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ESTA APOSTILA NÃO PODERÁ SER VENDIDA. TRATA-SE DE UM MATERIAL GRATUITO, CRIADO POR UMA CONCURSEIRA
ESTA APOSTILA NÃO PODERÁ SER VENDIDA. TRATA-SE
DE UM MATERIAL GRATUITO, CRIADO POR UMA
CONCURSEIRA A PARTIR DAS AULAS DO PONTO DOS
CONCURSOS, DO PROFESSOR LAURO ESCOBAR, DO ANO
DE 2009, PRINCIPALMENTE.

CONTEÚDO DA APOSTILA ESTA DE ACORDO COM O EDITAL PASSADO PARA O CARGO DE TECNICO ADMINISTRATIVO DO MPU

NOÇÕES DE DIREITO CIVIL

Das pessoas (naturais e jurídicas). Dos bens (classificação segundo o Código Civil). Dos Atos Jurídicos. Dos contratos (Disposições Gerais).

CCUURRSSOO OONN--LLIINNEE DDIIRREEIITTOO CCIIVVIILL TTEEOORRIIAA EE EEXXEERRCCÍÍCCIIOOSS PP// RREECCEEIITTAA FFEEDDEERRAALL PPRROOFFEESSSSOORR:: LLAAUURROO EESSCCOOBBAARR

AULA 01

DAS PESSOAS NATURAIS

(arts. 1 O ao 39 e 70 ao 78 do Código Civil)

Meus Amigos e Alunos. O primeiro capítulo do Código Civil se refere

às Pessoas. Todo concurso que exige o Direito Civil coloca este item no Edital.

Portanto é fundamental saber muito bem esta matéria. Na verdade trata-se

da base de todo o Direito Civil. E o nosso AFRFB não fugiu à regra. Desta

forma, aconselhamos o aluno a acompanhar a aula de preferência com o Código Civil à mão. No entanto, sempre que necessário, vou transcrever os

artigos mais importantes. Toda Relação Jurídica é formada por três elementos: a) Elemento Subjetivo (que são os sujeitos de direito, as pessoas); b) Elemento Objetivo (que é a prestação, o objeto do direito – estranhamente não está no nosso edital); c) Elemento Imaterial (que é o vínculo que se estabelece entre os sujeitos e os bens).

As Pessoas são os Sujeitos de Direito. Trata-se do primeiro elemento

de uma relação jurídica. São elas que irão fazer parte de um contrato (Direito

das Obrigações); ou de uma família, casando e tendo filhos (Direito de Família); serão proprietários ou possuidores de bens (Direito das Coisas); irão

receber e transmitir herança (Direito das Sucessões), etc. A doutrina costuma afirmar que não se pode conceber direitos se não houver pessoas. Daí a importância deste tema. Sempre que o aluno tiver alguma dúvida em qualquer das aulas posteriores, retorne a esta para reavivar a memória.

Vamos então iniciar

CONCEITO DE PESSOA

Inicialmente uma curiosidade. Segundo nos informa Sílvio Venosa, a palavra pessoa deriva de persona, que significava a máscara de teatro que

os atores usavam na antiguidade romana para esconder o rosto, caracterizar

a figura

que

representavam

e

fazer

melhor

ressoar

suas

palavras.

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Posteriormente passou a significar o papel que cada ator representava na peça. Por fim passou a expressar o próprio indivíduo que representava esses papéis. Assim, atualmente tem o sentido de representar o próprio sujeito de direito nas relações jurídicas, como se todos nós fossemos atores a representar um papel dentro da sociedade.

Podemos conceituar pessoa como sendo todo ente físico ou jurídico, suscetível de direitos e obrigações. É sinônimo de sujeito de direitos. Como se vê, no Brasil temos duas espécies de Pessoas: as Naturais e as Jurídicas. Ambas possuem aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações. Nesta aula vamos nos ater apenas à Pessoa Natural, que é sinônimo de pessoa física, ser humano ou pessoa singular. O Código Civil preferiu utilizar a expressão Pessoa Natural por ser mais técnica. Na próxima aula iremos abordar as Pessoas Jurídicas. Nosso objetivo hoje é falar sobre a Personalidade (início, individualização e fim), Capacidade e Emancipação da Pessoa Natural. Comecemos pela Personalidade.

PERSONALIDADE DA PESSOA NATURAL

Os dicionários conceituam personalidade como sendo a organização constituída por todas as características cognitivas, afetivas, volitivas e físicas de um indivíduo. Ou seja, é o conjunto de caracteres próprios da pessoa, reconhecida pela ordem jurídica a alguém, sendo a aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações. É atributo da dignidade do homem.

