Вы находитесь на странице: 1из 110

DIREITO CONTRATUAL CIVIL I

Profa. Dra. Manuela Cibim Kallajian


manuela.kallajian@unimep.br
manuela.kallajian@gmail.com
NEGÓCIO JURÍDICO E CONTRATO

Quando o ser humano de sua manifestação de vontade


com a intenção precípua de gerar efeitos jurídicos, a expressão dessa
vontade constitui-se num negócio jurídico.
Como já estudamos, o negócio jurídico é todo o ato
lícito, que tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir,
modificar ou extinguir direitos. O CC refere-se ao negócio jurídico, sem
exatamente defini-lo, nos arts. 104 e seguintes.
Embora tenhamos várias normas gerais de contrato, as
verdadeiras regras gerais do direito contratual são as mesmas para
todos os negócios jurídicos e estão situadas na parte geral, que ordena a
real teoria geral dos negócios jurídicos. Trata-se, pois de uma estrutura
moderna, que não deve ser abandonada, em que pese a necessidade de
modernização de velhos conceitos de direito privado.
Portanto, para qualquer negócio jurídico, e não apenas
aos contratos, aplicam-se as regras sobre capacidade do agente, forma e
objeto, assim como em relação às normas sobre os vícios sociais. O
Código mantém tal estrutura, sob o título “negócios jurídicos”.
EVOLUÇÃO DO DIREITO CONTRATUAL

Os princípios básicos do direito contratual (principio da


autonomia da vontade, da relatividade das convenções e o da força
vinculante do contrato) sofreram profundas modificações no
decorrer do século XX.
O principio da autonomia da vontade parte do pressuposto de
que os contratantes se encontram em pé de igualdade, e que,
portanto, são livres de aceitar ou rejeitar os termos do contrato.
Ocorre que, tal fato e apenas teórico, pois geralmente, o
contratante mais fraco não pode fugir a necessidade de contratar e,
consequentemente, o contratante mais forte leva uma sensível
vantagem no negócio, pois é ele quem dita as condições do ajuste.
O fato de um contratante se ver obrigado a se submeter às
clausulas que impõe o contratante mais forte, levaram o legislador a
intervir no contrato. E assim o fez criando novas normas de ordem
pública contra as quais esbarra a liberdade de contratar.
Ex. para regular as locações, criou-se a lei do inquilinato,
que regula as relações entre o inquilino e o locador. E, para
regular as relações de consumo, criou-se o Código de
defesa do Consumidor.

Tem-se como objetivo atenuar as desigualdades por


ventura reinantes no contrato, evitando-se vantagens
indevidas para uma das partes.
A evolução de que tratamos também se estendeu ao
princípio da obrigatoriedade das convenções, que da
mesma forma sofreu limitações.
Por tal princípio o contrato vincularia as partes, que
só se desvinculavam pelo distrato ou por caso fortuito ou
forca maior. A partir dos últimos anos do séc XIX, viu-se
uma tendência em reviver a clausula rebus sic stantibus,
que acabou se consolidando com a moderna teoria da
imprevisão.
Tal clausula prevê que se o contrato, que versa sobre
prestações sucessivas, se tornar excessivamente oneroso para
uma das partes, em virtude de fatos extraordinários e
imprevisíveis, poderá o prejudicado pedir a rescisão do negócio.
Esse conceito passou a se intensificar por ocasião da I
Guerra mundial (l914-1918), que por se tratar de acontecimento
extraordinário, veio a agravar a posição do devedor de prestações
sucessivas, derivadas de contratos realizados antes da Guerra, o
que ameaçava conduzir a ruína os devedores.
Embora a teoria da imprevisão não tivesse encontrado
texto expresso antes do CC/2002,se podia senti-la em todas as
tentativas de reforma de legislação civil brasileira.
O CC/2002 trata da resolução contratual por onerosidade
excessiva em seu art. 478.
O que se vê é a evolução do contrato, talvez no sentido de
sacrificar a amplitude de seus princípios básicos em favor das
restrições que almejam fazê-lo mais justo e mais humano
PRESSUPOSTOS E REQUISITOS DO CONTRATO

O contrato é a mais importante categoria do negócio


jurídico que possui a função econômica de satisfação dos
interesses patrimoniais das partes. Por isso, é imperativo
considerar os seus elementos, que conferem ao contrato existência
e validade.
A doutrina clássica apontava a existência de requisitos
subjetivos e objetivos do contrato.
Seguindo essa orientação, são requisitos subjetivos: a
capacidade e o consentimento recíproco. Já os requisitos objetivos
do contrato são: a forma e o objeto lícito.
O contrato contém dois elementos: o estrutural, consistente
na alteridade do negócio jurídico como bilateral ou plurilateral,
exceção feita ao contrato consigo mesmo; e o funcional, resultante
da composição dos interesses contrapostos e harmonizáveis das
partes.
Posteriormente, desenvolveu-se uma nova classificação, em que se
distingue a existência de elementos extrínsecos (pressupostos) e
elementos intrínsecos (requisitos) do contrato.

Sob essa ótica, são pressupostos ou elementos extrínsecos


do contrato:

• a capacidade das partes, regida pelas regras da Parte Geral do


Código Civil;

• a legitimação contratual, isto é, a autorização concedida pelo


ordenamento jurídico para que a pessoa contrate; e

• a licitude do objeto, que pressupõe que o objeto é possível,


determinado ou determinável e apreciável economicamente.
São elementos intrínsecos ou requisitos do contrato:

• o consentimento recíproco, pois todo contrato supõe o


acordo de vontades;

• a idoneidade, compreendendo-se a licitude e a moralidade


do objeto imediato, que é a operação jurídica;

• a adequação da forma, quando a lei exigir; e,

• a causa final lícita (motivação, objetivo).

Vejamos.
Capacidade das partes

O grau de discernimento do sujeito para a celebração


do contrato é pressupostos de sua validade, já que se refere a
elementos estranhos ao ajuste isoladamente considerado,
concernentes à identificação das partes, ao bem da vida contratado
e ao conteúdo do negócio jurídico.
Não há contrato válido se uma das partes for absoluta
ou relativamente incapaz para a prática de negócio jurídico, nos
termos da legislação em vigor.

De acordo com o art. 3º do Código Civil (após a


entrada em vigor do Estatuto da pessoa com deficiência - Lei n.
13.146/2015), são absolutamente incapazes de exercer
pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 anos e,
relativamente incapazes, os maiores de dezesseis e os menores de
dezoito anos; os ébrios habituais e os viciados em toxico; aqueles
que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir
sua vontade e os pródigos.
O contrato firmado com
relativamente incapaz, no entanto, pode vir a
ser convalidado, com a posterior autorização do
assistente legal respectivo (o detentor do poder
familiar, o tutor ou o curador).
Por tal razão, o negócio jurídico
firmado pelo relativamente incapaz é, em
princípio, anulável, com eficácia ex nunc,
contrariamente ao que sucede com os contratos
firmados por absolutamente incapaz, que são
nulos de pelo direito (eficácia ex tunc).
Legitimação para contratar

Apesar de serem plenamente capazes, há sujeitos


que não podem vir a celebrar contrato, por lhes faltar autorização
legal para tanto em razão de alguma situação jurídica perante a
outra parte, que constitui óbice ao ajuste.

A falta de autorização legal para uma pessoa


contratar é denominada ausência de legitimação. Os sujeitos que
se encontram nessa situação, embora plenamente capazes, são
partes sem legitimação para contrair o negócio jurídico. É o que
sucede com os tutores e os curadores, que não podem adquirir
bens de seus respectivos pupilos.

A legitimação, a qual Clóvis Beviláqua chama de


capacidade especial, difere-se, desse modo, da capacidade geral
para a prática de atos e negócio jurídicos enunciada nos arts. 3. e
4. do CC). E, além disso, é variável, isto é, depende da situação
fática na qual uma pessoa, embora capaz, vier a se encontrar.
Idoneidade do objeto
O objeto da operação conhecida por negócio jurídico, do
qual o contrato é a sua principal categoria, é o bem da vida motivador da
realização desse ajuste.
A coisa deve ser res in commercio, para que não suceda
qualquer vedação legal de circulação do bem em sociedade, com alternância
de titularidade. A tal fenômeno dá-se o nome de possibilidade jurídica.
A licitude do objeto a ser contratado inclui, ainda, a noção
de possibilidade física da aquisição do bem sob pena de inviabilização do
contrato. Não há, por exemplo, contrato de aquisição de um planeta ou de
uma estrela.
O objeto da avença não pode ser contrário à moral ou aos
bons costumes, vedando-se, por exemplo, a alienação livre de substâncias
entorpecentes ou a constituição de sociedade que venha a fomentar o
proveito pecuniário da prostituição.
Conforme mencionado, o objeto ou bem da vida deve ser
lícito, possível (jurídica e fisicamente) e determinado ou, ao menos,
determinável (como no caso de aquisição de coisa futura).
O objeto deve ser apreciável economicamente, pois não há
contrato de transmissão provisória ou definitiva do bem de valor vil ou
desprovido de economicidade. Ex. a aquisição de um grão de feijão.
Para a real aferição de eventual contrariedade à moral ou aos bons
costumes, em determinado caso, caberá ao aplicador da norma jurídica
contratual e legal verificar o seu efetivo alcance e sua real função social,
objetivando-se, assim, a satisfação dos interesses difusos e coletivos. É a
função social do contrato.

