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Ms.

Maíra Cordeiro dos Santos (UFPB)


mairacordeiroadv@gmail.com
Ementa
 Crise do Estado brasileiro, federalismo e
impacto sobre a Educação. Análise da
formulação, execução, e resultados de
políticas educacionais. Alocação dos
recursos educacionais: eficiência e
eqüidade. Crescimento econômico,
distribuição de renda e Educação.
Tópicos
 1 - Industrialização, crescimento da classe trabalhadora e
conflito de classes: origem e desenvolvimento das
políticas sociais setoriais. Capitalismo, socialismo e
política social. Sociedade pós-industrial e teoria da
convergência.

 2 - A política social articulada pelo Estado capitalista


moderno. Social-democracia no emprego e consumo de
massa - condições de Bem Estar Social.

 3 - Mercado capitalista e serviços públicos.


Corporativismo e elaboração da política. Classe social e
cidadania.
Tópicos
 4 - Função integradora e redistributiva do Estado de
Bem Estar: a proteção ao trabalho assalariado e a
questão da legitimação. Contradições do Welfare
State.

 5 - Crise do Estado de Bem Estar? A questão da


equidade. Racionalidade divergente na ação
administrativa. A questão público/privado.

 6 - Desenvolvimento tecnológico e crise do modelo. A


ideia de justiça e o igualitarismo moderno em xeque. A
viabilidade de um modelo "ajustado" de Estado de Bem
Estar. Perspectiva alternativa ou esgotamento da
energia utopia?
Divisão da disciplina
 1. Teoria política
 2. Estado brasileiro contemporâneo
 3. Estado e políticas sociais no Brasil
 4. Educação e sua Importância Social: um
breve relato
 5. Estado, globalização e políticas
educacionais
Textos-base
 1. O Estado brasileiro contemporâneo 
Guilherme Henrique de La Rocque Almeida;
 2. Estado e políticas sociais no Brasil:
formas históricas de enfrentamento a pobreza
 Cleonilda Sabaini Thomazini Dallago;
 3. Estado, globalização e políticas
educacionais: elementos para uma agenda
de investigação  Almerindo Janela Afonso;
 4. Políticas educacionais contemporâneas:
tecnologias, imaginários e regimes éticos
 Maria Manuela Alves Garcia
1. Teoria política
 Por que existe a política?
 Por que as pessoas submetem-se aos
regimes políticos?

Política: administração com vistas à


previsibilidade, segurança e esperança

Escassez Natureza
Conflito
de sociável
humano
recursos do homem
1.1 Teóricos do pensamento político
moderno (Iluminismo)
 Autores contratualistas  Hobbes, Locke e
Rousseau;
 Os autores entendem três momentos:
 1. Sem Estado  estado de natureza -
cada pessoa por si;
 2. Criação do Estado  pacto ou
contrato social;
 3. Estado de Sociedade civil  Estado
administrando a sociedade.
1.1.1 Hobbes
 ESTADO DE NATUREZA:
 Os homens são maus por natureza.
 O estado de natureza, portanto, é
marcado pelo conflito entre as pessoas
 estado de guerra de todos contra
todos, decorrente do direito natural à
vida;
 Não há leis ou poder.
1.1.1 Hobbes
 ESTADO DE SOCIEDADE
 Contrato social  Estado 
manutenção da vida e segurança;
 O indivíduo transfere seus direitos ao
estado, ou seja, os direitos não
pertencem mais a ele;
 Propõe um estado absolutista  a
função maior é a segurança.
1.1.2 Locke
 ESTADO DE NATUREZA
 O homem não é bom nem ruim, mas tem uma
tendência a ser bom;
 Direitos naturais  vida, propriedade privada
e punição;
 Os homens são regidos pelas leis da natureza
e leis de Deus;
 Falta ao estado de natureza  1. leis criadas
pelos seres humanos (consentimento mútuo);
2. juízes imparciais; 3. poder coercitivo
1.1.2 Locke
 ESTADO DE SOCIEDADE
 O Estado visa garantir a boa vida que o
homem já possui no estado de natureza  a
base é o consentimento;
 O Estado é dotado de força para cumprir as
determinações. O indivíduo cede seus direitos
naturais para o Estado agir em seu nome
 Limite do Estado  separação entre poderes
 Democracia representativa  eleições
 O Estado só intervém em caso de conflito
1.1.3 Rousseau
 ESTADO DE NATUREZA

