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Por uma antropologia minimalista

Oscar Calavia Sáez

2009200920092009

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Reitor: Álvaro Toubes Prata Diretora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas: Roselane Neckel Chefe do Departamento de Antropologia: Márnio Teixeira Pinto Sub-Chefe do Departamento: Alberto Groisman Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social: Sônia Weidner Maluf Vice-Coordenadora do PPGAS: Esther Jean Langdon

ANTROPOLOGIA EM PRIMEIRA MÃO

Editores responsáveis

Rafael José de Menezes Bastos Miriam Furtado Hartung

Comissão Editorial do PPGAS

Projeto Gráfico e Editoração

Conselho Editorial

Alberto Groisman Alicia Castells Marcos Aurélio da Silva Miriam Furtado Hartung Oscar Calávia Sáez Rafael José de Menezes Bastos Sônia Weidner Maluf Tatiane Scoz Vânia Zikán Cardoso

Marcos Aurélio da Silva

Alberto Groisman – Aldo Litaiff – Alicia Castells Ana Luiza Carvalho da Rocha – Antonella M. Imperatriz Tassinari Carmen Silvia Rial – Deise Lucy O. Montardo – Esther Jean Langdon Ilka Boaventura Leite – Maria Amélia Schmidt Dickie – Maria José Reis Márnio Teixeira Pinto – Miriam Furtado Hartung – Miriam Pillar Grossi Neusa Bloemer – Sônia Weidner Maluf – Theophilos Rifiotis Vânia Zikán Cardoso

Solicita-se permuta/Exchange Desired

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA Antropologia em Primeira Mão 2009

Antropologia em Primeira Mão

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA Antropologia em Primeira Mão 2009

2009

AntropologiaAntropologiaAntropologiaAntropologia emememem PrimeiraPrimeiraPrimeiraPrimeira MãoMãoMãoMão é uma revista seriada editada pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Visa à publicação de artigos, ensaios, notas de pesquisa e resenhas, inéditos ou não, de autoria preferencialmente dos professores e estudantes de pós-graduação do PPGAS.

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Todos os direitos reservados. Nenhum extrato desta revista poderá ser reproduzido, armazenado ou transmitido sob qualquer forma ou meio, eletrônico, mecânico, por fotocópia, por gravação ou outro, sem a autorização por escrito da comissão edito- rial.

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Antropologia em primeira mão / Programa de Pós Gra- duação em Antropologia Social, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis : UFSC / Programa de Pós Graduação em Antropologia Social, 2009 - v. 112 ; 22cm

Irregular

ISSN 1677-7174

1. Antropologia – Periódicos. I. Universidade Federal de Santa Catarina. Programa de Pós Graduação em Antro- pologia Social.

Toda correspondência deve ser dirigida à Comissão Editorial do PPGAS Departamento de Antropologia, Centro de Filosofia e Humanas – CFH, Universidade Federal de Santa Catarina 88040-970, Florianópolis, SC, Brasil fone: (48) 3721-9364 ou fone/fax (48) 3721-9714 e-mail: ilha@cfh.ufsc.br www.antropologia.ufsc.br

Por uma antropologia minimalista 1 Oscar Calavia Sáez Universidade Federal de Santa Catarina 2 occs@uol.com.br

Por uma antropologia minimalista 1

Oscar Calavia Sáez

Universidade Federal de Santa Catarina 2

occs@uol.com.br

1 Este artigo é uma versão escrita em português da Aula Inaugural oferecida à “Primera Cohorte” do Doctorado em Ciencias Sociales da Universidade de Antioquia, em Medel- lín (Colômbia) em 31 de agosto de 2009. O presente titulo foi o inicialmente sugerido pelo autor, que na ocasião foi substituído por outro: “Qué ofrece la antropologia a las ciencias sociales?”. 2 Professor do Departamento de Antropologia e do PPGAS.

Antropologia em Primeira Mão: 112/2009:1-16. PPGAS/UFSC.

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OSCAR CALAVIA SÁEZ

RESUMO

A antropologia tem aspirado desde o seu inicio a um estatuto epistemológico de

ciência e a uma relevância política. Mas essas ambições têm sido submetidas a dura critica. A política da primeira antropologia é vista como uma expertise marcada pelo colonialismo ou pela biopolítica autoritária, que deveria ser substituída por uma tarefa de mediação num contexto multicultural. Já aos velhos projetos de uma antropologia “científica” prefere-se agora um saber interpretativo ou dialógico. Este

artigo propõe uma versão alternativa dessa transformação, redefinindo a antropo- logia como etnografia, e apontando que a sua função no debate político está na des- coberta de novos objetos sociais.

Palavras chaves: Antropologia, Etnografia, Interpretação, Epistemologia, Ciência.

ABSTRACT

From its very beginnings, Anthropology has claimed political relevance, and also

an epistemological status as “science”. Such ambitions have been harshly criticized thereafter. The politics of early Anthropology was seen as a colonialist expertise, or

as authoritarian biopolitics, which should be changed to more democratic moods,

such as mediation/translation in a multicultural context. Yet the projects of An- thropology as “science” were left behind, and for the anthropological mainstream Anthropology is an interpretative or dialogic knowledge. This paper proposes an alternative way for these transformations, redefining anthropology as ethnography, and the search for new social objects as its political role.

Keywords: Anthropology, Ethnography, Interpretation, Epistemology, Science.

POR UMA ANTROPOLOGIA MINIMALISTA

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O meu receio ao começar esta aula inaugural – que para cúmulo inaugura não um ano qualquer, mas o primeiro ano de um no- vo doutorado - é muito semelhante ao que sinto cada vez que

dou inicio a uma disciplina disso que chamamos “métodos e técnicas de

pesquisa”. Sei pouca coisa, ou nada, da antropologia colombiana e dos seus interesses; sei pouca coisa das expectativas que albergam os estu- dantes que sentam para escutar o que o professor tem a dizer. Mas posso intuir que esperam a revelação de coisas como metodologias operativas, ferramentas conceituais, e demais tropos impressionantes. O título desta conferencia anuncia que o que tenho a oferecer é, pe-

lo

contrario, um arsenal extremamente sóbrio. Menos em lugar de mais.

E

essa proposta, que já pode decepcionar alguns, corre também o risco

da falta de modéstia: pretendo sustentar que, pelo menos neste âmbito, menos vale mais que mais, e que apesar, ou precisamente por causa desse menos, a antropologia é uma empresa muito ambiciosa.