Licitude do objeto

Para que possa ser celebrado, é imprescindível que o


contrato adotado se caracterize como operação negocial lícita, que é seu
objeto direto e imediato.
A operação contratual pode ser firmada tomando-se por
base algum modelo fixado ou não pela lei. No primeiro caso, chama-se
contrato nominado; no outro, contrato inominado.
Assim, por exemplo, para que a pessoa proceda à aquisição
definitiva de um imóvel, a operação necessária é a compra e venda e o
objeto mediato da relação jurídica é a casa.
O jogo de azar não regulamentado ou autorizado pelo Poder
Público constitui operação antijurídica, isto é, proibida pela lei.
Consentimento. Teoria da confiança e boa-fé objetiva

O consentimento recíproco de contratar é


indispensável para a conclusão do negócio jurídico.
A convergência da declaração de vontade das
partes, no entanto, não possui efeitos jurídicos se estiver
divorciada de outros elementos que lhe conferem validade e
eficácia. São eles: liberdade, a seriedade e o sentido da
contratação.
A ausência de liberdade da manifestação de
vontade importa em coação, equivale dizer, em um vício de
consentimento que torna o negócio jurídico anulável, porque o
agente infligiu à vítima mal injusto, grave e iminente.
É lógico que qualquer outro vício de
consentimento pode ensejar a anulação de contrato.
Assim, se o contrato é celebrado por erro da
vítima ou, ainda, mediante dolo, lesão ou estado de perigo, o
interessado poderá pleitear a sua ineficácia judicial.
O mesmo poderá vir a suceder nos negócios
celebrados com vício social. Contudo, é de se observar que a
simulação absoluta e a relativa sujeitam-se, no modelo de 2002,
à nulidade. Já a fraude contra credores é anulável.
Sobre a seriedade da declaração de vontade, é de
se afirmar que não há convergência de vontades se uma das
declarações for emitida em tom jocoso, de ironia ou de mera
brincadeira.
Não há negócio jurídico se a declaração de
vontade não for proferida no sentido da contratação.
A manifestação de vontade de uma parte deve ser
convergente à da outra, mediante a justaposição dos interesses,
a fim de que o vínculo contratual seja estabelecido. Caso
contrario, não há contrato.
O contrato possui como tônica o acordo de
vontades para a satisfação dos interesses das partes. A essa
convergência de vontades dá-se o nome de consensualismo, que
é o consentimento recíproco, imprescindível para a celebração
do contrato.
Pouco importa a maior ou menor delimitação da
autonomia da vontade, pois o consensualismo é indispensável para a
existência do contrato.
O contrato paritário evidentemente tem como
pressuposto necessário de validade o consensualismo, porque as
partes, de livre vontade e de forma séria, escolhem com quem
contratar, o que contratar e em que termos contratar, isto é,
deliberam sobre o conteúdo da avença.
Mesmo no contrato de adesão, que é o negócio
jurídico cujo conteúdo não é livremente discutido entre as partes,
porém pré-elaborado por uma delas ou por terceiro, limitando-se o
aderente a aceitar a conclusão da contratação nos termos
predispostos, observa-se a existência do consensualismo, pois o
aderente decide se quer ou não o objeto oferecido pelo
predisponente.
Apesar de a convergência de vontades se constituir em
um pressuposto da contratação válida, o contrato deve preencher não
apenas os pressupostos necessários de existência e de validade, como
também os de eficácia. Isso significa que as partes devem declarar a
sua vontade de contratar de forma livre, séria, no sentido da
contratação.
A liberdade de contratar encontra seu fundamento
no princípio da autonomia da vontade, porém é sempre mister
verificar se a pessoa exteriorizou a vontade de forma harmoniosa
com a sua vontade interna ou não.
Quando houver defeito da manifestação da vontade
de uma das partes, o caso será de ineficácia do negócio jurídico,
como é o que sucede com os vícios de consentimento e os vícios
sociais. São hipóteses concomitantes com a formação do contrato,
motivo pelo qual o negócio deverá ser desconstituído por meio de
rescisão judicial, cujo sentença terá efeito “ex nunc”, sem prejuízo
de eventuais perdas e danos que vierem a ser reclamadas pela
pessoa que foi prejudicada.
Tanto os vício de consentimento como os vícios
sociais passaram a ser analisados no novo Código a partir da
Teoria da Confiança, que de forma mais adequada substitui a
teoria da responsabilidade tradicional, devendo o operador do
direito proceder à verificação da boa-fé objetiva, princípio geral
incidente sobre os contratos em geral, deixando-se de lado a boa-
fé subjetiva, relegada pelo legislador para os direitos reais.
Dar-se-á o vício do consentimento, segundo o CC, quando:

• a vítima cometer erro essencial, ou seja, vier a concluir o contrato


porque teve uma falsa percepção da realidade que a levou a
celebrar o negócio jurídico que não efetuaria, caso tivesse
conhecimento da verdade, sendo tal circunstância reconhecível pela
outra parte por ocasião da contratação;
• o agente vier a cometer dolo, isto é, proceder de forma a dar causa
ao prejuízo sofrido pela vítima, vindo a dela obter vantagem
indevida;
• o agente cometer lesão, ou seja, acabar por se aproveitar da
situação de inferioridade da vítima por inexperiência, dela obtendo
vantagem indevida ante a sua falta de informação acerca da
situação do mercado no qual o negócio jurídico se insere ou pela
cobrança do preço abusivo ou extorsivo;
• O agente vier a se aproveitar do estado de perigo no qual a vítima
ou pessoa de sua família ou íntima relação se encontra, dela
obtendo vantagem indevida; e
• O agente proceder mediante coação, ou seja, prometer ou
efetivamente causar mal injusto, grave e iminente em desfavor da
vítima ou de pessoa de sua família a fim de obter vantagem
indevida.
Os vícios sociais previstos no CC são:

• a simulação, ou seja, a utilização de uma


operação meio (que pode de fato ter sido
efetivada ou não) para se obter, na operação
fim, vantagem indevida sobre a vítima;

• a fraude contra credores, que se trata de vício


social por meio do qual uma pessoa reduz seu
patrimônio, inviabilizando-se, desse modo, a
satisfação dos interesses dos seus credores
respectivos.
Forma

Sempre que a lei não proibir, será facultada


às partes a adoção da forma que preferirem para
contratar. Contudo, quando a lei impuser
determinada forma, esta deverá ser observada,
sob pena de nulidade.
PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO CONTRATUAL

AUTONOMIA DA VONTADE

Esse principio clássico, inspirado no Código


Francês, segundo o qual o contrato faz lei entre as partes,
é posto hoje em nova berlinda. Desapareceu o liberalismo
que colocou a vontade como centro de todas as avenças.
No entanto, a liberdade de contratar nunca foi ilimitada,
pois sempre esbarrou nos princípios de ordem pública.
Diz o art. 421 do CC que “a liberdade de
contratar será exercida em razão e nos limites da função
social do contrato”. Deve-se enfatizar que a função social
do contrato é algo que deve ser trazido à discussão no
caso concreto.
No ordenamento há normas cogentes que não
poderão ser tocada pela vontade das partes. Há normas
supletivas que operarão nos silêncio dos contratantes.
Por este ângulo, realçando o conteúdo social
do Código em vigor, seu art. 421 diz “ A liberdade de
contratar será exercida em razão e nos limites da função
social do contrato”. O controle judicial não se manifestará
apenas no exame das cláusulas contratuais, mas desde a
raiz do negócio jurídico. Como procura enfatizar o nosso
CC., o contrato não é mais visto pelo prisma individualista
de utilidade para os contratantes, mas no sentido social de
utilidade para a comunidade.
Nesse sentido, pode ser coibido o contrato
que não busca essa finalidade. Somente o caso concreto, as
necessidades e situações sociais de momento é que
definirão o que se entende por interesse social.
FORÇA OBRIGATÓRIA DOS CONTRATOS

Um contrato válido e eficaz deve ser cumprido pelas


partes: pacta sunt servanda. O acordo de vontade faz lei entre as partes,
dicção que não pode ser tomada de forma peremptória, alías, como tudo
em Direito. Sempre haverá temperamentos que por vezes conflitam, ainda
que aparentemente, com a segurança jurídica.
Essa obrigatoriedade forma a base do direito contratual. O
ordenamento deve conferir a parte instrumentos judiciários para obrigar o
contratante a cumprir o contrato ou a indenizar pelas perdas e danos. Não
tivesse o contrato força obrigatória estaria estabelecido o caos. Ainda que
se busque o interesse social, tal não deve contrariar tanto quanto possível
a vontade contratual, a intenção das partes.
Decorre desse princípio a intangibilidade do contrato.
Ninguém pode alterar unilateralmente o conteúdo do contrato, nem pode
o juiz, como princípio, intervir nesse conteúdo. Essa é a regra geral. As
atenuações legais que estudaremos alteram em parte a substância desse
princípio,.
A noção decorre do fato de terem as partes contratado de
livre e espontânea vontade e submetido sua vontade à restrição do
cumprimento contratual porque tal situação foi desejada.
PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE DOS CONTRATOS

A regra geral é que o contrato só ata aqueles que


dele participaram. Seus efeitos não podem, em princípio, nem
prejudicar, nem aproveitar a terceiros.
No entanto, como todo princípio geral, abrem-se,
por vezes, exceções. Há obrigações que estendem seus efeitos a
terceiros. São efeitos externos. Tal é o caso das estipulações em
favor de terceiro (CC., arts. 436 a 438), por exemplo.
Assim, o contrato não produz efeito com relação a
terceiros, a não ser nos casos previstos na lei. Temos que entender
por “parte contratual” aquele que estipulou diretamente o
contrato, esteja ligado ao vínculo negocial emergente e seja
destinatário de seus efeitos finais. Por outro lado, deve ser
considerado como “terceiro” com relação ao contrato, quem quer
que apareça estranho ao pactuado, ao vínculo e aos efeitos finais
do negócio.
PRINCÍPIO DA BOA-FÉ NOS CONTRATOS

A questão da boa-fé atine mais propriamente à


interpretação dos contratos e não se desvincula do exame da função
social. A interpretação liga-se á aplicação da norma. Interpretar e
aplicar o Direito implicam-se reciprocamente.
De forma simples, podemos afirmar que esse princípio
da boa-fé se estampa pelo dever das partes de agir de forma correta,
eticamente aceita, antes, durante e depois do contrato, isso porque,
mesmo após o cumprimento de um contrato, podem sobrar-lhes
efeitos residuais.
Importante é examinar o elemento subjetivo em cada
contrato, ao lado da conduta objetiva das partes. A parte contratante
pode estar já, de início, sem a intenção de cumprir de cumprir o
contrato, antes mesmo de sua elaboração.
A vontade de descumprir pode ter surgido após o
contrato. Pode ocorrer a que a parte, posteriormente, veja-se em
situação de impossibilidade de cumprimento. Cabe ao juiz examinar
em cada caso se o descumprimento ocorre de boa ou má-fé.
A BOA FÉ OBJETIVA (E SUBJETIVA)

Reza o art. 422 do CC: “Os contratantes são obrigados a


guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os
princípio de probidade e boa-fé”.

