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Uma longa História: Monumento, Patrimônio Material, Patrimônio

Imaterial e Patrimônio Vivo

PATRIMÔNIO CULTURAL
Patrimônio Cultural
Preservar a memória de fato , pessoas ou ideias, por
meio de construtos que as comemoram, narram ou
representam, é uma prática que diz respeito a todas as
sociedades humanas. (SANT`ANA,2003)
Patrimônio Cultural

“Muitos são os estudos que afirmam constituir-se essa categoria


[patrimônio cultural] em fins do século XVIII, juntamente com os
processos de formação dos Estados nacionais, o que é correto.
Omite-se, no entanto, o seu caráter milenar. Ela não é
simplesmente uma invenção moderna. Está presente no Mundo
clássico e na Idade Média, sendo que a modernidade ocidental
apenas impõe os contornos semânticos específicos que, assumidos
por ela, podemos dizer que a categoria `patrimônio´ também se faz
presentes em sociedades tribais.”

O PATRIMÔNIO COMO CATEGORIA DE PENSAMENTO


José Reginaldo Santos Gonçalves
“O monumento trabalha e mobiliza a memória
coletiva por meio da emoção e da afetividade,
fazendo vibrar um passado selecionado, com
vistas a "preservar a identidade de uma
comunidade étnica, religiosa, nacional, tribal ou
familiar" (Choay, 1996, p. -1-15).”
Patrimônio Cultural

Um projeto Moderno:
Patrimônio Cultural e a consolidação dos Estados Nacionais
A partir do século XVIII percebe o empreendimento institucional de se
construir uma identidade comum, àqueles pertencentes a uma nação
específica, a fim de se alçar o sentimento de unidade. Selecionar bens
relevantes capazes de atuar sobre a memória passa a ser um programa de
Estado e não mais uma escolha coletiva de um clã que elege, seleciona, um
determinado elemento como conector a um passado comum, uma
identidade.
Patrimônio Cultural

“a ideia reportava-se aos edifícios da Antiguidade Clássica, vistos


como exemplos e paradigmas de uma arte que se queria, naquele
momento, não propriamente preservar, mas documentar para
conhecer. Admirar e suplantar. Assim, a noção de monumento
histórico está também visceralmente ligada à arte e arquitetura .”
(SANT`ANA, 2003)
Patrimônio Cultural

“Ao longo do século XIX, os países europeus organizaram estruturas


governamentais e privadas voltadas para a seleção, a salvaguarda e a
conservação de seus patrimônios nacionais, até então compostos,
essencialmente, de objetos de arte e edificações estritamente
relacionadas à concepção de monumento histórico, aos ideais
renascentistas de arte e beleza e aos conceitos de grandeza e
excepcionalidade.”
(SANT`ANA, 2003)
Patrimônio Cultural

“No mundo ocidental, portanto, [o patrimônio cultural] durante muito


tempo, foi associado unicamente a coisas corpóreas; já a preservação,
a uma prática constituída de operações voltadas para seleção,
proteção, guarda e conservação dessas coisas.” (SANT`ANA, 2003)
Patrimônio Cultural
Nesse sentido, as normas referentes ao trato com o Patrimônio Cultural
contemplavam apenas medidas relativas aos bens culturais materiais,
classificado da seguinte forma:

bens imóveis: núcleos urbanos, sítios de valor histórico, artístico,


arqueológico e paisagístico, bens individuais;

bens móveis: coleções arqueológicas, acervos museológicos,


documentais, arquivísticos, bibliográficos, videográficos, fotográficos e
cinematográficos.
Patrimônio Cultural
As medidas de conservação dos bens culturais
materiais, tem por principal instrumento o
tombamento, que tem o objetivo de preservá-
lo para as gerações futuras.
Patrimônio Cultural
Patrimônio e Diversidade Cultural ...
Após a Segunda Guerra Mundial, com a
aprovação da convenção do Patrimônio
Mundial cultural e Natural da Unesco ,
em 1972, países do Terceiro Mundo
reivindicaram a realização de estudos
para a proposição em nível
internacional, de um instrumento de
proteção às manifestações populares
de valor cultural.
(SANT`ANA,2003)
Patrimônio Cultural
Recomendação sobre Salvaguarda da Cultura
Tradicional e Popular – 1989

