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FACULDADE ASSIS GURGACZ - FAG

EDUARDO DAMIN

APLICAÇÃO DO MODELO CAM-CLAY MODIFICADO AO SOLO DE CASCAVEL/PR

CASCAVEL-PR

2012

FACULDADE ASSIS GURGACZ - FAG

EDUARDO DAMIN

APLICAÇÃO DO MODELO CAM-CLAY MODIFICADO AO SOLO DE

CASCAVEL/PR

Trabalho apresentado na disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso II, do Curso de Engenharia Civil, da Faculdade Assis Gurgacz – FAG, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Engenharia Civil.

Professora Orientadora: M.Eng. Débora Felten

Professor Co-orientador: D.Sc. Décio Lopes Cardoso.

CASCAVEL - PR

2012

FACULDADE ASSIS GURGACZ - FAG

EDUARDO DAMIN

APLICAÇÃO DO MODELO CAM-CLAY MODIFICADO AO SOLO DE

CASCAVEL/PR

Trabalho apresentado no curso de Engenharia Civil, da FAG, como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em Engenharia Civil, sob orientação da Professora M.Eng. Débora Felten e co-orientação do Professor D.Sc. Décio Lopes Cardoso.

BANCA EXAMINADORA

Professora M.Eng. Débora Felten Faculdade Assis Gurgacz - FAG Engenheira Civil

Cascavel,

de

de 2012.

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos meus pais, por terem fornecido todo o suporte necessário na minha formação.

AGRADECIMENTOS

À minha família pela compreensão e apoio que recebi durante toda a minha

vida, em especial aos meus pais, fundação sob a qual edifiquei toda a minha história.

Aos meus avós, em especial meu avô, por plantar a semente da curiosidade e fome pelos livros que me trouxe até aqui.

À Graziela, pelo apoio e ternura constante que recebi durante os últimos

meses.

À todos os meus amigos, colegas e familiares que de alguma forma me

influenciaram e seguiram ao meu lado o caminho que percorri até aqui.

Ao meu grande amigo e professor Décio, por ter acreditado e investido em conversas e discussões fartamente regadas que indicaram o norte no desenvolvimento deste trabalho.

Ao DER/PR, meus colegas de trabalho e principalmente ao engenheiro Razzini, que me incentivou e compreendeu as minhas necessidades acadêmicas.

Ao professor Ortigão, que atenciosamente disponibilizou o seu programa Cris e o seu livro para a execução deste trabalho.

À professora Débora, por me guiar de forma sutil durante os momentos mais

difíceis como acadêmico.

RESUMO

O estudo geotécnico desenvolveu-se pela necessidade de evolução tecnológica no

tratamento de um material de construção, que serve de fundação para todo tipo de obra. As condições iniciais de um solo, como o estado de tensões em que o solo encontra-se, são de extrema importância para a segurança de uma obra de

engenharia. A modelagem torna-se uma alternativa bastante conveniente para prever o comportamento de um maciço. A região Oeste do Paraná apresenta carências em relação ao estudo do solo típico. As ferramentas usualmente utilizadas na previsão de comportamento são empíricas e promovem um árduo trabalho de laboratório. Com a utilização de modelos constitutivos é possível agregar valor tanto econômico como tecnológico aos ensaios de laboratório, reduzindo a amostragem e as réplicas necessárias e aumentando o refinamento tecnológico do processo. Dentre os modelos elastoplásticos aplicados ao solo destaca-se o modelo Cam-Clay desenvolvido por Wood na Universidade de Cambrigde. Esta pesquisa experimental tem como objetivo aplicar o modelo Cam-Clay Modificado ao solo da região de Cascavel/PR, através do levantamento de dados característicos do solo e a comparação com os dados obtidos pelo modelo constitutivo. O solo objeto deste estudo, foi obtido no sítio do novo aterro de resíduos sólidos do município de Cascavel. O solo tem origem residual proveniente de basalto, classificado pedologicamente como latossolo vermelho distroférrico típico do 3° planalto paranaense. Foram realizados ensaios de caracterização geotécnica e ensaios especiais que comprovam a caracterização obtida na bibliografia. Os dados dos ensaios triaxiais foram utilizados para determinar a resistência ao cisalhamento do solo e para extrair os parâmetros do solo para a modelagem Cam-Clay Modificado, que são coerentes em comparação com os dados obtidos na bibliografia. Aplicou-se

o modelo constitutivo através do programa Cris, e os resultados foram utilizados

para aferir o método para o solo da região e comparar os resultados teóricos com os resultados práticos de laboratório. O modelo apresentou uma boa representatividade em relação ao estado de tensões nas condições de escoamento e estado crítico, porém não é satisfatório em relação as deformações sofridas pelo solo.

Palavras-chave: Modelagem. Estado Crítico. Solo.

Figura 1

Figura 2

Figura 3

Figura 4

Figura 5

Figura 6

Figura 7

Figura 8

Figura 9

Figura 10

LISTA DE FIGURAS Resistência dos solos através de envoltórias

 

20

Envoltória de ruptura Mohr-Coulomb

22

Diagrama do equipamento de compressão

24

Tensões no corpo de prova no ensaio triaxial

25

Curvas de tensão-deformação

26

Envoltórias obtidas de ensaios triaxiais

27

Fases do ensaio não drenado ou rápido

29

Envoltória não drenada

29

Fases do ensaio adensado não drenado

30

Envoltória normalmente adensada não drenada

31

Figura 11

Envoltória

pré-adensada não drenada

32

Figura 12

Fases do ensaio drenado

33

Figura

13

Envoltória drenada

33

Figura 14

Curvas do ensaio triaxial lento

34

Figura 15

Relação tensão-deformação elástica

36

Figura 16

Módulo de elasticidade tangente à origem e secante

37

Figura 17

Deformações no corpo de prova

37

Figura 18

Comportamento elástico e plástico

40

Figura 19

Comportamento elástico e plástico

41

Figura 20

Superfície de escoamento de amostras indeformadas

42

Figura 21

Curva tensão deformação e trabalho

43

Figura 22

Comportamento da tensão-deformação dos solos

46

Figura 23

Ensaios triaxiais normalizados pela tensão de confinamento

49

Figura 24

Estado crítico para ensaios drenado e não drenados

49

Figura 25

Resultados para compressão isotrópica e confinada

50

Figura 26

Valores de v e p’ em escala

51

Figura 27

Valores de v e p’ em escala semi-logarítmica

51

Figura 28

Superfície limitante de estados do solo

53

Figura 29

Trajetórias de tensões, solos pré-adensados e

não-drenados.

.53

Figura 30

Comportamento do solo sobre compressão

55

Figura 31

Comportamento do solo no carregamento e descarregamento 56

Figura 32

Linha de estado crítico e linha de compressão normal

57

Figura 33

Superfícies de escoamento

58

Figura 34

Comportamento de uma amostra de solo no enrijecimento

58

Figura 35

Comportamento de uma amostra de solo no amolecimento

59

Figura 36

Torrão de solo embalado

64

Figura 37

Exemplo de curva de compactação

70

Figura 38

Corpo de prova moldado

71

Figura 39

Corpo de prova imerso em água destilada

72

Figura 40

Corpo de prova na câmara triaxial

72

Figura 41

Curva granulométrica do solo

77

Figura 42

Curva de compactação Proctor normal

78

Figura 43

Resultados da compressão isotrópica

79

Figura 44

Tensão de pré-adensamento por Pacheco Silva

80

Figura 45

Linha de consolidação virgem e expansão

80

Figura 46

Tensão x deformação (50 kPa)

82

Figura 47

Diagrama de Cambrigde (50 kPa)

82

Figura 48

Tensão x deformação (100 kPa)

83

Figura 49

Diagrama de Cambrigde (100 kPa)

83

Figura 50

Tensão x deformação (200 kPa)

84

Figura 51

Diagrama de Cambrigde (200 kPa)

84

Figura 52

Envoltória de Mohr-Coulomb

85

Figura 53

Tensão x deformação (Cris - 50 kPa)

87

Figura 54

Diagrama de Cambrigde (Cris - 50 kPa)

87

Figura 55

Tensão x deformação (Cris - 100 kPa)

88

Figura 56

Diagrama de Cambrigde (Cris - 100 kPa)

88

Figura 57

Tensão x deformação (Cris - 200 kPa)

89

Figura 58

Diagrama de Cambrigde (Cris - 200 kPa)

90

Figura 59

Tensão x deformação (CrisxEnsaio - 50 kPa)

91

Figura 60

Tensão x deformação (CrisxEnsaio - 100 kPa)

91

Figura 61

Tensão x deformação (CrisxEnsaio - 200 kPa)

92

Figura 62

Diagrama Cam-clay modificado (50 kPa)

93

Figura 63

Diagrama Cam-clay modificado (100 kPa)

93

Figura 64

Diagrama Cam-clay modificado (200 kPa)

94

Figura 65

Diagrama Cam-clay modificado (200 kPa - Corrigido)

95

LISTA DE TABELAS

Tabela 1

Frações constituintes de solo

67

Tabela 2

Peso específico dos sólidos

76

Tabela 3

Limites de Atterberg

77

Tabela 4

Parâmetros do solo “in natura”

