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DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – TESE E PROPOSIÇÃO

Devido ao seu caráter geral e complexo, os problemas filosóficos são problemas em aberto e não têm respostas
consensuais (por exemplo, não é consensual que nunca devemos mentir, que a pena de morte é uma sentença
inaceitável, que todas as guerras são injustas ou que Deus existe).

A uma resposta a um problema filosófico dá-se o nome de tese (ou teoria).

Exemplos de teses:
 “Nunca devemos mentir.”
 “A pena de morte é uma sentença inaceitável”.
 “Todas as guerras são injustas.”
 “Deus existe.”

Mas o que os filósofos discutem não são as frases propriamente ditas, mas sim o pensamento ou ideia que é
expresso através de frases declarativas, ou seja, os filósofos discutem proposições.

Uma tese apresenta-se sob a forma de proposição.


Uma proposição é o pensamento / conteúdo / ideia, verdadeiro ou falso, expresso por uma
frase declarativa.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – FRASE E PROPOSIÇÃO
TIPOS DE FRASES EXPRIMEM PROPOSIÇÕES?
IMPERATIVAS
Cala-te! Não.
Fecha a porta!
PRESCRITIVAS
Não pisar a relva. Não.
Respeitar o limite de velocidade.
COMPROMISSIVAS
Prometo ser-te fiel. Não.
Juro que te devolvo o dinheiro.
EXCLAMATIVAS
Quero tirar positiva a filosofia! Não.
Quem me dera ser feliz!
INTERROGATIVAS
Que horas são? Não.
Será que Deus existe?
DECLARATIVAS
A neve é branca.
Os dinossáurios não existem. Algumas sim.
Porto é a capital de Portugal.
Há vida noutros planetas.
Os triângulos só casam em anos pares.
Outras não.
As ideias perfeitas sabem cantar.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – FRASE E PROPOSIÇÃO

Exemplos de frases que são proposições:


 Está a chover.
 O triplo do triplo de 4 é 36.
 Existem animais estranhos.
 É verão se estamos em outubro.
 Lisboa não é a capital de Portugal.

Exemplos de frases que não são proposições:


 Qual o significado da palavra meditabundo?
 Espero bem que não tenhas negativas!
 Desejo-lhe boa sorte.
 Juro que vou guardar segredo do que me contaste.
 Espere a sua vez.
EXEMPLOS DE FRASES QUE NÃO EXPRESSAM PROPOSIÇÕES

EXEMPLOS TIPO DE FRASE


Saia da minha frente! Frase imperativa.
Que belo jardim você tem! Frase exclamativa.
Quem sou eu? Frase interrogativa.
Farei o que me mandas fazer. Frase que traduz uma promessa.
Ajuda-me a transportar estes sacos. Frase que expressa um pedido.
Nem todas as frases expressam proposições.

PROPOSIÇÕES FRASES

Nem todas as frases expressam proposições.

Só as frases declarativas.

Afirmam, negam, atribuem, declaram ou constatam alguma coisa.

Podem ser consideradas verdadeiras ou falsas.


DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – FRASE E PROPOSIÇÃO

As frases imperativas (como «Paga o que me deves.»), prescritivas (como «Não fumar.»),
compromissivas («Eu vou-te ajudar.»), exclamativas (como «Quem me dera ganhar o
euromilhões!») e interrogativas (como «Há água na Lua?») não são proposições, porque não
exprimem pensamentos que possam ter valor de verdade (ser verdadeiro ou falso).

Sobre a relação entre frases declarativas e proposições importa referir que:


a) se significam o mesmo, duas frases declarativas diferentes podem exprimir a mesma
proposição:  «O Rui está à direita da Ana.» / «A Ana está à esquerda do Rui.»
 «O céu é azul.» / «El cielo es azul.» / «The sky is blue.»
 «A justiça é incompatível com a guerra.» / «Justiça e guerra são incompatíveis.»

b) se é ambígua, uma frase declarativa pode exprimir proposições diferentes:


 «O Miguel viu a Joana com os binóculos.»
 «Todos os rapazes beijaram uma rapariga.»
 «A visão de um elefante é surpreendente.»
 «O Rui mexeu no rato.»
PROPOSIÇÃO

Pensamento / conteúdo / ideia, verdadeiro ou falso, expresso


por uma frase declarativa.

A mesma proposição pode ser expressa por diferentes frases


declarativas:
“A Terra foi contemplada por Neil Armstrong a partir da Lua.”
=
“Neil Armstrong contemplou a Terra a partir da Lua.”
PROPOSIÇÕES

VERDADE FALSIDADE

Aplicam-se à matéria ou conteúdo das proposições. Se estiverem de acordo com


a realidade, as proposições são verdadeiras; se não estiverem, são falsas.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS

As proposições categóricas afirmam ou negam uma relação entre um sujeito (S) e um


predicado (P), de forma absoluta e incondicional, isto é, não admitem alternativas nem
estabelecem condições.
Podem ser singulares, particulares e universais.