A idéia central é no sentido de que, em princípio,


contratante algum ingressa em um conteúdo contratual sem a necessária
boa-fé. A má-fé inicial ou interlocutória em um contrato pertence a
patologia do negócio jurídico e como tal deve ser examinada e punida.
Toda cláusula geral remete o intérprete para um padrão de conduta
geralmente aceito no tempo e no espaço. Em cada caso o juiz deverá
definir quais as situações nas quais os partícipes de um contrato se
desviaram da boa-fé.

Como o art. 422 se reporta ao que se denomina “boa-fé


objetiva”, é importante que se distinga da “boa-fé subjetiva”.

Na boa-fé subjetiva, o manifestante de vontade crê que


sua conduta é correta, tendo em vista o grau de conhecimento que possui
de um negócio. Para ele há um estado de consciência ou aspecto
psicológico que deve ser considerado.
Assim, podemos chegar a conclusão que a
boa-fé subjetiva se refere ao estado psicológico da
pessoa, consistente na justiça, ou, na licitude de seus
atos, ou na ignorância de sua antijuricidade. Alípio
Silveira a chamou de boa-fé crença, e Fábio Ulhoa Coelho
definiu como “a virtude de dizer o que acredita e
acreditar no que diz”. Assim, aquele que se encontra em
uma situação real, e imagina estar em uma situação
jurídica, age com boa fé subjetiva.

A boa-fé objetiva, por outro lado, tem


compreensão diversa. O intérprete parte de um padrão
de conduta comum, do homem médio, naquele caso
concreto, levando em consideração os aspectos sociais
envolvidos. Desse modo, a boa-fé objetiva se traduz de
forma mais perceptível como uma regra de conduta, um
dever de agir de acordo com determinados padrões
sociais estabelecidos e reconhecidos.
Seria, portanto, "um princípio geral de Direito,
segundo o qual todos devem comportar-se de acordo com um
padrão ético de confiança e lealdade. Gera deveres
secundários de conduta, que impõem às partes
comportamentos necessários, ainda que não previstos
expressamente nos contratos, que devem ser obedecidos a fim
de permitir a realização das justas expectativas surgidas em
razão da celebração e da execução da avença".

Há outros dispositivos no Código que se


reportam à boa-fé de índole objetiva. Assim dispõe o art. 113:
“os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a
boa-fé e os usos do lugar de sua celebração”.

Ao disciplinar o abuso de direito, o art. 187


estabelece: “Comete ato ilícito o titular de um direito que, ao
exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu
fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”.
Desse modo, pelo prisma do Código, há
três funções nítidas no conceito de boa-fé objetiva:
função interpretativa (art. 113); função de controle
dos limites do exercício de um direito (art. 187); e
função de integração do negócio jurídico (art. 422).

Em qualquer situação, porém, não deve


ser desprezada a boa-fé subjetiva, dependendo seu
exame sempre da sensibilidade do juiz.

Avalia-se sob a boa-fé objetiva tanto a


responsabilidade pré-contratual, como a
responsabilidade contratual e a pós-contratual. Em
todas esses situações sobreleva-se a atividade do
juiz na aplicação do Direito ao caso concreto.
FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO

A função social do contrato que norteia a liberdade


de contratar, segundo art. 421, está a indicar uma norma aberta
ou genérica, a ser preenchida pelo julgador no caso concreto.

"Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos


limites da função social do contrato.“

O compromisso expresso no art. 421, do Código


Civil, com a função social, importa no reconhecimento de que o
contrato não pode mais ser considerado como direito absoluto,
devendo estar ligado ao instituto jurídico da igualdade.

O princípio da função social do contrato possui


nítido relacionamento com o princípio da boa fé, que exige que as
partes ajam com lealdade e confiança recíprocas, devendo
colaborar, mutuamente, na formação e execução do contrato,
tudo na mais absoluta probidade.
A função social instrumentaliza-se pelos princípios
do equilíbrio contratual e da boa-fé objetiva, ressaltando-se que o
princípio do pacta sunt servanda não vigora mais em toda a sua
intensidade.
O princípio da função social do contrato revela-nos
que o contrato não pode mais ser visto pela ótica meramente
individualista, já que possui um sentido social para toda a
comunidade.
Considera-se violado o princípio da função social
dos contratos quando os efeitos externos do pacto prejudicarem
injustamente os interesses da sociedade ou de terceiros não
ligados ao contrato firmado.
O art. 421 do Código Civil instituiu um novo
requisito de validade dos pactos, subordinando a eficácia das
avenças à observância de determinados padrões de probidade,
lealdade e sociabilidade, o que sinaliza que não podemos pensar
no contrato de modo isolado, mas sim no contexto do
ordenamento jurídico em que está inserido, através do qual deve
ser assegurado, principalmente, o princípio da igualdade.
O que o princípio imperativo da "função social
do contrato" estatui é que este não pode ser transformado
em um instrumento para atividades abusivas, causando dano
à parte contrária ou a terceiros, uma vez que, nos termos do
Art. 187, "também comete ato ilícito o titular de um direito
que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos
pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons
costumes".
O art. 421 do Código Civil veio atrelar o princípio
da autonomia de vontade ao da socialidade, uma vez que a
liberdade de contratar é limitada pela função social do
contrato, sendo esse artigo conseqüência dos princípios
constitucionais da função social da propriedade e da
igualdade, atendendo aos interesses sociais, uma vez que
limita o arbítrio dos contratantes, criando condições para o
equilíbrio econômico-contratual.
O novo Código Civil não ficou a margem da
indispensável necessidade de integrar o contrato na
sociedade, como meio de realizar os fins sociais, pois
determinou que a liberdade contratual (...) deve ser exercida
em razão e nos limites da função social do contrato.
Tendo uma visão mais prática, o art. 421 do
Código Civil alarga a capacidade do juiz para proteger o mais
fraco, na contratação, que, por exemplo, possa estar sofrendo
pressão econômica ou os efeitos maléficos de clausulas
abusivas ou de propaganda enganosa.
O atendimento a função social pode ser
enfocado sob dois aspectos: um individual, relativo aos
contratantes, que se valem do contrato para satisfazer seus
interesses próprios, e outro, público, que é o interesse da
coletividade sobre o contrato. Nessa medida, a função social
do contrato somente estará cumprida quando a sua
finalidade (distribuição de riquezas) for atingida de forma
justa, ou seja, quando o contrato representar uma fonte de
equilíbrio social.
INTERPRETAÇÃO DOS CONTRATOS

1) a regra de ouro na interpretação dos contratos. O


art. 112, orientando que “nas declarações de
vontade se entenderá mais à intenção que ao sentido
literal da linguagem”.
2) os contratos benéficos deverão ser interpretados
restritivamente (art. 114 CC), devendo o intérprete
permanecer limitado aos contornos traçados pelos
contratantes.
3) a transação interpreta-se restritivamente (CC art.
843)
4) a fiança dar-se-á por escrito e não admite
interpretação extensiva (art. 819CC).
5) os negócios jurídicos deverão ser interpretados
conforme a probidade e a boa-fé (art. 422 CC).

6) nos contratos por adesão, com cláusulas


ambíguas ou contraditórias dever-se-á adotar a
interpretação mais favorável ao aderente (art. 423
CC).

7) as cláusulas contratuais deverão ser interpretadas


de maneira mais favorável ao consumidor (Lei
8078/90, art. 47), se houver alguma dúvida.

Entre outras. As regras de interpretação não estão


agrupadas em um único título do CC, encontrando-
se espalhadas pelo ordenamento.
CLASSIFICAÇÃO DOS CONTRATOS

Dentre as várias classificações de contratos,


pode-se destacar:

CONTRATOS CONSIDERADOS EM SI MESMOS:

Quanto a natureza da obrigação: - Contratos unilaterais e


bilaterais
- Comutativos e aleatórios
- Onerosos e gratuitos

- Paritário e por adesão


Quanto a forma: - contratos consensuais
- contratos solenes
- contratos reais

Quanto a sua denominação - contratos nominados


- contratos inominados
Quanto ao objeto - contrato de alienação de bens
- contratos de transmissão de uso e gozo
- contratos de prestação de serviços
- contratos de conteúdo especial (misto. Ex. leasing)

Quanto ao tempo de - contratos de execução imediata


execução - contratos de execução continuada

Quanto à pessoa do contratante - contratos pessoais


- contratos impessoais
CONTRATOS RECIPROCAMENE CONSIDERADOS

• Contratos principais

• Contratos acessórios

Vejamos cada um deles:


Contratos unilaterais – nesse tipo de contrato, uma só das
partes assume obrigações em face da outra. Ex: comodato,
mútuo, mandato, depósito, etc.

