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XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 Uso das

XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006

Uso das Técnicas de Orçamento de Capital em Empresas de Fortaleza. Um estudo exploratório.

Verônica Peñaloza (UECE) - penaloza_veronica@yahoo.com.br Diego de Sousa Guerra (UECE) – diegoguerra@gmail.com

Este trabalho aborda o uso das Técnicas de Orçamento de Capital em empresas de Fortaleza. A partir de um levantamento exploratório e usando testes não paramêtricos e modelo de regressão Logit, mostra-se a relação entre o uso das Técnicas de Orçamento de Capital e o tamanho da empresa. Constata-se também, que o uso das Técnicas de Orçamento de Capital está relacionado à estrutura de capital da empresa, e levantam-se evidências de outras variáveis intervenientes a serem exploradas em futuros trabalhos. Palavras-chave: Técnicas de Orçamento de Capital, Administração Financeira, MPMEs.

1. Introdução

A partir de inícios dos anos 80, as micros, pequenas e médias empresas (MPMEs), vêm despertando cada vez mais interesse. As grandes corporações que até essa época eram consideradas o motor da economia, já não são vistas como a solução para o desemprego e o desenvolvimento de uma região. Anualmente são constituídas no Brasil, em torno de 470 mil novas empresas (SEBRAE,2005), estas empresas são geradoras de uma grande parte dos postos de trabalho no Brasil e principalmente nas regiões menos desenvolvidas do país. As taxas de crescimento do número total de empresas foram mais elevadas nas regiões Centro- Oeste, Nordeste e Norte, sendo no Nordeste de 77,0% em comparação com a média nacional de 55,1% . Ainda segundo o Sebrae (2005), em conjunto as micro e pequenas empresas responderam, em 2002, por 99,2% do número total de empresas formais, por 57,2% dos empregos totais e por 26,0% da massa salarial.

Contudo, estas empresas enfrentam as enormes dificuldades em se estabelecer no mercado após os 3 anos de vida, sendo as taxas de mortalidade da ordem de 50 a 60%. A taxa de mortalidade empresarial no Brasil, apurada para as empresas constituídas e registradas nas juntas comerciais dos Estados nos anos de 2000, 2001 e 2002, revela que 49,4% encerraram as atividades com até 02 (dois) anos de existência, 56,4% com até 03 (três) anos e 59,9% (SEBRAE, 2004).

Muito tem se escrito sobre as razões dessa mortalidade, mas parece existir consenso quanto à notória falta de cultura de planejamento. Segundo a opinião dos próprios empresários que encerraram as atividades, entre as causas do fracasso encontram-se questões como a falta de capital de giro (indicando descontrole de fluxo de caixa), problemas financeiros (situação de alto endividamento), ponto inadequado (falhas no planejamento inicial) e falta de conhecimentos gerenciais.

Para Matias (2002) a má administração causa grande parte dos fracassos nas pequenas empresas e é na área da administração financeira que ocorre o insucesso das pequenas empresas. Em algum grau, todas as áreas da empresa estão intimamente ligadas com o setor financeiro, é necessário capital para financiar o dia-a-dia da empresa. Mas o capital é necessário não só para o funcionamento do dia-a-dia. O setor financeiro é o encarregado de avaliar as potenciais oportunidades de investimento e de crescimento da empresa.

XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 Para Ross

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Para Ross (2000), pensar em estratégia empresarial implica em ter uma clara compreensão das implicações financeiras de seus planos estratégicos. Planejamento, concessão de créditos, avaliação de projetos de investimento, captação de fundos para financiar as operações da empresa, fazem parte das tarefas da administração financeira e deveriam ser tão importantes numa pequena empresa quanto numa grande empresa.

Contudo, a teoria financeira, em geral, centra-se em explicar o comportamento das grandes corporações. A maioria dos livros texto usados para o ensino da administração financeira são traduções da realidade norte-americana, referidos a um mercado financeiro desenvolvido, bem diferente da realidade dos mercados brasileiros. A teoria, desenvolvida para as grandes empresas e companhias de capital aberto, enfatiza a maximização de riqueza dos acionistas, esquecendo as MPMEs que se defrontam com uma realidade distinta e onde muitas vezes a gestão e a propriedade se confundem. Não que a teoria deva ser diferente para o caso das MPMEs, porém há carência de trabalhos aplicados, centrados na realidade destas MPMEs, que são fundamentais na estrutura econômica de países como Brasil (PEÑALOZA, 2005).

