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FORMAÇÃO EVENTUAL Curso EVE 0410 SNC – O processo de divulgação nas Pequenas Entidades A

FORMAÇÃO EVENTUAL

Curso EVE 0410

SNC – O processo de divulgação nas Pequenas Entidades

AVELINO AZEVEDO ANTÃO

ARMANDO TAVARES

JOÃO PAULO MARQUES

Outubro 2010

Nota Prévia:

Este documento foi preparado para servir de apoio à acção de formação eventual promovida pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, sob o tema “SNC – O processo de divulgação nas Pequenas Entidades”. Não é permitida a reprodução para quaisquer outras finalidades devendo quaisquer eventuais citações indicar a fonte.

SIGLAS E ABREVIATURAS

CSC – Código das Sociedades Comerciais

IAS – International Accounting Standards

IASB – International Accounting Standards Board

IFRIC - International Financial Reporting Interpretations Committee

IFRS - International Financial Reporting Standards

NCRF – Normas Contabilísticas e Contabilidade e Relato Financeiro

NCRF-PE – Norma Contabilística e de Relato Financeiro para Pequenas Entidades

NI – Normas Interpretativas

OTOC – Ordem dos Técnicos Oficias de Contas

PCGA – Princípios Contabilísticos Geralmente Aceites

POC – Plano Oficial de Contabilidade

SNC – Sistema de Normalização Contabilística

UE – União Europeia

ÍNDICE

1.

Introdução

6

2.

Estrutura Conceptual

 

9

2.1.

Noção de estrutura conceptual

9

2.2.

Necessidade e Vantagens

 

11

2.3.

Objectivo das Demonstrações Financeiras

13

2.4.

Pressupostos

 

15

2.5.

Características Qualitativas

16

3.

O processo de divulgação nas Pequenas Entidades

18

3.1.

Objectivo e âmbito da NCRF-PE

18

3.2.

Considerações gerais

sobre reconhecimento

20

3.3.

Estrutura e conteúdo das demonstrações financeiras

22

3.4.

Divulgações

 

26

3.4.1.

Políticas Contabilísticas

26

3.4.2.

Alterações nas estimativas contabilísticas e erros

28

3.4.3.

Activos

fixos tangíveis

31

3.4.4.

Activos

intangíveis

40

3.4.5.

Locações

 

49

3.4.6.

Custos de empréstimos obtidos

58

3.4.7.

Inventários

 

64

3.4.8.

Rédito

 

70

3.4.9.

Provisões, passivos contingentes e activos contingentes

79

3.4.10.

Subsídios do governo

 

88

3.4.11.

Efeitos de alterações em taxas de câmbio

95

3.4.12.

Impostos sobre o rendimento

102

3.4.13.

Instrumentos financeiros

 

104

3.4.14.

Benefícios dos empregados

112

4.

Modelos reduzidos de demonstrações financeiras

119

4.1.1. Balanço (Modelo reduzido)

121

4.1.2. Demonstração dos resultados por naturezas (Modelo reduzido)

126

4.1.3. Demonstração dos resultados por funções (Modelo reduzido)

128

4.1.4. Anexo (Modelo reduzido)

129

5.

ANEXOS (Compilação Demonstrações Financeiras)

131

BIBLIOGRAFIA

161

1. Introdução

A publicação da Lei nº 20/2010, de 23 de Agosto veio alargar

consideravelmente o conceito de pequenas entidades para efeitos de aplicação

do

Sistema de Normalização Contabilística, constituindo a primeira alteração

ao

Decreto -Lei n.º 158/2009, de 13 de Julho. Veio permitir a opção pela

NCRF-PE a todas as empresas que não tenham as suas demonstrações financeiras sujeitas a certificação legal de contas, pois os limites a considerar passaram a coincidir com o artigo 262º do Código das Sociedades Comerciais. Assim em termos práticos os Técnicos Oficiais de Contas passaram a poder ter dois grandes grupos de clientes: por um lado os clientes (ou empregadores) com contas sujeitas a certificação legal a quem obrigatoriamente aplicam o regime geral do SNC e por outro os restantes clientes (ou empregadores) que podem optar pelo regime da NCRF-PE.

Esta alteração, principalmente por ter feito coincidir a opção pela aplicação da NCRF-PE com os parâmetros que isentam as contas de certificação legal das contas, deu em nossa opinião uma enorme importância a esta norma. É uma norma que tendencialmente terá uma grande estabilidade, e tem o mérito de

ser um bom resumo das NCRF do regime geral do SNC.

Não se aborda a fase de transição que foi objecto de formação autónoma. Pretendeu-se que fosse essencialmente prático e abrangente de toda a NCRF- PE.

Este manual é composto essencialmente por três partes:

1. Uma primeira parte teórica descritiva (cerca de 20 páginas)

2.

90 páginas) que aborda

separadamente as diversas áreas de activos, passivos, réditos e gastos tendo, normalmente, por cada área um exemplo prático, composto por:

A

segunda

parte

(cerca

de

i.

Enunciado

ii.

Identificação da natureza do problema

 

iii.

Identificação do capítulo da NCRF-PE aplicável

iv.

Explicitação

das

regras

de

reconhecimento

e

mensuração

aplicáveis

v.

Resolução

Registos contabilísticos e

Aspectos relacionados com a divulgação

3. Uma terceira parte com as demonstrações financeiras que resultam da situação inicial complementadas com os registos dos 12 casos práticos apresentados, incluindo uma proposta de redacção do anexo, relacionado não só com as notas referentes aos casos apresentados, mas também com as notas de divulgação de transição, bem como as notas previstas na portaria 986/2009, de 7 de Setembro, que publicou os Modelos de demonstrações financeiras do SNC.

São apresentados os seguintes casos práticos, que no final incorporam o Balanço, a Demonstração dos Resultados e o Anexo conforme referido:

Caso Prático n.º 1 - Alterações nas estimativas contabilísticas e erros

Caso Prático n.º 2 - Activos fixos tangíveis

Caso Prático n.º 3 - Activos fixos intangíveis

Caso Prático n.º 4 - Locações

Caso Prático n.º 5 - Custos de empréstimos obtidos

Caso Prático n.º 6 - Inventários

Caso Prático n.º 7 - Rédito

Caso Prático n.º 8 - Provisões, passivos contingentes e activos contingentes

Caso Prático n.º 9 - Subsídios do governo

Caso Prático n.º 10 - Efeitos de alterações em taxas de câmbio

Caso Prático n.º 11 - Instrumentos financeiros

Caso Prático n.º 12 - Benefícios dos empregados

2. Estrutura Conceptual

2.1. Noção de estrutura conceptual

As demonstrações financeiras são preparadas e apresentadas por empresas em todo o mundo, o qual é caracterizado por uma variedade de circunstâncias económicas, sociais e legais que podem conduzir a conflitos de interesses quanto à quantidade e qualidade da informação financeira. Segundo Martinez 1 “é necessário estabelecer uma linguagem comum para a elaboração das demonstrações financeiras que, por um lado, seja compreensível para todos os utentes e, por outro, se acomode ao progresso económico com o qual mantém uma constante inter-relação, já que será este que determina a quantidade e a qualidade da informação procurada”.

Weetman (1996), define estrutura conceptual da contabilidade como sendo uma declaração de princípios que formam uma orientação geralmente aceite para o desenvolvimento de novas práticas de relato, assim como para desafiar e avaliar as práticas existentes.

Tua Pereda (1996) define estrutura conceptual como uma interpretação da teoria geral da contabilidade, mediante a qual se estabelecem, através de um itinerário lógico-dedutivo, os fundamentos teóricos em que se apoia a informação financeira.

Para Bellostas Pérez-Grueso (1997), uma estrutura conceptual é uma proposta teórica formulada com base num processo lógico-dedutivo, destinada a servir de instrumento ao órgão regulador para a elaboração de normas contabilísticas coerentes com a realidade económica e evitar conflitos de negociação.

1 cit. por CRAVO, Domingos, em “Da Teoria da contabilidade às estruturas conceptuais”, 2000

Gabás Trigo 2 descreve a estrutura conceptual da contabilidade como uma teoria contabilística de carácter geral que apresenta uma estrutura lógico- dedutiva do conhecimento contabilístico e define uma orientação básica para o organismo responsável pela elaboração de normas contabilísticas de cumprimento obrigatório.

Verificamos que não existe uma definição única de estrutura conceptual, no entanto, de acordo com Domingos Cravo (2000) podemos concluir que uma estrutura conceptual é:

uma interpretação da teoria geral da contabilidade;

utiliza um método lógico-dedutivo;

define uma orientação básica para o organismo responsável de elaborar normas de contabilidade;

estabelece os fundamentos teóricos em que se apoia a informação financeira.

2 cit. por CRAVO, Domingos, ob. cit.

2.2. Necessidade e Vantagens

É indiscutível a necessidade de uma estrutura conceptual que estabeleça um quadro de referência que permita eliminar ou reduzir a influência de opiniões, fornecendo uma base conceptual de orientação à promulgação e revisão das normas de contabilidade financeira, aumentando a credibilidade, comparabilidade e compreensão da informação financeira.

As demonstrações financeiras preparadas com o objectivo de prestar informação que seja útil na tomada de decisões económicas devem atender às necessidades da maior parte dos utentes:

Decidir quando comprar, deter ou vender um investimento em capital próprio;

Avaliar o zelo ou a responsabilidade do órgão de gestão;

Avaliar

a

capacidade

de

a

entidade

pagar

e

benefícios aos seus empregados;

proporcionar

outros

Avaliar segurança das quantias emprestadas à entidade;

Determinar as políticas fiscais;

Determinar os lucros e dividendos distribuíveis;

Preparar e usar as estatísticas sobre o rendimento nacional; ou

Regular as actividades das entidades.

Depois de analisada a noção de estrutura conceptual e identificada a necessidade da mesma é possível enumerar algumas vantagens de uma estrutura conceptual, a saber:

Estabelece um quadro de referência que elimina ou reduz a influência de opiniões;

Fornece uma base conceptual de orientação à promulgação e revisão das normas de contabilidade financeira;

Orienta

o

julgamento

dos

responsáveis

pela

regulamentação

contabilística,

facilitando

a

sua

comunicação

no

processo

de

normalização;

Ajuda as organizações normalizadoras nacionais no desenvolvimento de normas nacionais;

Aumenta a credibilidade, comparabilidade e compreensão da informação financeira;

Possibilita uma maior capacidade de resolução de conflitos por parte dos organismos contabilísticos;

Auxilia os auditores na formação de opinião sobre as demonstrações financeiras.

2.3. Objectivo das Demonstrações Financeiras

O Objectivo das demonstrações financeiras é o de proporcionar informação acerca da posição financeira, do desempenho e das alterações na posição financeira de uma entidade que seja útil a um vasto leque de utentes na tomada de decisões económicas conforme referido no § 12 da Estrutura Conceptual.

No entanto é necessário ter presente que as demonstrações financeiras não proporcionam toda a informação de que os utentes necessitam para tomarem as suas decisões económicas uma vez que elas fornecem essencialmente informação histórica sobre os efeitos financeiros de acontecimentos passados, não proporcionando necessariamente informação não financeira.

As decisões económicas que sejam tomadas pelos utentes das demonstrações financeiras requerem uma avaliação da capacidade da entidade para gerar caixa e equivalentes de caixa e da tempestividade e certeza da sua geração. Informação acerca da posição financeira, do desempenho e das alterações na posição financeira de uma entidade ajudam na avaliação da capacidade de gerar caixa e equivalentes de caixa.

Conforme referido no ponto 16 da Estrutura Conceptual a posição financeira de uma entidade é afectada pelos recursos económicos que ela controla, pela sua estrutura financeira, pela sua liquidez e solvência, e pela sua capacidade de se adaptar às alterações no ambiente em que opera. A informação acerca dos recursos económicos controlados pela entidade e a sua capacidade no passado para modificar estes recursos é útil na predição da capacidade da entidade para gerar no futuro caixa e equivalentes de caixa. A informação acerca da estrutura financeira é ainda útil na predição de futuras necessidades de empréstimos e de como os lucros futuros.

A informação acerca do desempenho é útil na predição da capacidade da entidade gerar fluxos de caixa a partir dos seus recursos básicos existentes.

A informação respeitante às alterações na posição financeira de uma entidade é útil a fim de avaliar as suas actividades de investimento, de financiamento e operacionais durante o período de relato.

2.4.

Pressupostos

A Estrutura Conceptual, por razões teóricas, não incorpora a noção de princípio contabilístico, considerando o regime do acréscimo e a continuidade como pressupostos subjacentes a toda a informação financeira.