PROPOSIÇÕES SINGULARES
[S é P]
 Há vida em Marte.
 Outubro é um dos doze meses do ano. As proposições singulares, afirmativas ou
 Póvoa de Varzim é a capital de Portugal. negativas, dizem respeito a um único indivíduo,
 A água não é composta de azoto.
objeto ou entidade. A forma padrão é “S é P”.
 Este automóvel não se move sobre pneus.
 A ESRP é a melhor escola do mundo.
 CR7 não é o melhor jogador do mundo.
 Tirei positiva no teste de Filosofia.
 O ténis é praticado com espingardas.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS

As proposições categóricas afirmam ou negam uma relação entre um sujeito (S) e um


predicado (P), de forma absoluta e incondicional, isto é, não admitem alternativas nem
estabelecem condições.
Podem ser singulares, particulares e universais.

PROPOSIÇÕES PARTICULARES AFIRMATIVAS (ou do Tipo I)


[Algum S é P] As proposições particulares
afirmativas dizem respeito a
 Alguns alunos são preguiçosos. /  Há alunos que são preguiçosos. apenas uma parte de uma classe
 Algumas galinhas têm dentes. /  Certas galinhas têm dentes. ou conjunto de coisas.
 Alguns crimes podem ser moralmente aceitáveis.
A forma padrão é “Algum S é P”
 Existem atos que são uma violação dos direitos humanos. e também são designadas de
 Em alguns casos, a IVG pode ser uma opção. proposições do tipo I.
Tipo I Particulares afirmativas

O predicado é afirmado apenas de uma parte dos elementos da classe que o sujeito representa.

Forma-padrão Outras expressões

Certos dias são belos.


Algum S é P
Há dias belos.
Existem dias belos.
Alguns dias são belos.
Existe pelo menos um dia que é belo.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS

As proposições categóricas afirmam ou negam uma relação entre um sujeito (S) e um


predicado (P), de forma absoluta e incondicional, isto é, não admitem alternativas nem
estabelecem condições.
Podem ser singulares, particulares e universais.

PROPOSIÇÕES PARTICULARES NEGATIVAS (ou do Tipo O)


[Algum S não é P] As proposições particulares
negativas dizem respeito a
 Algumas aves não voam. /  Pelo menos uma ave não voa. apenas uma parte de uma classe
 Há aviões que não têm asas. /  Existem aviões que não têm asas. ou conjunto de coisas.
 Em certos casos, mentir não é errado.
A forma padrão é “Algum S não
 Há guerras que não são justas. é P” e também são designadas
 Nem todos os seres humanos são egoístas. de proposições do tipo O.
Tipo O Particulares negativas

O predicado é negado apenas de uma parte dos elementos da classe que o sujeito representa.

Forma-padrão Outras expressões

Certos caminhos não são transitáveis.


Algum S não é P Há caminhos não transitáveis.
Existem caminhos não transitáveis.
Alguns caminhos não são transitáveis. Existe pelo menos um caminho que não é transitável.
Nem todos os caminhos são transitáveis.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS

As proposições categóricas afirmam ou negam uma relação entre um sujeito (S) e um


predicado (P), de forma absoluta e incondicional, isto é, não admitem alternativas nem
estabelecem condições.
Podem ser singulares, particulares e universais.

PROPOSIÇÕES UNIVERSAIS AFIRMATIVAS (ou do Tipo A)


[Todo o S é P] As proposições universais
afirmativas dizem respeito a
 Todos os mamíferos são animais. /  Só os animais são mamíferos. todos os elementos de uma
 Qualquer açoriano é português. /  Os açorianos são portugueses. classe ou conjunto de coisas.
 Mentir é errado em todas as circunstâncias.
A forma padrão é “Todo o S é P”
 Devemos dizer a verdade em todas as circunstâncias. e também são designadas de
 O homicídio é sempre errado. proposições do tipo A.
Proposições categóricas na sua forma-padrão ou forma canónica e outras
expressões das mesmas

Tipo A Universais afirmativas

O predicado é afirmado de todos os elementos da classe que o sujeito representa.

Forma-padrão Outras expressões

Qualquer filósofo é crítico.


Ser filósofo é ser crítico.
Todo o S é P Os filósofos são críticos.
O filósofo é crítico.
Todos os filósofos são críticos. Quem é filósofo é crítico.
Não há filósofos que não sejam críticos.
Só há filósofos críticos.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS

As proposições categóricas afirmam ou negam uma relação entre um sujeito (S) e um


predicado (P), de forma absoluta e incondicional, isto é, não admitem alternativas nem
estabelecem condições.
Podem ser singulares, particulares e universais.