Prevê o art. 1 o do Código Civil que: “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”. Assim, o conceito de Pessoa inclui homens, mulheres e crianças; qualquer ser humano sem distinção de idade, saúde mental, sexo, cor, raça, credo, nacionalidade, etc. Por outro lado o conceito exclui os animais (que gozam de proteção legal, mas não são sujeitos de direito), os seres inanimados, etc. Concluindo = Pessoa Natural ou Pessoa Física é o próprio ser humano. E no dizer do idealizador do atual Código Civil, Miguel Reale, a pessoa é o valor-fonte de todos os outros valores, sendo o principal fundamento do ordenamento jurídico.

Interessante notar que o Código anterior usava a expressão “todo

homem”. E por que houve a alteração? Se formos responder de forma afoita

diríamos: para também inserir as mulheres no conceito

não foi por isso. A expressão “homem” sempre foi entendida em seu sentido

amplo, englobando homens, mulheres e crianças

para deixar claro que tanto as pessoas naturais como as jurídicas poderiam

ser capazes de direitos e deveres. Isto é só um exemplo

A nova redação se deu

Mas tecnicamente

um detalhe. Mas

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serve para percebermos que os examinadores de concursos gostam destes

detalhes

e é isso que iremos fazer durante o nosso curso: chamar a atenção

do aluno para estes pontos que os examinadores tanto gostam.

Os examinadores de concursos públicos (a ESAF também se encaixa nesta afirmação) também gostam muito de pedir expressões sinônimas. Portanto, sempre que possível irei mencionar sinônimos de uma palavra. Principalmente se ela for técnica. Mesmo correndo o risco de ser repetitivo. É melhor ser repetitivo e fazer com que o aluno grave a matéria e fornecer o máximo de conceitos possível, do que omitir determinado ponto.

Falo isso porque há pouco tempo vi uma questão cair em uma prova indagando “qual a diferença, para os efeitos de personalidade e gozo de direitos na ordem civil, entre o autóctone e o ádvena”. A indagação até que era simples, mas se o aluno não soubesse o significado de tais palavras, não acertaria a questão. Autóctone (ou aborígine) é o que nasceu no País. E ádvena se refere ao estrangeiro. Assim a questão queria saber qual a diferença entre o brasileiro e o estrangeiro quanto à personalidade e ao gozo de direitos. Resposta: para o Direito Civil nenhuma, pois ambos são considerados sujeitos de direitos e obrigações. Ambos possuem personalidade. É evidente que no plano do Direito Constitucional há muitas diferenças entre o brasileiro nato e o estrangeiro, havendo certa restrição quanto à capacidade de exercício. Neste caso os direitos não podem e de fato não são os mesmos. E isto é assim no mundo inteiro. Porém, no plano do Direito Civil não se pode negar a existência da personalidade de uma pessoa somente pelo fato de ser a mesma estrangeira. O exercício do direito pode ser diferenciado. No entanto não se pode negar a personalidade. Voltaremos a este tema mais adiante.

Observem, também, que o Direito (especialmente o Civil) usa muitas expressões em latim. Estas expressões não estão nas leis. É doutrina. Mas

Por isso irei fornecendo as expressões em latim, com sua

costuma cair

tradução e real significado. Da mesma forma explicarei as posições doutrinárias que são adotadas pelos examinadores, orientações jurisprudenciais, súmulas, etc., sempre visando o quem tem caído nos

concursos em geral.

INÍCIO DA PERSONALIDADE

Há muita polêmica doutrinária envolvendo o início da personalidade civil. São três as principais teorias sobre o tema:

a) Teoria Concepcionista – a personalidade tem início com a concepção; ou seja, com a própria gravidez.

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b) Teoria Natalista – a personalidade se inicia a partir do nascimento da criança com vida.

c) Teoria da Viabilidade – que pressupõe a possibilidade de sobrevivência da criança. Países que adotam esta teoria entendem que se uma criança nasceu com uma doença que a levará a morte em poucos dias, não haverá a aquisição da personalidade.

No Brasil a doutrina se manifesta de forma divergente, pois, como veremos, se por um lado a lei estabelece que a personalidade civil tem início com o nascimento com vida, o mesmo dispositivo a seguir assegura ao nascituro direitos desde sua concepção. Em uma prova objetiva o aluno deve se limitar ao texto expresso da lei. Porém, em um prova dissertativa, deve citar as três teorias, expondo que no Brasil há ferrenhos defensores da Concepção e da Natalidade, devendo abordar os aspectos mais relevantes de cada uma, conforme veremos. Lembrando que embora a teoria majoritária seja natalista, a tendência é se proteger, cada vez mais, o nascituro e seus direitos desde a concepção.

Analisando o texto legal, podemos afirmar que a personalidade da pessoa natural ou física inicia-se com o nascimento com vida, ainda que por poucos momentos. Esta é a primeira parte do art. 2 o do CC. Prestem atenção nisto: se a criança nascer com vida, ainda que por um instante, já adquire a personalidade, recebendo e transmitindo direitos. E para se saber se nasceu viva e em seguida morreu, ou se já nasceu morta, é realizado um exame chamado de docimasia hidrostática de Galeno, que consiste em colocar o pulmão da criança morta em uma solução líquida; se flutuar é sinal que a criança chegou a dar pelo menos uma inspirada e, portanto, nasceu com vida; se afundar, é sinal que não chegou a respirar e, portanto, nasceu morta, não recebendo e nem transmitindo direitos. Atualmente a medicina dispõe de técnicas mais modernas e eficazes para tal constatação.

