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Vanessa Mattos:

Vanessa Mattos:
Vanessa Mattos:C.H. Agustoni CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.

Agustoni, Célia Haydée


DEGLUTIÇÃO ATÍPICA A238d Deglutição atípica: manual prático de
reeducação / C. H. Agustoni;
exercícios para sua

tradução, Mônica Cury Netto Pareto Perdigão;


revisão técnica, Célia Catarina do Carmo. –
Rio de Janeiro: Enelivros Ed., 1989.

Tradução de: Degluticion atipica: guia, práctica de ejercitación para


Manual prático su reeducacion.
Bibliografia.
de exercícios 1. Distúrbios da deglutição. I. Título.

para sua reeducação 88-0561

Tradução da Edição original Argentina de 1986


PUMA – Publicações Médicas Argentinas

Tradução:
Mônica Cury Netto Pareto Perdigão
Fonoaudióloga

Revisão Técnica: Programação Editorial:


Célia do Catarina do Carmo MARIA CLÁUDIA CHAGAS

Fonoaudióloga Produção Gráfica:


MÁRIO SALVADOR FALLACE

Produção Visual e Capa


THEMA Editora e Artes

ENELIVROS
ÍNDICE

I
I – Introdução.............................................................................. 01
Generalidades - Considerações terapêuticas................................ 02

II – Materiais e seu uso................................................................. 05

III – Terapia miofuncional.............................................................. 14


A reeducação mioterápica......................................................... 15
a) Exercitação para a musculatura labial.................................. 15
b) Exercitação para a musculatura lingual................................ 69
c) Exercícios para a musculatura velar..................................... 77
d) Exercícios para a musculatura têmporo-mandibular............... 77

IV – Ensino da deglutição.............................................................. 78
a) Forma de ingestão dos alimentos........................................ 79
b) Variedades de alimentos.................................................... 82 INTRODUÇÃO

V – Plano terapêutico por sessão.................................................... 84

VI – Decálogo do que não se deve fazer........................................... 87

VII – Resumo............................................................................... 89

VIII – Conclusão........................................................................... 91
GENERALIDADES – CONSIDERAÇÕES TERAPÊUTICAS Portanto, se o solicitante não tem um Diagnóstico Odontológico se
faz necessário que se consulta nesse Serviço, para que o especialista determine
As praxias da palavra são as mesmas que as de deglutição, ou seja se é conveniente ou não iniciar a reeducação e, por sua vez, oriente aos pais
a língua toca na deglutição nos mesmos pontos de articulação dos fonemas. sobre a conduta a seguir. Igualmente se passa ao ORL para que nos informe
As funções reflexo-vegetativas da respiração, sucção, mastigação e sobre o estado anátomo-funcional de seus órgãos correspondentes.
deglutição são consideradas pré-lingüísticas, ou seja, as funções que preparam os Se o quadro requer indicamos a Neurologia, Psicologia, Clínica Médica, Pediatria,
mecanismos da linguagem articulada que utilizam a mesma neuro-musculatura. Traumatologia, etc.
Ensinando uma criança a respirar bem e alimentar-se corretamente Também é importante levar em conta a gravidade da patologia que
estaremos preparando-a para falar. Se todas estas funções se desenvolverem observamos, e a extensa variedade que a mesma pode apresentar. Será
dentro de seus padrões corretos vão influenciar beneficamente na definição das adequado no plano de tratamento, a intensidade e a duração do mesmo. Se
formas e contornos das arcadas dentárias, na mímica expressiva e na articulação. estamos em presença de um caso leve e de fácil resolução podemos prever que
Este é um critério de inter-relação entre todas as funções e é de se em um período de quatro a seis meses teremos conseguido restabelecer uma
esperar que, não estando uma separada da outra, possam ocorrer incidências Unidade Funcional, que atuava de forma patológica, com o seguinte plano:
patológicas nas outras em maior ou menor grau. Portanto, é necessário exercitar • Conscientização e Automatização de hábitos corretos conseguindo
cada função independentemente de haver ou não patologias evidentes. assim, eliminação de hábitos negativos. Porém se estamos na presença de uma
Seguindo um critério de Unidade Funcional é necessário realizar Síndrome onde a criança é portadora de várias anomalias, e ao mesmo tempo
exercícios respiratórios numa Deglutição Atípica e exercícios de deglutição e deve realizar tratamentos paralelos, por exemplo: ortodôntico, antialérgicos,
postura em um Respirador Bucal intensificá-los ou não segundo a severidade de psicológico etc, será difícil prever o tempo de finalização do nosso, pois tudo
cada caso particular. estará relacionado; a eficiência de cada um deles; a freqüência com que sua mãe
Devemos trabalhar paralelamente sobre suas dislalias. se existirem, o teve ao consultório; a problemas sócio-econômicos (se o pai trabalha, se tem
ou em sua articulação compensatória. É freqüente que fonemas como: S, CH, T, uma obra social que o cubra o valor de uma prótese ou tratamento, etc...); se o
D, N, L, P, P, B, M, F, V estejam alterados em maior ou menor grau. Empregando núcleo familiar são vários irmãos e com problemas. Se existe ou não um casal
assim a mioterapia funcional integrativa reeducamos todas as funções correlatas. constituído... etc. e outros imponderáveis que se apresentem em cada caso
A deglutição é um mecanismo sinérgico de ações musculares, onde particular já que cada caso é uma individualidade cada criança tem seus próprios
todos os músculos relacionados com a cavidade oral entram em jogo. Quando tempos.
esta sinergia é quebrada podem suceder várias anomalias, no processo e assim Portanto um critério de flexibilidade, respeito a terapia resultará em
teremos a chamada deglutição at(pica ou deglutição infantil, com interposição benefício da criança a qual em longo prazo solucionará as suas dificuldades, ou
lingual ou labial, participação da musculatura perioral e sopro em lugar de sucção. caso contrário, seus pais abandonarão o tratamento ou ainda passarão de
Esta patologia ocupa a Fonoaudiólogos a Odontoestomatólogos em profissional em profissional.
uma estreita relação. É conveniente dar-lhes, às vezes, períodos de descanso que podem
É importante observar a criança desde que entra no consultório, coincidir com as férias escolares para permitir à criança que devido a sua própria
sem que ela note o que estamos fazendo para podermos ver seus hábitos sem maturação e vontade efetiva de ação dos outros tratamentos esse torne-se um
nenhuma inibição. Realizamos a anamnese correspondente e completamos o período inativo atuando e sedimentando tudo que já tinha sido trabalhado e que
diagnóstico que nos traz, que pode ser parcial, ou referir-se somente a um dos impeça a saturação da criança e do Terapeuta.
sintomas que se podem manifestar dentro de uma síndrome, pedimos as O tratamento da Deglutição Atípica pode ser individual ou grupal. A
interconsultas consideradas necessárias, se não foram previamente realizadas, prática e a necessidade hospitalar determina que o trabalho seja feito em
para entocar assim um tratamento integral. pequenos grupos (2, 3 ou 4 crianças) sendo mais dinâmico e ameno, pois
Se não trabalhamos dentro de uma equipe multidisciplinar (ou estabelece, uma situação competitiva sã entre esses integrantes, além disso das
desenvolvemos nossa profissão particularmente) nossa obrigação é a de tratar múltiplas possibilidades criadoras da terapeuta e das crianças.
reunindo por qualquer caminho viável escrita, pessoal ou telefônica, todos os Começamos com duas sessões semanais nos primeiros quatro
informes que requerem o quadro ao qual damos nossa atenção. meses, espaçando depois para uma em um período similar, para finalmente
Na sessão de Foniatria do Hospital Geral de Agudos Dr. T Alvarez estabelecer sessões de controle cada 15, 20, ou 30 dias, graduando de acordo a
de Buenos Aires realizamos um enfoque múltiplo; existem as crianças que nos diversos fatores: interesse, gravidade funcional, colaboração familiar e da criança,
chegam à partir de profissionais de diferentes especialidades internos e externos freqüência odontológica, etc.
do estabelecimento, por diferentes patologias, como também de colégios, clínicas Assim como não existem receitas de tratamento, tão pouco existem
particulares, pacientes de institutos e de outros hospitais, etc. términos pré-fixados quanto ao tempo, dependendo de cada caso,já que cada
caso é uma individualidade e cada criança tem "seu próprio tempo".