 O homem é bom por natureza;


 O homem não é sociável;
 O homem vive isolado ou em pequenos
grupos;
 Não há integração social
1.1.3 Rousseau
 ESTADO DE SOCIEDADE
 Passagem do estado de natureza para o
estado de sociedade é RUIM
 Encontro de grupos
 Surge a propriedade privada  desigualdades,
conflitos, falta de liberdade, preponderância
econômica

 “O HOMEM É BOM POR NATUREZA, MAS A


SOCIEDADE O CORROMPE”
1.1.3 Rousseau
 CONTRATO SOCIAL
 Passagem do estado de sociedade para o
contrato social é BOM;
 Critica a democracia representativa;
 Democracia direta  plebiscito e referendo;
 Perspectiva sociológica  analisa as
contradições e conflitos sociais no Estado

BOM RUIM BOM

• Estado de • Estado de • Contrato


natureza sociedade social
2. Estado brasileiro
contemporâneo

Tipos de Estado
Estado de
bem estar
Corporativo Social Neoliberal Reformado
(Welfare
State)
2.1 Estado corporativo
(Almeida, 2000)

 O Estado possui elevada autonomia frente à


sociedade;
 Há uma competição limitada entre um pequeno
grupo de organizações fortemente centralizadas, as
quais detém o monopólio da representação;
 Essas organizações são constituídas
compulsoriamente e seus membros estão a ela
vinculados;
 O Estado interfere diretamente no seu
funcionamento, tornando-as quase públicas, e as
relações entre elas são estáveis e obedecem a uma
lógica de atender a interesses mútuos.
 A partir dessas premissas,
pode-se definir
corporativismo como
sendo um sistema de
representação de
interesses que se
distingue do pluralismo na
medida em que é
constituído por unidades
não-competitivas,
oficialmente sancionadas
e supervisionadas pelo
Estado.
 Para os estruturalistas, corporativismo é "um
sistema de representação de interesses cujas
unidades constituintes são organizadas em um
número limitado de entidades singulares,
compulsórias, não competitivas,
hierarquicamente ordenadas e funcionalmente
diferenciadas, reconhecidas ou licenciadas
(quando não criadas) pelo Estado, às quais é
concedido monopólio de representação dentro
de sua respectiva categoria em troca da
observância de certos controles na seleção de
seus líderes e na articulação de demandas e
suporte" (Schmitter, apud Araújo e Tapia, obra
citada).
 Exemplos: A partir dos regimes socialista
(URSS), fascista, nazista, franquista,
salazarista, varguista e militares na
América Latina (anos 60 a 80), Stepan
distingue dois subtipos: o inclusivo (que
incorpora política e economicamente
setores significativos da classe
trabalhadora) e o excludente (assentado na
repressão e na utilização de estruturas
corporativas para desmobilizar e submeter
a classe trabalhadora).
2.2 Estado de Bem-Estar Social
 Segundo Wilenski (apud Pimenta
de Faria, 1998), "a essência do
Estado do Bem-Estar Social
reside na proteção oferecida pelo
governo na forma de padrões
mínimos de renda, alimentação,
saúde, habitação e educação,
assegurados a todos os cidadãos
como um direito político, não
como caridade". Esse modelo
estatal seria a institucionalização
dos direitos sociais.
 O welfare state não só aplica políticas visando
melhorar as condições sociais de sua
população, como ataca outras questões como
o desemprego, a melhoria dos salários, o
controle macroeconômico, etc. Assim, o
Estado de Bem Estar Social é bem mais do
que um Estado que aplica política sociais.

