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COGNIÇÃO SOCIAL NO TRANSTORNO ESQUIZOTÍPICO DE PERSONALIDADE: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA Tonelli, H.A. (1) ; Alvarez, C. E. (1) ; von der Heyde, M. D. (1) ; Silva, A. A (1) .

(1) Médico psiquiatra

Introdução

O Transtorno Esquizotípico de Personalidade é definido clinicamente no DSM-IV (APA,

1994), como um padrão invasivo de déficits sociais e interpessoais, marcado por desconforto agudo e reduzida capacidade para relacionamentos íntimos, além de distorções cognitivas ou perceptivas e comportamento excêntrico, que costuma começar no início da idade adulta e estar presente em uma variedade de contextos, associando-se a pelo menos 5 dos 9 traços esquizotípicos: idéias de referência, crenças bizarras ou pensamento mágico que influenciam o comportamento e são inconsistentes com as normas da subcultura do indivíduo, experiências perceptivas incomuns, pensamento e discurso bizarros, desconfiança ou ideação paranóide, afeto inadequado ou constrito, aparência ou comportamento esquisito ou peculiar, ausência de amigos íntimos ou confidentes e ansiedade social excessiva.

O diagnóstico de TEP é considerado um importante fator de vulnerabilidade para o

desenvolvimento de esquizofrenia; por outro lado, esquizofrênicos parecem ter uma

incidência maior de familiares portadores de TEP em relação à população geral.

Por Cognição Social (CS) subentendem-se “as operações mentais que estão por trás das interações sociais e que incluem a habilidade humana de perceber as intenções e disposições dos outros”. As representações geradas por este tipo específico de cognição servem para que o indivíduo guie seu comportamento social de forma flexível e adaptada. Evidências de que a CS seja um domínio cognitivo separado abrangem, por exemplo, estudos de indivíduos que sofreram lesão cortical frontal ou pré-frontal demonstrando que eles podem apresentar como conseqüência danos em seu comportamento social a despeito de manutenção de habilidades cognitivas como memória e linguagem.

O estudo da CS nos Transtornos do Espectro da Esquizofrenia concentra-se, de

maneira geral, no estudo das habilidades “Teoria da Mente”, relacionadas à habilidade de representar os estados mentais e/ou de fazer inferências acerca das intenções dos outros, nos estudos de percepção social (cujas linhas de pesquisa concentram-se principalmente no reconhecimento do afeto facial e percepção de atitudes sociais) e nos estudos de estilo atribucional.

O estudo da CS em portadores de TEP poderá auxiliar na compreensão do papel de

alterações do processamento cognitivo social na gênese de sintomas psicóticos na esquizofrenia. Da mesma forma, a comprovação da presença de alterações atenuadas deste processamento em portadores de TEP poderia ser interpretada como uma característica traço dependente e predisponente para o desenvolvimento de sintomas psicóticos.

Objetivo

Revisar sistematicamente a literatura a respeito de CS em portadores de TEP.

Métodos

Foi realizada uma busca por artigos na base de dados MEDLINE, utilizando a seguinte frase de busca: “Schizotypal Personality Disorder” [Mesh] AND “Social Cognition” OR “Theory of Mind”. A busca resultou inicialmente em 655 artigos, dos quais 21 foram selecionados por tratarem diretamente do assunto em questão. Destes, foram escolhidos 12, após a leitura dos resumos.

Resultados

Os trabalhos selecionados são sumarizados na tabela a seguir.

Estudo e

número da

Objetivos

Resultados

referência

Avaliar o grau em que características esquizotípicas Shean e Bell, Correlações significativas, mas não em
Avaliar o grau em que características esquizotípicas
Shean e Bell,
Correlações significativas, mas não em
associam-se com déficits na habilidade de identificar
2007
(1)
todos os instrumentos utilizados.
emoções expressas facialmente ou através de posturas.
 

Avaliar ToM em uma população de esquizotípicos, bem como funcionamento executivo e memória verbal

Não houve diferenças no processamento de cognição geral e social entre indivíduos

Jahshan e Sergi,

de alta e baixa esquizotipia. Os indivíduos

2006

(2)

secundária na mesma população.Um terceiro objetivo foi

com alta esquizotipia estavam mais

o

de examinar o status funcional de indivíduos com alta e

 

baixa esquizotipia.

comprometidos funcionalmente do que os de baixa esquizotipia.

Avaliar a correlação entre habilidades ToM e auto- Irani e cols, reconhecimento facial, bem como
Avaliar a correlação entre habilidades ToM e auto-
Irani e cols,
reconhecimento facial, bem como investigar a influência
Houve diferenças significativas de
pontuações entre pacientes e controles em
relação à tarefa CS em pregada.
Controles e parentes com baixo grau de
2006(3)
de traços esquizotípicos nas variáveis estudadas.
esquizotipia diferiram significativamente
dos parentes com alto grau de esquizotipia
nas acurácias das avaliações empregadas.
 