02 03
A maturação não se pode acelerar se nosso critério e preparação
nos diz que o que estamos fazendo é o correto. Não devemos criar falsas
expectativas nos pais, nem ansiedade que inevitavelmente serão percebidas pela
criança pretendendo, com isso, ganhos impossíveis tendo consciência das
limitações que se apresentam do tempo terapêutico e não subestimando a criança
com respeito às suas realizações. Não desestimulando-a e possuindo o equilíbrio
suficiente para despertar em seus pais o tipo e apoio e ao alto grau de

II
compreensão que seu filho necessita, apelando para seu alto grau de paciência
para levar a superar o tedioso tratamento que a eles lhe comprometem,
colocando-se no lugar da criança cujo único desejo é brincar e não ter obrigações,
cabendo a seus pais encarregar-se de estabelecer hábitos na educação dos filhos
(para que realize os exercícios propostos essenciais para o tratamento).
Se deve informar a criança dos prejuízos que sua alteração lhe
ocasiona atualmente e para seu futuro e da importância para o normal
restabelecimento de suas funções.
Falando-lhes muito e bem, explicando-lhes o porque e para que
está fazendo tal e qual exercícios ou conversando com afeto e, compreendendo-o
em seus erros chegamos muitas vezes a melhores resultados que impondo-nos
com autoridades, repreensão e séries de repetitivos exercícios.
Com a tríade pais-filho-terapeuta, conseguiremos passar por estas etapas
reeducativas:
• Conscientização de suas dificuldades
• Exercitação de sua musculatura
• Automatização de hábitos corretos

MATERIAIS E SEU USO

04
Os elementos auxiliares que se empregam nos momentos que
consideramos necessários são:
BISCOITINHOS PALITOS (OBLÍQUOS):

Para aprender a elevar a língua para o


ESPELHOS INDIVIDUAIS: teto de sua “casinha” (que é a boca) e
colocá-la em repouso, ali está sua
Para observação direta da postura da “caminha” (zona rugosa) onde deve
cabeça, movimento dos lábios, encostar todo o tempo, onde deve
comissuras labiais, mentalis, situação e dormir, descansar e apoiar-se quando
localização da língua, expressões faciais se inicia a deglutição.
(gestos), colocação ou armação do bolo Se recorta um retangulozinho de
alimentar (que seja sem participação biscoitinho, separamos e pedimos que
labial), saliva (que cai até fora em lugar estique a língua e o colocamos na
de deglutir), etc. ponta com açúcar até em cima.
A simples colocação do espelho frente a Devem levar em um só movimento ao
criança não significa que saiba ela "lugar" enrugado, com lábios e dentes
observar. Em muitos casos tem que se se parados e os bordos da língua
insistir para que o faça dizendo "preste apoiado nos molares. Ali faz a sucção
atenção": 'Vamos aprender a olhar a da saliva uns segundos, sem protruir a
boca e conhecer nossos dentes, nossas língua e logo controla a postura
estruturas orais, a língua, o palato, as correta: língua acima, molares juntos,
papilas, etc, Quando domina esses erros mas não cerrados, lábios juntos:
ou seja seu esquema facial se retira o permanece assim até que o biscoitinho
espelho. se dissolva.
Em uma 2ª etapa quando é necessário
conseguir manter a postura realizamos
tarefas como: pintar desenhos, ver TV,
fazer leitura, etc.
LANTERNAS:
Pode-se alternar dizendo uma estrofe
Utilizamo-na para melhorar a luminosidade da zona bucal e peri-oral, ou se de um verso e voltando imediatamente
põem a luz direta da janela para centralizar a atenção no que desejamos a língua para a posição correta.
destacar. Quando desprega o biscoito uma vez
engolido inicia-se novamente todo o
pro cesso.
Desde o começo aconselhamos limitar
o n° de biscoitinhos "biscuits" neste
exercício pois não se come um pacote
por vez.