Não caiam em “pegadinhas” sobre o início da personalidade. Apesar de polêmica, esta questão tem sido muito comum em concursos. Geralmente o examinador coloca uma alternativa dizendo que a personalidade se inicia somente com a concepção (gravidez) da mulher. Ou afirmando que a criança deva ter viabilidade (que é a perfeição orgânica suficiente para continuar com vida, ou seja, que o recém-nascido tenha perspectiva de sobrevivência). Outra situação que é colocada é a de que a criança somente teria personalidade se nascer com “forma humana” (ou seja, não tenha anomalias ou deformidades). E até mesmo que a personalidade somente teria início com o “corte do cordão umbilical ou quando desprendida a placenta”. Estas hipóteses não foram aceitas pelo nosso Direito.

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Ocorre o nascimento quando a criança é separada do ventre materno (parto natural ou por intervenção cirúrgica), mesmo que ainda não tenha sido cortado o cordão umbilical. Além disso, é necessário que tenha respirado. Há nascimento e há parto quando a criança, deixando o útero materno, respira.

Portanto

então nasceu com vida. E é

nesse momento que a personalidade civil terá início em sua plenitude, com

todos os efeitos subsequentes, conforme veremos.

se o recém nascido respirou

NASCITURO

O termo nascituro deriva da expressão latina nasciturus que significa “aquele que há de nascer”. É o ente que já foi gerado ou concebido, mas ainda não nasceu, embora tenha vida intra-uterina e natureza humana (humanidade). Trata-se de uma vida dependente. Tecnicamente, conforme a teoria natalista, ele não tem personalidade, pois ainda não é pessoa sob o ponto de vista jurídico. Mas apesar de não ter personalidade jurídica, a lei põe a salvo os direitos do nascituro desde a concepção. Trata-se da segunda parte do art. 2 o , CC. Na realidade o nascituro tem uma expectativa de direito. Exemplo: o nascituro tem o direito de nascer e de viver. Tanto é assim que o aborto, de uma forma geral, é considerado como crime (confiram os arts. 124 a 127 do Código Penal). O art. 128 do CP exclui a punibilidade do crime de aborto apenas em duas situações: a) se não houver outro meio de salvar a gestante; b) se a gravidez resulta de estupro e há o consentimento da gestante para o aborto.

Resumidamente, podemos afirmar que o nascituro:

a) é titular de direitos personalíssimos, como o direito à vida (Código

Penal tipifica o crime de aborto), honra, imagem, filiação (inclusive com possibilidade de realização de exame de paternidade para se aferir a paternidade, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal), adequada assistência pré-natal;

b) pode ser contemplado por doação (ato inter vivos), nos termos do

art. 542, CC e receber herança (causa mortis), legítima ou por testamento,

legado (devendo, nestas situações, ser recolhido o imposto devido), nos termos do art. 1.798, CC;

c) pode ser-lhe nomeado curador para a defesa de seus interesses

(arts. 877 e 878, CPC);

d) além disso, o art. 8 o do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n°

8.069/90

ECA)

determina

que

a

gestante

tem

condições

de

obter

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judicialmente os alimentos para garantia do bom desenvolvimento do feto, consulta médica, remédios, etc.

O principal direito do nascituro é o de ter direito à sucessão. Aquele que já foi concebido no momento da abertura da sucessão (morte do de cujus) legitima-se a suceder de forma legítima (a conferir – arts. 1.784 e 1.798, CC). Também se legitimam a suceder por testamento “os filhos ainda não concebidos de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a sucessão” (art. 1.799, I, CC).

Por tal motivo, tendo já tantos “direitos”, é que está crescendo, cada vez mais a teoria concepcionista, considerando o nascituro como sendo uma Pessoa Natural. Justifica-se esta posição porque somente uma pessoa pode

ser titular de direitos

logo, tendo direitos, ele já pode ser considerado como tendo personalidade. A situação fica ainda mais definida segundo os seguidores desta teoria com o art. 542, CC que estabelece: “A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita pelo seu representante legal”.

Mas o que se pode afirmar, sem medo de errar é que o nascituro é titular de um direito eventual. Exemplo: um homem falece deixando a esposa grávida. Não se pode concluir o processo de inventário e partilha enquanto a criança não nascer. O nascituro, nesta hipótese, tem direito ao resguardo à herança. Os direitos assegurados ao nascituro estão em estado potencial, sob condição suspensiva: só terão eficácia se nascer com vida. Lembrando que a representação do nascituro se dá por intermédio de seus pais. Nascendo com vida, a sua existência, no tocante aos seus interesses, retroage ao momento de sua concepção. As expectativas de direito, que lhe tinham sido atribuídas na fase de concepção, agora se transformam em direitos subjetivos.

