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A WIKI COMO FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM

COLABORATIVA NO ENSINO SUPERIOR


Carlos Rodrigues, Marlene Peres e Vı́tor Ferreira

Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa


Universidade de Aveiro, 3810-193 Aveiro
23 de Dezembro de 2008

Resumo utilidade prática no ensino superior, especificamente


adaptado ao Processo de Bolonha.

Fundamentado por estudos efectuados na área, tendo Substantiated by studies in the area, starting point
como ponto de partida a leitura da obra de Dil- being the book written by Dillenbourg on ”What do you
lenbourg ”What do you mean by collaborative lear- mean by collaborative learning?” (Dillenbourg, 1999),
ning?” (Dillenbourg, 1999), este artigo visa eviden- this article aims to reveal the potentials of Web 2.0
ciar as potencialidades das ferramentas da Web 2.0 tools in collaborative distance learning with the sup-
de ensino colaborativo a distância através da Inter- port of the Internet. In this context, the wiki makes
net. Neste contexto, a wiki surge como ferramenta its entrance as powerful tool whose use is pointed out
de eleição por ser intuitiva, flexı́vel (tudo fica regis- for being intuitive, flexible (everything is kept on re-
tado, permite a correcção de erros e a recuperação de cord, corrections can be made and useful information
informação útil), é fácil de utilizar, tem um interface can be recovered), it has a user friendly and organized
simples e organizado. Possibilita a construção de co- interface. Knowledge can be built collaboratively on-
nhecimento de forma colaborativa online através do line through hypertext. It is a robust web resource that
hipertexto. Trata-se de um recurso robusto, já que enables the editing and publication of online contents
é efectuada a edição e a disponibilização de conteú- without the need of intervention of highly skilled pro-
dos online sem a intervenção especializada de técnicos gramming technicians. Anyone is capable of teaching
com conhecimentos especı́ficos de linguagens de pro- and learning by means of using a wiki. There are no
gramação. Qualquer pessoa a pode utilizar para en- costs or fees associated to housing and registration of
sinar e aprender. Não acarreta custos de alojamento, domains. The most recent technologies like handheld
nem necessita do registo de domı́nios; pode ser con- devices connected to the Internet, are able to access
sultada utilizando diversos dispositivos móveis com wikis. The development of a project can be monito-
acesso à Internet; permite também acompanhar, de rized on a regular basis and all group members’ con-
forma simples e objectiva, todo o desenvolvimento tributions reamin on record. The collaborative work
do projecto, identificando os contributos de todos os can thus be developed in different geographical con-
elementos do grupo. O trabalho colaborativo pode texts and time zones. This article also aims to pre-
ser desenvolvido em contextos geográficos e temporais sent some interesting case studies of the use of wikis
diferenciados. Neste artigo também são apresentados in educational context and show its applicability and
alguns estudos de caso interessantes de uso da wiki em usefulness in higher education, specifically related to
contexto escolar e evidenciado a sua aplicabilidade e the Bologna Process.

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Palavras-Chave/Keywords: ”Ferramentas de o foco de transmissão de conhecimentos do docente
Trabalho Colaborativo na Web”, ”Aprendizagem Co- para o aluno e para o desenvolvimento de competên-
laborativa em Rede”, ”Ensino Superior”, ”Wiki”/ cias pelos alunos, passando estes a serem os princi-
”Web-Based Collaborative Tools”, ”Networked and pais responsáveis pelo seu processo de aprendizagem,
Collaborative Learning”, ”Higher Education”, ”Wiki” tendo o docente o papel de catalisador e de orienta-
dor/coordenador dessa auto-aprendizagem.