Contratos bilaterais – quando cada contraente for credor e


devedor do outro, produzindo direitos e obrigações para
ambos. Ex. compra e venda, troca, locação, etc.

Contratos onerosos – os onerosos são aqueles que trazem


vantagens para ambos os contratantes, que sofrem um
prejuízo patrimonial correspondente a um proveito almejado.
Ex. locação.

Contratos gratuitos- oneram apenas uma das partes,


proporcionando a outra uma vantagem, sem qualquer
contraprestação. Ex; doação pura e simples.
Contratos comutativos – são aqueles em que cada contraente, além
de receber do outro prestação relativamente equivalente à sua,
pode verificar, de imediato, essa equivalência, Ex. compra e venda.

Contratos aleatórios – são aqueles em que a prestação de uma ou de


ambas as partes depende de um risco futuro e incerto, não se
podendo antecipar o seu montante. Ex. rifa, bilhete de loteria,
seguro.

Contratos paritários- são aqueles em que os interessados, colocados


em pé de igualdade, ante o princípio da autonomia da vontade,
discutem os termos do ato negocial, eliminando os pontos
divergentes mediante transigência mutua.

Contratos por adesão – são aqueles em que a manifestação de


vontade de uma das partes se reduz a mera anuência a uma
proposta da outra. Ex: contrato de transportes, de fornecimento de
gás, de água.
Contratos consensuais – que se perfazem pela simples
anuência das partes, sem necessidade de outro ato. Ex.
locação, parceria rural.

Contratos solenes – que consistem naqueles para os quais a


lei prescreve, para a sua celebração, forma especial. Ex.
compra e venda de imóvel.

Contratos reais - que são aqueles que se ultimam com a


entrega da coisa, feita por um contraente a outro, ou seja,
pela tradição. Ex. comodato, mútuo, depósito.

Contratos nominados - encontram-se expressamente


previstos em lei, com a sua regulamentação própria. Ex.
contrato de compra e venda, permuta, doação, empréstimo
etc.
Contratos inominados – que se afastam dos modelos legais, pois
não são disciplinados ou regulados expressamente pelo CC ou
por lei extravagante, porém são permitidos juridicamente, desde
que não contrariem a lei e os bons costumes. Ex. contrato sobre
exploração de lavoura de café, cessão de clientela, etc.

Contratos de execução imediata – que são os que se esgotam


num só instante, mediante uma única prestação. Ex. troca,
compra e venda à vista.

Contrato de execução continuada – que ocorrem quando a


prestação de um ou de ambos os contraentes se dá a termo. Ex.
compra e venda a prazo. Tais contratos são os que sobrevivem
com a persistência da obrigação, muito embora ocorram soluções
periódicas, até que, pelo implemento de uma condição ou
decurso de um prazo, cessa o próprio contrato. Ex. locação de
coisa, prestação de serviço.
Contratos pessoais – são aqueles em que a pessoa do
contratante é considerada pelo outro como elemento
determinante de sua conclusão.

Contratos impessoais – que são aqueles em que a


pessoa do contratante é juridicamente indiferente.

Contratos principais – são os que existem por si,


exercendo sua função e finalidade
independentemente de outro.

Contratos acessórios – são aqueles cuja existência


jurídica supõe a do principal, pois visam assegurar a
sua execução. Ex. fiança.
DOS CONTRATOS EM GERAL

Da formação dos contratos

Forma-se o contrato pelo encontro concordante de duas


declarações receptícias. Porém, até o ajuste das vontades, ou
seja, o acordo final, há uma fase de negociações preliminares
(conversações prévias, estudos sobre os interesses de cada
contraente, se convém ou não realizar o contrato).

Em fase de neg. preliminar não se estabelece entre as


partes qualquer compromisso, podendo desistir do negócio caso
o considere inconveniente, recusando-se a prestar a sua anuência
definitiva. Entretanto, as negociações preliminares trazem as
partes expectativas, fazendo com que muitas vezes realizem
despesas, abram mão de outros negócios, alterem planos de sua
atividade imediata. Assim, se uma das partes, sem motivo justo,
desistir do negócio, por mero capricho, deve indenizar a outra
parte por prejuízos porventura resultantes.
Importante: o fato de a outra parte desistir sem justo motivo
não dá à a outra direito de exigir que o negócio seja
realizado (exceto nas relações de consumo), somente o de
exigir a reparação dos prejuízos experimentados. Tal
condenação não tem força legal própria (não tem artigo
correspondente), encontrando força no art. 186 do CC, que
impõe dever de reparar a quem, por ação ou omissão,
culposa ou dolosa, causa prejuízo a outrem.

O legislador cuidou da fase preliminar dos contratos através


da proposta e da aceitação.

- Não confundir as negociações preliminares com o


contrato preliminar, que será motivo de estudo
oportunamente.
A proposta e a aceitação são elementos
indispensáveis à formação do contrato e, entre
elas, gira toda a controvérsia sobre a força
obrigatória do contrato, sobre o momento exato
em que ambas se fundem para produzir a relação
contratual, e sobre o lugar em que se reputará
celebrado o negócio jurídico.
A PROPOSTA

É a oferta dos termos de um negócio, convidando a outra


parte a com eles concordar. É feita pelo proponente ou policitante
ao oblato, por força da qual o primeiro manifesta a sua intenção
de se considerar vinculado, se o outro aceitar.

Como é elemento inicial do contrato, deve ser séria,


completa, precisa e inequívoca.

Trata-se de uma declaração unilateral de vontade por parte


do proponente, revestindo-se de força vinculante ao que a
formula, se o contrário não resultar de seus termos, da natureza
do negócio ou das circunstâncias do caso (CC, arts. 427 e 428). É
assim, pois gera na outra parte uma expectativa, sendo que se não
o policitante não mantiver sua proposta, deverá indenizar o oblato
em perdas e danos.
Como é elemento inicial do contrato, deve ser séria, completa,
precisa e inequívoca.

Porém, deixa a proposta de ser obrigatória (CC, art. 428):

1) Quando feita a pessoa presente:

For feita sem prazo e não for imediatamente aceita.


(Nestes casos, considera-se também presente a pessoa
quando esta contrata por telefone, fax, e-mail, telex, etc. Se
houver prazo para a resposta, o policitante só se desvincula
depois de transcorrido esse prazo, sem aceitação).
2) Quando feita a pessoa ausente:

• Se, formulada sem prazo, houver decorrido tempo suficiente para


chegar a aceitação ao conhecimento do proponente. (é assim, pois
a lei supõe que não havendo concessão de prazo para refletir,
deve o oblato resolver de pronto se aceita ou não a proposta. Se
este recebeu a proposta e não aceitou, o policitante se desliga do
vínculo).

• Se, havendo concessão de prazo para a resposta, este se esgotar


sem que a aceitação seja expedida;

• Se antes da proposta, ou simultaneamente a ela, chegar ao


conhecimento da outra parte a retratação do proponente. (é assim
pois recebendo o oblato ao mesmo tempo a proposta e a
retratação, não se cria, em seu espírito, aquela justa expectativa
de contratar, que o legislador quer proteger). Ex: um comerciante,
descobrindo a inconveniência de um negócio proposto por carta a
um cliente, retrata-se no mesmo dia por telegrama, que em tese
chegará primeiro que a carta.
Assim:
Presente: comunicação instantânea
Ausente: há lapso temporal

CDC, art. 35

Art. 35. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar


cumprimento à oferta, apresentação ou publicidade, o
consumidor poderá, alternativamente e à sua livre escolha:
I - exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da
oferta, apresentação ou publicidade;
II - aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente;
III - rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia
eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a
perdas e danos.
A ACEITAÇÃO

A aceitação consiste na formulação da vontade concordante do


oblato à proposta do policitante. É necessária a presença de dois
requisitos:
a) que a aceitação seja formulada dentro do prazo concedido na
oferta;
b) que corresponda a uma adesão integral à proposta.

Se a manifestação da vontade do aceitante não se submete a tais


requisitos necessários, não se tratará de aceitação, mas de nova
proposta, que não gerará os efeitos daquela, pois o primeiro
proponente ficará desvinculado da obrigação de contratar,
somente o fazendo se o aprouver.

A aceitação é em regra expressa, porém pode se operar


tacitamente. O CC (art. 432), traz duas hipóteses de aceitação
tácita, a saber:
• Quando se tratar daqueles negócios em que não se costuma exigir
aceitação expressa.
Tais casos ocorrem quando o próprio negócio já vem ocorrendo
desta forma. Ex: se um comerciante sempre recebe remessas de fábrica,
revende aos seus clientes e depois paga o fabricante, no dia em que desejar
recusar uma remessa deve de pronto comunicar o fato ao fabricante, sob
pena de se considerar aceito o negócio, tacitamente.