Mas há um outro problema de ordem filosófica, religiosa e jurídica envolvendo o nascituro. Isto devido ao avanço da medicina, com as técnicas de fertilização in vitro. Indaga-se: qual o momento em que podemos usar o termo nascituro de uma forma técnica? Uma corrente afirma que a vida tem início legal no momento da penetração do espermatozóide no óvulo, mesmo que fora do corpo da mulher. Para outra corrente a vida somente teria início com a concepção no ventre materno (embora ainda não se possa considerar como sendo uma pessoa). Isto porque é com a nidação (fixação do óvulo fecundado no útero) que se garante eventual gestação e o nascimento. Portanto somente será considerado como nascituro, o óvulo fecundado que for implantado no útero materno. Assim, o embrião humano congelado não

e o art. 2 o , CC, afirma que o nascituro tem direitos

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poderia ser tido como nascituro, embora tenha proteção jurídica como pessoa virtual, com uma carga genética própria.

Com o objetivo de regulamentar o art. 225, §1 o , inciso II da CF/88, foi editada inicialmente a Lei n° 8.974/95, proibindo e considerando como crime a manipulação genética de células humanas, a intervenção em material genético humano e a produção, guarda e manipulação de embriões humanos destinados a servir como material biológico disponível. No entanto foi aprovada a Lei n° 11.105/05, dividindo opiniões: trouxe esperança para alguns e indignação para outros. Pela nova lei é permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias, obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro, desde que: a) sejam inviáveis, ou estejam congelados há três anos ou mais; b) haja consentimento dos seus genitores.

Importância de se nascer com vida

Como vimos, o nascituro tem

importante que nasça vivo, nem que seja por um segundo. Se nascer vivo, adquire personalidade. Será um sujeito de direitos e obrigações. No entanto, caso nasça morto, nenhum direito terá adquirido e/ou transmitido.

apenas expectativa de vida e

é

Demonstração A B X Y Z
Demonstração
A B
X
Y
Z

Ordem de vocação hereditária

1. Descendente

(em

concorrência

com

o

cônjuge sobrevivente) – filho, neto, bisneto,

etc.

2. Ascendente (em concorrência com o cônjuge

sobrevivente) – pai, avô, bisavô, etc.

3. Cônjuge sobrevivente.

4. Colaterais até o 4° grau – irmão, sobrinho, tio, primo, etc.

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Levando em consideração o quadro demonstrativo acima, suponhamos que X comprou um apartamento e a seguir se casou com Y pelo regime de separação parcial de bens. Faleceu um ano depois, deixando viúva grávida, pais vivos e apenas aquele apartamento para ser partilhado. Para saber quem será o proprietário do imóvel devemos aguardar o nascimento de Z. Não se pode fazer a partilha antes de seu nascimento. Vejamos as situações que podem ocorrer a partir daí.

Situações:

1) Se Z (filho de X - descendente) nascer morto, o apartamento irá para A e B, que são os pais (ascendentes) de X (observe o quadro da ordem de vocação hereditária). Neste caso Y (que é o cônjuge sobrevivente) também terá direitos sucessórios, pois atualmente é considerado herdeiro necessário e concorre com os ascendentes do falecido.

2) Se Z (descendente) nascer vivo, herdará o imóvel, em concorrência com sua a mãe Y, pois como vimos atualmente o cônjuge é considerado herdeiro necessário e também concorre na herança com os descendentes do falecido. Observem que neste caso os pais de X nada herdarão.

3) Se Z nascer vivo e logo depois morrer, os bens irão todos para sua mãe. Isto porque inicialmente Z herdará parte dos bens de seu pai; no instante em que nasceu vivo, ele foi um ‘sujeito de direito’. Morrendo a seguir, transmite tudo o que recebeu a seus herdeiros. Como não tinha descendentes e nem cônjuge (até porque era recém-nascido) e seu pai já havia falecido, seu único herdeiro será o ascendente remanescente, ou seja, sua mãe. Neste caso A e B nada herdarão.

É necessário dizer ainda, que todo nascimento deve ser registrado, mesmo que a criança tenha nascido morta ou morrido durante o parto. Se for

natimorta, o assento será feito no “Livro C Auxiliar”. Neste livro irá constar

apenas: “o natimorto de Dona Fulana

nome ao natimorto. Isto porque se a criança nasceu morta, ela não teve personalidade. E o nome é um atributo da personalidade. No entanto, parte da doutrina entende que o “natimorto tem humanidade”. E em respeito ao princípio da dignidade humana teria direito a um nome, além da proteção à imagem e a memória. Esta tese inclusive foi aprovada na Jornada de Direito Civil promovida pelo Superior Tribunal de Justiça (“A proteção que o Código confere ao nascituro alcança o natimorto, no que concerne aos direito da personalidade, tais como o nome, imagem e sepultura”).

