Вы находитесь на странице: 1из 41

Nome: - - -- -- - ------ - -- --

Escola: -- --- -- - - -- ---- - --

Carola) aluno(a),

Este Caderno apresenta temas de Sociologia relacionados à diversidade social brasileira. Neste momento, você será convidado a desenvolver um olhar crítico

segundo a sua realidade cotidiana, apoiado em discussões conceituais e informa- ções de pesquisas sobre a diversidade social brasileira, tanto em âmbito nacional quanto regional .

Dando seguimento ao tema central deste Caderno, você vai se deparar com os

conceitos de imigração e migração, e com a questão do estrangeiro. Por fim, serão abordados a formação da diversidade e os conceitos de assimilação e aculturação .

Com isso, esperamos que essa temática traga elementos para que você se sensi- bilize com as tensões decorrentes dos encontros próprios da diversidade brasileira.

Todos esses temas aqui presentes exigem que você dedique atenção às palavras

do professor de Sociologia, proceda à leitura dos textos - os que estão disponíveis neste Caderno e outros que o seu professor julgar necessários - e realize com cui- dado as atividades propostas. Lembramos que a Sociologia, como qualquer outra disciplina, exige dedicação e esforço cotidiano pata seu aprendizado.

Bom estudo!

Equipe Técnica de Sociologia

Á r ea de Ciências Humanas

Coordenado ria de Estudos e Normas Pedagógicas - CENP Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

S oc io lo gia - 2 ª séri e - Volwn e 1

SITUAÇAo DE APRENDIZAGEM 1

, A POPULAÇAo BRASILEIRA:

DIVERSIDADE NACIONAL E REGIONAL

Neste primeiro Caderno estudaremos a questão da diversidade nacional, que, como veremos, pode ser e x pressa de dif e rente s formas.

Iniciaremos nossa reflexão considerando a dive r sidade m u sical de nosso país com a leitura e discussão da música Paratodos, de Chico Buarque.

Muitas composições de Chico Buarque têm como t e m as p re-

diletos as questões típicas dos seres humanos: o amor , as p er das, as

paixões, a tristeza e a saudade, entre outros. Ele também

muitas letras sobre o Brasil e a realidade nacional, e tanto fez c rí ticas

como elogios ao nosso país. Paratodos, por exemplo, expressa a diversidade de estilos e de pessoas ligadas à música b r asileir a, a lém de abordar a diversidade que pode existir dentro de cada um de nós e que aparece na primeira estrofe.

escr ev eu

Copie no espaço a seguir a letra da música Paratodos.

Leitura e Análise de Texto

Paratodos

3

C h i c o B u a r q u e de H o land a .

So ciologia - 2ª s é rie - V o l um e 1

~

1

a

) Z ez é Di Camar g o e Luciano ; b) Jair Ro dri g u e s ; c ) Rob e rto Car l o s, d ) G i l b e rto G il; e ) Z eca Ba l eiro .

4

S oci o logia - 2i ! série - Volume 1

• Com base na le i tura da letra da música, escreva:

1. O nome dos cantoresías) e co r npositoresfas) que você conhece e que são citados.

2. A cidade e o Estado de nascimento d e les.

3. O estilo de música que esses músicos cantam ou compõem .

4. Elabore uma lista com os mesmos dados (nome, ci d ade e Estado de nasc i mento

música) dos cantores que aparecem nas foto s .

5

e estilo de

Soci o l og i a - 2a série - V o l ume 1

PESQUISA INDIVIDUAL

• Você sabe o nome do Estado e d a c i dade de nascimento de seus cantores prediletos? Faça uma pequena pesquisa sobre e les e descubra um pouco mai s a respeito da diversidade na c ion a l .

Exercício

1 . Como afirmamos anteriormente ,

a di v er s idade so c ial brasileira pode s er expressa de diferen-

tes formas . Veja nas imagens, a seguir , como h á uma grande diversidade não só entre as regiões , mas até em um mesmo município. E s c reva um pequeno texto com e ntando as diferenças que

você observou .

6

Sociologia - 2ª série - Volume 1

-

A v enida Brigad e iro Faria Lima com Avenida Cidade Jardim, São Paulo , SP de z/200 7.

7

Sociologia - 2ª série - Volume 1

~ gr-----------------~

2;

o!:

~

V i sta p anorâm i ca d a cidade de T i radentes, Minas Ge r a i s.

