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Avaliação de Impactos na Perícia Ambiental | 11/08/2010

Avaliação de Impactos na Perícia Ambiental

Curso de Capacitação Profissional

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1 CAPÍTULO 1 ESTRUTURA DO SISTEMA AMBIENTAL

Nesse capítulo se encontram descritos a estrutura e os componentes do sistema ambiental, as qualidades intrínsecas dos recursos e os métodos de avaliação do potencial ecológico e do estado de conservação dos recursos naturais.

1.1. COMPONENTES DO SISTEMA AMBIENTAL

Visando à realização de análise técnica dos impactos ambientais decorrente de uma obra ou acidente, inicialmente é necessário identificar os componentes do ecossistema mais afetados. Na figura 1.1 podem ser observados os componentes do meio físico; do meio biológico e antrópico. Os componentes ambientais realizam funções e serviços ecossistêmicos beneficiando à sociedade e a natureza. A grande maioria dos serviços providos pelos recursos naturais não têm valor estabelecido no mercado consumidor (preço), o que dificulta a sua valoração econômica.

Sistema Ambiental
Sistema
Ambiental
Meio Físico
Meio Físico
Meio Biológico
Meio
Biológico
Meio Antrôpico
Meio
Antrôpico
Meio Paisagistico
Meio
Paisagistico

Figura 1.1 Componentes do sistema ambiental.

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1.2. CARACTERÍSTICAS DOS RECURSOS NATURAIS

A sociedade se beneficia direta e indiretamente dos recursos que fornecem diversos bens e serviços ambientais. Os benefícios são agrupados em sete componentes que formam o capital natural, quais sejam: (1) matérias-primas; (2) consumo de bens e serviços ambientais; (3) seguridade; (4) descanso e lazer; (5) desenvolvimento espiritual; (6) proteção contra desastres naturais; (7) proteção à saúde.

É necessário também incluir os fluxos derivados dos componentes do capital natural, indicados na tabela 1.1. A partir do estabelecimento dos fluxos que provêm do capital natural e classificação dos recursos naturais, é possível estabelecer uma relação para identificar aportes de cada um dos recursos naturais. Isso facilita a valoração do dano social devido às alterações causadas pelo homem.

Para facilitar o uso dessas informações na valoração do dano social, é necessário estimar a importância do recurso afetado quanto aos bens e serviços ambientais que fornece à sociedade. Esta estimativa pode ser obtida, por exemplo, a partir da análise do seu estado de conservação. A quantidade e qualidade dos fluxos que aportam do capital natural estão relacionados com o estado de conservação, de forma que, à medida que melhora o estado de conservação do recurso os fluxos, são maximizados.

1.3. QUALIDADES INTRÍNSECAS DOS RECURSOS NATURAIS

Os recursos naturais possuem qualidades intrínsecas, as quais determinam o seu potencial para exercer funções ecológicas. Na tabela 1.2 estão indicadas as qualidades intrínsecas dos recursos naturais. As qualidades também estabelecem o potencial que o recurso natural apresenta para fornecer serviços à sociedade. As qualidades intrínsecas ou indicadores dos recursos naturais são:

escala; elasticidade; complexidade, componente chave e representatividade.

Tabela 1.1. Benefícios fornecidos pelos recursos naturais para a sociedade e o meio ambiente Benefícios
Tabela 1.1. Benefícios fornecidos pelos recursos naturais para a sociedade e o meio ambiente
Benefícios Sociais
Comentário
Exemplo
Matérias primas para
processos produtivos
Transformação de matéria-
prima em bens e serviços
Madeira, água, ar, solo, rochas, areia, fauna,
peixes, bactérias etc.
Consumo dos bens e
serviços ambientais
Bens e serviços presentes na
natureza, aproveitados pela
sociedade.
Respirar, tomar água, fertilizar, produzir
móveis, papel e celulose, construir, etc.
Segurança
Possibilidade e segurança de
abastecimento de bens para
necessidades futuras
Genomas disponíveis no ambiente,
ecossistemas, para no futuro, usar na
biotecnologia, farmacologia, medicina e
agricultura.
Lazer e Descanso
Capacidade de o ambiente
oferecer tranquilidade, paz,
recreação, lazer e inspiração.
Beleza da paisagem, ar puro, som agradável
da água e vento, rios e mares para nadar,
observar a vida silvestre, pescar, caçar.
Higiene mental por desfrutar a natureza, o
Desenvolvimento
que contribui para a estabilidade emocional,
espiritual
Crescimento da harmonia
com a natureza. Fortalecer a
criatividade e o emocional
para o bem-estar social
e
criar uma sociedade tolerante, produtiva e
motivada para o bem comum.
A
vegetação protege o solo, evita saturação
Proteção contra os
desastres naturais
Condições adequadas para
evitar e reduzir os desastres
naturais e os riscos da
população
da terra, inundações e deslizamentos.
Manejo adequado dos bosques resulta em
ambientes com menor temperatura e mais
umidade (melhoria do microclima)
Proteção à saúde
Melhora da qualidade de
vida, reduzir enfermidades.
Regulação natural das populações dos
peixes, répteis, mamíferos, aves, insetos e
roedores e outras.
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Tabela 1.2 – Qualidades intrínsecas dos recursos naturais Qualidades Comentário Exemplos Escala Dimensão: é a
Tabela 1.2 – Qualidades intrínsecas dos recursos naturais
Qualidades
Comentário
Exemplos
Escala
Dimensão: é a magnitude do efeito
temporal e espacial do recurso natural.
Segundo a escala espacial, pode ser de
Macroescala: escalas amplas km ou
mais; Mesoescala: escalas de alguns ha;
Microescala: poucos metros quadrados.
Uma represa afetada com produtos tem um efeito em
escala maior que em área de pastagem. A magnitude do
efeito da evaporação da água superficial da lagoa de Itaipu
no microclima é maior que o efeito sobre a lagoa do
Parque Birigui.
Taxa que a população afetada retorna
ao equilíbrio depois da perturbação.
Indica capacidade intrínseca para
assimilar, suportar perturbações de
agentes exógenos. Caso particular de
Elasticidade (Renovabilidade) quando o
fator não tem capacidade de suportar
mudanças e atinge um estado
irreversível rapidamente.
Os pólipos coral morrem com pisoteamento; a capacidade
de o coral se recuperar é lenta ou reduzida; é muito frágil.
Uma lagoa adapta-se melhor as mudanças que o coral. As
mariposas têm altas taxas de reprodução tem grande
elasticidade. Uma ave de aparência robusta como indivíduo
pode ser frágil devido sua escassa população e baixa
capacidade de reprodução. Algumas árvores suportam
efeitos de fungos, mas, são frágeis pela sua limitada
capacidade de recuperação.
Capacidade de restabelecer ou regressar
ao seu estado inicial.
Extinção. Recuperação do sapo dourado não é mais
possível sua extinção é um processo irreversível. A
Elasticidade indica a capacidade de
recuperação do fator.
Processos cíclicos, capacidade de
reiniciar ciclos.
Capacidade natural de reposição do
fator afetado
recuperação das populações de crocodilos é possível,
existem indivíduos que podem se reproduzir. Ecossistema.
Um bosque secundário tem maior capacidade de
recuperação que o clímax. Hidrologia. Um rio se renova
mais rápido que o crescimento de um bosque primário.
Ciclos biogeoquímicos têm uma maior capacidade de
renovação que dos sedimentares. O N 2 tem um ciclo de
maior capacidade que o fósforo (P)
Representatividade
Componente que representa as suas
características próprias, no grupo
sistema e/ou região em determinado
momento.
O Parque Nacional do Iguaçu é representante do bosque
úmido. Araucária é representante do bosque do planalto
paranaense.
Quantidade de interações em que
participa e as afeta.
Complexidade
Variedade de elementos e as interações
entre os mesmos
Um bosque tropical tem maior complexidade, mais
espécies e mais interações do que um bosque temperado.
Um bosque natural é mais complexo que uma plantação
florestal (# espécies, tipo e interações). Uma perturbação
na nascente do rio pode ter maiores efeitos sobre a bacia
do que na parte baixa da bacia.
Componente chave
Componente de sustentação e
dependência de um ecossistema, em
relação à variedade e outros fatores.
Espécie chave do ecossistema: outras espécies têm
dependência do componente e desaparecem quando ele é
muito afetado. Mariscos em pântanos.
1.4.
VALORAÇÃO DAS QUALIDADES DOS RECURSOS NATURAIS
Em geral, é possível avaliar o potencial ecológico dos recursos naturais. Geralmente, o
potencial é afetado pela alteração causada pela ação humana e, justamente, esta alteração do
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Elasticidade nos processos, capacidade de recuperação.
Renovabilidade
Fragilidade ecológica (pouca
capacidade de recuperação)