1 Introdução No entanto, para implementar esta nova metodo-


logia de ensino/aprendizagem por projecto, é neces-
”O Programa do XVII Governo estabe- sário ”.. reequacionar todo o conjunto de actividade
leceu como um dos objectivos essenciais da pedagógicas, (re)definir objectivos, ... e, sobretudo,
polı́tica para o ensino superior, no perı́odo implementar novos procedimentos ao nı́vel da exe-
de 2005-2009, garantir a qualificação no es- cução, acompanhamento e avaliação dos processos
paço europeu, concretizando o Processo de ensino/aprendizagem” (Lourenço et al., 2007). É
de Bolonha, oportunidade única para in- neste contexto que as ferramentas das actuais tecno-
centivar a frequência do ensino superior, me- logias da comunicação da denominado web 2.0 têm
lhorar a qualidade e a relevância das for- lugar, ao proporcionar ambientes de aprendizagem
mações oferecidas, fomentar a mobilidade colaborativa, baseando-se nos conceitos das redes so-
dos nossos alunos e a internacionaliza- ciais de construção de conhecimento, como é o caso
ção das nossas formações.” particular da WIKI.
Dec. Lei no 74/2006, de 24/03
O actualmente denominado ”espı́rito de
Bolonha”vem alterar o paradigma de en- ”O ritmo de produção de conhecimento
sino/aprendizagem utilizado durante décadas e as novas tecnologias de telecomunicações
no ensino superior português, em que a transmissão estão mudando a maneira de viver e de tra-
de conhecimentos era quase exclusivamente feita balhar da humanidade.”
num só sentido - do docente para o aluno. As mu- (Fuks, 2000)
danças no processo ensino/aprendizagem, motivadas
pela imposição do Processo de Bolonha, obriga os
docentes a uma redefinição de todo um conjunto
de actividades pedagógicas por forma a desviar o A utilização da Wiki promove uma alteração da
”foco de transmissão de conhecimentos”para o ”... postura dos elementos do grupo perante o objecto de
desenvolvimento de competências pelos alunos”, estudo. Efectua-se uma transição de uma escrita indi-
devendo estes passar a serem ”... os principais vidualizada para uma escrita colaborativa onde cada
responsáveis pelo seu processo de aprendizagem”. pessoa desempenha uma função, sendo a responsabi-
Neste processo de profundas mudanças, ”... as perdas lidade do ”produto”final partilhada por todos. Já não
e frustrações por parte dos docentes e alunos serão se considera o conhecimento fragmentado e individu-
inevitáveis” (Lourenço et al., 2007). alizado mas sim uma construção de saberes genera-
Utilizando como estratégia didáctica a metodolo- lizados e colectivos, promovidos pela multiplicidade
gia de ensino/aprendizagem por projecto, que se co- de contextos em que decorre o desenvolvimento do
aduna com o tratado de Bolonha, em fase de im- projecto.
plementação em todo o ensino superior português É com este intuito que se pretende estudar o im-
até 2010, pretende-se intensificar a actividade cogni- pacto da utilização da Wiki no ensino superior ac-
tiva dos alunos, promovendo a sua autonomia, auto- tual como ferramenta capaz de fomentar o trabalho
regulação da aprendizagem e motivação. Por conse- em equipa e, por consequência, a aprendizagem de
guinte, pretende-se com esta nova abordagem desviar forma colaborativa.

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2 A Aprendizagem Colabora- nos motivados para os métodos tradicionais de en-
sino (Villate, 2005). A escola já não pode ser vista
tiva como único transmissor de conhecimentos. A cons-
trução de materiais de aprendizagem e as experiênci-
2.1 Novas Estratégias de Ensino das de aprendizagem são, de uma forma geral, con-
”A prática educativa não começa do sideradas como sendo duas áreas distintas: uma per-
zero: quem quiser modificá-la tem de apa- tencente aos professores e outros detentores do saber
nhar o processo ’em andamento’.” e a outra aos neófitos condescendentes. Dewey sugere
(Sacristán, 1995) que a educação deve ser encarada como uma forma
vital de participação na vida intelectual do mundo.
Contrariamente ao que é comum pensar-se, as pes-
soas sempre aprenderam informalmente e em grupos.
A imposição de uma aprendizagem individualizada
em instituições formais de ensino contradiz a tendên- ”Education is a social process; education
cia natural de aprendermos através de processos de is growth; education is not preparation for
socialização e comunicação noutros contextos. Lynée life but it is life itself”
Gaillet (1994) evidenciou o sucesso de métodos de (Dewey, 1938)
aprendizagem colaborativa desde que o filósofo Ge-
orge Jardine, nos finais do século XIX: ”... the te-
acher should move to the perimeter of the action...
and allow the students freedom to... learn from one Os mentores da educação contemporânea, tais
another”. O Psicólogo Russo Lev Vygotsky foi pio- como Marlene Scardamalia, Carl Bereiter, Jean Le-
neiro ao estudar o impacto da interacção social na ave e Etiennne Wenger, argumentam que dissociar as
aprendizagem individualizada. experiências educacionais das comunidades de prática
A metodologia de ensino/aprendizagem por pro- do mundo real, não apenas prejudica a aprendizagem
jecto, também referenciada na literatura por apren- mas também subestima o potencial do aprendente
dizagem colaborativa ou cooperativa, é uma meto- para a contribuição da construção intelectual do
dologia que foi utilizada pela primeira vez no inı́cio mundo (Lave & Wenger, 1991) (Scardamalia, 2002).
dos anos 60 pela McMaster Medical School, sendo Tecnologias como wikis e blogues são adoptadas para
actualmente a Universidade de Twente, na figura do suster projectos criativos, tanto para fins de trabalho
Prof. Peter Powel, a referência máxima na utilização como também de lazer. A criação de trabalho in-
desta metodologia. Em Portugal, as Universidades telectual acontece de forma cada vez mais frequente
que estão a dar os primeiros passos nesta metodo- através da crescente participação em espaços cola-
logia de ensino/aprendizagem são as do Minho e de borativos online. Os estudantes podem assim, de
Aveiro (Lourenço et al., 2007). forma simples, contribuir para projectos de carác-
Instituições de ensino tendem a fornecer activi- ter intelectual de uma forma mais intensa e regu-
dades de aprendizagem aos seus estudantes, tais lar (Forte & Bruckman, 2007).
como situações de aprendizagem baseadas em pro- Neste modelo, o professor já não detém o controlo
jectos, jogos com casos práticos ou estudos de caso. total do processo de ensino. Os alunos assumem tam-
Este tipo de actividades já deu provas da sua uti- bém eles a responsabilidade da coordenação da sua
lidade. De acordo com uma abordagem sócio- aprendizagem (Anderson et al., 2001) (Jones et al.,
construtivista, as interacções entre os aprendentes de- 2000). Desta forma, assistimos a uma alteração no
sempenham um papel dinâmico na aprendizagem in- relacionamento vertical entre o professor e os alunos.
dividual (Dillenbourg, 1999). O professor participa indirectamente na construção
Vilatte indica-nos que cada vez mais os alunos es- dos conhecimentos efectuados colaborativamete entre
tão motivados para as tecnologias informáticas e me- os alunos.