78

Tabela 5

Ensaio de compressão isotrópica

79

Tabela 6

Coeficientes de compressão e expansão

81

Tabela 7

Parâmetros do solo – ensaio triaxial

86

Tabela 8

Parâmetros do solo para o estado crítico

86

Tabela 9

Resultados para a superfície de escoamento

96

Tabela 10

Resultados para a linha de estado crítico

96

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

A-7

Classificação de solo argiloso pela HRB

ABNT

Associação Brasileira de Normas Técnicas

AASHTO

American Association of State Highway and Transportation Officials

CC

Cam-Clay

CD

Ensaio Adensado Drenado (Consolidated Drained)

CH

Argila inorgânica de alta plasticidade (Classificação AASHTO)

CSL

Linha do Estado Crítico (Critical State Line)

CU

Ensaio Adensado Não Drenado (Consolidated Undrained)

GEOTEC

Laboratório de Geotecnia da UNIOESTE Campus de Cascavel/PR

HRB

Highway Research Board

IP

Índice de plasticidade

LCV

Linha de consolidação virgem

LE

Linha de expansão

LEC

Linha do Estado Crítico

LL

Limite de liquidez

LP

Limite de plasticidade

MCC

Cam-Clay Modificado (Modified Cam-Clay)

NA

Nível d’água

NBR

Norma Brasileira Regulamentadora (ABNT)

OCR

Overconsolidation Ratio

Q

Ensaio triaxial rápido ou não drenado

R

Ensaio Rápido Pré-Adensado

RPA

Razão de Pré-Adensamento

RSA

Razão de Sobreadensamento

S

Ensaio Lento (Slow)

TTE

Trajetória de tensões efetivas

TTT

Trajetória de tensões totais

TFSA

Terra Fina Seca Ao Ar

UFRJ

Universidade Federal Do Rio De Janeiro

UNIOESTE

Universidade Estadual do Oeste do Paraná

UU

Ensaio triaxial rápido ou não drenado (Unconsolidated Undrained)

LISTA DE SÍMBOLOS

Letras Gregas

α Constante característica do solo semelhante ao ângulo de atrito

δ

δ

água

par

Diâmetro

Massa específica da água na temperatura medida

Massa específica da parafina

ε Incremento de deformação

ε

ε

ε

ε

a

r

s

v

Incremento de deformação axial

Incremento de deformação radial

Incremento de deformação cisalhante

Incremento de deformação volumétrica

Γ Volume específico para a CSL à pressão unitária

γ

γ

γ

aps

apu

gs

Peso específico aparente seco

Peso específico aparente úmido

Peso específico dos sólidos

κ Coeficiente de inchamento

λ Coeficiente de inclinação virgem

μ Pressão neutra

υ Coeficiente de Poisson

τ Tensão de cisalhamento

ω

ω

%

%i

Teor de umidade

Teor de umidade inicial do solo

∆σ d Variação da tensão desviatória

σ

Tensão normal

σ´

Tensão normal efetiva

σ o, σ ad Tensão de pré-adensamento

σ

σ

σ

a

c

r

Tensão normal axial

Tensão confinante aplicada no ensaio

Tensão normal radial

σ

σ

1

2

Tensão principal maior

Tensão principal intermediária

σ

3

Tensão principal menor

ϕ Ângulo de atrito aparente

ϕ'

ϕ cr

ϕd

Ângulo de atrito de tensões efetivas

Ângulo de atrito no estado crítico

Ângulo de atrito em termos de tensão efetiva para o ensaio drenado

Letras Romanas

B Parâmetro de poropressão de Skempton

c Coesão do solo

c u

C Composição do solo

Coesão não drenada

C

c

Coeficiente de compressibilidade

C

s

Coeficiente de inchamento

E Módulo de Young

e Índice de vazios

e cs

Índice de vazios no estado crítico

G Módulo de deformação cisalhante

H Histórico de tensões

I Primeiro invariante de tensor desviatória

J Segundo invariante de tensões

K Módulo de deformação volumétrico

k Constante característica do solo semelhante à coesão

k o

M Inclinação da linha de estado crítico no plano x

Coeficiente de empuxo em repouso

M

1

Massa do solo úmido

M

M

2

3

Massa do picnômetro + solo + água, na temperatura T

Massa da curva de calibração picnômetro + água

N Volume específico da linha de consolidação virgem para pressão unitária

n Porosidade

Tensão média efetiva (octaédrica)

p 0 ´

P

tω

Tensão de escoamento ou pré-consolidação

Peso do torrão úmido

P

P

P

tωp

tωpi

ω

q, q´

r

r

1

2

Peso do torrão úmido parafinado

Peso do torrão úmido parafinado imerso em água

Peso do solo úmido compactado

Tensão desviatória (sempre efetiva, ou seja, q = q’)

Parâmetro de coesão

Parâmetro de coeficiente de atrito

s Resistência do solo

s u

S Estrutura do solo

Resistência do solo não drenada

S% Grau de saturação

T Temperatura

w Teor de umidade

W Trabalho

v Volume específico

V Volume útil do molde cilíndrico

v s

Volume específico dependente do histórico de carregamento

SUMÁRIO

1.

INTRODUÇÃO

 

15

1.1.

OBJETIVOS

16

1.1.1.

Objetivo Geral

16

1.1.2.

Objetivos Específicos

 

16

1.2.

JUSTIFICATIVA

 

16

1.3.

CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA

17

1.4.

DELIMITAÇÃO DA PESQUISA

18

2.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

19

2.1.

RESISTÊNCIA DOS SOLOS

19

2.1.1.

Resistência ao cisalhamento dos solos

19

2.1.2.

Critério de resistência Mohr-Coulomb

22

2.2.

ENSAIOS TRIAXIAIS EM SOLOS

23

2.2.1.

Ensaio triaxial rápido

 

27

2.2.2.

Ensaio triaxial adensado rápido

30

2.2.3.

Ensaio

triaxial

lento

 

33

2.3.

ELASTICIDADE

NOS

SOLOS

35

2.4.

PLASTICIDADE

NOS

SOLOS

39

2.4.1.

Critério de escoamento

42

2.5.

MODELOS ELASTOPLÁSTICOS

45

2.6.

MECÂNICA DOS ESTADOS CRÍTICOS

48

2.7.

MÉTODO DE MODELAGEM CAM-CLAY

53

2.7.1.

Linha de consolidação virgem e linhas de expansão

54

2.7.2.

Linha de estado crítico

 

56

2.7.3.

Equações da superfície de escoamento

57

2.7.4.

Comportamento de amolecimento e enrijecimento

58

2.7.5.

Constantes elásticas de um solo para CC e MCC

60

2.7.6.

Razão de pré-adensamento

61

2.7.7.

Determinação dos parâmetros M, λ e κ

61

3.

METODOLOGIA

 

63

3.1.

ORIGEM DO SOLO ESTUDADO

63

3.1.1.

Coleta e preparação de amostras deformadas

63

3.1.2.

Coleta e preparação de amostras indeformadas

64

3.2.

ENSAIOS DE CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA

65

3.2.1.

Determinação do peso específico dos sólidos

65

3.2.2.

Análise granulométrica conjunta

66

3.2.3.

Determinação do limite de liquidez

67

3.2.4.

Determinação do limite de plasticidade

68

3.2.5.

Determinação do peso específico aparente

68

3.3.1.

Ensaio de compactação Proctor

69

3.3.2.

Ensaio de compressão triaxial

71

3.4.

APLICAÇÃO DO MÉTODO CAM-CLAY MODIFICADO

74

4.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

76

5.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

97

6.

SUGESTÃO PARA TRABALHOS FUTUROS

98

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

99

ANEXOS

102

15

1.

INTRODUÇÃO

O estudo geotécnico desenvolveu-se pela necessidade de evolução

tecnológica no tratamento de um material de construção, que serve de fundação

para todo tipo de obra. Para cada obra existe a necessidade de estudar o solo local. As condições iniciais de um solo, como o estado de tensões em que o solo encontra- se, são de extrema importância para a segurança de uma obra de engenharia. A importância dos ensaios geotécnicos e especiais com um solo é assim denotada.

As condições iniciais de um solo podem ser severamente modificadas e

podem provocar circunstâncias inusitadas como o pré-adensamento. As situações

de pré-adensamento podem ocorrer a partir de vários fatores. Entre eles a variação do NA, onde se o NA sofrer uma elevação no interior do terreno, as pressões efetivas serão aliviadas, provocando um pré-adensamento (ORTIGÃO, 2007). Situações de modificação do nível d’água são necessárias e comumente utilizadas em algumas soluções geotécnicas. Os processos erosivos também podem alterar a condição de sobrecarga do solo, tanto depositando material em locais baixos como descarregando um solo altamente adensado.

A lixiviação de elementos químicos solúveis pode ser uma das causas de

pré-adensamento, como no caso da percolação de compostos de sílica, alumina e carbonatos. Esses elementos, se precipitados a camadas inferiores podem provocar a cimentação entre grãos (ORTIGÃO, 2007). Segundo Vargas (1953) o fenômeno do pré-adensamento não se restringe aos solos sedimentares, os solos residuais também podem apresentar um pré-adensamento virtual, relacionado com ligações intergranulares provenientes do intemperismo da rocha.