06 07
PALITOS:
HÓSTIAS:
Para tocar sua língua nas diferentes
Cumprem as mesmas funções. Também
zonas e melhorar a sensibilidade
pode a criança pregá-las no alvéolos ou
lingual.
papilas superiores e logo com um movi-
A criança deve identificar em sua
mento de passar a língua (raspar) até
própria língua e em um gráfico da
despregá-la para dentro com a ponta da
mesma, a zona e a forma em que foi
língua.
tocada, se foi suave, com pressão, na
As hóstias servem também para colocar
frente, atrás, nos bordos, etc.
como empecilho entre ambos os lábios e
controlar sua oclusão.
BOTÕES PEQUENOS:

CONTA GOTAS: De diferentes formas, materiais e


espessuras para estimulação táctil
Pode ser substituído por uma seringa dentro da boca. Pode identificá-los
descartável e se a criança não se nomeando-os ou associando-lhes a um
assustar, por um revólver de água; com desenho que os represente, podem
a boca aberta, atiranos um jato do estar presos com um elo e um cordão
líquido até a faringe para que degluta (fio dental) para impedir que sejam
com a mesma aberta, elevando a base deglutidos.
da língua e olhando-se no espelho. Logo
poderá atirar o jatinho de água por si
mesmo.

CANUDO:
Se utiliza para aspirar papeizinhos que a
criança tenha cortado enquanto mantinha A boca é uma casinha onde dor me a
a postura correta e transportando-lhes a língua e tem uma caminha em baixo
outros lugares. Também para chupar das ruguinhas (alvéolos). Os lábios são
alimentos pastosos (yougurte, bliss) e a portinha que como toda casinha a
líquidos, colocando o canudo no centro do maior parte do tempo permanece
palato. cerrada. Molares superiores e dentes
são os ferrolhos que ajudam a portinha
Deve deglutir com os lábios separados a fechar-se todo o momento ou quando
mordendo-o um pouco; e com os lábios se mastiga.
juntos sem contrair a musculatura
orofacial. Também para sustentar entre
ambos os lábios e para efetuar sopro
nasal visualizando as borbulhas de um
copo de água. GRÁFICOS:

De desenhos coloridos que permitem a criança observar sua própria língua,


COPO: lábios, dentes, etc., para sua fixação visual e quadros simbólicos das
Para beber progressivamente, 1, explicações para o mesmo fim. É importante que tudo que lhe seja ensinado
3, 5, 10 goles seguidos. fique registrado em um caderno que servirá para sua fixação e como
referencial para o terapeuta de suas dificuldades e como complemento de cada
exercício. Também uma ajuda à memória da criança que confeccionará e
colocará em casa num lugar visível.
08 09
MÃO E DEDOS DO PACIENTE: BOLAS:

A primeira para controlar debaixo da Para serem infladas entre 5 e 10 vezes


mandíbula a elevação do osso hióide seguidas.
durante a deglutição nas medidas do
movimento dos maxilares durante a
mastigação. O polegar para explorar o
alvéolo palatino, suas rugosidades, etc.; o
índice para sentir a força da sucção da
língua colocando-o no palato a parte interna
do polegar até a língua.

BALAS DE GOMA OU LIGAS


ORTODÔNTICAS:

MORDEDORES: São argolas para colocar sobre a língua


e mantê-las apertadas na postura
De goma para reeducação da correta, quer dizer, contra a parte
mastigação, colocando entre seus anterior do palato, enquanto pinta,
molares; a criança a faz ritmicamente coze, caminha, salta, etc. A cada
enquanto nós repetimos versos e momento devemos controlar se a liga
canções rítmicas, abrindo e fechando a ou a goma saiu do lugar se for positivo
boca com movimentos amplos de ambos é porque a língua não permaneceu
os lados, de um e de outro, com lábios onde devia. Também se realizam
separados e juntos. Também deve outros exercícios, que detalharemos
sustentar o mordedor com firmeza e mais adiante.
realizar movimentos rítmicos de colocar
para frente e para trás ambos os lados.
Evitar que na mastigação se desloque o
maxilar lateral para frente.
CHUPETA ORTODÔNTICA:

Consideramos conveniente não usá-la


indiscriminadamente, só em
determinados casOs onde se deve
ESPÁTULA DE MADEIRA: intensificar a reeducação da sucção e
somente durante a sessão
Com ela pressionamos a base da ritmicamente de forma contínua
língua e pedimos que realize durante um minuto. Deve ser bem
várias vezes o movimento oposto controlada para constatar se os
de elevação, em forma alternada movimentos estão sendo bem
(como subir e descer). Também efetuados. Para que a sucção seja
pressionamos ambos os lábios ao vigorosa o reeducador faz uma leve
pronunciar consoantes bilabiais. pressão para fora não permitindo que a
Poderá também sustentá-la entre criança a solte, gradualmente chegará
seus pré-molares. a 5 minutos.

10 11
BOTÕES GRANDES: BISCOITINHOS GRISINES E 0UTROS
ALIMENTOS:
De 2 centímetros e meio, lisos. Um com fio
e o outro com elástico do tamanho da Para exercícios que se detalharão mais
extensão de seus braços. Também pode adiante.
haver dois botões, um em cada extremo do
fio. Se detalhará seu uso mais adiante.

COLHERZNHA:

Para o ensinamento da deglutição de


alimentos pastosos. Também para
ensinar a beber o líquido que se
localizou dentro dela.

PRATO:
LENCINHO:
Para recolher migalhas com a ponta da
língua. Para beber com a projeção
Para assoar o nariz. Para sustentar entre labial e muita força na sucção.
os lábios e tracioná-lo, Também para
comprimir os lábios do paciente.

APITOS:

CHUPETA OU PIRULITO: Para sustentar entre os lábios, soprar


ritmicamente 2-3-5 vezes, etc., com
De tamanho pequeno para inspiração nasal. No período de que
sustentá-lo dentro da boca e ir corresponde ao silêncio conscientizar
fazendo uma tarefa de seu agrado com apoio lingual nos alvéolos ou
até dissolver sem Separar os papilas superiores.
lábios.