Antropologia, etnologia, etnografia, antropologia

Não poderia seguir enfrente sem falar das origens da antropologia, que afinal são essenciais para entender as suas expectativas atuais. Vou

fazer, assim, uma brevíssima historia da antropologia, ou mais exatamen-

te uma brevíssima historia das ambições da antropologia.

Nestes casos, o canônico é dizer que a antropologia é um estudo do outro que surge e se desenvolve ao calor da descoberta, da expansão e da conquista (não necessariamente nessa ordem) do mundo pelas potencias européias. Entre os seus precursores contam-se personagens como He- ródoto, os Cronistas de Índias, Montaigne, La Condamine ou Hum- boldt. Trata-se de um estudo humanista e diletante – seus praticantes

costumam ser profissionais de outras áreas - interessado no contraste, na variabilidade da condição humana, na reflexão sobre a diferença. A ten- dência ao relativismo e uma certa cobiça de colecionadores de exotismo

o caracterizam. Seu método é, em termos gerais, afim ao da historia: co-

leta dados, descreve, relata, compara. Um salto epistemológico é dado quando as viagens filosóficas e a busca no gabinete de curiosidades são substituídas pela pesquisa de campo prolongada, pela observação parti-

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cipante e todas as outras garantias empíricas apregoadas, entre outros, por Malinowski. Mas os objetivos da disciplina permanecem grosso mo- do os mesmos: refletir-se no espelho do outro, e assim adquirir uma dis- tancia critica da própria cultura, conhece-la no confronto com suas al- ternativas. Nem sempre esse escopo reflexivo era consciente para os an- tropólogos de outrora, mas agora sabemos que era precisamente isso o que estavam a fazer. Há um problema nessa historia da Antropologia, um problema de nome. Evidentemente, Heródoto, Montaigne ou Humboldt não se con- sideravam antropólogos, e não são considerados antropólogos agora; sua aproximação a essa disciplina se reduz a essa condição, tão plástica, de precursores. Mas é que ainda um Malinowski, ele já um profissional, chamava etnologia, e não antropologia, a sua atividade. Os seguidores de Durkheim, pesquisadores como Mauss, Hertz ou Paulme, chamavam-se etnólogos. Mauss foi co-fundador e diretor do Instituto de Etnologia. E o próprio Lévi-Strauss, o antropólogo do século como tem se repetido recentemente pelo motivo do seu centenário, definiu-se sempre como um etnólogo. Marcel Mauss ordenou esses dois termos - e mais um, etno- grafia - numa estrutura piramidal, em que a etnografia limitava-se a uma pesquisa empírica e à descrição dos seus resultados; a etnologia a uma primeira elaboração heurística dos resultados, de tipo histórico e compa- rativo; e finalmente à antropologia caberia amadurecer os frutos teóricos de todo esse trabalho, enunciando generalizações ou quem sabe leis ci- entíficas. Esse sistema não tem mais autoridade na antropologia atual, que desacreditou dessas hierarquias, mas já nasceu como uma racionali- zação a posteriori. As relações entre etnologia e antropologia eram, na verdade, bem outras. Acontece que, na mesma época em que Mauss expunha seu sistema, o nome Antropologia era dado a uma disciplina muito diferente, uma dis- ciplina de caráter biologicista e de feições frequentemente racistas, eu- genistas e lombrosianas, sediada quase sempre nas faculdades de Medici- na. Ela surgiu, ao longo do século XIX, em vários paises europeus e a- mericanos, e talvez um dos seus exemplos mais expressivos possa ser encontrado muito perto daqui, no Brasil. A antropóloga Mariza Correia corresponde o mérito de ter mostrado o papel de Raimundo Nina Ro- drigues, inicialmente um médico legista, na fundação da antropologia no Brasil: uma ciência votada a grandes planos de construção da nação, de reforma da sociedade, ou a rigor do povo brasileiro. Não um estudo do

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outro, senão da própria população (à qual não se reserva o titulo de ou- tro, mas alguns bem menos prestigiosos), que visava fornecer ao Estado os meios intelectuais e técnicos de levantar a república. A Nina Rodri- gues devem-se coisas como a adoção da datiloscopia, o sistema de con- cursos públicos, a criação do primeiro museu de antropologia (onde se

guardaram durante alguns decênios as cabeças de Lampião, Antonio Conselheiro e Maria Bonita), as tortuosas polêmicas sobre a mestiçagem

e o início dos estudos sobre as religiões afro-brasileiras. Pode ser difícil à primeira vista entender o que todas essas ocupações, no seu conjunto, têm a ver com a antropologia. Mas na época elas são antropologia preci- samente nesse conjunto: mesmo coisas como a datiloscopia ou o sistema de concursos públicos visam fornecer, por meios científicos, uma defini- ção comum da matéria humana de que a república devera estar feita. À diferença da etnologia, ocupação romântica e erudita – se ela foi mesmo um instrumento em mãos do processo colonial é objeto de longo debate

- a Antropologia da época de Nina Rodrigues pretende ser um saber prá-

tico, engajado, aplicado, implicado, proativo. Permito-me amalgamar aqui adjetivos, digamos, de direita e de esquerda: os partidários da an- tropologia implicada podem exigir que não a confundamos com a antro- pologia aplicada, mas sem negar as suas diferenças é impossível que a uma certa distância não reconheçamos também as suas semelhanças. Os seus arautos coincidem em que é necessário deixar de pensar o mundo para mudar o mundo, não importa se isso é feito mediante o higienismo ou a revolução. Do mesmo modo, é importante que as diferenças não nos ocultem as continuidades, se queremos saber por que os nossos departamentos chamam-se departamentos de antropologia, e não de etnologia. Nina Rodrigues é, sim, nosso fundador. A antropologia atual tem se livrado nas suas histórias desse momento ancestral, e costumam entendê-lo co- mo uma espécie de aberração inicial da disciplina. E, no entanto, é dessa aberração inicial que ela tem herdado, além do nome, o lugar institucio- nal. Pelo menos até bem pouco tempo atrás, os antropólogos – que ra- ramente ofereciam suas disciplinas em cursos humanistas como filosofia ou história - tinham lugar obrigatório nos cursos de medicina, educação física, serviço social e odontologia. O que acabou entendendo-se como uma contribuição humanista a esses cursos ocupava o lugar de uma an- tropologia anterior, que se inseria neles por afinidade histórica, não por contraste. Mas é preciso notar que, a parte pelo seu nome e lugar insti-

