Вы находитесь на странице: 1из 1

SANTO BACKUP!

O que acontece quando "crasha" o agadê

- por Carlos Alberto Teixeira (O Globo – Revista Digital – 2008-09-08)


- foto: Luciana de Moraes

Quem tem computador em casa ou usa-o no trabalho sabe que, depois do processador e da memória
RAM, que são a parte pensante da máquina, o componente mais nobre é o agadê, vulgo HD (hard disk =
disco rígido). É nele que ficam gravados suas fotos, documentos, vídeos, emails, ou seja, tudo.

Um dos mais aterrorizantes ruídos que a leitora poderá um dia ouvir é o de seu agadê "crashando", ou
seja, quando as cabeças aterrissam. E como se dá tal tragédia?

Como se sabe, um disco rígido não é como um LP de vinil, em que uma agulha encosta no disco rodante
posicionada dentro de um sulco, lendo rugosidades para recuperar os sons gravados.

Na verdade nem existe propriamente uma agulha no HD, mas sim cabeças de leitura e gravação que voam
bem pertinho de cada superfície gravada, a uma distância mínima de 3 nanômetros, ou seja, 3
milionésimos de milímetro. São essas cabeças que lêem e registram minúsculos tracinhos magnéticos que
ficam sobre os pratos metálicos no interior do dispositivo.

Um HD típico é composto de uma carcaça lacrada dentro da qual dois ou três desses pratos paralelos
giram loucamente. As cabeças de "read/write" flutuam sobre uma camada finíssima de ar no espaço
interno da unidade, quase totalmente isento de partículas, poeiras e detritos quaisquer.

Quando, por algum motivo, uma ou mais cabeças tocam nas superfícies, ocorre o que se chama "crash" de
disco. É um evento catastrófico que, em geral, corrompe grande parte dos dados do HD.

E o barulho de um crash... ah, esse dói no mais profundo recôndito da alma. É um guincho baixo e bem
fino, metal contra metal, prenunciando a morte de talvez centenas de de gigabytes numa fração de
segundo.

Há poucos dias deu um crash desses na minha máquina, num HD Maxtor de 250 GB. Graças à prudência,
eu tinha um backup atualizado, ou seja, não perdi um byte sequer. Assim, o hediondo ruído do crash não
me pareceu tão terrível como poderia ter sido.

Algumas empresas conseguem recuperar parte dos dados de um HD crashado, mas cobram uma baba para
isso. No meu caso, como estava safo pelo backup, dei o disco como morto e aproveitei para abri-lo, o que
sempre constitui uma experiência fascinante.

Pra começar, é preciso ter um jogo de chaves Torx para retirar os parafusos de um HD. Diferente do
parafuso retirável com chave de fenda comum ou com chave Phillips, o parafuso Torx tem na ponta um
padrão estrelado com seis vértices. Onde encontrar chaves Torx? Em lojinhas de eletrônica,
camelódromos ou emprestadas de algum amigo nerd.

Na hora de desaparafusar a carcaça, convém lembrar que um dos parafusos é coberto por uma etiqueta de
segurança, que pode ser retirada com qualquer faquinha ou ponta de metal.

Explorar as entranhas de um HD é um passeio pela alta-tecnologia. A precisão da usinagem da carcaça, a


exatidão da mecânica, a delicadeza da eletrônica... tudo isso é absolutamente admirável.

E o grande suvenir dessa viagem ao centro do HD são os fortes magnetos que tem lá dentro. A leitora não
encontrará facilmente por aí imãs tão poderosos e pequenos. São ótimos para fazer brincadeiras e mágicas
para as crianças.

Fora isso, é uma emoção ter nas mãos os três discos imaculadamente espelhados onde antes ficavam seus
arquivos tão queridos.

E como na Natureza nada se perde, estou passando uns tempos fazendo a barba no chuveiro, usando os
discos como espelho.

Оценить