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2.2 Estudar Colaborativamente à Dis-
tância
”Promover o trabalho em equipa é muito
mais do que realizar trabalho em grupo!”
(Lourenço et al., 2007, p.63)

O autor de ”Computer-Supported Collaborative


Learning in Higher Education”, Tim S. Roberts, da
Central Queensland University, Austrália, afirma que Figura 1: Princı́pio do trabalho colaborativo.
o trabalho de grupo colaborativo é benéfico a nı́vel
académico (Roberts, 2004). Revela-se um factor im-
portante na construção da auto-estima, reduz a an- interagem e participam na construção do projecto
siedade, motiva à compreensão e aceitação da diver- através de ambientes virtuais. As tarefas são tam-
sidade, fomenta o relacionamento e é um elemento bém desenvolvidas em grupo através da negociação
estimulante para o pensamento crı́tico. de tarefas para concretizar(ou não) os objectivos pro-
postos (Dillenbourg, 1999).
”Now students can form groups even if
they are geographically located thousands ”Groups require unity, networks re-
of miles from one another; they can chat quire diversity. Groups require coherence,
and discuss problems across different time networks require autonomy. Groups require
zones; and they can interact with relative privacy our segregation, networks require
ease even if they come from vastly different openness. Groups require focus of voice,
backgrounds and cultures.” networks require interacion”
(Roberts, 2004) (Stephen Downes, 2006)

Neste contexto torna-se importante clarificar a dis- A colaboração só é possı́vel quando existe um prin-
tinção entre ”trabalho colaborativo”e ”trabalho em cı́pio de trabalho em comum que inclui: colaboração,
grupo”. Trabalho de grupo é normalmente realizado consenso e comunicação entre todos os elementos en-
presencialmente na escola, em contexto de sala de volvidos (Figura 1). É importante evidenciar estes
aula, por um determinado número de pessoas, em aspectos, dado que muito do trabalho desenvolvido
grupos definidos/fechados e tem implı́cita a definição ocorre em espaços temporais e geográficos distintos.
de objectivos especı́ficos, de tarefas para cada ”ac- Trabalhar colaborativamente a distância implica a
tor”e, como tal, é necessário um ”coordenador”ou ”li- utilização de ferramentas que possibilitem a comuni-
der”para orientar todo o processo de desenvolvimento cação entre grupos e/ou pessoas com diferentes co-
do ”produto”. A comunicação é efectuada presencial- nhecimentos e especialidades para depois, em con-
mente, as decisões tomadas em conjunto e o trabalho junto, e independentemente de factores geográficos e
desenvolvido contextualmente. No trabalho colabo- disponibilidade temporais, terem a possibilidade de
rativo a distância, existem diferentes passos a seguir atingir os objectivos comuns. É necessária a existên-
para que pessoas individuais, com tarefas especı́ficas, cia de uma infra-estrutura de base sólida e partilhada
consigam articular esforços e trabalhar colaborativa- que suporte toda esta interactividade. A tecnologia
mente em rede. É necessário considerar alguns re- tem de ir ao encontro do trabalho e/ou projecto em
quisitos técnicos para que um projecto tenha sucesso causa e às caracterı́sticas do público envolvido, po-
e produza os resultados esperados. A comunicação dendo desta forma dar resposta às necessidades exis-
pode ser sı́ncrona ou assı́ncrona. O trabalho colabo- tentes.
rativo é caracterizado por uma situação de acção em A adopção de Sistemas de Informação Colaborati-
conjunto - todos os intervenientes, autonomamente, vos envolve a participação de pessoas e a distribui-