Com o regime do acréscimo, os efeitos das transacções são reconhecidos eles ocorram, e não quando caixa ou equivalentes de caixa sejam recebidos ou pagos, sendo registados contabilisticamente e relatados nas demonstrações financeiras dos períodos com os quais se relacionam.

§ 22 – A fim de satisfazerem os seus objectivos, as demonstrações financeiras são preparadas de acordo com o regime contabilístico do acréscimo (ou da periodização económica).

Com o pressuposto da continuidade é assumido que a entidade não tem nem a intenção nem a necessidade de liquidar ou reduzir drasticamente o nível das suas operações.

§ 23 As demonstrações financeiras são normalmente preparadas no pressuposto de que uma entidade é uma entidade em continuidade e de que continuará a operar no futuro previsível.

2.5. Características Qualitativas

As características qualitativas são os atributos que transformam a informação

constante nas demonstrações financeiras útil aos utentes. A estrutura conceptual do SNC menciona quatro principais características:

compreensibilidade, relevância, fiabilidade e a comparabilidade.

A compreensibilidade revela-se como um factor importante uma vez que os utentes das demonstrações financeiras devem entender rapidamente a informação contida nas mesmas.

Por outro lado, a relevância da informação é um factor preponderante para as necessidades de tomada de decisão dos utentes – podemos considerar que a informação é material se a sua omissão ou inexactidão influenciarem as decisões económicas.

Para que a informação divulgada possa ser utilizada com fiabilidade deve estar isenta de erros materiais, traduzindo fidedignamente a realidade que pretende representar.

A característica qualitativa da comparabilidade tem igualmente uma

implicação importante na tomada de decisão uma vez que os utentes devem

ser capazes de identificar tendências na posição financeira e no desempenho

da entidade assim como comparar as demonstrações financeiras de diferentes empresas.

As demonstrações financeiras devem mostrar a imagem verdadeira e apropriada da posição financeira, do desempenho e das alterações na posição financeira de uma empresa. Segundo a estrutura conceptual do SNC (§ 46) a aplicação das principais características qualitativas e das normas contabilísticas apropriadas resulta normalmente em demonstrações financeiras que transmitem o que é geralmente entendido como uma imagem verdadeira e apropriada.

3. O processo de divulgação nas Pequenas Entidades

3.1. Objectivo e âmbito da NCRF-PE

A NCRF-PE, foi publicada pelo aviso n.º 15654/2009 de 7 de Setembro de 2009, e refere, no parágrafo 1, como seu objectivo o estabelecer os aspectos de reconhecimento, mensuração e divulgação extraídos das correspondentes NCRF, tidos como mínimos aplicáveis às pequenas entidades.

Desde logo importa referir a definição de Pequena Entidade, prevista no art. 9.º do Decreto-lei 158/2009 de 13 de Julho, incluindo todas as entidades que não ultrapassem 2 dos seguintes 3 limites:

Total de balanço: 500.000 €

Total de vendas líquidas e outros rendimentos: 1.000.000 €

Número de trabalhadores empregados em média durante o exercício: 20

No entanto, com a publicação da lei 20/2010, de 23 de Agosto, estes limites foram alargados para os constantes do art. 262.º do CSC, a saber:

Total de balanço: 1.500.000 €

Total de vendas líquidas e outros rendimentos: 3.000.000 €

Número de trabalhadores empregados em média durante o exercício: 50

Não estão incluídas nas Pequenas Entidades, independentemente dos valores apresentados dos itens descritos, as entidades que por razões legais ou estatutárias tenham as suas demonstrações financeiras sujeitas a certificação legal das contas.

O âmbito da presente norma, tal como referido no parágrafo 2, aplica-se a

todas as pequenas entidades que não optem pela aplicação das NCRF’s de forma integral, o que considerando o tecido empresarial Português aplica-se à esmagadora maioria das entidades.

Tendo em conta que a NCRF-PE, apresenta os aspectos mínimos de reconhecimento, mensuração e divulgação das demonstrações financeiras, estipula-se que, sempre que a norma não responda a aspectos particulares ou exista uma lacuna que seja de tal forma relevante que o seu não preenchimento coloque em causa o objectivo de ser prestada informação que,

de

forma verdadeira e apropriada, traduza a posição financeira numa certa data

e

o desempenho para o período abrangido, a entidade deverá recorrer à

superação dessa lacuna.

Esta operação será efectuada de uma forma supletiva pela seguinte ordem:

a) em primeiro lugar a remissão far-se-á Interpretativas (NI);

às

NCRF

e

Normas

b) em segundo lugar às Normas Internacionais de Contabilidade (NIC), adoptadas ao abrigo do regulamento 1606/2002

c) por fim às Normas Internacionais de Contabilidade (IAS) e Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS), emitidas pelo IASB, e respectivas interpretações (SIC e IFRIC).

3.2. Considerações gerais sobre reconhecimento

A NCRF-PE, possui uma estrutura relativamente diferente em relação às

restantes NCRF’s, enquanto estas, possuem normalmente capítulos próprios com os aspectos do reconhecimento, a NCRF-PE apresenta o parágrafo 3 com a descrição das considerações gerais de reconhecimento, sendo as definições constantes neste parágrafo utilizadas posteriormente nas áreas das demonstrações financeiras, a ela fazendo referência.

Entende-se por reconhecimento o processo de incorporar no balanço e na demonstração dos resultados um item que satisfaça a definição de um elemento e satisfaça os critérios de reconhecimento estabelecidos na Estrutura Conceptual.

O reconhecimento envolve a descrição do item por palavras e por uma quantia monetária e a inclusão dessa quantia nos totais do balanço ou da demonstração dos resultados. A norma considera ainda que o não reconhecimento de um item que o devesse ser face à definição, não é

rectificado pela divulgação das políticas contabilísticas usadas nem por notas

ou material explicativo.

Um item que, num dado momento, deixe da satisfazer os critérios de reconhecimento pode qualificar-se para reconhecimento numa data posterior como resultado de circunstâncias ou acontecimentos subsequentes, enquanto que um item que possua as características essenciais de um elemento mas falhe em satisfazer os critérios de reconhecimento pode no entanto exigir divulgação nas notas, material explicativo ou em mapas suplementares.

Em termos de reconhecimento, podemos referir que um activo é reconhecido no balanço quando for provável que os benefícios económicos futuros fluam para a empresa e o activo tenha um custo ou um valor que possa ser mensurado com fiabilidade, não sendo reconhecido no balanço quando o dispêndio tenha sido incorrido relativamente ao qual seja considerado improvável que benefícios económicos fluirão para a empresa para além do período contabilístico corrente.

No que concerne aos passivos, a norma descreve o seu reconhecimento no balanço quando for provável que um exfluxo de recursos incorporando benefícios económicos resulte da liquidação de uma obrigação presente e que a quantia pela qual a liquidação tenha lugar possa ser mensurada com fiabilidade.

Já os rendimentos são reconhecidos na demonstração dos resultados quando tenha surgido um aumento de benefícios económicos futuros relacionados com um aumento num activo ou com uma diminuição de um passivo e que possa ser quantificado com fiabilidade.

Por fim, os gastos são reconhecidos na demonstração dos resultados quando tenha surgido uma diminuição dos benefícios económicos futuros relacionados com uma diminuição num activo ou com um aumento de um passivo e que possam ser mensurados em fiabilidade.

Um gasto é imediatamente reconhecido na demonstração dos resultados quando o dispêndio não produza benefícios económicos futuros ou quando, e tanto quanto, os benefícios económicos futuros não se qualifiquem, ou cessem de qualificar-se, para reconhecimento no balanço como um activo.

Um gasto é igualmente reconhecido na demonstração dos resultados nos casos em que seja incorrido um passivo sem o reconhecimento de um activo, como se dá quando surja um passivo por garantia de um produto.

3.3. Estrutura e conteúdo das demonstrações financeiras

No quadro da NCRF-PE, dispõe o parágrafo 4 que as demonstrações financeiras devem ser identificadas claramente e distinguidas de outra informação no mesmo documento publicado. Cada componente das demonstrações financeiras deve ser identificado claramente e a informação seguinte mostrada de forma proeminente e repetida quando for necessário para a devida compreensão da informação apresentada:

- O nome da entidade que relata ou outros meios de identificação, e

qualquer alteração nessa informação desde a data do balanço anterior;

- A data do balanço ou o período abrangido pelas demonstrações

financeiras, conforme o que for apropriado para esse componente das

demonstrações financeiras;

- A moeda de apresentação; e

- O nível de arredondamento usado na apresentação de quantias nas demonstrações financeiras.

No que se refere ao Balanço uma entidade deve apresentar activos correntes e não correntes, e passivos correntes e não correntes, como classificações separadas na face do balanço.

Um activo deve ser classificado como corrente quando satisfizer qualquer dos seguintes critérios:

- Espera-se que seja realizado, ou pretende -se que seja vendido ou consumido, no decurso normal do ciclo operacional da entidade;

- Esteja detido essencialmente para a finalidade de ser negociado;

- Espera -se que seja realizado num período até doze meses após a data do balanço; ou

- É caixa ou equivalente de caixa, a menos que lhe seja limitada a troca ou uso para liquidar um passivo durante pelo menos doze meses após a data do balanço.

Todos os outros activos devem ser classificados como não correntes. A NCRF- PE usa o termo não corrente para incluir activos tangíveis, intangíveis e financeiros cuja natureza seja de longo prazo.

Um passivo deve ser classificado como corrente quando satisfizer qualquer um dos seguintes critérios:

- Se espere que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade;

- Esteja detido essencialmente para a finalidade de ser negociado;

- Deva ser liquidado num período até doze meses após a data do balanço; ou

- A entidade não tenha um direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante pelo menos doze meses após a data do balanço.

Todos os outros passivos devem ser classificados como não correntes.

Quanto à Demonstração dos Resultados todos os itens de rendimentos e de gastos reconhecidos num período devem ser incluídos nos resultados a menos

que um outro capítulo o exija de outro modo. Os itens a apresentar na demonstração dos resultados deverão basear-se numa classificação que atenda à sua natureza, não devendo apresentar itens de rendimento e de gasto como itens extraordinários, quer na face da demonstração dos resultados quer no anexo.

As notas do Anexo devem ser apresentadas de uma forma sistemática. Cada item na face do balanço e da demonstração dos resultados, que tenha merecido uma nota no anexo, deve ter uma referência cruzada.

O Anexo deve assim:

- Apresentar informação acerca das bases de preparação das demonstrações financeiras e das políticas contabilísticas usadas;

- Divulgar a informação exigida pelos capítulos desta Norma que não seja apresentada na face do balanço, e da demonstração dos resultados; e

- Proporcionar informação adicional que não seja apresentada na face

do balanço e da demonstração dos resultados, mas que seja relevante

para uma melhor compreensão de qualquer uma delas.

As notas do Anexo devem ser apresentadas pela seguinte ordem:

- Identificação da entidade, incluindo domicílio, natureza da actividade, nome e sede da empresa -mãe, se aplicável;

Referencial

-

financeiras;

contabilístico

de

preparação

das

demonstrações

- Resumo das principais políticas contabilísticas adoptadas;

- Informação desagregada dos itens apresentados na face do balanço, na demonstração dos resultados por natureza;

- Passivos contingentes e compromissos contratuais não reconhecidos;

- Divulgações exigidas por diplomas legais.

No que se refere às Divulgações de políticas contabilísticas uma entidade deve divulgar um resumo das principais políticas contabilísticas, designadamente:

- Bases de mensuração usadas na preparação das demonstrações financeiras;

- Outras políticas contabilísticas usadas que sejam relevantes para uma compreensão das demonstrações financeiras.

Finalmente uma observação quanto à Adopção pela primeira vez da NCRF – PE, uma vez que no final do primeiro exercício após transição, as divulgações devem incluir:

- Uma explicação acerca da forma como a transição dos anteriores princípios contabilísticos geralmente aceites para a NCRF -PE, afectou a sua posição financeira e o seu desempenho financeiro relatados;

- Uma explicação acerca da natureza das diferenças de transição que foram reconhecidas como capital próprio.

3.4.

Divulgações

3.4.1. Políticas Contabilísticas

No que respeita a políticas contabilísticas, a NCRF-PE estabelece os critérios para a selecção e aplicação de políticas contabilísticas, referindo, designadamente, que a política ou políticas contabilísticas a aplicar a determinado item será a que decorrer do capítulo que especificamente tratar da subjacente transacção, acontecimento ou condição. Esta afirmação de princípio é especialmente importante, pois vem permitir distinguir as situações em que se verifica uma lacuna quanto ao tratamento contabilístico daquelas situações em que foram tomadas opções por parte do legislador.