Houve

relação

entre

a

capacidade

de

Meyer e Shean,

Examinar a relação entre CS e pensamento mágico em

identificação

de

emoções

através

do

2006

(4)

portadores de TEP

instrumento

empregado

(Eyes

Test)

e

crenças irreais. Marjoram e cols., 2006 (5) Examinar se o comprometimento do processamento de habilidades
crenças irreais.
Marjoram e
cols., 2006 (5)
Examinar se o comprometimento do processamento de
habilidades ToM correlaciona-se com vulnerabilidade a
esquizofrenia
Houve diferenças estatisticamente
significativas nas pontuações das tarefas
CS para o grupo de indivíduos parentes de
esquizofrênicos com história de terem
apresentado sintomas psicóticos

Marjoram e cols., 2006 (6)

Comparar a performance de um grupo de parentes de esquizofrênicos com um grupo de controles saudáveis em tarefas envolvendo capacidade de mentalização.

As tarefas promoveram ativação de áreas cerebrais já relacionadas a atividades de mentalização. Os parentes de esquizofrênicos sem história prévia de sintomas psicóticos obtiveram pontuações significativamente superiores às dos indivíduos com história de sintomas psicóticos.

Pickup, 2006 (7)

Investigar ToM em indivíduos normais que variam em pontuações de esquizotipia, com o objetivo de replicar os resultados obtidos por Langdon e Coltheart (ref 13), ou seja, de que altas pontuações em instrumentos que avaliam esquizotipia estariam associados a prejuízo no processamento ToM

Houve escores piores de processamento ToM apenas nos indivíduos que pontuaram mais em uma subescala específica de apenas um instrumento empregado. Não houve relações entre a pontuação total dos escores de esquizotipia e prejuízos no processamento ToM. Também não houve correlações entre processamento CS e cognição geral.

Langdon e Coltheart, 2004 (8) Investigar se indivíduos com altos escores de esquizotipia apresentam comprometimento
Langdon e Coltheart, 2004 (8)
Investigar se indivíduos com altos escores de esquizotipia
apresentam comprometimento da compreensão da
linguagem pragmática, que envolve a ironia e a metáfora.
Os indivíduos com alto grau de
esquizotipia não diferiram
estatisticamente dos com baixa
esquizotipia em relação à
compreensão de metáforas, mas sim
em relação à compreensão de ironia.

Loughland e cols., 2003

(9)

Avaliar a transmissão familiar do escaneamento visual (scanpath) de faces e expressões faciais, anteriormente descritas como comprometidas em esquizofrênicos

Esquizofrênicos apresentaram restrição do escaneamento em comparação com controles e parentes em primeiro grau. Parentes em primeiro grau apresentaram evitação de emoções tristes e maior duração de fixação do olhar em expressões de alegria.

Langdon e Coltheart, 2001 (10) Avaliar a relação da tomada de perspectiva visual e mentalização
Langdon e Coltheart,
2001 (10)
Avaliar a relação da tomada de perspectiva visual e
mentalização em indivíduos portadores de TEP
Indivíduos com altos escores de
esquizotipia pareceram ter maior
comprometimento tanto na
capacidade de mentalização como na
tomada de perspectiva visual

Martin e Penn, 2001

(11)

Examinar a relação entre ideação persecutória e variáveis cognitivas clínicas e sociais em uma população não clínica.

Altos níveis de ideação paranóide puderam ser significativamente associadas a humor deprimido, ansiedade social e evitação e baixa auto-estima, mas não a vieses atribucionais.

Langdon e Coltheart, 1999 (12) Investigar a relação entre a habilidade de mentalização e traços
Langdon e Coltheart, 1999
(12)
Investigar a relação entre a habilidade de mentalização e
traços esquizotípicos em indivíduos de populações não clínicas
sem história de doença psiquiátrica.
Indivíduos com altos escores de
esquizotipia pontuaram menos do que
os indivíduos com baixos escores de
esquizotipia apenas em histórias que
envolviam falsas crenças, mas não em
histórias mecânicas, de script social e
capture. Não houve diferenças no que
tange a cognição geral.

Discussão

A avaliação comparada da CS entre indivíduos portadores de diferentes transtornos do espectro da esquizofrenia poderá elucidar acerca da interface entre os mesmos, auxiliando na compreensão fisiopatológica dos sintomas psicóticos da esquizofrenia. Estes poderiam, por exemplo, ser um reflexo de um processamento cognitivo social deficitário nestes pacientes.

