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A vida de uma operária têxtil mais velha…tantas vidas numa só! Promoção de um Envelhecimento Ativo

A vida de uma operária têxtil mais velha…tantas vidas numa só!

Promoção de um Envelhecimento Ativo

Luís Filipe Cruz da Costa Silva Pinto N.º 12803

Índice

•Aspetos de âmbito preambular •Descrição breve da entrevista •Trabalhadores mais velhos e envelhecimento ativo •Papel da demografia no envelhecimento •O envelhecimento no local de trabalho •Projetos na Europa Comunitária para trabalhadores mais velhos •O local de trabalho para um trabalhador mais velho •Conclusões inacabadas •Bibliografia

Aspetos de âmbito preambular

análise de uma entrevista a uma operária têxtil quase em fim de jornada laboral

setor que já foi determinante

de 1988 a 2008 deu-se em Portugal um importante salto nos âmbitos da feminização, escolarização e terciarização das atividades laborais

Setor secundário diminuiu de 34,6% para 29,3% setor terciário teve grande crescimento, passando de 44,5% para 59,3% (Prodata) feminização do trabalho passou de de 50,7% para

56,2%

diminuição nos homens dos 74,6% para os 69,5% (Prodata)

Alguns aspetos de âmbito preambular

Escolarização: nos anos 80, as mulheres tornaram-se a maioria na universidade

No ensino básico, onde se insere a operária, houve uma diminuição dos 82,3% para os 58,3% deve-se ao facto das mulheres se escolarizaram mais apresentando-se nesse período de 20 anos importantes aumentos, no ensino secundário dos 8,3% para os 23,8% e no superior dos 2,5% para os 16,7% (2008), quando nos homens universitários esses números se situavam em apenas 11,8% no ano de 2008 (GEP – MTSS)

Descrição breve da entrevista

Operária têxtil, 57 anos, trabalha em Viana do Castelo

Casada, com 2 pessoas dependentes no seu agregado familiar de baixo rendimento: 1 filho desempregado com 33 anos e a mãe com 80 e alguns problemas de saúde

trabalha numa fabrica de confeções desde 1975

O trabalho e a família são o centro da sua vida

Tem poucos tempos de lazer e não faz férias fora do seu âmbito familiar

Não tem problemas de saúde de maior, contudo sente-se já muito cansada

Trabalhadores mais velhos e envelhecimento ativo

São ainda pouco frequentes os estudos da combinação entre as categorias de idoso e trabalhador, no que diz respeito à política e também à investigação

O envelhecimento ativo como preocupação central

OMS (2005) define “o envelhecimento ativo como o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas”.

pessoas com mais de 55 anos e até mesmo antes desse período, que ainda se encontram a trabalhar, esperam ter uma velhice com qualidade de vida, com autonomia e também independente.

Trabalhadores mais velhos e envelhecimento ativo

Fatores que acompanham o envelhecimento e podem condicionar a qualidade de vida dos idosos que trabalham (OMS, 2002):

Carga dupla de doenças Maior risco de deficiência

Providenciar cuidados às populações em processo de envelhecimento

Prevalência de pessoas do sexo feminino Ética e iniquidades

Economia de uma população em processo de envelhecimento

Criação de um novo paradigma

Papel da demografia no envelhecimento

Mudanças que afetam os trabalhadores mais velhos:

O aumento da longevidade, a idade, os efeitos de coorte e fertilidade; da globalização; das pressões económicas sob os fundos sociais, o abaixamento do valor das pensões; as mudanças legislativas e as tendências de responsabilização individual ao desonerar o estado pelos assuntos relativos às questões sociais e, finalmente, refiram-se as mudanças da natureza do trabalho, as atitudes face ao trabalho e as formas de trabalho.

No contexto europeu, o aspeto legislativo varia de país para país, que tal como em outras áreas, não fala a uma só voz

dificuldades a nível demográfico: baixo nível de natalidade e o crescente envelhecimento de uma vasta maioria da sua população

Papel da demografia no envelhecimento

Os “baby boomers” que estão nos 40 e 50 anos, bem como aqueles que agora têm de 55 a 64 anos e ainda estão a trabalhar, irão constituir uma força extraordinária que não se pode ignorar e torna urgente a preocupação do estabelecimento de verdadeiras políticas de envelhecimento ativo.

nesta coorte existe gente mais saudável, diversa e melhor educada que as gerações prévias.

melhor nível de educação está estreitamente ligado com melhores oportunidades de trabalho, estando a sociedade do conhecimento em permanente transição para um elevado nível tecnológico e tendo maior sucesso precisamente aqueles que são mais especializados (Czaja,

2007)

O envelhecimento no local de trabalho

existe a preocupação de alguns países comunitários (Noruega, a França e a Espanha) que estão atentos a estas mudanças e implementam diplomas legais que se destinam ao grupo etário em situação de pré-reforma dos 50 e mais anos, encorajando tanto trabalhadores como empregadores para que se mantenham nos seus postos de trabalho, através de uma série de medidas de benefício e suporte financeiro que favorecem os empregadores por manterem os trabalhadores mais velhos nos seus postos de trabalho.