A modelagem torna-se uma alternativa bastante conveniente para prever o

comportamento de um maciço. Dentre os modelos elastoplásticos aplicados ao solo destaca-se o modelo Cam-Clay desenvolvido por Wood na Universidade de Cambrigde. Apesar de originalmente desenvolvido para a solução de um solo argiloso fabricado em laboratório, o modelo Cam-Clay representa com excelência solos residuais com características geotécnicas variadas.

O modelo Cam-Clay pode ser considerado um importante avanço na

simulação teórica do comportamento de solos. Mas, como todo modelo, apresenta deficiências (LIU et al, 2002). A análise destas deficiências através de comparações

16

com resultados experimentais torna possível a introdução de melhoramentos, como fez Roscoe (1968), que propôs o modelo denominado Cam-Clay Modificado, cuja superfície de escoamento tem a forma de uma elipse. Atualmente o modelo Cam-Clay modificado é amplamente referenciado e usado na solução de problemas geotécnicos variados (POTTS, 1999). Sendo assim este trabalho baseia-se no estudo do solo da cidade de Cascavel/PR, utilizando uma ferramenta de modelagem com alto valor tecnológico.

1.1.

OBJETIVOS

1.1.1.

Objetivo Geral

Aplicar o modelo Cam-Clay modificado ao solo de Cascavel/PR.

1.1.2.

Objetivos Específicos

Determinar a resistência ao cisalhamento do solo da região; Obter os parâmetros do solo da região para a aplicação do modelo cam-clay modificado; Analisar a previsão do comportamento mecânico do solo da região através do modelo cam-clay modificado.

1.2.

JUSTIFICATIVA

A Engenharia Geotécnica depara-se com inúmeros problemas relacionados ao solo, de forma geral em função da falta de previsão do comportamento do solo devido as alterações das condições de equilíbrio inicial. A análise da deformação de um maciço de solo é comumente requerida, como em situações em que as condições de tensão e deformação causam recalque em um terreno após a sobrecarga induzida com a instalação de uma obra qualquer. Cabe ao profissional de engenharia prever o comportamento do maciço de terra e estimar as deformações causadas pela tensão aplicada. A precisão entre as deformações e estado de tensão reais e previstas definem a qualidade do método utilizado. A escolha do método de simulação de comportamento depende do tipo de solo estudado. A escolha correta do modelo constitutivo de simulação do comportamento mecânico dos solos depende de uma classificação inicial do solo, de um estudo de representatividade e do refinamento do

17

método ou parâmetros utilizados. O refinamento do modelo acarreta em um ganho sensível na capacidade de reprodução e previsão para um solo específico. A região Oeste do Paraná apresenta carências em relação ao estudo do solo típico. As ferramentas usualmente utilizadas na previsão de comportamento são empíricas e promovem um árduo trabalho de laboratório. Os modelos elastoplásticos apresentam-se como uma boa ferramenta de previsão de comportamento de solos argilosos. O desenvolvimento modelo Cam- clay modificado acarretou um grande passo na previsão de solos moles. A falta de uma ferramenta específica para previsão do comportamento do solo da região de Cascavel, indica que as pesquisas voltadas ao solo da região são escassas. O modelo Cam-clay modificado apresenta-se como uma opção mais adequada entre os modelos constitutivos desenvolvidos, pois foi concebido para prever o comportamento mecânico de um solo classificado como similar ao típico do 3° planalto paranaense. Com a utilização de modelos constitutivos é possível agregar valor tanto econômico como tecnológico aos ensaios de laboratório, reduzindo a amostragem e as réplicas necessárias e aumentando o refinamento tecnológico do processo. A redução dos ensaios de laboratório, o aumento na precisão da previsão do comportamento mecânico do solo da região e a tecnologia agregada aos resultados de laboratório justificam a realização deste trabalho.

1.3. CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA

A representatividade do método de modelagem Cam-Clay Modificado apresenta confiabilidade para ser utilizado na previsão do comportamento de solos moles. Esse método foi testado em alguns tipos de solo em centros de pesquisa de universidades brasileiras. O solo da região Oeste do Paraná, mais especificamente da região do município de Cascavel apresenta características semelhantes a alguns solos que obtiveram bons resultados, no que tange a reprodução do formato de escoamento simulado pelo método Cam-clay modificado. A ferramenta de simulação do comportamento do solo reflete bem os estados de tensão e deformação e traz benefícios do ponto de vista econômico e tecnológico no que diz respeito a mecânica dos solos e fundações. Esta pesquisa é formada pela hipótese de o método de modelagem Cam-clay Modificado representar de forma confiável o comportamento do solo da região.

18

1.4. DELIMITAÇÃO DA PESQUISA

A pesquisa foi aplicada ao solo de uma região específica, a saber, o sítio do novo aterro sanitário do município de Cascavel localizado na região oeste do Paraná, sendo um solo típico do 3º planalto paranaense (MINEROPAR, 1998). O experimento foi conduzido no Laboratório de Geotecnia (GEOTEC) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), campus de Cascavel. Esta pesquisa experimental delimita-se pela análise da representatividade da modelagem Cam-clay Modificado na previsão do comportamento mecânico do solo supra citado.

19

2.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1.

RESISTÊNCIA DOS SOLOS

Os solos, como a maioria dos materiais empregados na construção civil,

normalmente resistem bem a tensões de compressão, mas é bastante limitado quando se trata de tensões de tração e de cisalhamento. Quando tratamos de solos, exceto nas situações menos comuns, a maior limitação trata-se quase que exclusivamente das solicitações por cisalhamento. Segundo Vilar e Bueno (1985) as deformações em um maciço de terra são devidas

a deslocamentos relativos entre as partículas constituintes do maciço. A propriedade dos solos em suportar cargas e conservar a sua estabilidade depende, da resistência ao cisalhamento do solo, ou seja, toda massa de solo se rompe quando esta resistência é excedida (CAPUTO,1988).

A resistência do solo forma, ao lado da permeabilidade e da

compressibilidade, o suporte básico para resolução dos problemas práticos da engenharia de solos (VILAR e BUENO, 1985). Deve-se entender a natureza da resistência ao cisalhamento para se analisar os problemas de estabilidade do solo, tais como capacidade de carga, estabilidade de taludes e pressão lateral em estruturas de contenção de terra (DAS,

2007).

Os problemas geotécnicos costumeiros são analisados normalmente empregando os conceitos de equilíbrio limite, o que implica igualar no instante da ruptura a resistência com as tensões atuantes, porém não consideram as deformações. A análise da deformação limite é própria da Teoria da Plasticidade, pois a Teoria da Elasticidade nem sempre é conveniente na representação do comportamento real dos solos.

2.1.1. Resistência ao cisalhamento dos solos

O solo apresenta várias características que interferem na sua resistência, sendo uma equação geral da resistência do solo representada por:

20

Onde w, C, H, S e T são respectivamente teor de umidade, composição, histórico de tensões, estrutura e temperatura. Denota-se que é praticamente impossível quantificar as interferências citadas.

A resistência ao cisalhamento dos solos é representada mais comumente

com o auxílio de envoltórias, como a de Mohr (VILAR e BUENO, 1985). O solo, do

ponto de vista de resistência, pode ser representado com um sistema cartesiano

onde nas abscissas têm-se as tensões normais (σ) e nas ordenadas estão dispostas

as tensões de cisalhamento (τ), conforme a Figura 1.

as tensões de cisalhamento ( τ ), conforme a Figura 1. Figura 1 Resistência dos solos

Figura 1

Resistência dos solos através de envoltórias

(Adaptado de VILAR e BUENO, 1985)

A inclusão de uma reta tangente (critério de Coulomb) aos pontos na faixa

de tensões de interesse permite obter uma envoltória que segue a expressão:

s = r 1 + σ . r 2

(2)

Costuma-se determinar os parâmetros r 1 e r 2 como sendo coesão e

coeficiente de atrito respectivamente, sendo:

r 1 = c

(3)

r 2 = tg φ

(4)

Com isso tem-se que a equação geral de resistência do solo é representada

pela substituição das equações (3) e (4) em (2), então:

s = c + σ . tg φ

(5)

Esta equação é chamada de envoltória de Mohr-Coulomb, que mascara uma

série de características do solo, porém constata-se que a sua utilização é uma

maneira, apesar de simples, eficiente e confiável de representação da resistência do

21

solo. Na simplicidade da equação da envoltória de Mohr-Coulomb reside o grande atrativo para a sua aplicação na prática (VILAR e BUENO, 1985). Os principais fatores que compões a equação da envoltória de Mohr-Coulomb para um solo específico são os parâmetros coesão e atrito entre partículas. A denominação genérica de atrito interno de um solo, não é composta somente pelo atrito físico entre as partículas de solo, mas é composto também pelo atrito fictício proveniente do entrosamento das partículas (CAPUTO, 1988). O contato entre as partículas não ocorre através de uma superfície nítida de contato, mas através de uma infinidade de contatos pontuais entre partículas. Quando o solo apresenta partículas grossas, como a areia, as altas tensões nos contatos implicam um aumento das áreas reais de contato e conseqüentemente da resistência, ou seja, o maior contato entre partículas gera ângulos de atrito altos (VILAR e BUENO,

1985).