• Quando o proponente tiver dispensado a aceitação e a recusa não


chegar a tempo.
Quando o proponente tiver dispensado a aceitação: mas isso
somente nos casos em que o ajuste anterior entre os mesmos ou as
relações passadas entre os contraentes leve a crer que o silêncio
correspondeu a aceitação. Ex: se um comerciante de roupas costuma enviar
a uma cliente sacolas com peças para serem provadas em casa e a cliente
costuma ficar com peças de roupas por dois dias para escolher as que quer e
devolver as que rejeitou, entende-se que é de costume dar-se como
realizado o negócio com aquelas que não foram devolvidas. Assim, a inércia
da cliente dentro do prazo de dois dias anteriormente ajustado com o
comerciante, faz presumir a aceitação.
Somente em dois casos a aceitação deixa de
aperfeiçoar o contrato, liberando o proponente de
qualquer obrigação:

• Se a aceitação, embora expedida a tempo, por


motivos imprevistos chegar tarde ao
conhecimento do proponente; (o proponente
então já se encontrava liberado pelo atraso)
• Se antes da aceitação, ou antes dela, chegar ao
proponente a retratação do aceitante. (pois não
houve coincidência de vontade).
MOMENTO DA CONCLUSÃO DO CONTRATO

Os contratos se aperfeiçoam no momento da


aceitação. Nenhuma dificuldade encontramos nessa
definição se o contrato se realiza entre presentes. Porém,
nos casos de o contrato ser realizado entre ausentes, existe
um problema a ser resolvido em virtude do perfazimento
do mesmo por correspondência epistolar ou telegráfica
(carta), uma vez que há um intervalo de tempo mais ou
menos longo entre a manifestação do aceitante e o
conhecimento dela pelo policitante.
Diante de algumas teorias para a solução do problema, o
nosso Código Civil optou pela teoria do sistema da agnição, na
forma da subteoria da expedição. Entende-se, assim, que o
momento do aperfeiçoamento do contrato é aquele em que a
carta ou telegrama é expedido, pois neste instante o aceitante
perde o comando sobre a sua vontade, não mais podendo
arrepender-se.

Porém o art. 434, traz exceções a esta regra:

• se expedida a aceitação, junto a ela ou antes dela chegar ao


proponente a retratação do aceitante.
• Se o proponente se comprometer a esperar chegar a
resposta;
• Se a aceitação não chegar no prazo convencionado.
LUGAR EM QUE SE REPUTA CELEBRADO O CONTRATO

De acordo com o disposto no art. 435 do CC, o


negócio jurídico contratual reputar-se-á celebrado no lugar
em que foi proposto. Esse local é aquele em que a proposta
é expedida ou em que é conhecida. Assim o contrato será
tido como celebrado no local em que se deu a oferta.

Em matéria de direito internacional privado (para que


se determine o foro competente para julgar conflitos
oriundos do contrato e a lei a ser nesses casos aplicada)
deve-se observar também o que preceitua a LINDB, art. 9º,
parágrafo 2º onde a obrigação resultante do contrato
reputa-se constituída no lugar onde residir o proponente.
DA ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIROS

É um contrato estabelecido entre duas pessoas, em que uma


(estipulante) convenciona com outra (promitente) certa vantagem
patrimonial em proveito de terceiro (beneficiário), alheio à formação do
vínculo contratual.

Exemplos:
• Contrato de seguro, em que o estipulante, mediante o pagamento de
prêmios anuais, consegue da seguradora (promitente), a promessa de
pagar a terceiro por ele indicado (beneficiário), uma certa quantia em
dinheiro, em virtude de seu falecimento.
• Nas doações modais (com encargo), quando o donatário se obriga para
com o doador a executar encargo em benefício de certa pessoa.

Trata-se de negócio peculiar, pois em vez de resultarem do contrato


obrigações recíprocas entre os contraentes, apenas um deles assume o
encargo de realizar prestação em favor de terceiro. Além disso, foge ao
princípio de que o contrato não beneficia e nem prejudica terceiros.
Requisitos:

• A presença do estipulante (que agindo em nome próprio, contrata em


benefício ou no interesse de terceiro); o promitente ou devedor (que se
obriga a uma prestação, perante o estipulante, em favor de terceiro) e o
beneficiário (que é o terceiro a quem o contrato beneficiará).

É imprescindível, para que se configure a estipulação em favor de terceiro, que


este, beneficiário, seja estranho ao contrato.
O beneficiário não precisa ter aptidão para contratar, podendo ser até
indeterminada, no instante da celebração do contrato, desde que determinável. .

• Um objeto, que além de lícito e possível, deverá corresponder a uma


vantagem patrimonial gratuita ou não, que beneficie terceira pessoa, alheia à
convenção. Porém, não se exige que o benefício seja inteiramente gratuito.
Ressalte-se que a estipulação não poderá ser feira contra terceiro, mas sempre a
seu favor.

• A forma será livre, pois é contrato consensual.


NATUREZA JURÍDICA

Trata-se de uma categoria especial de contrato, uma


vez que a exigibilidade da prestação passa ao
beneficiário (que se torna sujeito da relação), sem
que o estipulante a perca. Isto é, como a prestação
deverá ser realizada em benefício de terceiro, este se
tornará credor do promitente, aperfeiçoando-se o
ajuste no momento em que ele aceitar a vantagem
prometida.
EFEITOS:

Relação entre estipulante e promitente:

• o estipulante e o promitente, na criação do vínculo contratual, agem como


qualquer contratante;

• o promitente se obriga a beneficiar terceiro, mas nem por isso se desobriga


ante o estipulante (este tem direito de exigir a obrigação e pode substituir o
terceiro, desde que reserve-se a tal direito, independente da anuência do
promitente, por ato inter vivos ou causa mortis);

• o estipulante poderá exonerar o promitente, se no contrato não houver


cláusula que dê ao beneficiário o direito de reclamar-lhe a execução da
promessa;

• o estipulante pode, ainda, revogar esse contrato, hipótese em que o


promitente se libera perante o terceiro, passando a ter o dever de prestar a
obrigação ao estipulante (exceto se o contrário resultar da vontade das
partes, da natureza do contrato ou do caráter personalíssimo da obrigação)
Relação entre promitente e terceiro:

Só aparece na fase de execução do contrato, quando o terceiro


passa a ser credor, podendo exigir o cumprimento da prestação prometida.
Desde que se sujeite às condições e normas do contrato por ele aceito,
quando o estipulante não o inovar. (CC, art. 438).

Ressalte-se que o promitente não poderá opor, como


compensação ao terceiro, o crédito que ele tiver contra o estipulante.

Suponhamos que o promitente tenha uma dívida junto ao


estipulante de R$ 10.000,00. O estipulante, no contrato em favor de
terceiro faz outro negócio, dizendo que lhe doa um imóvel, caso o
promitente venda um veículo seu ao beneficiário em valor inferior ao
mercado (R$ 20.000,00), sendo este desconto no valor de R$ 10.000,00. O
promitente não pode querer que o beneficiário compre o carro no valor de
R$ 20.000,00 alegando que possui uma dívida junto ao estipulante no valor
de seu benefício no contrato em favor de terceiro. Não se pode exigir do
beneficiário um sacrifício de sua vantagem no negócio, para saldar dívida
do estipulante junto ao promitente.
Relação entre estipulante e terceiro

• o estipulante terá o poder de substituir o terceiro;

• o estipulante poderá exonerar o devedor, se o


terceiro em favor de quem se fez o contrato não se
reservar o direito de reclamar-lhe a execução;

A aceitação do terceiro consolida o direito, tornando-o


irrevogável, de forma que antes de sua aceitação, ou
se se reservar tal direito, o estipulante pode inovar a
estipulação, quer modificando a pessoa do
beneficiário, quer exonerando da obrigação o devedor.
DA PROMESSA DE FATO DE TERCEIRO (ARTS. 439 a 440)

No contrato com promessa de fato de terceiro, duas pessoas


capazes e aptas a criar direitos e obrigações ajustam um
negócio tendo por objeto a prestação de um fato, que deverá
ser cumprido por outra pessoa. O devedor deverá obter o
consentimento do terceiro, pois este é que deverá executar a
prestação final.

A promessa de fato de terceiro não é submetida a alguma


forma particular e pode inclusive ser tácita.

Ressalte-se que uma pessoa só se torna devedora de uma


obrigação:
• Por manifestação de sua própria vontade;
• Por força de lei ou;
• Em decorrência de ato ilícito.
Assim, se alguém promete ato de terceiro, este não se obriga, a
menos que dê sua anuência à proposta

Percebe-se que o promitente apenas se vincula a uma obrigação


de fazer, ou seja, a de conseguir o ato de terceiro.

Se o terceiro consentir em realizá-la, executa-se a obrigação do


devedor primário, que se exonerará.

Duas situações:
• Se o terceiro não anuir, ou seja, não concordar em realizar o ato,
o promitente (ou devedor primário) deverá indenizar o credor,
em perdas e danos, desde que provados;

• Se o terceiro anuir, porém não cumprir a obrigação, o


promitente está exonerado de qualquer obrigação, uma vez que
sua obrigação era apenas conseguir que o terceiro se
comprometesse com a avença.
Ocorre, porém, a responsabilidade por perdas e danos não existirá se o
terceiro for cônjuge do promitente e o ato a ser praticado depender da
anuência deste cônjuge. Isso se dá para proteger o consorte das exorbitâncias
do outro, pois nesses casos, dependendo do regime de bens, o pagamento
das perdas e danos os bens do esposo podem vir a responder pelo
descumprimento da promessa.

Assim, retira-se a eficácia da promessa de fato de terceiro quando, por


exemplo, o marido tenha prometido obter a anuência da mulher na
concessão de um fiança e esta se recusar a dar. Isto porque tal recusa
sujeitaria o promitente (marido) a responder por perdas e danos que iriam
sair do patrimônio do casal, casado por regime de comunhão (seja total ou
parcial).