 Contexto histórico  Primeira Guerra Mundial,


Crise de 1929, Segunda Guerra Mundial
2.2.1 Causas do surgimento do
Welfare Satate
 a) existência de excedentes econômicos
passíveis de serem realocados pelo Estado
para atender às necessidades sociais;
 b) o Keynesianismo, que forneceu a base
teórica;
 c) a experiência de centralização
governamental durante a 2ª Guerra Mundial,
que propiciou o crescimento da capacidade
administrativa do Estado.
2.2.2 Teorias para explicar o surgimento e
desenvolvimento do Estado de Bem-Estar
Social

 Teoria da convergência ou lógica da


industrialização: defende que o Estado passou a
garantir um padrão mínimo de vida quando as
instituições que tradicionalmente
desempenhavam esse papel perderam a
capacidade para desempenhá-lo;
 Perspectiva dos serviços sociais: defende que a
adoção de políticas sociais decorre, em grande
parte, dos problemas decorrentes da
industrialização.
 Teoria da cidadania: seu maior expoente, T. H.
Marshall, concentrou-se na análise do
desenvolvimento dos três componentes da
cidadania moderna – direitos civis, políticos e
sociais – na Inglaterra.
 Marxismo: afirma que o welfare state surgiu
devido à natureza competitiva da dinâmica
político-partidária das democracias de massa,
que obrigou os partidos políticos a buscarem o
máximo de apoio eleitoral.
 Funcionalismo: assim como o marxismo
defende que os programas sociais procuram
gerar a harmonia social, aprimorando as
aptidões dos trabalhadores e garantindo a eles
um certo bem-estar.
2.2.3 Modelos de Welfare State
 Bismarckiano: implementado na Alemanha no final do século
XIX pelo Chanceler Bismarck, caracteriza-se por ser seletivo,
corporativo e fortemente associado à ideia de seguridade
social.
 Beveridgeano: implementado na Inglaterra, após a 2ª Guerra
Mundial, por Sir William Beveridge, visou integrar os
mecanismos de seguridade social, disponibilizar benefícios e
serviços para todos os cidadãos (sistema universal e
uniforme), promover a solidariedade, compensar os indivíduos
por perdas salariais e amenizar as crises econômicas.
 Residual, Produtividade e Desempenho Industrial e
Redistributivo Institucional: propostos por Richard Titmuss,
visam defender a intervenção do Estado, fomentar a ética do
trabalho, ressaltar o papel da família e destacar que os
parâmetros econômicos não devem ser as únicas medidas
para a provisão de bem-estar.
2.3 Estado Neoliberal
 Crise do estado de Bem-
Estar Social;
 Crise financeira dos
países;
 Precursor: Governo de
Margareth Thatcher, na
Inglaterra;
 A partir da década de
1980
 Abertura para empresas privadas;
 Menor participação na economia  liberdade
econômica
 Menor participação do estado nos serviços
sociais
 Privatização de empresas estatais
Neoliberalismo no Brasil
 Governo de Fernando Henrique Cardoso –
década de 1990;
 Aumento da dívida externa;
 Domínio do FMI - Banco Mundial;
 Diminuição dos direitos sociais;
 Redução dos gastos e do déficit público;
 A primazia do mercado na alocação de
recursos ;
 A busca da eficiência.
2.4 Estado Reformado
 O Estado deve ser reformado por ter fracassado
na sua função básica de oferecer serviços
públicos essenciais de qualidade à toda a
população;
 Além disso, ressaltam a importância da crise
fiscal que impossibilita os governos de efetuar
investimentos em volume suficiente para diminuir
significativamente o desemprego e a recessão.
 os objetivos da reforma seriam  controlar de
forma austera as finanças públicas, desenvolver
a capacidade administrativa dos gestores
públicos, melhorar a qualidade dos serviços
oferecidos à população e satisfazer o cidadão.
Por outro lado, vários autores afirmam que a
reforma do Estado resulta, no plano externo,
de pressões do mercado internacional cada
vez mais poderoso devido à globalização e,
no plano interno, da necessidade de enfrentar
a crise econômica e consolidar a democracia.
É necessário o fortalecimento dos
mecanismos de representação e participação
da sociedade, a ampliação e o
aperfeiçoamento dos instrumentos de
controle externo da burocracia e o
estabelecimento de canais permanentes de
negociação entre governo e sociedade civil.
3. Estado e políticas sociais no
Brasil (Dallago, 2007)

