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Farmacoeconomia

Modelo de Saúde

Em países como Canadá, Austrália e Reino Unido, a farmacoeconomia já faz parte da rotina da indústria farmacêutica. No Brasil, essa área da Economia da Saúde, surgida na década de 1970 no mundo, aos poucos vai ganhando espaço entre os fabricantes. Tanto que já há aqueles que estão na vanguarda em matéria de elaboração de projeções sobre o impacto econômico na incorporação de medicamentos no tratamento de determinadas doenças.

de medicamentos no tratamento de determinadas doenças. O objetivo final dessas projeções é garantir o acesso

O objetivo final dessas projeções é garantir o acesso ao tratamento mais eficaz ao maior número de pacientes e a alocação eficiente de recursos, comparando- se as opções existentes. Num país como o Brasil, a adoção da técnica faz toda a diferença.

Afinal, os estudos de farmacoeconomia são a garantia de que os recursos serão aplicados da maneira mais racional possível na erradicação ou no controle de doenças.

Um exemplo de como funciona um estudo de farmacoeconomia envolve o benzonidazol, originalmente produzido pela Roche com a denominação de Rochagan®.

Apontado pelo Ministério da Saúde como indispensável para o tratamento da doença de Chagas, o benzonidazol é utilizado no Brasil com ótimos resultados desde os anos 1980. Já foi utilizado em mais de 200 mil tratamentos.

Ele atua no protozoário Trypanossoma cruzi de modo a impedir ou retardar sua ação no organismo da pessoa infectada, dependendo da fase da doença em que ela se encontra, se na aguda ou na crônica. Quando o tratamento é iniciado na fase aguda o resultado é melhor, pois o remédio previne o desenvolvimento de lesões cardíacas que costumam levar o doente à morte.

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Como equilibrar desejos e necessidades ilimitados com recursos limitados >> Por Ana Santa Cruz

Agora, a Roche trabalha na transferência de tecnologia para o segundo maior laboratório público do país, o Lafepe, de Pernambuco, que passará a produzir o benzonidazol a pedido do governo do Acre, estado para o qual foi doada a tecnologia do medicamento com o propósito de fornecer uma fonte de recursos (via royalties).

Causa e conseqüência

A doença de Chagas é a terceira maior doença parasitária de impacto econômico na América Latina, logo após a malária e a esquistossomose. Na região, está relacionada a perdas econômicas de 6,5 bilhões de dólares (fonte:

a perdas econômicas de 6,5 bilhões de dólares (fonte: Relatório OMS, ONU e Banco Mundial, 1977)1.

Relatório OMS, ONU e Banco Mundial, 1977)1. No Brasil, entre 1991 e 1999, o governo investiu mais de 180 milhões de dólares em ações a fim de interromper a transmissão da doença de Chagas. Sua incidência por aqui vem diminuindo na última década por causa de medidas profiláticas e em

decorrência do processo de urbanização da população brasileira, uma vez que

a população rural é a mais exposta ao inseto transmissor da doença, o

barbeiro. Dados do Registro Brasileiro de Marcapassos (RBM) revelam que a doença de Chagas tem sido responsável por cerca de 25% de todas as indicações de estimulação cardíaca artificial permanente no país.

Passada de bastão

Uma das etapas do processo de transferência de tecnologia é a avaliação econômi- ca do benzonidazol feita pela equipe de farmacoeconomia da Roche

para ser apresentada pelo Lafepe à CMED, órgão interministerial que determina o preço e o reajuste de todos os medicamentos no Brasil. "O trabalho que fizemos com o benzonidazol foi pioneiro, antes da nova política governamental," diz Mario Saggia, gerente de farmacoeconomia da Roche. "O mesmo tipo de estudo que fazemos para medicamentos de ponta fizemos para

o benzonidazol, para viabilizar a transferência de tecnologia ao laboratório público", diz.

Como a coisa funciona As diretrizes que a equipe de farmacoeconomia da Roche utiliza no Brasil são as mesmas seguidas no Reino Unido, no Canadá e na Austrália, os pioneiros da adoção do sistema. Os estudos envolvem o trabalho de administradores, matemáticos, estatísticos, economistas, médicos e farmacêuticos. Em um primeiro momento, procura-se entender o impacto da doença em foco, comparando-se o que acontece no Brasil com o que acontece em outros países atingidos.

Modelo de Saúde

o que acontece em outros países atingidos. Modelo de Saúde Um painel de especialistas, então, identifica

Um painel de especialistas, então, identifica para os integrantes da equipe os recursos usados no tratamento do paciente nos diferentes estágios da doença. Assim, comparando-se dois grupos, um que

usa o medicamento em estudo e outro que não o recebe, mas que tem acesso a todos os demais cuidados, tem-se a medida do impacto do medicamento na vida dos doentes. Em seguida faz-se uma valoração dos recursos no Brasil, que pode ser do Sistema Único de Saúde ou do Sistema Complementar de Saúde. E é feito um modelo de decisão analítica, que considera tanto as evidências clínicas como o impacto econômico do tratamento. Aí é hora de uma validação com médicos e outros especialistas.

No caso do estudo farmacoeconômico sobre a relação custo-efetividade do tratamento com o medicamento desenvolvido pela Roche em pacientes com doença de Chagas, a conclusão foi que o custo total médio por paciente tratado, ao longo de uma vida, com benzonidazol é de R$ 2.011,59, enquanto que o custo total médio por paciente que não recebeu o medicamento é de R$

4.732,41.

Essa diferença ocorre porque aqueles pacientes que não recebem benzonidazol têm maior probabilidade de migrar para o estágio crônico da doença e, portanto, utilizam mais o sistema de saúde para procedimentos como implantação de marcapasso e cirurgia cardíaca. A análise considerou somente os custos médicos diretos decorrentes da evolução da doença de Chagas. Não foram incluídos os custos indiretos com perda de produtividade e aposentadoria precoce relacionadas à doença.

MIRE-SE NO EXEMPLO Estudo é referência na América Latina No Brasil, a Roche foi uma das primeiras indústrias a ter uma área de farmacoeconomia. Há cinco anos criou essa área específica e hoje é referência para outras indústrias situadas no país, que adotam a prática de terceirizar a produção dos estudos, mas procuram a Roche para aconselhamentos. A experiência acumulada ao longo desses cinco anos também faz da Roche do Brasil uma referência para grupos de outros países da América Latina. É o caso da Roche do México, que enviou a recém- formada equipe de farmacoeconomia ao Brasil para um estágio de uma semana. O estudo sobre o benzonidazol feito para o Lafepe será apresentado no congresso da Sociedade Internacional de Farmacoeconomia, a ser realizado em setembro em Cartagena, na Colômbia. "A apresentação em si já é o coroamento do trabalho, uma vez que a seleção dos estudos divulgados no evento é rígida, feita a partir da análise do conteúdo, sem a identificação dos autores", afirma Mario Saggia, gerente de farmacoeconomia da Roche