potencial ecológico dos recursos afetados deve ser analisada para estabelecer a magnitude do dano ambiental. Nesse sentido, utiliza-se um conjunto de parâmetros e pesos para avaliar o potencial do recurso natural. Isto significa que a valoração global dos recursos naturais é obtida a partir da avaliação parcial dos indicadores utilizados no referido processo.

Naturalmente para cada situação os parâmetros ou critérios utilizados na valoração do recurso afetado têm pesos diferentes, porque, têm diferentes níveis de importância sobre a integridade do recurso em análise. A valoração da importância relativa de cada parâmetro é realizada por grupos de especialista utilizando, por exemplo, uma escala de valores. Neste caso, a soma de todos os parâmetros deve ser cem. Usualmente, a valoração individual da importância de cada parâmetro na valoração global do recurso é realizada por uma equipe de especialistas.

Além do potencial ecológico do recurso natural é possível também avaliar o seu estado de conservação. Tal avaliação é realizada utilizando as características ou qualidade do recurso. A avaliação do estado de conservação do recurso é geralmente realizada por especialistas que atribuem valores, escala numérica ponderada, para as características investigadas. Este processo permite estimar o estado de conservação dos recursos naturais em seu estado máximo de fornecimento de bens e serviços ambientais,

1.5. AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ECOLÓGICO DOS RECURSOS NATURAIS

Para estimar o potencial ecológico dos recursos naturais admite-se que existe a relação direta entre as qualidades intrínsecas (características) e o potencial ecológico. Esta hipótese é justificada considerando as funções ecológicas e capacidade máxima de os recursos fornecerem bens e serviços ambientais. Em termos matemáticos pode-se escrever,

onde:

= potencial do recurso natural (%);

= qualidade i do recurso (0 < w < 10);

= ponderação da qualidade i (%).

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Considerando que o potencial ecológico pode assumir valores de 0 a 100%, então, esses valores podem ser associados às classes ou categorias indicadas na tabela 1.3.

Tabela 1.3. Categorias associadas ao potencial ecológico dos recursos naturais

Categoria

Faixa (%)

Muito baixo

0 20

Baixo

21

40

Regular

41

60

Alto

61

80

Muito Alto

81 100

1.6. AVALIAÇÃO DO ESTADO DE CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS

O estado de conservação do recurso refere-se ao nível de manutenção dos processos que é capaz de realizar. Este parâmetro indica a condição do recurso em relação a sua capacidade de garantir o contínuo funcionamento. Na escala percentual, o 100% indica que o recurso está no estado máximo de conservação, enquanto 75%, por exemplo, indica que existe a deterioração de 25% do recurso por eventos passados.

Existe uma série de indicadores ou critérios que se deve identificar para poder avaliar o estado de conservação dos recursos. Para utilizá-los, em cada caso particular, é feita a seleção prévia dos indicadores específicos e a sua ponderação. A ponderação de um critério selecionado deve levar em conta a sua relação com a valoração global do recurso natural analisado.

Para facilitar a ponderação inicial dos critérios, pode-se considerar uma distribuição uniforme, onde todos os indicadores adotados têm o mesmo peso ou importância no processo de avaliação do estado de conservação dos recursos ambientais investigados. Nos casos em que os indicadores não têm pesos iguais, é necessário avaliar a importância de cada indicador para depois atribuir os pesos.

A estimativa do estado de conservação inicial do recurso, EC inicial , pode ser obtida a partir da avaliação ponderada de m indicadores, realizada por especialistas, adotando uma escala adequada de valores. Dessa maneira, pode-se escrever,

onde:

= valor atribuído pelo especialista i para o indicador j;

= valor médio do indicador j;

n = número de especialista do grupo de avaliação;

j = 1, 2,

,

m indicadores.

Fazendo a ponderação j para o indicador j, a avaliação global do recurso natural será:

onde:

= estado de conservação inicial do recurso (%);

= ponderação atribuída para o indicador j.