No caso de ausência de disposição, e após utilizadas as disposições supletivas, referidas em capítulo anterior, deve o órgão de gestão fazer juízos de valor no desenvolvimento e aplicação de uma política contabilística que resulte em informação que seja:

a) Relevante para a tomada de decisões económicas por parte dos utentes;

b) Fiável, de tal modo que as demonstrações financeiras:

i) Representem

desempenho financeiro e os fluxos de caixa da entidade;

com

fidedignidade

a

posição

financeira,

o

ii) Reflictam a substância económica de transacções, outros

acontecimentos e condições e não meramente a forma legal;

iii) Sejam neutras, isto é, que estejam isentas de preconceitos;

iv) Sejam prudentes; e

v) Sejam completas em todos os aspectos materiais.

Tal como acontece com o chamado regime geral, também nesta norma se exige a consistência na aplicação das políticas contabilísticas. Por outro lado, quanto a alterações nas políticas contabilísticas, a NCRF-PE segue também o regime geral estabelecido, i.e. que uma entidade deve alterar uma política contabilística apenas se a alteração passar a ser exigida por uma Norma ou Interpretação; ou resultar no facto de as demonstrações financeiras proporcionarem informação fiável e mais relevante sobre os efeitos das transacções, outros acontecimentos ou condições, na posição financeira, desempenho financeiro ou fluxos de caixa da entidade.

A norma refere ainda as situações em que uma entidade deve alterar as suas políticas contabilísticas, se a alteração:

a)

Passar a ser exigida por uma Norma ou Interpretação, (alteração involuntária); ou

b) Resultar no facto de as demonstrações financeiras proporcionarem informação fiável e mais relevante sobre os efeitos das transacções, outros acontecimentos ou condições, na posição financeira, desempenho financeiro ou fluxos de caixa da entidade, alteração voluntária.

3.4.2. Alterações nas estimativas contabilísticas e erros

As alterações nas estimativas contabilísticas e erros foram também merecedoras de referência na NCRF-PE. Quanto a estas foi estabelecido o princípio geral da aplicação prospectiva incluindo qualquer diferencial nos resultados do período de alteração, se a alteração afectar apenas esse período; ou período de alteração e futuros períodos, se a alteração afectar ambas as situações.

No caso dos erros, a norma refere especificamente que a correcção de um erro material de um período anterior é excluída dos resultados do período em que o erro é detectado, sendo efectuada directamente em resultados transitados

No que concerne aos aspectos de divulgação, estes são referidos no parágrafo 6.10 da norma e são os que a seguir se descrevem:

6.10 — Quando a aplicação de uma disposição desta Norma tiver efeitos no período corrente ou em qualquer período anterior, salvo se for impraticável determinar a quantia do ajustamento, ou puder ter efeitos em períodos futuros, uma entidade deve divulgar apenas nas demonstrações financeiras do período corrente:

a) A natureza da alteração na política contabilística;

b) A natureza do erro material de período anterior e seus impactos nas demonstrações financeiras desses períodos;

c) A quantia de ajustamento relacionado com o período corrente ou períodos anteriores aos

apresentados, até ao ponto que seja praticável; e

d) As razões pelas quais a aplicação da nova política contabilística proporciona informação

fiável e mais relevante, no caso de aplicação voluntária.

As divulgações exigidas neste ponto, são essencialmente descritivas, desde logo a natureza da alteração da política contabilística, ou a natureza do erro material de período anterior e o seu impacto nas demonstrações financeiras.

Tendo em conta que a NCRF-PE, não exige a aplicação retrospectiva das

alterações de políticas contabilísticas e erros materiais, como acontece da

aplicação integral das NCRF’s, nomeadamente da aplicação da NCRF 4, a

divulgação destas alterações, nomeadamente as quantias e o impacto nas

demonstrações financeiras assume uma importância acrescida, devendo ser

expresso a informação até ao ponto em que seja praticável.

Por fim, a norma exige que, sempre que se proceda a uma aplicação voluntária

de uma nova política contabilística se divulgue as razões pelas quais essa

política proporciona uma informação fiável mais relevante.

CASO PRÁTICO N.º 1

A empresa identificou no ano N, já após a divulgação das contas do exercício

anterior, que no pagamento de uma prestação de um empréstimo bancário,

havia sido contabilizado na conta de gastos financeiros a amortização de

capital no montante de 10.000 €.

Pedido: contabilização das operações no exercício N.

Natureza do problema: Alteração de políticas contabilísticas, estimativas contabilísticas e erros

NCRF PE (capítulo aplicável): 6

Reconhecimento e Mensuração:

De acordo com o disposto no § 6.9 da NCRF–PE, a correcção de um erro

material de um período anterior é excluída dos resultados do período em que o

erro é detectado, sendo efectuada directamente em resultados transitados.

Resolução:

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

2511 - Empréstimos bancários

56 - Resultados transitados

10.000

Correcção do erro material

Aspectos relacionados com a divulgação no Anexo (§ 6.10 da NCRF PE):

- A natureza da alteração na política contabilística;

- A natureza do erro material de período anterior e seus impactos nas demonstrações financeiras desses períodos;

- A quantia de ajustamento relacionado com o período corrente ou períodos anteriores aos apresentados, até ao ponto que seja praticável; e

- As razões pelas quais a aplicação da nova política contabilística proporciona informação fiável e mais relevante, no caso de aplicação voluntária.

3.4.3. Activos fixos tangíveis

No que toca aos activos fixos tangíveis, estes encontram-se tratados no capítulo 7 da NCRF-PE, considerando como princípio geral do reconhecimento do custo de um item de activo fixo tangível, o cumprimento das condições de reconhecimento definidas no capítulo 3 da norma.

Considera ainda que, no caso dos sobressalentes e equipamentos de serviço, estes serão geralmente escriturados como inventário e reconhecidos nos resultados quando consumidos. No entanto, quanto aos sobressalentes principais e equipamento de reserva, no caso de a entidade esperar usá-los durante mais do que um período, os mesmos serão classificados como activos fixos tangíveis.

Ainda no que concerne ao reconhecimento, dispõe a norma que poderão ser considerados no activo fixo tangível por uma só quantidade e quantia fixa, os itens imobilizados que satisfaçam as seguintes condições:

- Sejam renovados frequentemente;

- Representem, bem a bem, uma quantia imaterial para a entidade;

- Tenham uma vida útil não superior a três anos.

Em matéria de mensuração, a regra geral é que um item do activo fixo tangível deve ser mensurado pelo seu custo, compreendendo um conjunto de elementos, tais como os custos de compra, os direitos e impostos não reembolsáveis, bem como quaisquer custos directamente atribuíveis para

colocar o activo na localização e condição necessária para o mesmo ser capaz de funcionar de forma pretendida.

No entanto, caso existam diferenças significativas entre a quantia escriturada segundo o modelo do custo e o justo valor dos activos, a norma refere que uma entidade poderá, alternativamente utilizar o modelo de revalorização como política contabilística e deve aplicar essa política a uma classe inteira de activos fixos tangíveis.

No modelo do custo, um item do activo fixo tangível deve ser escriturado pelo seu custo menos qualquer depreciação acumulada e quaisquer perdas por imparidade acumuladas, enquanto que no modelo da revalorização, após o reconhecimento como um activo, um item do activo fixo tangível cujo justo valor possa ser mensurado fiavelmente deve ser escriturado por uma quantia revalorizada, que é o seu justo valor à data da revalorização menos qualquer depreciação acumulada subsequente e perdas por imparidade acumuladas subsequentes.

As revalorizações devem ser feitas com suficiente regularidade para assegurar que a quantia escriturada não difira materialmente daquela que seria determinada pelo uso do justo valor à data do balanço.

Se a quantia escriturada de um activo for aumentada como resultado de uma revalorização, o aumento deve ser creditado directamente ao capital próprio numa conta com o título de excedente de revalorização. No entanto, o aumento deve ser reconhecido nos resultados até ao ponto em que reverta um decréscimo de revalorização do mesmo activo previamente reconhecido nos resultados.

Pelo contrário, se a quantia escriturada de um activo for diminuída como resultado de uma revalorização, a diminuição deve ser reconhecida nos resultados. Contudo, a diminuição deve ser debitada directamente ao capital

próprio até ao ponto de qualquer saldo de crédito existente no excedente de revalorização com respeito a esse activo.

No que se refere à depreciação a norma determina, que esta começa quando o activo esteja disponível para uso, cessando na data em que este seja desreconhecido com tal. Dispõe ainda a obrigatoriedade de considerar a depreciação como um gasto, reconhecido nos resultados, exceptuando os casos em que tal depreciação seja incluída na quantia escriturada de um outro activo.

O método de depreciação usado deve reflectir o modelo por que se espera que os futuros benefícios económicos do activo sejam consumidos pela entidade, devendo ser aplicado numa base sistemática durante a sua vida útil, podendo ser utilizados diversos métodos: o método da linha recta, o método do saldo decrescente e o método das unidades de produção.

Embora a NCRF-PE, não regule de forma directa as imparidades, uma entidade deverá avaliar se um item do activo fixo tangível está ou não com imparidade usando para o efeito as disposições da NCRF 12 – Imparidade de Activos.

Quanto ao desreconhecimento da quantia escriturada de um item do activo fixo tangível o mesmo deve ocorrer no momento da alienação, ou quando não se espere futuros benefícios económicos do seu uso ou alienação. O ganho ou a perda resultante do desreconhecimento de um item do activo fixo tangível deve ser incluído nos resultados, no entanto, os ganhos não devem ser considerados como rédito.

No que diz respeito a divulgações a norma estabelece, no parágrafo 7.27 a 7.29, um conjunto de informações que deve ser relatado nas demonstrações financeiras, a seguir discriminadas:

7.27 — As demonstrações financeiras devem divulgar:

a) Os critérios de mensuração usados para determinar a quantia escriturada bruta;

b) Os métodos de depreciação usados;

c) As vidas úteis ou as taxas de depreciação usadas;

d) A quantia escriturada bruta e a depreciação acumulada (agregada com perdas por

imparidade acumuladas) no início e no fim do período; e

e) Uma reconciliação da quantia escriturada no início e no fim do período que mostre as

adições, as revalorizações, as alienações, as depreciações, as perdas de imparidade e suas

reversões e outras alterações.

Desde logo uma entidade deve divulgar de uma forma descritiva qual o modelo de mensuração dos activos fixos tangíveis, bem como os métodos de depreciação utilizados.

Para além das descrições referidas, deve igualmente divulgar as vidas úteis e as taxas utilizadas nas depreciações, bem como as quantias brutas e as depreciações acumuladas no início e no fim do período e ainda a informação das alterações de valor ocorridas no período, tais como as aquisições, alienações, revalorizações, imparidades entre outras. No entanto, neste caso, é nossa opinião que, será mais útil e de mais fácil compreensão por parte dos leitores das demonstrações financeiras que a informação divulgada se faça através de quadros demonstrativos.

7.28 — As demonstrações financeiras devem também divulgar:

a) A existência e quantias de restrições de titularidade e activos fixos tangíveis que sejam

dados como garantia de passivos;

b) A quantia de compromissos contratuais para aquisição de activos fixos tangíveis; e

A norma refere ainda que devem ser divulgadas as restrições de titularidade dos activos fixos tangíveis que sejam dados como garantia de passivos, ainda que contingentes, tais como hipotecas, penhores, reserva de propriedade, ou qualquer outra. Esta informação é extremamente útil, especialmente para efeitos de financiamento.

É igualmente exigida a divulgação dos compromissos contratuais para a aquisição de activos fixos tangíveis, permitindo aos leitores das demonstrações financeiras possuir o conhecimento dos níveis de compromisso assumido que se traduzirão no futuro no exfluxo de quantias financeiras.

7.29 — Se os itens do activo fixo tangível forem expressos por quantias revalorizadas, deve ser divulgado o seguinte:

a) A data de eficácia da revalorização; b) Os métodos e pressupostos aplicados nessa revalorização.

Por fim a norma determina, que no caso da utilização do modelo da revalorização, seja divulgado a data da eficácia da revalorização, bem como os métodos e os pressupostos aplicados nessa revalorização.

CASO PRÁTICO N.º 2

A empresa iniciou durante o ano N a construção de um armazém para fins industriais e depósito de materiais, o qual, tendo sido terminado em 02/11/N+1.Os gastos incorridos e as respectivas quantias foram as seguintes:

 

N

N+1

Matérias-primas

8.000

7.000

Mão-de-obra

12.000 €

9.000

Imputação de custos diversos

3.000

3.000

A empresa considerou uma vida útil para o armazém de 20 anos, depreciando numa base constante e fraccionada por duodécimos.

