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 Doutora em antropologia pela universidade de

Brasília (1991),
 Pós-doutora em sociologia pela USP (1993),
 Mestre em antropologia pela universidade de
Brasília (1979),
 Graduada em história pela universidade
federal da paraíba (1967).
Atualmente é prof. Adjunto IV da UFPB
(aposentada) e credenciada como professora
voluntária no programa de pós-graduação em
sociologia (PPGS- CCHLA) da UFPB.
Concentração na área de ciência da informação,
principalmente nos seguintes temas:
pescadores, imaginário p o p u l a r, espaço,
turismo, comunicação e novas tecnologias,
internet.
• Simone Maldonado realiza um estudo etnográfico
sobre como os pescadores da Paraíba organizam o
trato do espaço a que têm acesso. As comunidades
analisadas são de Ponta do Mato e Camalaú, no
município de Cabedelo, e Tambaú, em João Pessoa.
• Finalidade da obra: fazer conhecer mais os
pescadores e ensinar a delicadeza e a complexidade
do passar pelas fronteiras vazadas e flexíveis dos
diferentes âmbitos da vida.
• Áreas de interesse: antropologia, etnografia,
movimentos sociais, comunidades de pescadores,
populações do litoral.
A MARCAÇÃO
• Importância de se compreender a marcação
para se compreender a pesca.
• Prática comum aos grupos pesqueiros,
fundamental a náutica e à produção, como pela
riqueza e significação das formas em que se
expressa nas sociedades marítimas.
Qual é a identidade do pescador???
• O conhecimento do meio marinho e a
capacidade de nele se orientar e de interpretar
a linguagem da natureza, lendo-a nos
movimentos do mar, no vôo das aves marinhas
a na vibração da corda da sassanga.
p. 97
É uma prática social ligada a
territorialidade, conceito que
A marcação é uma das instâncias em
É um elemento essencial à produção informa fundamentalmente o
que se constrói, se expressa e se
pesqueira e sem o qual não se entra conhecimento marítimo e outras
atualiza a territorialidade dos
o mar. práticas associadas na construção do
pescadores.
horizonte de relacionamento das
sociedades pesqueiras com o real.

A literatura sobre os pescadores


São áreas menores dentro de cada
mostra ser generalizada que eles se
“mar” onde os botes ancoram e
organizam e fazem dentro da teoria
pescam a partir da sazonalidade
local, o gerenciamento e a exploração
(época) da produção pesqueira, que
dos espaços de cada comunidade,
determina que espécies poderão ser
dividindo o mar em zonas de pesca,
perseguidas e capturadas em cada
mares, bancos de peixe, pesqueiros,
lugar.
“pedras” e “grounds” (terrenos)

p. 98
Qual a importância da capacidade
de “marcar” dos mestres??? “Os conhecimentos tradicionais
que viabilizam a identificação das
zonas produtivas do mar e de
Segurança orientação no “alto” de onde não
se avista terra, têm sido
dos
considerados como capacidades
Pescadores cognitivas típicas dos pescadores.
No entanto mais do que dados
naturais, a náutica e a
Expressão territorialidade que viabilizam a
Bom orientação dos pescadores são
dos
desempenho
da pesca Processos habilidades, percepções e atitudes
simbólicos construídas no aprendizado social
e na familiaridade com
natureza.”
Constituem também as relações entre os
pescadores individualmente e entre os botes.
p.99
Esse acervo de conhecimentos práticos e de
códigos simbólicos que viabiliza o A autora declara que: ainda que tenham
zoneamento sazonal do mar ,tanto para fins uma determinação estritamente espacial,
de organização das jornadas de trabalho estas características de produção acabam
como para fins de territorialidade, refletindo as especificidades dos “mares” e do
capacitando os botes a realizar uma boa produto que interessa aos pescadores.
pesca sem ferir a pesca alheia, no entanto Portanto parece oportuno contextualizar
não faz do mar um espaço livre, nem uma como fenômenos da ordem da percepção e da
realidade sem conflitos. representação do espaço.

“Depoimentos”

p. 99 - 100
MARCAÇÃO & TERRITÓRIO

A marcação
Prática social e produtiva que • A marcação é universal à prática
encompassa duas ordens de pesqueira e as instancias e as
fenômenos. relações em que se realiza sao
sempre fundamentais à produção
Enquanto tecnica, é o elemento mais do peixe e à reproduçao social dos
importante para a produção e para o pescadores (CORDELL, 1989).
bom resultado das jornadas de pesca. • O nível mais perceptível da
marcação, é o conhecimento do mar,
O outro nível, o nível simbólico, é a que por sua vez é também
medida em que a marcação esta estrutural à autoridade do mestre,
entrelaçada na construção social da tornando possível levar um bote a
mestrança, tendo portanto a ver com mares distantes e trazê-los de volta
processos hierarquicos. em boa hora e a salvo.

P. 103
Atributos
dos
Mestres
• O mestre é aquele que tem
O domínio prático da natureza, na conhecimento de onde as pedras estão,
retórica e nas práticas sociais
ou que encontra as pedras, atribuindo-
lhes um nome.
pesqueiras , parece ser atributo
específico da mestrança. • Pelo conhecimento e pelo segredo que
cercam essas pedras que se
No que diz respeito à marcação, à estabelecem entre os pescadores , as
percepção, e à divisao do espaço relações simbólicas marcadas pelo
pelos pescadores , as capacidades prestígio de quem as descobre e
extraordinarias atribuídas aos controla.
mestres, sao também simbólicos, e • É esse conhecimento e controle das
os processos que daí decorrem pedras que garantem, em grande
perpassam o comportamento e a parte, ao mestre suas qualidades
falandos pescadores ao referir-se principais: a competência e a liderança
ao conhecimento das rotas e à (DIEGUES, 2001).
territorialidade no mar.