Uma vez avaliado o estado de conservação inicial dos recursos, é necessário estimar o estado

de conservação após o dano ambiental. Isto significa que é necessário estimar o nível das alterações

ocorridas nos recursos afetados. Para tanto, os mesmos critérios escolhidos para avaliar o estado

inicial dos recursos são analisados pelos especialistas, para qualificar o nível da alteração provocada

pelo impacto, mediante a atribuição de valores e pesos de uma escala numérica, como o que é

realizado para avaliar o estado de conservação inicial do recurso. Em termos matemáticos, temos:

onde:

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= valor atribuído pelo especialista i para o grau de alteração do indicador j;

= valor médio do nível de alteração do indicador j;

= Índice de alteração do recurso natural.

O estado de conservação final do recurso, EC final , após o impacto, é determinado a partir dos valores estimados do estado de conservação inicial do recurso e nível do impacto. Em geral, o estado de conservação dos recursos naturais não está no valor máximo e, nesse caso, devemos calcular o nível do impacto real a partir da relação,

EC inicial x

Assim, o estado de conservação final do recurso afetado pelo impacto é determinado a partir dos valores do estado inicial de conservação e o nível do impacto real,

EXEMPLO.

EC final = EC inicial * (1 - )

Em setembro de 2001, um derrame de 20.000m 3 de vinhaça em um rio causou a morte de grande quantidade de peixes de uma reserva pesqueira. Na investigação de campo foi verificado que não houve a morte de aves e animais da fauna terrestre. O acidente causou danos econômicos e socioambientais nas comunidades. Para estimar o valor econômico do impacto foi necessário avaliar o potencial ecológico e os estados de conservação inicial e final dos recursos afetados pelo acidente.

SOLUÇÃO

a) Estimativa do potencial ecológico da região afetada

Para estabelecer o grau de importância ecológica da região afetada foram escolhidos cinco indicadores (critérios): elasticidade, componente chave, complexidade, escala e representatividade. Esses critérios foram ponderados e qualificados por um grupo de especialistas que atribuiu valores, na escala de zero a dez, para cada critério. Os resultados obtidos nessa etapa da avaliação estão apresentados nas tabelas 1.4 e 1.5. Os especialistas avaliaram o grau de importância de cada um dos critérios considerando a sua relação com o potencial ecológico da região afetada e atribuindo valores de zero a cem. Na sequência, atribuíram valores na faixa de zero a dez para qualificar o estado de conservação dos critérios analisados.

Tabela 1.4 Ponderação dos critérios de avaliação do potencial ecológico dos recursos

Qualidade

Ponderação (%)

Elasticidade

26,1

Componente chave

20,9

Complexidade

18,8

Escala

17,2

Representatividade

15,6

Tabela 1.5 Qualificação nominal e real do potencial ecológico dos recursos naturais

Qualidade

Ponderação

Qualificação Nominal (0 10)

Qualificação Real (Ponderada)

(%)

Elasticidade

26,1

7,4

1,94 = (7,4 x 0,261)

Componente chave

20,9

7,8

1,62

Complexidade

18,8

8,4

1,58

Escala

17,2

6,4

1,10

Representatividade

15,6

8,3

1,29

 

Potencial Ecológico

7,53

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Os resultados da tabela 1.5 indicam o valor nominal médio das qualidades dos recursos,

determinado a partir dos valores individuais atribuídos pelos especialistas, bem como o valor real

(ponderados) médio das qualidades selecionadas para estimar o potencial ecológico dos recursos

ambientais investigados. Os resultados indicam que o valor estimado para o potencial ecológico da

região foi de 75,3%. Utilizando as categorias de potencial ecológico da tabela 1.3 pode-se observar

que a região afetada apresenta um alto potencial ecológico. O valor real do potencial ecológico

também pode ser determinado a partir da relação:

=(0,261 x 7,4) + (0,209 x 7,8) + (0,188 x 8,4) + (0,172 x 6,4) + (0,156 x 8,3) = 7,53 (75,3%)

O resultado acima indica que a região do acidente apresenta alto potencial ecológico, 75% do

máximo, considerando os critérios de avaliação adotados.

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b) Estimativa do estado de conservação da região afetada

Para avaliar o estado de conservação da área afetada foram adotados os critérios: beleza cênica; biomassa e abundância; diversidade de espécies; redes tróficas; reservas ecológicas e pesqueiras; qualidade da água superficial; estado dos mangues; qualidade dos sedimentos.

A escolha dos critérios foi realizada pelos especialistas a partir de informações técnicas e entrevistas. Com os dados coletados, os especialistas ponderarão esses critérios considerando a sua importância para o ecossistema. Em seguida, os especialistas utilizaram uma escala de 1 - 10, onde dez significa o estado ótimo de conservação. Na tabela 1.6 estão os critérios e pesos. As qualificações

nominal e real do estado de conservação da região estão indicadas na tabela 1.7. Os resultados da tabela 1.7 foram obtidos a partir da relação:

= (0,044 x 8,0) + (0,174 x 7,8) + (0,133 x 8,2) + (0,132 x 8,4) + (0,179 x 7,9) + (0,081 x 8,5) + (0,083 x 6,8) = 7,83 (78,3%).

Tabela 1.6 Ponderação dos critérios de avaliação do estado de conservação

Critério

Ponderação (%)

Beleza cênica

4,4

Biomassa e abundância

17,4

Diversidade de espécies

13,3

Redes tróficas

13,2

Reservas ecológicas e pesqueiras

17,9

Qualidade da água superficial

17,5

Estado dos mangues

8,1

Qualidade dos sedimentos

8,3

Total

100,0

Tabela 1.7 Qualificação dos critérios de avaliação do estado de conservação da região afetada

Critérios

Ponderação

Qualificação

Qualificação real

(%)

nominal (1-10)

(ponderada)

Beleza cênica (BC)

4,4

8,0

0,35

Biomassa e abundância (BA)

17,4

7,8

1,35

Diversidade de espécies (DE)

13,3

8,2

1,09

Redes tróficas (RT)

13,2

8,4

1,11

Redes pesqueiras (RS)

17,9

7,9

1,42

Qual. da água superficial (QA)

17,5

7,3

1,27

Estado dos mangues (EM)

8,1

8,5

0,68

Qualidade dos sedimentos (QS)