Per i feri a d a c i da d e d e São P aul o, 20 0 6 .

Nosso objetivo é discutir essa diversidade soci a l usando também as tabe l as apresentadas a seguir, que contêm dados a respei t o das condições de vida da população: rendimento, acesso à educação, ao s aneamento e à energia elétrica , pa r a o Brasil e as grandes regiões (Norte, Nordeste, Centro - Oeste, Sudeste e Sul ) . Anote as explicações de seu p r ofesso r para cada uma das tabelas a segu i r.

8

Socio l ogia - 2ª séri e - Vo lume 1

1 . F a míli as p o r c l asses de rendimento médio m e n s a l familiar

 

F

a m í lias por cl a sses de rendimento médio mensal famil i ar (%) - 1999

Br a sil e Grandes Regiões

 

Mais de

 

t ' 2

A

,.,;;e.,

Mais de

Ma i s d e 5

1

0 a20

Ma i s de

Sem

sm * \

2

a5sm

al 0s m

20sm

Rendimento

'- ~ )

 

s m

B

r as il '

27,6

 

32,2

1 8,6

9,9

5,9

3,5

N ort e'

29 , 2

34,9

17,0

8,6

4,3

5 , 4

No r deste

47,5

2 9 ,7

9,2

4 , 4

2 , 7

4,2

S udeste

17,7

32, 2

23,5

13 , 0

7, 8

3, 1

 

S u l

22 , 2

34,5

21 ,7

11 , 3

6 , 4

2,6

Cen tr o - Oeste

26 ,7

35,0

1 7, 9

9 , 2

6 , 5

3,4

1 E x c l u s i v e a p o pu l açã o ru ra l de Rondônia , Ac r e, Am azo n as, Ror a i ma, P a r á e A map á. 2 E x c lu s i v e a p op u l ação ru ra l .

F o nt e : Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1999 [CD-ROM}.

Micro d a do s . R i o de Jane i ro: I BGE, 2000.

9

* s m : s a l ários m í nim os.

J

~

So c i o lo gia - 2ª série - Volume 1

2. Ed u caçro - Taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade (por sexo)

~. te ': ~~~ . rio < hiS

Brasil e Grandes Regiões

p esso ; "de 1 5 ; m os Ó? ma i s de id a, d e (%);tm'\!'~

Tota l

Homens

Mulheres

BrasiF

13,3

13,3

Norte?

11,6

11,7

N

o rdes t e

26,6

28,7

Sud e st e

7,8

6,8

 

S

u l

7,8

7,1

Centro - Oeste

10,8

10,5

13,3

11,5

24,6

8,7

8,4

11,0

1 Exc lu s i ve a p o pul açã o r u r al de Rondô ni a, Acre, Amazonas, Ro r a ima, Pa r á e A m a p á. 2 Exc lu s i ve a po pul ação rur a l .

F on t e: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1999 [CD-ROM). Microda d os . R i o de J an e iro: IBGE, 2000 .

10

S oci ol o g i a - 2 ª s ér i e - V ol u me 1

3. Sa n eamento e luz el é trica - Domicílios por condição de saneamento e luz e l é tr ica

B r asi l e

G r a ndes

R egiões

. Ág u a can a

lizada

e rede geral de

distribuição

Esgoto e fossa séptica

Lixo coletado

L u z e l étr i ca

BrasiP

Norte"

Nordeste

Sudeste

Sul

Cen t ro - Oeste

76,1

61 , 1

58,7

87,5

79,5

70 , 4

52,8

14,8

22,6

79,6

44,6

34,7

79,9

81 , 4

59,7

90 , 1

83,3

82,1

94,8

97,8

85,8

98,6

98, 0

95, 0

I Exc l usi v e a popu l ação rural de Rondônia, Acre , Ama z on a s, Roraima , Pará e Amapá. 2 E x c l u s ive a popu l a ç ão ru r a l .

Fonte: Pesqu i s a N a cio na l por Amos t ra de Domi c íl i os 1999 [ C D-ROM ) . Mic r odados. Rio de J a neiro: IB G E , 2000 .