Pedido: Contabilização das operações relativas aos anos N e N+1

Natureza

mensuração)

do

problema:

Activos

fixos

tangíveis

NCRF PE (capítulo aplicável): 7

Reconhecimento e Mensuração:

(reconhecimento

e

De acordo com o parágrafo 3.3 da norma os gastos aqui apresentados preenchem os pressupostos do reconhecimento como um activo, já que é provável que benefícios económicos futuros fluam para a entidade e tem um valor que pode ser mensurado com fiabilidade.

Em termos de mensuração os activos fixos tangíveis são mensuradas pelo seu custo menos qualquer depreciação acumulada e quaisquer perdas por imparidade acumuladas.

Resolução:

- Início da construção: N;

- Final da construção: 02/11/N+1.

Em N:

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

61

- Custo das matérias Consumidas

 

8.000

 

- Fornecimentos e Serviços Externos

62

12

D. Ordem / 221

 

Fornecedores c/c (…)

3.000

Pelos gastos incorridos em N

63

- Custos com o Pessoal

12.000

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

453 - Activos fixos tangíveis em curso

741 - Trabalhos para a própria entidade – Activos Fixos Tangíveis

23.000

Pelo investimento em curso em N

Em N+1:

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

61

- Custo das matérias Consumidas

 

7.000

 

62

- Fornecimentos e

12

D. Ordem / 221

 

Serviços Externos

Fornecedores c/c (…)

3.000

Pelos gastos incorridos em N+1

63

- Custos com o Pessoal

9.000

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

453

- Activos fixos

741 - Trabalhos para a própria entidade – Activos Fixos Tangíveis

 

Pelo investimento em curso em

tangíveis em curso

19.000

N+1

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

432

- Activos Fixos

453 Activos fixos tangíveis em curso

   

Tangíveis - Edifícios

42.000

Pela conclusão do pavilhão

42.000 € = 23.000 € + 19.000 €

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

642 Gastos de depreciação e de amortização - AFT

438 Depreciações acumuladas

 

Pela depreciação do edifício de

350

N+1

350 € = (42.000 / 20) / 12 * 2

Aspectos relacionados com a divulgação no Anexo (§ 7.27 da NCRF PE):

Os

critérios

de

- escriturada bruta.

mensuração

usados

- Os métodos de depreciação usados.

para

determinar

a

quantia

- As vidas úteis ou as taxas de depreciação usadas.

- A quantia escriturada bruta e a depreciação acumulada (agregada com perdas por imparidade acumuladas) no início e no fim do período.

- Uma reconciliação da quantia escriturada no início e no fim do período que mostre as adições, as revalorizações, as alienações, as depreciações, as perdas de imparidade e suas reversões e outras alterações.

3.4.4. Activos intangíveis

No que diz respeito aos activos intangíveis, em termos essenciais, os critérios utilizados são semelhantes aos activos fixos tangíveis. Desta forma, para que um activo intangível seja reconhecido o mesmo deve ser identificável e cumprir as demais condições de reconhecimento.

Um activo satisfaz o critério da identificabilidade na definição de um activo intangível quando:

- For separável, i.e. capaz de ser separado ou dividido da entidade e vendido, transferido, licenciado, alugado ou trocado, seja individualmente ou em conjunto com um contrato, activo ou passivo relacionado; ou

- Resultar de direitos contratuais ou de outros direitos legais, quer

esses direitos sejam transferíveis quer sejam separáveis da entidade ou de outros direitos e obrigações.

Os activos intangíveis gerados internamente, em regra geral, não são reconhecidos, exceptuam-se, contudo, os gastos de desenvolvimento, em que o reconhecimento apenas deve ocorrer se, e apenas se, uma entidade puder demonstrar todas as seguintes condições:

- a viabilidade técnica de concluir o activo intangível a fim de que esteja disponível para uso ou venda;

- a sua intenção de concluir o activo intangível e usá-lo ou vendê-lo;

- a sua capacidade de usar ou vender o activo intangível;

- a forma como o activo intangível gerará prováveis benefícios

económicos futuros. Entre outras coisas, a entidade pode demonstrar a existência de um mercado para a produção do activo intangível ou para o próprio activo intangível ou, se for para ser usado internamente, a utilidade do activo intangível;

- a disponibilidade de adequados recursos técnicos, financeiros e

outros para concluir o desenvolvimento e usar ou vender o activo

intangível;

- a sua capacidade para mensurar fiavelmente o dispêndio atribuível ao activo intangível durante a sua fase de desenvolvimento.

A norma é muito restritiva em matéria de reconhecimento como activo, deste tipo de dispêndios, estabelecendo que, como regra geral, os mesmos devam ser reconhecidos como gastos quando incorridos.

Nesta linha nunca deverão ser reconhecidos como activo:

- as marcas, cabeçalhos, títulos de publicações, listas de clientes e itens substancialmente semelhantes gerados internamente;

- dispêndio com actividades de arranque, a não ser que este

dispêndio esteja incluído no custo de um item de activo fixo tangível.

- dispêndios com actividades de formação;

- dispêndios com actividades de publicidade e promocionais;

- dispêndios com a mudança de local ou reorganização de uma entidade no seu todo ou em parte.

Para além disso, a norma estabelece ainda que o dispêndio com um item intangível que tenha sido inicialmente reconhecido como um gasto não deve ser reconhecido como parte do custo de um activo intangível em data posterior.

Em termos de mensuração, ao contrário dos activos fixos tangíveis, na NCRF- PE (§ 8.15) um activo intangível apenas pode ser contabilizado pelo modelo do custo, não sendo permitida a adopção do modelo de revalorização. Devendo ser avaliada se a vida útil de um activo intangível é finita ou indefinida e, se for finita, a duração dessa vida útil.

Um activo intangível tem uma vida útil indefinida quando, com base numa análise de todos os factores relevantes, não houver limite previsível para o período durante o qual se espera que o activo gere influxos de caixa líquidos para a entidade, não devendo ser amortizado.

No que concerne aos aspectos de divulgação, a norma estabelece nos parágrafos 8.24 a 8.27 os dados a relatar nas demonstrações financeiras:

8.24 — Uma entidade deve divulgar o seguinte para cada classe de activos intangíveis,

distinguindo entre os activos intangíveis gerados internamente e outros activos intangíveis:

a) Se as vidas úteis são indefinidas ou finitas e, se forem finitas, as vidas úteis ou as taxas de

amortização usadas;

b) Os métodos de amortização usados para activos intangíveis com vidas úteis finitas;

c) A quantia bruta escriturada e qualquer amortização acumulada (agregada com as perdas por

imparidade acumuladas) no começo e fim do período; d) Uma reconciliação da quantia escriturada no inicio e no fim do período que mostre as adições, as alienações, as amortizações, as perdas de imparidade e suas reversões e outras alterações.

O primeiro aspecto que uma entidade deverá divulgar é a distinção dos activos intangíveis gerados internamente dos restantes, das vidas úteis distinguindo as situações em que a vida útil é indefinida das restantes, devendo nos caso de vidas úteis finitas indicar as taxas de amortização.

Tal como no caso dos activos fixos tangíveis, deverão ser igualmente divulgados os métodos de amortização, os montantes das quantias brutas e amortizações acumuladas no início e fim de cada período bem como a demonstração das variações de valor ocorridos no período.

8.25 — Uma entidade deve também divulgar:

a) Para um activo intangível avaliado como tendo uma vida útil indefinida, a quantia escriturada

desse activo e as razões que apoiam a avaliação de uma vida útil indefinida. Ao apresentar estas razões, a entidade deve descrever o(s) factor(es) que desempenhou(aram) um papel significativo na determinação de que o activo tem uma vida útil indefinida;

b) Uma descrição, a quantia escriturada e o período de amortização restante de qualquer

activo intangível individual que seja materialmente relevante para as demonstrações financeiras da entidade;

c) Para os activos intangíveis adquiridos por meio de um subsídio do Governo e inicialmente

reconhecidos pelo justo valor, a quantia inicialmente reconhecida e a sua quantia escriturada actualmente;

d) A existência e as quantias escrituradas de activos intangíveis cuja titularidade esteja

restringida e as quantias escrituradas de activos intangíveis dados como garantia de passivos;

e) A quantia de compromissos contratuais para aquisição de activos intangíveis.

A norma indica ainda a divulgação das quantias dos activos intangíveis com vida útil indefinida, as razões que apoiam essa avaliação, descrevendo os factores que determinaram essa condição. Deve ser ainda divulgada a quantia escriturada e o período de amortização restante de qualquer activo intangível individual que seja materialmente relevante para as demonstrações financeiras.

Para os activos intangíveis adquiridos através de subsídio do governo e inicialmente reconhecidos pelo seu justo valor, deve ser divulgado o montante inicial e a sua actual quantia escriturada.

Tal como nos activos fixos tangíveis, é exigida a divulgação das restrições da propriedade dos activos intangíveis para garantia de passivo bem como os compromissos contratuais de aquisição futura.

8.26 — Uma entidade deve divulgar a quantia agregada do dispêndio de pesquisa e

desenvolvimento reconhecido como um gasto durante o período.

A norma dispõe que uma entidade deverá divulgar as quantias dos dispêndios de pesquisa e desenvolvimento reconhecido como gasto no exercício do período.

8.27 — Relativamente aos activos intangíveis de carácter ambiental, uma entidade deve

divulgar:

a) Descrição dos critérios de mensuração adoptados, bem como dos métodos utilizados no

cálculo dos ajustamentos de valor, no que respeita a matérias ambientais;

b) Os incentivos públicos relacionados com a protecção ambiental, recebidos ou atribuídos à

entidade. Especificação das condições associadas à concessão de cada incentivo ou uma síntese das condições, caso sejam semelhantes.

c) Quantia dos dispêndios de carácter ambiental capitalizadas durante o período de referência

na medida em que possa ser estimada com fiabilidade.

d) Quantia dos dispêndios de carácter ambiental imputados a resultados e base em que tais

quantias foram calculadas.

e) Caso sejam significativos, os dispêndios incorridos com multas e outras penalidades pelo

não cumprimento dos regulamentos ambientais e indemnizações pagas a terceiros, por exemplo em resultado de perdas ou danos causados por uma poluição ambiental passada.

No que concerne aos activos intangíveis de carácter ambiental, a norma estipula as divulgações dos critérios de mensuração, os incentivos públicos relacionados com a protecção

CASO PRÁTICO N.º 3

A empresa adquiriu em 01/07/N-2, por 18.000 euros, uma patente de uma forma de secagem de betão que permite optimizar a produção. Para além disso incorreu ainda em 2.000 € de despesas com honorários de advogados e outras

despesas legais, relacionados com esta operação de aquisição e registo da patente.

A patente encontra-se protegida por um período de 5 anos, findo o qual a tecnologia fica livre no mercado, podendo ser usada por todos os operadores.

Em 3/10/N uma nova tecnologia foi lançada no mercado por uma universidade que a divulgou a todos as entidades deixando a empresa de ser competitiva com a utilização da sua patente.

Pedido: Contabilização das operações relativas aos anos N-2 a N

Natureza do problema: Activos intangíveis (reconhecimento e mensuração)

NCRF PE (capítulo aplicável): 8

Reconhecimento e Mensuração:

Os gastos aqui apresentados preenchem os pressupostos do reconhecimento como um activo intangível, já que, para além dos restantes aspectos de reconhecimento de um activo cumpre igualmente os critérios de identificabilidade.

Em termos de mensuração inicial os activos fixos tangíveis são mensurados pelo seu custo, podendo ter vidas úteis definidas ou indefinidas. No caso em apreço, como a vido útil é definida, a sua mensuração subsequente é determinada pelo seu custo menos qualquer amortização acumulada e quaisquer perdas por imparidade acumuladas.