8,3

6,8

0,56

Estado de Conservação Inicial

(j )

(Y

j )

7,83

Os resultados mostraram que o estado de conservação inicial da região era 78,3%. Isto

significa que o estado de conservação não era ótimo, ou seja, antes do dano a região já estava

alterada em torno de 21,7%, em relação ao ponto ótimo. A situação do estado de conservação inicial

da região está ilustrada na figura 1.2.

inicial da região está ilustrada na figura 1.2. Figura 1.2 – Representação do estado de conservação

Figura 1.2 Representação do estado de conservação da área afetada antes do dano.

c) Estimativa do impacto ambiental da área afetada

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Para avaliar a alteração causada pelo acidente no estado de conservação da região e a perda

de serviços, foram utilizados os mesmos critérios das etapas anteriores. Os especialistas qualificaram

o

nível do impacto para cada critério com a escala de 0 a 10, onde dez representa o impacto máximo

e

a perda da capacidade de fornecer serviços. Com os critérios ponderados e os valores dos níveis do

impacto obteve-se o índice global do dano ambiental do acidente. Na tabela 1.8 estão os resultados

da qualificação nominal e ponderada do impacto, obtidos com a relação:

= (0,044 x 4,7) + (0,174 x 9,0) + (0,133 x 8,5) + (0,132 x 9,0) + (0,179 x 9,0) + (0,175 x 9,2) + (0,081 x 3,5) + (0,083 x 6,3) = 8,1 (81,0%).

A partir dos resultados da Tabela 1.8, pode-se afirmar que o nível do impacto negativo causado pelo acidente foi de 81%. Isto significa que o impacto do evento causou uma redução quase total dos benefícios. O índice global do impacto pode ser utilizado para avaliar o dano ambiental total. Na Figura 1.3, pode-se observar a situação e os valores dos critérios de avaliação do impacto negativo do evento. O gráfico mostra que o nível de impacto máximo é 10.

Os resultados indicam que os impactos do acidente afetaram menos os Mangues (ES), a Beleza Cênica (BC) e a Qualidade dos Sedimentos (QS) e, com mais intensidade, a Qualidade da Água (QA), Biomassa (BA), Reservas (RS) e Diversidade de espécies (DE).

Tabela 1.8 Nível nominal e real do impacto ambiental sobre a região atingida pelo acidente.

   

Qualificação

 

Critérios

Ponderação

(%)

nominal do

impacto (1-10)

Qualificação real do impacto (Ponderada)

Beleza cênica (BC)

4,4

4,7

0,20 = (0,044 x 4,7)

Biomassa e abundância (BA)

17,4

9,0

1,57

Diversidade de espécies (DE)

13,3

8,5

1,13

Redes tróficas (RT)

13,2

9,0

1,19

Reservas pesqueiras (RS)

17,9

9,0

1,62

Qual. da água superficial (QA)

17,5

9,2

1,60

Estado dos mangues (EM)

8,1

3,5

0,28

Qualidade do sedimento (QS)

8,3

6,3

0,52

Índice global do impacto

(j )

(NA j )

8,1

Figura 1.3 – Nível do impacto sobre os critérios de qualificação da área afetada d)

Figura 1.3 Nível do impacto sobre os critérios de qualificação da área afetada

d) Estimativa do estado de conservação da região após o acidente

Considerando que o estado de conservação inicial não era ótimo, o nível de impacto negativo real deve ser determinado com em função do nível nominal do impacto e do estado de conservação do recurso antes do acidente, aplicando a relação:

Índice de Impacto Real = EC inicial x

Índice de Impacto Real = 78,3% x 81,0% = 63,42%

Assim, o índice de impacto real é 63,42%. Considerando que o dano ambiental causado é igual à diferença do estado de conservação inicial e final da região afetada, deve-se estimar o valor do estado de conservação final do ambiente, a partir da relação:

EC final = EC inicial x (1 - )

EC final = 0,783 x (1 0,81) = 0,1488

O resultado permite a constatação de que o estado final de conservação final da região afetada é igual a 14,88%. Isto significa que o acidente provocou uma significativa perda de serviços

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ambientais na região decorrentes do despejo de vinhaça no rio. No gráfico da figura 1.4 observa-se o estado de conservação inicial e final da região afetada.

estado de conservação inicial e final da região afetada. Figura 1.4 - Estado de conservação inicial

Figura 1.4 - Estado de conservação inicial (quadrado) e final (triângulo) da área afetada.

EXERCÍCIO:

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CAPÍTULO 2 IMPACTO NA PERÍCIA AMBIENTAL

Nesse capítulo se encontra descrito o conceito teórico do impacto ambiental. Apresentam-se

também o histórico da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) no país e a legislação pertinente.

2.1. MARCO HISTÓRICO

O processo de Avaliação do Impacto Ambiental foi introduzido nos Estados Unidos da

América com a publicação do “National Environmental Policy Act” em 1970. Posteriormente, esse

instrumento de política ambiental foi adotado por vários países. O processo da AIA foi introduzido na

União Europeia em 1985, com a publicação da Diretiva Comunitária 85/337/CEE de 27 de Junho,

alterada pela Diretiva 97/11/CE de 03 de março; portanto após ter sido prevista no Brasil, pois a Lei

de Política Ambiental Brasileira é de 1981. Na tabela 2.1, se encontra indicado o histórico da

evolução do processo de Avaliação de Impactos Ambientais.

Tabela 2.1 Histórico da evolução do processo de Avaliação de Impactos Ambientais.

PERÍODO

EVOLUÇÃO DA AIA

1965

- 70

Utilização de técnicas analíticas; técnicas muito focadas em estudos de viabilidade econômica e de engenharia; ênfase em critérios de eficiência, segurança de vida e propriedade; não era considerada a hipótese da discussão pública dos projetos.

1970

Análises custo benefício; ênfase na sistemática de avaliação de ganhos e perdas e da sua distribuição; especial atenção era dada à análise do planejamento, programação e orçamentos; não eram consideradas as consequências sociais e ambientais.

1970

75

O foco da AIA era, inicialmente, voltado para a descrição e “predição” das mudanças / alterações ecológicas e do uso do solo; foram estabelecidas as primeiras regras formais para discussão e análise pública; ênfase na contabilidade / correlação e controle do projeto e ações mitigadoras.

