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Encontro Nacional de

Trabalhadores do SUAS

O SISTEMA ÚNICO DE
ASSISTÊNCIA SOCIAL NO
BRASIL:
uma realidade em movimento

Berenice Rojas Couto


Raquel Raichelis Brasília
30 e 31 de março de 2011
Pesquisa
• Financiamento CAPES (PROCAD) e CNPq
• Período: 2005- 2010.
• Equipe:
• Programa de Pós-Graduação em Política Pública da
Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
• Coordenação geral
Profa. Dra. Maria Ozanira Silva e Silva

• Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Pontifícia


Universidade Católica de São Paulo (PUCSP)
• Coordenação:
Profa. Dra. Maria Carmelita Yazbek e
Profa. Dra. Raquel Raichelis

• Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Pontifícia


Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
• Coordenação:
Profa. Dra. Berenice Rojas Couto
Pesquisa
• Análise do conteúdo e dos fundamentos
da Política Nacional de Assistência
Social;

• Análise da gestão estadual e municipal


da PNAS, na ótica dos gestores e
técnicos; e

• Estudo do processo de implantação e


implementação do SUAS em nível
nacional, priorizando os CRAS.
Pesquisa de campo
Critérios:
Capitais;
01 município de
grande porte;

01 município de
porte médio;
02 municípios de
pequeno porte
07 Estados nível 1

41 01 município
de pequeno
municípios porte 2
Metodologia
• Entrevistas semi-estruturadas com
gestores estaduais e municipais;

• Observação sistemática em CRAS


(56) e nos CREAS (11);

• Grupo focal com participação de


técnicos e conselheiros dos CEAS e
CMAS;

• Pesquisa via INTERNET.


PNAS E SUAS:
apresentando e problematizando fundamentos e conceitos

• PNAS e SUAS: um avanço conceitual;

• Uma proposta com fundamentos


baseados na constituição de política
pública;

• Requer o enfrentamento da forma


política e institucional de apreensão
desse campo no Brasil.
Conceitos problematizados
• Usuários da Política de Assistência Social;

• A PNAS ampliou o conceito de usuário da


assistência social em relação à própria definição da
LOAS: da definição por segmentos para a
identificação de indivíduos, grupos e famílias em
situações de risco e vulnerabilidade social;

• Famílias ou indivíduos:
diferentes formas de violência advinda do núcleo
familiar, grupos e indivíduos; inserção precária ou
não inserção no mercado de trabalho formal e
informal; estratégias e alternativas diferenciadas de
sobrevivência que podem representar risco
pessoal e social.
Abordagem territorial na PNAS

• Potencialmente inovadora, território


como “espaço habitado”, fruto da
interação entre os homens, síntese de
relações sociais;
• Superação da fragmentação das
ações e serviços;
• Serviços organizados na lógica de
proximidade territorial;
• Territórios de maior incidência de
vulnerabilidade e riscos sociais.
Matricialidade sócio-familiar
• Foco da Política de Assistência
Social;
• Eixo estruturante da gestão do SUAS;
• A mulher como referência na família
(30% das famílias);

“não existe família enquanto modelo


idealizado e sim famílias resultantes de
uma pluralidade de arranjos e re
arranjos estabelecidos pelos
integrantes dessas famílias” (NOB-
SUAS).
Questionamentos –
abordagem usuários

• Reforço da responsabilização
individual para enfrentar
riscos;

• Fortalecimento de políticas de
proteção social focalizadas
nos mais pobres ao invés de
políticas universais;
Questionamentos –
abordagem usuários

• Vulnerabilidade e risco social


decorrem de características
estruturais da sociedade
brasileira sendo condição
social vivenciada por um
amplo conjunto de
trabalhadores (corte de classe,
gênero, etnia, etc.).
Questionamentos – usuários

• Maiores fontes de vulnerabilidade


social: precariedade e
insegurança do trabalho e da
renda, enfraquecimento das
instituições de proteção social,
retraimento do Estado,
desvinculação entre política
econômica e social, orçamento
para proteção social incerto e
insuficiente, baixa cobertura, etc.
Questionamentos –
enfoque territorial

• Ações em territórios muito homogêneos na


incidência de pobreza e vulnerabilidade
social podem reforçar estigmas e imagem
negativa da sociedade e da própria
população moradora;

• Equacionamento de grande parte das


vulnerabilidades sociais não tem origem na
dinâmica local, depende de políticas
macroestruturais que extrapolam os limites
de intervenção no território;
Questionamentos –
enfoque territorial