“ Esse documento aprovado pela Conferência Geral da Unesco,


recomenda aos países membros a identificação, a salvaguarda, a
conservação, a difusão e a proteção da cultura tradicional e popular,
por meio de registros, inventários, suporte econômico, introdução
de seu conhecimento no sistema educativo, documentação e
proteção à propriedade intelectual dos grupos detentores de
conhecimentos tradicionais.
Patrimônio Cultural
Diversidade Cultural, um debate mundial:

Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural.


Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial.
Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais.
Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Pacto Internacional de Direito Econômico Sociais e Culturais.
Protocolo Adicional de São Salvador.
Recomendação sobre a Salvaguarda da Cultura Tradicional e Popular
Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural.
Patrimônio Cultural

Embora tenha havido no Brasil a oportunidade de criar, ainda na


década de 1930, uma instituição Federal dedicada ao trato do
patrimônio cultural nacional considerando bens passíveis de
tutela, para além dos bens móveis e imóveis, os saberes e fazeres
culturais, por meio do Decreto Lei 25/1937, o Serviço do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - SPHAN - foi criado
descomprometido com as práticas tradicionais populares.
Patrimônio Cultural

A luta popular por um Estado democrático brasileiro teve o seu grande marco em
1988, com a aprovação da atual Constituição Federal. Nesta norma, no artigo 216,
o termo Patrimônio Imaterial” é incorporado como uma categoria de patrimônio
cultural:

Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,


tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade,
à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”
(BRASIL, 1988)
Patrimônio Cultural
A Constituição Federal, no artigo 216 apresenta:

I.- as formas de expressão;


II.- os modos de criar, fazer e viver;
III.- as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV.- as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços
destinados às manifestações artístico-culturais;
V.- os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico,
artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
Patrimônio Cultural

No entanto, embora o artigo constitucional amplie a concepção


de patrimônio cultural durante três décadas não houve a
regulamentação acerca de políticas públicas voltadas para essa
nova categoria e o Brasil apenas contava com um modelo de
proteção do patrimônio cultural, apropriado aos bens de pedra e
cal, que segue um padrão legislativo francês de 1913.
Patrimônio Cultural
Decreto de 3.551/2000
“Os bens selecionados para registro serão, à semelhança dos bens tombados,
inscritos em livros denominados respectivamente:

Livro de registro dos saberes(para registro de conhecimentos e modos fazer);


Livros das celebrações (para as festas, os rituais e os folguedos);
Livro das formas de expressão (para a inscrição de manifestações literárias,
musicais, plásticas, cênicas e lúdicas);
Livro dos lugares (destinado à inscrição de espaços onde se concentram e
reproduzem práticas culturais coletivas).”
Patrimônio Cultural
Decreto de 3.551/2000

“O Instituto do Registro, criado pelo decreto 3551/2000, não é


um instrumento de tutela e acautelamento análogo ao
tombamento, mas um recurso de reconhecimento e valorização
do patrimônio imaterial, que pode também complementar a
este.
(SANT`ANA, 2003)
Patrimônio Cultural
À medida que os bens culturais representativos de grupos historicamente
estigmatizados passam a ter visibilidade e reconhecimento, ratifica-se a dimensão
política acerca da categoria do patrimônio.

Como vimos, selecionar bens culturais e atribuir um status de valor excepcional,


num projeto de Estado Nação, é do encargo das instituições oficiais do Estado,
tendo por objetivo selecionar um passado, identidade e os códigos que abarcariam
uma totalidade cultural expressa pela ideia de nação. E a partir da nova perspectiva
trazida pelo Patrimônio Imaterial, cabe perguntar:

A quem cabe o poder de definir o que é referência cultural para uma nação?
Patrimônio Cultural
Uma nova demanda metodológica, trazida pela categoria patrimônio
imaterial, provocou uma troca de posição política. Na perspectiva de se
reconhecer práticas e saberes como patrimônio cultural, admite-se um
conceito de cultura com um viés antropológico.