PROPOSIÇÕES UNIVERSAIS NEGATIVAS (ou do Tipo E)


[Nenhum S é P]
As proposições universais
 Nenhum objeto físico ultrapassa a velocidade da luz.
negativas dizem respeito a
 Qualquer objeto físico não ultrapassa a velocidade da luz.
todos os elementos de uma
 Não há rios maiores que um oceano. classe ou conjunto de coisas.
 Todos os rios não são maiores que um oceano. A forma padrão é “Nenhum S é
P” e também são designadas de
 Nenhum crime justifica a pena de morte.
proposições do tipo E.
 Os atos xenófobos não são comportamentos racionais.
 Não há frases interrogativas que sejam proposições.
Tipo E Universais negativas

O predicado é negado de todos os elementos da classe que o sujeito representa.

Forma-padrão Outras expressões

Os animais não são perigosos.


O animal não é perigoso.
Nenhum S é P
Ser perigoso não é uma característica dos animais.
Não há animal que seja perigoso.
Nenhum animal é perigoso.
Só existem animais não perigosos.
Todos os animais não são perigosos.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS

PROPOSIÇÃO PARTICULAR AFIRMATIVA (tipo I) PROPOSIÇÃO PARTICULAR NEGATIVA (tipo O)

Alguns A são B. Alguns A não são B.


A IVG é aceitável em algumas circunstâncias. Alguns homicídios não são crime.
Há guerras que são justas. Há galinhas que não têm dentes.
Certos alunos são preguiçosos. Certas substâncias não são ácidas.
Existem jornalistas que sabem ler. Existem portugueses que não são europeus.

PROPOSIÇÃO UNIVERSAL AFIRMATIVA (tipo A) PROPOSIÇÃO UNIVERSAL NEGATIVA (tipo E)

Todos os A são B. Nenhum A é B.


Todas as obras de arte imitam a realidade. Nenhum crime justifica a pena de morte.
Só os animais são mamíferos. Os invisuais não sabem ler.
Qualquer ser humano é caucasiano. Qualquer livro de Saramago não passa de 90 páginas.
Não há nenhum nº primo que não seja nº ímpar. Não há objet. físicos que ultrapassem a veloc. da luz.
Estrutura das proposições categóricas

Numa proposição categórica, afirmamos ou negamos alguma coisa – o termo predicado – de uma
outra coisa – o termo sujeito.

Todos os artistas são sábios.

SUJEITO CÓPULA PREDICADO

Ser relativamente ao qual Elemento que faz a ligação Característica ou qualidade


se afirma ou nega o do sujeito com o que se afirma ou nega do
predicado. predicado. sujeito.

SéP
Exemplos

VERDADEIRA Portugal é um país europeu.


Proposições afirmativas

FALSA O Sol é um planeta.

Picasso não é o autor de Guernica. FALSA

Proposições negativas

Nenhum cão é animal aquático. VERDADEIRA

A proposição categórica é o enunciado que estabelece uma relação de afirmação ou de negação entre termos,
podendo tal relação ser considerada verdadeira ou falsa.
QUANTIFICADORES

UNIVERSAIS EXISTENCIAL Nota:


há outros
quantificadores com
idêntico significado –
“TODOS” “NENHUM” “ALGUM” por exemplo,
“Qualquer” equivale
a “Todos”.

Permitem-nos saber se o sujeito é tomado na sua totalidade ou somente em parte.

Exemplos:
1. Todos os seres humanos são bípedes.
2. Alguns seres humanos não são altos.

Nas proposições categóricas há uma relação de inclusão ou de não inclusão, na classe relativa ao predicado,
de todos ou de apenas alguns dos elementos que fazem parte da classe do sujeito.
PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS

Forma-padrão ou forma
canónica

Exemplos: Exemplos:
Os gatos vivem. Todos os gatos são viventes.
Os americanos sonham. Todos os americanos são sonhadores.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS
PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS

QUALIDADE QUANTIDADE

AFIRMATIVAS NEGATIVAS UNIVERSAIS PARTICULARES

Uma proposição é negativa Uma proposição é considerada Uma proposição é considerada


Uma proposição é afirmativa
quando nos indica que o universal quando o sujeito é particular quando o sujeito é
quando nos indica que o
predicado não convém ao tomado em toda a sua tomado apenas numa parte da
predicado convém ao sujeito.
sujeito. extensão. sua extensão.

Exemplo:
Exemplo: Exemplo: Exemplo:
Há animais que não são
Qualquer deus é imortal. Todos os cães são vertebrados. Alguns insetos perturbam.
mortais.
Tipos de proposições Forma lógica

Tipo A Universal afirmativa Todo o S é P.

Tipo E Universal negativa Nenhum S é P.

Tipo I Particular afirmativa Algum S é P.

Tipo O Particular negativa Algum S não é P.


DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – PROPOSIÇÕES CONDICIONAIS

As proposições condicionais estabelecem uma relação de consequência ou implicação entre


proposições, estabelecendo uma condição – “Se P, (então) Q” –, em que:
- a proposição antecedente (P) é condição suficiente da proposição consequente (Q);
- a proposição consequente (Q) é condição necessária da proposição antecedente (P).