A responsabilidade por perdas e danos também não ocorrerá se a prestação


do terceiro não puder ser levada a efeito por impossibilidade física ou jurídica
ou por iliceidade (neste último caso, o contrato seria nulo – CC, art. 166, II)

Exemplo de promessa de fato de terceiro: A, corretor de imóveis, se


compromete com B a conseguir que C venda determinado imóvel.
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS (CC, arts. 441 a 446)

Vícios redibitórios são falhas ou defeitos


ocultos existentes na coisa alienada, objeto de
contrato comutativo e nas doações modais (com
encargo), não comum às congêneres, que a tornam
imprópria ao uso a que se destina ou lhe diminuem
sensivelmente o valor, de tal modo que o ato
negocial não se realizaria se esses defeitos fossem
conhecidos, dando ao adquirente ação para redibir
o contrato ou para obter o abatimento do preço.
Assim, são vícios não comuns aos objetos da espécie, que
não poderiam ser logo percebidos pelo comprador, que os
adquire no pressuposto da inexistência desses vícios. Esses
defeitos ocultos tornam o bem alienado inútil ao fim a que se
destina ou lhe diminuem o valor.

O fundamento da responsabilidade do alienante pelos


vícios redibitórios repousa no princípio da garantia, pois quem
adquire um bem e por ele dá uma contraprestação tem direito à
sua utilidade natural. Diante disso, e como não pode examinar o
produto em profundidade, o adquirente deve estar garantido
contra o alienante, no caso do bem apresentar tais defeitos.

Ex: carro que esquenta demasiadamente ao subir uma ladeira;


sacos adquiridos para embalar café com cheio intolerável,
novilhas escolhidas para reprodução de gado, porém estéreis, o
prédio sujeito a inundações em virtude de chuvas.
Requisitos:

• Coisa adquirida em virtude de contrato


comutativo ou doação gravada com encargo;
• Vício ou defeito prejudicial à utilização da coisa
ou determinante da diminuição de seu valor;
• Defeito grave da coisa;
• Vício oculto;
• Defeito já existente no momento da celebração
do contrato.
Efeitos:

• A ignorância do vício pelo alienante não o eximirá da responsabilidade,


• Se o alienante conhecia o defeito, restituirá o que recebeu com perdas e
danos;
• Se o alienante não conhecia o defeito, restituirá o valor recebido mais as
despesas contratuais.
• Os limites da garantia (valor do ressarcimento e prazos) podem ser
definidos pelos contraentes no contrato,
• Mesmo que o produto pereça nas mãos do adquirente em razão dos vícios
ocultos, o alienante continuará responsável se estes já existiam ao tempo
da tradição;
• O defeito oculto de uma coisa vendida juntamente com outras não autoriza
a rejeição de todas;
• Se o adquirente alienar o bem defeituoso a terceiro, ficará impossibilitado
de propor ação redibitória;
• A renúncia à garantia por parte do adquirente impede a propositura das
ações edilícias (ações redibitórias e estimatórias);
• O adquirente poderá rejeitar a coisa defeituosa, redibindo o contrato, por
meio de ação redibitória, ou reclamar o abatimento no preço, mediante
ação estimatória.
AÇÃO REDIBITÓRIA: o adquirente rejeita a coisa,
rescindindo o contrato e exigindo o reembolso
do valor pago mais as despesas contratuais.
Poderá exigir perdas e danos se provar que o
alienante conhecia o vício.

AÇÃO ESTIMATÓRIA ou QUANTI MINORIS: o


adquirente conserva o bem, pedindo apenas o
abatimento no preço, sem rescindir o contrato.
• DIFERENÇA ENTRE VÍCIO REDIBITÓRIO E INADIMPLEMNTO CONTRATUAL
No vício redibitório o contrato é cumprido de maneira imperfeita, enquanto
no inadimplemento contratual o contrato é descumprido. Assim, no vício
redibitório têm-se uma imperfeição da coisa comprada, como o defeito no
motor de um carro, enquanto no inadimplemento contratual há a entrega
de uma coisa por outra, como alguém que adquire café de um tipo e recebe
de outro. No caso do inadimplemento contratual o contrato poderá ser
rescindido, pois uma das partes não cumpriu a sua prestação, com o
pagamento de perdas e danos (CC, art. 389).

• DIFERENÇA ENRE VÍCIO REDIBITÓRIO E ERRO ESSENCIAL


No caso de erro essencial há um engano no que se refere a coisa, objeto da
avença. Ocorre, por exemplo, quando se compra um anel de cobre,
pensando que ele é feito de outro. De fato o comprador deseja aquele anel,
mas jamais iria adquiri-lo se soubesse do engano. Há aqui uma falsa
concepção da realidade.
No vício redibitório a lei quis reforçar a obrigatoriedade da garantia. Já nos
casos de erro essencial. a lei ampara o adquirente através da ação
anulatória, com o fundamento de ser o consentimento imperfeito, desde o
instante de sua constituição.
PRAZOS

As ações edilícias devem ser propostas:

• em 30 dias se a coisa for móvel;


• em 1 ano se for imóvel.

O prazo será contado da entrega efetiva do bem. Se o bem já


estava na posse do adquirente, inicia-se a contagem do prazo a
partir da alienação, mas será reduzido a metade.

Porém, se o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais


tarde, o prazo contar-se-á do momento em que dele o adquirente
tiver ciência, até o período máximo de 180 dias se for bem móvel
e um ano se for imóvel. Se houver cláusula contratual de garantia,
os prazos não correrão na constância desta, mas o adquirente
deve denunciar o defeito ao alienante nos trinta dias seguintes ao
seu descobrimento, sob pena de decadência.
DA EVICÇÃO (ARTS. 447 a 457)

EVICÇÃO: é a perda da coisa, por força de


decisão judicial, fundado em motivo jurídico
anterior, que a confere outrem, seu verdadeiro
dono, com o reconhecimento em juízo da
existência de ônus sobre a mesma coisa, não
denunciado oportunamente no contrato.

Funda-se no fato de que o alienante tem o


dever não só de entregar ao adquirente o bem
alienado, mas também o de garantir-lhe o uso e
gozo, defendendo-o dos riscos da evicção.
Ex.: “A” vende para “B” um carro e este, posteriormente à
venda, é acionado em ação reivindicatória por “C” que
alega ser seu verdadeiro proprietário. “B” deverá
denunciar à lide “A” para que o mesmo faça parte da ação
judicial. Restará que a ação de “C” ficará contra “A” e “B”.

Evicto: O adquirente que vem a perder a coisa


adquirida.

Alienante: O que transferiu a coisa mediante contrato


oneroso.

Evictor: O terceiro que move a ação e vem a ganhar,


total ou parcialmente, a coisa.
REQUISITOS:

• Onerosidade da aquisição do bem;

• Perda, total ou parcial, da propriedade ou da posse da


coisa alienada pelo adquirente;

• Sentença judicial, transitada em julgado, declarando a


evicção;

• Anterioridade do direito do evictor, pois a perda da coisa


deve se fundar em causa preexistente ao contrato entre
alienante e adquirente, mediante o qual o evicto a
adquiriu;

• Denunciação da lide:
A denunciação da lide consiste em chamar o terceiro
(denunciado), que mantém um vínculo de direito com
a parte (denunciante), para vir responder pela garantia
do negócio jurídico, caso o denunciante saia vencido
no processo. É o ato pelo qual o autor ou o réu
chamam a juízo terceira pessoa, que seja garante do
seu direito, a fim de resguardá-lo no caso de ser
vencido a demanda em que se encontram.

Em outros termos, pode-se dizer que a denunciação da


lide é a modalidade de intervenção forçada de terceiro
provocada por uma das partes da demanda original,
quando esta pretende exercer contra aquele direito de
regresso que decorrerá de eventual sucumbência na
causa principal.
ASSIM, PARA PODER EXERCITAR O DIREITO QUE DA
EVICAÇÃO LHE RESULTA, DEVERÁ DENUNCIAR À LIDE O
ALIENANTE, DE ACORDO COM OS ARTS 125 A 129 DO CPC.

Se o adquirente perder a coisa e tiver denunciado à lide o


alienante, a sentença que declarará o direito do evicto,
valendo com título executivo contra o alienante.

O alienante responde pelos riscos da evicção se o contrário


não previr o contrato;

A responsabilidade pela evicção decorre da lei, não


precisando, pois, estar prevista no contrato;
Esta responsabilidade pode ser excluída expressamente
do contrato, mas se isto ocorrer, o alienante responde
por ela, exceto se o adquirente sabia do risco e
expressamente o assumiu. Neste caso a
responsabilidade consiste na devolução do preço
acertado.

Assim:
• Cláusula expressa de exclusão da garantia (+)
conhecimento do risco = isenção de responsabilidade
• Cláusula expressa de exclusão da garantia (-)
conhecimento do risco = apenas devolução do valor
pago.
Direitos do Evicto 
Restituição integral  do preço pago, tendo por base o
valor da coisa ao tempo em que se evenceu, com juros e
correção monetária; das despesas com o contrato; dos
prejuízos decorrentes da evicção; da indenização dos frutos
que for obrigado a restituir; das custas judiciais. Porém, se
não fizer a denunciação, terá direito apenas ao valor pago
pelo bem, a ser requerido em ação autônoma.

Não pode ser demandado o alienante por evicção:


• Se a perda da coisa se deu por caso fortuito, força maior,
roubo ou furto;
• Se o adquirente sabia que a coisa era alheia ou litigiosa.
DOS CONTRATOS ALEATÓRIOS (CC, arts. 458 a 461)

São os contratos em que o montante da


prestação de uma ou de ambas as partes não pode
desde logo ser previsto, por depender de um risco
futuro, capaz de provocar sua variação. O contrato
aleatório é aquele em que as prestações oferecem uma
possibilidade de ganho ou de perda para qualquer das
partes, por dependerem de um evento futuro e incerto
que pode alterar seu montante. O objeto do negócio
está ligado à idéia de risco. Isto é, existe uma álea no
negócio, podendo daí resultar um lucro ou uma perda
para qualquer das partes.
Já sabemos que contrato aleatório é aquele que, a
depender da alea (= sorte, destino), uma das
partes terá mais vantagem econômica do que a
outra, como no seguro, jogo e aposta.