 No Brasil, as políticas sociais têm sua


origem estreitamente ligada ao
desenvolvimento urbano industrial que,
aliado à expansão urbana, agravou a
“questão social”  o crescimento da
pobreza, do desemprego e da exclusão
com privações social, econômica, cultural
e política para a classe que vive do
trabalho, desigualdade econômica e social.
3.1 Política social: concepções
liberal e dialética
 Segundo Galper (1986), a política social na concepção
liberal gera:
 a ideia de intervenção coletiva ou estatal no mercado
privado para promover o bem estar individual e social;
 tem provisão e oferta de serviços sociais;
 sua técnica social é de caráter compensatório, preventivo
ou redistributivo.

 Para a concepção dialética, as políticas sociais:


 são estratégias governamentais de intervenção nas
relações sociais, na manutenção da desigualdade social;
 estratégias de controle da força de trabalho;
regulamentação de direitos sociais passíveis de absorção
pelo capitalista.
3.2 Políticas sociais
 Políticas sociais aparecem como projetos e
programas variados, implementados por
instituições, objetivando:
 minimizar as desigualdades sociais e a pobreza
decorrentes do modo de produção, com
estímulo do poder aquisitivo através de
benefícios monetários, durante períodos de
desempregos e/ou recessão;
 reprodução e manutenção direta da força de
trabalho;
 subsídios a salários baixos e irregulares.
3.3 Políticas sociais na ditadura
militar no Brasil
 Durante os anos da ditadura militar as
políticas sociais possuíram em seu interior o
objetivo de legitimação do sistema autoritário
vigente, com caráter fragmentário, setorial e
emergencial, se sustentava na necessidade
de dar legitimidade aos governos que
buscavam bases sociais para manter-se no
poder. Neste período, passava-se a ideologia
de que o desenvolvimento social seria
decorrente do desenvolvimento econômico.
3.4 Políticas sociais pós-1964
 Conforme afirma Vianna (1990, p. 8), “[...]
no pós-64, a intervenção social do Estado
ganhou dimensões e características
bastante nítidas, definindo um perfil
específico de política social, regido por
princípios ‘simples’ e coerentes com o
padrão excludente e conservador de
desenvolvimento econômico’’.
3.5 Políticas sociais no
neoliberalismo
Na década de 1990 assistimos a um
movimento de fortalecimento do paradigma
neoliberal, onde o Estado, que já não dava
respostas concretas às reivindicações
populares, afastou-se ainda mais de seus
deveres com a área social;
O Estado se minimiza sem se
responsabilizar pelas contradições sociais
exacerbadas pelo processo de globalização.
3.6 Políticas sociais no estado
contemporâneo
 No Brasil, apesar da mudança de partido político na
Presidência da República, as políticas sociais, ainda,
se caracterizam pela subordinação a interesses
econômicos e políticos;
 Acredita-se que existe a necessidade e a
possibilidade da unidade entre o econômico e o
social, instaurando novas capacidades nas políticas
sociais para enfrentar de forma apropriada a
desigualdade e a pobreza. Somente assim, se pode
pensar em políticas sociais que atentem para um
eixo central de dimensão universal e de
responsabilidade do Estado, comprometida com o
desenvolvimento econômico e social de caráter
democrático.
4. Educação e sua Importância
Social: um breve relato
 A antiguidade grega e romana é o berço
das primeiras teorias educacionais, com as
contribuições dos sofistas, Sócrates, Platão
e Aristóteles;
 Tanto os gregos como os romanos
representavam uma tendência
essencialista, cabendo à educação a