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flectidas no ensino-aprendizagem.”
(Lucena & Fuks, 2000)
Muitos artigos partilham a orientação pedagógica
dos princı́pios construtivistas de comunidades de en-
sino, onde os alunos participam activamente numa
construção do conhecimentos através do diálogo com
colegas - sem a orientação nem apoio directo dos do-
centes. No entanto, o envolvimento e participação
dos docentes revela ser de todo necessário. Estudos
demonstram que a monitorização a distância da ac-
tividade do grupo e o aconselhamento no momento
Figura 2: Ergonomia de um Sistema Colaborativo. certo é construtivo e motivador.
”The social and pedagogical presence of
ção de tarefas, prescindindo da necessidade de to- the instructor is essential for improved com-
dos os membros da equipa dominarem os mesmos munication and learning. Yet, online ins-
nı́veis de conhecimento sobre o assunto a ser tra- tructors need to be careful in structuring a
tado. O trabalho colaborativo não é para ser de- feedback mechanism to encourage students?
senvolvido individualmente; a tecnologia surge como inquiry and collaboration rather than quick
”elo de ligação”entre os diferentes actores do processo. immediate answers to a question that can,
O importante é saber onde procurar a informação itself, be a barrier for effective student lear-
e quem detém o maior conhecimento em determi- ning.”
nada área. Desta forma, consegue-se maior rapidez (Vonderwell, 2003)
e qualidade na tomada de decisões, havendo assim
mais tempo para a ”produção”de informação útil. O De acordo com Murphy, a colaboração é apenas
investimento pessoal é rentabilizado e cada partici- concretizada quando os indivı́duos trabalham em con-
pante sente-se responsável pelo papel que desempe- junto e iniciam um movimento em unı́ssono numa
nha como membro no seio da equipa. Este envolvi- direcção comum (Murphy, 2004). Segundo Kaye, ”...
mento e co-responsabilidade é muito positivo. collaborate (colabore) means to work together, which
implies a concept of shared goals” (Kaye, 1992). Até
”Dados do Gartner mostram a colabora- que se conclua a produção do artefacto comum, a co-
ção como tendência: das pessoas que traba- laboração não foi ainda atingida. Como Schrage ar-
lham com conhecimento, só 32% trabalham gumenta, ”a colaboração deve supostamente produzir
sozinhas, sem compartilhar informações, ou algo”. O seu sucesso, reitera, ”pode ser medido pelos
seja, 68% das pessoas (mais de metade) tra- seus resultados” (Schrage, 1995, p.30). O percurso
balham compartilhando informações. De que leva a atingir a colaboração pode ser observá-
acordo com a previsão de Gartner, em 2010, vel no esquema representado pela Figura 3 (Schrage,
o número dessas pessoas que trabalham ’so- 1995).
zinhas’ será de apenas 20%.”
(Carla Oliveira, 2006)
3 A Internet e a Web 2.0
Para um sistema colaborativo ser eficiente quando
são utilizados os meios disponı́veis na Internet, é ne- 3.1 Ferramentas de Trabalho Colabo-
cessário um bom funcionamento de vários factores, rativo em Rede
ilustrados na Figura 2.
”Web 2.0 technologies can play a crucial
”As mudanças no trabalho devem ser re- role in fostering knowledge building in com-

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sactualizadas de um mesmo documento espalhados
por diferentes elementos do grupo. Com estas ferra-
mentas, o grupo elabora um único documento, es-
tando este sempre disponı́vel e actualizado online.
Franklin e Van Harnelen destacam a potencialidade
desta plataforma para o trabalho colaborativo na
Web, bem como a sua utilidade na criação de tra-
balhos de design e dão como exemplo a criação de
um panfleto comercial por estudantes de Arquitec-
tura e Design de Interiores de diferentes universida-
des (Franklin & Harmelen, 2007).
O Weblog, criado nos finais da década 1990 por
Jorn Barger (Barbosa & Granado, 2004), consiste es-
sencialmente num diário na Web onde as pessoas efec-
tuam ”posts”, organizados cronologicamente do mais
recente ao mais antigo. É um espaço de publicação
de opiniões, emoções, factos, imagens, histórias, pen-
samentos e com apontadores para outros sites de in-
teresse comum. Os blogues podem ser pessoais ou
colectivos, abertos ou fechados; são ferramentas de
Figura 3: Modelo colaborativo. fácil criação, personalizáveis e receptivas de interven-
ções e partilha de ficheiros. Hoje já se fala em ”blogo-
mania”por existirem vários formatos: fotologs, vı́deo-
munities or networks.” logs e moblogs (para dispositivos móveis). Permitem
As cite in (Carr, 2008, p.148) construção colaborativa de conhecimentos na Web de
forma instantânea.
Existem inúmeras ferramentas Web 2.0 que fomen- A Plataforma Ning visa a criação de redes sociais
tam a aprendizagem e o trabalho colaborativo a dis- de conversação aplicada a comunidades com carac-
tância, podendo qualquer um deles ser aplicado ao terı́sticas e perfis especı́ficos. É personalizável, tem
contexto ensino/aprendizagem. Passamos a listar al- várias ferramentas de conversação e permite a par-
guns dos mais conhecidos. tilha de ficheiros. É amigável, intuitivo e extrema-
A plataforma online de trabalho colaborativo de- mente fácil de utilizar; uma excelente ferramenta de
senvolvida e disponibilizada pela empresa Google, trabalho colaborativo. Pode ser um espaço aberto
fundada em 1998 por Larry Page e Sergey Brin, é ou fechado, dependendo do tipo de comunidade em
um espaço que permite criar, editar e partilhar do- questão; no entanto, é sempre necessário um convite
cumentos de texto, folhas de cálculo, apresentações, prévio para se integrar uma comunidade e poder ter
hiperligações e websites, conceitos, calendário, pro- uma participação activa na mesma.
jectos, imagens, formulários e muito mais. Os docu- Os LMS - Learning Management Systems
mentos são editados por um grupo de pessoas (má- têm sido muito utilizadas no ensino superior a dis-
ximo de onze) em simultâneo, em qualquer lugar e tância nos últimos anos. Os professores utilizam-nos
em tempo real através de computadores ligados à essencialmente para disponibilizar conteúdos, subs-
Internet. Tudo é produzido online. É um serviço tituindo a prática da distribuição de fotocópias dos
gratuito, não requer instalação de nenhum programa conteúdos das aulas em repografias. Tanto o Black-
especı́fico e permite o armazenamento dos ficheiros board como o Moodle (open source) surgem como
através da Web. Tem um interface simples e ul- exemplos de ferramentas de trabalho colaborativo no
trapassa os condicionalismos de diferentes cópias de- processo ensino/aprendizagem universitário que per-