O contrato aleatório se opõe ao contrato


comutativo (em que não só as prestações
apresentam uma relativa equivalência, como
também as partes podem avaliar, desde logo, o
montante das mesmas).
Tipos de vendas aleatórias:

a) emptio spei: o adquirente compra o risco de as


coisas adquiridas virem ou não a existir. É a compra de
uma esperança, quando o comprador assume o risco
da existência da coisa (ex: pago cinqüenta reais a um
pescador pelo que ele trouxer no barco ao final do dia;
a depender da quantidade de peixe capturado, o
comprador ou o pescador sairá ganhando, mas mesmo
que não venha nada, o preço continua devido, se o
pescador agiu com a diligência habitual, (art 458);
outros exs: colheita de uma fazenda, tesouros de um
navio afundado, ninhada de uma cadela, etc).
b) emptio rei speratae: O risco assumido pelo
adquirente não mais diz respeito à existência futura
da coisa comprada, mas à sua existência em maior
ou menor quantidade. Aqui o risco é na
quantidade, então se não vier nada, ou se nada for
produzido, o preço não será devido (459 e
parágrafo único). Exemplo: Se a proposta ao
pescador é adquirir o produto do lanço da sua
rede, assumindo-se ore isco de ele apenas apanhar
maior ou menor quantidade de peixe, o adquirente
se liberará de a rede vier vazia.
c) coisas já existentes e expostas a risco: O contrato pode ser
aleatório, por se referir a coisas existentes, mas expostas a risco.
Se o adquirente assumir tal risco, terá o alienante direito a todo o
preço no caso da destruição desta (art 460) - a alea decorre não
de coisas futuras, mas de coisas existentes, contudo expostas a
risco (ex: compra em região sob guerra ou terremoto, maremoto,
como comprar um navio que está viajando para o Brasil sob
tempestade e o adquirente assume o risco do naufrágio, etc). Por
causa desse risco, o comprador irá obter um preço menor, mas se
a coisa perecer antes da entrega, o preço assim mesmo será
devido.
Porém, o art. 461 deixa claro que a alienação aleatória a que se
refere o art. 460 poderá ser anulada se o prejudicado provar que
o outro contratante agiu com dolo, vendendo uma coisa que já
não existia, pois houve a consumação do risco.

Percebam que o risco faz parte do contrato aleatório.


DO CONTRATO PRELIMINAR (CC, arts. 462 a 466)

Contrato preliminar é aquele em que uma ou ambas as


partes se comprometem a celebrar mais tarde outro
contrato, gerando, portanto, o dever de concluir outro
contrato. Distingue-se das negociações preliminares, pois
não é uma simples negociação ou tratativa, por ser um
contrato que tem por escopo delinear os contornos do
contrato definitivo que se pretende efetivar, gerando direitos
e deveres para as partes, que assumem uma obrigação de
fazer aquele contrato final.

Exemplos: promessa de compra e venda, de cessão de


direitos, etc.
Requisitos:

• Exceto quanto à forma, o contrato preliminar deve conter todos


os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado. Assim terá
validade e gerará para o inadimplente o dever de indenizar,
desde que, inscrito no registro competente (art. 463, parágrafo
único), contenha todos os requisitos do definitivo e seja
irretratável.
Dessa forma, serão exigidos apenas dois dos três requisitos de
validade do contrato (requisitos essenciais): capacidade do agente e
objeto lícito, determinado ou determinável). A forma foi, através de
um opção legislativa, excluída do contrato preliminar, que exige
apenas que o instrumento particular seja levado a registro
competente.

• Deve, além dos requisitos acima, conter, por exemplo, o ajuste


sobre o bem e o preço;

• Poderá haver cláusula de arrependimento.


Consequências:

• Se não houver cláusula de arrependimento, qualquer das


partes terá o direito de exigir a celebração do definitivo,
assinando prazo à outra para que o efetive;

• Esgotado esse prazo, o magistrado, a pedido do


interessado, poderá suprir a vontade do inadimplente,
conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar, salvo
se a isto se opuser a natureza da obrigação (por ex.
promessa de outorgar mandato)

• Se o estipulante não der execução ao contrato preliminar,


poderá a outra parte considera-lo desfeito e pedir perdas
e danos.
Formas:

• Contrato preliminar unilateral: na promessa unilateral


apenas uma pessoa se vincula; a outra terá liberdade de
efetivar ou não o contrato definitivo. São exemplos de tais
contratos preliminares unilaterais a opção de compra, a
venda a contento e a promessa de doação. Se a opção
tiver prazo certo, vencido este prazo o ofertante se liberta
da promessa. Se não tiver prazo, deve o credor para que a
promessa não fique sem efeito, se manifestar naquela que
for razoavelmente assinado pelo devedor.

Exemplo: A obriga-se com B a vender-lhe determinado


imóvel dentro de certo prazo sem que receba de B a
correspectiva obrigação de adquirir.
• Contrato preliminar bilateral: cria obrigações
para ambos os interessados, ficando desde
logo programado o contrato definitivo. Cada
um terá direito de exigir do outro o
cumprimento contratual, sob pena de
suportar as consequências decorrentes. Na
verdade o que se deve é o contrato definitivo.
• Se no contrato preliminar houver cláusula de
arrependimento, e uma das partes se valer desta
cláusula e desistir de realizar o contrato principal,
poderá a outra pedir perdas e danos.
• Porém, se no contrato preliminar não houver cláusula de
arrependimento, e uma das partes se recusar a realizar o
contrato principal, a outra poderá entender como
rescindido o negócio e pedir perdas e danos ou então
assinar prazo a parte inadimplente para que esta realize
o contrato definitivo.
• Aquele que tiver recusado a “conversão” do contrato
preliminar em definitivo após o prazo dado pela outra
parte, poderá pedir ao juiz que supra a vontade do
inadimplente, conferindo caráter definitivo ao contrato
preliminar (CC, art. 464).
• Destaca-se que o contrato preliminar apenas traz para as
partes uma obrigação de fazer, ou seja, de realizar o
contrato definitivo.
Exemplos:

• Contrato preliminar unilateral –

Maria oferece à Pedro um imóvel situado na rua das Flores,


n. 100 por 50.000 e pede uma resposta em 30 dias.
Se Pedro não se interessar, Maria se desobriga e pode
oferecer para outras pessoas. Se Pedro se interessar, deverá
dar a resposta no prazo concedido, podendo exigir de Maria
a venda do referido imóvel. Dessa negociação, também
chamada de opção, poderá surgir um contrato preliminar e
um contrato definitivo, dependendo da vontade das partes.
Não é um pré-contrato e muito menos contrato, pois é uma
fase do período preparatório. Assim, se Maria se arrepender,
o que é perfeitamente possível nesta fase, somente terá que
arcar com perdas e danos.
• Contrato preliminar bilateral

Suponhamos que Maria ofereça a Pedro o imóvel da rua das Flores por
R$ 50.000,00 e este aceite. Passarão então, a ajustar preço, forma de
pagamento entre outras formalidades, para, posteriormente, (Maria tem
impostos atrasados e pretende quita-los), realizarem o contrato definitivo.
Se Maria se reservar ao direito de se arrepender e, após acertar os
impostos, desistir de realizar o contrato principal, poderá Pedro pedir
perdas e danos.
Porém, se no contrato preliminar não houver cláusula de arrependimento, e
Maria se recusar a realizar o contrato principal, Pedro poderá entender
como rescindido o negócio e pedir perdas e danos ou então assinar prazo a
Maria para que esta realize o contrato definitivo. Maria poderá tomar as
mesmas providências em relação a Pedro, se este se negar em realizar o
contrato definitivo.

Aquele que tiver recusado a “conversão” do contrato preliminar em


definitivo após o prazo dado pela outra parte, poderá pedir ao juiz que
supra a vontade do inadimplente, conferindo caráter definitivo ao contrato
preliminar.
Destaca-se que o contrato preliminar apenas traz para as partes uma
obrigação de fazer, ou seja, de realizar o contrato definitivo.
Diferente de bens móveis, em que a tradição
transfere a propriedade, os bens imóveis
dependem de escritura definitiva – por serem
solenes. Assim, se Pedro conseguir de Maria o
contrato definitivo (compromisso irretratável de
compra e venda) e esta se recusar a transferi-lo a
Pedro dando-lhe a escritura definitiva, após este
ter pago todo o preço, poderá substituir a entrega
da escritura definitiva por uma sentença de
adjudicação compulsória.
DO CONTRATO COM PESSOA A DECLARAR

Quando fazemos alusão à figura do contrato, ainda que


unilateral (aquele que cria prestação para apenas um
contratante), automaticamente mentalizamos a ideia da
vinculação entre duas ou mais partes, perfeitamente
identificáveis desde logo, e que correspondem aos titulares
dos direitos constituídos e das obrigações contraídas em
decorrência da avença celebrada.

Assim, no contrato de compra e venda de um imóvel, por


exemplo, sabe-se de antemão, já durante a fase das
tratativas, quem é o vendedor e quem será o comprador. Da
mesma forma, no contrato de locação, o proprietário do
imóvel é facilmente identificável, ainda que representado
por corretor, sendo que o próprio inquilino, via de regra, é
quem inicia e conclui as negociações que levarão ao
fechamento do negócio.
Entretanto, podem existir situações nas quais uma das
partes realmente interessada no negócio prefira se
manter no anonimato durante a fase das tratativas, até
o momento da conclusão do contrato, quando então
será revelada sua identidade à outra parte contraente.