Resolução:

- Aquisição da patente: 01/07/N-2;

- Período de vida útil: 5 anos

Em N - 2:

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

44 - Activos intangíveis – Propriedade industrial

12 - Depósitos à ordem

20.000

Pela aquisição da patente em 01/07/N - 2

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

643

- Gastos de

     

depreciação e de amortização – Activos Intangíveis

448

- Amortizações

2.000

Pela amortização da patente em

acumuladas

N

– 2

2.000 € = (20.000/5) /12*6

Em N – 1:

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

643

- Gastos de

     

depreciação e de amortização – Activos Intangíveis

448

- Amortizações

4.000

Pela amortização da patente em

acumuladas

N

– 1

Em N:

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

643

- Gastos de

     

depreciação e de amortização – Activos Intangíveis

448 - Amortizações acumuladas

Pela depreciação da patente em

3.000

N

3.000 € = (20.000 / 5) / 12 *9

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

656 - Perdas por

Imparidade – Activos

Intangíveis

449 - Perdas por imparidade acumuladas

11.000 €

Pela depreciação da patente em

N

Quantia escriturada à data do teste de imparidade:

11.000 € = 20.000 – 2.000 – 4.000 – 3.000

Quantia recuperável da patente: 0

Imparidade: 11.000 = 11.000 - 0

Aspectos relacionados com a divulgação no Anexo (§ 8.25 da NCRF PE):

- Para um activo intangível avaliado como tendo uma vida útil indefinida, a quantia escriturada desse activo e as razões que apoiam a avaliação de uma vida útil indefinida. Ao apresentar estas razões, a entidade deve descrever o(s) factor(es) que desempenhou(aram) um papel significativo na determinação de que o activo tem uma vida útil indefinida.

- Uma descrição, a quantia escriturada e o período de amortização restante de qualquer activo intangível individual que seja materialmente relevante para as demonstrações financeiras da entidade.

3.4.5.

Locações

Os principais aspectos relacionados com a temática das locações não sofreram grandes alterações, em relação ao normativo anterior (POC), assim, a NCRF- PE, descreve as locações como financeiras ou operacionais, conforme o locador transferir substancialmente para o locatário todas os riscos e vantagens inerentes à propriedade.

A classificação do tipo de locação não depende da forma do contrato, mas da substância da operação, descrevendo a norma alguns exemplos de situações que normalmente conduzem a que uma locação seja considerada como locação financeira:

a) a locação transfere a propriedade do activo para o locatário no fim do prazo da locação;

b) o locatário tem a opção de comprar o activo por um preço que se espera que seja suficientemente mais baixo do que o justo valor à data em que a opção se torne exercível tal que, no inicio da locação, seja razoavelmente certo que a opção será exercida;

c) o prazo da locação abrange a maior parte da vida económica do activo mesmo que o título de propriedade não seja transferido;

d) no início da locação o valor presente dos pagamentos mínimos da locação ascende a pelo menos, substancialmente, todo o justo valor do activo locado; e,

e) os activos locados são de uma tal natureza especializada que apenas o locatário os pode usar sem que sejam feitas grandes modificações.

Em termos de reconhecimento a norma estabelece que, no caso de uma locação financeira, o locatário deve reconhecer um activo e um passivo no seu balanço por quantias iguais ao justo valor da propriedade locada ou, se inferior, ao valor dos pagamentos mínimos da locação, enquanto, no caso de uma locação operacional o locatário reconhece os pagamentos efectuados como gasto numa base linear durante o período de locação.

No que concerne à mensuração subsequente, o locatário de uma locação financeira considera os pagamentos repartindo o seu valor entre o encargo financeiro e a redução do passivo pendente. Uma locação financeira dá origem a um gasto de depreciação relativo ao activo depreciável assim como a um gasto financeiro em cada período contabilístico. A política de depreciação para os activos locados depreciáveis deve ser consistente com a dos activos depreciáveis que sejam possuídos e a depreciação reconhecida deve ser calculada nas bases estabelecidas para os respectivos activos. Se não houver certeza razoável de que o locatário obtenha a propriedade no fim do prazo da locação, o activo deve ser totalmente depreciado durante o prazo da locação ou da sua vida útil, o que for mais curto.

No que diz respeito à divulgação a norma estabelece no parágrafo 9.9 da NCRF-PE os aspectos que o locatário deve exibir nas suas demonstrações financeiras:

9.9 — Para locações financeiras, os locatários devem divulgar para cada categoria de activo, a quantia escriturada líquida à data do balanço. 9.10 — Para locações financeiras e operacionais, os locatários devem divulgar uma descrição geral dos acordos de locação significativos incluindo, pelo menos, o seguinte:

i) A base pela qual é determinada a renda contingente a pagar;

ii) A existência e cláusulas de renovação ou de opções de compra e cláusulas de

escalonamento; e

iii) Restrições impostas por acordos de locação, tais como as que respeitam a dividendos,

dívida adicional, e posterior locação.

A norma estipula que as entidades locatárias devem divulgar para cada

categoria de activo a quantia escriturada líquida das locações financeiras. Para além disso é igualmente exigido a divulgação da descrição geral dos acordos de locação, operacional e financeira, nomeadamente a base pela qual é determinada a renda contingente, a existência de cláusulas de renovação ou

de

opções de compra, e ainda a existência de restrições impostas por acordos

de

locação.

CASO PRÁTICO N.º 4

A empresa celebrou durante o ano N o seguinte contrato de locação 3 :

Data do início do contrato: 1 de Agosto de N

Período do contrato: 4 anos

Valor do bem (equipamento básico): 51.500 €

Rendas: 16 rendas trimestrais e iguais a 3.639,71 € (excluindo o IVA), pagas antecipadamente e com juro postecipado.

Valor residual no final do contrato: 1.500 €

Período de vida útil do bem: 10 anos

Existe certeza razoável de que se exercera a opção de compra.

3 Adaptado de “RODRIGUES, Ana Maria, CARVALHO, Carla, CRAVO, Domingos, AZEVEDO, Graça, “SNC – Contabilidade Financeira: sua aplicação”, Almedina, Julho de 2010, p. 664 e ss

Pedido: Contabilização das operações relativas aos anos N e N + 1

Natureza do problema: Locações (reconhecimento e mensuração)

NCRF PE (capítulo aplicável): 7 e 9

Reconhecimento e Mensuração:

Classificação das locações (§ 9.2 da NCRF-PE):

Financeira: transferência substancial de todos os riscos e vantagens inerentes a posse de um activo. O título de propriedade pode ou não ser eventualmente transferido.

Operacional: locação que não seja locação financeira.

No caso em análise, estamos perante uma locação financeira, pois existe uma transferência de todos os riscos e vantagens associadas ao bem locado, bem como a certeza razoável de que o locatário exercerá a opção de compra no final do contrato.

Reconhecimento inicial da locação financeira:

- Reconhece como activos e passivos por quantias iguais ao justo valor da propriedade locada ou, se inferior, ao valor presente dos pagamentos mínimos da locação, cada um determinado no inicio da locação, adicionando quaisquer custos directos iniciais do locatário (§ 9.5 da NCRF - PE).

Reconhecimento inicial do equipamento básico:

Cumpre com a definição de activo (alínea a) do § 49 da EC).

Cumpre com a definição de activo fixo tangível.

Cumpre com os critérios de reconhecimento de um activo (§ 81 da EC).

Mensuração no reconhecimento inicial: custo de aquisição (§ 7.5 da NCRF - PE).

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

433 – Activos Fixos Tangíveis – Equipamento Básico

2513 – Financiamentos obtidos – Locações financeiras

51.500

Reconhecimento inicial do contrato de leasing

Mensuração Subsequente:

De acordo com o § 9.6 da NCRF - PE, os pagamentos mínimos da locação devem ser repartidos entre o encargo financeiro e a redução do passivo pendente. O encargo financeiro deve ser imputado a cada período durante o prazo da locação de forma a produzir uma taxa de juro periódica constante sobre o saldo remanescente do passivo.

Tendo por base as condições do contrato de locação, apresenta-se de seguida o respectivo plano financeiro, o qual tem subjacente uma taxa de juro nominal anual de 8%.

N.º

Data

Juros

Amortização

Renda

Capital em

renda

Do capital

dívida

 

1 1/8/N

0,00

3.639,71

3.639,71

47.860,29

 

2 1/11/N

957,21

2.682,51

3.639,71

45.177,78

 

3 1/2/N+1

903,56

2.736,16

3.639,71

42.441,63

 

4 1/5/N+1

848,83

2.790,88

3.639,71

39.650,75

 

5 1/8/N+1

793,01

2.846,70

3.639,71

36.804,05

 

6 1/11/N+1

736,08

2.903,63

3.639,71

33.900,42

 

7 1/2/N+2

678,01

2.961,70

3.639,71

30.938,71

 

8 1/5/N+2

618,77

3.020,94

3.639,71

27.917,78

 

9 1/8/N+2

558,36

3.081,36

3.639,71

24.836,42

 

10 1/11/N+2

496,73

3.142,98

3.639,71

21.693,44

 

11 1/2/N+3

433,87

3.205,84

3.639,71

18.487,59

 

12 1/5/N+3

369,75

3.269,96

3.639,71

15.217,63

 

13 1/8/N+3

304,35

3.335,36

3.639,71

11.882,27

 

14 1/11/N+3

237,65

3.402,07

3.639,71

8.480,21

 

15 1/2/N+4

169,60

3.470,11

3.639,71

5.010,10

 

16 1/5/N+4

100,20

3.539,51

3.639,71

1.470,59

Opção

1/8/N+4

29,41

1.470,59

1.500,00

0,00

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

2513

– Financiamentos

     

obtidos – Locações

12 Depósitos à ordem

3.639,71

Pagamento da 1ª renda

 

financeiras

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

2513

- Financiamentos

   

obtidos - Locações

2.682,51

 

financeiras

6911(3) - Juros de financiamentos obtidos - Locações Financeiras

12 Depósitos à Ordem

957,21

Pagamento da 2.ª renda

Em 31/12/N, a empresa terá de reconhecer o juro da locação financeira relativo ao período de 1/11/N a 31/12/N, o qual apenas será liquidado em 1/2/N+1, aquando do pagamento da 3.ª renda do leasing.

Juro a reconhecer = 903,56 € x 2/3 meses = 602,37 €

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

6911(3) – Juros de financiamentos obtidos – locações financeiras

2722 – Credores por acréscimos de gastos

602,37 €

Reconhecimento do acréscimo de juro no ano N

Ainda em 31/12/N, é necessário proceder ao registo da depreciação do período do equipamento. Nos termos do § 9.7 da NCRF -PE, a quantia depreciável de um activo locado e imputada a cada período contabilístico durante o período do

uso esperado numa base sistemática consistente com a política de depreciação que o locatário adopte para activos depreciáveis de que seja proprietário. Se houver certeza razoável de que o locatário obterá a propriedade no fim do prazo da locação, o período de uso esperado é a vida útil do activo; se tal não for possível, o activo é depreciado durante o prazo da locação ou da sua vida útil, dos dois o mais curto.

No caso concreto, como é esperado o exercício da opção de compra do bem no final do contrato, o período de amortização será o da vida útil do bem, ou seja, 10 anos.

Depreciação do período = 51.500 € / 10 anos x (5/12 meses) = 2.146 €

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

642 - Gastos de depreciação e de amortização – Activos Fixos Tangíveis

438 - Depreciações acumuladas

2.146

Pela depreciação no exercício N

Aspectos relacionados com a divulgação no Anexo (§ 9.9 e 9.10 da NCRF PE):

- Para cada categoria de activo, a quantia escriturada líquida à data do balanço.

- Descrição geral dos acordos de locação significativos incluindo, pelo menos, o seguinte:

i) A base pela qual é determinada a renda contingente a pagar;

ii) A existência e cláusulas de renovação ou de opções de compra e cláusulas de escalonamento; e

iii) Restrições impostas por acordos de locação, tais como as que respeitam a dividendos, dívida adicional, e posterior locação.

3.4.6. Custos de empréstimos obtidos

Quanto aos custos de empréstimos obtidos, mantém-se o regime de referência do reconhecimento dos mesmos como um gasto no período em que sejam incorridos, permitindo-se que, em circunstâncias excepcionais os mesmos possam ser capitalizados.

Estão neste caso, os custos de empréstimos obtidos que sejam directamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um activo que se qualifica podem ser capitalizados como parte do custo desse activo, quando seja provável que deles resultarão benefícios económicos futuros para a entidade e tais custos possam ser fiavelmente mensurados.

Anote-se que se considera que um activo se qualifica quando leva necessariamente um período substancial de tempo para ficar pronto para o seu uso pretendido ou para venda.

A capitalização dos custos de empréstimos obtidos como parte do custo de um

activo que se qualifica deve começar quando:

a) Os dispêndios com o activo estejam a ser incorridos;

b) Os custos de empréstimos obtidos estejam a ser incorridos; e

c) As actividades que sejam necessárias para preparar o activo para o seu uso pretendido ou venda estejam em curso.

e deve cessar quando substancialmente todas as actividades necessárias para preparar o activo elegível para o seu uso pretendido ou para a sua venda estejam concluídas.