PROPOSIÇÕES CONDICIONAIS
 Se sou português, sou europeu. As proposições condicionais estabelecem
 Quando é outubro estamos no outono. condições necessárias e suficientes entre
 És livre desde que sejas responsável. proposições mais simples.
 Reprovo se tiver mais de duas negativas. A forma padrão pode ser:
 Levo o guarda-chuva caso chova.
 Comer vegetais é necessário para ser saudável. - “Se P, Q”
 Basta ser casado para não ser solteiro. - “Se P, não Q”
 Ter muito dinheiro é suficiente para viver bem. - “Se não P, Q”
 Somos felizes somente se não tivermos azar. - “Se não P, não Q”
 É preciso marcar mais golos para ganhar o jogo.
 Caso não estudes, não és competente.
Expressões alternativas de proposições condicionais

•A existência tem sentido, se houver vida após a morte.

•A existência tem sentido, caso haja vida após a morte.

•Desde que haja vida após a morte, a existência tem sentido.

•Se há vida após a morte, a existência tem sentido.

•A existência não tem sentido, a menos que haja vida após a morte.

•Para a existência ter sentido basta haver vida após a morte.


DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – NEGAÇÃO DE PROPOSIÇÕES

Na discussão filosófica é importante saber refutar/contradizer/negar proposições.


A negação de uma proposição inverte o seu valor de verdade: se a proposição de partida for
verdadeira, a sua negação será falsa; e vice-versa.
A negação equivale à contradição: negar é contradizer e não dizer o contrário.

NEGAÇÃO DE PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS


QUADRADO DA OPOSIÇÃO

Exemplo: Todos os papéis são


Exemplo: Nenhum papel é branco.
brancos.

A CONTRÁRIAS E
SUBALTERNAS CONTRADITÓRIAS SUBALTERNAS

I SUBCONTRÁRIAS O
Exemplo: Alguns papéis são Exemplo: Alguns papéis não são
brancos. brancos.
Notas:
As relações apresentadas designam-se por: contrariedade, contraditoriedade, subcontrariedade e subalternação.
A relação de subalternação não constitui uma oposição lógica propriamente dita.
Às proposições universais também por vezes se chama “subalternantes”; às particulares, “subalternadas”.
A implica I, E implica O, mas o contrário não se verifica. Daí a seta apresentar apenas um sentido.
Inferir por oposição consiste em tirar de uma proposição outras proposições, alterando a
Inferências por
quantidade e/ou a qualidade, e em concluir imediatamente, a partir da verdade ou falsidade
oposição
da proposição inicial, a verdade ou falsidade daquelas que se obtêm.

As teses filosóficas surgem, frequentemente, sob a forma de proposições universais.

Para negar uma proposição universal não é correto apresentar a sua contrária, pois se a verdade de uma delas implica
a falsidade da outra, da falsidade de uma não podemos concluir a falsidade ou veracidade da outra.

Exemplos

A negação de “Nenhuma guerra é justa” não é “Todas as guerras são justas”, mas sim “Algumas guerras são justas”.

A negação de “Algumas guerras não são justas” será “Todas as guerras são justas”.
QUADRADO DA OPOSIÇÃO

Exemplo Negação

Todos os portugueses são Alguns portugueses não são


A – Universal afirmativa
continentais. continentais.

Alguns portugueses são


E – Universal negativa Nenhum português é continental.
continentais.

Alguns portugueses são


I – Particular afirmativa Nenhum português é continental.
continentais.

Alguns portugueses não são Todos os portugueses são


O – Particular negativa
continentais. continentais.
Regras da oposição

Regra das Duas proposições contraditórias não podem ser verdadeiras e falsas ao mesmo tempo. A verdade de uma implica a
contraditórias falsidade da outra e vice-versa. São a negação uma da outra.

Duas proposições contrárias não podem ser ambas verdadeiras ao mesmo tempo, mas podem ser ambas falsas. Todavia,
Regra das contrárias da falsidade de uma não se pode concluir a falsidade ou veracidade da outra. Por isso, não são a negação uma da outra.

Regra das Duas proposições subcontrárias não podem ser ambas falsas ao mesmo tempo, mas podem ser ambas verdadeiras. Não
subcontrárias são a negação uma da outra.

Da verdade da universal infere-se a verdade da particular que lhe está subordinada; da verdade da particular nada se pode
Regra das
concluir quanto à universal; da falsidade da universal nada se pode concluir relativamente à verdade ou falsidade da
subalternas particular; da falsidade da particular infere-se a falsidade da universal. Não são a negação uma da outra.