A coesão é dividida normalmente entre coesão aparente e coesão verdadeira, sendo a coesão aparente gerada através da capilaridade na água intersticial em solos parcialmente saturados, quando a pressão neutra negativa atrai as partículas formando novamente um fenômeno de atrito (CAPUTO, 1988). A coesão verdadeira pode ser formada por forças de atração e repulsão inter- partículas causadas pela cimentação proporcionada, por exemplo, por carbonato. As forças de atração e repulsão são o resultado da ação de muitas variáveis no sistema solo-água-ar-eletrólitos, destacando-se as forças eletrostáticas, eletromagnéticas e as propriedades da água adsorvida (VILAR e BUENO, 1985). A atração eletrostática ocorre pela interação entre partículas de solo de cargas opostas e a repulsão eletrostática quando as partículas apresentam carga de mesma natureza. As atração inter-partículas são complementadas com ligações do tipo pontes de hidrogênio e de potássio, causadas pelas propriedades da água adsorvida. Em suma o aumento da coesão é comumente relacionado com a quantidade de argila e atividade coloidal, a relação de pré-adensamento e com a diminuição da umidade. É necessário ressaltar que os parâmetros de coesão e ângulo de atrito não são constantes para um dado solo, pois esses parâmetros são dependentes de uma série de fatores como o histórico de tensões e faixa de tensões de interesse.

22

2.1.2. Critério de resistência Mohr-Coulomb

A teoria para ruptura em materiais de Mohr (1900, apud DAS, 2007) afirmava que a ruptura é alcançada com a combinação da tensão de cisalhamento e normal e não da máxima tensão de cisalhamento ou da máxima tensão normal isoladas. A equação de Mohr é expressa por:

τ = f (σ)

(6)

A equação de Mohr define uma linha curva, porém a determinação de uma

reta tangenciando a curva de Mohr atende a maioria dos problemas de mecânica dos solos, formando assim uma função linear (COULOMB, 1776 apud DAS, 2007), escrita como:

τ = c + σ . tg φ

(7)

A equação precedente da reta admitida é denominada de critério de ruptura

de Mohr-Coulomb (Figura 2) em termos de tensões totais. A tensão normal total é

descrita através da equação:

σ = σ’ + μ

(8)

Quando é necessária a tensão suportada pelos sólidos do solo a equação do

critério de ruptura pode ser expressa em termos de tensões efetivas:

τ = c’ + σ’ . tg φ

(9)

de tensões efetivas: τ = c’ + σ ’ . tg φ ’ (9) Figura 2

Figura 2

Envoltória de ruptura Mohr-Coulomb

(Adaptado de VILAR e BUENO, 1985)

23

Conforme ficou explanado no capítulo anterior, a coesão para solos com partículas grossas como areia e silte inorgânico é igual a 0. Para argilas normalmente adensadas a coesão é aproximadamente igual a 0, porém para argilas

sobreadensadas a coesão apresenta valores maiores que 0.

O critério de Mohr-Coulomb tem como característica desconsiderar o efeito

da tensão principal intermediária (σ 2 ), então a resistência depende apenas das

tensões principais maior e menor (VILAR e BUENO, 1985).

Nota-se que a teoria de Mohr-Coulomb, conforme a Figura 2, define que o

ângulo entre o plano de ruptura e o plano principal maior corresponde à equação:

φ cr = 45° +

φ

2

(10)

Existem situações onde a envoltória de ruptura de Mohr-Coulomb é igual a

coesão quando o solo é puramente coesivo ou onde a equação é igual a tensão

normal vezes o coeficiente de atrito quando o solo é puramente arenoso, mas são

casos particulares.

A determinação das tensões normais e de cisalhamento em solos é

realizada com o auxílio de ensaios resistência ao cisalhamento, mas principalmente através de ensaios de compressão triaxial em suas diversas configurações. O

ensaio triaxial cilíndrico apresenta uma configuração que descarta a tensão principal

intermediária (σ 2 ) das variáveis do ensaio, pois a tensão principal intermediária é

igualada à tensão principal menor (σ 3 ).

2.2. ENSAIOS TRIAXIAIS EM SOLOS

O ensaio de compressão triaxial é um dos ensaios mais confiáveis e

difundidos para a determinação do parâmetro resistência ao cisalhamento de solos. Ortigão (2007), afirma que o ensaio de compressão triaxial é usado tanto para a

determinação da resistência quanto para a determinação de relações tensão-

deformação, sendo muito versátil e considerando-o como ensaio-padrão de mecânica dos solos. A afirmação sobre a confiabilidade do ensaio triaxial é reforçada pela opinião de Caputo (1988), que indica o ensaio triaxial como mais

perfeito que o cisalhamento direto e mais usualmente utilizado.

Consiste basicamente em reproduzir as condições normais de carregamento dos solos “in situ”, com a adição de cargas verticais, simulando o carregamento do solo por estruturas convencionais. A amostra de solos, durante o ensaio, é

24

submetida à compressão sendo que as tensões radial e axial são controladas e variáveis. Nesse ensaio, um corpo de prova normalmente cilíndrico com altura de duas vezes o próprio diâmetro, é envolto em uma fina membrana de borracha e

posicionado dentro de uma câmara cilíndrica. A câmara de confinamento cilíndrica é preenchida com fluído para a aplicação da pressão confinante. A membrana de borracha tem como única função isolar o corpo de prova dos fluídos que preenchem

a câmara cilíndrica. Os fluídos comumente utilizados para a aplicação do

confinamento são líquidos sendo eles a água e a glicerina. É possível a utilização do ar como fluído para a aplicação do confinamento, porém há dificuldade na visualização de possíveis vazamentos e perdas de pressão pela câmara de confinamento. Após a aplicação da tensão confinante inicia-se o processo de carregamento axial por meio de uma haste, até a ruptura por cisalhamento do corpo

de prova.

haste, at é a ruptura por cisalhamento do corpo de prova. Figura 3 Diagrama do equipamento

Figura 3

Diagrama do equipamento de compressão triaxial.

(Adaptado de DAS, 2007)

Segundo Das (2007) a tensão desviatória pode ser aplicada de duas formas, através da tensão desviatória controlada ou por meio de deformação axial controlada. No ensaio com tensão desviatória controlada, a tensão vertical aplicada sobre o corpo de prova sofre incrementos iguais até a ruptura por cisalhamento,

25

sendo medida a deformação axial através de extensômetro ou relógio comparador

fixado à haste. A aplicação de deformação axial a uma taxa constante, controlada

por uma prensa de carregamento com a leitura da tensão desviatória na haste, é

chamada de ensaio com deformação controlada.

A câmara de confinamento cilíndrica, comumente chamada de célula triaxial,

simula as condições em que o solo se encontra no estado natural, porém limita-se a

igualar as tensões horizontais, pois a aplicação da tensão confinante ocorre de

maneira uniforme em todo o corpo de prova. Sendo assim não é possível a

aplicação de uma tensão σ 2 diferente de σ 3 , ou seja, σ 2 é sempre igual a σ 3 no

ensaio triaxial convencional. Na opinião de Ortigão (2007), o nome do ensaio é

inapropriado, já que as condições impostas à amostra são axissimétricas e não

triaxiais verdadeiras.

A medição da carga axial aplicada através da haste de carregamento é

realizada com o auxílio de um anel dinamométrico fixado na haste ou através de

uma célula de carga. O diagrama da Figura 3 demonstra o funcionamento e as

conexões da câmara de confinamento do ensaio triaxial convencional.

O ensaio é conduzido, conforme Ortigão (2007), em duas fases:

primeiramente na aplicação da tensão confinante isotrópica e posteriormente com a

fase de cisalhamento que consiste no incremento da tensão axial σ 1 através da

aplicação da tensão desviatória (∆σ d = σ 1 σ 3 ), conforme a Figura 4.

d = σ 1 – σ 3 ), conforme a Figura 4. Figura 4 Tensões no

Figura 4

Tensões no corpo de prova no ensaio triaxial

(a) corpo de prova sob tensão de confinamento; (b) aplicação da tensão desviatória

(Adaptado de DAS, 2007)

26

A célula triaxial convencional, através das suas conexões e dutos, permite a leitura da variação do volume do corpo de prova ou a leitura da poropressão. As configurações de ensaio são determinadas pelas condições impostas de acordo com

o uso das conexões da câmara de confinamento. Os ensaios mais utilizados e

difundidos formam três configurações básicas de uso das conexões na preparação e na realização do ensaio, sendo eles:

Ensaio rápido ou não drenado (UU): não é permitida a dissipação das pressões neutras durante a aplicação da tensão confinante σ 3 e nem durante a aplicação de carga axial (cisalhamento);

Ensaio adensado rápido (CU): é permitida a dissipação das pressões neutras que surgem durante o confinamento, porém é impedida a dissipação das pressões neutras durante o cisalhamento, mas ocorre a leitura dessas pressões;

Ensaio lento ou drenado (CD): a dissipação das pressões neutras ocorre durante todo o processo de preparo e ruptura do corpo de prova. Caputo (1988) indica que os índices C, D e U que descrevem o tipo de ensaio, são usuais, porém provêm das inicias das palavras inglesas consolidated, drained e undrained, ou seja, consolidado (adensado), drenado e não drenado.