SUBSTÂNCIAS AROMÁTICAS:
LÁPIS:
Para reconhecimento olfativo das
Atravessado entre os dentes deve diferentes substâncias. A criança ao
repetir séries e palavras com mesmo tempo controla a postura labial
consoantes labiais. Também se e lingual, garantindo etapa de
usa para sustentar entre o lábio aspiração. Posteriormente deve dizer o
superior e o nariz. Também nome do elemento reconhecido, e
poderá succioná-lo e expulsá-lo voltará à postura de repouso para
com força. iniciar assim o reconhecimento de
outra substância.
12 13
III

A REEDUCAÇÁO MIOTERÁPICA deve ser individual para cada


criança, aplicando-a com maior intensidade o que consideramos que deve ser
mais trabalhado, seguindo a dinâmica que impõe o paciente.
As contrações musculares, segundo um critério sinestésico devem
TERAPIA MIOFUNCIONAL efetuar-se: com a maior amplitude possível separadas por um tempo de
descanso (rítmicas), em forma repetida e contínua com velocidade duração em
relação as partes que se movem e com intensidade em relação com o
desenvolvimento fisiológico.
Os exercícios se desenvolvem com fins didáticos em:
A) Exercitação para a musculatura labial
B) Exercitação para a musculatura lingual clássica
específica
silábica
C) Exercitação para a musculatura velar
D) Exercitação para a musculatura têmporo-mandibular

A) Exercitação para a musculatura labial

Abarcará a totalidade de exercícios de ginástica labial que


classicamente se empregam. Porém, devem ser mais intensos que os que
solicitamos para efetuar na correção das Dislalias. Segundo a idade e os
interesses da criança, é conveniente gratificá-la de forma amena (Guia Gráfico
de exercícios para crianças disfônicas e respiradoras bucais - Enelivros).
15
EXERCICIOS COM BOTÕES:

Com um fio dental comprido se pode dar


diferentes usos: sustentá-lo simplesmente
entre os lábios e dentes enquanto o
paciente desenha, pinta, vê TV, salta,
dança, etc. Também pode movimentar o fio
de forma contínua e rítmica em diferentes
direções, para trás, para os lados, para
acima e para baixo.

Introduzir os dedos indicadores da


Pode fazê-lo um pouco comprido em uma
criança nas comissuras e alargar a
mesma criança, ou também com o
abertura bucal fazendo ao mesmo
terapeuta. Trabalhando em grupo uma
tempo torça com os músculos (franzir)
criança traciona a outra. Como variante um
para conseguir a aproximação dos
botão se coloca entre lábios e dentes do
dedos (ex: boca de palhaço).
paciente e o outro do outro extremo do fio é
colocado entre lábios e dentes de um de
seus pais ou reeducador, lutando entre si
para obrigar o outro a soltá-lo.

Se toda esta atividade é acompanhada


pelos cantos rítmicos do reeducador
resultará mais agradável.
EXERCÍCIO DE SOPRO:

Suave, forte, prolongado e cortado cem


inspiração nasal.
Em outro botão pode ser passado um
elástico comprido da medida dos braços do
paciente que deve realizar movimentos
estendendo os braços em diferentes
posições.

Alargar o lábio superior por debaixo do


Opor resistência a pressão que o terapeuta
bordo dos incisivos superiores. Contar
efetua com um paninho sobre os lábios do
até 10 e descontrair. Em seguida
paciente empurrando com a mão
contar até 20.
ritmicamente.

16 17
Elevar o lábio inferior por cima do superior e
Massagem do lábio superior em direção
sobrepor até para baixo com firmeza
vertical e horizontal.
(força).

Elevar o lábio superior enquanto ambos se Massagem da borda circular e


mantém juntos de maneira que se enrugue beliscando-lhe.
a pele do mentalis.

Inflar as bochechas fazendo muita pressão Dar beijos ruidosos curtos e largos
na zona anterior. para a frente, para trás, para os lados,
para cima e para baixo, separar os
lábios com gestos exagerados.

Introduzir uma certa quantidade de água na


boca e levá-la até as bochechas. Dali voltar Sustentar uma pazinha apertada entre
a fazer passar a água sobre pressão para a os lábios. Realizar, simultaneamente,
verdadeira cavidade bucal. Fazer o mesmo outra atividade motriz ou lúdica.
com o líquido quente.

18 19
Soprar ritmicamente sobre um acoplador de
mangueira ou canudo de filtro em cujo
Sustentar um "biscoitinho" ou um
extremo se coloca um assobio (apito). Igual
"grisin"' entre os lábios, por ação de
a um trombone ou trombeta deve apoiar-se
ambos ir introduzindo-o e deglutindo
a cavidade sobre os lábios com certa
sem usar as mãos. Não deve cair.
pressão.
(biscoito palito).

Sustentar uma chupeta ou pirulito dentro da


boca e ir fazendo a tarefa de seu agrado
enquanto se dissolve e sem separar os Fechar suavemente os lábios e logo
lábios. (Manter a boca fechada). contrair a comissura esquerda da boca
durante 10 seg. e afrouxar. Alternar
durante igual tempo com a direita.
Realizar este exercício durante 1
minuto.

Sustentar um lápis entre o lábio superior e


o nariz que atua como bigode. Com o
sacudir da cabeça, saltar, contar em voz
alta até 20, manter uma conversação. Pode
se agregar pesos laterais. Abrir e fechar os lábios contraídos como dizendo: o - u - o u.

Sustentando o mordedor dentro da boca e


lábios em oclusão realizar com os molares
exercícios amplos rítmicos e prolongados de
mastigação.

20 21
Tomar os lábios superior e inferior com os
dedos indicador e polegar e separá-los dos
Deve levar alimentos para mastigá-los
incisivos. Também estiramento e massagem
e deglutí-los com a boca fechada e
simultânea.
respiração nasal, preferencialmente
caramelos mastigáveis, chicletes ou
pastilhas.

Beliscar-se com as mãos os lábios 10" e


afrouxar.

Atravessar uma varinha ou lápis entre


os dentes e repetir séries de palavras
que comecem com consoantes P, B - V,
M.