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mitem interacções assı́ncronas (publicação de notı́- ”... although the students were actively
cias, fóruns de discussão, etc.) e sı́ncrona (chat) com communicating, the most common learning
alunos. Têm a particularidade de permitir efectuar activities (mentioned by the students) were
avaliações online e a recepção agendada de traba- associated with representing personal posi-
lhos e exercı́os de avaliação ou inquéritos. São no tions such as introducing, stating, reporting,
entanto sistemas normalmente ”fechados”cujos aces- analysing, clarifying, and agreeing; there
sos são apenas dados a elementos registados e a was a marked lack of open interactive dis-
alunos inscritos nas diferentes disciplinas ou cursos, cussion.”
tornando-se automaticamente limitativos e pouco fle- (Hammond & Wiriyapinit, 2004)
xı́veis. Apresentam também uma navegação muito
”rı́gida”e pouco intuitiva. O trabalho colaborativo online é possı́vel também
Podcast é um conceito que surgiu em 2004 para a outros nı́veis. Pode existir colaboração sı́ncrona,
identificar processos de produção e publicação online que ocorre em tempo real através do uso de ferramen-
de registos áudio na Internet. Através da subscrição tas de conversação em directo, por exemplo MSN e
de ”Feeds/RSS”ficam disponı́veis para serem descar- SKYPE, ou através da comunicação assı́ncrona, e-
regados para agregadores, como o iTunes, ou dispo- mails e fóruns de discussão, por exemplo. Os mem-
sitivos móveis. Podomatic, Podpress, Gcast e outros bros do grupo não necessitam nunca de se encontrar
são servidores Web 2.0 que permitem a produção de presencialmente, podem inclusive ser de paı́ses dife-
documentos áudio por qualquer utilizador sem gran- rentes e terem experiências de vida completamente
des competências técnicas. Audacity e Pod Producer opostas. Uma vantagem das comunicações assı́ncro-
são aplicações de livre utilização, multiplataformas (o nas são o facto de todas as intervenções e trocas de
primeiro) e disponı́veis na Internet para download. ideias ficarem registadas; nas comunicações sı́ncronas
Estes permitem a fácil criação de podcasts e podem - apesar de serem facilitadoras nos processos de comu-
ser introduzidos como um excelente recurso pedagó- nicação (audio ou escrito) - se não houver o cuidado
gico. de as armazenar, perde-se o registo das mesmas.
Todas estas ferramentas podem ser utilizadas com-
Mapas conceptuais são uma técnica criada por plementarmente para a realização de diferentes tare-
Joseph Novak; constituem representações espaciais fas em diferentes fases do processo de aprendizagem
de conceitos e suas inter-relações. Trate-se de uma a distância.
estratégia que pretende representar as estruturas de
conhecimentos que os humanos armazenam nas suas
mentes (Jonassen et al., 1993) (Ontoria et al., 1994). ”The Internet becomes the first realis-
Este modelo de educação está centrado nos alunos e tic means for students to connect with
é utilizado para auxiliar a ordenação e a sequência civilisation-wide knowledge building and to
hierarquizada dos conteúdos que se pretende ensinar make their classroom work a part of it.”
no contexto escolar, para com isto fomentar o de- (Scardamalia & Bereiter, 2006, p. 98)
senvolvimento intelectual e promover a auto-estima,
habilidades sociais e trabalho em grupo com os alu-
3.2 WIKI como Software Colabora-
nos. Tendem, por vezes, a dificultar a aprendizagem
e retenção de conteúdos devido à sua complexidade tivo no Ensino Superior
e falta de habilidade por parte dos alunos em os es- 3.2.1 Apresentação
truturar e interpretar. Existem ferramentas disponı́-
veis na web para a construção de mapas conceptuais, Procurando o seu significado na Web, o termo wiki
permitindo aos utilizadores construir e colaborar na (pronunciado /uı́qui/ ou /vı́qui/) é utilizado para
construção de mapas conceptuais em conjunto, onde identificar um tipo especı́fico de colecção de documen-
quer que estejam geograficamente. tos em hipertexto ou o software colaborativo usado