, ou seja, consolidado (adensado), drenado e não drenado. Figura 5 Curvas de tensão-deformação (Adaptado de

Figura 5

Curvas de tensão-deformação

(Adaptado de VILAR e BUENO, 1985)

O Resultado do ensaio triaxial são curvas tensão-deformação, que segundo Vilar e Bueno (1985) “são traçadas em função da diferença de tensões principais (σ 1

σ 3 ) ou da relação σ1 /σ3 , dependendo da finalidade do ensaio”. A resistência a compressão do corpo de prova corresponde ao pico da curva traçada em ambas as

27

configurações das ordenadas, ou seja, a diferença de tensões máxima (σ 1 σ 3 ) máx ou (σ1 /σ3 ) máx equivale à resistência a compressão do corpo de prova, conforme a Figura 5.

As envoltórias de resistência de um solo são determinadas em função de (σ 1

σ 3 ) máx dos diversos corpos de prova, porém Vilar e Bueno (1985) afirmam que as envoltórias podem ser traçadas através da relação (σ1 /σ3 ) máx dos corpos de prova ensaiados. Na Figura 5 observa-se que os picos das curvas mostradas não se apresentam com a mesma deformação, acarretando uma diferença no ângulo de atrito que ocasiona ligeira diferença entre as duas representações.

ocasiona ligeira diferença entre as duas representações. Figura 6 Envoltórias obtidas de ensaios triaxiais (Adaptado

Figura 6

Envoltórias obtidas de ensaios triaxiais

(Adaptado de ORTIGÃO, 2007)

A execução do ensaio de compressão triaxial com diferentes tensões

confinantes permite definir a envoltória de resistência de Mohr-Coulomb que, segundo Ortigão (2007), tange os círculos de Mohr na ruptura (Figura 6). Evidencia- se que, dependendo do ensaio, pode-se traçar os círculos de Mohr em termos de tensões totais ou efetivas, sendo possível extrair do gráfico final os parâmetros de coesão (c) e ângulo de atrito (ϕ) totais ou efetivos (c’, ϕ’).

2.2.1. Ensaio triaxial rápido

O ensaio triaxial rápido, também chamado de ensaio triaxial não-drenado,

tem por característica principal o impedimento da dissipação das pressões neutras

geradas durante o confinamento e o cisalhamento. O ensaio pode ser representado

e o cisalham ento. O ensaio pode ser representado pelos símbolos UU ou Q quando referentes
e o cisalham ento. O ensaio pode ser representado pelos símbolos UU ou Q quando referentes

pelos símbolos UU ou Q quando referentes às tensões totais e ou caso determinem as pressões neutras. Apesar do impedimento da dissipação das pressões neutras é possível realizar a leitura dessas pressões. Vilar e Bueno (1985)

28

afirmam que é fundamental conhecer o papel desempenhado pelas pressões neutras, considerando o solo saturado. A nomenclatura de ensaio rápido é assim determinada, pois o ensaio pode ser rapidamente conduzido sem a espera pela dissipação das pressões neutras. A suposição descrita por Vilar e Bueno (1985) indica que o solo após amostragem tenderá a sofrer um aumento de volume após o desconfinamento, quando se contrapõe uma pressão neutra negativa igual à tensão de pré-

adensamento σ o (μ o = -σ o ) Durante a aplicação da tensão confinante é gerada pressão neutra no corpo de prova. Como a drenagem está impedida e o solo encontra-se saturado, a tensão confinante é suportada pela água intersticial na sua totalidade, sendo assim há um acréscimo de pressão neutra igual à tensão confinante. Das (2007) afirma que a tensão axial acrescentada durante o cisalhamento é praticamente a mesma independente da pressão de confinamento, pois como explica Vilar e Bueno (1985) não há acréscimo de resistência pelo confinamento do solo já que toda a tensão de confinamento é transformada em pressão neutra impedindo a sua influência na tensão efetiva. Dessa forma se obtêm as seguintes equações para cada instante de ensaio, conforme a Figura 7:

Após amostragem:

μ o = -σo

(11)

σ’ = -μ o = σo

(12)

Durante o confinamento (solo saturado):

μ 1 = -μ o + μ c

(13)

μ 1 = -μ o + σ 3

(14)

σ3 = μ o

(15)

Durante o carregamento:

σ 1 = σ 3 + σ d

(16)

μ 2 = μ 1 ± μ

(17)

σ1 = σ 1 - μ 2

(18)

29

29 Figura 7 Fases do ensaio não drenado ou rápido (Adaptado de DAS, 2007) Ao ensaiar

Figura 7

Fases do ensaio não drenado ou rápido

(Adaptado de DAS, 2007)

Ao ensaiar vários corpos de prova, nota-se, que todos os círculos de Mohr têm o mesmo tamanho (raio) e formam uma envoltória de ruptura paralela com o eixo das abscissas (Figura 8).

de ruptura paralela com o eixo das abscissas (Figura 8). Figura 8 Envoltória não drenada (Adaptado

Figura 8

Envoltória não drenada

(Adaptado de VILAR e BUENO, 1985)

A equação de resistência característica para ensaios triaxiais não drenado é:

s u = c u

Onde:

c u – coesão não drenada; s u – resistência não drenada.

(20)

O ângulo de atrito (φ u ), no ensaio triaxial não drenado, em termos de tensões

totais é sempre igual a zero. Nota-se que a equação de resistência característica pode ser expressa por:

s

u = c u =

σ 1 - σ 3

2

(21)

30

Segundo Vilar e Bueno (1985), se forem obtidas as pressões neutras durante o ensaio não drenado, constata-se que o círculo de tensões efetivas é único, pois as tensões efetivas na ruptura independem da tensão confinante, permanecendo inalteradas com a aplicação de tensões confinantes variadas. Sendo assim o ensaio triaxial não drenado não permite definir a envoltória de resistência em termos de tensões efetivas para solos saturados.

2.2.2. Ensaio triaxial adensado rápido

O ensaio triaxial adensado rápido ou ensaio triaxial consolidado não drenado

é comumente representado pelas siglas CU ou R. É realizado com total dissipação das pressões neutras geradas pela tensão confinante, porém durante a fase de cisalhamento da amostra, as pressões neutras desenvolvidas são impedidas de se dissipar, ou seja, não ocorrem variações volumétricas por adensamento (VILAR e BUENO, 1985). As equações para cada instante de ensaio estão descritas abaixo, conforme a Figura 9:

Durante o confinamento (adensamento):

σ 3 = σ 3

Durante o carregamento:

σ 1 = σ 3 + σ d

σ1 = σ 3 + σ d ± μ

σ3 = σ 3 ± μ

(22)

(23)

(24)

(25)

μ σ ’ 3 = σ 3 ± ∆ μ (22) (23) (24) (25) Figura 9

Figura 9

Fases do ensaio adensado não drenado

(Adaptado de DAS, 2007)

O ensaio triaxial adensado não drenado permite o conhecimento instantâneo

das tensões totais e posteriormente, com a leitura das tensões neutras, o cálculo

31

das tensões efetivas. As resistências são crescentes (Figura 10) com as tensões normais aplicadas, sendo possível definir uma envoltória praticamente igual à obtida em ensaios drenados, pois pode-se traçar os círculos de Mohr em termos de tensões efetivas através das leituras das pressões neutras.

efetivas através das leituras das pressões neutras. Figura 10 Envoltória no rmalmente adensada não drenada

Figura 10 Envoltória normalmente adensada não drenada

(Adaptado de VILAR e BUENO, 1985)

Para solos normalmente adensados e saturados, a envoltória das tensões totais intercepta a origem no diagrama σ x τ. Como as envoltórias de tensões totais e efetivas interceptam a origem, tem-se que:

Envoltória das tensões efetivas:

s = σ . tg φ

(26)

Envoltória das tensões totais: s = σ . tg φ

(27)

A relação entre o ângulo de atrito aparente (φ) e o ângulo de atrito em termos de tensões efetivas depende das pressões neutras despertadas na ruptura (VILAR e BUENO, 1985). Nota-se na Figura 10, que o círculo de Mohr está deslocado para a esquerda como efeito da pressão neutra positiva dos solos normalmente adensados. No caso de solos pré-adensados a variação do volume tende a ser no sentido da expansão, porém como a drenagem é impedida as pressões neutras tornam-se negativas para impedir a expansão do corpo de prova. Dessa forma a tensão efetiva torna-se maior que a tensão total deslocando o círculo de Mohr para a direita, ou seja, o ângulo de atrito aparente é maior que o ângulo de atrito em termos de tensões efetivas (Figura 11).