p. 103
A mestrança
• Para autora a mestrança é uma
espécie de “chamado”, conjunto de
capacidades, vocações
exclusivamente pessoais, que vão
além do saber ir, pescar e voltar.
• É de grande importância na
organização da produção e nas
atitudes dos demais pescadores
durantes as jornadas de trabalho.
• Eles são a marca hierarquica, o
saber difernciador.
Divisão do espaço:
Se calca na ideologia da mestrança e
nas capacidades especiais dos
mestres de navegação.
p.104
Orientação dos
pescadores

Indicadores naturais : Tempo e


Lugar;
Condições climáticas expressas no:
Vento, Céu, Marés, Movimentos das
algas, Movimento das aves.
Através de seu domínio prático,
conhecem: o relevo submerso das
marés que percorrem e o
comportamento das especies.
Utilizam-se de instrumentos
artesanais como pesos de chumbo
(sassangas), para identificar fundos
e ancorar barcos e jangadas.
p. 104
Como ocorrem as marcações???
• As normas e condições de marcação varia
de grupo para grupo.
• Vai depender das especificidades
ecológicas e geográfica de cada um.
• Assim cada grupo constroe sua nautica,
seus mestres, sua marcaçao e sua
territorialidade.
• De fato, o dominio prático da natureza
entre os pescadores se viabiliza nas
representações que cada grupo faz da
instancia natural que explora com fins de
subsistência.

p.104 e 105
Nomeação dos • Esses lanços são nomeados
pontos de pesca tradicionalmente por
• Indicadores físicos:
• Os pontos de pesca são
chamados localmente de Ex.: lanço da pedra redonda, lanço da
pesqueiros e constitui a voltinha
unidade básica de
territorialidade daqueles Algum acontecimento:
pescadores. Ex.: lanço do padre, lanço do
• Cada ponto de pesca Espinhel de pedro.
específico, tem denominação.
Os mestres os nomeiam e lhes
• Os chamados “pesqueiros” são atribuem direitos de propriedade ou
subdivididos em “lanços” que de usufruto.
são espaços determinados
pelas correntes, pelas marés e Esse controle de espaço pela
pelos níveis de visibilidade, a comunidade passa oralmente de
depender da fase da lua. geração em geração.

p. 106 e 107
MARCAÇAO E LÉXICO • Na pesca paraibana, a pedra é um
EM PONTA DO MATO sina. Sinal de peixe, “morada de
gente, pois onde há pedra costuma
Cada uma dessas zonas de pesca háver peixes.”
contem pontos de abundância de
peixe cuja distribuição e O que são especificamente os
características variam, contendo Pesqueiros???
espécies diferentes a cada época do
ano. - Os pesqueiros não são formações
São esses pontos de abundância naturais e sim navios afundados,
que são denominados “pesqueiros”, restos de borrachas, velhos depósitos,
“’pedras”, “morada de peixe” jogados pelos navios que passam, que
conceitos que podem significar em cujos destroços, crescem espécies
realidades ecológicas ou marinhas.
geográficas que correspondem a
estrutura dos demais códigos da
espacialidade pesqueira tendo
profunda significação simbólica.

p. 112
MARCAÇAO E MARCAÇAO E “RESPEITO”
CONSCIENCIA
Como em outros grupos, os conflitos podem
ocorrer entre tripulações e botes da própria
comunidade ou de outras comunidades.
A descoberta de pesqueiros ou
“pedras”, se associa a Geralmente a tensão territorial entre eles se
“consciência” e ao “tino” dos bons expressa em atos que vao desde ofensas
pescadores e sobretudo dos verbais feitas em lugares públicos, até brigas
mestres. armadas, passando por formas de retaliação,
“Achar a pedra” é difícil, mas esta danos ao instrumental ou sabotagem nos
é a condição para que alguém botes, redes ou instrumentos fixos.
venha a ser mestre. Sempre há conflitos sérios sobre um direito
A consciência é utilizada para de pesca.
se referir a sabedoria que se
alcança por qualidades pessoais, Cada mestre sabe se outro é ou não confiável
fala de um conhecimento pela sua capacidade de se manter destro dos
necessário ao desempenho limites constituídos de competição , de
nautico. honra e de respeito.

p.115 , 116 e 122


MARCAÇÃO E CONCLUSÃO
RESPEITO
“Sobretudo a nós, moradores da terra, o que
O segredo resguardado (noção chama mais a atenção e o que mais fascina é
de lugar) e protegido pelos a organização do pescador, a sua capacidade
pescadores em geral é apanágio de cognição e de orientação. Esse nível de
dos mestres que administram a significado do segredo, no entanto, é apenas
distribuição social da a sua aparência mais imediatamente
informação e do espaço, em perceptível. A prática de marcação implica
termos de tecnologia, do numero em outros significados e comportamento
de tripulantes, das relações com simbólicos, profundamente relacionados na
ideologia e nas relações sociais dos
a terra e da pesca que querem pescadores. Assim, tanto as rotas marítimas
fazer. como a localização dos pontos de abundancia
são mantidos em reserva por cada
tripulaçao, sendo essa atitude parte dos
construtores sociais de que se compõe o
processo de apropriação do mar, articulados
com as noções de “consciencia”, de “respeito”
e de SEGREDO.”
Bibliografia

MALDONADO, Simone M. 1993. “A marcação”. IN: Mestres & Mares. Espaço


e indivisão na Pesca Marítima. São Paulo: AnnaBlume, p. 95-128.

DIEGUES, A. C. 2001. Tradição marítima e oralidade: pesca de marcação e


mestrança em Galinhos, Rio Grande do Norte – Brasil. Revista do Programa
de estudos Pós Graduados de História . São paulo: Projeto história. v. 22.