1975

80

Avaliação do Impacto Ambiental AIA adquire um aspecto multidimensional, incorporando a Avaliação do Impacto Social AIS das mudanças /alterações causadas à comunidade (infraestrutura, serviços e estilo de vida); a participação pública tornou-se parte integrante do planejamento do projeto; aumento da ênfase na justificativa do projeto em processos de análise; análise de risco das atividades e dos empreendimentos em relação às comunidades da vizinhança.

1980

90

Maior atenção aos aspectos de se estabelecerem melhores ligações entre a avaliação do impacto e as fases política planejamento e implantação gestão.

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2.2. ESTUDOS E RELATÓRIOS DE IMPACTO AMBIENTAL

Os estudos previstos na Resolução do CONAMA n.º 237 de 1.997 apresentam características

distintas de outros estudos ambientais, como, por exemplo: PCA - Plano de Controle Ambiental,

PRAD Projeto de Recuperação Ambiental de Áreas Degradadas, Planos de Contingência e

Gerenciamento de Riscos. O Estudo e Relatório de Impacto Ambiental têm diretrizes próprias e

atividades explicitadas na Resolução n.º 01 do CONAMA de 1.986, devendo ser rigorosamente

obedecidas visando à obtenção das licenças ambientais almejadas.

Além disso, no Anexo 01 da Resolução CONAMA n.º 237 de 1.997, a qual disciplina o

licenciamento ambiental no território nacional, se encontra a lista das obras e atividades que são

necessariamente passiveis de licenciamento ambiental no âmbito federal, estadual ou municipal.

Assim, dependendo do porte, localização ou natureza da atividade, o Órgão Ambiental decidirá pela

exigência ou não do EIA RIMA, ou de outro qualquer estudo ambiental, aplicado a cada situação

justificando no âmbito legal e tecnicamente a solicitação requerida.

De acordo com a Resolução CONAMA n.º 001 de 23 de janeiro de 1.986, o EIA deve ainda:

I. Contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização de projeto, confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto;

II. Identificar e avaliar sistematicamente todos os impactos ambientais produzidos nas etapas de implantação e operação da atividade;

III. Definir os limites da área geográfica a ser direta e indiretamente afetada pelos impactos, área de influência do projeto, considerando, em todos os casos, a bacia hidrográfica na qual se localiza;

IV. Considerar os planos e programas governamentais, propostos e em implantação na área de influência do projeto, e sua compatibilidade;

V. Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto, completando a descrição e análise dos recursos ambientais e interações, tais como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área antes da implantação do projeto;

VI. Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, através da identificação e previsão da magnitude e da importância dos prováveis impactos indicando: os positivos e negativos (benéficos e adversos); os diretos e indiretos; os imediatos e de médio e longo prazo; os temporários e permanentes; reversíveis e irreversíveis, acumulativos; sinérgicos; e a distribuição dos ônus e benefícios sociais;

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VII. Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre elas os equipamentos de controle e sistemas de tratamento de despejos, avaliando a eficiência de cada uma delas;

VIII. Elaboração do programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos positivos e negativos, indicando os fatores e parâmetros a serem considerados.

Quando não for possível minimizar os impactos negativos decorrentes das obras devem- se

estabelecer Medidas de Compensação Ambiental visando atendimento aos dispositivos legais

previstos na Resolução CONAMA n o 371 de 2006 que estabelece diretrizes aos órgãos ambientais

para o cálculo, cobrança, aplicação, aprovação e controle de gastos de recursos advindos de

compensação ambiental, conforme a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que institui o Sistema

Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - SNUC e dá outras providências - Data da

legislação: 05/04/2006 - Publicação D.O.U nº 067, de 06/04/2006, pág. 045. Essa possibilidade é

relevante quando é possível agregar valor a uma área protegida já existente, como equipa-la ou

então “criar” uma área protegida quando já está em adiantada situação de degradação.

Os programas de monitoramento e acompanhamento têm por finalidade a verificação do

comportamento real da obra em relação às previsões efetuadas no EIA. Cada programa tem um

objetivo que, em geral, estabelece as ações a serem realizadas, como, por exemplo, a concepção e as

formas de tratamento dos resíduos e efluentes; os cronogramas de implantação; as condições do

monitoramento, e seleção das variáveis a serem monitoradas. Os parâmetros físico-químicos a serem

observados e os valores estabelecidos com base na legislação em vigor; o período e a frequência das

atividades de monitoramento, os locais onde serão realizadas amostragens e as medidas corretivas

quando necessárias; os custos de implantação e operação de cada programa.

Os programas de acompanhamento e de monitoramento são agrupados em um Plano de

Gestão Ambiental, que em conjunto com as medidas e os programas de mitigação irão constituir a

base do Plano Básico Ambiental PBA da obra, a ser desenvolvido para a obtenção da Licença

Ambiental de instalação (LI). Este pode ser detalhado em forma de documento que tenha ações que

deverão acompanhar a Licença Ambiental de Operação.

2.3. DEFINIÇÃO DO IMPACTO AMBIENTAL

O termo Impacto Ambiental é definido como perturbação do ecossistema, proveniente de

uma ação ou omissão humana, qualificada de positiva ou negativa por um grupo social, no contexto

espacial e temporal. O efeito do impacto ambiental inclui uma noção de julgamento, valor positivo (benéfico) ou negativo (prejudicial), portanto é relativo, porque varia com o espaço e com o tempo.

2.4. TIPOLOGIA DO IMPACTO AMBIENTAL

Os impactos ambientais possuem características distintas. As principais características dos impactos estão indicadas na tabela 2.1. Na caracterização dos impactos ambientais é necessário considerar os seus elementos e suas possibilidades. É importante identificar, classificar, e valorar os impactos ambientais negativos decorrentes das ações, atividades e dos empreendimentos que podem alterar os recursos naturais.

Tabela 2.1 Principais características e tipologias do impacto ambiental.