32

32 Figura 11 Envoltória pré-adensada não drenada (Adaptado de VILAR e BUENO, 1985) O surgimento de

Figura 11 Envoltória pré-adensada não drenada

(Adaptado de VILAR e BUENO, 1985)

O surgimento de pressões neutras negativas ocorre em solos fortemente

pré-adensados, com relações de pré-adensamento (OCR) na ordem de 10. A adoção de parâmetros para solos fortemente pré-adensados implica cuidados em análise a longo prazo (VILAR e BUENO, 1985). A partir da Figura 11, define-se as equações das envoltórias obtidas através de ensaios adensados rápidos sobre solos saturados pré-adensados:

Envoltória das tensões efetivas:

s = c + σ . tg φ

(28)

Envoltória das tensões totais: s = c + σ . tg φ

(29)

Segundo Vilar e Bueno (1985), há uma grande semelhança entre os parâmetros de resistência obtidos através das tensões totais e efetivas, tanto em ensaios adensados não-drenados como em ensaios drenados. Dessa forma costuma-se representar a resistência em termos de tensões efetivas como:

Solos normalmente adensados:

s = σ . tg φ

(30)

Solos pré-adensados: s = c + σ . tg φ

(31)

O ensaio triaxial adensado não drenado é o ensaio mais empregado para a

determinação da envoltória de resistência total e efetiva em solos argilosos. Em relação ao ensaio triaxial drenado ou lento, apresenta a vantagem de tempo de execução do ensaio já que não é necessária a dissipação das pressões neutras durante o cisalhamento e as tensões efetivas são determinadas, pois as pressões neutras podem ser conhecidas durante o ensaio.

33

2.2.3. Ensaio triaxial lento

O ensaio triaxial adensado drenado ou ensaio triaxial lento é comumente

representado pelas siglas CD ou S, é realizado com total dissipação das pressões

neutras durante o confinamento e cisalhamento (Figura 12).

neutras durante o confinamento e cisalhamento (Figura 12). Figura 12 Fases do ensaio drenado (Adaptado de

Figura 12 Fases do ensaio drenado

(Adaptado de DAS, 2007)

Como durante todo o processo de preparação e carregamento do corpo de

prova o ensaio é realizado com drenagem aberta, ou seja, completa dissipação das

pressões neutras geradas por esforços externos, todas as tensões medidas são

efetivas. Se durante o adensamento a drenagem for impedida, pode-se realizar a

leitura da poropressão que segue um acréscimo conforme a equação:

(32)

σ 3 Para solos moles saturados a variável adimensional B, denominada como

parâmetro de poropressão de Skempton (SKEMPTON, 1954 apud DAS, 2007),

indica valores próximos a 1 podendo ser inferior a esse valor dependendo das

características do solo.

B =

μ

a esse valor dependendo das características do solo. B = μ Figura 13 Envoltória drenada (Adaptado

Figura 13 Envoltória drenada

(Adaptado de DAS, 2007)

34

Vilar e Bueno (1985) afirmam que o prolongamento de uma reta envolvente,

dentro da faixa de tensões de interesse, passa pela origem ou muito próxima da

origem do sistema coordenado, ou seja, a coesão efetiva tende a ser zero (Figura

13). A envoltória de tensões efetivas, definida pelo ensaio, para um solo saturado

normalmente adensado demonstra uma equação característica do tipo:

(33)

Sendo σ’ a tensão normal efetiva e φd o ângulo de atrito em termos de

tensão efetiva para o ensaio drenado.

O solo pré-adensado apresenta características de resistência distintas

conforme a Figura 14, modificando as suas características de resistência. A curva (a)

apresenta um solo consolidando desde o momento de sua deposição.

A amostra quando consolidada a partir do ponto O apresenta as resistências

medidas nos pontos A e B como sendo A’ e B’, formando uma envoltória cujo

prolongamento passa pela origem. O intervalo notado no ensaio corresponde ao

intervalo normalmente adensado do solo, ou seja, o adensamento ocorre através da

reta de consolidação virgem.

s = σ’ . tg φd

reta de consolidação virgem. s = σ ’ . tg φ ’ d Figura 14 Curvas

Figura 14 Curvas do ensaio triaxial lento (a) curva de compressão; (b) envoltórias de resistência; (c) variação da resistência com o índice de vazios.

(Adaptado de VILAR e BUENO, 1985)

Atingido o ponto 1, a amostra é descarregada até o ponto 2 e novamente

inicia-se o carregamento. Agora atingidos os pontos C e D, pontos com a mesma

35

tensão de confinamento dos pontos A e B, são medidas as resistências C’ e D’. Nota-se que esses pontos são referentes ao intervalo pré-adensado do solo e mostram resistências superiores as amostras normalmente adensadas. O acréscimo

de resistência é responsável pela introdução do parâmetro de coesão na envoltória

de resistência do solo.

A envoltória característica para solos pré-adensados em condições drenadas

é representada pela equação:

s = c’ d + σ’ . tg φ d

(34)

Após o carregamento atingir novamente o ponto 1, ao medir-se a resistência

quando alcançado o ponto E tem-se E’ situado sobre o prolongamento da envoltória normalmente adensada, pois o ensaio encontra-se novamente no ramo da curva de

compressão virgem da amostra. Nota-se que o ponto 1 é correspondente à tensão

máxima de pré-adensamento já suportada pela amostra.

Denota-se que o acréscimo de resistência da amostra apresenta relação

com o decréscimo do índice de vazios. A explicação para tal efeito ocorre por causa dos contatos plastificados, resultantes da tensão de pré-adensamento, que

permanecem após a retirada das cargas. Assim pode-se afirmar que os solos

argilosos apresentam memória das cargas à que foram submetidos. Segundo Vilar e Bueno (1985) o ensaio lento é de realização pouco

freqüente na prática, devido a dificuldades tais como tempo do ensaio, vedação da

câmara e permeabilidade da membrana. Das (2007) afirma que o ensaio pode

demorar dias, pois a aplicação da tensão desviatória deve ocorrer lentamente para

assegurar a drenagem plena do corpo de prova. Como efeito da dificuldade da aplicação do ensaio lento, as envoltórias em termos de tensões efetivas são mais

comumente obtidas através de ensaios adensados rápidos com leitura das pressões

neutras, conforme descrito anteriormente.

2.3. ELASTICIDADE NOS SOLOS

A relação entre as tensões e deformações em um material, quando apresenta uma relação única (linear ou não linear), é determinada como o

comportamento típico de um material elástico. Essa relação onde as tensões podem ser determinadas pelas deformações é descrita comumente pela lei de Hooke.

Entende-se como comportamento elástico, quando o material apresenta deformações retornáveis e constantes, ou seja, quando uma amostra é submetida a

36

uma tensão adicional e descarregada novamente ao estado de tensão inicial toda a deformação é revertida, podendo ocorrer esse efeito ciclicamente (Figura 15).

podendo ocorrer esse efeito ciclicamente (Figura 15). Figura 15 Relação tensão-deformação elástica (Adaptado

Figura 15 Relação tensão-deformação elástica

(Adaptado de VILAR e BUENO, 1985)

A despeito do solo não ter um comportamento elástico, são várias as

situações onde é necessário empregar os conceitos da teoria de elasticidades, pois a inexistência de relações teóricas que consigam retratar com eficiência e razoável

simplicidade o comportamento dos solos justifica esse procedimento (VILAR e BUENO, 1985).

O solo não é um material elástico, porém admite-se um comportamento

elástico-linear, considerando-o um material homogêneo e isótropo. Segundo Caputo

(1988), quando consideramos a anisotropia do solo estudado no caso das propriedades elásticas, a representação desse material corresponde a 21 constantes

independentes. Considerando o comportamento elástico-linear, o solo obedece a Lei

de Hooke que determina que as tensões sejam proporcionais as deformações.

σ = E . ε

(35)

Os solos necessitam do módulo de Young ou módulo de elasticidade (E) e o

coeficiente de Poisson (υ) para serem caracterizados empregando-se o

comportamento elástico-linear. O ensaio triaxial não drenado é usualmente empregado para a determinação

dos módulos de elasticidade, pois admite que as deformações elásticas são rapidamente processadas antes que as pressões neutras sejam dissipadas. Segundo Vilar e Bueno (1985), existem duas formas de definir o módulo de

elasticidade a partir da curva tensão deformação, obtida através do ensaio triaxial

37

não drenado: o módulo tangente a origem e o módulo secante para um dado nível de tensão ou deformação (Figura 16).

para um dado nível de tensão ou deformação (Figura 16). Figura 16 Módulo de elasticidad e

Figura 16 Módulo de elasticidade tangente à origem e secante

(Adaptado de VILAR e BUENO, 1985)

A deformação do corpo de prova durante o ensaio triaxial é determinada conforme a Figura 17.

o ensaio triaxial é determinada conforme a Figura 17. Figura 17 Deformações no corpo de prova

Figura 17 Deformações no corpo de prova

(Adaptado de VILAR e BUENO, 1985)

Denomina-se ε a como deformação axial e ε R como deformação radial e são

obtidos conforme as fórmulas a seguir:

ε a =

ε r =

H

H

R

R

(36)

(37)

38

O coeficiente de Poisson é a relação entre a deformação longitudinal com a

deformação radial, ou seja:

υ =

ε

r

ε a

(38)