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tucional, a antropologia conserva uma terceira herança daqueles inícios,

a saber o seu papel de agente científico na construção nacional. Atual-

mente, no Brasil, os profissionais da antropologia são ativos, e muitas vezes pioneiros, na implementação das políticas de igualdade de gêneros ou raça, dos direitos diferenciais de minorias ou povos indígenas, e em suma de um regime multicultural. É claro, para isso ela teve antes que trocar o biologismo da primeira hora, sua afirmação de uma natureza humana estável e quantificável, por um credo multicultural e uma meta- física do sujeito. Em algum momento da história, a etnologia e a antropologia, duas disciplinas de caracteres tão diferentes, acabaram se aliando. Provavel-

mente, a mediação foi dada pelo processo colonial, quando os outros da etnologia, integrados direta ou indiretamente nos estados nacionais, pas- saram a fazer parte desse povo sempre merecedor de profundas refor- mas. O próprio Malinowski, zelando pelo prestigio da sua disciplina, recomendava a seus discípulos que mostrassem às autoridades coloniais

o interesse que essa investigação dos enigmas do outro podia ter para a

administração. A marcha para o oeste nos Estados Unidos ou no Brasil teve por sua vez os mesmos efeitos que o processo colonial clássico: os

índios dos etnólogos foram progressivamente integrados na sociedade nacional – o que, em miúdos, significa que mergulharam nas mazelas que

a Antropologia tinha se especializado em diagnosticar. Celebrou-se, em

suma, um casamento (não sei se definitivamente consumado, alguém poderia suspeitar que de conveniência) entre as excursões pela alteridade da etnologia e as propostas reformistas da Antropologia, do qual foram em tempo desterrados o passado biologizante da antropologia e o dile- tantismo exotizante dos viajantes. Observem que até agora usei os itáli- cos para designar uma antropologia como a de Nina Rodrigues. A An- tropologia sem itálicos é a nova entidade que surge desse casamento. É um matrimonio fecundo? Sinceramente, não sei. O que segue é, pelo menos em parte, expressão dessa dúvida.

A Ciência com maiúsculas

Antes que esqueçamos dela, é preciso dizer que a Antropologia le- gou-nos uma quarta herança, a saber, a dura lição de que é difícil chegar a métodos rigorosos semelhantes aos das ciências naturais. Pior, que esses métodos pretensamente rigorosos podem dar origem a muitas monstru-

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osidades antes de se revelar como epistemologicamente falsos. Não por acaso foi Franz Boas, debelador do biologismo raso e do seu filho predi- leto, o racismo, quem alertou sobre a distância que separava a antropo- logia dos padrões científicos de outras áreas do saber. Apesar desse trauma inicial, a Antropologia clássica – que reúne funcionalistas britâ- nicos, culturalistas americanos e neokantianos franceses - continuou sendo uma ciência ambiciosa, sempre à procura de um lugar epistemolo- gicamente comparável ao das ciências naturais. Foi o culturalismo duro ao estilo de Kroeber, foi a ciência natural das sociedades de Radcliffe- Brown, foi o primeiro estruturalismo de Lévi-Strauss. Seus sucessores descartaram em geral seus sistemas, mas não descartaram suas ambições. Qualquer antropólogo de quarenta anos para cima deve lembrar os tem- pos em que da vanguarda da profissão se destacavam periodicamente alguns elementos resolutos que empreendiam a ensejada reforma epis- temológica. Lembremos, por exemplo, da ethnoscience, dos estudos de rede, do materialismo cultural, de análises inspiradas na semiologia de Greimas, ou da epidemiologia das representações de Dan Sperber. Os projetos cientificistas da antropologia, inicialmente, foram cain- do vitimas do vírus mais comum, a saber, esses pequenos fatos que são capazes de arrasar grandes teorias. Com sua progressiva sofisticação, foram sendo vítimas do seu próprio triunfo: os resultados das análises semióticas são surpreendentes duas ou três vezes, depois tornam-se re- petitivos e vácuos. Os estudos de rede acabam, ao modo borgiano, for- necendo um mapa do mundo do mesmo tamanho que o mundo, quando não um pouco maior. Simplesmente, tais propostas deixam de interessar depois de um período de auge; às vezes deixam de interessar os seus próprios autores. Às vezes podem manter algum interesse marginal: a ethnoscience é ainda atrativa para tratar dos sistemas de classificação de animais ou plantas, mas é um artefato inviável para tratar das culturas no seu conjunto. Seja lá como for, o público, decepcionado, se pergunta: e era este o paraíso epistemológico prometido? Nos anos 80, Dan Sperber propunha diferenciar antropologia e et- nografia, recuperando em parte a velha distinção. Haverá sempre uma demanda de descrições abrangentes, mais ou menos imprecisas, de soci- edades ou culturas, e a etnografia sempre será capaz de responder a ela. Mas a Antropologia deve continuar avançando pelos caminhos que lhe permitam se aproximar da Ciência com maiúsculas. O tempo parece ter lhe dado razão, talvez do modo que ele menos queria. Pode ser que a