função de realizar o que o homem deve
ser.
 Na Idade Média a educação surge como instrumento
para um fim maior: a salvação da alma e a vida
eterna, predominando a visão teocêntrica;
 No Renascimento, com a ascensão da burguesia, a
educação que passa a ser almejada é aquela que
permita formar o homem de negócios e, ao mesmo
tempo, capaz de conhecer as letras greco-latinas e
de dedicar-se aos luxos e prazeres da vida. Continua
a ser excluída da educação a grande massa popular.
 A Idade Moderna (século XVII – 1789) assiste a uma
contradição até então desconhecida na educação: de
um lado existe a aspiração de uma pedagogia
realista e, em alguns casos, até universal; e de outro
a continuação do ensino conservador,
predominantemente nas mãos dos jesuítas.
 No século XIX, ainda que persista a tendência
individualista, surgem nítidas preocupações
com os fins sociais na educação e a
necessidade de preparar a criança para a vida
em sociedade, através da relação entre
educação e bem-estar social, estabilidade,
progresso e capacidade de transformação,
sobressaindo-se o interesse pelo ensino técnico
ou pela expansão das disciplinas científicas.
 O século XX foi marcado por profundas
mudanças sociais e econômicas. No campo da
educação, o modelo de escola tradicional
passou por inúmeras críticas, com tentativas de
mudanças e a crise da instituição escolar.
(Maria Lúcia de Arruda Aranha).
4.1 Educação no Brasil
 No início da colonização e da catequese, ainda no
século XVI, e no século XVII, a atuação dos jesuítas
na educação imprimiu de forma marcante o ideário
católico na concepção de mundo dos brasileiros e
consequentemente na tradição religiosa do ensino
que perdurou até a República.
 No século XVIII, indiferente às mudanças que vêm
ocorrendo na Europa, no Brasil persiste o
analfabetismo e o ensino precário, agravado com a
expulsão dos jesuítas e pela demora da reforma
pombalina.
 Durante esse longo período do Brasil colônia,
aumenta a divergência entre os letrados e a maioria
da população analfabeta.
 Primeiros cursos superiores: médico-cirúrgicos,
em 1808, jurídicos em 1827, engenharia civil em
1874. Mas a primeira universidade data de 1934,
no estado de São Paulo.
 No século XX, a educação persiste em grande
defasagem e muito afastada dos países mais
desenvolvidos. Apesar disso, nas últimas
décadas do século verifica-se uma grande
valorização dos estudos pedagógicos. Em vários
estados brasileiros educadores tentaram
implantar projetos inovadores, além de núcleos
de estudos e pesquisas, fecundando uma
geração de educadores capazes, inclusive, de
elaborar teorias adequadas à realidade
brasileira.
4.2 A Educação na Constituição
Federal de 1988
a) Educação infantil, em creche e pré-escola, às
crianças até 5 (cinco) anos de idade (redação
dada pela Emenda Constitucional nº 53, de
2006);
b) Privilegia a creche, o ensino infantil e
fundamental;
c) Estabelece a progressiva universalização do
ensino médio gratuito;
d) Constitucionaliza a autonomia universitária;
e) Estabelece a erradicação do analfabetismo e a
universalização do ensino fundamental;
f) Garante o ensino noturno regular;
g) Programa a assistência ao educando, prevendo
material didático-escolar, transporte,
alimentação e saúde;
h) Define o acesso ao ensino obrigatório como um
direito público subjetivo;
i) Promove a educação ambiental pelos níveis de
ensino e pela conscientização pública;
j) Prevê recursos financeiros em percentuais por
entes políticos constitucionais e muitas outras
prescrições.