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para criá-lo. O termo ”Wiki wiki”significa ”super-
rápido”no idioma havaiano. Chamado ”wiki”por con-
senso, o software colaborativo permite a edição colec-
tiva dos documentos usando um sistema que dispensa
a revisão do conteúdo antes da sua publicação. Su-
portado pelo conceito WYSIWYG (What You See
Is What You Get), o código é gerado automatica-
mente, à medida que a informação é editada e publi-
cada. Possibilita uma estrutura de navegação flexı́vel
e não linear. Cada página permite muitas ligações
para dentro e fora do documento.
Existem dois tipos de sistemas de wikis possı́veis:
os que são editáveis por qualquer pessoa e dispensam
qualquer tipo de registo (o caso da Wikipédia) - o que
Figura 4: ”Five-step model of teaching and learning
põe em causa a credibilidade da informação lá dispo-
through online networking”
nı́vel, estando sujeita a actos de ”vandalismo”; ou sis-
temas mais pequenos, onde está limitado o acesso à
publicação (nomeadamente: MediaWiki,MoinMoin, laridade encorajando-os nas actividades que iam de-
UseModWiki e TWiki). senvolvendo ou respondendo a questões que os alunos
Nicola Carr (RMIT University) diz-nos que as Wi- colocavam aos tutores e/ou directores de curso ou pu-
kis são um exemplo de programa social utilizado para blicavam nos fóruns de discussão.
criar redes dentro e fora do contexto educacional.
Consiste num conjunto de páginas web que podem 3.2.2 Caracterização
ser alteradas por quem quiser contribuir com conhe-
cimento (Carr, 2008). No artigo ”A Construção Colaborativa do Conhe-
cimento a partir do uso de Ferramentas Wiki”
”Wikis emphasise the pre-eminence of (Ramalho & Tsunoda, 2007), os autores concluiram
content creation over content consumption que as seguintes caracterı́sticas da wiki estão relaci-
and the collaborative production of kno- onadas com o sucesso que esta vem cada vez mais
wledge.” mostrando nos meios de ensino:
(Lee & McLoughlin, 2007)
• Multi-plataforma: qualquer navegador web
A figura 4 apresenta um modelo com cinco fases existente posibilita a navegação das wikis (Inter-
que demonstra os benefı́cios da aprendizagem cola- net Explorer, Mozzila Firefox, Netscape, Opera,
borativa em rede utilizando como ferramenta a wiki etc);
e o papel do ”e-moderador”em cada fase, para ajudar • Edição: a edição de páginas é feita pelo uti-
os alunos a alcançarem, com sucesso os objectivos do lizador de forma simples, utilizando a barra de
estudo em questão - as cite in (Minocha & Thomas, ferramentas ou o ”link edit this page”;
2007). O modelo demonstra como motivar os par-
ticipantes/alunos em ambientes online e metodolo- • Sintaxe própria: as páginas wiki são escritas
gias de ensino/aprendizagem com actividades adap- em formato ASCII, tal como os e-mails. É um
tadas a ambientes virtuais em cada fase especı́fica. formato mais simples de interiorizar e também
De acordo com o estudo em questão, o apoio do ”e- mais ”user-friendly”, sendo deste modo também
moderador” é determinante, normalmente realizado mais intuitivo. Aceita também a inserção de có-
indirectamente através de notas escritas nas activi- digos HTML, abrindo possibilidades de edição
dades na wiki, envios de e-mails com alguma regu- mais avançadas;