Com os lábios juntos empurrar as


bochechas 10" com a ponta da língua e
afrouxar, igual entre os lábios e dentes,
passar a língua pela arcada dentária
superior e inferior a direita e a esquerda,
em cima e em baixo.

Também pressionar os lábios com uma


Recolher um fio comprido cujo extremo foi espátula ao repetir as palavras opondo
colocado entre os dentes, fazendo intervir a maior resistência ao pronunciar as
língua e os lábios. consoantes labiais.

22 23
Adornar e pintar pronunciando

Variantes Gráficas de Consoantes Labiais

Estão aqui algumas das variantes que possibilitam a combinação de


consoantes labiais e também a forma em que podem ficar
registradas no caderno da criança. Poderá dizê-la em voz áfona, já
que não interessa a emissão vocal (a projeção), somente a pressão
labial.

24 25
Pegar papeizinhos entoando com rumor nasal
Pronunciar ao escrever
várias melodias. Respirar pelo nariz.

Pintar

26 27
Fazer os triângulos e pronunciar
Pronunciar ao fazer

28 29
Pintar e dizer
Entoar uma canção todo o tempo

30 31
Dizer ao pintar
Fazer pontinhos e dizer

32 33
Pronunciar ao enfeitar (desenhar)
Fazer círculos e pronunciar

34 35
Pronunciar ao escrever
Pronunciar ao enfeitar (desenhar)

36 37
Fazer quadrados e pronunciar
Enfeitar com cores fortes e pronunciar

38 39
Dizer ao fazer as ondas
Pronunciar ao pintar o caminho ou ao caminhar por dentro

40 41
Dizer alternando ao enfeitar
Dizer ao pintar ou enfeitar

42 43
Dizer e fazer pontinhos alternando
Dizer alternando ao enfeita

44 45
Dizer ritmicamente ao fazer franginhas e recortar
Dizer juntas

46 47
Dizer ao fazer as flores
Dizer ao fazer linhas retas

48 49
Pronunciar ao fazer ou remarcar
Pronunciar ao fazer

50 51
Pronunciar ao fazer
Pronunciar ao fazer

52 53
Desenhar e pintar ao mesmo tempo que pronuncia em voz baixa
Desenhar e pintar ao mesmo tempo que pronuncia em voz baixa

54 55
Dizer e fazer “risquinhos”
Desenhar e pintar ao mesmo tempo que pronuncia em voz baixa

56 57
Dizer ao remarcar o caminho
Dizer ao enfeitar

58 59
Dizer ao remarcar o caminho
Dizer ao remarcar o caminho

60 61
Enfeitar pronunciando
Dizer ao remarcar o caminho

62 63
Enfeitar pronunciando
Enfeitar pronunciando com as cores de equipes de futebol

64 65
Escrever, as séries, logo a seguir pintar os M’s pronunciando-os
Dizê-las juntas rapidamente ao pintar

66 67
Acompanhar a experimentação labial com outras atividades B) Exercitação para a musculatura lingual

A dividiremos: Clássica
Específica
Silábica
Sustentar com pré-molares, dentes e
lábios juntos de uma espátula ou
abaixa língua enquanto realiza
A exercitação clássica das praxias linguais é correspondente a
exercícios de ritmo com um tambor.
outras patologias por todos conhecidos.
A exercitação específica corresponderia a todo aquele
treinamento que normalizaria o tônus e a proprioceptividade de todos os
grupos musculares que intervem na deglutição.

Inspiração e sopro nasal com


conscientização da postura labial e
lingual.
Introduzir a ponta da língua em liga
ortodôntica e retraí-la com a boca
aberta, sem que toque dentes ou
lábios e sem levantá-la, a língua se
alarga e a liga se desprenderá
sozinha.
Receber e jogar a bola sem que caia o
canudo que sustenta nos lábios.

Saltar, ritmicamente, sustentando


entre os lábios e o nariz um lápis que
atua como bigode, realizando
inspirações nasais e controlando a
postura lingual.

Passear em um cavalinho com o Afinar e alargar ritmicamente a língua enquanto o reeducador entoa versos
mordedor dentro da boca e, lábios ou canções rítmicas. Pode fazer sozinho ou sustentando uma liga
juntos realizando movimentos de ortodôntica sobre a língua.
mastigação.

68 69
PALATO OGIVAL
Colocar um pedacinho de hóstia na
ponta da língua, colocando-a no
palato. Deve despregá-la com a língua
num movimento diferente para trás.
Com uma colherinha colocar doce de
leite no palato e despregá-lo com
igual movimento.

Succionar a língua contra o véu palatino e manter a liga (pastilha)


ortodôntica bem apertada para que deixe sua marca. Pode fazer com
2 juntas colocadas em sentido horizontal. Também em vertical e
Succionar a língua contra o palato e com 3 em sentido horizontal uma ao lado da outra e a terceira até a
mantê-la ali succicnada estirando o ponta. (Os exercícios mostrados nos desenhos a e b não podem
freio lingual: enquanto contamos até executar-se se o palato for ogival).
10 deve permanecer imóvel e logo
deixá-la cair com a boca aberta. É o • O mesmo exercício de sucção contra o palato pode fazer com um
começo do exercício do "slurp", é pequeno “traguinho' de água ou yogurte sobre a língua;
bastante difícil; dizer-lhe "o cavalinho mantendo-as 10" com molares separados e, logo, deglute mantendo
para em cima”. Também explicar a os molares e lábios separados.
sensação da ventosa.
• Igual ao exercício anterior, succiona a língua contra o palato,
mastiga com a boca aberta 10 vezes e deglute o alimento com
molares separados.

A B
PALATO NORMAL
• Fazer "papinhos" que poderiam traduzir-se em tirar papadas,
pressionando com a ponta da língua o palato como que querendo
O mesmo exercício anterior, porém, sem despregar a língua, mastigar perfurá-lo.
ritmicamente 10 vezes com os molares, com a boca aberta, com
movimento amplos e separando 0 maxilar. Logo a língua cai • Alargar o mais possível a língua para fora e logo retraí-la com
conseguindo o "slurp". sensação de que se apóia na nuca. Pode fazer com a boca aberta e
fechada.
70 71
• Colocar açúcar na parte anterior da língua. Deve esfregá-la pelo MANTER O CONTROLE LABIAL LINGUAL EM OUTRAS ATIVIDADES
palato com movimentos amplos até a direita a esquerda e de fora
para dentro.