Nota A negação das proposições singulares, aquelas que se referem a um só indivíduo, elemento ou objeto, não oferece
dificuldade: a negação de “Picasso é inglês” será “Picasso não é inglês”; a negação de “O corpo não é mortal” será
“O corpo é mortal”.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – NEGAÇÃO DE PROPOSIÇÕES

PROPOSIÇÃO NEGAÇÃO
Todos os A são B. Alguns A não são B.
Todos os portugueses residem em Portugal. Alguns portugueses não residem em Portugal.
Todas as obras de arte são belas. Algumas obras de arte não são belas.
Nenhum A é B. Alguns A são B.
Nenhum televisor tem ecrã panorâmico. Alguns televisores têm ecrã panorâmico.
Nenhuma obra de arte é feia. Algumas obras de arte são feias.
Se P, Q. P, mas não Q.
Se o João é português, é lisboeta. O João é português, mas não é lisboeta.
Se Deus existe, a vida faz sentido. Deus existe, mas a vida não faz sentido.
Se P, não Q. P, mas Q.
Se eu for para a guerra, não sobrevivo. Vou para a guerra, mas sobrevivo.
Se Deus existe, a vida não é absurda. Deus existe, mas a vida é absurda.
Se não P, Q. Não P, mas não Q.
Se o Rui não é casado, é solteiro. O Rui não é casado, mas não é solteiro.
Se Deus não existe, a vida é absurda. Deus não existe, mas a vida não é absurda.
Se não P, não Q. Não P, mas Q.
Se não estudas, não passas de ano. Não estudas, mas passas de ano.
Se Deus não existe, a vida não faz sentido. Deus não existe, mas a vida faz sentido.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – PROPOSIÇÕES SIMPLES E COMPLEXAS

PROPOSIÇÕES SIMPLES (OU ATÓMICAS) PROPOSIÇÕES COMPLEXAS (OU MOLECULARES)

 «O noitibó é uma ave.»


 «O noitibó é uma ave e não é muito conhecido.»
 «O noitibó não é muito conhecido.»

 «Edviges é homem.»
 «Edviges é homem ou mulher.»
 «Edviges é mulher.»

São verdadeiras ou falsas.


São verdadeiras ou falsas.
Derivam de operações com proposições simples e o seu
São indecomponíveis em partes que se possam
valor de verdade depende do valor de verdade das
considerar verdadeiras ou falsas.
proposições simples que as compõem.
Podemos representar uma proposição simples por uma
letra ou variável proposicional: PeQ
P P ou Q
Q
PROPOSIÇÃO

Pensamento ou conteúdo expresso por uma frase declarativa, suscetível de ser considerada verdadeira
ou falsa.

As proposições têm valor de verdade.

Simples ou elementares Complexas ou compostas

São proposições em que está


São proposições em que não estão
presente um operador ou mais do
presentes quaisquer operadores.
que um.

Exemplos Exemplos
As casas são brancas. As casas são amarelas. As casas são brancas ou as casas são amarelas.
Gertrudes é arquiteta. Paulo é engenheiro. Gertrudes é arquiteta e Paulo é engenheiro.
Deus existe. O mundo foi criado por Deus. Se Deus existe, então o mundo foi criado por ele.
Eu sou jogador de futebol. Eu não sou jogador de futebol.
Proposições

Simples Complexas

O seu valor de verdade depende do O seu valor de verdade depende do


facto de elas estarem ou não de valor de verdade das proposições
acordo com a realidade. simples e dos operadores utilizados.

Gertrudes é arquiteta. Paulo é engenheiro. Gertrudes é arquiteta e Paulo é engenheiro.

verdadeira falsa falsa

Gertrudes é arquiteta ou Paulo é engenheiro.

verdadeira
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – NOÇÃO DE ARGUMENTO

Fazendo a argumentação parte do método filosófico, um dos principais elementos da Filosofia


são os argumentos. Os filósofos não se limitam a apresentar teses em resposta aos problemas
colocados, devendo também propor argumentos para defender as suas teses com a intenção
de convencer os outros.
Mas o que é um argumento?

Um argumento é um
conjunto de proposições em
que uma delas – a conclusão Um argumento pode ter uma ou mais
premissas, mas tem apenas uma
– é a tese defendida por conclusão.
outras, designadas de O processo de passagem das premissas
para a conclusão designa-se de inferência
premissas. ou raciocínio.
ARGUMENTO

Conjunto de proposições devidamente


articuladas

Premissa(s) Conclusão (tese)

A(s) premissa(s) procura(m) defender, sustentar ou


justificar a conclusão.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – ESTRUTURA DOS ARGUMENTOS

Existem expressões linguísticas que nos ajudam a identificar num argumento quais são as
premissas e qual é a conclusão: os indicadores de premissa e os indicadores de conclusão:
Indicadores de premissa e de conclusão – exemplos

Proposição 1 – O desporto é atividade física.


Uma vez que é uma atividade física, o desporto é
Proposição 2 – O desporto é saudável.
saudável. Como se sabe, a atividade física é saudável.
Proposição 3 – A atividade física é saudável.

Indicadores de premissa Toda a atividade física é saudável.


Todo o desporto é atividade física.
Logo, todo o desporto é saudável.