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• Versatilidade: permite o uso diferenciado, con- conteúdos, mesmo no ensino superior, não se sustenta
forme o grau de conhecimentos do utilizador. No pelo conhecimento da tecnologia subjacente; antes re-
caso de se ter pouco ou nenhum conhecimento quer uma negociação de tarefas no seio do grupo para
em HTML, a wiki mostra-se simples na sua prin- que a colaboração e a construção efectiva de conheci-
cipal caracterı́stica, a edição. Para aqueles que mento seja realizada com sucesso (Lund & Smordal,
dominam o HTML , é-lhes oferecida uma série 2006). Os alunos ainda encaram a wiki como ferra-
de novas possibilidades, plugins, funções e prin- menta de comunicação e não como um instrumento
cipalmente, o código fonte aberto (desde que se de criação colaborativa de conhecimentos.
conheça a linguagem de programação do código); Outro exemplo de trabalho colaborativo utilizando
a Wiki foi realizado no ensino do Espanhol como
• Navegação não-linear: a tecnologia presente segunda lı́ngua (”Spanish L2”), na Universidade de
nas wikis permite a criação de hipertextos asso- Oulu na Finlândia. Carmen Martinez-Carrillo e Kos-
ciados a estruturas de navegação não linear; o tas Pentikousis colocaram em prática um projecto no
utilizador do sistema decide que página será vi- qual foi proposto aos alunos criarem páginas em es-
sualizada a seguir; se navega na mesma página panhol sobre temas do seu interesse, com o objec-
ou se cria hiperligações internas; tivo de construir uma rede que interligasse os temas,
utilizando a Wiki (Martinez-Carrillo & Pentikousis,
• Histórico: guarda numa base de dados as alte-
2008). Os resultados desta experiência foram muito
rações e anulações feitas em cada página permi-
positivos visto que, para além das competências lin-
tindo a sua recuperação bem como acompanhar
guı́sticas desenvolvidas, os alunos passaram de uma
o desenvolvimento dos conteúdos (a função ”his-
escrita individualizada para uma escrita colabora-
tory” pode ser limitada tendo em conta o espaço
tiva, fomentada pela co-responsabilidade colectiva. A
disponı́vel no servidor). É especificamente esta
compreensão individual e fragmentada passou a ser
função que torna o sistema auto-regulador;
policontextualizada. A wiki revelou-se um bom ins-
• Sand-box: embora o conteúdo editado seja pu- trumento de construção de conhecimentos de cultura
blicado sem revisão, algumas wikis possuem um geral.
espaço denominado sand-box, onde o utilizador Um curso de Engenharia no ”Centre for Research
pode efectuar testes e visualizar o formato da in Computing, Department of Computing”, da ”The
página wiki antes de a salvar; Open University, Milton Keynes MK7 6AA, UK”,
integrados num projecto de desenvolvimento de um
• Funções de busca: oferece a opção de busca no programa, avaliou a crescente utilização das wikis no
texto completo ou tı́tulo. Essa função depende trabalho colaborativo a distância, dado que a maio-
directamente da construção do tı́tulo da página, ria das tarefas a desenvolver pelos intervenientes teria
que quando bem feita permite que a busca fun- que ser efectuada remotamente. O artigo em ques-
cione como um sistema de indexação. tão descreve as actividades desenvolvidas nas wikis
e visa uma avaliação pedagógica relacionada com o
3.2.3 Exemplos de Casos Práticos sucesso/eficiência do uso desta ferramenta (wiki) na
aprendizagem colaborativa. O estudo efectuado con-
Nicolla Carr refere-se a estudos de uso de wikis nas es- firma que a wiki é uma poderosa ferramenta por se
colas (Carr, 2008); através de um exemplo de prática revelar como facilitador da aprendizagem de concei-
num grupo de projecto de história Grant revela que tos relacionados com o curso em questão tornado-se
os alunos se sentem mais confortáveis quando editam numa experiência positiva para os estudantes e tma-
as suas próprias páginas, do que se efectuarem alte- bém por ser simultâneamente um instrumento de par-
rações em páginas criadas por colegas (Grant, 2006). tilha de conhecimentos, gestão de conteúdos e fomen-
Esta opinião é partilhada por Lund e Smordal, que tar a colaboração entre e dentro das organizações.
advogam que a utilização da Wiki para a criação de Uma das maiores fragilidades apontadas na meto-

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dologia de trabalho foi a falta de socialização entre os edição ou criação de um documento, mas tam-
elementos do grupo, visto estarem mais concentrados bém oferece a possibilidade de seguir de perto as
na produção de conteúdos, tendo por vezes que recor- alterações que vão sendo efectuadas, cada vez
rer a outras ferramentas de socialização e registo de que uma página é editada, através de um aviso
opiniões extra wiki. Um outro factor que revelou ser ao utilizador. Desta forma, em vez de serem en-
uma limitação de usabilidade da wiki, foi a pouca fle- viadas centenas de mensagens de correio eletró-
xibilidade que esta apresenta relativamente à edição nico, um grupo tem a possibilidade de editar
e formatação de texto. colectivamente um documento de uma forma
simples e eficaz.
3.2.4 Vantagens e Desvantagens
• Um outro aspecto positivo da wiki é que esta
Na sua descrição e análise de uma wiki académica pode ser utilizada por um pequeno grupo ou
baseada no conceito de Peoplewiki, ”Building a wi- por toda uma comunidade, não havendo limi-
der learning community in higher education through tes ao número de utilizadores que nesta se podem
the PeopleWiki approach”, Bachelet refere os seguin- registar.
tes aspectos como algumas das potencialidades das
wikis (Bachelet, 2008): • Acresce ainda o facto de que todos os dados
introduzidos permanecem guardados por
• Numa wiki o leitor tem a possibilidade de, na muito tempo, permitindo rever a primeira ver-
maioria dos casos, não apenas ter acesso a toda são de qualquer documento, mesmo depois de
a informação, mas também a possibilidade de este ter sofrido inúmeras alterações.
a editar, adicionar ou apagar conteúdo. É-lhe
dada a possibilidade de criar novas páginas e in- ”O importante é criar situações que en-
clusive alterar a forma com a informação aparece volvem os alunos na aprendizagem, que os
estruturada e alterar os templates que são usados preparem para a tomada de decisão, numa
em muitas páginas. sociedade globalizada e concorrencial”.
(Carvalho, 2008)
• A wiki é um sistema de informação aberto
e, dado que usa uma linguagem de programa-
ção simplificada, garante o potencial de ser uma 4 Conclusão
estrutura sem limites para a qual qualquer
um pode contribuir. Por outro lado ainda ofe- ”Networked ’collaborative’ learning is an
rece a possibilidade de essa mesma informação activity in which learners are brought to-
poder ser discutida e colaborativamente ac- gether using the Internet, with a focus on
tualizada. them working as a learning community, sha-
• Uma outra qualidade da wiki reside nos custos ring resources, knowledge, experience and
de utilização da mesma: a maior parte das wi- responsibility”.
kis disponı́veis encontram-se instaladas em ser- (McConnell, 1999)
vidores gratuitos e com recurso a aplicações de
software livre. Nesse caso, criar uma wiki é É cada vais mais significativo o número de ferra-
uma operação quase isenta de custos e muito mentas disponı́veis que visam a construção de am-
rápida. Não é necessário nenhum trabalho pré- bientes colaborativos de aprendizagem que podem
vio: a wiki vai sendo construı́da consoante se vai e devem servir o processo de ensino e aprendiza-
desenvolvendo. gem (Attwell, 2007). É função do professor tentar
enquadrá-las e usá-las nas suas práticas educativas
• No que concerne à colaboração, a wiki não só enquanto facilitador e orientador das aprendizagens
permite a um conjunto de pessoas trabalhar na realizadas pelos alunos,levando a que estes, de forma