Sob esse contexto e com intuito de aproximar os alunos da disciplina de Administração Financeira da Universidade Estadual do Ceará, da realidade financeira das empresas da região onde moram, a questão central que norteia este trabalho, é saber se empresas de Fortaleza, utilizam ferramentas de avaliação e seleção de alternativas de investimento de capital, especificamente as técnicas de orçamento de capital estudadas na sala de aula.

2. Orçamento de Capital

A elaboração do orçamento de capital é o processo de avaliação e seleção de investimentos de longo prazo. O termo capital denota os recursos de longo prazo de uma empresa, portanto as decisões sobre a elaboração do orçamento do capital podem ser decisões muito importantes para uma empresa, na medida em que os resultados dessas decisões podem influenciar o modus operandi por muitos anos e também envolver recursos substanciais.

Seguindo este raciocínio, Weston (2002) assinala que as empresas podem classificar seus projetos em categorias diferentes; sendo que o tipo de análise e o tempo destinado a esta dependerão do tipo de projeto de que se trate. Projetos que envolvem decisões estratégicas, por exemplo, requerem uma análise detalhada, já que poderiam alterar a natureza fundamental do negócio e normalmente exigem dispêndios de grandes somas de dinheiro por longos períodos.

Gitman (2003), esclarece que um gasto de capital é um desembolso de recursos que trará benefícios esperados em um período superior a um ano, sendo que um gasto operacional é um desembolso resultante em benefícios recebidos dentro de um ano. Já os gastos de capital que representam investimentos de longo prazo, representam desembolsos que podem comprometer a empresa a algum curso de ação. Em conseqüência, a empresa precisará de procedimentos para analisar e selecionar adequadamente seus investimentos de longo prazo, vale dizer, a empresa deve ser capaz de mensurar os fluxos de caixa e aplicar técnicas de decisão adequadas.

Existem várias Técnicas de Orçamento de Capital (TOC). As técnicas mais usadas são; o período de payback (PB), o Valor Presente Líquido (VPL) e a Taxa Interna de Retorno (TIR).

O PB corresponde ao tempo que a empresa demora em recuperar o investimento inicial. Quanto menos tempo, demorar a recuperação do investimento (PB menor), melhor. O PB deve ser confrontado com um padrão limite estabelecido pela empresa. Uma das vantagens do PB é sua facilidade de cálculo e seu rápido entendimento. Suas principais deficiências são:

não considerar explicitamente o valor do tempo e o fato de não levar em consideração os

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fluxos de caixa que ocorrem após o período de PB, além do estabelecimento do critperio padrão. Para Assaf (2003), o PB é interpretado com freqüência como um importante indicador do nível de risco (ou, ao contrário, de liquidez) de um projeto de investimento.Quanto maior o prazo, maior o risco envolvido na decisão.

O VPL e a TIR a diferença do PB, são técnicas que levam em consideração o valor do

dinheiro no tempo.

O VPL corresponde ao valor descontado de todos os fluxos monetários que compõem o

projeto de investimento. Quando o VPL é positivo, isto indica que o valor atualizado dos recebimentos é maior que os investimentos atualizados (ou que o investimento inicial), e portanto, deve-se aceitar o projeto.

A TIR é a taxa de desconto que iguala as entradas com as saídas previstas de caixa, no

momento 0, a taxa de desconto que torna o VPL nulo. A aceitação ou rejeição de determinada proposta de investimento é decidida em função do processo de comparação da TIR obtida, com a rentabilidade mínima requerida pela empresa para seus investimentos. Se a TIR exceder (ou igualar) o percentual mínimo desejado pela empresa, considera-se o investimento economicamente atraente devendo ser aceito, caso contrário deve ser rejeitado

(ASSAF,2003).

O método da TIR tampouco está isento de deficiências, estas dizem relação com os

pressupostos implícitos no seu cálculo. O primeiro deles, é que o método pressupõe que os fluxos intermediários de caixa são reinvestidos à própria TIR o que não necessariamente

acontece durante toda a vida útil de um projeto, mudando com isto os valores da TIR. A outra deficiência diz haver com o tipo de fluxos de caixa gerados pelo projeto. Alguns projetos apresentam várias mudanças de sinal em suas séries de fluxos de caixa neste caso podem haver várias TIRs. De fato, segundo Ross (2002) uma série de n fluxos de caixa pode ter até

m TIRs positivas, onde m é o número de mudanças de sinal dos fluxos de caixa.