Elemento do impacto

Possibilidade

Desencadeamento

imediato, diferenciado, escalonado

Frequência

contínua, descontínua, sazonal

Extensão

pontual, linear, espacial

Reversibilidade

reversível, irreversível

Duração

01 ano, de 1-10 anos, de 10-50 anos

Magnitude

grande, média, pequena

Importância

importante, moderada, fraca, desprezível

Sentido

positivo, negativo

Origem

direta, indireta, terciária

Acumulação

linear, quadrática, exponencial

Sinergia

presente, ausente

Distribuição do ônus

socializados, privatizados

2.5. IMPORTÂNCIA E MAGNITUDE DO IMPACTO AMBIENTAL

Para estabelecer a importância, a magnitude e a significância dos impactos ambientais é necessário fazer o inventário ambiental. Os principais elementos deste inventário são as características físicas, químicas, biológicas, socioeconômicas e socioculturais, que são requeridas para definir a estrutura e entender o funcionamento do sistema ambiental.

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Para facilitar o entendimento e o estudo de um sistema ambiente, faz-se a classificação das características através de uma árvore de níveis hierárquicos. O entorno é dividido em subsistemas, meios, componentes e fatores ambientais, que incluem a fauna, flora, solo, água, ar, paisagem e bens materiais e imateriais do patrimônio histórico e cultural.

Dependendo da metodologia empregada na avaliação dos impactos o número dos níveis pode variar. Em geral, os subsistemas são o físico-natural; socioeconômico e de infraestruturas. O subsistema físico-natural inclui os meios inerte, biológico; perceptual e do uso do solo. O subsistema socioeconômico inclui a população, e no subsistema de infraestrutura são considerados os serviços e as infraestruturas.

No meio inerte estão incluídos os fatores ar, solo, água e os processos do meio inerte; no meio biótico consideram-se os fatores flora, fauna e processos do meio biótico; o meio perceptual inclui os fatores paisagísticos e singulares. No componente da população são incluídos os fatores culturais, nível de renda, atividades econômicas da comunidade. No componente infraestrutura são consideradas as atividades e os elementos urbanos.

A partir dessa classificação são analisadas as características dos impactos ambientais. A importância do impacto é uma medida qualitativa de suas manifestações, obtida a partir do grau de incidência (intensidade) da alteração provocada e caracterização dos efeitos, estabelecida por uma série de atributos preestabelecidos. Para se determinar o grau de incidência do impacto aplicam-se os critérios da tabela 2.1 na relação

I = NA x (3IN + 2EX + MO + PE + RV + SI + AC + PR + MC)

O resultado obtido indica qualitativamente a importância do impacto ambiental:

Irrelevante: 0 I < 25;

Moderado: 25 < I < 50;

Severo: 50 < I < 75;

Crítico: I > 75.

A magnitude do impacto ambiental é a estimativa quantitativa do seu efeito, em geral, determinada a partir de indicadores ambientais associados ao fator. Observa-se que o fator ambiental pode ser afetado por mais de um impacto. Para obter a estimativa da magnitude do impacto, utilizam-se diversas técnicas como, por exemplo, dose-resposta, difusão de espécies, análise de riscos e de vulnerabilidade, qualidade ambiental, entre outros. A técnica mais utilizada na

atualidade são funções de transformação ou de qualidade, que avaliam as alterações de indicadores

associados aos fatores ambientais.

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Tabela 2.2 Parâmetros utilizados para avaliar a importância do impacto ambiental

NATUREZA DO IMPACTO (NA)

INTENSIDADE (IN)

Impacto benéfico = + 1 Impacto prejudicial = -1

Baixa = 1 Média = 2 Alta = 4 Muito Alta = 8 Total= 12

EXTENSÃO (EX)

Pontual = 1 Parcial = 2 Extensa = 4 Total = 8 Crítica = + 4

MOMENTO (MO) (ti to)

Longo prazo = 1 Médio prazo = 2 Imediato = 4 Crítico = 4

PERSISTÊNCIA (PE)

Fugaz = 1 Temporal = 2 Permanente = 84

REVERSIBILIDADE (RV)

Curto prazo = 1 Médio prazo = 2 Irreversível = 4

PERIODICIDADE (PR)

Descontínuo = 1 Periódico = 2 Contínuo = 4

ACÚMULO (AC)

Simples = 1 Acumulativo = 4

SINERGISMO (SI)

Ausência = 1 Sinérgico = 2 Muito Sinérgico = 4

RECUPERABILIDADE (MC)

Imediata (< 1 ano) = 1 Médio prazo (1- 3 anos) = 2 Longo prazo (3-10 anos) = 4 Permanente = 8

SISTEMÁTICA DE AVALIÇÃO DOS ASPECTOS E IMPACTOS

2.6.

A sistemática recomendada para fazer a identificação dos aspectos e avaliação dos impactos

ambientais é o procedimento que atende ao requisito 4.3.1 - “Aspectos Ambientais” da Norma NBR

ISO 14001:2004. Essa sistemática pode ser utilizada em auditorias ambientais, avaliação de impactos

de eventos acidentais e nos Estudos de Avaliação de Impactos visando o licenciamento de atividades.

O objetivo é estabelecer a sistemática de identificação dos aspectos e avaliação dos impactos

ambientais gerados pelas atividades, produtos e/ou serviços da empresa. Essa metodologia pode ser

aplicada em todas as áreas da empresa e na avaliação das atribuições e responsabilidades de todos

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os integrantes (Diretores, Gerentes, Engenheiros, Chefes e demais colaboradores) e prestadores de

serviços que desempenhem suas atividades dentro das instalações da empresa.

2.6.1. DEFINIÇÕES E SIGLAS

Aspecto ambiental: elemento das atividades, produtos ou serviços de uma organização que

pode interagir com o meio ambiente.

Impacto ambiental: qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica, que

resultem, no todo ou em parte, das atividades, produtos ou serviços de uma organização.

Parte Interessada: indivíduo ou grupo interessado ou afetado pelo desempenho ambiental

de uma organização.

Gravidade: deve ser considerado se o impacto ambiental é de baixa, média ou alta gravidade

para com o meio ambiente.

Frequência/Probabilidade: considerar se o impacto é de baixa, média ou alta frequência.

Ações Preventivas: São medidas usadas para eliminar, neutralizar, minimizar ou transferir os

riscos, de modo a reduzir os impactos.

Situação de Emergência: ocasião em que uma fonte potencial, isto é, um Aspecto ou

Impacto Ambiental tenha condições para causar danos a saúde ou integridade física do ser

humano, ao patrimônio ou ao meio ambiente.

Filtros de Significância: conjunto de critérios qualitativos empregados para determinar se um

impacto é significativo.

Meio Ambiente circunvizinhança em que uma organização opera, incluindo-se ar, água,

solo, recursos naturais, flora, fauna, seres humanos e suas inter-relações.