Relativamente às divulgações exigidas, dispõe a Norma PE, no seu parágrafo 10.13 o seguinte:

10.13 — As demonstrações financeiras devem divulgar:

a) A política contabilística adoptada nos custos dos empréstimos obtidos;

b) A quantia de custos de empréstimos obtidos capitalizada durante o período; e

c) A taxa de capitalização usada para determinar a quantia do custo dos empréstimos obtidos

elegíveis para capitalização.

A norma estipula, desde logo, a divulgação da política contabilística adoptada,

bem como a quantia de custos de empréstimos obtidos capitalizada durante o

período. Para além disso, requer igualmente a descrição da taxa de capitalização usada para determinar a quantia dos custos capitalizados.

CASO PRÁTICO N.º 5

A empresa encontra-se a construir um empreendimento imobiliário composto

por um bloco de apartamentos para comercialização quando estiver concluído.

Durante o ano N, foram incorridos os seguintes custos:

Itens

Matérias Primas (inclui terreno adquirido em Janeiro por 100.000 €)

150.000

Mão de Obra

40.000

Gastos gerais directos (inclui 10.000 € de depreciações)

40.000

Gastos Administrativos

30.000

Total

260.000

Para financiar esta construção a empresa contraiu um empréstimo de fomento

à construção, à taxa nominal anual de 6%, que financia 80% dos gastos incorridos na obra.

Pedido: Cálculo dos encargos financeiros no ano N e contabilização das operações relativas ao ano N

Natureza do problema: Custos de empréstimos obtidos

NCRF PE (capítulo aplicável): 10 e 11

Reconhecimento e Mensuração:

Os custos de empréstimos obtidos, de acordo com o capítulo 10 da NCRF–PE, devem ser reconhecidos como um gasto no período em que sejam incorridos, excepto nos casos em que sejam capitalizados. Os custos de empréstimos obtidos que sejam directamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um activo que se qualifica podem ser capitalizados como parte do custo desse activo, quando seja provável que deles resultarão benefícios económicos futuros para a entidade e tais custos possam ser fiavelmente mensurados.

O conceito de activo que se qualifica define-se como tal quando um activo leva necessariamente um período substancial de tempo para ficar pronto para o seu uso pretendido ou para venda.

Podendo o inventário descrito no presente exercício ser considerado como um activo que se qualifica, a norma, de acordo com o § 11.9 da NCRF – PE, prevê que os custos dos empréstimos obtidos poderão ser incluídos no custo dos inventários.

O início da capitalização verifica-se quando se realizarem em simultâneo as seguintes condições (§ 10.8 da NCRF-PE):

Os dispêndios com o activo estejam a ser incorridos;

Os custos de empréstimos obtidos estejam a ser incorridos; e,

Estejam em curso actividades necessárias para preparar o activo para o seu uso pretendido ou venda.

A cessação da capitalização verifica-se quando substancialmente todas as actividades necessárias para preparar o activo elegível para o seu uso pretendido ou para a sua venda estejam concluídas (§ 10.11 da NCRF- PE)

Resolução:

- Início da construção: 02/01/N;

- Em 31/12/N a construção do edifício encontrava-se em curso devendo ser terminado durante o ano N+1

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

36 - Produtos e trabalhos em curso

733 - Produtos e trabalhos em curso

260.000

Reconhecimento dos custos da

construção ocorridos durante o ano N como inventários em curso

Cálculo dos custos dos empréstimos obtidos:

Conforme o descrito a empresa obteve um financiamento correspondente a 80% dos dispêndios obtidos, que foram repartidos no ano de acordo com o quadro seguinte:

 

Dispêndios

Financiado

Juro

Janeiro

112.500

90.000

450

Fevereiro

12.500

10.000

500

Março

12.500

10.000

550

Abril

12.500

10.000

600

Maio

12.500

10.000

650

Junho

12.500

10.000

700

Julho

12.500

10.000

750

Agosto

12.500

10.000

800

Setembro

12.500

10.000

850

Outubro

12.500

10.000

900

Novembro

12.500

10.000

950

Dezembro

12.500

10.000

1.000

Total

250.000

200.000

8.700

No final do exercício a capitalização dos juros contabilizar-se-ia da seguinte forma:

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

36 - Produtos e trabalhos em curso

691 Juros de financiamentos obtidos

8.700

Capitalização dos custos de empréstimos obtidos

A opção por creditar a conta 691 – Juros de financiamentos obtidos tem como pressuposto que, ao longo do período N, terão sido reconhecidos naquela conta os encargos financeiros, tendo-se optado apenas no final do ano por capitalizar os mesmos, obrigando deste modo à regularização da quantia antes debitada. Admite-se, todavia, e em função das situações concretas, a utilização de outras contas, nomeadamente a 2722 – Credores por acréscimos de gastos, ou a conta 12 – Depósitos à ordem.

Aspectos relacionados com a divulgação no Anexo (§ 10.13 da NCRF PE):

- A política contabilística adoptada nos custos dos empréstimos obtidos

- A quantia de custos de empréstimos obtidos capitalizada durante o período.

- A taxa de capitalização usada para determinar a quantia do custo dos empréstimos obtidos elegíveis para capitalização.

3.4.7.

Inventários

Os inventários encontram-se tratados no capítulo 11 da NCRF-PE, indicando desde logo que os inventários devem ser mensurados pelo seu custo ou valor realizável líquido, dos dois o mais baixo, considerando ainda que o custo de inventário deve incluir todos os custos de compra, custos de conversão e outros custos incorridos para colocar os inventários no seu local e na sua condição actuais.

No que concerne aos custos de compra, não existe uma diferença substancial em relação ao normativo anterior, já no que diz respeito aos custos de conversão a norma consagra a obrigatoriedade de a imputação de gastos gerais de produção fixos aos custos de conversão baseada na capacidade normal das instalações de produção.

Outros custos poderão ser incluídos nos custos dos inventários até ao ponto em que sejam incorridos para os colocar no seu local e na sua condição actuais. A norma refere que poderá ser apropriado incluir no custo dos inventários gastos gerais que não sejam industriais ou os custos de concepção de produtos para clientes específicos. Para além disso, tal como referido no ponto anterior, em determinadas circunstâncias podem ser incluídos nos custos dos inventários os custos de empréstimos obtidos.

De referir que a norma exemplifica um conjunto de custos excluídos dos inventários que devem ser reconhecidos como gastos do período em que sejam incorridos, tais como:

a)

quantias anormais de materiais desperdiçados, de mão de obra ou de outros custos de produção;

b) custos de armazenamento, a menos que esses custos sejam necessários ao processo de produção antes de uma nova fase de produção;

c) gastos gerais administrativos que não contribuam para colocar os inventários no seu local e na sua condição actuais; e

d) custos de vender.

Em termos de fórmulas de custeio a norma refere que deve ser utilizado o custo específico, sempre que os inventários resultem de bens ou projectos característicos e que não sejam geralmente intermutáveis. Nos restantes casos é estabelecido a fórmula “primeira entrada, primeira saída” (FIFO), ou a fórmula do custo médio ponderado.

Relativamente às divulgações exigidas, dispõe a NCRF-PE, no seu parágrafo 11.22 o seguinte:

11.22 — As demonstrações financeiras devem divulgar:

a) As políticas contabilísticas adoptadas na mensuração dos inventários, incluindo a fórmula de

custeio usada;

b) A quantia total escriturada de inventários e a quantia escriturada em classificações apropriadas para a entidade;

c) A quantia de inventários escriturada pelo justo valor menos os custos de vender;

d) A quantia de inventários reconhecida como um gasto durante o período;

e) A quantia de qualquer ajustamento de inventários reconhecida como um gasto do período de

acordo com o parágrafo 11.20;

f) A quantia de qualquer reversão de ajustamento que tenha sido reconhecida como uma

redução na quantia de inventários reconhecida como gasto do período de acordo com o parágrafo 11.20;

g) As circunstâncias ou acontecimentos que conduziram à reversão de um ajustamento de

inventários de acordo com o parágrafo 11.20; e

h) A quantia escriturada de inventários dados como penhor de garantia a passivos.

Desde logo a NCRF-PE estabelece a obrigatoriedade da divulgação das políticas contabilísticas utilizadas na mensuração dos inventários incluindo a fórmula de custeio usada.

Para além das descrições acima referidas, a norma exige um conjunto de divulgações que na nossa opinião devem ser apresentadas através de quadros demonstrativos, já que terá de ser divulgado a quantia dos inventários de acordo com as classificações apropriadas, as quantias de inventários reconhecidos como gastos no período, bem como as quantias de ajustamentos nos inventários e reversão dos ajustamentos dos inventários ocorridos no período.

CASO PRÁTICO N.º 6

A empresa apresenta nos seus inventários, no ano N, 3 apartamentos de tipologia T2, com um custo unitário de 95.000 €, pelos quais publicita a venda por um valor de 125.000 €, assumindo um custo de 5.000 € ao mediador imobiliário por cada apartamento vendido. Durante o ano N, em consequência da crise vivida no sector imobiliário os preços de venda sofreram uma redução tendo sido vendidos em média por 105.000 € cada. Já no decorrer do ano N + 1, antes da divulgação das contas, foram vendidos dois apartamentos por 95.000 € cada, não existindo à data do encerramento das contas expectativa da probabilidade do terceiro apartamento. Não houve qualquer alteração nas condições estabelecidas com o mediador imobiliário.

Pedido: Registo das eventuais regularizações nos inventários à data do Balanço e sua contabilização.

Natureza do problema: Inventários

NCRF PE (capítulo aplicável): 11

Reconhecimento e Mensuração:

Tal como o definido no § 11.1 da NCRF – PE, os inventários devem ser mensurados pelo custo ou valor realizável líquido, dos dois o mais baixo.

O valor realizável líquido é definido no apêndice I na NCRF – PE, como o preço de venda estimado no decurso ordinário da actividade empresarial menos os custos estimados de acabamento e os custos estimados necessários para efectuar a venda

A norma dispõe ainda, no seu § 11.17, que o custo dos inventários pode não ser recuperável se esses inventários estiverem danificados, se se tornarem total ou parcialmente obsoletos ou se os seus preços de venda tiverem diminuído. O custo dos inventários pode também não ser recuperável se os custos estimados de acabamento ou os custos estimados a serem incorridos para realizar a venda tiverem aumentado. A prática de reduzir o custo dos inventários (write down) para o valor realizável líquido é consistente com o ponto de vista de que os activos não devem ser escriturados por quantias superiores àquelas que previsivelmente resultariam da sua venda ou uso.

Resolução:

Custo de produção: 95.000 €

Custo de venda:

95.000 €

Valor de venda:

95.000 €

Valor realizável Líquido de cada apartamento: 90.000 € = 95.000 € (valor de venda) – 5.000 € (custo estimados de venda)

Imparidade: 15.000 € = 3 * [95.000 € (custo de produção) – 90.000 € (valor realizável líquido)]

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

652 Perdas por imparidade - Inventários

349 - Produtos acabados e intermédios - Perdas por imparidade

15.000

Reconhecimento da imparidade exercício N

Aspectos relacionados com a divulgação no Anexo (§ 11.22 da NCRF PE):

- As políticas contabilísticas adoptadas na mensuração dos inventários, incluindo a fórmula de custeio usada.

- A quantia total escriturada de inventários e a quantia escriturada em classificações apropriadas para a entidade.

- A quantia de inventários escriturada pelo justo valor menos os custos de vender.

- A quantia de inventários reconhecida como um gasto durante o período.

- A quantia de qualquer ajustamento de inventários reconhecida como um gasto do período.

- A quantia de qualquer reversão de ajustamento que tenha sido reconhecida como uma redução na quantia de inventários reconhecida como gasto do período.

- As circunstâncias ou acontecimentos que conduziram à reversão de um ajustamento de inventários.

3.4.8.

Rédito

O tratamento contabilístico do rédito no Sistema de Normalização Contabilística

apresenta uma forte semelhança, entre as disposições do capítulo que integra

a norma PE com as que constavam na já revogada Directriz contabilística n.º 26 - Rédito.

O capítulo 12 da norma PE respeita ao tratamento contabilístico do rédito

proveniente das vendas de bens, prestação de serviços e uso por outros de activos da entidade que produzam juros, royalties e dividendos.

O rédito deve ser mensurado pelo justo valor da retribuição recebida ou a

receber, a qual, em geral, é determinada por acordo entre a entidade e o comprador ou utente do activo, tomando em consideração a quantia de quaisquer descontos comerciais e de quantidade concedidos pela entidade, sendo que o rédito proveniente da venda de bens deve ser reconhecido quando tiverem sido satisfeitas todas as condições seguintes:

a) a entidade tenha transferido para o comprador os riscos e vantagens significativos da propriedade dos bens;

b) a entidade não mantenha envolvimento continuado de gestão com grau geralmente associado com a posse, nem o controlo efectivo dos bens vendidos;

c) a quantia do rédito possa ser fiavelmente mensurada;

d) seja provável que os benefícios económicos associados com a transacção fluam para a entidade; e

e) os custos incorridos ou a serem incorridos referentes à transacção possam ser fiavelmente mensurados.