1 1

S o c io lo gi a - 2 ª s é r i e - V olume 1

Procure esses mesmos dados ou outros semelhantes, sobre a sua cidade. Essas informações podem ser obtidas no site de sua prefeitura, no da Fundação Seade : <http://www.seade.gov.br> ou no do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): <http: / /www . ibge.gov.br>. A

Fundação Seade é o órgão do governo do Estado de São Paulo responsável por pesquisar e analisar os principais dados estatísticos do nosso Estado. Possui os dados mais abrangentes e diversificados sobre os municípios paulistas. Já o IBGE é responsável por pesquisar sobre o Brasil . Caso você more perto da prefeitura de sua cidade, não custa nada dar uma passadinha lá para conversar com

os funcionários

e conseguir os dados pessoalmente. (Acessos em: 21 out. 2010).

No espaço a seguir, você pode anotar os dados mais relevantes de sua pesquisa e fazer uma análise crítica.

1 2

So ciol og i a - 2ª sé r i e - Vo lume 1

r----------------- ~

I

I

I

l------------------------------------

1 3

Soci o l ogi a - 2 ª séri e - V ol ume 1

VOCÊ APRENDEU?

>

• Para verificar se realmente aprendeu o que seu professor trab a lhou em s a la , responda:

1. Em termos de rendimento médio mensal familiar, qual é a região que tem a maior porcenta- gem de famílias com menor rendimento médio mensal, e qual é a que possui a maior porcen- tagem de famílias com maior rendimento médio mensal?

2. P e los dados das famílias cujos ganhos variam de mais de 5 a 10 sm, qual é a região que m a i s s e aproxima da média na c ional?

3. Em r e lação à ta x a de analfabetismo , qual é a região que apresenta , em termos médios, as taxas mais alta s ? E qual apresenta as taxas mais baixas?

4. O que pode ser dito a respeito da taxa de ana l fabetismo segundo o sexo das pessoas?

14

S ocio l ogi a - 2 ª s é rie - Vo l u m e 1

5. S eg und o os indicadores das con d ições de san e amento (água can a lizada e rede geral d e dist r i -

bu i ção , e sgoto e fossa séptica e lixo co l etado ) e lu z e létrica, quais são as regiõ e s q ue est ão em

me lh o r sit u ação e qual está em p i or ?

6. A s itu a ç ão bras il eira quanto ao Expliq u e s u a respos t a .

acesso a saneamento

APRENDENDO A APRENDER

básico é a mesma pa r a t o d as as r e g i õ e s?

T e r consciênci a da diversidade social brasileira é impor t ante para todos nós . Mu i tas

vezes, a grande diversidade que existe entre r e gi õ e s ou no inter i or de uma mesma região é enco be r t a p e l os dado s e s tatísticos. Uma forma de tomar co n sci ê ncia disso no nosso dia a

d i a é prestar atenção na s tab e l as que são colocadas nos jornais

c o nvé m sempre verificar as diferença s para mai s e para menos nos dados das dif e r ent es

r e giõ e s do país em r e lação

me sm a região, ou mesmo no inter i or de um E s tado ou cidade.

e revi s tas. A part i r del a s,

Es t ados para um a

à média nacion a l ,

ou entre diferentes

15

Sociologi a - 2ª séri e - Volume 1

r

I

~

PARA SABER MAIS

I

Gos tou de co nh ecer u m po u quinho melhor o no sso país? Quer saber mais? Acesse o site

d a pre fe i t ura de sua c idade o u o da Fundação Seade : <http :// www.sea d e . gov . b r > ou o

do I BGE : < htt p: // www . ib ge . gov.br>. N e l es você e ncontrará mu itas i n form aç ões. A Fun d ação Seade é o órgão responsá ve l p e la elaboração das prin c ipais pesq u isas est atísticas para o nosso E stado. J á o IBGE é respon s á v e l p e lo s dados estatí s ticos para todo o Brasil. No sitedo IBGE tem uma seção dedicadaa v oc ê -o IBGE teen.Acesso s em: 21 ou t . 2010.

I

l

Gos t ou da música de Ch i co Bu a rq u e? Você encontrará m a is informações sobre este co mp ositor, no site. Disponív e l e m: <h tt p: // www . chicobuarque . com.br> . Acesso em: 23 set. 2010 .

~_~""""""",,,,,,,,,,,,,==

o que eu aprevcd!

16

~~)

-

I

I

I

I

I

Sociologia - 2ª série - Volume 1

o que eu apreod!