•Participação popular na escala das


intervenções territorializadas pode
assumir um caráter restrito, pontual e
instrumental, com riscos de
despolitização e isolamento, distante
da inserção crítica e ativa na esfera
pública da cidade e em relações
societárias mais amplas.
Riscos matricialidade
socio-familiar
• Deslocamento dos conflitos e
contradições de classe da
sociedade capitalista, de
natureza macro societária para
a esfera do indivíduo, da
comunidade e das relações
intra-familiares
Os trabalhadores e a gestão do
trabalho no SUAS
• Recursos humanos – desafio para administração
pública brasileira;
• Mais complexo para a AS – tradição de “não-
política”, histórico de desprofissionalização;
• Universo heterogêneo de trabalhadores composto
pela rede estatal (das 3 esferas) e extensa rede
privada de entidades assistenciais - diversidade de
áreas, formação e vínculos de trabalho;
• Quadro profissional em geral insuficiente, com
grandes defasagens teóricas e técnicas, atendendo
simultaneamente a diferentes programas e até
municípios;
Os trabalhadores e a gestão do
trabalho no SUAS
• Escopo de análise deve ser ampliado: não apenas
questões de gestão do trabalho, mas das formas e
modos de organização e das condições
institucionais em que este trabalho se realiza;
• Nova morfologia do trabalho no capitalismo
contemporâneo (flexibilização, informalização,
terceirização) atingem duramente o trabalho
assalariado e também os trabalhadores do SUAS;
• Em pauta: ressignificação do trabalho na
assistência social e construção de identidade de
trabalhador da assistência social no contexto do
conjunto da classe trabalhadora.
CONCLUSÃO GERAL:
contradições do SUAS na realidade brasileira em movimento

• Processo em transição, nova institucionalidade,


considerável expansão dos objetivos da política e
dos serviços socioassistenciais

• confronto do velho com o novo, campo de


materialização eivado de contradições;

• Presença forte do movimento de implantação do


SUAS: apesar das múltiplas heterogeneidades,
elementos que se repetem desde o menor
município até as metrópoles


CONCLUSÃO GERAL:
contradições do SUAS na realidade brasileira em movimento

• Os sujeitos da pesquisa
reconhecem que a PNAS/SUAS
correspondem a demandas
históricas; e

• Movimento identificado no
sentido de garantir a política e os
serviços sócio-assistenciais com
maior unidade e uniformidade.
CONCLUSÕES
•A regulação nacional e o
financiamento da União
impulsionaram a implementação do
SUAS, especialmente, em municípios
de PPI e PPII.
• Realidade diversa na implantação dos
CRAS em municípios de pequeno
porte e nas metrópoles (a partir da
consideração da dimensão e
densidade populacional dessas
cidades).
CONCLUSÕES

• O SUAS por vezes é identificado com


o CRAS, constituindo-se na gestão de
serviços e não de uma política.
• Em relação aos CRAS: construção de
uma identidade que é múltipla, difusa
e experimental, o que rebate em sua
equipe, infra-estrutura e no arsenal de
conhecimentos teóricos e técnico-
operativos
Limites identificados
• Processo de implantação que cumpre
requisitos apenas formais;

• Implantação de muitos CRAS sem as


condições físicas (destaque para a
acessibilidade) e técnicos necessários
(adaptações precárias e improvisação)

• Reprodução de formas tradicionais de


atendimento das demandas de
usuários
Trabalhadores do SUAS

• Equipes e profissionais em número


insuficiente;
• Alta rotatividade (mesmo quando o
processo de ingresso é o concurso
público);
• presença de quadros jovens sem trajetória
na assistência social
• Ausência de mecanismo de
reconhecimento desses trabalhadores (
plano de carreira, salários baixos);
• Inexistência de sistemas regulares de
capacitação continuada.
Trabalhadores do SUAS

Em contraposição:
• Reconhecimento do campo como
inovador;
• Discurso de compromisso com os usuários
• Expansão necessária do SUAS,
respondendo a demandas dos usuários
• Mas reduzida, frágil ou nula presença do
usuário no controle social da política;
Rede Socioassistencial

• Primazia do Estado na condução da política em


forte disputa;
• Dificuldade do CRAS ser o indutor do trabalho no
território.
• Significativa presença de serviços/programas
realizados por entidades/organizações sem fins
lucrativos, com acesso ao fundo público, com larga
experiência na prestação de serviços, mas
resistente ao controle social
• Contradição: a construção da política pública
exige papel expandido do Estado nas 3 esferas e
base ampliada da oferta privada de serviços
socioassistenciais
Temas recorrentes

• Pacto federativo (papel do


Estado);

• Intersetorialidade;

• Primeiro-damismo
persistente e reatualizado.
Para finalizar
A pesquisa apontou que os
sujeitos entrevistados e que
participaram dos grupos focais
demonstraram compromisso com
o enfrentamento das dificuldades e
consideram um desafio a
implantação do SUAS em bases
republicanas e como política
pública.
Para finalizar

Para os pesquisadores a
realidade apresenta-se como
terreno fértil para a
materialização dessa
possibilidade histórica.