”.

Ou seja, pela nossa lei não se dá

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Por outro lado, é inquestionável que se a criança nasceu viva e logo depois morreu (chegou a respirar), serão feitos dois registros: o do nascimento (constando o nome da criança, pois naqueles poucos segundos a criança teve personalidade) e logo depois o de óbito.

Observações:

01) Segundo a doutrina, nascituro é uma expressão mais ampla do que feto, pois este seria o nascituro somente depois que adquiriu a forma humana.

02) É importante salientar que a expressão “natimorto” não é considerada juridicamente técnica. O vocábulo, que é composto pelas palavras latinas natus (nascido) e mortus (morto), não tem previsão no Código Civil e, além disso, possui um duplo sentido. Não só o Dicionário Aurélio, mas também diversos Dicionários Jurídicos (Vocabulário Jurídico – De Plácido e Silva) conceituam o natimorto como sendo "aquele que nasceu sem vida OU aquele que veio à luz, com sinais de vida, mas, logo morreu". Portanto, qualquer uma dessas situações está correta para conceituar natimorto. Quando se fala em natimorto, lembramos apenas "daquele que nasceu morto". Mas há, também, a segunda parte do conceito, menos conhecida (e exatamente por isso costuma cair nos exames).

DIREITOS DE PERSONALIDADE (arts. 11 a 21, CC)

O Direito Romano antigo tinha como elementos do caput: a liberdade, a

cidadania e a família. Se um homem perdesse um desses elementos, perdia o

caput advindo a situação chamada de capitis deminutio (expressão até hoje usada para indicar uma perda de poder).

Alguns autores preferem o termo “Direito de Humanidade”. Adquirindo a personalidade (aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações), o ser humano adquire o direito de defender o que lhe é próprio, como sua integridade física ou corporal (como vida, corpo, seus órgãos, voz, liberdade, identidade, alimentos, etc.), intelectual (como a liberdade de pensamento, autoria científica, artística e intelectual, etc.), moral (como a honra, fama, segredo pessoal ou profissional, privacidade, imagem, opção religiosa, sexual, etc.). Os direitos de personalidade são subjetivos e seu titular pode exigir de todos que tais direitos lhe sejam respeitados. Por isso dizemos que eles são erga omnes (extensíveis a todos).

O art. 227 da Constituição Federal dispõe sobre os deveres da Família,

da Sociedade e do Estado em relação à criança e ao adolescente, disposições

completadas com a Lei n° 8.069/90 – ECA. Observem que a relação dos

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direitos de personalidade não é taxativa, mas apenas exemplificativa. Lembrem-se: a dignidade é um direito fundamental, previsto em nossa Constituição, que também prevê que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito de indenização pelo dano material ou moral decorrente dessa violação (confiram também o art. 5°, inciso X, CF/88).

Estabelece o art. 11, CC que com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. Apesar do Código fazer referência a apenas três características, a doutrina lhes dá maior extensão, afirmando que eles são:

inatos – os direitos de personalidade já nascem com o seu titular.

absolutos – não podem ser relativizados e são opostos contra todos (erga omnes).

intransmissíveis – pertencem de forma indissolúvel ao próprio titular. Neste tópico, cabe uma observação: embora os estes direitos sejam intransmissíveis em sua essência, os efeitos patrimoniais dos direitos de personalidade podem ser transmitidos. Exemplo: a autoria de uma obra literária é intransmissível; porém podem ser negociados os direitos autorais sobre esta obra. O mesmo ocorre com a transmissão do direito de ação por danos morais reconhecidos a uma pessoa que faleceu.

indisponíveis – não podem ser cedidos, a título oneroso ou gratuito a terceiros.

irrenunciáveis – nem mesmo o seu titular pode abrir mão destes direitos.

imprescritíveis – valem durante toda vida, não correndo os prazos prescricionais; podem ser reclamados judicialmente a qualquer tempo.

impenhoráveis – se eles não podem ser objeto de cessão ou venda, também não pode recair penhora sobre os mesmos.

inexpropriáveis – ninguém pode removê-los de uma pessoa.

Obs: É muito comum cair este tópico em concursos públicos (confiram depois os testes que já caíram em diversos concursos).

Vamos acompanhar os próximos dispositivos a respeito:

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O art. 12, CC prevê a possibilidade de exigir que cesse lesão a direito da

personalidade, por meio de ação própria, sem prejuízo da reparação de eventuais danos materiais e morais suportados pela pessoa. A lei prevê também a possibilidade de defesa do direito do morto, por meio de ação promovida por seus sucessores, ou seja, pelo cônjuge sobrevivente, parentes em linha reta (descendentes ou ascendentes) e os colaterais até quarto grau (irmãos, tios, sobrinhos ou primos).

O corpo, como projeção física da individualidade humana, é inalienável.