17

Socio l og i a - 2ª séri e - Vo lume 1

G SITUAÇAo DE APRENDIZAGEM 2 I, . O ESTRANGEIRO DO PONTO DE VISTA SOCIOLÓG I CO

Nesta Situação de Aprendizagem o objetivo é estabelecer uma reflexão sobre a migração no B r asil a partir de uma reflexão sobre a própria família. Quase todos nós somos descendentes de estrangeiros, sejam eles asiáticos, africanos ou europeus. Dificilmente um jovem terá apenas antepassados i nd í genas. O Brasil é um país de grande miscigenação. Para verificar isso, organizem-se em grupos e troquem informações a respeito de suas respectivas famílias no que se refere à migração.

Emigrante: Que ou quem emigra; emigrado.

Emigrar: Deixar um país para estabelecer-se em outro. Sair (da pátria) para residir em outro país .

Imigrante: Que ou pessoa que imigra.

Imigrar: Entrar (num país estranho) para nele viver.

Migrante: Que ou quem migra.

Migrar: Mudar periodicamente ou passar de uma região para outra, de um país para outro.

Dicionário Au r élio da Língua Portuguesa. 5. e d. Versão em CD-ROM.

Curitiba: Positivo , 2010.

Eis um roteiro para a sua discussão em sala. Não se esqueça de anotar as respostas no seu Caderno:

• A minha família já migrou, emigrou ou imigrou?

• Há quanto tempo ela está aqui (bairro, cidade, país)?

• O que eu sei sobre o passado da minha família?

18

Socio l ogia - 2 ª série - Volume 1

Depois, conte para os colegas do próprio grupo o que você sabe sobre sua família.

I l Georg Simmel

Muitos são os autores que tratam o tema da migração, imigração e emigração. Um deles foi o so c iólogo alemão Georg Simmel (1858-1918). Ele discutiu especificamente a figura do estrangeiro e sua r e lação com o novo grupo. Para Simmel, o estrangeiro não era o simples viajante .

,

,~----------------------------------------------------------------~

1. Você pode explicar quem foi Simm e l? Aproveite para anotar no espaço a seguir o que seu pro- fessor diz sobre a vida de Simmel .

2. Para Simm e l, qual é a diferença entre o estrangeiro e o viajante?

1 9

Sociologia - 2ª séri e - Volume 1

3. Se gu ndo e le, os estrangeiros são sempre v isto s como parte do grupo?

Leitu r a e Análise d e Texto e Imagem

No Brasil , a t é 1850, m a is Important e

do que a i migr a ção estrangeira espontânea

n a c omposição d o povo brasileiro, fo i a cheg a da forçada de m il hões de af r i canos. O perfil da

im i g r ação no no ss o país va r iou com o passa r do t e mpo , mas a maioria dos imigran te s veio da I tá l ia, Espan h a e Portugal , portan t o , do sul da Europa . Vária s são as questões q u e vêm à

nossa

mente quando di s cutimos o t e rna da mig ração, corno : Po r que as p e ssoas m i gram ?

E ntr e tantas nações , por que muitos escolheram o Brasil? Será que aqui encontraram o que

esperavam? O q ue e les pensavam sobr e o Brasil?

Os t ext os e imagens a seguir no s ajudarão a refletir a ess e respeito.

It a l i a n o s r ecé m - c h eg a d os à H os p e d ar ia dos I migra nt es , Sã o Pa ul o , ca . 19 00 .

20

Sociologia - 2i! série - Volume 1

Im a gem d e pa ssaporte d e família de imi gra ntes .

I

I

Colon i zaçáo a l e má: colônia Sant a I s abel ( E S) - atu a l munic ípio d e Domingos Martins, ea. 1870.