(BOAVENTURA, Edivaldo Machado)


4.3 Outros direitos – CF 1988
a) Educação como direito social (art. 6º, caput);
b) Educação ambiental (art. 225, 1º, inciso VI);
c) Destinação por parte dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios de parte dos recursos
a que se refere o caput do art. 212 da
Constituição Federal à manutenção e
desenvolvimento da educação básica e à
remuneração condigna dos trabalhadores da
educação até o 14º ano de promulgação da
Emenda Constitucional nº 53 de 2006
(Disposições Transitórias, art. 60, caput,
combinado com o art. 214);
d) Imunidade tributária às instituições educacionais e de
assistência social sem fins lucrativos (art. 150, VI);
e) Programas de educação infantil e de ensino fundamental
(art. 30, VI com redação dada pela Emenda
Constitucional nº 53, de 2006);
f) Creches e pré-escolas (art. 7º, XXV, combinado com o art.
208, IV);
g) Garantia de acesso do trabalhador adolescente à escola
(art. 227, §3º, III);
h) Intervenção do Estado nos seus municípios quando não
tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal
na manutenção e desenvolvimento do ensino (art. 35, III);
i) Dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à
criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o
direito à vida, saúde, alimentação, educação (art. 227,
caput).
Recursos públicos em educação

 CF 1988 - Art. 212. A União aplicará,


anualmente, nunca menos de dezoito, e os
Estados, o Distrito Federal e os
Municípios vinte e cinco por cento, no
mínimo, da receita resultante de impostos,
compreendida a proveniente de
transferências, na manutenção e
desenvolvimento do ensino.
 A Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9394/96), por sua
vez, igualmente disciplina a aplicação dos recursos em
educação:

 Art. 68. Serão recursos públicos destinados à educação


os originários de:
 I - receita de impostos próprios da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios;
 II - receita de transferências constitucionais e outras
transferências;
 III - receita do salário-educação e de outras
contribuições sociais;
 IV - receita de incentivos fiscais;
 V - outros recursos previstos em lei.
FUNDEB
 Emenda Constitucional número 53, de 19 de
dezembro de 2006;
 Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007
 O FUNDEB promove a distribuição dos
recursos com base no número de alunos da
educação básica, de acordo com dados do
último Censo Escolar, sendo computados os
alunos matriculados nos respectivos âmbitos
de atuação prioritária (art. 211 da Constituição
Federal de 1988).
 Assim, os Municípios devem utilizar recursos do
FUNDEB na educação infantil e no ensino fundamental
e os Estados no ensino fundamental e médio, sendo:
 O mínimo de 60% na remuneração dos profissionais do
magistério da educação básica pública;
 O restante dos recursos em outras despesas de
manutenção e desenvolvimento da Educação Básica
pública.