O art. 13 e seu parágrafo único do CC prevê o direito de disposição de partes,

separadas do próprio corpo em vida para fins de transplante, ao prescrever que, “salvo por exigência médica, é defeso (proibido) o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes. O ato previsto neste artigo será admitido para fins de transplante, na forma estabelecida em lei especial” (conferir com o art. 199, §4° da CF/88). Em hipótese alguma será admitida a disposição onerosa de órgãos, partes ou tecido do corpo humano. É possível, também, com objetivo científico ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte, podendo essa disposição ser revogada a qualquer momento (art. 14, CC).

Resumindo. A disposição sobre o próprio corpo: a) é proibida quando importar diminuição permanente da integridade física, salvo por exigência médica, ou contrariar os bons costumes; b) é válida com o objetivo científico ou altruístico, para depois da morte, ou, em vida, para fins de transplante. Observa-se que o Código Civil fez a opção pelo princípio do consenso afirmativo (trata-se de um termo usado pela doutrina e que já vi cair em alguns concursos da área jurídica), segundo o qual o titular do direito deve manifestar sua vontade de ser doador, mas a qualquer tempo pode revogar esta sua intenção de doar seus órgãos ou tecidos para depois da morte.

OBS: A Lei n° 9.434/97 (regulamentada pelo Decreto n° 2.268/97 e posteriormente alterada pela Lei n° 10.211/01) trata do assunto, estabelecendo as regras para transplantes. Permite-se a doação voluntária nas seguintes hipóteses: a) órgãos duplos (rins) e b) partes recuperáveis de órgão (fígado) ou de tecido (pele, medula óssea), sem que sobrevenham mutilações ou deformações.

Hipótese delicada é a referente aos adeptos e seguidores de determinadas denominações religiosas (ex: Testemunhas de Jeová) que, por sua crença (e esta é assegurada constitucionalmente) não admitem o recebimento de transfusões de sangue. Há um verdadeiro conflito de valores, sem uma solução definitiva, clamando-se pela aplicação do princípio da

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ponderação de valores, analisando-se cada situação em particular. Por um lado se reconhece a possibilidade da recusa à terapia hematológica; grandes doutrinadores defendem que “não há nada de contrário à ordem constitucional em que alguém prefira a morte ao tratamento por transfusão de sangue”. Por outro há o direito a vida, também constitucionalmente protegido. Certa ocasião tive a oportunidade de acompanhar um caso real em que um médico foi processado por uma família à indenização por danos morais porque ele determinou a realização de uma transfusão de sangue de um paciente, mesmo este assinando uma declaração proibindo a transfusão (trata-se do “não-consentimento informado”) e que “preferia morrer a receber o sangue de

terceiros”. Diante do risco da morte do paciente, o médico acabou realizando

a transfusão e alegou que assim procedeu porque era a única forma de salvar

a vida do paciente e que seu juramento como médico o impedia de deixar o

paciente morrer. Após muitas discussões, o Superior Tribunal de Justiça acabou por absolver o médico entendendo que no caso concreto estava configurado o estado de necessidade. Não era uma simples cirurgia. Era uma intervenção em que o paciente estava entre a vida e a morte. E fundamentou a decisão no sentido de que o mesmo dispositivo que estabelece como inviolável a liberdade de consciência e de crença, também estabelece que ninguém será privado de direitos por motivos de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política. Considerou-se o direito à vida superior a todos os demais, e por isso deve prevalecer em relação a eles.

Já o art. 15, CC obsta que uma pessoa seja constrangida a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica. Trata-se do Princípio da Autonomia do Paciente. Portanto, não há a chamada supremacia do interesse médico-científico, que se invocava em nome da coletividade, em face ao interesse individual. Uma pessoa, embora enferma, tem o direito oponível contra todos de sentir-se constrangida a enfrentar tratamento médico ou a intervenção cirúrgica com risco de vida. O direito não pertence ao médico, à ciência, ou à família, mas, exclusivamente, ao paciente que após ser informado do seu estado de saúde e das alternativas terapêuticas, decidirá se se submete ou não ao tratamento ou à intervenção cirúrgica. Mesmo que saiba ou tenha consciência de que isso abreviará a sua expectativa da vida. Somente em situações extremas, quando a pessoa não consegue expressar a sua vontade, o direito se desloca para a família do enfermo.

Notem agora que os artigos de 16 a 19 do Código Civil, tutelam o direito ao nome (falaremos sobre ele logo adiante, em um item especial) e contra o atentado de terceiros, expondo-o ao desprezo público, ao ridículo, acarretando dano moral ou patrimonial.