Texto 1

"Por que as pessoas migram? Eis uma pergunta tradicional que nunca recebeu uma resposta completa, mas que deu ensejo a muitas publicações e debates. A questão básica envolve o peso dos fatores de expulsão ou de atração e a maneira como se equilibram . Para começar, deve - se dizer que a maioria dos migrantes não deseja abandonar suas casas nem suas comunidades. Se pudessem escolher , todo s - com exceção dos poucos que anseiam por mudanças e aventuras - permaneceriam em seu s loc a i s de or i gem. A migração, portanto, não começa até que as pessoas descobrem que não conseguirão sobreviver com seus meios tradicionais em suas comunidades de origem. Na grand e maioria do s casos, não logram

2 l

Soc i ologia - 2ª série - Vol u me 1

perm a necer no loc a l porque não têm como alimentar- s e nem a si próprias nem a seus f ilhos. Num número menor de casos, d á -se a migração ou porque as pesso as são perseguidas por

s ua nac ionalidade - como as minor i as dentro de uma cultura nacional maior - ou seu credo

religioso minoritário (dos judeus aos menonit a s e aos d i ssid e ntes da Igreja russa or t odoxa) é a tacado p e lo grupo r e ligioso dominante.

Uma vez que as condições econômi c as constituem o fator de expulsão m a is important e,

é essen c ial saber por que mudam

p e lo agravamento da s ituação crítica que afeta a capacidade potencial dos emig r antes de

as condições

e quais

são os fatores responsáveis

e

nfrent á -Ia. Ne s sa fórmul a , três f a tore s são dominantes:

o primeiro é o acesso à terr a e,

p

ortanto , ao a limen t o ; o s egundo , a va ri a ção d a produtividade

d a te rr a ; e o ter c ei ro, o

númer o de membros da fam í lia que precisam ser mantidos. N a primeira categori a estã o a s questõ e s que envo l vem a mudança dos direitos sobre a t er ra , suscitada vi a d e regra

p e la va riação da produti v idade das colheitas, c ausa da, po r sua v ez , p e la mo der ni z a çã o

ag rícola em r es post a ao crescimento

e X X - época em que chegaram à Amér ic a mai s de doi s terços do s migrante s -, o que d e

f a to c o ntava era uma combinação desses três f a tores. "

popula c ional. Nas grandes migra ç õ es do s s é culos XIX

KLE I N, H erb e r t S. Mig r a ção i n ter n ac i on a l n a hi s t óri a das Am é ri cas. In : FAUSTO , Bo r is . Fazer a América? A i migr aç ão em m ass a p a r a a Amér i c a L a t ina. Sã o P a u lo : Edu s p , 2000 . p. 1 3 -1 4 .

" Descri ç ã o da t e rr a de Co can h a, 160 6 " D is c ri tio n e dei paese di c u ccag na ( t e r r a da

fa rtur a ), t é c ni ca mi s t a d e " t orc hi o" (p r e n s a) e co l oração f in a l à mão , 1 6 0 6. In :

Cap a d o d i s c o Mé r ica, Méri ca = ca n t OS po p ul ares da imi graçã o i t a l i a n a .

r I

,

A

l egoria de 1606, que mo s tra o imaginário europeu s obr e a América , onde os r io s i I

são de ouro, as chu v a s são d e pérolas. N ess e lug ar, que m

s

ganh a mais é quem trab a lh a menos.

ão de vinho , as montanhas

Na Europa, era muito comum cantar músi c as que ena l tec i am as virtudes d o Br asil , como os dois pequenos trechos a seguir:

22

S oc io l ogia - 2ª séri e - V o l u me 1

"Vamos para a América

Naquele belo Brasil

Aqui ficam os nossos ricos senhores

A trabalhar a terra com a enxada

I [ ]."
I

L Mú s ica it a liana tirada de La grande Immigrazione, de E milio

r a n z in a. V en ez a : Mar s íli o E dir o ri , 19 7 6. p. 2 0 4.

F

-

Texto 2

"O carro já está em frente à porta,

Partimos com a mulher e filhar a da,

Emigramos para a terra prometida,

Ali se encontra ouro como a r eia.

Logo, logo estaremos no Brasil . "

Músi c a a l e m ã tir a d a d o liv ro O imigrante alemão, d e Ca rl o s F o uqu e t , S ã o P a ul o: In s tituto H a n s S t a d en , 19 7 4. p . 82 .