Indicador de conclusão
Proposição 1 – O Universo não é infinito.
O Universo não é infinito. Com efeito, se o Universo
Proposição 2 – Se o Universo fosse infinito, a força da gravidade
fosse infinito, a força da gravidade não existiria. Ora, a
não existiria.
força da gravidade existe.
Proposição 3 – A força da gravidade existe.

Se o Universo fosse infinito, a força da gravidade não existiria.


Indicadores de premissa A força da gravidade existe.
Logo, o Universo não é infinito.

Indicador de conclusão
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA
FORMULAÇÃO EXPLÍCITA DE ARGUMENTOS

1. Identificar a tese ou conclusão do EXEMPLO DE ARGUMENTO:


argumento
(o autor do argumento quer defender ou Os animais não humanos têm direitos,
convencer-nos de quê?) porque são seres sencientes (têm a
2. Identificar as premissas do capacidade de sentir dor) e um ser tem
argumento direitos se tiver essa capacidade.
(que razões o autor apresenta para defender a
tese ou conclusão?) FORMULAÇÃO EXPLÍCITA DO ARGUMENTO:
3. Formular explicitamente o
argumento na forma padrão ou P1 – Os animais não humanos são seres
canónica sencientes.
(reescrever o argumento começando com cada
premissa numa linha diferente e numerada; e P2 – Se um ser é senciente, tem direitos.
com a tese ou conclusão na última linha,
C – Logo, os animais não humanos têm
precedida pelo indicador «logo» e identificada
com «C») direitos.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA
FORMULAÇÃO EXPLÍCITA DE ARGUMENTOS

1. Identificar a tese ou conclusão do EXEMPLO DE ARGUMENTO:


argumento
(o autor do argumento quer defender ou É claro que Deus não existe, pois se Deus é
convencer-nos de quê?) perfeito, não permitiria que existisse mal no
2. Identificar as premissas do mundo, mas o mal existe.
argumento
(que razões o autor apresenta para defender a FORMULAÇÃO EXPLÍCITA DO ARGUMENTO:
tese ou conclusão?)
3. Formular explicitamente o P1 – Se Deus é perfeito, não permitiria que
argumento na forma padrão ou existisse o mal no mundo.
canónica
(reescrever o argumento começando com cada
P2 – O mal existe no mundo.
premissa numa linha diferente e numerada; e C – Logo, Deus não existe.
com a tese ou conclusão na última linha,
precedida pelo indicador «logo» e identificada
com «C»)
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA
FORMULAÇÃO EXPLÍCITA DE ARGUMENTOS

1. Identificar a tese ou conclusão do EXEMPLO DE ARGUMENTO:


argumento O homicídio não é errado só quando provoca
(o autor do argumento quer defender ou
convencer-nos de quê?)
sofrimento na vítima, visto que, nesse caso, não
seria errado matar alguém sem sofrimento
2. Identificar as premissas do quando está a dormir.
argumento
(que razões o autor apresenta para defender a
FORMULAÇÃO EXPLÍCITA DO ARGUMENTO:
tese ou conclusão?)
P1 – Se o homicídio só fosse errado quando provoca
3. Formular explicitamente o
sofrimento na vítima, então não seria errado matar
argumento na forma padrão ou
alguém sem sofrimento quando está a dormir.
canónica
(reescrever o argumento começando com cada P2 – Matar alguém sem sofrimento enquanto está a
premissa numa linha diferente e numerada; e dormir é errado.
com a tese ou conclusão na última linha, C – Logo, o homicídio não é errado só quando
precedida pelo indicador «logo» e identificada
provoca sofrimento na vítima.
com «C»)
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA
FORMULAÇÃO EXPLÍCITA DE ARGUMENTOS – OS ENTIMEMAS

1. Identificar a tese ou conclusão do EXEMPLO DE ARGUMENTO:


argumento
(o autor do argumento quer defender ou Nem tudo o que os artistas fazem é belo e,
convencer-nos de quê?) como tal, nem toda a arte é bela.
2. Identificar as premissas do
argumento FORMULAÇÃO EXPLÍCITA DO ARGUMENTO:
(que razões o autor apresenta para defender a
tese ou conclusão?) P1 – Nem tudo o que os artistas fazem é
3. Formular explicitamente o belo.
argumento na forma padrão ou P2 – Tudo o que os artistas fazem é arte.*
canónica
(reescrever o argumento começando com cada C – Logo, nem toda a arte é bela.
premissa numa linha diferente e numerada; e
com a tese ou conclusão na última linha, *P2 é uma premissa implícita, subentendida ou omissa
precedida pelo indicador «logo» e identificada e, quando há num argumento uma ou mais premissas
com «C») implícitas, o argumento designa-se de entimema.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA
FORMULAÇÃO EXPLÍCITA DE ARGUMENTOS – OS ENTIMEMAS