 Em relação ao que se considera despesa com


manutenção e desenvolvimento do ensino estabelece a
Lei de Diretrizes e Bases em seus artigos 70 e 71.
Recursos que compõem o FUNDEB (20% +
complementação da União)
 ITCMD - Imposto sobre Transmissão causa mortis e doação, de
quaisquer bens ou direitos (Estadual)
 ICMS - Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de
Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transportes
Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (Estado)
 IPVA - Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores -
(Estadual)
 Competência residual (participação estadual)
 ITR - Imposto sobre a Propriedade
 Territorial Rural (participação municipal)
 FPE (Estado) e FPM (Município)
 IPIexp
5. Estado, globalização e políticas
educacionais
 Será possível construir com objectividade o objecto
políticas educacionais sem deixar de manter um
compromisso com as lutas sociais em torno dessas
mesmas políticas?
 Sociologia das políticas educacionais;
 A análise sociológica das políticas educacionais
continua a não poder abrir mão da referência ao
papel e à natureza do Estado nacional e às suas
relações com as classes sociais e a não dispensar,
portanto, o entendimento das especificidades
(culturais, sociais, políticas, económicas e
educacionais) que estão impregnadas da (e na)
história de uma dada formação social.
5.1 Novas propostas
 O Estado deve transferir responsabilidades e
funções para novos actores sociais e induzir,
por processos muito diferenciados, novas
representações e concepções em torno do
bem comum e do espaço público que
pretendem legitimar esse descentramento;
 Relações com o terceiro setor  criação de
um “espaço público não-estatal” com base na
complementaridade entre esse novo terceiro
setor e o Estado;
 Novas perspectivas  procuram equacionar
as políticas educacionais actuais
essencialmente por referência à ideia de um
“bem comum local”, que se traduziria na
conciliação entre o interesse público,
representado pelo Estado, e os interesses
privados, representados pelas famílias e
outras instituições, serviços ou actores locais;
 É também necessário discutir em maior
profundidade a valorização das redes (ou
parcerias) entre actores colectivos e o Estado
5.2 Globalização e Educação
 Para equacionar a relação da globalização com
a educação há pelo menos duas propostas
teóricas muito diferentes que podem ser
convocadas (Dale):
 1. Perspectiva dos institucionalistas do sistema
mundial  cultura educacional mundial comum
que se traduz num conjunto de recursos
imateriais disponíveis, partilhados por uma
comunidade internacional (mundial),
sobrepondo-se aos valores nacionais/locais, a
partir de organizações internacionais (OCDE,
Unesco, Banco Mundial, entre outras).
5.2 Globalização e Educação
 2. Perspectiva da agenda globalmente
estruturada para a educação  manutenção
e reprodução do sistema económico
capitalista e a posição hegemónica que nele
detêm os Estados mais poderosos – o que,
no entanto, não impede que se analisem as
especificidades dos processos nacionais na
procura das suas articulações com as
dinâmicas transnacionais e globais.
5.3 Análise sociológica das políticas
educacionais
 Numa análise sociológica mais complexa,
trata-se, acima de tudo, de verificar como é
que a natureza mutável da economia
capitalista, que constitui a força principal da
globalização, afecta os sistemas educativos,
tendo em conta, no entanto, que há efeitos de
mediação que se produzem nacionalmente e
que não são completamente independentes do
lugar e situação de cada país em relação a
essa mesma economia global (Dale, 2000).
5.4 Políticas Educacionais e estado
contemporâneo
 Durante a vigência e expansão do Estado-
providência, o contributo da educação
visava sobretudo o processo de
legitimação; na fase actual, a prioridade é
direccionada para o processo de
acumulação. O Estado actua agora tendo
como principal objectivo a competitividade
económica.
 Ênfase no ensino profissional e superior;
 Nova forma de actuação do Estado (Roger
Dale, 1998)  mostra que o que está em
causa é essencialmente uma redefinição de
prioridades relativas a cada um dos três
problemas centrais que têm caracterizado o
mandato para a educação nas sociedades
capitalistas democráticas, aparecendo agora
em primeiro lugar o apoio ao processo de
acumulação; em segundo lugar, a garantia da
ordem e controle sociais; em terceiro lugar, a
legitimação do sistema.
5.5 Escolas profissionais
 a criação das escolas profissionais evidencia