As técnicas de avaliação acima mencionadas pressupõem uma estimação dos fluxos de caixa e

na realidade os fluxos projetados não necessariamente ocorrem com uma probabilidade de

100%. Abordagens mais elaboradas devem incluir uma noção de variabilidade do retorno em

resposta as mudanças nos fluxos. Existem técnicas para lidar com o risco análise de sensibilidade, e análise de cenário abordagens comportamentais permitem lidar com os

riscos dos projetos captando a variabilidade das entradas de caixa e dos VPLs. Já as técnicas

de simulação são uma abordagem comportamental baseada em dados estatísticos; resulta em

uma distribuição da probabilidade de retornos de um projeto.

Para Santos (2001), o objetivo básico da análise de investimentos é avaliar uma alternativa de ação ou escolher a mais atrativa entre várias, usando métodos quantitativos. Quando a análise

de investimento refere-se a uma decisão de grande envergadura um novo empreendimento

ou a ampliação de uma já existente seu prognóstico é decisivo para aceitação ou rejeição

da proposta. Para decisões de menor expressão, como comprar ou alugar um equipamento, a

conclusão da análise de investimento pode não ser o fator decisivo para a escolha. Outros elementos, inclusive de natureza qualitativa, podem influenciar a decisão a ser tomada

Apesar da importância dos gastos de capital para as pequenas empresas, a experiência mostra que muitas pequenas empresas usam o fluxo de caixa ou mesmo nenhuma análise para a tomada de decisões. O Fluxo de Caixa (FC) é uma demonstração das entradas e saídas planejadas no caixa da empresa. É usado pela empresa para estimar o caixa exigido a curto prazo. Para Guitman (2003) normalmente, a previsão de caixa destina-se a cobrir o período de um ano, dividido em intervalos de tempo menores. O número de intervalos depende da

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natureza do negócio. Quanto mais sazonais e incertos forem os fluxos de caixa, maior deverá ser o número de intervalos.

Para Weston (2002), a alocação de capital nas pequenas empresas é tão importante quanto nas grandes. Na verdade, na sua falta de acesso aos mercados de capital , muitas vezes essa alocação é mais importante nas pequenas empresas porque os recursos necessários para corrigir erros podem não estar disponíveis. Ainda, segundo o mesmo autor, apesar da importância dos gastos de capital para as pequenas empresas, a experiência mostra -baseado num estudo realizado por Runyon- que muitas pequenas empresas usam a análise do “verso do envelope” ou mesmo nenhuma análise para a tomada de decisões. Ao invés, a maioria das grandes empresas analisa as decisões dentro do processo de elaboração do orçamento do capital.

Que as MPMEs vivem voltadas para o dia-a-dia, é colocado também por outros autores. Para Matias (2002), a preocupação das pequenas empresas com a sobrevivência, as conduz a se concentrarem nos efeitos de curto prazo sobre o caixa. As empresas menores, principalmente nos seus inícios sofrem com a falta de capital, logo devem prestar atenção especial no planejamento e na administração do fluxo de caixa (FC) para uma melhor gestão dos compromissos financeiros. Quanto menor a empresa, mais difícil o acesso a recursos e maior a necessidade de administração. A administração do caixa é uma condição decisiva para a sobrevivência e o sucesso de uma pequena empresa.

Com esse referencial estruturou-se a pesquisa, delimitando seus objetivos da seguinte forma:

- Objetivo geral: saber se as empresas da região utilizam as TOC e estabelecer se existe uma relação entre uso das TOC e tamanho da empresa;

- Objetivos específicos:

a) estabelecer se existe uma relação entre uso das TOC e estrutura de capital da empresa, vale dizer, se as empresas utilizam VPL, TIR e/ou PB como resposta à demanda de bancos e instituições financeiras;

b) levantar informações para futuras pesquisas sobre variáveis que expliquem o uso das TOC por parte das empresas;

c) aproximar os alunos da disciplina de Administração Financeira da Universidade Estadual do Ceará, da realidade financeira das empresas da região onde moram, fazendo um paralelo entre esta a realidade e a teoria vista na sala de aula.