Quando o desfecho de uma transacção que envolva a prestação de serviços possa ser fiavelmente estimado, o rédito associado com a transacção deve ser reconhecido com referência à fase de acabamento da transacção à data do balanço.

É considerado que o desfecho de uma transacção pode ser fiavelmente estimado quando todas as seguintes condições forem satisfeitas:

a) a quantia de rédito possa ser fiavelmente mensurada;

b) seja provável que os benefícios económicos associados à transacção fluam para a entidade;

c) a fase de acabamento da transacção à data do balanço possa ser fiavelmente mensurada; e

d) os custos incorridos com a transacção e os custos para concluir a transacção possam ser fiavelmente mensurados.

Quando os serviços sejam desempenhados por um número indeterminado de actos durante um período específico de tempo, o rédito é reconhecido numa base de linha recta durante o período específico a menos que haja evidência de que um outro método represente melhor a fase de acabamento. Quando um acto específico seja muito mais significativo do que quaisquer outros actos, o reconhecimento do rédito é adiado até que o acto significativo seja executado.

Quando o desfecho da transacção que envolva a prestação de serviços não possa ser estimado com fiabilidade, o rédito somente deve ser reconhecido na medida em que sejam recuperáveis os gastos reconhecidos.

No que respeita aos aspectos relacionados com divulgações verificamos as seguintes exigências contempladas no ponto 12.12 da Norma PE.

12.12 — Uma entidade deve divulgar:

a) As políticas contabilísticas adoptadas para o reconhecimento do rédito incluindo os métodos

adoptados para determinar a fase de acabamento de transacções que envolvam a prestação de serviços;

b) A quantia de cada categoria significativa de rédito reconhecida durante o período incluindo o

rédito proveniente de:

i) Venda de bens;

ii) Prestação de serviços;

iii) Juros;

iv) Royalties; e

v) Dividendos.

O preparador das demonstrações financeiras deverá assim divulgar no Anexo quais as políticas contabilísticas adoptadas. Caso se entenda necessário, para uma melhor compreensão dos critérios utilizados, deverá ser efectuada uma explicação mais detalhada das condições de reconhecimento e mensuração.

Quando estejamos perante serviços que sejam desempenhados por um número indeterminado de actos durante um período específico de tempo, deverão ser igualmente divulgados os métodos adoptados para determinar a fase de acabamento tal como previsto no § 12.8.

Relativamente à “quantia de cada categoria significativa de rédito durante o período” poderá optar-se pela construção de um pequeno quadro que evidencie os réditos obtidos no exercício individualizados pelas categorias identificadas. Apesar de não ser referido na norma, e por uma questão de comparabilidade, poderão ser inscritos os valores referentes ao período anterior.

CASO PRÁTICO N.º 7

A empresa contratou a realização de um serviço de remodelação da fachada de uma moradia sujeito às seguintes condições 4 :

- Valor negociado para a totalidade da remodelação: 10.000 €

- Período de execução de 6 meses: 1/10/N a 31/3/N+1

- Pagamento do serviço:

- 30% com a adjudicação do serviço;

- 70% um mês após a emissão da factura, que ocorrerá na data da conclusão do serviço.

No que se refere aos custos, sabe-se que:

- Custos estimados para executar o serviço: 7.000 €

- Custos incorridos até 31/12/N: 2.800 €

- Custos totais incorridos até à conclusão do serviço: 7.500 €

Pedido: Contabilização das operações relativas aos anos N e N+1

Natureza

mensuração)

do

problema:

Prestação

de

serviços

NCRF PE (capítulo aplicável): 12

4 Adaptado de ob. cit., p. 756

(reconhecimento

e

Reconhecimento e mensuração do rédito na prestação de serviços:

O rédito deve ser reconhecido com referência à fase de acabamento da transacção à data do balanço (§ 12.7 da NCRF PE)

Para que o rédito possa ser reconhecido, é necessário que a transacção possa ser fiavelmente estimada. Para isso tem de satisfazer todas as condições seguintes (§ 12.7):

o

a quantia de rédito possa ser fiavelmente mensurada;

o

seja provável que os benefícios económicos associados à transacção fluam para a entidade;

o

a fase de acabamento da transacção à data do balanço possa ser fiavelmente mensurada; e

o

os custos incorridos com a transacção e os custos para concluir a transacção possam ser fiavelmente mensurados.

Quando os serviços sejam desempenhados por um número indeterminado de actos durante um período específico de tempo, o rédito é reconhecido numa base de linha recta durante o período específico a menos que haja evidência de que um outro método represente melhor a fase de acabamento. Refere o § 24 da NCRF 20 que a fase de acabamento pode ser determinada por um dos seguintes métodos:

o Vistorias do trabalho executado;

o

Serviços

executados

até

à

data,

expressos

como

uma

percentagem do total dos serviços a serem executados;

o

A proporção entre os custos incorridos até à data e os custos totais estimados.

(Tendo em consideração os dados disponibilizados o método que melhor representa a fase de acabamento – neste exemplo - é a “proporção entre os custos incorridos até à data e os custos totais estimados”)

Resolução:

ANO N

-

Valor do contrato da prestação de serviços: 10.000 €

-

Período de execução: 1/10/N a 31/3/N+1

-

Adjudicação (adiantamento): 30% * 10.000 € = 3.000 €

-

Custos incorridos em N: 2.800 €

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

12 - Depósitos à Ordem

276 - Adiantamentos por conta de vendas/prestação de serviços

3.000

1/10/N - Adiantamento com preço fixado

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

 

12

D. Ordem / 221

 

Durante o ano N - reconhecimento dos gastos incorridos

6x - Gastos diversos

Fornecedores c/c (…)

2.800

À data do balanço de N, é necessário reconhecer o rédito do período, com referência à fase de acabamento, uma vez que o contrato da prestação de serviços é fiavelmente estimado:

% de acabamento = custos incorridos / custos totais estimados

= 2.800 € / 7.000 € = 40%

Rédito a reconhecer em n = 10.000 € * 40% = 4.000 €

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

2721 - Devedores por acréscimos de rendimentos

72

- Prestações de serviços

4.000

31/12/N - Reconhecimento do rédito de N

ANO N + 1

Custos incorridos em N+1 = Custos totais incorridos – custos incorridos em N = 7.500 € – 2.800 € = 4.700 €

Rédito a reconhecer em N+1 = Valor da prestação de serviços – Rédito de N = 10.000 € - 4.000 € = 6.000 €

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

 

12

D. Ordem / 221

 

Até 31/3/N+1 - reconhecimento dos gastos incorridos

6x - Gastos diversos

Fornecedores c/c (…)

4.700

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

211 - Clientes c/c

72

- Prestações de serviços

10.000

31/3/N+1 - Emissão da factura ao cliente

276 - Adiantamentos por conta de vendas/prestação de serviços

211 - Clientes c/c

3.000

31/3/N+1 - Regularização com preço fixado

72 - Prestações de serviços

2721 - Devedores por acréscimos de rendimentos

4.000

31/3/N+1 - Regularização do acréscimo de rendimentos

Com o recebimento da dívida remanescente:

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

12 - Depósitos à Ordem

211 - Clientes c/c

7.000

30/4/N+1 - Recebimento da dívida remanescente

Aspectos relacionados com a divulgação no Anexo (§ 12.12 da NCRF PE):

- Políticas contabilísticas adoptadas para o reconhecimento do rédito.

-

Método

adoptado

para

determinar

a

fase

de

acabamento

de

transacções que envolvam a prestação de serviços.

- Para cada categoria significativa de rédito: a quantia reconhecida durante o período

3.4.9. Provisões,

contingentes

passivos

contingentes

e

activos

Para uma correcta e eficaz compreensão do capítulo 13 da NCRF-PE deveremos numa primeira fase considerar as definições relacionadas:

provisões, passivos contingentes e activos contingentes.

Provisões — são obrigações sempre que se possa efectuar uma estimativa fiável, são reconhecidas como passivos porque são obrigações presentes e é provável que um exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos será necessário para liquidar as obrigações; e

Passivos contingentes — que não são reconhecidos como passivos porque:

- são obrigações possíveis, uma vez que carecem de confirmação sobre se a entidade tem ou não uma obrigação presente que possa conduzir a um exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos; ou

- são obrigações presentes que não satisfazem os critérios de reconhecimento deste capítulo, seja porque não é provável que será necessário um exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos para liquidar a obrigação, seja porque não pode ser feita uma estimativa suficientemente fiável da quantia da obrigação.

Activos contingentes — que não são reconhecidos como activos pois são possíveis activos provenientes de acontecimentos passados e cuja existência

somente será confirmada pela ocorrência ou não ocorrência de um ou mais acontecimentos futuros incertos não totalmente sob o controlo da entidade.

Neste capítulo da NCRF-PE o termo “contingente” é usado para passivos e activos que não sejam reconhecidos porque a sua existência somente será confirmada pela ocorrência ou não ocorrência de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob o controlo da entidade.

As provisões só devem ser reconhecidas quando cumulativamente:

- Uma entidade tenha uma obrigação presente (legal ou construtiva) como resultado de um acontecimento passado;

- Seja provável que um exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos será necessário para liquidar a obrigação; e

- Possa ser feita uma estimativa fiável da quantia da obrigação.

Quando não seja claro se existe ou não uma obrigação presente, presume-se que um acontecimento passado dá origem a uma obrigação presente se, tendo em conta toda a evidência disponível, for mais provável do que não que tal obrigação presente exista à data do balanço.

Um acontecimento passado que conduza a uma obrigação presente é chamado um acontecimento que cria obrigações. Para um evento ser considerado um acontecimento que cria obrigações, é necessário que a entidade não tenha nenhuma alternativa realista senão liquidar a obrigação por ele criada, o que apenas ocorre:

- Quando a liquidação da obrigação possa ser imposta legalmente, ou

- No caso de uma obrigação construtiva, quando o evento crie expectativas válidas em terceiros de que ela cumprirá a obrigação.

Por outro lado os Activos e Passivos contingentes não são reconhecidos. Os Passivos contingentes apenas são divulgados, a menos que seja remota a possibilidade de um exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos. Os Activos contingentes poderão ser divulgados quando for provável um influxo de benefícios económicos.

O quadro anexo ao capítulo 13 da NCRF-PE resume os principais requisitos de reconhecimento auxiliando o preparador das demonstrações financeiras na distinção de provisões e passivos contingentes.

auxiliando o preparador das demonstrações financeiras na distinção de provisões e passivos contingentes. 81

Relativamente

às

divulgações

exigidas

no

Anexo

dispõe

a

NCRF-PE

o

seguinte:

13.30 — Para cada classe de provisão, uma entidade deve divulgar:

a) A quantia escriturada no começo e no fim do período;

b) As provisões adicionais feitas no período, incluindo aumentos nas provisões existentes;

c) As quantias usadas (isto é, incorridas e debitadas à provisão) durante o período;

d) Quantias não usadas revertidas durante o período;

e) O aumento durante o período na quantia descontada proveniente da passagem do tempo e

o efeito de qualquer alteração na taxa de desconto;

f) A quantia de qualquer reembolso esperado, declarando a quantia de qualquer activo que

tenha sido reconhecido para esse reembolso esperado;

g) Informações pormenorizadas sobre as provisões de carácter ambiental; e

h) Passivos de carácter ambiental, materialmente relevantes, que estejam incluídos em cada

uma das rubricas do Balanço.

Poderá optar-se pela construção de um quadro que evidencie para cada classe de provisão os saldos iniciais e finais com as respectivas variações, tal como já era preconizado no anterior normativo contabilístico no Anexo ao Balanço e à Demonstração dos Resultados.

No tratamento das provisões também se enquadram as de carácter ambiental pelo que caso ocorram situações que se englobem no conceito de provisão também deverão, para além do reconhecimento, ser divulgadas no Anexo de uma forma pormenorizada conforme indicado nas alíneas g) e h) do parágrafo 13.30 da NCRF-PE.

A quantia reconhecida como uma provisão deve ser a melhor estimativa do dispêndio exigido para liquidar a obrigação presente à data do balanço, tendo em consideração os riscos e incertezas que inevitavelmente rodeiam os acontecimentos.

as provisões devem ser revistas à data de cada balanço e ajustadas para reflectir a melhor estimativa corrente. Se deixar de ser provável que será

necessário um exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos futuros para liquidar a obrigação, a provisão deve ser revertida.