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Antropologia como Ciência continue a engrossar suas maiúsculas em algum ou outro laboratório exato, bem iluminado e pouco conhecido. Mas a antropologia, que tem conhecido desde então um auge sem prece- dentes no mundo universitário – ao menos em países como o Brasil - está cada vez menos interessada em projetos desse tipo, e muito pelo contrário tem cada vez mais as feições do que ele recomendava chamar simplesmente “etnografia”. A crua verdade é que o público da ciência não parece se interessar por aquele velho ideal, a saber, uma ciência objetiva da sociedade. Como poderia não se interessar? Mudemos o ônus da prova: por que se interes- saria nela? O surgimento e desenvolvimento de um conjunto de ciências naturais é evidentemente contemporâneo do surgimento de uma idéia de natureza, que por definição inclui todo aquilo que, como nós mesmos decidimos, não somos nós. Há mesmo um aspecto dos seres humanos que permanece no domínio da natureza, a saber o corpo. Razão suficien- te para que a Medicina não seja incluída entre as ciências humanas (o surpreendente é que essa exclusão nunca nos surpreenda!) e pelo contrá- rio ocupe um lugar cômodo, embora um pouco falso, ao lado das ciên- cias naturais. Não relutamos demasiado em que os médicos abram, en- tubem, explorem, ou até com as devidas precauções experimentem com os nossos corpos. Mas essa tolerância cessa rápido cada vez que os médi- cos tentam penetrar em domínios que já não nos parecem tão inequivo- camente corporais, como o do comportamento. Higienismo ou psicolo- gia experimental são domínios eticamente tenebrosos, logo descobrimos nos seus praticantes esse gesto inquietante do cientista louco. Uma ciência natural ou exata da sociedade ou da humanidade pode ser o sonho de alguns cientistas decididos a entrar no panteão dos gran- des cientistas junto com Newton, Darwin ou Einstein. Para o resto dos humanos é antes um pesadelo, uma distopia. Um mundo cientificamente administrado é claramente incompatível com a democracia. E não preci- samos entender aqui a democracia em sentido muito exigente. Stalin tra- tou muito mal os cientistas que pretendiam vender ao seu regime uma experiência de eugenia positiva na União Soviética, e mesmo dentro do regime nazista, muito mais inclinado às experiências radicais, essas mes- mas experiências não conseguiram prosperar além de pequenos – e mui- to sinistros - enclaves. Mesmo os regimes totalitários desconfiam de ci- entistas que se pretendem poderosos, preferem pequenas oligarquias de sujeitos falíveis.

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As autoridades nos alertam para não sermos demasiado previsíveis porque isso diminui a nossa segurança. Se um homem escuta de uma mulher (o inverso vale igualmente) que é imprevisível, isso pode até ser um elogio. Se escuta que ele é previsível, está em qualquer caso perdido. Ninguém quer a previsibilidade para si, apenas para os inimigos. Alguém recorreria às cartomantes se elas não padecessem de um alto grau de in- certeza, e pudessem predizer com exatidão, por exemplo, a causa e o momento exato da morte do consulente? Em resumo: as ambições cien- tificistas, essas que têm sustentado a esperança de chegar a metodologias poderosas, são vítimas de um fracasso ao quadrado, porque os seus obje- tos não querem que elas triunfem e têm os meios de impedi-lo 3 .

A interpretação das culturas

Não foi sem tempo que Clifford Geertz enunciou em um artigo (depois coletânea) enormemente influente, A Interpretação das Culturas, a nova norma: a antropologia deveria ser avaliada pela sutileza de suas distinções, e não pela abrangência de suas sínteses. A antropologia é in- terpretação, um saber a posteriori, after the facts, o que significa, muito fundamentalmente, que não está mais querendo prever nada. Na verda- de, essa doutrina já tinha sido enunciada antes. Especialmente, por E- vans-Pritchard, quando nas suas Marett Lectures de 1950 causou uma grande comoção, proclamando que a antropologia como ciência natural das sociedades era um falso projeto, e que se a antropologia devia ser algo, esse algo seria algo muito parecido à história. Já antes disso, Wes- termack tinha oposto dúvidas semelhantes contra as pretensões dos evo- lucionistas. Mas se essa denúncia do cientificismo já tinha sido feita antes, e por scholars tão proeminentes, por que Geertz, e não qualquer predecessor, ficou afinal como o ponto de inflexão? Elementar: Evans-Pritchard, em 1950, resultava demasiado avançado. Ou, para a visão da época, demasia- do retardatário. Extemporâneo, em qualquer caso (não falemos de Wes- termack!). Em 1950, ainda se esperava muito da Ciência. E em particular

3 Um bom exemplo está nos noticiários: a economia pode ter definido as leis que determinam as crises periódicas do capitalismo, sua amplificação e suas conseqüências finais. Mas com isso tem possibilitado a adoção de medidas que as alteram. Hipótese eficiente, hipótese verificada como falsa.

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da Antropologia. Se ela era ao mesmo tempo um saber sobre o outro, e

uma disciplina capaz de intervir positivamente no mundo, era precisa-

mente então quando tinha pela frente sua grande oportunidade, a saber

o processo de descolonização. A julgar pelos resultados, Evans-

Pritchard tinha toda razão. A grande ocasião da Antropologia como ci- ência foi um fiasco: sem saber ainda que mérito lhe correspondia na construção do sistema colonial, não serviu de grande ou de boa coisa no processo de sua desmontagem. Geertz, em 1975, já está no final desse processo. No mapa do mun- do, antes ocupado em sua maior parte por primitivos e selvagens, pulu- lavam agora inúmeros estados, surgidos da descolonização, aos que a disputa da guerra fria dava uma relevância abrupta. Com freqüência, nes- ses novos estados surgiam ideologias nacionalistas enfrentadas ao velho discurso colonial (incluindo o dos antropólogos) que proclamavam dife- renças e peculiaridades, ao mesmo tempo que tendiam a integrar suas populações na nova ordem mundial, pela porta da esquerda ou pela da direita. A obra de Geertz, com suas etnografias sobre o Marrocos e a Indonésia, é uma boa testemunha, e provavelmente um agente dessa é- poca. O interpretativismo que ele erige como norte para a antropologia

é, em sua forma básica, a epistemologia do multiculturalismo: que se

abram centenas de escolas de pensamento, que floresçam inúmeras in- terpretações de um mesmo mundo (em tempo, isso é paráfrase de uma famosa consigna maoísta daquela mesma época). Sabemos que a guinada para a interpretação de Geertz gerou um certo incômodo em vastos setores da profissão, e que esse incômodo se agudizou quando da radicalização do interpretativismo pelos seus discí- pulos, os antropólogos críticos pós-modernos do famoso Seminário de Santa Fé. De um modo muito simples, esse incômodo podia ser formu- lado de dois modos complementares. Ou bem a antropologia interpreta- tiva era carente de ambição (“então é só para isso que serve a antropolo-

gia?”) ou bem falta de rigor (“qualquer coisa serve?”). Seria difícil sen- tenciar se os descontentes eram remanescentes do velho projeto moder- nista, ansiosos de fazer ciência com maiúscula, ou eram inovadores de outro naipe. Com o tempo, sabemos, ambas as coisas tendem a se con- fundir. O que está claro, em qualquer caso, é que o paradigma interpre- tativista triunfou, em que pese essas oposições, e se tornou hegemônico