O envelhecimento no local de trabalho

Em Portugal, foram, em 2009, extraordinariamente legisladas medidas excecionais de apoio ao emprego e à contratação, que incluíam os trabalhadores mais velhos. Tal deveu-se apenas ao agravamento da situação económica e não à condição concreta desses trabalhadores. Essa medida legislativa foi a Portaria n.º 130/2009, de 30 de Janeiro, com as alterações introduzidas pela Declaração de Retificação n.º 13/2009 de 10 Fevereiro.

Projetos na Europa Comunitária para trabalhadores mais velhos

O projeto 50+ Europe é financiado pela Comissão Europeia através do programa Leonardo Da Vinci. Tem como finalidade encontrar estratégias para ultrapassar barreiras de emprego após os 50 anos de idade e abrange vários aspetos deste grupo etário, com uma enfase especial no trabalho. É composto por um conjunto de países pra além dos três que já mencionámos acima também pelo Reino Unido e Polonia.

o Intergenerational Portfolio Management, que se destinava aos Enfermeiros, explorando os assuntos comuns que diziam respeito tanto aos mais novos como aos mais velhos, de forma a oferecer uma extensão de vida profissional aos enfermeiros mais velhos, sendo o treino o aspeto saliente. Cinco países faziam parte deste projeto: a Áustria, a Checoslováquia, a Grécia, a Holanda e o Reino Unido.

O local de trabalho para um trabalhador mais velho

O Relatório da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, denominado: Evolução ao longo do tempo: Primeiras conclusões do quinto Inquérito

Europeu sobre as Condições de Trabalho, diz-nos que aproximadamente 60% dos trabalhadores da Europa Comunitária consideram que se poderiam manter no seu local de trabalho aos 60 anos de idade, embora haja algumas discrepâncias percentuais relativamente às diferentes profissões nomeadamente à menor popularidade entre trabalhadores com qualificações mais baixas.

O local de trabalho para um trabalhador mais velho

Segundo Nilson (2013) há uma questão que um trabalhador mais velho se põe a si mesmo num determinado momento da sua vida laboral:

Eu posso trabalhar até ... Eu quero trabalhar até ...

O local de trabalho para um trabalhador mais velho

Entre estes dois grandes aspetos do poder (P) e do querer (Q) há uma série de variáveis, sendo que algumas delas são comuns aos dois aspetos e pensamos que nos podem oferecer uma visão muito abrangente e modelar, o que nos permitirá entender melhor esta problemática:

Competências e habilidades (P) Ritmo de trabalho e horário (P) Aspetos mentais do ambiente de trabalho (P)

Aspetos físicos do ambiente de trabalho (P)

Saúde (P- Q) Incentivos económicos (P- Q) Família, lazer e socialização (P- Q) Atitudes das entidades patronais/organização (Q) Motivação e satisfação laboral (Q)

Conclusões inacabadas

Recomendações de âmbito politico das Condições de Trabalho de uma Força de Trabalho em Envelhecimento (Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e Trabalho):

Trabalho a tempo parcial Disposições mais flexíveis no horário de trabalho Criar formas de promover uma participação mais generalizada de trabalhadores mais velhos Monitorizar o nível de exposição a riscos físicos Oportunidades de formação idênticas aos mais novos Melhoria das condições de trabalho, ergonómicamente apropriadas

O local de trabalho adaptado a uma força de trabalho envelhecida

Bibliografia

Condições de trabalho de uma força de trabalho em envelhecimento, Fundação Europeia

para a Melhoria das Condições de Vida e Trabalho, 2008 Maio http://www.eurofound.europa.eu/publications/htmlfiles/ef0817.htm

Czaja, S. J. (2007) Productivity and Age, University of Miami Miller School of Medicine (Eds), Birren Encyclopedia of Gerontology, 2 ed. (384-391), Miami

Doppler, F. (2007) Trabalho e saúde. Falzoni (ED), P. Em Ergonomia, Editora Bludrer, São Paulo Envelhecimento ativo: uma política de saúde / World Health Organization; tradução Suzana Gontijo. – Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005 Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP- MTSS) http://www.gep.msss.gov.pt/ Intergenerational Portfolio Management, 2006 http://www.adam-europe.eu/adam/project/view.htm?prj=2560

Legislação:

- Lei do Trabalho: Lei no 7/2009, de 12 de Fevereiro e Lei no 47/2012, de 29 de agosto

- Portaria n.º 130/2009, de 30 de Janeiro, com as alterações introduzidas pela Declaração de Retificação n.º 13/2009 de 10 Fevereiro

Nilsson, K. (2012) To work or not to work in an extended working life? Factors in working and retirement decisions, Lund University. Retrieved from

Observatório da Desigualdade: http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/ Prodata: http://www.pordata.pt/ Projeto 50+ Europe, 2004