A presente revisão mostra que já existem muitas iniciativas de pesquisa envolvendo

populações de indivíduos portadores de quadros subsindrômicos visando avaliar se os mesmos apresentam diferentes pontuações nos vários instrumentos empregados na avaliação de CS em relação a populações clínicas e grupos controle. Todavia, os resultados dos trabalhos avaliados são, ainda, contraditórios. Estas contradições poderiam ser entendidas à luz dos problemas subjacentes ao próprio estudo da CS. Martin e Penn (11), ao estudarem a possível correlação existente entre persecutoriedade e cognição geral e social, mostram que a dissociação entre estas

variáveis pode ser facilmente feita do ponto de vista teórico e que variáveis clínicas, mesmo em populações não clínicas, devem ser também levadas em conta na compreensão

da gênese da ideação persecutória. Além disso, apesar de os estudiosos da CS dividirem-se

entre os que postulam a existência de um módulo cognitivo social independente do processamento de outras funções cognitivas e os que não aceitam este modelo, ainda não foi possível demonstrar a existência deste módulo cognitivo específico. De fato, o processamento cognitivo social parece recrutar muitas funções cognitivas gerais. Contudo, muitos estudos sugerem que há maior comprometimento na pontuação em diversas tarefas CS, principalmente em indivíduos com alto grau de esquizotipia, que poderia representar um continuum de prejuízo no processamento CS entre indivíduos esquizotípicos e esquizofrênicos. Levando-se em conta que a esquizotipia representa um estado de risco aumentado para o desenvolvimento da esquizofrenia, poder-se-ia pensar em alternativas de abordagem sócio-cognitiva para tais indivíduos, diminuindo, assim, as taxas de viragem para estados psicóticos mais severos.

Conclusões

Existem muitos estudos sobre o funcionamento cognitivo social em indivíduos portadores de diferentes graus de esquizotipia, contudo, os resultados, são, ainda, controversos. O conhecimento adquirido através do estudo da CS em indivíduos portadores de subsíndromes psicóticas poderá auxiliar no desenvolvimento de estratégias terapêuticas e preventivas junto a estes indivíduos.

Bibliografia

1:

Shean G, Bell E, Cameron CD. Recognition of nonverbal affect and schizotypy. J Psychol. 2007 May;141(3):281-91.

2:

Jahshan CS, Sergi MJ. Theory of mind, neurocognition, and functional status in schizotypy. Schizophr Res. 2007 Jan; 89(1-3):278-86.

3:

Irani F, Platek SM, Panyavin IS, Calkins ME, Kohler C, Siegel SJ, Schachter M, Gur RE, Gur RC. Self-face recognition and theory of mind

in

patients with schizophrenia and first-degree relatives. Schizophr Res. 2006 Dec; 88(1-3):151-60.

Meyer J, Shean G. Social-cognitive functioning and schizotypal characteristics. J Psychol. 2006 May; 140(3):199-207. PMID: 16916074 5: Marjoram D, Miller P, McIntosh AM, Cunningham Owens DG, Johnstone EC, Lawrie S. A neuropsychological investigation into 'Theory

4:

of

Mind' and enhanced risk of schizophrenia. Psychiatry Res. 2006 Sep 30; 144(1):29-37.

6:

Marjoram D, Job DE, Whalley HC, Gountouna VE, McIntosh AM, Simonotto E, Cunningham-Owens D, Johnstone EC, Lawrie S. A visual

joke fMRI investigation into Theory of Mind and enhanced risk of schizophrenia. Neuroimage. 2006 Jul 15; 31(4):1850-8.

7:

Pickup GJ. Theory of mind and its relation to schizotypy. Cognit Neuropsychiatry. 2006 Mar; 11(2):177-92.

8:

Langdon R, Coltheart M. Recognition of metaphor and irony in young adults: the impact of schizotypal personality traits. Psychiatry

Res. 2004 Jan 30; 125(1):9-20.

9: Loughland CM, Williams LM, Harris AW. Visual scanpath dysfunction in first-degree relatives of schizophrenia probands: evidence for

a vulnerability marker? Schizophr Res. 2004 Mar 1; 67(1):11-21.

10: Langdon R, Coltheart M. Visual perspective-taking and schizotypy: evidence for a simulation-based account of mentalizing in normal

adults. Cognition. 2001 Nov; 82(1):1-26. 11: Martin JA, Penn DL. Social cognition and subclinical paranoid ideation. Br J Clin Psychol. 2001 Sep; 40(Pt 3):261-5. 12: Langdon R, Coltheart M. – Mentalising, schizotypy and schizophrenia. Cognition 71 (1999): 43 – 71

Agradecimentos

Agradecemos aos doutores Glenn Shean, Grahan Pickup e Nigel Blackwood por terem gentil e prontamente nos enviado seus manuscritos após solicitação de nosso grupo.