3. Metodologia

Para consecução da pesquisa, optou-se pela realização de um levantamento (survey) de tipo exploratório.

As pequisas de levantamento caracterizam-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Basicamente procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obter as conclusões correspondentes aos dados coletados (GIL, 2002).

Esta pesquisa não teve a pretensão de ser um estudo descritivo. Estudos descritivos exigem do investigador, para que a pesquisa tenha certo grau de validade científica, uma precisa delimitação de técnicas, métodos, modelos e teorias que orientarão a coleta e interpretação dos dados. Por sua vez, os estudos exploratórios permitem ao investigador aumentar sua experiência em torno de determinado problema. O pesquisador parte de uma hipótese e aprofunda seu estudo nos limites de uma realidade específica, buscando antecedentes, maiores conhecimentos para, em seguida, planejar uma pesquisa descritiva ou de tipo experimental

XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 (TRIVIÑOS, 1987).

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(TRIVIÑOS, 1987).

Ressalta-se o caráter exploratório desta pesquisa. Por agora, basta evidenciar se as empresas usam as TOC, se há alguma relação entre seu uso e o tamanho da empresa e se há alguma relação entre o uso das TOC e a estrutura de capital da empresa. Não pretende-se explicar exaustivamente quais são as causas do uso ou não uso das TOC. Os propósitos da pesquisa são levantar informações de um número razoável de empresas para para que os alunos tenham uma primeira aproximação com a realidade empresarial local, além de delimitar de forma apropriada pesquisas futuras, mais aprofundadas sobre o tema.

Com esse instuito, foram consultadas 183 empresas; 45 do setor industrial, 86 do setor comercio e 52 do setor serviços. As empresas foram escolhidas aleatoriamente pelos alunos, observando um mínimo de 5 empresas pesquisadas por aluno. Tendo em vista o caráter exploratório do estudo, não houve preocupação com rigorosa representatividade estatística na seleção. A entrevista foi realizada com o responsável do setor financeiro ou com o proprietário, no caso de empresas menores. A entrevista estava composta de questões fechadas referidas a informações tais como; setor de atividade da empresa, número de funcionários, estrutura de capital, TOC usadas, etc. e de questões abertas que explicavam as razões do uso/não uso das técnicas.

Os dados foram trabalhados com o software SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), módulos de estatística descritiva, testes não paramétricos e análise de regressão Modelo Logit. A correlação e a regressão são técnicas estatísticas usadas na quantificação do

relacionamento entre variáveis. A regressão refere-se à natureza da associação estatística entre

as variáveis e a correlação refere-se ao grau de associação ou correspondência existente entre a variável explicada e as variáveis-prognóstico (MATTAR, 2001).

Na pesquisa utilizaram-se provas não paramétricas por serem melhor adaptáveis aos estudos que envolvem variáveis com níveis de mensuração nominal e ordinal. Os testes não paramétricos são recomendados, no tratamento estatístico de dados oriundos de tabelas com dupla entrada, para verificar se as variáveis são independentes ou relacionadas

(MARTINS,2002).

Dada a natureza de nosso problema, usamos modelo Logit. A formulação e estimação de relações onde estão em jogo características qualitativas de pessoas ou objetos, são melhor descritas por modelos de escolha discreta, que podem ser representados por uma variável binária que toma o valor 1 em presença da característica e valor 0 em ausência da característica estudada. A estimação do modelo via regressão de mínimos quadrados ordinários, não é o método mais apropriado para este tipo de situação de escolha discreta. Nestes casos são utilizados os modelos tipo Probit ou Logit (WOOLDRIDGE, 2002). O modelo Logit é útil para situações, nas quais se quer poder predizer a presença ou ausência de uma característica, baseado em valores de um grupo de variáveis-prognóstico, enquanto o modelo Probit é mais utilizado para o caso de estudo de variáveis associadas a experimentos tipo antes-depois.

4. Análise dos Resultados

A primeira questão era responder ao fato; se as MPMES usavam as TOC descritas pela teoria,

ou usam outro tipo de ferramenta. Segundo podemos observar na Tabela 2, parecia existir uma relação entre tamanho e uso das TOC. Empresas maiores usariam preferencialmente este tipo de ferramenta, quanto MPMEs usariam majoritariamente o FC ou nenhuma ferramenta.