13.31 — Para cada classe de passivo contingente à data do balanço, uma entidade deve

divulgar uma breve descrição da natureza do passivo contingente.

Tendo em consideração o conceito de passivo contingente, não sendo reconhecido, deve ser divulgado no Anexo descrevendo a natureza do mesmo.

13.32 — Quando um influxo de benefícios económicos for provável, uma entidade deve

divulgar uma breve descrição da natureza dos activos contingentes à data do balanço.

À semelhança do passivo contingente também um activo contingente não é reconhecido devendo ser divulgado no Anexo uma descrição da sua natureza.

CASO PRÁTICO N.º 8

A empresa vendeu, no ano N, 100 máquinas ligadas à construção civil, pelo valor unitário de 6.000 €, concedendo um período de garantia de 2 anos.

Com base no histórico dos últimos 3 anos, os custos totais de reparação, que se espera que ocorram dentro do período da garantia, estão estimados em 14.000 €.

Sabe-se, ainda, que os custos das reparações efectuadas sobre aquelas máquinas, no ano N+1, ascenderam a 6.000 € e que, da revisão das estimativas efectuadas à data do Balanço de N+1, espera-se que os dispêndios

ainda a incorrer até ao final do período da garantia daquelas 100 máquinas se cifre em 10.000 €.

Pedido: Contabilização dos gastos com o reconhecimento inicial da garantia a clientes, das reparações realizadas em N e da alteração da estimativa do valor da reparações a efectuar durante o restante período da garantia.

Natureza do problema: Reconhecimento inicial, uso e alterações de provisões para garantias a clientes

NCRF PE (capítulo aplicável): 13

Reconhecimento e mensuração: Verificação das condições para o reconhecimento de uma provisão:

- Existe um acontecimento passado (venda das máquinas) que gera uma

obrigação presente de natureza legal – período mínimo de garantia 2 anos

- É provável que um exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos seja necessário para liquidar a obrigação, uma vez que, segundo o histórico da empresa é normal que no processo de venda e pós-venda de produtos os clientes solicitem reparação dos produtos quando estes estão no período de garantia.

- Existe uma estimativa fiável da quantia da obrigação presente. Para a

mensuração das garantias a clientes, regra geral, a estimativa é efectuada tendo por base o historial da empresa no que respeita a reparações efectuadas no período de garantia, procurando-se determinar uma taxa média desses gastos sobre o volume de vendas dos produtos objecto de garantia.

Tendo em consideração o referido, podemos concluir que estão cumpridos os critérios de reconhecimento desta obrigação. Assim, o gasto da provisão deve ser reconhecido no ano da alienação dos bens objecto de garantia, ou seja, no ano N.

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

672 - Provisões do período - Garantias a clientes

292 - Provisões - Garantias a clientes

14.000

31/12/N - Reconhecimento da provisão para garantias a clientes

Durante o ano N+1 – Uso da provisão para garantias a clientes

Uma provisão só deve ser usada para os dispêndios relativos aos quais a provisão foi originalmente reconhecida (§ 13.25 da NCRF-PE).

As subcontas da conta 29 – Provisões, devem ser utilizadas directamente pelos dispêndios para que foram reconhecidas, sem prejuízo das reversões a que haja lugar (nota de enquadramento à conta 29).

No caso em concreto, os gastos com as reparações efectuadas no âmbito da garantia a clientes ascenderam, durante o ano N+1, a 6.000 €.

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

292 - Provisões - Garantias a clientes

12 - Depósitos à ordem / 221 Fornecedores C/C

6.000

Durante N+1 - Uso parcial da provisão para garantias a clientes

Em 31 de Dezembro de N+1 – Alterações em provisões

As provisões devem ser revistas à data de cada balanço e ajustadas para reflectir a melhor estimativa corrente. Se deixar de ser provável que será necessário um exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos futuros para liquidar a obrigação, a provisão deve ser revertida (§13.23 da NCRF-PE).

Revisão da estimativa da provisão em 31/12/N+1:

- Montante da provisão por utilizar: 14.000 € - 6.000 € = 8.000 €

- Gastos estimados a incorrer em N+2 = 10.000 €

- Reforço da provisão: 10.000 € - 8.000 € = 2.000 €

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

672 - Provisões do período - Garantias a clientes

292 - Provisões - Garantias a clientes

2.000

31/12/N+1 - Reforço da provisão para garantias a clientes

Aspectos relacionados com a divulgação no Anexo (§ 13.30 da NCRF PE):

Conforme disposto no parágrafo 13.30 da NCRF-PE para cada classe de provisão, uma entidade deve divulgar:

- A quantia escriturada no começo e no fim do período.

- As provisões adicionais feitas no período, incluindo aumentos nas provisões existentes.

- As quantias usadas (isto é, incorridas e debitadas à provisão) durante o período.

- Quantias não usadas revertidas durante o período.

- O aumento durante o período na quantia descontada proveniente da

passagem do tempo e o efeito de qualquer alteração na taxa de desconto.

- A quantia de qualquer reembolso esperado, declarando a quantia de

qualquer activo que tenha sido reconhecido para esse reembolso esperado.

- Informações pormenorizadas sobre as provisões de carácter ambiental.

- Passivos de carácter ambiental, materialmente relevantes, que estejam incluídos em cada uma das rubricas do Balanço.

3.4.10. Subsídios do governo

Os subsídios do Governo, incluindo os subsídios não monetários, devem ser apresentados no balanço como componente do capital próprio, e imputados como rendimentos do exercício na proporção das amortizações efectuadas em cada período, tal como referido no ponto 14.9 da NCRF-PE.

Verificamos que os subsídios do Governo apenas sofreram modificação naqueles que estão relacionados com activos, sendo apresentados no balanço como componente do capital próprio e não como passivo (procedimento adoptado no anterior normativo contabilístico).

Relativamente

às

divulgações

exigidas

no

Anexo

dispõe

a

NCRF-PE

o

seguinte:

14.14 — Devem ser divulgados os assuntos seguintes:

a) A política contabilística adoptada para os subsídios do Governo, incluindo os métodos de

apresentação adoptados nas demonstrações financeiras; b) A natureza e extensão dos subsídios do Governo reconhecidos nas demonstrações

financeiras e indicação de outras formas de apoio do Governo de que a entidade tenha directamente beneficiado; e

c) Condições não satisfeitas e outras contingências ligadas ao apoio do Governo que tenham

sido reconhecidas.

Os subsídios do Governo, incluindo subsídios não monetários, só devem ser reconhecidos após existir segurança de que:

a) A entidade cumprirá as condições a eles associadas; e

b) Os subsídios serão recebidos.

A maneira pela qual um subsídio é recebido não afecta o método contabilístico

a ser adoptado com respeito ao subsídio, pelo que um subsídio é contabilizado

da mesma maneira quer ele seja recebido em dinheiro quer como redução de

um passivo para com o Governo. Deverá a empresa divulgar qual o tipo de subsídio recebido e os critérios contabilísticos utilizados no seu reconhecimento.

Todos os subsídios recebidos deverão ser divulgados indicando a linha de apoio sobre o qual recebeu aprovação, bem como os valores de investimento e subsídios atribuídos, monetários ou não monetários bem como a fundo perdido ou reembolsáveis.

Caso ocorram contingências relacionadas com o subsídio aprovado ou não sejam cumpridas condições contratuais, devem ser clarificadas no Anexo. Se o subsídio do Governo tiver sido reconhecido, qualquer contingência relacionada será tratada de acordo com o capítulo 13 — Provisões, Passivos Contingentes e Activos Contingentes.

CASO PRÁTICO N.º 9

A empresa apresentou um estudo económico para a construção de um edifício

fabril, com o intuito de obter um subsídio a fundo perdido que, segundo os critérios de atribuição, se situa nos 25% do valor da construção. O projecto foi aprovado em N-2. O custo total da construção do edifício fabril, apresentado e aprovado para efeitos do projecto foi de 200.000 €.

Os dados relativos à construção são os seguintes

- Data de início da construção: 20 de Janeiro de N-1;

- Data do termo da construção: 30 de Junho de N;

- Data da entrada em funcionamento: 1 de Janeiro de N+1.

Em Janeiro de N-1 foi recebido metade do subsídio e o restante no final da construção.

O edifício fabril tem uma vida útil estimada de 20 anos.

Pedidos:

1) Lançamento no final da construção do imóvel.

2) Lançamentos contabilísticos relacionados com o subsídio até 31 de Dezembro de N.

Natureza do problema: Problemática do reconhecimento inicial e mensuração subsequente do subsídio não reembolsável relacionado com activos depreciáveis.

NCRF PE (capítulos aplicáveis): 7 e 14

Resolução:

1) Lançamento no final da construção do imóvel.

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

432 - Activos fixos tangíveis - Edifícios e outras construções

453 - Investimentos em curso - Activos fixos tangíveis em curso

200.000

30/6/N - Final construção do edifício

Embora a entrada em funcionamento do edifício tenha ocorrido em Janeiro de N+1, em finais de Junho do ano anterior admite-se que o activo já se encontrava em condições para ser utilizado. Nos termos do ponto 7.17 da NCRF-PE, “A depreciação de um activo começa quando este esteja disponível para uso, i.e. quando estiver na localização e condição necessárias para que seja capaz de operar na forma pretendida.”

Assim em N a empresa deve reconhecer os gastos de depreciação do edifício relativos ao segundo semestre deste ano. Contudo chamamos atenção para o facto de, e tal como referido na parte final do mesmo ponto 7.17 da NCRF-PE “segundo os métodos de uso da depreciação, o gasto de depreciação pode ser zero enquanto não houver produção”.

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

642 - Gastos de depreciação e de amortização - Activos fixos tangíveis

438 - Activos fixos tangíveis - Depreciações acumuladas

5.000

31/12/N - Depreciação do período

Depreciação de N = 200.000 € / 20 * 6/12 = 5.000 €

2) Lançamentos contabilísticos relacionados com o subsídio até 31 de Dezembro de N

Em N-2 a empresa teve a comunicação da aprovação do subsídio, que

ascende a 50.000 € (25% * 200.000 €). Admitindo que nessa data aquela

decisão foi alvo de contratualização e que se verificam os critérios de

reconhecimento previsto no capítulo 14 da NCRF-PE, existe segurança

razoável de que a entidade cumprirá as condições associadas ao subsídio e o

subsídio será recebido deve-se efectuar o seguinte lançamento contabilístico

em N-2:

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

278 - Outras contas a receber e a pagar - Outros devedores e credores

593 - Outras variações no capital próprio - subsídios

50.000

Dez./N-2 - Reconhecimento inicial do subsídio

Posteriormente, registar-se-á o recebimento do subsídio em duas tranches de 25.000 € cada:

 

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

 

278 - Outras contas a

   

12

- Depósitos à ordem

receber e a pagar - Outros devedores e credores

25.000

Jan./N-1 - Recebimento primeira tranche do subsídio

 

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

 

278 - Outras contas a

   

12

- Depósitos à ordem

receber e a pagar - Outros devedores e credores

25.000

Jun./N - Recebimento segunda tranche do subsídio

Nos termos do ponto 14.5 da NCRF-PE Os subsídios do Governo não reembolsáveis relacionados com activos fixos tangíveis e intangíveis devem ser inicialmente reconhecidos nos Capitais Próprios e subsequentemente imputados numa base sistemática como rendimentos durante os períodos necessários para balanceá-los com os gastos relacionados que se pretende que eles compensem.

No caso em concreto, como apenas em Julho de N se começou a registar os gastos associados ao edifício, por via da depreciação, também só a partir desta data deverá ser imputada a parte proporcional do subsídio a rendimentos.

Conta a débito

Conta a crédito

Valor (€)

Descrição

593 - Outras variações no capital próprio - subsídios

7883 - Outros rendimentos e ganhos - Outros - Imputação de subsídios para investimento

1.250

31.12.N - Imputação parcial do subsídio a rendimentos

50.000 € /20 * 6/12 = 1.250 €

Aspectos relacionados com a divulgação do subsídio no Anexo (§ 14.14 da NCRF PE):

- Política contabilística adoptada para os subsídios do Governo, incluindo os métodos de apresentação adoptados nas demonstrações financeiras.

- Natureza e extensão dos subsídios do Governo reconhecidos nas demonstrações financeiras e indicação de outras formas de apoio do Governo de que a entidade tenha directamente beneficiado.

- Condições não satisfeitas e outras contingências ligadas ao apoio do Governo que tenham sido reconhecidas.