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O Trabalho Alienado

Arte Multimédia*

FBAUL 2010

Resumo:

É explorado o conceito de «Trabalho Alienado» analisado por Marx na sua obra Manuscritos Económico Filosóficos. Serão enunciados os principais conceitos da obra e mostrar-se-á como a sociedade capitalista altera a vida do homem. Palavras chave: alienação, trabalho, homem.

Introdução:

Neste trabalho expõem-se as principais noções problematizadas por Karl Marx em relação ao «Trabalho Alienado». Marx analisou na obra de Hegel a teoria da alienação. Assim sendo, inicia-se o presente trabalho com uma breve comparação entre a teoria da alienação nestes dois autores. Depois disso, será exposta a maneira como o trabalhador se relaciona com o seu objecto de trabalho e também como se torna alienado do produto através do sistema capitalista. Por fim, será mostrada a forma como o trabalho alienando leva a outros tipos de alienação, sobretudo à alienação do homem em relação à sua vida e à alienação do homem relativamente ao homem.

Desenvolvimento:

Marx encontrou na Fenomenologia do Espírito, de Hegel, a noção filosófica de alienação mas desde logo lhe deu um novo sentido: um sentido concreto, prático e humano. O termo alienação é usado pela primeira vez por Hegel, mestre de Marx. Na teoria hegeliana é a Ideia que se aliena e o Homem apenas se aliena como suporte da Ideia, sendo esta puramente espiritual. Para Hegel a Ideia aliena-se nas «coisas»: primeiro nas coisas, em seguida no Homem e, por último, nas mais variadas obras do Homem, sobretudo nas materiais. O objecto, o corpo e o produto são sempre o inimigo, ou seja, a realização do Homem em obras e produtos é ao mesmo tempo a separação de si próprio (Lefebvre, 1966,

155/156).

Hegel faz uma leitura positiva do trabalho no seu livro Fenomenologia do Espírito na passagem “O Senhor e o Escravo”, conseguindo este último a liberdade através de todo o conhecimento que tem da Natureza devido a todos os trabalhos que realizou para o

Senhor e faz com que o Escravo progrida e evolua. Assim, o trabalho surge como a

expressão da liberdade reconquistada pelo escravo.

Marx retoma esta temática hegeliana mas critica a visão optimista que Hegel tem

do trabalho ao mostrar como o produto gerado surge como um ser estranho ao produtor e

que não mais lhe pertence. Ele utiliza pela primeira vez a expressão “Trabalho Alienado”

ao aperceber-se da sociedade capitalista e da economia política que estava então a surgir na

sua época.

O conceito de alienação tem para Marx um sentido pejorativo e é utilizado para

designar um conjunto de circunstâncias em que o homem não se reconhece a si próprio, em

que se perde de si. Para ele, a alienação no trabalho é a principal forma de alienação que

confina o operário à fábrica, retira da posse dele o produto do seu trabalho e leva à

exploração do homem pelo seu semelhante.

A sociedade capitalista leva à desumanização do homem devido à forma alienada

como produz e, consequentemente, ao empobrecimento, à miséria e ao embrutecimento

espiritual e material do trabalhador.

O trabalhador torna-se tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e em extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria tanto mais barata, quanto maior numero de bens produz. Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção directa a desvalorização do mundo dos homens. O trabalho não produz apenas mercadorias; produz-se também a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e justamente na mesma proporção com que produz bens (Marx, 1844/1993, 159).

Com este excerto, Marx demonstra como os produtos realizados pelo trabalhador

estão inversamente proporcionais à sua condição e valorização como ser humano. Ou seja,

quanto mais riqueza produzir, mais o trabalhador se desumaniza, convertendo-se o próprio

homem em mercadoria. Assim sendo, o objecto produzido aliena-se do trabalhador,

tornando-se num objecto estranho e independente deste. O trabalho do produtor fixa-se no

objecto e este transforma-se em coisa física (“objectivação do trabalho”). Desta forma, “a

realização do trabalho aparece na esfera da economia política como desrealização do

trabalhador” (Marx, 1844/1993, 159). Entende-se assim que a mercadoria adquire um valor

superior ao Homem, já que se privilegiam as relações entre as «coisas», e que vão definir

relações materiais entre as pessoas.

Para Marx, “o trabalhador nada pode criar sem a Natureza” (Marx, 1844/1993,

160), sem o mundo exterior sensorial. É nesta que surge o trabalho, onde este se realiza, ou

seja, com a qual e por meio da qual ele produz coisas. É ainda nela que o trabalhador existe

fisicamente. A Natureza torna-se, por isso, o resultado da acção transformadora do homem,

segundo os seus projectos. Nela o homem desenvolve as suas habilidades e imaginação,

conhece as suas forças e limitações e aprende a desfiá-las. Portanto, se por um lado a

Natureza se apresenta ao Homem como destino, será, mais tarde, a razão da sua angústia

Assim, quanto mais o trabalhador apropria da natureza sensorial pelo seu trabalho,

tanto mais se despoja de meios de existência: primeiro, o mundo exterior sensorial

converte-se cada vez menos num meio de existência de seu trabalho; segundo, torna-se

cada vez menos um meio de existência na acepção directa. Assim sendo, o trabalhador

torna-se escravo do objecto pois vive porque tem trabalho e trabalha para receber meios de

subsistência. “Deste modo, o objecto capacita-o para existir, primeiramente como

trabalhador, em seguida, como sujeito físico(Marx, 1844/1993, 160). A escravização

atinge o seu apogeu na medida em que o sujeito físico só o é “enquanto trabalhador e só é

trabalhador enquanto sujeito físico(Marx, 1844/1993, 160). Ou seja, se não trabalhar não

recebe meios de subsistência e não pode assegurar a sua existência física, por outro lado, se

não a assegurar, não trabalha.

