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A diversidade cultural de um “pequeno país

gigantesco”
Nturudu:
Diversidade cultural e unidade nacional no carnaval da
Guiné-Bissau

Orientando: Salomão Moreira Focna


Orientadora: Larissa Oliveira e Gabarra
Introdução:

Esse trabalho objetiva compreender o papel do carnaval na construção da


identidade nacional guineense. O carnaval é o espaço de sociabilidade onde
as representações dos bens culturais (materiais e imateriais) da Guiné-
Bissau são exibidas de forma livres e espontâneas.

Nessa miragem, acreditamos que o carnaval é um espaço por excelência da


cristalização da identidade nacional na Guiné-Bissau, carregada de uma
perspectiva política.
Objetivo Gerais
Compreender o papel do carnaval na construção da identidade nacional na
Guiné-Bissau;

Objetivos Específicos
Compreender as relações interpessoais dentro desse espaço de sociabilidade;

Compreender as configurações identitárias no cenário carnavalesco da


Guiné-Bissau;
Metodologia

A metodologia usada para realização deste artigo se baseia na descrição


densa sugerida por Clifford Geertz, em que se procura observar os
símbolos da festa de carnaval dentro do contexto nacional.

A descrição densa objetiva tirar grandes conclusões a partir de fatos


pequenos, mas densamente entrelaçados; apoiar amplas afirmativas
sobre o papel da cultura na construção da vida coletiva empenhando as
exatamente em especificações complexas (GEERTZ, 2008, p.20).
A finalidade da descrição densa é o relato fruto de uma observação
minuciosa das estruturas significantes do ritual com intuito de torná-las
cientificamente claro as simples ocorrências.

É nessa perspectiva que o olhar para os rituais, celebrações, divisões,


diversidades, descontinuidades, cores, acessórios, Nturudu foram
observados, relatados – descritos – e interpretados como símbolos do
carnaval e signos sociais da cultura nacional da Guiné-Bissau.

A pesquisa também, fundamenta-se em documentos escritos e bibliografias,


tais como jornais locais, artigos acadêmicos, teses etc.
GUINÉ-BISSAU

Republica da Guiné-Bissau;

Na Guiné-Bissau, como muitos dos países


africanos, contém grande variedade de
grupos étnicos, o país conta com cerca de 30
etnias.

As diferenças étnicas são visíveis nas


manifestações culturais, que pode ser
observado no caso de carnaval e a
mandjuandadi.
Carnaval na Guiné-Bissau

O carnaval é de origem europeia, mas na Guiné-Bissau assume uma


característica singular, passa ser uma festa bastante popular.

O carnaval é maior manifestação cultural da Guiné-Bissau, é o lugar onde


as expressões culturais e artísticas de diversos grupos étnicos do país são
elevadas ao mais alto nível da cultura nacional. Por exemplo, dança,
música, costumes, fantasias e gastronomias local.
Para Justine Guillet, “o carnaval na Guiné-Bissau é uma mistura das
identidades social, cultural e artística, nela comemora-se a união entre todas
as etnias do país e, ao mesmo tempo, as diferenças culturais entre elas”
(2014, p.1).

No carnaval são apresentado vários costumes ancestrais, por exemplo:


Rituais de adoração aos deuses; Cerimônia de iniciação; Cerimônia de
casamento; Toca tchuru (velório); Momentos de colheita etc.
Na Guiné-Bissau o carnaval é conhecido como Carnaval do Nturudu, que é
a máscara gigante assustador. Os desfiles das máscaras coloridas percorrem
as principais avenidas de Bissau.

As manifestações populares de carnaval é verificada também em outras


regiões do país.
Para Justine Guillet, “As máscaras são assustadoras, outras são coloridas,
mas estas obras gigantescas são verdadeiras obras de arte” (2014).
O Estado guineense promove anualmente o concurso de carnaval,
possibilitando, assim, que exista no ceio dos vários grupos sociais e
étnicos uma memória coletiva guineense que dá significado de
pertencimento das diferenças para um mesmo corpo social.

. O carnaval é o momento em que se fala da exaltação e fortalecimento das


culturas nacionais, afinal, é um momento de demonstração da diversidade
cultural do país.
A escolha dos enredos e das músicas são de responsabilidade dos grupos,
por exemplo: as máscaras, os trajes e os pequenos carros alegórico, que
devem estar em conformidade com o lema do carnaval.
Os juris do concurso de carnaval levam em conta a originalidade, inovação,
criatividade, expressividade e identidade.

.
O carnaval como sendo um espaço do profano e de liberdade, são frequentes
as crítica ao governo, que é relacionados aos problemas que atingem o
cotidiano social, onde se fala de paz, de justiça, de educação, de
desenvolvimento e de unidade.
IDENTIDADE NACIONAL

A identidade nacional é um produto da sociedade e deriva de uma


construção histórica, calcada em um processo educacional, não apenas de
maneira formal, mas também que se utiliza de outros artefatos para
proporcionar o amor à pátria aos cidadãos.

Para Gilberto Velho, o projeto e a memória associam-se a articulam-se ao


dar significado à vida e às ações dos indivíduos, em outros termos, à
própria identidade (1994, p.101).
Para Moema Augel, “a história comum e o passado compartilhado
nacionalizam um espaço geográfico e preenchem o território (nacional) de
conteúdo mítico e de sentimentos sagrados (2007, p.277).

Para Amílcar Cabral a construção da unidade nacional implicava


diretamente a existência da diversidade cultural. A cultura para Amílcar
reside na maneira como os camponeses cultivam a terra; e, portanto,
produzem.
Para Stuart Hall, as identidades nacionais não são coisas com as quais nós
nascemos, mas são formadas e se constituem socialmente através das
representações (2006).

Uma nação é uma comunidade simbólica, isso que explica o seu poder na
criação de sentimento de identidade e lealdade. Por isso Anderson, chama de
comunidade imaginada.

Será que as culturas étnicas são instrumentalizadas nesse contexto de


construção de uma cultura nacional?
Considerações Finais

O carnaval é lugar privilegiado de observação da identidade étnica e do


projeto nacional.

O carnaval passa a exercer função dentro do projeto nacional, servindo


para a construção da identidade nacional.

Na Guiné-Bissau o Estado instrumentaliza das identidades étnicas, que é


apropriando dos vários rituais e celebrações, todas como expressões das
culturas nacionais, aparentemente, sem distingui-las.
Na Guiné-Bissau, ao longo do tempo, as diversidades das identidades
culturais passam a ser ofuscadas pelo discurso nacionalista do próprio
carnaval.

Para que exista sentimento de pertencimento as autoridades devem levar


para essas populações vantagens sociais, ou seja, algo em troca, caso
contrário, o próprio Estado provoca reações ante estatais.
Podemos inferir que o Carnaval foi transformado pós-independência em um
espaço de celebrações dos colonos para espaço de celebração das culturas
locais, que forjam a cultura nacional.

Nesse sentido, a expressão das culturas dos vários grupos étnicos da Guiné-
Bissau no Carnaval possibilita criar um espaço de expressão de suas
identidades maternas ou nativas e de valorização delas no âmbito nacional, e
assim cria esse sentimento de pertença nacional.
A identidade nacional se constitui como uma unidade de certa forma frágil
à medida que não está isenta das divisões, das diferenças do jogo de poder
e das contradições.

Nesse sentido, a inclusão social dos sujeitos nacionais para além de suas
características religiosas ou étnicas passará a ser fundamental no
fortalecimento da ideia de pertencimento.
Bibliografia

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Obrigado
Guiné-Bissau tera di Nturudu

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