2.6.2 PROCEDIMENTO

1.6.2.1 QUANTO A SITUAÇÃO OPERACIONAL:

N =

Exemplo: Consumo de combustível e geração de efluentes sanitários.

Normal:

situações

rotineiras executadas

em

condições

planejadas

e

esperadas.

A = Anormal: situação atípica do funcionamento normal, porém prevista que não se

caracteriza como uma emergência. Exemplo: partida/parada de equipamento; parada para manutenção preventiva ou corretiva, pequenos derrames de óleo lubrificante de veículos.

E = Emergencial: acidente, situação indesejável, que pode provocar impactos ambientais

adversos e que deve ser prevenida. Exemplo: Derramamento significativo de óleo devido ao rompimento de tanque de óleo combustível, rompimento de dutos, vazamento de óleo, manifestações da natureza.

1.6.2.2 RESPONSABILIDADE PELA GERAÇÃO DO ASPECTO

Indica relação de controle ou influência da empresa sobre os aspectos associados às

tarefas, os quais se classificam em:

D = Direta: aspecto gerado pela empresa;

I = Indireta: aspecto associado a serviços contratados de terceiros.

1.6.2.3 NATUREZA

Indica se o impacto é benéfico ou adverso.

B = Benéfico: impacto que representa benefícios ao meio ambiente.

A = Adverso: impacto que representa danos ao meio ambiente.

2.6.2.4 TEMPORALIDADE

Indica o período de ocorrência da atividade da qual decorre o impacto:

A = Atual: impacto potencial associado à atividade atual. Exemplo: redução de recurso

natural proveniente de consumo de papel.

P = Passada: impacto identificado no presente, porém decorrente de atividade desenvolvida no passado e que tenha gerado algum passivo. Exemplo: alteração da qualidade do solo devido à disposição de resíduos oleosos de oficina desativada.

F = Futura: impacto previsto decorrente de alteração de atividades a serem implementadas

no futuro (novo projeto, ou ação). Exemplo: emissões atmosféricas provenientes de futuras instalações de geradores de energia.

2.7. AVALIAÇÃO DA IMPORTÂNCIA E SIGNIFICÂNCIA DO IMPACTO

GRAVIDADE (G): A gravidade representa a magnitude ou a severidade do impacto,

considerando ainda a sua abrangência espacial e reversibilidade, devendo ser pontuada

conforme critério do quadro 2.1.

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2.7.1

9
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FREQUÊNCIA (F) / PROBABILIDADE (P): Os critérios para pontuação da frequência (F) estão

associados aos aspectos dos cenários, entre normal e anormal e da probabilidade (P) em

situação emergencial. Neste caso, a pontuação para frequência ou probabilidade considera

os critérios descritos no quadro 2.2. A frequência e a gravidade podem variar em função da

localidade, sendo importante analisar as circunstâncias por parte dos envolvidos.

Quadro 2.1 Critérios utilizados para avaliar a importância do impacto ambiental

 

Gravidade (G)

Peso

Grau

Características Básicas

   

Decorrente de impacto que não altere de forma perceptível o meio ambiente

01

Baixa

(pouco significativo) e que seja restrito ao local de execução da atividade e reversível por ação imediata e simples

   

Decorrente de impacto que cause danos leves a moderados ao meio ambiente,

02

Média

ou que seja restrito ao local da atividade e reversível a curto ou médio prazo, com ações mitigadoras.

   

Decorrente de impacto que altere de maneira severa ou intolerável o meio

03

Alta

ambiente, ou que se estenda além dos limites do local de execução da tarefa, ou irreversível a médio ou longo prazo, mesmo com ações mitigadoras.

Quadro 2.2 Critérios de avaliação da frequência dos impactos ambientais

   

Frequência F (situação norma/anormal)

Probabilidade P (situação emergencial)

PESO

GRAU

   

01

Baixa

Ocorre uma vez por mês, ou menos.

Pouco provável de acontecer, remota.

02

Média

Ocorre duas ou mais vezes por mês

Provável que ocorra

03

Alta

Ocorre uma ou mais vezes por dia

Muito provável ou já ocorreu

IMPORTÂNCIA

A pontuação da importância é definida pela soma dos pesos registrados nas colunas

gravidade e frequência/probabilidade. Assim temos:

I = G + F/P

As pontuações relativas à gravidade, frequência/probabilidade e importância devem ser

assinaladas nas colunas correspondentes da planilha.

2.8. ANÁLISE DA SIGNIFICÂNCIA DOS ASPECTOS AMBIENTAIS

Os aspectos serão considerados significativos quando pelo menos um dos filtros de significância descritos abaixo for aplicável. A análise da significância dos aspectos ambientais se dá conforme descrito a seguir.

Filtros de Significância da Legislação e Partes Interessadas:

Legislação: o aspecto é considerado significativo quando incidir sobre ele ou sobre o impacto associado, algum regulamento federal, estadual ou municipal, se o mesmo estiver relacionado

a alguma condicionante de licença ambiental, ou termo de compromisso com

autoridades/órgãos ambientais. Para este filtro indicar na coluna legislação a letra S caso tenha requisito legal aplicável, e caso não tenha indicar a letra N.

Partes Interessadas: esse aspecto será considerado significativo quando houver uma demanda das partes interessadas (comunidade, clientes, acionistas ou poder público). Por exemplo:

reclamações da comunidade sobre ruído ou odor; bem como acordos assumidos pela empresa perante a comunidade, associações, órgãos ambientais, ONG’s, órgãos públicos, organismos internacionais. Para este filtro indicar na coluna partes interessadas a letra S caso exista demanda de partes interessadas e a letra N caso não exista.

Filtro de Significância de Importância

Serão considerados significativos (S) os aspectos com impactos adversos for igual ou superior a 05 (cinco). Conforme já definido, a importância é a soma dos pesos atribuídos à gravidade e a frequência/probabilidade variando de 2 a 6.

Filtro de Significância da Gravidade

O aspecto é considerado significativo quando a gravidade do impacto for igual a 3. NOTA: Os

aspectos e impactos associados retidos em um dos “Filtros de Significância” serão registrados

na coluna significância da planilha com a letra S e não retidos em nenhum dos filtros serão considerados não significativos, podendo ser registrados com as letras NS.