•Pressionar a língua contra o palato e fazer "slurp" ritmicamente e


sem despregá-la.

•Relaxar a língua na cavidade da boca, permanecendo imóvel 10 a


15". Igualmente fora da boca.

•Juntar migalhinhas de um prato com a ponta da língua.

•Colocar uma pastilha na ponta da língua, levá-la ao palato e mantê-


la ali até que dissolva.

•Lamber uma geléia de uma colher que se mantém frente à criança,


ela deverá esforçar-se por alcançar o doce.
Depois de cortar os papeizinhos controlando a postura labial-lingual,
•Lamber o doce que se colocou sobre o lábio. colocá-los sobre a mesa. Chupando-os com um canudinho,
transporta-os um por um a um até o recipiente colocado à distância.
•Pregar um chiclete nas papilas superiores ou alvéolos com firmeza. Esta distância pode variar quando a criança pratica várias vezes.
•Pressionar a língua contra o palato juntar saliva dentro da boca atirar
jatos até os molares e até para dentro alternadamente. Fazer com
lábios juntos.

•Enroscar a língua até atrás e chupá-la com força até que se coloque
o mais atrás possível.

•Pressionar a língua contra o palato e fazer aspirações ruidosas.

•Colocar um miolo de pão no meio da língua e apertá-lo contra o


palato ritmicamente.

Sustentar o “biscoitinho” ou a bala de goma,ou a liga ortodôntica


contra o pa!ato enquanto com lábios juntos e rumor nasal entoam uma
melodia, batem palmas e dançam. Controlar a permanência do
estímulo gustativo (seja ele qual for) durante o exercício e depois dele.

72 73
Não é importante que se digam a viva voz sim/não com força,
agilidade e articulação correta os grupos de letras inclusos podem
Ler com rumor nasal,
repetir-se em voz áfona para não cansar. No entanto de forma
lábios juntos e
prolongada e contínua; ex: tac, tec, tic, toc, tuc... In... tic-tac...
sustentando uma bala de
tttt... ... lalelilolu... ac, ec, ic, oc, uc... aj, ej, ij, oj, uj... gag, gueg,
goma contra o
guig, gog, gug... jg... pútucu... stra, stre, stri, stro, stru... ch... pk...
palato.Conscientizar cada
pj... pg... chng... chlj... chrrk... túcu... tsk... stag, steg, stig, stog,
vez que deglute tirando
stug... t,r,a,g,a,r... tacta tecte, ticti, tocto, tuctu, etc., etc.
um fósforo da caixa.

SE DÃO ALGUMAS SUGESTÕES

Com lábios juntos e a língua colocada


contra o palato ir caminhando ou saltando
até um lugar determinado.

A exercitação que chamamos silábica corresponde a repetição


prolongada e rítmica daqueles fonemas ou sílabas que cumprem uma
ação estimuladora dos músculos e partes que intervém na deglutição.
Devemos realizar a pronunciação de consoantes intensificando aquelas
que mais necessitam em cada caso: TD, LNR, RR, YÑS, KGJ,
combinando-as, segundo as circunstâncias e explicando a criança
porque não deve fazer, fazendo-o compreender que partes estão
utilizando e observar o trabalho que desenvolve a língua, ao mesmo
tempo em que se representa corporalmente, ex: elevando os braços,
encolhendo-os, usando as mãos, uma como língua outra como palato,
etc...

74 75
C) Exercícios para a musculatura velar:

Têm sido trabalhados em parte por exercitação silábica


e se agregam:

•bocejos
•gargarejo com líquidos e com saliva prolongadas e com força
•vogais em diferentes tons
•assobios em diferentes tons, prolongados e curtos, suaves e fortes
•inflar as bochechas
•inspirar pelo nariz e alternar a expiração com sopro nasal e bucal
•dar suaves toques no palato com uma espátula ou colher para
provocar arcadas leves
•Tossir
•Inspirar pelo nariz e reter a respiração (o ar) 10 segundos com a
boca aberta, expirar pelo nariz
•Olhar-se no espelho e mover o velo sem ajuda
•Cantar com a boca cerrada, com rumor nasal e pronunciando o
fonema K

D) Exercícios para a musculatura têmporo-mandibular:

Alguns exercícios foram explicados ao falar dos


materiais e o uso do mordedor. Também se agregam.

•Manter a contração de ambos os masseteres. Contamos até 10 e


relaxamos sempre com os lábios juntos,aumentar até 20
•Mastigar com a boca fechada com controle táctil dos masseteres.
•Mastigar alternadamente de um e de outro lado
•Mastigar dez vezes de cada lado
•Mastigar com pouca força
•Mascar chicletes com lábios juntos

76 77
É importante desde o princípio conscientizar que existem 4 coisas

IV
que o paciente pode Fazer voLuntariamente para digerir:

1 ) Succionar a língua contra o palato (deglutir)


2) Não deixar que a ponta da língua toque os dentes
3) Ocluir os molares
4) Relaxar os músculos peri-orais

A) Forma de ingestão dos alimentos

A forma de ingestão com grande apoio polisensorial:


visual - tátil e auditivo ensina-se com alimentos:

a) sólidos b) pastosos c) líquidos d) saliva

Os alimentos sólidos e duros permitem melhorar a


proprioceptividade e exercitar a musculatura para a mastigação. Em
algumas crianças é necessário ir destrinchando por partes todo o
processo deglutitório por partes para melhor inteligibilidade e
capacidade de execução.
Ensinar a triturar com os molares com movimentos de
ENSINO DA DEGLUTIÇÃO ascensão e desascensão mandibulares (e não laterais). Às vezes se
faz necessário que ajudemos frente ao espelho, colocando seu dedo
indicador entre os molares e efetuando a criança e o reeducador, os
movimentos mandibulares corretos. Também a criança deve colocar
o alimento entre os molares. Com a boca aberta ela vê e ouve como
se tritura.
Em outros casos, é necessário ensinar-lhes o corte
com os seus incisivos com uma quantidade normal do alimento (não
deixar restos na boca).
Para outras crianças colocamos previamente para
dentro a mesma quantidade, isto é, a quantidade certa que ela
deverá triturar (não deixá-la projetar a língua ao receber o
alimento).