A resposta elástica do solo ao acréscimo de tensões pode ser interpretada

através dos gráficos de (q x ε s ), (q x ε a ) e (ε v x ε s ) de onde pode-se obter os valores

das constantes elásticas do material, respectivamente o módulo de deformação

cisalhante “G”, módulo de elasticidade ou de Young “E” e módulo de deformação

volumétrica “K”. Sendo que G e K, também podem ser expressos por (LODI, 1998):

K =

G =

E’

3.(1 - 2.υ’)

E’

2.(1 + υ’)

(39)

(40)

A tensão octaédrica efetiva média e a tensão desviatória são definidas pelas

seguintes equações:

p =

σ a

+ 2.σ r

3

q = σ a - σ r

(41)

(42)

Os incrementos de deformação volumétrica e cisalhante são expressos por:

δε v = δε a + 2.δε r

δε s =

2.(δε a - δε r )

3

(43)

(44)

A resposta elástica do solo à variação de tensões pode ser apresentada

através de equações como (WOOD, 1992):

δσa - 2.υ’.δσr

δε a =

E’

δσr .(1 - υ’) - υ’.δσa

E’

δε r =

(45)

(46)

Assim sendo as equações de incremento de deformação volumétrica e

cisalhante podem ser escritas como (ATKINSON & BRANSBY, 1978 apud LODI,

1998):

δε v =

δε s =

δp’

K’

δq’

3.G’

(47)

(48)

39

A teoria da elasticidade aplicada aos solos corresponde a um variado número de soluções adotadas para problemas geotécnicos, dentre as soluções deve-se citar (CAPUTO, 1988 e CAVALCANTE, 2006):

Princípio de Boltzmann: define que a superposição de estados elásticos diferentes ocasiona a superposição das deformações correlativas; Princípio de Saint-Vernant: estabelece, no estudo de distribuição de pressões nos terrenos, que as forças atuantes sobre um elemento elástico podem ser substituídas por outro sistema de forças sem que se alterem os efeitos dessa substituição; Solução de Boussenesq: determina o acréscimo de tensões verticais, em um maciço, devido a uma carga pontual aplicada na superfície; Solução de Carothres: define o acréscimo de tensões verticais devido a um carregamento uniformemente distribuído ao longo de uma faixa de comprimento infinito e largura constante; Solução de Steibrenner: permite determinar a tensão em qualquer profundidade do maciço ao longo do vértice do retângulo de carregamento considerado; Equação de Love: encontra o acréscimo de tensão ao longo do eixo vertical que atravessa o centro de um carregamento circular considerado; Gráfico de Fadum: permite determinar ao acréscimo de tensão vertical causado por um carregamento triangular de comprimento finito; Gráfico de Osterberg: determina a tensão devida a um carregamento em forma de trapézio retangular infinitamente longo. A variedade de soluções simples, para variadas configurações, denota a importância da determinação e consideração dos componentes e teorias relacionadas à elasticidade dos solos.

2.4. PLASTICIDADE NOS SOLOS

O comportamento plástico de um material está presente quando as deformações ocorrem de uma maneira irrecuperável, ou seja, as deformações apresentadas pelo material não retornam após o descarregamento. Sendo assim, a relação entre a tensão e a deformação, quando tratamos de comportamento plástico, não é constante, variando em cada instante do carregamento.

40

Segundo Henrique (2001) a diferença fundamental entre o comportamento elástico e plástico é notada durante o descarregamento, sendo que o material elástico recupera todas as deformações ocorridas durante o carregamento, já o material com comportamento plástico apresenta deformações irrecuperáveis.

plástico apresenta deformações irrecuperáveis. Figura 18 Comportamento elástico e plástico (Adaptado de

Figura 18 Comportamento elástico e plástico

(Adaptado de HENRIQUE, 2001)

A Figura 18 apresenta o comportamento de um material elástico perfeitamente plástico, pode-se notar que as deformações elásticas (recuperáveis) ocorrem até a tensão σ a e após essa tensão o material se comporta como um material plástico. O comportamento do material até o ponto “a” é definido como elástico linear, ou seja, pode-se descarregar inúmeras vezes o corpo de prova e todas as deformações obtidas serão completamente recuperadas, no entanto se a tensão σ a for superada o material passa a comportar-se como um material plástico.

As tensões superiores a σ a são chamadas de tensões de escoamento. O material pode ser descarregado novamente, após ocorrer o escoamento, e recuperar parcialmente as deformações sofridas. Nota-se que a reta elástica, após o escoamento, é deslocada para a direita. A diferença entre o ponto “a” e o ponto onde a nova reta elástica encontra o eixo das abscissas é o valor da deformação plástica sofrida no material. A inclinação da reta elástica é modificada após o escoamento tornando a nova deformação recuperável inferior à anterior. O acréscimo de tensão entre o ponto “a” e “b” representa o efeito chamado de encruamento ou endurecimento (LODI, 1998).

41

A representação do comportamento elástico e plástico dos solos é realizada através da Figura 19 em que o corpo de prova de solos é submetido a uma compressão isotrópica em um gráfico entre o volume específico e a tensão octaédrica média. As linhas de descarregamento “c-b” e “e-d” representam o comportamento elástico dos solos, onde as deformações são recuperáveis, porém as deformações que ocorrem ao longo da linha normal de consolidação “a-b-d” são de natureza plástica, pois não podem ser recuperadas.

de natureza plástica, pois não podem ser recuperadas. Figura 19 Comportamento elástico e plástico (Adaptado de

Figura 19 Comportamento elástico e plástico

(Adaptado de WOOD, 1992)

Lodi (1998) afirma que a teoria da plasticidade apresenta três características essenciais, sendo elas: um critério de escoamento ou plastificação, uma lei de fluxo e uma lei de endurecimento ou encruamento. A divisão dos estados de tensões que geram deformações elásticas para os estados de tensão que geram deformações plásticas é definida pelo critério de escoamento, enquanto que a lei de encruamento define a quantidade de deformação plástica é necessária para deslocar a superfície de plastificação. A lei de fluxo distribui o montante de deformações plásticas em suas respectivas parcelas de deformação, fornecendo a inclinação dos vetores de incremento de deformação plástica.

42

2.4.1. Critério de escoamento

A tensão de escoamento pode ser definida como a tensão limite entre o

comportamento elástico e plástico dos solos, sendo assim a sua determinação é

imprescindível para o estudo do comportamento dos solos. A definição da tensão de

escoamento ou do efeito de escoamento de um material é realizada através de

critérios de escoamento, ou seja, através de um conjunto de proposições aceitas

como convenções que definem aproximadamente o início do escoamento.

Em analogia ao comportamento dos metais, o critério de escoamento de

Tresca indica que o escoamento dos metais inicia quando o máximo valor de tensão

cisalhante no material atinge um valor crítico (LODI, 1998). O critério de escoamento

de von Misses por sua vez assume que o escoamento tem início quando a energia

de distorção atinge um valor igual à energia de distorção no escoamento, ou seja,

quando a energia de distorção alcança um valor crítico (DESAI e SIRIWARDANE,

1984 apud LODI, 1998).

valor crític o (DESAI e SIRIWARDANE, 1984 apud LODI, 1998). Figura 20 Superfície de escoam ento

Figura 20 Superfície de escoamento de amostras indeformadas (a) trajetória de tensões efetivas; (b) ensaio de compressão isotrópica; (c) ensaio de compressão confinada; (d) ensaio triaxial não-drenado

Fonte: Wood (1992)

43

O escoamento ocorrido nos solos apresenta uma dificuldade particular na

definição do ponto que delimita as deformações elásticas das deformações

plásticas, pois sofre influência, além da tensão octaédrica média e das deformações

volumétricas, do histórico de tensões sofridas. A característica elastoplástica do solo

promove esse comportamento que dificulta a definição do ponto de escoamento.

Como citado anteriormente, após o solo atingir um determinado ponto no espaço

tensão x deformação qualquer ponto inferior a esse apresenta um comportamento

elástico residual. Através das tensões de pré-consolidação da Figura 20

apresentada por Wood (1992), em ensaios com amostras de solo praticamente

idênticas removidas da mesma profundidade, demonstra a superfície de escoamento

obtida através de ensaios triaxiais. Os pontos Y 1 , Y 2 e Y 3 das curvas da Figura 20

são os pontos de escoamento obtidos de ensaios de compressão isotrópica,

compressão confinada e ensaio triaxial convencional não drenado respectivamente.

No plano p’:q, os pontos Y 1 , Y 2 e Y 3 formam uma idéia da superfície de escoamento

ou pré-consolidação generalizada através das trajetória de tensões.

A mudança brusca em curvas obtidas através de planos p’:ε p e q:ε a , por

exemplo, indica a mudança de comportamento do solo podendo ser estimado o

ponto de escoamento no instante da mudança de direção da curva.

escoamento no instante da mudança de direção da curva. Figura 21 Curva tensão deformação e trabalho

Figura 21 Curva tensão deformação e trabalho (a) trabalho acumulado no plano σ a :ε a ; (b) escoamento deduzido pela variação de trabalho.