Esse era o imaginário a respeito da América que prevalecia na Europa desde o sécul o

d a

população camponesa de vários países europeus. É preciso, contudo , entender as condi ç ões vida dessa população em um continente que passava por muitas transformações deco r rente s

da transição da economia feudal para a economia capitalista, e do desenvolvimento da industrialização. Segundo Zuleika Alvim (Imigrantes: a vida privada dos pobres do camp o. In: NOVAIS, Fernando A . (Org.). História da vida privada no Brasil- República: d a Bell e Époque à Era do Rádio. São Paulo : Companhia das Letras, 1998. p. 219-220), em lin h a s gerais, podemos apontar os seguintes fatores para esse processo histórico :

d e

XVI e que, a partir de meados do século XIX, serviu de atrativo para grande parcela

1 . Concentração da terra nas mãos de poucos proprietários , expulsando os trabalhadore s rurais do campo;

2. Endividamento dos pequenos proprietários rurais devido às altas taxas de imposto s sobre a propriedade, o que levava à solicitação de empréstimos;

3. Dificuldade do pequeno proprietário de enfrentar a concorrência da oferta de produ t o s a preços inferiores por parte dos grandes proprietários;

4. Grande concentração dessa população expulsa do campo nas cidades, criando u ma reserva de mão de obra para a indústria nascente;

5. Impossibilidade de absorção, especialmente na Itália e na Alemanha, de todos e s ses trabalhadores pela indú s tria;

6. Acentuado crescimento demográfico, com a população europeia aumentando dua s vezes e meia;

7. Desenvolvimento tecnológico, com a máquina substituindo o trabalho do homem .

Entretanto, o sonho de "fazer a América" não era tão facilmente realizado. A vida dess e s imigrantes foi marcada, especialmente no seu início, por muito trabalho , dificuldades de adaptaçã o à língua, costumes e hábitos diferentes. Além disso, não só traziam consigo o s preconceitos do s

países de origem, como também sofriam preconc e itos, reproduzindo aqui as vi s ões negati va s qu e

opunham alemães do norte ao sul, italianos setentrionais a italianos meridionais, alemães a po-

loneses, italianos a japoneses (ALVIM, 1998, p. 269).

E l a b or ad o e s p e c i a lme nt e p a ra o São Paulo foz escola.

23

Sociologia - 2>1 série - Volume 1

• Com base na aula, nas imagens e na leitura dos textos responda as seguintes questões:

1. P o r que as p essoas migram?

2. Por q ue muitos ficam e não voltam?

24

S ociol ogi a - 2;; sér i e - Vo lu me

1

3. O que levou as pessoas a saírem da Europa? No texto 1, falou - se em perseguição, mas persegui- ção do quê? De quem? Você pode dar outros exemplos, além dos mencionados no tex t o, tendo em conta a situação de hoje?

J

Sugerimos que você continue a discussão sobre a família. Mas agora o grupo deve escolher uma única família, de um dos seus membros, para aprofundar o tema da migração, imigração e emigração. Faça, junto com os demais elementos do grupo, uma pequena pesquisa de campo com a família do aluno escolhido para compreender o tema da mudança. Juntos, entrevistem as pessoas que podem dar explicações sobre o passado da família: às vezes são os avós, os tios ou mesmo os pais. Enfim, construam uma narrativa da história de migração de uma fomília e apresentem para a classe.

• A seguir estão algumas sugestões de perguntas que poderão nortear sua pesquisa.

1 . Você sabe como se deu a emigração, a imigração ou a migração na sua família?

25

Socio l ogia - 2ª série - Vo l ume 1

2 . O que sabiatm) da cidade/Estado/ou país de destino?

3. Há quanto tempo estáíâo) no lugar (bairro, cidade , país)?

4. Ai nda se senteím) e s trangeiro(s)? Tem vontade de voltar?

5. pôde (puderam) voltar ao l ocal de origem? Se sim, como fo i essa volta?

6. sentiu (sen ti ram) vontade de voltar para o lugar de origem? Se sim , por q u e ficou (fica r am)?

26

Sociologia - 2 ª s érie - V olume 1

7. Por que voltou (voltaram) para o local de origem? (caso seja emigração)

r

Se no seu grupo n â o houver nenhum jovem cuja família tenh a se mud a do de pais , E s ta do ,

I

I

bairro ou cidade, você pode fazer a pesquisa escolhendo alguma família da vizinhança que não esteja há muito tempo na região .

)1

\~--~----------------------------------------'

VOCÊ APRENDEU?

1. Quem foi Georg Simmel?

2. Explique como ele a nalisou a figura do estrangeiro.

2 7

I

3 . Explique a partir pessoas dei x aram

S o cio l ogia - 2ª sé r i e - Vo l u me 1

da l e itura dos textos sobre emigração europeia, por que , de repente , muitas os campo s e foram morar na s c idades.