79
Deve mostrar e ver em seguida a língua e a cavidade oral.
Não deve haver (resíduos) de partículas. Além disso deve controlar a
Os alimentos líquidos requerem maior força de sucção
subida e a descida do osso hióide colocando sua mão no colo
e velocidade de deglutição. Se deve explicar estas características.
(garganta).
Além disso recordar-lhe a rapidez e a força que exercitou enquanto
Este último ponto da função deglutória normal se exercita com:
aspirava e deglutia.
1) lábios e dentes separados
A exercitação começa por alimentos SÓLIDOS, em
2) lábios separados e molares em contato evitando a saída da saliva
seguida PASTOSOS e finalmente LÍQUIDOS.
3) lábio inferior "tracionado" até abaixo, molares em contato
Porém, como há regressões segundo o alimento
4) com tração dos lábios separados contra os incisivos, porém, com
empregado, já que parece não existir em algumas crianças uma
molares em oclusão para efetuar o controle lateral (sorriso)
rápida possibilidade de adaptação a estímulos diferentes é que
5) molares e lábios em oclusão sem contração muscular que é a
alternamos ou avançamos na reeducação ou na mesma sessão ou
forma normal de deglutir.
em outra, SÓLIDOS e LÍOUIDOS, PASTOSOS e SÓLIDOS, etc.
Reforçando assim a deglutição do alimento que mais
Desta maneira adquire maior visualização do trabalho lingual, bolo
dificuldade lhe oferece nas primeiras etapas.
alimentar e saliva, maior domínio e relação de lábios e maior
controle sinestésico.
Neste momento é necessário intensificar o conhecimento de seu
a) Alimentos sólidos. Se ensina a:
esquema corporal pedindo-lhe que "se veja" com os olhos fechados,
suas pernas, braços, cabeça e demais partes do corpo.
Quando manifesta que conseguiu "ver-se" a parte do corpo que pode
se passar à outra e assim sucessivamente.
Conscientizando grandes seguimentos para chegar paulatinamente a
zona facial, perioral e oral até que consiga "ver-se" os movimentos
linguais na deglutição.

b) Alimentos pastosos: Se os ingerir com colher nós introduzimos a


quantidade adequada fazendo uma ligeira pressão com a colher no
centro da língua.
Assim ensinamos a chupar e a colocar o alimento para dentro, já que
I) Mastigar - com os molares sentindo a contração dos masseteres e
a língua não deve aparecer em seu controle.
apoiando suas mãos nos mesmos (lábios juntos)
Se os ingere com uma pazinha colocada no centro do palato
sustentada pelos dentes chupar 1° com os lábios juntos e depois
II) ARMAR O BOLO - juntando, aspirando e deglutindo o alimento já
com os lábios separados para desenvolver maior força de sucção e
triturado, armando-o contra o palato, sem pressionar os lábios e
descondicionar a pressão da musculação perioral. Chupar
evitando que o mesmo se forme na parte anterior de boca: a
progressivamente até chegar a engolir todo o alimento sem
princípio devemos ensiná-lo a olhar-se no espelho constatando se
descanso. Também poderá chupar diretamente do pote de yogurte.
está bem armado, triturado, pastoso e compacto (olhe dentro da
boca para saber o que está acontecendo).
c) Líquidos: Com conta-gotas jogando um jato de água bem atrás,
III) COLOCAR A LÍNGUA EM POSIÇÃO CORRETA - Desde o início da
engolir com a boca aberta frente a um espelho e levar a base da
reeducação ensina-se a colocar a língua na posição adequada (ponta
língua até atrás.
nas papilas superiores ou alvéolos, igual quando articula o fonema
Com pazinha colocada bem no centro do palato chupar 5 goles
N). Partindo desta posição, deglutir a língua contra o palato e fazer
seguidos sem tirar a pazinha e assim progressivamente até chegar
um movimento ondulante para trás.
de 1/2 copo a 1 copo.
Realizar-se com os lábios separados e juntos sem pressão da
IV) Engolir - levando o bolo para atrás sem participação dos
musculatura perioral.
músculos peri-orais e sem levar a cabeça para atrás.
De um prato - chupar com os lábios igual ao que se faz em um
bebedouro. A atividade muscular é maior que a necessária pois o
líquido se transporta contra a força da gravidade.
80 81
De uma laranja: chupar o suco que brota ao apertá-la, depois de Emprega-se "biscoitinhos oblíquos" de água de diferente tipos e
fazer nela um furo. doces de diferentes marcas biscoitinhos duros, baunilhas, sanduíches
De uma garrafa apoiar o bico com ambos os lábios chupando com de diferentes pães (de leite, preto, Viena e francês) e de presunto
continuidade. queijo milanesa etc. cenoura crua, coco, alfajor, manteiga, maçã
Com um copo se pode realizar vários exercícios anteriores a ingestão doce de leite, banana, pêssego, pêra, torrone, amendoim, ovo duro,
permanente. Deve chupar um pequeno gole de água succionando a palitos salgados, "grisines", queijo, doce de batata, tangerina,
língua contra o palato enquanto permanece com os lábios e dentes torradas, chocolate, laranja, melancia, yogurte, gelatinas, flan,
separados e contamos progressivamente até 10, em seguida engolir. geléia de frutas, balas duras, leite achocolatado, chocolate, coca,
Esta postura também se realiza com o yogurte. chá, água, sucos e etc.
Enquanto puder, chupar 2, 3, 4, etc. goles com "bolas de Goma ou Geralmente o pão, de ervilhas e as bolachas de água são mais
Ligas ortodônticas" localizadas na língua que deve estar pressionada aconselháveis quando existem dificuldades para armaç5o do bolo
contra o palato, os dentes fechados e deglutir com os lábios alimentar ou para iniciar a exercitação.
separados no último momento para visualizar. Biscoitinhos duros, amendoim, cenoura e coco para exercitar a
Igual com 2 ou 3 "Balas de Goma ou Ligas ortodônticas". mastigação. Yogurte de frutas, flans, gelatinas para exercitar com a
Depois de cada gole ver se as "Balas de Gomas ou Ligas colher
ortodônticas" permanecem em seu lugar. Yogurte menos espessos e não de frutas para exercitar com o
Deve chegar a deglutir progressivamente todo copo sem que se canudinho ou para chupar diretamente no copinho.
movam as "Balas de Goma ou Ligas ortodônticas". Os líquidos serão frios ou quentes segundo as circunstâncias.
Logo ao fazer sem as "Balas de Goma eu Ligas ortodônticas"
controlar que não apareça novamente a interposição igual ao se
aproximar o copo dos lábios ou também ao mostrar-nos gole por
gole como no início.