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construtiva e colaborativa, consigam desenvolver as web, tais como blogues, wikis e outro soft-
competências que são efectivamente esperadas. Ac- ware social, funcionarão como comunidades
tualmente exige-se por parte do professor que este em que os participantes partilham experi-
preste um maior acompanhamento no percurso indi- ências e evoluem em conjunto na aprendi-
vidual de cada aluno e optimize a qualidade de co- zagem, constituindo comunidades de apren-
municação com estes nos momentos não presenciais. dizagem ad-hoc (O’Hear, 2006). No fundo,
A aprendizagem colaborativa pressupõe a interven- isto é a evolução do e-learning para um está-
ção activa de alunos e professores. É um processo dio seguinte, que poderá ser designado por
educativo onde a participação ocorre em ambientes e-learning 2.0 (Downes, 2005).”
”virtuais”que propiciem a colaboração, a aprendiza- Lino Oliveira, 2008
gem, o desenvolvimento pessoal e social, a avaliação
de actividades que contribuem para o êxito do propó-
sito que se pretende atingir . Este método de traba- Referências
lho propicia o desenvolvimento das competências dos
alunos para trabalharem em equipa, aumententando Anderson, T., Rourke, L., Garrison, D. R., & Ar-
a co-responsabilidade de todos na partilha das sua cher, W. (2001). Assessing teaching presence
perspectivas. Permite-lhes ainda afirmarem compe- in a computer conferencing context. Journal of
tências e registar conhecimentos de forma colabora- Asynchronous Learning Networks, 5 (2).
tiva e não competitiva, ajudando-os na construção do Attwell, G. (2007). Web 2.0 and the changing ways
pensamento divergente e criativo. Estudos efectuados we are using computers for learning: what are
revelam que se registam melhorias nos hábitos de in- the implications for pedagogy and curriculum?
vestigação, estudo, escrita e discussão dos materiais elearningeuropa.info.
leccionados, fomentando desta forma a interdiscipli- Bachelet, R. (2008, 17th, 18th and 19th of Novem-
naridade. ber). Building a wider learning community in
As wikis aparecem neste contexto como efi- higher education through the peoplewiki ap-
cientes ferramentas de aprendizagem despertando proach. In International conference of educa-
um interesse cada vez maior no Ensino Superior tion, research and innovation (iceri’08). Ma-
Universitário. De acordo com Forte e Bruck- drid (Spain). (ISBN: 978-84-612-5091-2)
man (Forte & Bruckman, 2007), uma pesquisa efec- Barbosa, E., & Granado, A. (2004). Weblogs, diário
tuada com a palavra ”wiki” na base de dados do Edu- de bordo. Porto: Porto Editora.
cational Resources Information Center mostra como Carr, N. (2008). Wikis, knowledge building commu-
resultados uma publicação em 2003, duas em 2004, nities and authentic pedagogies in pre-service
três em 2005 e treze em 2006. Em Outubro do cor- teacher education. In ascilite Melbourne (Ed.),
rente ano (2008), o número de trabalhos registados no Hello! where are you in the landscape of educa-
ERIC, que têm a wiki como tema de fundo, ascende tional technology? (p. 5 (147 - 151)).
a um total de trinta. A maioria destas abordagens Carvalho, A. A. A. (2008). Manual de ferramentas
promove uma visão construtivista do conhecimento e da web2.0 para professores (Ministério da Edu-
aprendizagem na qual a wiki corrobora a construção cação, Direccção-Geral de Inovação e de Desen-
de conhecimento de forma colectiva e, por consequên- volvimento Curricular ed.) [Computer software
cia, do seu saber individual. manual].
Nesta perspectiva, a adopção da wiki influencia po- Dewey, J. (1938). Experience and education. New
sitivamente o ensino, as práticas de sala de aula e o York: Collier Books.
comportamento dos estudantes (Bachelet, 2008). Dillenbourg, P. (1999). Collaborative-learning: Cog-
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