Nesse sentido:
a autodefinição passa a ser um ponto de partida fundamental.
os grupos envolvidos nas práticas culturais passivas de patrimonialização
passam a fazer parte do processo de reconhecimento de um bem como
patrimônio.
Novos parâmetros de política para diversidade

PATRIMÔNIO CULTURAL
Patrimônio Cultural
Como se dá o reconhecimento de um bem cultural como Patrimônio
Nacional?

1º inicia com a instauração do processo de registro que pode ser


provocado por órgãos e instituição públicas federais, estaduais e
municipais ou até mesmo instituições privadas como sociedades e
associações
Patrimônio Cultural
Como se dá o reconhecimento de um bem cultural como Patrimônio
Nacional?

2º Em seguida é realizada a produção de conhecimento sobre o bem


cultural imaterial em todos os seus aspectos culturalmente relevantes.
Para tanto, o Iphan adotou o Inventário Nacional das Referências
Culturais – INRC, metodologia de pesquisa que envolve um detalhado
levantamento documental, bibliográfico, bem como pesquisa de campo
de cunho etnográfico.
Patrimônio Cultural
Inventário de Referências Culturais:
Pesquisa documental, bibliográfica e de campo que contemple
todos os seus elementos culturalmente relevantes - identificação dos
produtores, formas de produção, contexto cultural específico,
significados atribuídos no processo de produção, circulação e
consumo - sua origem e evolução histórica, dados etnográficos e
sociológicos

Inventário: processo pelo qual se faz um levantamento de todos os bens


Patrimônio Cultural
Como se dá o reconhecimento de um bem cultural como Patrimônio
Nacional?

3º Após a produção do dossiê, resultante da pesquisa, inicia a tramitação


administrativa do processo de registro, sendo necessário um parecer do
IPHAN a ser publicado no Diário Oficial da União, bem como a apreciação
e aprovação pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.

4º O título de "Patrimônio Cultural do Brasil" é alcançado quando o bem é


registrado em um dos livros de registro.
Patrimônio Cultural

Nesse sentido, a Salvaguarda de Patrimônios Imateriais se constitui em


políticas de apoio e fomento aos bens culturais registrados.
Patrimônio Cultural
Salvaguarda do Patrimônio Imaterial (PNPI/IPHAN):
I.Promover a inclusão social e a melhoria das condições de vida de produtores e detentores
do patrimônio cultural imaterial.
II.Ampliar a participação dos grupos que produzem, transmitem e atualizam manifestações
culturais de natureza imaterial nos projetos de preservação e valorização desse patrimônio.
III Promover a salvaguarda de bens culturais imateriais por meio do apoio às condições
materiais que propiciam sua existência, bem como pela ampliação do acesso aos benefícios
gerados por essa preservação.
IV.Implementar mecanismos para a efetiva proteção de bens culturais imateriais em
situação de risco.
V.Respeitar e proteger direitos difusos ou coletivos relativos à preservação e ao uso do
patrimônio cultural imaterial
Patrimônio Cultural
Mas afinal,
o que significa dizer que uma prática cultural é patrimônio
nacional?