Chega-se à conclusão de que o homem (o trabalhador) só se sente livremente activo nas suas funções animais comer, beber e procriar, quando muito, na habitação, no adorno, etc. enquanto nas funções humanas se vê reduzido a animal. O elemento animal torna-se humano e o humano animal (Marx, 1844/1993, 162).

Existe, assim, uma inversão entre actividades humanas e animais no próprio

Homem. Comer, beber e procriar são também actividades humanas, embora, comparadas

com outras actividades, torna-as, em última análise, funções animais.

“O homem é um ser genérico” (Marx, 1844/1993, 163), não apenas no sentido em

que é ele que faz a comunidade, é ele que cria os seus objectos com a sua criatividade e

habilidade, mas também no sentido em que se a si próprio com espécie viva, universal e,

consequentemente, livre.

O homem vive da natureza como parte de si, do seu corpo. Já os objectos

científicos e artísticos devem entender-se como prazer e continuidade. A natureza é o

próprio corpo do homem e, como tal, ele deve garantir o seguimento da sua relação para

garantir a sua própria vida. Esta é interdependente, pois interrelaciona[-se] consigo

mesma, já que o homem é uma parte da natureza(Marx, 1844/1993, 164).

O trabalhador encontra-se alienado da sua vida no geral. O trabalho faz com que as

pessoas se alienem da natureza e de si próprias. A sua actividade surge então como motivo

de sofrimento: o homem tem de trabalhar para existir mas o trabalho obriga-o à alienação.

“A vida revela-se simplesmente como meio de vida(Marx, 1844/1993, 164). O trabalho

passa a ser a única forma de existência física.

A actividade vital é o que distingue o homem dos animais pois é um ser genérico e

consciente que tona a sua actividade vital num objecto. O homem produz mais do que

aquilo que necessita, produz mesmo “quando se encontra livre da necessidade física e

produz verdadeiramente na liberdade de tal necessidade” (Marx, 1844/1993, 165), o

homem produz universalmente e para toda a natureza, produz aquilo que deseja e cria

padrões de beleza. Esta é a forma como o homem se mostra verdadeiramente como um ser

genérico: não se reproduz apenas intelectualmente, mas também activamente. Assim, ao

ver o mundo por ele criado, o homem aliena-se completamente e transforma tudo aquilo

que cria, a sua vida numa simples existência, em meio de vida.

A alienação modifica a consciência que o homem tem da própria espécie, sendo o

trabalho a capacidade que o homem tem de criar coisas, de transformar a natureza, torna-se

afinal numa forma individual de satisfação das necessidade se subsistência (Marx,

1844/1993, 166).

Uma das consequências do trabalho alienado que surge no trabalhador é a alienação

do seu próprio corpo, da sua vida e da visão que ele tem da natureza, tornando-as num ser

estranho. O trabalho alienado altera ainda a relação entre os homens, levando à alienação

do homem relativamente ao homem(Marx, 1844/1993, 166). Esta relação surge quando o

homem alienado no seu trabalho se confronta com outros homens também alienados.

Então, um trabalhador encontra-se alienado de outro dado que esse outro também se

encontra alienado do seu trabalho. Dessa forma, olham de uma maneira alienada para o seu

trabalho e para o dos outros. Ou seja, o que sentem em relação ao seu trabalho e ao seu

produto é o mesmo que sentem quando olham para o trabalho e para o produto dos outros.

De um modo geral, a afirmação de que o homem se encontra alienado da sua vida genérica significa que o homem está alienado dos outros, e que cada um dos outros se encontra igualmente alienado da vida humana (Marx, 1844/1993, 166).

Conclusão:

Desta forma, conclui-se que o trabalho alienado separa o homem de tudo o que é seu, tendo como consequência a sua total desumanização, já que a mercadoria adquire valor superior ao homem, sendo este transformado também em mercadoria. Para Marx, o trabalho tem a função de possibilitar o desenvolvimento das potencialidades humanas. Além disso, o próprio mundo do ser humano é construído

através da sua relação, pelo trabalho, com a natureza. Assim sendo, o trabalho é essencial ao capitalismo e impede o desenvolvimento do ser humano enquanto tal. A sociedade capitalista obriga a uma transformação do homem, uma inversão entra as funções humanas

e animais, ao embrutecimento e angústia do próprio ser humano, influenciando a visão que

o homem tem do mundo e da sua vida genérica. A alienação torna-se universal quando o homem alienado se confronta com outros homens também alienados e é de uma forma alienada que olham para o seu trabalho e para o trabalho dos outros.

Referências:

Lefebvre, H. (1966) Para Compreender o Pensamento de Karl Marx. Lisboa, Edições 70. Marx, K. (1993) «O Trabalho Alienado» in Manuscritos Económico Filosóficos. Lisboa: Ed. 70.