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A pantera entre historiadores:

contribuições de Michel Foucault para


a historiografia
Prof. Dr. Fábio Leonardo Castelo Branco Brito
(UFPI/CSHNB/PPGHB)
 “Você não está seguro do que diz? Vai novamente mudar,
deslocar-se em relação às questões que lhe são colocadas,
dizer que as objeções não apontam realmente para o lugar em
que você se pronuncia? Você se prepara para dizer, ainda uma
vez, que você nunca foi aquilo que era você se critica? Você já
arranja a saída que lhe permitirá, em seu próximo livro,
ressurgir em outro lugar e zombar como o faz agora: não, não,
eu não estou onde você me espreita, mas aqui de onde o
observo rindo.”
Objetivos do minicurso
 Primeiro dia – Discutir a configuração da vida e da obra de
Michel Foucault, fazendo uma história das suas formas de
pensamento, fases, metamorfoses, continuidades, contradições
e rupturas.

 Segundo dia – Analisar a relação construída entre Michel


Foucault, a história e os historiadores, observando as tensões,
provocações, respostas, bem como a influência exercida pelo
autor na historiografia brasileira posterior à década de 1980.
Michel Foucault entre nós
 “Ele me escapava [...]. Sua pessoa escapava em todos os sentidos.
Tenho a impressão de saber tudo sobre ele e ao mesmo tempo de não
saber nada.” (Georges Dumézil sobre Michel Foucault)

 Os “maus costumes” de Michel Foucault.

 O nascimento, as primeiras experiências pessoais e intelectuais, a AIDS.

 Michel Foucault e seu sorriso de Mona Lisa.


Michel Foucault entre nós
 A relação entre filosofia e homossexualidade – em que medida a sexualidade de
Michel Foucault demarca a sua obra?

 A recepção de Michel Foucault e a sua leitura ao longo do tempo.

 A recepção de Michel Foucault no Brasil – a leitura a partir da experiência


marxista e de uma parcela da intelectualidade vinculada à Igreja Católica, sua
inicial articulação à obra de Edward Palmer Thompson e a posterior
desvinculação.

 Amizades e relações intelectuais – Georges Dumézil, Gilles Deleuze e Paul Veyne.


As três fases da obra de Michel
Foucault
 A maior parte dos especialistas fala em três fases ou etapas, conhecidas pelas
denominações de arqueologia, genealogia e ética.

 Arqueologia – A busca por estabelecer um estudo arqueológico do próprio saber,


observando a historicidade dos saberes.

 Genealogia – O desejo por pensar um estudo sistemático da conformação dos


poderes, objetivando perceber de que forma se construíram os instrumentos de
disciplinação e docilização dos corpos.

 Ética – A análise se direciona para a emergência de um conjunto de técnicas de si,


de usos dos prazeres e de políticas da amizade.
As três fases da obra de Michel
Foucault
 Como Gilles Deleuze sugeriu, a cada fase pode-se fazer corresponder uma das
perguntas fundamentais que norteavam Michel Foucault:

 Que posso saber?

 Que posso fazer?

 Quem sou eu?

 A cada fase corresponde um problema principal colocado pelo filósofo e uma


correlata metodologia.
As três fases da obra de Michel
Foucault
 Os três eixos propostos, segundo o critério ontológico de Miguel Morey
(1991):

 Ser-saber – Como nos tornamos o que somos como sujeitos do


conhecimento.

 Ser-poder – Como nos tornamos o que somos como sujeitos de ação.

 Ser-consigo – Como nos tornamos o que somos como sujeitos


constituídos pela moral.
A fase arqueológica ou o ser-saber
 A percepção da historicidade dos saberes, retirando-os do estado de natureza.

 A percepção de que a história, pensada arqueologicamente, pode ser cortada


em qualquer lugar, não havendo necessidade de fazê-lo a partir de
demarcações anteriores.

 São os problemas que demarcam a historicidade das coisas e não os recortes


previamente definidos.

 A substituição do conceito de ciência pelo de episteme.


A fase arqueológica ou o ser-saber
 História da loucura na Idade Clássica (1961).

 Nascimento da clínica (1963).

 As palavras e as coisas (1966).

 Arqueologia do saber (1969).


A fase genealógica ou o ser-poder
 A busca por perceber, à luz da Genealogia da moral, de Friedrich Nietzsche, a
constituição dos próprios poderes.

 O saber é elaborado a partir de determinados lugares de poder que os


constituem.

 O saber médico, o saber jurídico, o saber religioso constituem também


instâncias de poder.

 Influências de Friedrich Nietzsche no pensamento sobre de uma história que


escapasse às origens.
A fase genealógica ou o ser-poder
 A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France, proferida
em 2 de dezembro de 1970 – aula que Michel Foucault profere ao
assumir a cadeira de História das formas de pensamento, outrora
ocupada pelo seu antigo professor Jean Hyppolite.

 A criação do Grupo de Estudo sobre as Prisões.

 Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, meu irmão e minha irmã
(1973)
A fase genealógica ou o ser-poder
 Vigiar e punir (1975), um estudo sobre a violência nas prisões e dos
instrumentos que buscavam disciplinar os corpos, visando
transformá-los em corpos dóceis.

 O modelo do panóptico de Jeremy Bentham e o panoptismo em


nossa sociedade.

 A publicação do primeiro volume de História da sexualidade,


intitulado A vontade de saber (1976), e a percepção da sexualidade
como algo interditado em nossa sociedade.
A fase da ética ou o ser-consigo
 A proposta inicial de publicação de seis volumes de História da sexualidade.

 A ampliação do interesse de Michel Foucault ampliou-se e deslocou-se para


o chamado “substrato histórico” do pensamento moderno sobre a
sexualidade, a sexualidade da antiguidade greco-romana.

 Momento de combinação entre arqueologia e genealogia.

 A emergência, no Ocidente, de uma moral sexual, e, no Oriente, de uma


arte erótica.
A fase da ética ou o ser-consigo
 História da sexualidade, em seu segundo volume, O uso dos prazeres
(1984), e, em seu terceiro volume, O cuidado de si (1984), conformam-
se a partir da máxima délfica “conhece-te a ti mesmo” (gnothi seauton)
e do ascético “cuida de ti mesmo” (epimeleia heautou).

 O governo de si e dos outros, último curso ministrado por Michel


Foucault no Collège de France, e a parrésia, ou coragem da verdade.

 O direcionamento para a percepção do ethos neoliberal em Nascimento


da biopolítica (1978-1979).
Michel Foucault e a história
 A reação dos historiadores contra Michel Foucault – Jacques Leonard
e o texto Le historien et le philósophe (O historiador e o filósofo).

 A contra-reação de Michel Foucault – A poeira e a novem.

 A mesa-redonda de 20 de maio de 1978.

 Receitas de Michel Foucault para uma escrita subversiva da história.


Michel Foucault e a história
 Michel Foucault e a questão do objeto em história.

 Michel Foucault e a história diagnóstica do presente.

 O pensamento de Michel Foucault e o uso da arqueogenealogia


como metodologia de pesquisa em história.

 O sabor do arquivo e o trabalho com séries de documentos.


Michel Foucault e a história
 Michel Foucault e Gilles Deleuze – verdade e poder – o uso da
teoria como uma caixa de ferramentas.

 O efeito da obra de Michel Foucault na historiografia brasileira.

 Como podemos pensar a obra de Michel Foucault como


instrumento para discutir os nossos objetos de estudo?