Porte da empresa

Usa TOC

Usa FC

Nenhuma

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Micro Empresa

28,4%

40,5%

31,1%

Pequena Empresa

36,2%

53,4%

10,3%

Média Empresa

53,6%

14,3%

32,1%

Grande Empresa

91,3%

4,3%

4,3%

Total

42,6% (78)

36,1% (66)

21,3% (39)

Tabela 2 – Percentual de empresas pesquisadas, segundo uso de TOC, classificadas por porte

Para saber se a relação entre as variáveis porte da empresa e uso das TOC e FC existe realmente e o resultado observado na Tabela 2 não é meramente aleatório, aplica-se o teste qui-quadrado.

Chi-Square Tests

Value

Df

Asymp. Sig.

(2-sided)

Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases

44,262

47,589

19,887

183

6

6

1

0,000

0,000

0,000

Tabela 3 – Teste Qui-quadrado

Segundo a Tabela 3, o nível de significância do teste para uso das TOC e do FC versus porte da empresa é de 0.00. Dado que este valor é menor que 0.05, é possível concluir que a relação observada na Tabela 2 é real e não devida ao acaso. O teste qui-quadrado, indica a existência de relação, mas não o grau desta, para isso usamos as medidas de simetria, para quantificar esta relação.

Symmetric Measures

Value

Approx. Sig.

Phi Cramer's V Contingency Coefficient N of Valid Cases

0,410

0,000

0,410

0,000

0,379

0,000

183

Tabela 4 – Medidas de Simetria

A correlação do grau de associação expressa pelos coeficientes de contingência e V de Cramer está entre 38 e 41%, (vide Tabela 4), o que equivale a dizer, que a correlação entre tamanho da empresa e o uso das TOC, apesar de não ser muito elevada, existe de fato. Empresas menores não fazem uso das TOC, preferindo usar o FC ou nenhuma ferramenta.

Esta constatação seria um indício de que empresas menores centram-se especificamente nos problemas de curto prazo ou bem não utilizam as ferramentas apropriadas quando fazem análises de longo prazo. Alguns depoimentos esclarecem; “Para qualquer projeto que desejamos implementar é realizada uma avaliação de impacto no nosso FC.” “Destacamos como vantagem para a utilização do FC o fato de considerarmos ser um método mais simples ”

para aplicação em nosso dia-a-dia

“Utilizo o controle de caixa e acompanho no final do

mês através da DRE.” .“Por se tratar de uma empresa pequena não requer outras técnicas, pois através do FC podemos avaliar as entradas e saídas de caixa em um determinado período de tempo, auxiliando na tomada de decisões sobre vários temas de interesse para a empresa.”

Temos claro que há uma preferência pelo FC, ou bem por nenhuma técnica, principalmente no caso de empresas menores, contudo 42,6% das empresas utilizam as TOC, e cabe perguntar os porquês. Analisando os depoimentos, um argumento que apareceu com muita frequência era o de o uso das TOC ser uma exigência das instituições bancárias ou financeiras; “Utilizam-se todas as técnicas, mas prioriza-se a TIR, porque trabalhamos com

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uso dessas duas ferramentas possibilita

“o

proprietário utiliza-se do VPL e da TIR quando vai realizar empreendimentos que necessitam

“As técnicas de VPL e TIR são utilizadas

em menor freqüência, conforme o caso, em projetos de expansão da rede, através da liberação de recursos pleiteados junto ao FINAME, para investimentos na aquisição de imobilizados” “As demais técnicas, VPL e TIR, são utilizadas de acordo com as exigências dos bancos, ”

quanto empréstimos diversos fez-se uso do modelo Logit.

Estimou-se uma relação onde estavam em jogo características qualitativas, uso ou não uso das TOC, representadas por uma variável binária que toma o valor 1 em presença da característica (“Uso” das TOC) e valor 0 em ausência da característica estudada (“Não Uso” das TOC). A variável independente ESTRU_K(1), também binária e definida pelo modelo, toma os valores 1 no caso de “Uso unicamente de Capital Próprio” e o valor 0 no caso de “Uso de Capital de Terceiros”. Os resultados desta regressão estão expressos na Tabela 5. Segundo os dados da Tabela, o estimador B seria significante e negativo, mostrando uma relação inversa entre o uso das TOC e não uso de capital de terceiros.