o modo como a tendência global para uma
nova forma de actuação do Estado – o Estado
de competição – foi articulada [...] na área da
educação face a uma situação que impunha
que a crise da escola de massas fosse
confrontada em simultâneo com a sua
expansão e consolidação, assumindo como
prioritária a contribuição da educação para a
coesão e controlo sociais. (Antunes, 1998, p.
202)
5.6 Ensino Superior
 A tendência nos últimos anos em termos de
ensino superior, na Europa ocidental e
também em Portugal, tem sido a adopção
de um modelo híbrido que conjuga o
controlo pelo Estado com estratégias de
autonomia ou de auto-regulação
institucional. É esse modelo que tem sido
designado como modelo de supervisão pelo
Estado (Correia, Amaral & Magalhães,
2000).
 Com a visibilidade social e a importância
política crescentes que foi adquirindo ao
longo da década de 1980, a avaliação
transformou-se num dos eixos estruturantes
das políticas educacionais (Afonso, 1999a,
2000a).
 a Educação e as políticas educacionais
também devem ser pensadas e equacionadas
como parte integrante dos processos de
globalização contra-hegemónica.
6. Políticas educacionais
contemporâneas (Garcia, 2010)
 As políticas educacionais instituem e
incorporam uma economia de poder, um
conjunto de tecnologias e práticas,
associações, experts, discursos
“dominantes” e regimes de verdade que
formam uma rede e um complexo
necessário para o alinhamento de decisões
e ações que, contemporaneamente,
exercem um “governo à distância” (Rose,
1996).
 A presença constante nos textos oficiais de
termos como “sociedade do conhecimento”,
aprendizagem para a vida toda (lifelong
learner), educação para a competitividade
são indícios do enfraquecimento de uma
ética da esfera pública no campo
educacional.
 As reformas educacionais ao redor do globo,
sugere Popkewitz (2004), incorporam noções
de cidadania baseada em subjetividades
“cosmopolitas”, sem pátria e sentimentos
nacionalistas.
Políticas educacionais brasileiras
atuais
Governo atual:
 Programa de creches;
 Escola em tempo integral;
 Pronatec (‘Programa Nacional de Acesso ao
Ensino Técnico e ao Emprego’)
 Sisu (o Sistema de Seleção Unificada)
 Cotas em Universidades públicas;
 ProUni (Programa Universidade para todos);
 Fies (Financiamento estudantil);
 Ciência sem Fronteiras
A finalidade, seja das políticas públicas
especificamente, ou dos processos e sistema
político que as compreende, é satisfazer as
necessidades sociais e atender as demandas
socialmente expressas. Como se pode
perceber, o interesse público é pressuposto
da legitimidade de toda política pública.
REFERÊNCIAS
 AFONSO, Almerindo Janela. Estado, globalização e políticas
educacionais: elementos para uma agenda de investigação. Revista
Brasileira de Educação. Jan/Fev/Mar/Abr 2003 Nº 22.
 ALMEIDA, Guilherme Henrique de La Rocque. O Estado brasileiro
contemporâneo. 08/2000. Disponível em: http://jus.com.br/artigos/55/o-
estado-brasileiro-contemporaneo
 ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação. 2. ed. São
Paulo: Moderna, 1996.
 BOAVENTURA, Edivaldo Machado. A educação brasileira e o direito.
Belo Horizonte: Nova Alvorada, 1997.
 DALLAGO, Cleonilda Sabaini Thomazini. Estado e políticas sociais no
Brasil: formas históricas de enfrentamento a pobreza. In: III JORNADA
INTERNACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS, São Luís – MA, 28 a 30
de agosto 2007.
 GARCIA, Maria Manuela Alves. Políticas educacionais
contemporâneas: tecnologias, imaginários e regimes éticos. Revista
Brasileira de Educação, v. 15 n. 45 set./dez. 2010.
Atividade em sala
 Forme um grupo de até 5 pessoas e reflitam sobre
as políticas públicas educacionais, respondendo:
 1. Quais caminhos as políticas públicas modernas
devem seguir? Quais os avanços necessários?
 2. Quais os papeis de professores, gestores e
sociedade no contexto das políticas educacionais?
 3. O que vocês acham sobre as políticas atuais?
Qual modelo de escola devemos perseguir?
 4. Que contribuições vocês podem dar para
melhorar a educação, levando em consideração o
contexto político social brasileiro?
Artigo Final (opcional)
 Ensaio crítico sobre uma política pública
educacional do Brasil ou outro país, em
qualquer época (pode ser uma comparação);
 Páginas: 3 a 5;
 Formatação: título, resumo, introdução,
descrição da política pública, análise crítica da
política, conclusão e referências;
 Atenção para as normas da ABNT, formatação
e norma padrão da língua!!!
 Data de entrega: 11.11.14.
 E-mail: mairacordeiroadv@gmail.com