Fonte: Wood (1992)

Wood (1992) indica como uma alternativa, a consideração da energia

necessária para deformar uma amostra de solo, nota-se que na Figura 21 o ponto B

em ambos os gráficos indica o ponto de escoamento do material. O ponto B é

definido quando a energia necessária para deformar a amostra aumenta muito,

aumentando com isso a quantidade de tensão para deformar a amostra. O valor do

44

trabalho realizado por uma compressão uniaxial, definido pela área ilustrada na Figura 21(a), pode ser definido por:

W = (σ a .dε a )

(49)

Quando tratamos de trabalho em função de compressão triaxial tem-se que:

W = (σ 1 .dε 1 + σ 2 .dε 2 + σ 3 .dε 3 )

(50)

A derivação do uso do trabalho acumulado foi definida por Graham et al.

(1983, apud WOOD, 1992), ao definir o trabalho acumulado como uma quantidade

que incorpora os incrementos de deformação e a variável de tensão, um escalar “s”

definido por:

δs = (δp’ 2 + δq’ 2 ) 1/2

(51)

No plano W:s, a mudança da inclinação da curva indica o ponto de

escoamento. Wood (1992), afirma que a superfície de escoamento

A superfície de escoamento dos solos quando analisada no plano

desviatório, em comparação com os metais, sofre grande influência de p’ sofrendo

incrementos mesmo quando a tensão desviatória q’ é nula.

Ao desenvolvimento da teoria da plasticidade estão ligados nomes como os

de Tresca, Saint-Venant, Lévy, Boussenesq, Prandtl, Kármán, Hebcky, Reissner, Jürgenson, von Mises, Sokolovski, Nádai, Prager, Drucker, Hogde entre outros, que

produziram variados critérios e soluções como (CAPUTO,1988):

Critério de ruptura de Mohr: este critério supõe que a tensão de ruptura equivale à tensão de cisalhamento correspondente a ruptura do material ou ao início

do seu comportamento inelástico;

Critério de ruptura de Mohr-Coulomb: determina que a ruptura ocorre

quando a tensão de cisalhamento iguala a resistência ao cisalhamento definida pela

reta de Coulomb; Teorema dos estados correspondentes: considera, no estudo do equilíbrio

dos maciços terrosos, que um maciço terroso pode ser relacionado à um maciço

pulverulento sob as mesmas condições e características; Equações de Kötter e Sokolovski: constituem as bases das soluções teóricas

de problemas ligados à fundações, taludes e muros de sustentação; Teoremas de colapso plástico: determina uma importante formulação

chamada de análise-limite nos casos estáticos e cinemáticos, através da análise de soluções-limites inferiores e superiores.

45

As mais variadas soluções, equações, critérios e teoremas relacionados à plasticidade e à elasticidade contribuíram para o desenvolvimento da mecânica dos solos. Os métodos de análise e simulação do comportamento dos solos foram desenvolvidos através dos conceitos anteriormente citados, sendo possível atualmente a solução de problemas geotécnicos através do método de elementos finitos ou elementos discretos. A busca por aferição dos métodos de modelagem é constante e deve ser tratada individualmente para cada solo, pois como citado anteriormente a anisotropia dos solos é extremamente ampla. Deve-se notar que os solos, a não ser no caso de solos especiais, não apresentam características puramente elásticas ou puramente plásticas. O modelo de comportamento elastoplástico aproxima-se consideravelmente ao comportamento de solos argilosos. Apesar da aproximação considerável do comportamento elastoplástico, os solos ainda apresentam deformações com cargas constantes ao longo do tempo, ou seja, apresenta um comportamento viscoso melhor estudado pela reologia.

2.5. MODELOS ELASTOPLÁSTICOS

A aplicação de modelos teóricos de comportamento ou constitutivos, segundo Ortigão (2007), a materiais reais é uma arte, pois tais modelos só existem na imaginação, já que os solos demonstram grandes dificuldades para um tratamento tensão deformação, devido à não-linearidade acentuada, à histerese e à plastificação a partir de certa deformação. A busca deve ocorrer com o intuito de se determinar o modelo mais simples possível, porém com a máxima precisão para a aplicação desejada (Figura 22).

46

46 Figura 22 Comportamento da tensão-deformação dos solos (a) elástico-linear; (b) elás tico não-linear; (c)

Figura 22 Comportamento da tensão-deformação dos solos (a) elástico-linear; (b) elástico não-linear; (c) histerese; (d) elastoplástico .

Fonte: Ortigão (2007)

Como visto anteriormente, a teoria da elasticidade formada pela Lei de

Hooke é utilizada para materiais elásticos lineares que não apresentam histerese.

Como o solo apresenta comportamento elástico somente em níveis de tensão muito

baixos, não é possível utilizar esse modelo quando o fator de segurança é baixo, ou

seja, níveis de tensão mais altos. Apesar da simplicidade do modelo e seus cálculos

e de dispor de soluções fechadas, a análise de situações com níveis de tensão altos

sugere o uso de análises diferentes do modelo elástico-linear, ou seja, métodos

numéricos como o dos elementos finitos.

Uma alternativa, para configurações onde não pode-se adotar a linearidade

da curva tensão-deformação, é a utilização de incrementos de tensão, alterando o

módulo de Young a cada segmento (ORTIGÃO, 2007).

O trabalho desenvolvido na década de 70, pela Universidade de Cambrigde,

mudou o panorama dos modelos elastoplásticos. O comportamento do solo é

representado por um trecho inicial elástico-linear até o ponto do escoamento e após

esse ponto são consideradas as deformações como plásticas ou irreversíveis

acrescidas das deformações elásticas (ORTIGÃO, 2007).

Os primeiros autores a proporem uma função de plastificação para os solos

foram Drucker e Prager (1952, apud LODI, 1998), idealizados como um material

47

elastoplástico perfeito. A função é derivada do critério de Mohr-Coulomb, sendo expressa por:

F(I,J) = (J) 1/2 - αI – k

(52)

Onde α e k são constantes características do solo e assemelham-se ao

ângulo de atrito do solo e coesão respectivamente, já a componente ‘J’ é o segundo invariante de tensões e é definido como:

J =

(σ a σ r ) 2

3

=

q

2

3

3

(53)

E ‘I’ é o primeiro invariante de tensor desviatória sendo definido como:

I = σ a + 2σ r = 3p

(54)

Os critérios de ruptura de Drucker-Prager e de Mohr-Coulomb utilizados

como potencial plástico determinam previsões de expansões exageradas, ou seja,

de vetores taxa de deformação plástica com componente volumétrica negativa (LODI, 1998). Como o critério de ruptura de Drucker-Prager considera o material

com um comportamento elastoplástico perfeito, este descarta o encruamento sofrido pelo solo e ignora os eventuais deslocamentos das superfícies de plastificação até a

superfície de ruptura.

Os modelos elastoplásticos apresentam divergências na forma de

representar o comportamento plástico e identificar o ponto de escoamento, porém todos os modelos apresentam semelhança baseada em hipóteses restritivas como

exclusão da variável tempo, ductilidade ilimitada e temperatura constante e

homogênea. A deformação resultante do histórico de carregamento, nos modelos

elastoplásticos, não é dependente da velocidade de deposição da carga, sendo

assim o comportamento puramente elástico independe do tempo pois independe do

programa de tensões e deformações anteriores. Entretanto o comportamento

plástico é dependente do histórico de carregamento representado pelos valores de parâmetros de endurecimento plástico. Como a variável tempo é excluída da

modelagem, os fenômenos viscosos intimamente ligados à curva tensão- deformação como creep e relaxação ficam excluídos do modelo. Os modelos desconsideram a temperatura do processo, sendo assim o material apresenta temperatura constante e homogênea durante todo o processo. As

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equações do modelo não contêm informações sobre a ductilidade do material, ou seja, a ruptura do material não é evidenciada. Segundo Lodi (1998) a envoltória de resistência de Mohr-Coulomb ou de qualquer outra superfície usada para definir estados de ruptura, é somente uma

coleção de pontos finais, não sendo um superfície de escoamento completa, ou seja, é apenas uma superfície de escoamento obtida para uma condição última.

A forma como ocorre a evolução da superfície de plastificação com o

acréscimo das deformações plásticas é uma característica importante dos modelos

elastoplásticos. A forma mais comum de endurecimento adotado nos modelos, é o isotrópico, onde o centro da superfície de plastificação mantém-se sem deslocamentos após sucessivos encruamentos (LODI, 1998).

O modelo elastoplástico Cam-clay, desenvolvido por Roscoe com o grupo de

Mecânica dos Solos da Universidade de Cambrigde, une a teoria dos modelos elastoplásticos com os conceitos de estado crítico de um solo.

2.6. MECÂNICA DOS ESTADOS CRÍTICOS

Os solos quando submetidos a análise tendem, ao final do ensaio, a um estado estável com grandes deformações, sem que a resistência e o índice de vazios sofram variações. Conforme Ortigão (2007) o estado em que o solo sofre deformações com os valores de resistência e índice de vazios constante é chamado de estado crítico, sendo expresso algebricamente por:

δq

δp’

δe

 

=

=

=

0

δε 1

δε 1

δε 1

(55)

Pode ser representado no diagrama tipo MIT por:

δt

δs’

δe

 

=

=

=

0

δε 1

δε