4 . C om base nas músicas cantadas na época da imigraç ão, nas fotos de imigrantes e na discu ss ão em sala , e x plique s e a imagem idealizada pelos europeus esta v a de ac o rdo com a realidad e a qu i en contrada.

28

Soc i o logia - 2ª série - Vo lume 1

APRENDENDO A APRENDER

Uma forma muit o gostosa d e saber mais é ir a u m museu. Em muitas cidades do Estad o de São Paulo há museus que contam a h i stória da imigração, como em Jundiaí , Holamb r a , Santa Bárbara D'Oeste, entre outras. Na s u a própria cidade, ou numa cidade vi z inha, pod e

e xistir um museu de imigração . Vale a pena visita -l os . A ci d a d e d e São Pau l o tem um muit o importante, que é o Memor i al do Im i grante, lo c a li zado na antiga Hospedaria dos Imigrant es, e também há o Centro de Tradições Nordestinas ( CTN).

A l ém de ser um passe i o agr a dáve l , você aprende mais sobr e a sua his t ória.

('"
I

I

~

Sites

PARA SABER MAIS

• CENTRO de Tradições Norde s tinas (CTN). Disponível em: <http: / /ww w. ctn.org.b r>.

A c esso em: 23 set. 2010. Traz m ui tas i nformações int e ressantes sobre os nordesti n os e m

São Pa u lo.

L

MEMORlAL do Imigrante. Disponí ve l em: <http: // www . memorialdoimigrant e .o r g.b r>

.

A c esso em: 23 set. 20 1 0. Pode ajudar mu i tos descendentes de i migrantes a descobr i r u m

pouco mais sobre sua origem.

o que eu aprercdi

29

So c io l ogia - 2ª sé rie - Volwne 1

o que aprevcdi

30

Socio l ogia - 2ª série - Volume 1

o que eu aprendi

31

Sociologia - 2ª séri e - Volum e 1

o SITUAÇÃO DE APRE N DIZAGEM 3

! A FORMAÇÃO DA DIVERSIDADE

Grup o d e ado l esc e nt e s d e di ve r sas n ac i onalidad es .

1. A imagem mo stra j ov e ns de di fe r ente s origens usando calça s je a n s, que é u m a ro upa ti picamente ocidental . Es c rev a um br e v e te x t o q u e dis cut a o u so do je a ns pelos joven s e os processo s de acu l turação e assim ila ção, t o mando c omo b ase as e xp licaç õ es d e s eu profess or.

32

Sociolog i a - 2 i! s érie - Vo l wne 1

o termo

outsider não tem uma tradução

muito

fácil para a língua portuguesa .

Literalmente, significa " de for a", ou seja , alguém que veio de out r o lugar e não é memb ro

original do grupo , não se encaixa muito bem n e le. Mas dizer em português

fo ra" ou alguém fora do grupo soa um tanto quanto estranho ao s nossos ouvidos. É por i sso que o termo não é traduzido e usa - se a expr e ssão em inglês. Estabelecidos ref er e - se a o s mo -

radores no bairro mais a n tigo da cida de, aqu e les que esta v am m a i s in t e g rad os .

le é um "de

e

J

2 . Descreva brevemente a vida de Norbe rt Elias e r e lacione - a a sua análise sob r e os est a bel ecidos

e o s outsiders.

33

So c iolog i a - 2 i ! sé r ie - Vo lume 1

LIÇÃO DE CASA

Na Situação de Aprendizagem 2 você fez um trabalho sobre a história de migração de uma famíli a. Agora o trabalho deve dar continuidade ao anterior. O objetivo é trabalhar a questão da adaptação à

nova realidade e do estranhamento ante a nova realidade, seja a mudança de bairro, de cidade, de Estado

ou de país . Nem sempre a mudança é fácil . Na maioria das vezes ela envolve adaptação e concessóes. Isso se reflete na vida cotidiana das pessoas, nos seus hábitos, nas maneiras de ser e de agir. Você pode manter os mesmos grupos e a mesma famíl i a da pesquisa anterior. Descubra as tensôes da migração para eles.

Sugerimos os seguintes pontos a ser abordados:

1 . R e l igião: o grupo poderia perguntar como foi possív e l a manutenção de determinada religião ou se houve conversão de várias pessoas da família a outra religião.