na

antropologia. Seus descontentes tiveram que assimilar de um modo

ou

outro boa parte de seus princípios, mesmo que continuassem a ran-

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ger os dentes. Seus campeões, de outro lado, creio que não acabaram de assimilar seu triunfo, e até agora tendem a se comportar como se ainda fossem os rebeldes contra uma velha ordem cujos rastros não se encon- tram já com facilidade na academia. Os descontentes, em qualquer caso, estavam rasamente errados em duas questões importantes. Nem a an- tropologia interpretativista carecia de ambições, nem inaugurava uma época em que tudo podia valer. Quanto à ambição, a antropologia pós-geertziana a mostrou de so- bra, ocupando um lugar importante num mundo cujos problemas, rela- cionados com a globalização, o papel das minorias, a indigenização da

modernidade, a falência dos grandes relatos, a fragmentação dos sujeitos, etc. etc. pareciam feitos à sua medida. A antropologia tem cada vez mais

a dizer sobre mais coisas mais importantes, e exerce com autoridade esse

papel de oráculo. Quanto à anarquia, ela nunca foi mais que aparência. Descartada a autoridade de um método cientifico, com toda aquela maquinaria epis- temológica que decidia o que era cientificamente provado e o que não, não por isso o universo da antropologia tornou-se uma balburdia confu- sa e/ou criativa. A velha legislação científica, que regulava apenas a pes-

quisa, foi substituída pelo adensamento de outras duas legislações de valor mais geral. Em primeiro lugar, a de um consenso moral cada vez

mais capilarizado e sensível, que se faz sentir através da exigência ética na pesquisa: o investigador não pode mais ignorar os significados que seus trabalhos assumem para uma rede de agentes cada vez mais presen- tes e atentos. E em segundo lugar, o da estrutura acadêmica: os antropó- logos passaram a se formar em nutridos sistemas de pós-graduação, que fixaram estilos e linhagens dentro dessa disciplina indisciplinada, como repete-se disciplinadamente desde então. Quem não celebraria a chegada de uma antropologia mais engajada com seus sujeitos – ou com os repre- sentantes legais dos seus sujeitos -, mais respeitosa de uma agenda ética

e mais ciosa de reconhecer o legado intelectual de seus mestres, e dos

mestres dos seus mestres? Certo, mas essas virtudes estão feitas de normas mais zelosas que as que postulavam Popper e seus acólitos. Já que não mais pretendia reduzir à previsibilidade os seus sujeitos, a an- tropologia optou por se tornar ela mesma previsível.

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Misérias da interpretação

A antropologia como interpretação vem sendo corroída por algu-

mas criticas que ela mesma gerou, e por ângulos cegos que sua presença

num lugar hegemônico tem produzido No que tange às primeiras, a pergunta em sido sempre a mesma:

precisamos de uma antropologia que interprete, ou em outros termos, que diga o que os nativos querem dizer; ou que traduza? Sabemos que os

fatos não falam por si sós, menos ainda quando eles, em termos episte- mológicos, não existem. Mas e os sujeitos, também não falam por si sós? Precisam de alguém que diga o que eles querem dizer? Qual é a relação entre dizer e querer dizer?

É claro que podemos estar lidando com linguagens o suficiente-

mente diferentes para impedir a comunicação. O antropólogo, assim, seria um tradutor, ou mais exatamente esse tipo de tradutor de fronteira, um truchimao, um broker. Mas os antropólogos raramente, se alguma vez, cumpriram esse papel. Em geral eles desenvolveram suas pesquisas em mundos já abertos por obra de muitos outros brokers. E mais, em boa parte suas atividades se fundam na colaboração com nativos que sa- bem sua língua e despendem esforços na tradução da sua cultura, ou algo

mais que a tradução, pois é precisamente no diálogo com o pesquisador que essa cultura surge como tal. O nativo já é um tradutor, e de fato po- deríamos dizer que o mundo globalizado é uma rede de tradutores dedi- cados a estender todo tipo de pontes entre as culturas. Essas objeções, repito, formam talvez o núcleo da crítica que os pós-modernos opuseram ao interpretativismo de Geertz: reconheçamos que elas podem derivar de uma avaliação muito otimista da comunicação humana. Basta dar uma olhada a essas páginas que os antropólogos re- servam para dar voz a seus nativos para reconhecer que provavelmente não haja tradutores suficientes em todo esse mundo de tradutores. E para isso não é necessário que os nativos sejam habitantes de algum lugar remoto: mesmo dentro da academia, boa parte do que chamamos traba- lho teórico está investido na tradução de uns idiomas teóricos a outros, pois dentro de uma academia cada vez mais populosa, as linhagens an- tropológicas têm desenvolvido léxicos não pouco distantes da linguagem comum. A interpretação, assim, por abusiva e autoritária que possa che- gar a ser, é defensável. Mas será que o antropólogo cumpre de fato essa função? Como dis-

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semos, o antropólogo é chamado de vez em quando aos escritórios go- vernamentais ou aos meios de comunicação. Espera-se dele que interpre- te, que expresse o que a ciência tem para dizer a respeito de violência, direitos, diversidades, autenticidades. Espera-se que a antropologia tenha sempre algo que dizer, e que a sua mensagem seja condizente com as expectativas legítimas dos nativos que falam e dos nativos que escutam. Na prática, isso significa que a experiência etnográfica contribui pouco para essa mensagem: a experiência etnográfica, por definição, é pródiga em fatos estranhos, que sempre podem ser mal-entendidos, ou mal in- terpretados. O tradutor cultural tem sempre algo de diplomata, e nem sempre é seguro que uma tradução cabal seja a mais diplomática. Pru- dentemente, o antropólogo prefere então um discurso guarda-chuva mais ou menos filosófico. Provavelmente o pior inconveniente da antro- pologia como interpretação seja que o seu público, de um lado e outro da fronteira, não esteja tão interessado assim no que os outros dizem, fazem ou pensam, mas em ouvir algum discurso suficientemente vago, esperançoso e conciliador. Todas essas reticências nos levam assim a uma outra mais funda- mental: o interpretativismo, reconhecendo a todo o mundo o direito a uma interpretação legítima, está a lhe negar o direito a uma realidade própria. Certo, o antropólogo não tem senão sua própria interpretação,