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O art. 20, CC tutela, de forma autônoma, o direito à imagem e os

direitos a ele conexos (vejam também artigo 5 o , inciso XXVIII, letra “a” da Constituição Federal). A imagem-retrato é a representação física da pessoa, implicando o reconhecimento de seu titula por meio de fotografia, escultura, desenho, pintura, interpretação dramática, cinematográfica, televisiva, sites, etc. A imagem-atributo refere-se ao conjunto de caracteres e qualidades

cultivadas pela pessoa, como a habilidade, competência, lealdade, etc. O direito à imagem se refere ao direito de ninguém ver seu rosto estampado em público ou comercializado sem seu consenso e o de não ter sua personalidade alterada, material ou intelectualmente, causando dano à sua reputação. Como normalmente ocorre, há certas limitações ao direito de imagem, com dispensa da anuência para sua divulgação. Vejamos algumas situações: a) pessoas famosas (ex: artistas, políticos, etc.), pois elas têm sua imagem divulgada em razão de sua atividade; mas mesmo assim, não pode haver abusos, pois a sua vida íntima deve ser preservada; b) necessidade de divulgação da imagem por questões de segurança pública (ex: publicação da fotografia de um perigoso marginal procurado pela polícia); c) quando se obtém uma imagem, mas a pessoa é tão-somente parte do cenário, pois o que se pretende divulgar é o acontecimento em si (ex: um congresso, uma exposição de objetos de arte, a inauguração de uma obra pública, um hotel ou um restaurante, reportagens sobre tumultos, enchentes, shows, etc.). Há diversas decisões de que não cabe direito de imagem em fotografia de acontecimento carnavalesco, pois a pessoa que dele participa, de uma certa forma, “renuncia a sua privacidade”.

O titular de um direito de personalidade, quando este for violado, poderá pleitear reparação de danos morais e patrimoniais. E se ele já for falecido o direito será exercido pelo cônjuge, ascendente ou descendente (trata-se do art. 20, parágrafo único, CC). Ficou famoso um caso em que uma empresa elaborou um “álbum de figurinhas” estampando a fotografia de jogadores de futebol. Como no caso havia o intuito de lucro da empresa e não houve o consentimento dos atletas, concluiu-se que foi uma prática ilícita, sujeita à indenização. A Súmula 221 do Superior Tribunal de Justiça estabelece que é cabível a reparação do dano decorrente de publicação da imprensa, tanto do autor do escrito, quanto do proprietário do veículo de divulgação.

O Código Civil também tutela, em seu art. 21 o direito à intimidade

(confiram o art. 5 o , inciso X, CF/88), prescrevendo que a vida privada da

pessoa natural é inviolável (ex: inviolabilidade de domicílio, de correspondência, bancário, conversas telefônicas, etc.).

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Devemos reforçar que o Código Civil não exauriu a matéria referente aos direitos de personalidade. A enumeração exposta é meramente exemplificativa, deixando ao Juiz margem para que estenda a proteção a situações não previstas expressamente. Vocês se recordam da aula sobre Noções de Direito e LICC, quando me referi às formas de integração da norma jurídica? Pois aqui está mais um exemplo de aplicação daqueles recursos.

INDIVIDUALIZAÇÃO DA PESSOA NATURAL

Penso que até aqui ficou claro que a personalidade tem início com o nascimento com vida, mas que a lei põe a salvo os direitos do nascituro desde

a concepção. Falemos agora sobre a individualização da pessoa natural. Dá- se o nome de atributos da personalidade aos elementos que permitem a identificação precisa de uma pessoa na sociedade.

Quem já não fez algum tipo de requerimento na vida?? Um

requerimento qualquer

“Fulano de tal, brasileiro, solteiro, RG

residente e domiciliado na

Pois

Rua

cada um destes itens é uma forma de individualização da pessoa. É importante que todos os titulares de direitos e deveres na ordem civil estejam

individualizados. Isto não interessa somente à pessoa, mas também ao

Estado e a terceiros, para maior segurança dos negócios e convivência social

e familiar. A individualização de uma pessoa se dá pelo:

ele deve ser elaborado mais ou menos assim:

CPF

, vem, à presença de V. Sa. expor e requerer o que se segue:

,

a) Nome

aspecto individual (direito que as pessoas têm

(interesse do Estado de distinguir as pessoas umas das outras).

b) Estado – é a posição desta pessoa na família e na sociedade.

é o reconhecimento

da pessoa na sociedade. Possui um

ao

nome) e público

c) Domicílio – é o lugar da atividade social desta pessoa. A sua sede jurídica.

Vamos comentar estes temas, um a um.

A) NOME

É o sinal exterior pelo qual se designa e se reconhece uma pessoa. É pelo nome que ela fica conhecida no seio da família e da comunidade em que

vive. É empregado em sentido amplo, identificando o “nome completo”. Prevê

o art. 16, CC que toda pessoa tem o direito ao nome, nele compreendido o

prenome e o sobrenome. Trata-se de direito inalienável (não pode ser vendido), imprescritível (não correm prazos prescricionais, conforme veremos

mais adiante) e personalíssimo, essencial para o exercício de direitos e

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cumprimento das obrigações. Costuma-se dizer que “O tempo marca a

idade

da lei em relação ao nome, mediante as ações judiciais. A lei protege a honra da pessoa, proibindo que o seu nome seja usado ou empregado em situações agressivas à intimidade de quem se vê exposto à veiculação pública que provoque depreciação ética, moral ou jurídica, mesmo que a intenção na publicação ou representação não revele intuito difamatório (art. 17, CC – ver também o art. 5 o , incisos V e X, CF/88). O nome é um direito da personalidade, que também é conferido às pessoas jurídicas, pois estas

e o nome marca a existência da pessoa”. Há uma proteção especial

também têm direito ao nome, conforme veremos na próxima aula. São elementos constitutivos do nome:

Prenome é o nome individual, próprio da pessoa (é o que

anteriormente se chamava de “nome de batismo”), que pode ser simples (ex: João, José, Rodrigo, Laura, Aparecida, etc.) ou composto (ex: José Carlos, Antônio Pedro, Ana Maria, etc.).

