o teu jugo, com a minha alma imberbe, as minhas ignorâncias, e o meu espadim, aquele espadim de 1814, tão superior à espada de Napoleão!”

Ó palmatória, terror dos meus dias pueris, tu que foste o compelle intrare* com que um

*compelle intrare: expressão latina que significa obriga a entrar.

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

09. Em “

a) advérbio;

a

enfadonha escola, onde aprendi a ler

b) preposição;

”,

a palavra onde classifica-se morfologicamente como:

c) conjunção;

d) pronome;

e) substantivo.

10. Identifique a função sintática das seguintes expressões, transcritas do texto:

a) dos modernos (linha 7)

;

b) a ociosos (linha 3)

;

c) esse tempo (linha 4)

;

d) Ó palmatória (linha 5)

;

e) terror dos meus dias pueris (linha 5)

(Ufmg)

O JOGO DAS LETRAS

“Nunca podemos recuperar totalmente o que foi esquecido. E talvez seja bom assim. O choque do resgate do passado seria tão destrutivo que, no exato momento, forçosamente deixaríamos de compreender nossa saudade. Mas é por isso que a compreendemos, e tanto melhor, quanto mais profundamente jaz em nós o esquecido. Tal como a palavra, que ainda há pouco se achava em nossos lábios, libertaria a língua para arroubos demostênicos, assim o esquecido nos parece pesado por causa de toda a vida vivida que nos reserva. Talvez o que o faça tão carregado e prenhe não seja outra coisa que o vestígio de hábitos perdidos, nos quais já não nos poderíamos encontrar. Talvez seja a mistura com a poeira de nossas moradas demolidas o segredo que o faz sobreviver. Seja como for - para cada pessoa há coisas que lhe despertam hábitos mais duradouros que todos os demais. Neles são formadas as aptidões que se tornam decisivas em sua existência. E, porque, no que me diz respeito, elas foram a leitura e a escrita, de todas as coisas com que me envolvi em meus primeiros anos de vida, nada desperta em mim mais saudades que o jogo das letras. Continha em pequenas plaquinhas as letras do alfabeto gótico, no qual pareciam mais joviais e femininas que os caracteres gráficos. Acomodavam-se elegantes no atril inclinado, cada qual perfeita, e ficavam ligadas umas às outras segundo a regra de sua ordem, ou seja, a palavra da qual faziam parte como irmãs. Admirava-me como tanta modéstia podia coexistir com tanta magnificência. Era um estado de graça. E minha mão direita que, obedientemente, se esforçava por obtê-lo, não conseguia. Tinha de permanecer do lado de fora tal como o porteiro que deve deixar passar os eleitos. Portanto, sua relação com as letras era cheia de renúncia. A saudade que em mim desperta o jogo das letras prova como foi parte integrante de minha infância. O que busco nele na verdade, é ela mesma: a infância por inteiro, tal qual a sabia manipular a mão que empurrava as letras no filete,

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onde se ordenavam como uma palavra. A mão pode ainda sonhar com essa manipulação, mas nunca mais poderá despertar para realizá-la de fato. Assim, posso sonhar como no passado aprendi a andar. Mas isso de nada adianta. Hoje sei andar; porém, nunca mais poderei tornar a aprendê-lo.”

(BENJAMIN, Walter. RUA DE MÃO ÚNICA. São Paulo: Brasiliense, 1978)

11. Leia atentamente os fragmentos do texto "

"O choque do resgate do passado seria tão desastroso QUE, no exato momento, forçosamente deixaríamos de compreender nossa saudade." "Tinha de permanecer do lado de fora. Tal como o porteiro QUE deve deixar passar os eleitos." "Mas é por isso QUE a compreendemos, e tanto melhor " "Talvez o que o faça tão carregado e prenhe não seja outra coisa QUE o vestígio de hábitos perdidos

a) TRANSCREVA os fragmentos nos quais os termos destacados desempenham a mesma função sintática.

b) NOMEIE essa função.

para cada pessoa há coisas QUE lhe despertam hábitos mais duradouros

"

"

(Unesp)

“Aquele pastor amante, Que nas úmidas ribeiras Deste cristalino rio Guiava as brancas ovelhas;

Aquele, que muitas vezes Afinando a doce avena, Parou as ligeiras águas, Moveu as bárbaras penhas;

ALTEIA

Sobre uma rocha sentado Caladamente se queixa:

Que para formar as vozes, Teme, que o ar as perceba.”

(in POEMAS de Cláudio Manuel da Costa. São Paulo:

Cultrix, 1966, p. 156)

13. Levando em conta que as três estrofes citadas constituem num período completo:

a) Aponte a função sintática de "Aquele pastor amante".

b) Classifique a oração integrada pelos versos: "Aquele pastor amante,", "Sobre uma rocha sentado" e "Caladamente se queixa."