e uma restrição de tipo ético nos adverte de que ela não é mais do que

uma entre outras; secundária, aliás, interpretação de interpretações. Mas

o interpretativismo não nega, pelo contrário afirma, que todas essas in-

terpretações desembocam sobre uma realidade comum, da qual ele, com sinceros protestos, afirma não ter as chaves. Não importa, se ele não as tem, há quem as tenha, e esse alguém é sempre um condômino do cam-

pus universitário: economista, médico, sanitarista, físico, e todos aqueles especialistas aos que com mais ou menos justiça se atribui o estatuto e- pistemológico de ciência dura, ou pelo menos mais dura. A liberdade interpretativa da antropologia se estabeleceu ao preço de sua restrição a um âmbito bem peculiar, o domínio simbólico da cultura. Assim, todo mundo tem direito a entender uma epidemia como ataque de espiritos malévolos, como produto de desequilíbrios econômicos, como provação ou castigo enviado por Deus, ou como expansão de uma população de microorganismos; todo mundo tem direito a uma visão de mundo. Mas quanto ao mundo real, há outras ciências que dizem o que uma epidemia

é e como é preciso tratá-la. Aqui pode renascer aquela velha suspeita de

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que a ambição da antropologia deveria ter sido direcionada de outro modo. Quiçá seria melhor renunciar a todo esse reino de interpretação por um pouco de realidade objetiva.

Ambições minimalistas

E neste ponto estou me encaminhando a responder à pergunta ini- cial desta conferencia. O que a antropologia tem realmente para ofere- cer 4 ? Se é pouco limitar-se às diversas interpretações de um único mun- do, qual é a proposta? Radicalizar no relativismo, negando – como sus- peitam os bons colegas das ciências duras - a existência da realidade ob- jetiva? Ou pelo contrário trata-se de voltar à velha epistemologia cienti- ficista? Nem uma coisa nem outra; já desde o inicio anunciamos uma contribuição ambiciosa porém minimalista. Posso avançar que, no entan- to, ela inclui um conhecimento objetivo, passível de debate e não apenas de opiniões incomensuráveis. O que a antropologia tem para oferecer é um uso conseqüente do seu recurso mais básico, a etnografia. Diz-se com freqüência que o trabalho de campo é o laboratório da antropologia. Bela retórica, útil para encarar agencias financiadoras. Mas se a etnografia e o trabalho de campo têm algo interessante para ofere- cer, é precisamente o que os diferencia de uma situação de laboratório. No laboratório, o pesquisador controla cuidadosamente o ambiente e seus protagonistas, e tenta responder a perguntas bem formuladas. No trabalho de campo etnográfico, é o ambiente quem controla e manipula o investigador, que chega ao campo com perguntas vagas, ou tem que se resignar a que elas se tornem vagas e sejam constantemente reformula- das. Mas como e porque idéias vagas e pesquisadores desorientados po- deriam trazer uma contribuição de valor? Porque essa antropologia “re- duzida” à etnografia tem a possibilidade de ser uma ciência cujo objeto se defina apenas no final da pesquisa, ou em outras palavras uma ciência cujo objetivo está em descobrir ou inventar objetos. Detalhemos esta ul- tima frase. Descobrir, porque o objeto, em certo sentido, já esta ali, em forma de algo que atrai a atenção do pesquisador. Inventar, porque ele só

4 A proposta deste texto tem bem pouco de original do seu autor. É uma paráfrase livre de propostas bem conhecidas de Bruno Latour, Eduardo Viveiros de Castro, Marcio Goldman, quiçá um pouco de Paul Veyne e Foucault. Não acrescento mais precisão bibliográfica com a certeza de que o leitor, buscando a esmo nos autores citados, encontrará muitas outras idéias de grande interesse.

POR UMA ANTROPOLOGIA MINIMALISTA

15

se define no diálogo entre o pesquisador e o nativo 5 . Um fato reconhe- cido, classificado e institucionalizado nunca é a mesma coisa que um fa- to nu e cru. Aliás, no momento em que o fato nu e cru é conhecido, ele não está mais nu nem cru. Objetos, porque se trata de algo que ultrapassa esse diálogo, porque não se trata aqui de interpretações de algo real, mas de uma articulação de interpretação e prática que está aí, que acontece. Não é uma interpre- tação legalmente equivalente a outras interpretações: é um fato dotado de conseqüências, que pode ser mostrado ou refutado (e que carregará, obviamente, múltiplas interpretações indemonstráveis e irrefutáveis). A história da antropologia está cheia desses objetos. Sistema de pa- rentesco, potlacht, kula, totemismo, eficácia simbólica, organizações segmentares, pensamento selvagem, castom, xamanismo, consumo pro- dutivo, perspectivismo ameríndio, ritual de passagem, liminaridade. Chamo-os objetos, e não apenas conceitos, porque o seu raio de ação ultrapassa com freqüência os limites do discurso teórico em que de di- reito agem os conceitos. Todos eles têm surgido de pesquisas etnográficas razoavelmente de- sorientadas, onde o pesquisador não sabia bem o que procurava e reagia como podia aos estímulos do campo. Todos eles tem passado a ser, de- pois de sua invenção, elementos da descrição do mundo, modificando os relatos mais sumários de outros tempos – será que depois do pensamen- to selvagem alguém pode repetir honestamente as antigas historias sobre a origem da ciência? - e em boa parte tem passado a fazer parte também da prática dos nativos de todo o mundo, contribuindo para modificar a sua vida e o próprio objeto: patrimônio imaterial, economia sustentável ou placeboterapia são conseqüências diretas ou indiretas de descobertas etnográficas. A microbiologia descobre seus vírus, a genética descobre suas ca- deias de DNA. A antropologia descobre como, a partir de uns e outros, das interpretações que dão a ambos, e de muitos outros ingredientes, os humanos vivem novos tipos de epidemias, entendendo por tais não só a

5 “Inventar” aqui vale como o inventar de Roy Wagner, ou simplesmente como o “inventar” dos autores do barroco que tratavam por exemplo da “invenção” de imagens milagrosas. Essa invenção não era, evidentemente, algo assim como engano ou simulação, mas um trazer à tona de uma imagem que depois disso ganhava vida própria, e um poder muito superior ao dos seus inventores.