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Quadro 2.3 - RESUMO DO FILTRO DE SIGNIFICÂNCIA IMPORTÂNCIA

SEVERIDADE FREQÜÊNCIA / PROBABILIDADE

(1)

(2)

(3)

BAIXA

MÉDIA

ALTA

(1)

     

BAIXA/POUCO PROVÁVEL DE OCORRER

02

03

04

(2)

     

03

04

 

MÉDIA/PROVÁVEL DE OCORRER

05

     

(3)

     

ALTA/ESPERADO QUE OCORRA

04

05

06

   

2.9. GERENCIAMENTO DOS ASPECTOS SIGNIFICATIVOS

Situação de Regimes Normal e Anormal

a) Importância igual a 06 (I=6)

Para controle de aspectos e impactos associados cuja importância “IMP” for igual a 6, devem

necessariamente ser estabelecidos objetivos e metas ambientais que representem uma ação concreta para minimização dos impactos (redução de sua importância), além dos controles operacionais obrigatórios que devem ser descritos na coluna “controle operacional”.

Controle Operacional: É a forma de controle estabelecida pela empresa para controlar os impactos ambientais relacionados à determinada(s) atividade(s). Pode ser um procedimento gerencial, um procedimento operacional, um plano de emergência, enfim, alguma forma definida pela empresa para mitigar, reduzir sua ação no meio.

b) Importância igual a 05 (I ≤ 5), ou severidade igual a 3 (S ≤ 3)

Para os aspectos aqui enquadrados devem ser estabelecidos, no mínimo, controles operacionais (ex. atividades de treinamento, definição de procedimentos) que devem ser registrados no campo “controle operacional” da planilha.

Situações de Emergência

a) Importância igual a 06 (IMP=6)

As situações emergenciais cuja importância for igual a 6 serão consideradas “inaceitáveis”, devendo ser tomadas medidas preventivas ou tomadas providências urgentes para redução

da importância. Tais ações devem estar incluídas no plano de emergência e ser indicadas “controle operacional”.

Após a realização de tais medidas, os processos em submetidos à avaliação de aspectos e impactos ambientais.

questão devem

ser novamente

Após a redução da importância, estas situações de emergência serão enquadradas nas situações abaixo:

- Importância igual a 05 (IMP = 5) ou Severidade igual a 3 (S=3)

Para situações de emergência, onde a importância for igual a 5 ou a severidade igual a 3, devem ser previstas, obrigatoriamente, ações/medidas mitigadoras em um plano de emergência.

- Importância menor que 5 (IMP<5) ou severidade menor que 3 (S<3)

Se a situação puder ser controlada com recursos da própria área, podem ser previstas ações / medidas mitigadoras em procedimentos específicos ou no plano de emergência.

Se a situação não puder ser controlada com recursos da própria área, incluir ações / medidas mitigadoras e no plano de emergência.

3. Aprovação e controle da planilha de aspectos e impactos.

A verificação da planilha caberá ao coordenador de Gestão Ambiental e a aprovação caberá ao gerente da área. O controle das planilhas poderá ser feito através do número da revisão e pela data da aprovação. As planilhas aprovadas devem ter a identificação dos responsáveis pela verificação e aprovação.

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Quadro 2.5. - Exemplos de aspectos e impactos ambientais e sua Correlação Aspecto Ambiental Impacto
Quadro 2.5. - Exemplos de aspectos e impactos ambientais e sua Correlação
Aspecto Ambiental
Impacto Ambiental
Efluentes orgânicos / sanitários
Alteração da qualidade da água superficial/subterrânea
Efluentes oleosos
Alteração da qualidade da água superficial/subterrânea
Efluentes alcalinos
Alteração da qualidade da água superficial/subterrânea
Efluentes ácidos
Alteração da qualidade da água superficial/subterrânea
Efluentes com metais pesados
Alteração da qualidade da água superficial/subterrânea
Água de lavagem de equipamentos e fábrica
Alteração da qualidade da água superficial / subterrânea
Produtos químicos (tanques externos)
Vazamento / explosão / Incêndio
Emissões de material particulado
Alteração da qualidade do ar
Emissões de gases de combustão
Alteração da qualidade do ar. Contribui efeito estufa (CO, CO2)
Emissões de CFCs
Depleção/diminuição da camada de ozônio (CFC)
Oxigênio
Captação de Gás Carbônico (CO2) e Emissão de Oxigênio (O2)
Emissões de gases / vapores
Alterações da qualidade do ar
Emissões de odores
Incômodos à comunidade
Outros (indicar tipo)
Sucatas de metais
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Estopas, trapos, panos, etc.
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
EPI’s não contaminados
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Lixo doméstico / varrição
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Papel / Papelão / Plástico / Vidro
Contribui na perda de recursos naturais.
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Lâmpadas incandescentes e sódio / mercúrio
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Bombonas plásticas / Tambores
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Borrachas diversas
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Mato / grama
Resíduos orgânicos no solo / Ocupação do aterro
Lâmpadas de vapor e mercúrio e
Alteração da qualidade do solo
fluorescentes
Embalagens de Agroquímicos
Alteração da qualidade do solo
Pilhas e Baterias de Ni-Cd-Hg
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Resíduos de alimentos
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Resíduos de serviços médicos / ambulatória
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Resíduos de limpeza de caixas de água
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Resíduos de limpeza de fossas sépticas
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Resíduos de limpeza de caixas de gordura
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Resíduos contaminados com óleos/graxas
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Resíduos eletroeletrônicos
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Resíduos de controle de pragas / herbicidas
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Madeira / Serragem
Contribuir para redução da disponibilidade de recursos naturais
Resíduos oleosos
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Óleos lubrificantes
Contribuir para o esgotamento/redução da disponibilidade de recursos
naturais. Alteração da qualidade da água superficial
Latas de tinta
Alteração da qualidade do solo
Resíduos de construção civil e demolição
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Cilindros de gás
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Produtos químicos (sobras)
Poluição do solo / Ocupação de aterro sanitário
Corte / retirada da cobertura vegetal
Alteração da fauna / flora. Erosão. Assoreamento de corpos de água
Destruição de habitat da fauna
Alteração da fauna
Trânsito com máquinas pesadas
Compactação do solo
Vibrações
Incômodos a comunidade
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Resíduos Sólidos
Emissões
Efluentes Líquidos
Abordagem
Atmosféricas