Quando um bem cultural é reconhecido como patrimônio


cultural, significa dizer que ele é representativo da
diversidade cultural brasileira.
Patrimônio Cultural
Patrimônio Vivo
Na última década, muitos Estados brasileiros debateram a aprovação das
suas Leis de Patrimônio Vivo.
Como forma da preservação cultural, definiu-se a necessidade de que
tais “artes de fazer” fossem transmitidas como conhecimento, valores,
técnicas e habilidades, com o objetivo de sua perpetuação para as
gerações futuras.
Inventários Participativos: difundindo a ideia
da participação representatividade

PATRIMÔNIO CULTURAL
MUSEU DO PATRIMÔNIO VIVO
COMO METODOLOGIA DE INVENTÁRIO PARTICIPATIVO
Patrimônio Cultural

Inventários Participativos:
Este inventário é, primordialmente, uma atividade de educação
patrimonial. Portanto, seu objetivo é construir conhecimentos a
partir de um amplo diálogo entre as pessoas, as instituições e as
comunidades que detêm as referências culturais a serem
inventariadas. Sem a pretensão, contudo, de formalizar
reconhecimento institucional por parte dos órgãos oficiais de
preservação.
Patrimônio Cultural
Inventários Participativos:
Uma proposta comunitária

Um dos objetivos é fazer com que diferentes grupos e diferentes


gerações se conheçam e compreendam melhor uns aos outros,
promovendo o respeito pela diferença e o reconhecimento da
importância da pluralidade.
Patrimônio Cultural
Inventários Participativos:
Mão na massa!
(no papel, no lápis, no gravador, na câmera)
Delimitação do Sítio
BAIRRO, COMUNIDADE
ESCOLAR, CIDADE...

Este é o momento de
definir o alcance do
trabalho.
Levantamento Preliminar
Momento de procurar identificar os bens culturais presentes no sítio
demarcado.
Fazendo uso das categorias, listar os bens culturais identificados.

Forma de Expressão Lugares

Saberes

Objetos Celebrações
Seleção dos bens a serem pesquisados
Momento de discutir problematizar quais bens culturais serão pesquisados.

Com base no critério da representatividade da diversidade cultural, ter


atenção para o cotidiano da comunidade.
Aplicação das Fichas
Momento de discutir problematizar quais bens culturais serão pesquisados.

Com base no critério da representatividade da diversidade cultural, ter


atenção para o cotidiano da comunidade.
Retorno para Comunidade
Momento de divulgar e valorizar as práticas culturaisinventariadas.
Referências
BRASIL. Iphan. Ministério da Cultura. Educação Patrimonial: Inventários Participativos: Manual
de Aplicação. Brasília: Iphan, 2016. 136 p. Disponível em:
<http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/inventariodopatrimonio_15x21web.pdf>. Acesso
em: 10 ago. 2017.
. Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm Acesso em: 06
ago 2015.
. Decreto Lei nº 3.551, de 4 de agosto de 2000. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3551.htm>
CHOAY, Françoise. Introdução: Monumento e monumento histórico. In: A alegoria do
patrimônio. Trad. de Luciano Vieira Machado. São Paulo: Estação Liberdade/ Editora da UNESP,
2006. p.11-29.
GONÇALVES, José Reginaldo Santos. O patrimônio como categoria de pensamento. In: ABREU,
Regina; CHAGAS, Mario (Org.). Memória e patrimônio: ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro:
DP&A: Faperj: Unirio, 2003b. p. 21-29.
MUSEU DO PATRIMÔNIO VIVO - CATÁLOGO DE BENS CULTURAIS IMATERIAIS. João Pessoa:
Aunião, v. 02, 2016.
SANT’ANNA, Marcia. A face imaterial do patrimônio cultural: os novos instrumentos de
reconhecimento e valorização. In: ABREU, Regina; CHAGAS, Mario (Org.). Memória e patrimônio:
ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: DP&A: Faperj: Unirio, 2003b. p. 46-55.
Proexc
Diretoria de Cultura do IFPB
e Projeto Educom
Levantamento Preliminar
Momento de procurar identificar os bens culturais presentes no sítio demarcado.

Forma de Expressão Celebrações


(manifestações literárias, musicais, (festas, os rituais e os folguedos)
plásticas, cênicas e lúdicas)
Saberes
(conhecimentos, ofícios, trabalhos
tradicionais e modos fazer)

Objetos Lugares
( objetos que se relacionam com a memória (espaços onde se concentram e reproduzem
e experiência das pessoasDa localidade) práticas culturais coletivas)

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