1. Identificar a tese ou conclusão do EXEMPLO DE ARGUMENTO:


argumento
(o autor do argumento quer defender ou As galinhas não são peixes, uma vez que não
convencer-nos de quê?) têm guelras.
2. Identificar as premissas do
argumento FORMULAÇÃO EXPLÍCITA DO ARGUMENTO:
(que razões o autor apresenta para defender a
tese ou conclusão?) P1 – As galinhas não têm guelras.
3. Formular explicitamente o P2 – Os peixes têm guelras.*
argumento na forma padrão ou
canónica C – Logo, as galinhas não são peixes.
(reescrever o argumento começando com cada
premissa numa linha diferente e numerada; e
com a tese ou conclusão na última linha, *P2 é uma premissa implícita, subentendida ou omissa
precedida pelo indicador «logo» e identificada e, quando há num argumento uma ou mais premissas
com «C») implícitas, o argumento designa-se de entimema.
O ENTIMEMA

António é estudioso. A premissa «Todos os estudiosos obtêm boas


Logo, António obtém boas classificações. classificações» encontra-se implícita, tendo sido suprimida.

ENTIMEMA
Indicador de conclusão

Argumento em que uma ou mais proposições são


omitidas, encontrando-se subentendida(s) – pode
inclusive omitir-se a conclusão.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA
FORMULAÇÃO EXPLÍCITA DE ARGUMENTOS – CADEIAS DE ARGUMENTOS

Uma proposição pode ser a conclusão de um certo argumento, mas surgir como premissa
noutro argumento diferente e, assim, mediante cadeias de argumentos chegamos a uma
conclusão e usamos depois essa conclusão como premissa noutro argumento, e assim por
diante.

Por exemplo:
P1 – Os animais não humanos têm a capacidade de sofrer.
P2 – Se um ser tem a capacidade de sofrer, então tem direitos.
C1 – Logo, os animais não humanos têm direitos.

P3 – Os animais não humanos têm direitos.


P4 – Se os animais não humanos têm direitos, então não devem
ser maltratados.
C2 – Logo, os animais não humanos não devem ser maltratados.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – NOÇÃO DE LÓGICA

Portanto, argumentar é defender ideias com razões, usando proposições e a Lógica


é o estudo da argumentação, nos aspetos que permitem:
1. distinguir argumentos bons/válidos/corretos dos argumentos
maus/inválidos/incorretos;
2. explicar por que razão um argumento é válido ou inválido;
3. aprender a pensar e a argumentar corretamente.

Os filósofos têm de formular argumentos,


fundamentando as suas teses com boas
razões e, se discordarmos de um argumento,
podemos apresentar uma objeção, a qual se
designa de contra-argumento.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA
DISTINÇÃO LÓGICA ENTRE VERDADE E VALIDADE

Uma proposição pode ser verdadeira ou falsa (e não válida ou inválida), porque
afirma ou nega coisas sobre a realidade, que podem ser corretas ou não, ou
seja, a verdade diz respeito ao conteúdo das proposições.

Um argumento pode ser válido ou inválido (e não


verdadeiro ou falso), pois apenas estabelece uma
relação entre proposições, ou seja, a validade refere-se
à forma como a conclusão é extraída das premissas.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – VALIDADE DOS ARGUMENTOS

QUANDO É QUE UM
ARGUMENTO É VÁLIDO?

Um argumento é válido quando:


- as premissas justificam logicamente a conclusão (ou, o que é o
mesmo, quando a conclusão se segue das premissas);
- e, se se admitir que as premissas são todas verdadeiras, a
conclusão também será verdadeira (ou seja, em nenhuma
circunstância as premissas são todas verdadeiras e a conclusão é
falsa, simultaneamente).
Não se enquadram na categoria de “argumentos” aqueles que são meros conjuntos de
proposições sem qualquer conexão lógica entre si.

Exemplos
Os rapazes são giros.
As cerejas fazem bem à saúde.
Logo, as férias devem continuar.

Todos os deuses são imortais.


Alguns carros funcionam a gasolina.
Logo, as palavras são indispensáveis.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – VALIDADE DOS ARGUMENTOS

1 2 3 4 5

6
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – VALIDADE DOS ARGUMENTOS

1 Se um inseto tiver 10 pernas, então tem asas.


As aranhas são insetos com 10 pernas.
Logo, as aranhas têm asas.

Todos os números primos são números pares.


9 é um número primo.
Logo, 9 é um número par.

A União Europeia é constituída por 30 países.


Todos os países têm o euro como moeda oficial.
Logo, Madrid é a capital da Suécia.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – VALIDADE DOS ARGUMENTOS

2 Todos os animais carnívoros são mamíferos.


As girafas são animais carnívoros.
Logo, as girafas são mamíferos.

Podemos raciocinar corretamente chegando a uma conclusão


verdadeira a partir de premissas todas falsas.

A União Europeia é constituída por 30 países.