Tentou-se verificar estatisticamente esta situação e para isso

de crédito bancário (Caixa Econômica Federal)”

empréstimos junto a alguns bancos conveniados”

uma análise da operação financeira de financiamento no qual estamos hoje atrelados”

“o

Variables in the Equation

B

S.E.

Wald

df

Sig.

Exp(B)

ESTRU_K(1)

-1,322

0,363

13,238

1,000

0,000

0,267

Constant

0,693

0,316

4,803

1,000

0,028

2,000

Variable(s) entered on step 1: ESTRU_K.

Tabela 5 – Resultados estimação modelo Logist

Contudo, apesar da evidente relação entre ambas variáveis, o uso de capital de terceiros não explicaria totalmente o uso das TOC. Estatisticamente a relação medida pelos pseudos R 2 (Cox & Snell R Square e Nagelkerke R Square) que apresentaram valores pequenos, 0,07 e 0,1 respectivamente, indicaria que existem outras variáveis intervenientes nesta relação.

Através dos depoimentos dos entrevistados foi possível detectar algumas outras explicações para o uso(não-uso) das TOC. Apesar de que em muitas empresas os responsáveis desconhecem as técnicas, em outras oportunidades estes alegam não ser necessário o uso delas, pois como assinalou um empresário “não há tempo para todos esses cálculos matemáticos nas tomadas de decisão, elas devem ser céleres e baseadas no meu conhecimento de mercado” Outro acrescenta, “tenho apenas um pequeno conhecimento do que significam os termos técnicos acima definidos, uso apenas o meu feeling e o confrontamento contábil para tomar as decisões da empresa”.

Falta de tempo, feeling, cálculos matemáticos complexos, desconhecimento das técnicas, foram muitas vezes mencionadas como razões para o não uso das TOC, assim como exigências bancárias, tipo de projetos, preferências pelas técnicas, mencionadas como razões para o uso das TOC. Destacamos que não era o objetivo desta pesquisa abordar com detalhamento essas questões. O caráter exploratório do estudo, objetivava somente levantar algumas razões para serem trabalhadas de forma sistemática em estudos posteriores.

5.Conclusões

As MPMEs mostram-se cada vez mais essenciais para o fomento do emprego e o desenvolvimento regional. Este argumento cobra maior validade no caso de regiões menos desenvolvidas, onde as MPMEs geram a maioria dos postos de trabalho. Apesar da

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preocupação crescente com estas empresas e das inúmeras atividades em prol do fomento do setor, a taxa de sobrevivência das mesmas continua sendo baixa. Razões para a elevada mortalidade das MPMEs existem muitas, contudo elas sempre se relacionam com aspectos financeiros e de planejamento.

O capital é um recurso escasso e mais escasso ainda para empresas menores. Não obstante,

apesar da importância dos gastos de capital para as pequenas empresas, muitas delas, não utilizam os procedimentos adequados para analisar e selecionar seus gastos de capital. Nossa pesquisa constatou esta situação, existe uma relação entre as TOC e o tamanho da empresa.

Empresas de menor porte não usam as TOC, preferindo o uso do FC, ou bem, não usam nenhuma técnica, indicando uma administração voltada para o curto prazo e uma despreocupação (ou falta de preparo) por parte dos empresários ou responsáveis, para enfrentar de forma adequada o longo prazo.

A pesquisa mostrou também, que o uso das TOC depende da estrutura de capital da empresa.

Empresas que utilizam recursos de terceiros, usam as TOC porque os bancos ou instituições financiadoras exigem. Apesar de que existe uma relação direta entre empresas que usam capital de terceiros e o uso das TOC, esta explicação não é única nem abrange todas as

situações.

Em cumprimento de um dos objetivos da pesquisa, foram procuradas outras explicações, através dos depoimentos dos entrevistados. Os depoimentos apontaram para questões de “preferência” pelo FC; por motivos de rapidez, melhor entendimento da ferramenta (TOC complicadas, cálculos matemáticos complexos) ou bem, unicamente desconhecimento das TOC. O caracter exploratório deste trabalho não objetivava explorar exaustivamente essas informações. Espera-se entretanto, ter a oportunidade de abordar as questões levantadas em futuras pesquisas sobre o tema.

Referências

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