Várias seriam as razões que podem justificar tal


comportamento, mas destacamos duas delas como
sendo talvez as mais corriqueiras: 1) impedir a
supervalorização do preço da mercadoria ou serviço,
devido à situação financeira privilegiada do
proponente; 2) evitar, por questões estratégicas de
mercado, que sejam descobertas, de antemão, as
pretensões empresariais de uma das partes envolvidas
em um determinado negócio.
Para estas situações ou em outras nas quais um dos
contratantes prefira manter-se oculto, a legislação
regulamentou a figura jurídica do contrato com pessoa
a declarar, que constitui inovação no nosso
ordenamento legal. O artigo 467, do Código Civil prevê:
No momento da conclusão do contrato, pode uma das
partes reservar-se a faculdade de indicar a pessoa que
deve adquirir os direitos e assumir as obrigações dele
decorrentes.

Uma vez celebrado o contrato entre as parte iniciais o


estipulante da reserva, sequencialmente, faz a
nomeação do eleito, o qual passará a assumir a posição
do nomeante, com efeitos retroativos, ou seja, o
nomeado passa a integrar a relação jurídica contratual
como se tivesse firmado o contrato desde o seu
nascedouro (efeitos ex tunc).
A indicação do terceiro deve ser comunicada à outra parte no prazo
de 5 (cinco) dias da conclusão do contrato, se outro prazo não tiver
sido estipulado pelas partes, sendo que a aceitação do nomeado
deve ser materializada através da mesma forma utilizada para a
elaboração do contrato. Ou seja, tratando-se de escritura de
compra e venda de imóvel, por exemplo, a substituição do
contratante também deverá ser feita por escritura pública.

Entretanto, nos termos do que prevê o artigo 470, do Código Civil, a


nomeação não subsistirá e o contrato será eficaz somente entre os
contratantes originários nas seguintes hipóteses: 1) se a indicação
não for feita no prazo legal (cinco dias) ou naquele que foi
convencionado; 2) se o nomeado se recusar a assumir o contrato;
3) se a pessoa nomeada era insolvente, e a outra pessoa o
desconhecia no momento da aceitação; 4) se a pessoa nomeada
era incapaz ou insolvente no momento da nomeação.

Nestas hipóteses o contrato não perde sua eficácia. Entretanto,


seus efeitos jurídicos produzir-se-ão apenas entre as partes
originariamente contratantes.
EXTINÇÃO DO CONTRATO

Todo negócio jurídico cumpre seu ciclo existencial. Nasce


do mútuo consenso, sofre os contratempos de sua
caminhada e termina normalmente pelo adimplemento da
prestação.

A quitação é o ato pelo qual se atesta o pagamento,


provando-o, exonerando-se, então, o devedor da obrigação
cumprida. Deve conter os requisitos do art. 320 do CC.

Assim, extingue-se normalmente o contrato pela sua


execução e o credor atestará o pagamento por meio de
quitação regular.
CAUSAS DE DISSOLUÇÃO DO CONTRATO
ANTERIORES OU CONTEMPORÂNEAS À SUA
FORMAÇÃO:

• NULIDADE
• CONDIÇÃO RESOLUTIVA
• DIREITO DE ARREPENDIMENTO
NULIDADE

É a sanção por meio da qual a lei priva de efeitos jurídicos o


contrato celebrado contra os preceitos disciplinadores dos
pressupostos de validade do negócio jurídico.

NULIDADE RELATIVA – poderá ser invocada apenas nos contratos


celebrados por relativamente incapazes ou por pessoas cujo
consentimento se deu por erro, dolo coação, estado de perigo,
lesão e fraude contra credores (VICIADOS). Terão os efeitos
mantidos até a sua anulação. É apenas um contrato defeituoso.
Opera os efeitos ex nunc.

NULIDADE ABSOLUTA – ocorre quando se transgride preceito de


ordem pública, não produzindo efeitos desde a sua formação.
Opera os efeitos ex tunc.
Assim a nulidade relativa não é um meio de dissolução do contrato,
apenas um reconhecimento de que o contrato é defeituoso.
CONDIÇÃO RESOLUTIVA

A condição resolutiva pode ser tácita ou expressa. A


tácita está prevista no CC, art. 475, que a subentende
em todos os contratos sinalagmáticos, para o caso em
que um dos contraentes não cumpra sua obrigação,
autorizando o lesado pela inexecução a pedir
judicialmente a rescisão contratual e a indenização das
perdas e danos. Poderá, entretanto, ser condição
expressa, caso em que a rescisão contratual operar-se-á
de pleno direito, sem necessidade de interpelação
judicial, sujeitando o faltoso às perdas e danos, desde
que o devedor esteja em mora.
A condição resolutiva ocorre, portanto, nos casos em
que um dos contratantes não cumpra a sua obrigação.
DIREITO DE ARREPENDIMENTO

O direito de arrependimento pode estar previsto no


próprio contrato, quando os contraentes estipulam,
expressamente, que o ajuste será rescindido, mediante
declaração unilateral de vontade, se qualquer deles se
arrepender de o ter celebrado, sob pena de pagar multa
penitencial. Mas esse direito poderá decorrer de lei,
como no caso do art. 49 da Lei 8078/90 (CDC), que reza
que: “o consumidor pode desistir do contrato, no prazo
de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de
recebimento do produto ou serviço, sempre que a
contratação de fornecimento de produtos e serviços
ocorrer fora do estabelecimento comercial,
especialmente por telefone ou a domicílio”.
CAUSAS EXTINTIVAS DO CONTRATO
SUPERVENIENTES A SUA FORMAÇÃO:

• RESOLUÇÃO POR INEXECUÇÃO VOLUNTÁRIA


DO CONTRATO
• RESOLUÇÃO POR INEXECUÇÃO CONTRATUAL
INVOLUNTÁRIA
• RESOLUÇÃO POR ONEROSIDADE EXCESSIVA
• DISTRATO (RESILIÇÃO BILATERAL)
• RESILIÇÃO UNILATERAL
• MORTE DE UM DOS CONTRAENTES
RESOLUÇÃO POR INEXECUÇÃO VOLUNTÁRIA DO CONTRATO

Esse tipo de extinção contratual ocorrerá quando houver:


inadimplemento culposo do contrato por parte de um dos
contraentes, danos causados ao outro e nexo de causalidade entre
o comportamento ilícito do agente e o prejuízo.

Terá efeitos ex tunc: se o contrato for de execução única;


Terá efeitos ex nunc: se o contrato for de duração continuada.
Sujeitará os inadimplentes ao ressarcimento das perdas e danos,
abrangendo o dano emergente e o lucro cessante.

Obs.
Ex tunc – apaga todas as consequências jurídicas produzidas,
restituindo-se as prestações cumpridas.
Ex nunc – não retroage, não devendo ser devolvidas prestações já
cumpridas.
RESOLUÇÃO POR INEXECUÇÃO CONTRATUAL
INVOLUNTÁRIA

Se a total inexecução contratual se der por força


maior ou caso fortuito, a resolução do contrato
operar-se-á de pleno direito, sem ressarcimento
das perdas e danos, porém haverá intervenção
judicial para compelir o contratante a restituir o
que recebeu e responsabilidade do devedor
pelos danos causados, s estiver em mora.
RESOLUÇÃO POR ONEROSIDADE EXCESSIVA

Se houver onerosidade excessiva, oriunda de evento extraordinário e


imprevisível, que dificulte extremamente o adimplemento do contrato por
uma das partes, ter-se-á a resolução contratual, por se considerar
subentendida a cláusula rebus sic stantibus, de modo que o lesado poderá
desligar-se da obrigação, pedindo ao juiz a rescisão do contrato ou o
reajustamento das prestações recíprocas. Para tanto, é necessária a
ocorrência de quatro requisitos:

a) vigência de um contrato comutativo; de execução continuada;


b) alteração radical das condições econômicas no momento da execução do
contrato em confronto com as do instante de sua celebração;
c) onerosidade excessiva para um dos contratantes e benefício exagerado
para outro;
d) imprevisibilidade e extraordinariedade daquela modificação.

Obs. Cláusula rebus sic stantibus: cláusula contratual dos contratos sucessivos
ou a termo em que as partes estipulam que o cumprimento do contrato fica
subordinado à não modificação, no futuro, dos pressupostos e circunstâncias
que ensejaram o pacto.
DISTRATO (RESILIÇÃO BILATERAL)

O distrato é um negócio jurídico que rompe o


vínculo contratual, mediante a declaração de
vontade de ambos os contraentes de pôr fim ao
contrato que firmaram. Submete-se às mesmas
normas e formas relativas aos contratos. O art. 472
só é aplicável, porém, ao caso de distrato de
contratos cuja forma é prescrita em lei.

O distrato produz efeitos ex nunc.


RESILIÇÃO UNILATERAL

É a dissolução do contrato pela simples declaração de uma das


partes, muito comum no mandato, no comodato, no depósito e
em contratos de execução continuada, opera-se mediante
denúncia notificada à outra parte (CC, art. 473 e par. único).
Assume, em certos casos, a feição especial de revogação, renúncia
e resgate.
Produz efeitos ex nunc, uma vez que as consequências jurídicas já
produzidas permanecerão inalteradas.

Obs.
REVOGAÇÃO: quando, por ex. o mandante revoga os poderes
dados ao mandatário;
RENÚNCIA: momento em que o mandatário renuncia os poderes a
ele dados pelo mandante;
RESGATE: ocorre quando se libera alguma coisa de obrigação, ônus
ou encargo, como por ex., na hipoteca.
MORTE DE UM DOS CONTRAENTES

A morte de um dos contratantes só é causa


extintiva de contrato se este for intuitu personae. Se
ocorrer essa hipótese o contrato extinguir-se-á de
pleno direito, produzindo efeitos ex nunc. Porém, se
não for intuitu personae, as obrigações contratuais
transmitem-se aos herdeiros.