Patronímico ou nome de família, ou apelido de família, ou

simplesmente sobrenome identifica a procedência da pessoa, o tronco

familiar do qual provém, indicando sua filiação ou estirpe, podendo também ser simples (ex: Silva, Souza, Cavalcante, Lobo, etc.) ou composto (ex: Alcântara Machado; Lins e Silva, etc.).

Agnome é o sinal distintivo entre pessoas da mesma família com nomes iguais, que se acrescenta ao nome completo (ex: Júnior, Filho, Neto, Sobrinho).

O pseudônimo (que significa em latim “nome falso”) ou codinome consiste no nome atrás do qual se abriga um autor de obra cultural ou artística, para o exercício desta atividade específica (ex: cantor, ator, autor de um livro, etc.). O exemplo clássico que costumo dar em aula (entre outros inúmeros exemplos) é o de Malba Tahan, famoso escritor de contos, lendas e costumes árabes. Quem não leu “O Homem que Calculava”? E os “Contos e

Todos

Lendas Orientais”? E as “Lendas do Deserto”? E tantos outros

pensavam que ele era árabe de tanto que conhecia e escrevia sobre o tema. Mas ele foi “brasileiríssimo”, um professor de matemática chamado Júlio César

de Mello e Souza, que usava este pseudônimo. A lei de direitos autorais já consagrava o pseudônimo como um direito moral do autor. Agora consta, de forma expressa, como um direito inerente à personalidade do autor (art. 19, CC), gozando da mesma proteção que se dá ao nome, quando usado para finalidades lícitas. Lembrando, que no exercício livre da manifestação do pensamento, veda-se o anonimato (art. 5 o , inciso IV da CF/88).

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Questão interessando é a do heterônimo. Esta é uma palavra de origem grega que indica “outros nomes”. Conceitualmente é diferente de pseudônimo, pois o heterônimo indica diversas personalidades de uma mesma pessoa. O exemplo clássico é de Fernando Pessoa (Fernando Antônio Nogueira Pessoa), que usou diversos heterônimos, como Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alexander Search (que só escrevia em inglês) entre outros, cada uma espécie de abordagem e maneira de escrever, com tendências e características distintas e peculiares. Ele chegou a criar também semi-heterônimos, como Bernardo Soares, Barão de Teive, Vicente Guedes, José Pacheco, Pero Botelho, Antônio Mora, entre outros.

Em relação ao nome há outros elementos facultativos como: a) nome vocatório – que é a designação pela qual a pessoa é conhecida (ex: Aghata Cristie no lugar de Dame Agatha Mary Clarissa Miller Cristie Mallowan; Pontes de Miranda no lugar de Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda, etc.); b) axiônimo – é a designação que se dá à forma cortês de tratamento ou à expressão de reverência (ex: Excelentíssimo, Professor, Doutor, ou que representam os títulos de nobreza ou eclesiásticos: Duque, Visconde, Bispo, Monsenhor, etc.); c) alcunha (ou epíteto – é um apelido, geralmente tirado de uma particularidade física, moral ou de uma atividade, como: Tiradentes, Zé do Caixão, etc.); d) hipocorístico (que são os diminutivos como: Zezinho, Glorinha, Cidinha, etc.). Não tenho visto estas expressões caírem em concursos.

Em princípio o nome é imutável. Esta é a regra em nosso Direito. No entanto o princípio da inalterabilidade do nome sofre diversas exceções em casos justificados. A lei e a jurisprudência admitem a retificação ou a alteração de qualquer dos seus elementos. No entanto na prática há um maior rigor quanto à modificação do prenome e um menor rigor em relação ao sobrenome. A propósito, vejam a alteração que a Lei n° 9.708/98 fez na Lei de Registros Públicos (LRP – Lei n° 6.015/73), em especial no art. 58: “O prenome será definitivo, admitindo-se, todavia, a sua substituição por apelidos públicos notórios”. O parágrafo único deste mesmo dispositivo estabelece uma outra possibilidade: “A substituição do prenome será ainda admitida em razão de fundada coação ou ameaça decorrente da colaboração com a apuração de crime, por determinação, em sentença, de Juiz competente, ouvido o Ministério Público”. Um outro exemplo é o previsto no art. 56