16

OSCAR CALAVIA SÁEZ

expansão dos vírus mas também as respostas sociais que os humanos dão

a ela: da doença da vaca louca ou das gripes do frango e do porco podem

surgir notáveis objetos etnográficos. A antropologia da que estou a falar não postula, como repetem alguns positivistas mal informados, que não haja realidade objetiva, mas que nessa realidade objetiva há muito mais objetos dos que supõem outros cientistas. Para usar o mesmo exemplo,

não se trata em absoluto de negar a realidade do vírus para dizer que ele

é “apenas uma construção do imaginário”, mas, pelo contrário, de indi-

car que as diversas idéias e atitudes sobre a doença estão também aí, são observáveis e têm conseqüências, não sendo “apenas uma construção do imaginário” como tendem a pensar os cientistas do laboratório. As ciências sociais desejam ainda um quadro teórico que faça a vida humana algo mais previsível (como a medicina ou a engenharia)? Vimos antes que esse quadro, mesmo se fosse possível, não interessa. O que interessa é uma ciência aberta à imprevisibilidade, ou seja, à contínua produção de novos fatos. Poderia a antropologia desvendar, por exem- plo, as causas e leis da violência? E para que? Para que algum poder geral saiba como neutraliza-la? Pode com certeza descrever modalidades ve- lhas e novas, diferenciá-las. Mas essa atividade interessaria a alguém que

não fosse um etnólogo, colecionador de fatos curiosos? Muito pelo con- trário, creio que seja de interesse geral. Deixemos um momento os livros

(se é que lemos livros ainda) e assistamos ao noticiário da televisão. Se esse noticiário é o brasileiro – não creio que o panorama mude muito em outros lugares - encontraremos, nos lugares nobres, assuntos financeiros

e corrupção política, uma dose de bombas e sangue; num capitulo mais

modesto, algo a respeito de direitos humanos, saúde e fome, e apelos vagos a uma ordem mais justa e racional, à regulamentação e judicializa- cao dos problemas como modo de se aproximar dela. Muito pouco:

qualquer um que conheça mais de perto a notícia sabe que há mais fatos envolvidos, que as coisas são mais complexas, e que tudo é radicalmente simplificado para que faça logo sentido. O pensamento único - algo da ordem da interpretação - pode ser preocupante, mas ele é um mal subsidiário de outro bem pior, a saber a realidade única, ou mais exatamente uma realidade reduzida a um cardá- pio muito limitado, sob o falso pretexto de que essa redução a faz mais racional. A antropologia tem uma contribuição mínima, mas fundamen- tal, que é a de inserir na reflexão humana a consciência de uma diversi-

dade não apenas de direito, mas sobretudo de fato.

que é a de inserir na reflexão humana a consciência de uma diversi- dade não apenas
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ANTROPOLOGIAANTROPOLOGIAANTROPOLOGIAANTROPOLOGIA EMEMEMEM PRIMEIRAPRIMEIRAPRIMEIRAPRIMEIRA MÃOMÃOMÃOMÃO InstruçõesInstruçõesInstruçõesInstruções paraparaparapara ColaboradoresColaboradoresColaboradoresColaboradores

APM aceita originais em português, espanhol, francês e inglês, encaminhados (em formato Word [.doc]) em duas cópias impressas e em versão digital via e-mail. No caso de textos submetidos por estudantes de pós-graduação, sua publicação dependerá de avaliação de parecerista, docente do PPGAS. Os autores receberão dois exemplares do número da re- vista na qual seus trabalhos forem publicados.

DiretrizesDiretrizesDiretrizesDiretrizes dededede FormataçãoFormataçãoFormataçãoFormatação paraparaparapara SubmiSubmisSubmiSubmisssãossãosãosão

A. Página: tamanho A4 (21 x 29,7cm).

B. Fonte: Times New Roman, tamanho 12, ao longo de todo o texto, incluindo referências,

notas de rodapé, tabelas, etc.

C. Margens: 2,5 cm em todos os lados (superior, inferior, esquerda e direita).

D. Espaçamento: espaço simples ao longo de todo o manuscrito, incluindo folha de rosto,

resumo, abstract, corpo do texto, referências, anexos, etc.

E. Alinhamento: esquerda

F. Recuo da primeira linha do parágrafo: tab = 1,25cm

G. Numeração das páginas: no canto direito superior de cada página.

H. Endereços da internet: as referências dos endereços "URL" (links para a internet) no texto

(ex.: <http://www.antropologia.ufsc.br>) deverão incluir a data de acesso.

I. Ordem dos elementos do manuscrito: folha de rosto identificada (todos os autores), folha de rosto sem identificação, resumo e abstract com palavras-chaves (e keywords), corpo do texto, referências, anexos, notas de rodapé, tabelas e figuras. Inicie cada um deles em uma nova página.

ElementosElementosElementosElementos dodododo manuscrito:manuscrito:manuscrito:manuscrito:

A. Folha de rosto identificada: título (máximo de 20 palavras); nome e afiliação institucio-

nal de cada autor; e-mail dos autores para correspondência com os leitores e com os edi- tores responsáveis.

C. Folha de rosto sem identificação: título (máximo 20 palavras).

D. Resumos em português e inglês (abstract): com no máximo 100-150 palavras cada, incluindo o título. Ao fim do resumo, listar pelo menos três e no máximo cinco palavras- chave (em letras minúsculas e separadas por ponto e vírgula). O resumo em inglês (abs- tract) vem a seguir, com as respectivas palavras-chaves (keywords).

E. Corpo do texto: não é necessário colocar título do manuscrito nesta página. As subse-

ções do corpo do texto não começam cada uma em uma nova página e seus títulos devem estar centralizados e ter a primeira letra de cada palavra em letra maiúscula (por exemplo, Resultados, Método e Discussão, etc). Os subtítulos das subseções devem estar em itálico e ter a primeira letra de cada palavra em letra maiúscula (por exemplo, os subtítulos da subseção Método: Participantes, ou Análise dos Dados).

2

As palavras “Figura”, “Tabela”, “Anexo” que aparecerem no texto devem ser escritas com a primeira letra em maiúscula e acompanhadas do número (Figuras e Tabelas) ou letra (A- nexos) ao qual se referem. Os locais sugeridos para inserção de figuras e tabelas deverão ser indicados no texto.