d) Saliva - O controle da mesma se faz:

•estimulada com caramelo duro ou pastilha


•diretamente à que se acumula ao término da repetição silábica.

Quando já deglute corretamente se pode pedir que conscientize esse


momento enquanto:
•Realizar um desenho e deve anotar num roteiro ou caderno cada
vez que deglute.
•E toda atenção: Deve concluir-las no momento que deglute
•Que caminhe controlando a postura labial/lingual. Deve parar cada
vez que deglute o dizer ou repetir versos, números e canções. No
momento de engolir deve colocar sua mão na laringe para controlar
a elevação dos hióides.

B) Variedades de Alimento:
A variedade de alimentos é o que se aconselha, pois cada um deles
tem uma estrutura, uma resistência e uma consistência distinta e
requer um tempo e uma força de mastigação diferente. Um corte e
uma trituração de acordo com o mesmo ou igual que a quantidade
de salivação para a formação do bolo alimentar e diferente
velocidade na deglutição. Repete-se a dieta ao gosto paciente.

82 83
• Se darão 3 ou 4 exercícios correspondentes a Reeducação
Mioterápica apoiados em tarefas que ficarão registradas em um
caderno e deverá repetir em casa; a seleção dos exercícios será feita
de acordo com os grupos musculares a serem exercitados.

• Intensificar a CONSCIENTIZAÇÃO da postura labial lingual com

V
diferentes atividades psicomotoras extensivas a tarefas que
diariamente realiza no colégio, na sua casa. em seus jogos etc.

• Se reeducará a função deglutória pedindo-lhe por escrito o


alimento a trazer, programando para cada criança segundo sua
necessidade.

Com o propósito de conseguir automatização do


padrão deglutório correto sugere-se realizar em casa esta prática
com o espelho, durante as refeições nas 10 primeiras ingestões do
alimento e em todos momentos que lhe seja possível, deverá tratar
de deglutir corretamente.
Também utilizar materiais como as hóstias, "Balas de
Gomas ou Ligas ortodônticas etc.
Ajudar a memória com bilhetes, cartazes, marcas em
seus objetos escolares, desenhos, etc., estimulando sua criatividade.
Ao descansar pensar na postura de lábios e língua
inclusive colocando um pedacinho de hóstia durante 15 a 20 dias,
antes de dormir.
Em uma etapa posterior quando se realizam sess0es
PLANO TERAPÊUTICO POR SESSÃO de controle se pode utilizar o gráfico de GODA.

S T Q Q S S D
Saliva
5 minutos 2 x ao dia
Líquido
6 copos
Todas as comidas

85
Nela anotará com cruzinhas os controles realizados durante uma
semana. Foi sugerido pela Fonoaudióloga Maria Lúcida Segovia em
seu livro “Interrelaciones entre la Odontoestomatología y a
Fonoaudiología”. Pede que anote quais os alimentos controlados
diariamente em sua casa anotando, assim, em um caderno um
exercício realizado comprovando a sua realização.

VI
Como variante: pode desenhar em uma folha os alimentos que
deglutiu sob controle.

DECÁLOGO DO QUE NÃO SE DEVE FAZER

86
As 10 recomendações do que não se deve fazer
VII
1° Ficar durante o dia com a boca aberta

2° Ficar durante o dia com a língua entre os dentes

3° Mastigar com os incisivos

4° Mastigar com a boca aberta

5° Arrumar o bolo alimentar na frente (entre lábios e dentes).

6° Deglutir sem mastigar, triturar e juntar o alimento em um bolo

7° Fazer força com a língua para fora ao engolir


RESUMO
8° Expulsar a saliva ou o líquido para fora no momento da deglutição
em vez de succiona-lo

9° Levar a cabeça para trás ao deglutir

10° Fazer força com os músculos peri-orais ao deglutir

88
VIII
Insisto ensinar que, para chegar a deglutição correta, é necessário
ter em conta o seguinte:

a) Não interpor a língua entre os dentes ou molares (incisivos,


caninos, pré-molares)

b) Pressionar a língua contra o palato

c) Mastigar com os molares

d) Juntar o alimento triturado e armar um bolo compacto

e) Sugar o líquido bem atrás e succioná-lo com velocidade CONCLUSÃO


f) Deglutir qualquer tipo de substância sem participação da
musculatura peri-oral

90
O presente plano terapêutico abrange: a reeducação
mioterápica e o ensino da deglutição com um critério de inter-
relação de todas as funções: respiração sucção, mastigação,
deglutição e articulação.
Fica sempre ao campo da ortodontia procurar o
diagnóstico da anomalia e a indicação de uma determinada terapia.
Corresponde ao nosso campo a eliminação de hábitos
negativos e a modificação do padrão deglutório incorreto.
Dependerá de vários fatores o êxito em maior ou
menor grau do mesmo: gravidade funcional, nível mental, presença
de uma síndrome, fatores psicológicos, apoio familiar, interesse
pessoal, periodicidade de assistência, colaboração odontológica e
etc.
Através de uma exercitação intensiva variada
sistemática, metódica, consciente, progressiva, paciente, amena e
com a compreensão e carinho que a criança necessita de seu
terapeuta e de sua família é que alcançará uma modificação de seus
hábitos incorretos.

92