Todos os países têm o euro como moeda oficial.
Logo, Estocolmo é a capital da Suécia.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – VALIDADE DOS ARGUMENTOS

3 Os noitibós são aves.


Todas as aves voam.
Logo, os noitibós voam.

Podemos raciocinar corretamente chegando a uma conclusão


verdadeira a partir de pelo menos um premissa falsa.

A União Europeia é constituída por 27 países.


Todos os países têm o euro como moeda oficial.
Logo, Estocolmo é a capital da Suécia.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – VALIDADE DOS ARGUMENTOS

Todos os seres vivos são animais.


As árvores são seres vivos.
Logo, as árvores são animais.

A União Europeia é constituída por 27 países.


Todos os países têm o euro como moeda oficial.
Logo, Madrid é a capital da Suécia.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – VALIDADE DOS ARGUMENTOS

5 Se os dinossáurios estão extintos, os saurópodes já não


existem.
Os dinossáurios estão extintos.
Logo, os saurópodes já não existem.

Todos os portugueses são europeus.


José Saramago era português.
Logo, José Saramago era europeu.
Lisboa é a capital de Portugal.
Portugal é um país europeu.
Logo, a União Europeia tem mais de 26 países.
Todos os mamíferos respiram por pulmões.
Os carapaus não são mamíferos.
Logo, os carapaus não são mamíferos.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – VALIDADE DOS ARGUMENTOS

Se eu fosse norueguês, então seria europeu.


Não sou norueguês.
Logo, não sou europeu.

Todos os peixes nadam.


A baleia nada.
Logo, a baleia é um peixe.
Exemplo
Premissa Todos os portugueses são europeus.
Premissa Os alentejanos são portugueses.
Conclusão Logo, os alentejanos são europeus.

Indicador de
Nexo lógico
conclusão

Não se enquadram na categoria de «argumentos» aqueles que são meros conjuntos de


proposições sem qualquer conexão lógica entre si.

Exemplo
Todas as cidades têm habitantes. Um argumento tem subjacente uma inferência ou
As cerejas fazem bem à saúde. raciocínio, uma operação que efetua a transição lógica
Logo, as férias devem continuar. entre proposições.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – VALIDADE DOS ARGUMENTOS

Em síntese:
 a verdade é uma propriedade das proposições (estas são verdadeiras ou falsas), pois diz
respeito ao conteúdo das proposições (se há ou não adequação entre o pensamento e a
realidade);
 a validade é uma propriedade dos argumentos (estes são válidos ou inválidos), pois refere-
se à forma como a conclusão é extraída das premissas (se a conclusão se segue logicamente
das premissas e se a conclusão é verdadeira se se admitir que todas as premissas o são).
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – VALIDADE DOS ARGUMENTOS

Comparemos os seguintes argumentos:


P1 - Se chover, a estrada fica molhada. P1 - Se chover, a estrada fica molhada.
P2 - Choveu. P2 - A estrada ficou molhada.
C - Logo, a estrada ficou molhada. C - Logo, choveu.

O argumento da esquerda é válido, porque a verdade das premissas garante a


verdade da conclusão, isto é, não somos capazes de conceber uma situação que torne as
premissas verdadeiras e a conclusão falsa. Isto significa que se não aceitarmos a conclusão
do argumento, então há pelo menos uma premissa que também não aceitamos.
O argumento da direita é inválido, porque a verdade das premissas não oferece qualquer
justificação para aceitarmos a verdade da conclusão. É perfeitamente possível imaginar
uma situação em que as premissas são verdadeiras e a conclusão falsa. A primeira premissa
estabelece que chover é uma condição suficiente para que o chão fique molhado, mas não nos
diz que é uma condição necessária. Assim sendo, fica em aberto a possibilidade de o chão ficar
molhado por outros motivos (como por exemplo, o facto de o sistema automático de rega estar
ativo, ou de alguém ter estado a lavar o chão à mangueira, etc.). Nesse caso, as premissas
podem ser ambas verdadeiras, apesar de não ter chovido.
DIMENSÃO DISCURSIVA DA ATIVIDADE FILOSÓFICA – SOLIDEZ DOS ARGUMENTOS
Argumentos sólidos

Argumentos válidos constituídos por premissas


verdadeiras.

A solidez já pressupõe a validade.

Exemplos
Todos os portugueses são europeus.
João Sousa é português.
Logo, João Sousa é europeu.

João Sousa é vimaranense e é português.


Logo, é português.
QUADRADO DA OPOSIÇÃO

Concluímos assim que:


→ A validade é uma propriedade que se refere exclusivamente à forma lógica ou
estrutura formal do argumento.

→ O conteúdo específico das premissas e da conclusão não é relevante para determinar


a validade dos argumentos.

A validade é uma importante propriedade dos argumentos. Se, e apenas se, nos
basearmos em informação verdadeira e, simultaneamente, raciocinarmos validamente, é
seguro que não chegaremos a uma conclusão falsa.