Sublinhados,Sublinhados,Sublinhados,Sublinhados, itálicositálicositálicositálicos eeee negritosnegritos:negritosnegritos sublinhe apenas as palavras ou expressões que devam ser enfatizadas no texto. Por exemplo, "estrangeirismos" como self, locus, etc, e palavras que deseje salientar. Não utilize itálico (a não ser onde é requerido pelas normas de publica- ção), negrito, marcas d'água ou outros recursos, pois trazem problemas sérios para os editores de texto e leitura de provas.

Dê sempre crédito aos autores, incluindo as datas de publicação de todos os estudos refe-

ridos. Todos os nomes de autores cujos trabalhos forem citados devem ser seguidos da data de publicação. Todos os estudos citados no texto devem ser listados na seção de Refe-

rências.

F. Referências: Inicie uma nova página para a seção de Referências, com este título centra-

lizado na primeira linha abaixo do cabeçalho. Apenas as obras consultadas e menciona- das no texto devem aparecer nesta seção. Continue utilizando simples e não deixe um espaço extra entre as citações. As referências devem ser citadas em ordem alfabética pelo sobrenome dos autores e cronológica ascendente por obra de cada autor.

G. Anexos: evite. Somente devem ser incluídos se contiverem informações indispensáveis.

Os Anexos devem ser apresentados cada um em uma nova página, devendo ser indicados no texto e apresentados no final do manuscrito, identificados pelas letras do alfabeto em maiúsculas (A, B, C, e assim por diante).

H. Notas de rodapé: devem ser evitadas sempre que possível. No entanto, se não houver

outra possibilidade, devem ser indicadas por algarismos arábicos sobrescritos no texto e apresentadas no final do artigo. O título (Notas de Rodapé) deve aparecer centralizado na primeira linha abaixo do cabeçalho. Recue a primeira linha de cada nota de rodapé em 1,25cm e numere-as conforme as respectivas indicações no texto.

I. Tabelas: Devem ser elaboradas em Word (.doc) ou Excel. No caso de apresentações

gráficas de tabelas, use preferencialmente colunas, evitando outras formas de apresenta- ção como pizza, etc. Nestas apresentações evite usar cores. Cada tabela começa em uma página separada. A palavra a “Tabela” é alinhada à esquerda na primeira linha abaixo do cabeçalho e seguida do número correspondente à tabela. Dê um espaço duplo e digite

o título da tabela à esquerda, em itálico e sem ponto final. Apenas a primeira letra da primeira palavra e de nomes próprios deve estar em maiúsculo.

J. Fotos e Figuras: Fotos devem ser do tipo de arquivo JPG e apresentadas em arquivo

separado, inseridas no sistema como documento suplementar. Fotos e figuras não devem exceder 13,5 cm de largura por 17,5 cm de comprimento. A palavra Figura é alinhada à esquerda na primeira linha abaixo do cabeçalho e seguida do número correspondente à

figura. Dê um espaço duplo e digite o título da figura à esquerda, em itálico e sem ponto final. Apenas a primeira letra da primeira palavra e de nomes próprios deve estar em

maiúsculo.

K. Referências bibliográficas

As referências bibliográficas devem aparecer no corpo do texto com o seguinte formato:

Sobrenome do autor /espaço/ ano de publicação: /espaço/páginas, conforme o exemplo:

(Midani 2008: 279-281).

A bibliografia deve ser apresentada em ordem alfabética de sobrenome, após as notas,

respeitando o formato dos seguintes exemplos:

Livro:

AGOSTINHO, Pedro. 1974. Kwarìp: Mito e Ritual no Alto Xingu. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo.

Coletânea:

3

CARDOSO, Vânia Zikán (org.). 2008. Diálogos Transversais em Antropologia. Floria- nópolis: UFSC/Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social.

Artigo em Coletânea:

SANTOS, Silvio Coelho dos. 1998. "Notas sobre Ética e Ciência". In: Ilka Boaventura Leite (org.), Ética e Estética na Antropologia. Florianópolis: UFSC/Programa de Pós- Graduação em Antropologia Social, pp. 83-88.

Artigo em Periódico:

SANCHIS, Pierre. 2002. "Religiões no Mundo Contemporâneo: Convivência e Confli- tos". Ilha – Revista de Antropologia, 4 (2):5-23.

Tese Acadêmica:

MELLO, Maria Ignez Cruz. 2005. Música, Mito e Ritual no Alto Xingu. Tese de Doutora- do em Antropologia Social, Universidade Federal de Santa Catarina.

SerãoSerãoSerãoSerão aceitosaceitosaceitosaceitos trabalhostrabalhostrabalhostrabalhos comcomcomcom asasasas seguiseguinseguiseguinntesntestestes características:características:características:características:

1. Artigos ou ensaios (até sete mil palavras, tudo incluindo);

2. Debates: artigos com especial interesse teórico-metodológico que se fazem acom-

panhar de comentários críticos assinados por outros autores (até 7.000 palavras)

3. Entrevistas (até 7000 palavras)

4. Ensaio bibliográfico: resenha crítica e interpretativa de vários livros, teses, disser-

tações e outras publicações que abordem a mesma temática (até 3.000 palavras, in- cluindo as referências bibliográficas e notas);

5. Resenhas biblio/disco/cine/videográficas; pequenas resenhas de livros, discos, filmes ou vídeos recentes (até dois anos, até mil palavras, incluindo as referências bibliográficas e notas);

6. Notas de pesquisa: relato de resultados preliminares ou parciais de pesquisa (até

1500 palavras, incluindo as referências bibliográficas e notas);

7. Traduções: de textos importantes da disciplina, cuja tradução ao português inexiste

ou é de difícil acesso. Somente serão aceitas traduções acompanhadas com o devido consentimento do autor, família ou editora em que o texto foi originalmente publica- do. No caso de obras que já caíram em domínio público, as exigências acima não prevalecerão.

DeclaraçãoDeclaraçãoDeclaraçãoDeclaração dededede DireitoDireitoDireitoDireito AutoralAutoralAutoralAutoral

Os direitos autorais dos artigos publicados em APM são do autor, com direitos de primeira publicação para a revista.

ObservaçõesObservaçõesObservaçõesObservações

As opiniões emitidas nos artigos publicados em APM são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores. Em virtude de aparecerem nesta revista de acesso público, os artigos são de uso gratuito, com atribuições próprias, em aplicações educacionais e não- comerciais. Ao reproduzir total ou parcialmente algum artigo, é obrigatório citar a fonte. Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os ser- viços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.

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