2 . Lí ngua (gírias): a língua também é importante no momento da migração,

seja como facilitador

da integração, seja como um elemento que a atrapalha. Você pode fazer uma lista de pala v ras que até hoje são usadas pela família e de outras novas, que não conheciam ou conheciam por outro nome . Por exemplo, mandioca / aipim, abóbora / jerimum etc.

34

So cio l og ia - 2ª sé rie - Vo l u m e 1

3. Alimentação: a aliment a ção às v ez e s pode ser um dos elementos mais complicados qualquer adaptação. Peça para as pessoas entrevistadas falarem sobre:

em

a) Os tipos de alimentos: você po de perguntar, entre outras coisas, sobre o consumo de carne. Po r exemp l o: coreanos: carne de cachorro; franceses: carne de cavalo; chineses : ratos, escorpiões, certo s tipos de barata. Entre os próprios brasileiros, dependendo da região, há consumo de diferentes anim a is : o bode, em muitas localidades do Nordeste ; jacaré mato-grossense, içá, a fêmea d a formiga s aúva nas regiões Norte e Centro-Oeste etc . Ou aborde ainda outros tipos de alimento s .

b) Pergunte se e les ainda consomem produtos ou alimentos de seu lugar fazem para adquiri-los,

de origem e c o mo

c) As adapt a ções

de pedir uma l ist a

de alimentos e pratos que hoje comem e que não comiam ou nem conheciam , bem como de novas receitas que for a m introduzida s na alimentação da família.

de antigas receitas e a incorporação

de nova s : não deixe

4. Costumes: você pode fazer perguntas sobre: vestuário , formas de casamento, brincade iras, festas típicas, danças , maneira de se cumprimentar etc.

35

Socio l ogia - 2ª sé r ie - Vo lume 1

5. Histórias de família: pergunte também a respeito das histórias de família. Histórias pitores - cas, engraçadas ou tristes da adaptação das famí l ias/pessoas ao novo lugar .

3 6

Sociologi a - 2ª s ér ie - Volume 1

Dei x amos um e s paço para outros t e mas qu e queira a bordar e que não foram aqui sugeridos.

VOCÊ APRENDEU?

[

1. Aculturação é sinônimo de assimil a ção? Por quê?

2 . Explique a relação entre mudança cultural e aculturação.

37

So c io l ogi a - 2 ª séri e - Vo lu me 1

3 . Po r que os e sta bel ec i d o s se viam como melhores do que os outsiders em Winston Parva?

APRE N D ENDO A APRENDER

Muitas veze s as dis cussões em sala de au l a parecem distantes de nossa realidade. E às

vezes até são. Entr et an to , e m outras, saber mais sobre a histó r ia

ref l etir sobre questões m a i s amplas. Co n versar com pais, parentes e avós sobre a hi stó r ia da famí li a pode a j udar a compr e end er ce r tos acontecimentos mais gerais. Como, po r exemplo, perceber que o des e mpr eg o de seu pai coincidiu com um período de recessão da econom i a,

e ntre mu i tos outros. I s s o nos ajuda a ver o mesmo fato sob um outro ângu l o. Esse tipo de

conversa , além de s e r mu i t o i nteressa n te, pois nos aproxima de nossos pais e de nossa

histó r ia, também pode n os a juda r a compreender diversas situações que marcaram ou

m arcam a hi st ória d o n oss o paí s .

da nossa famí li a ajuda a

38

Sociologia - 2ª série - Volume 1

PARA SABER MAIS

• Indicamos o site Rumo à tolerância. Disponível em: <http://rumoatolerancia . fflch.usp . br». Acesso em: 23 set. 2010, do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância (LEI), que traz informações diversificadas sobre o tema. Há cursos on - line e vídeos que podem se r assistidos, além de links para outros sites.

• Outra i ndicação é o curta Daqui nóis não arreda o pé. Direção: Jairo Teixeira do s S a ntos . Brasi l, 2005. 1 5 mino Sinopse: as irmãs Tonha e Aparecida são alvo da zomba r ia da molecada e da ira de alguns moradores de Santana do Jacaré , que querem expulsá-Ias da cidade .

o que elA aprewd!

39

Soc i o l og i a - 2ª séri e - V ol u me 1

o qLAe eLA aprercd!

40