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A necessidade do reconhecimento

• (2) Eixo da crítica à cultura contemporânea da


autenticidade: encorajamento de um
entendimento puramente pessoal de
autorrealização; torna as diversas associações e
comunidades nas quais a pessoa adentra
puramente instrumentais em seu significado;
• No sentido social mais amplo, é algo antiético para
qualquer vínculo forte com a comunidade; torna a
cidadania política, que é o sentido de dever e
aliança com a sociedade política, cada vez mais
periférica;
• A questão das formas de reivindicações políticas
relativamente independentes das questões
distributivas econômicas têm assumido um
lugar crescentemente importante em todo o
Ocidente, seja no centro seja na periferia do
sistema;
• Como articular as formas de luta por igualdade
econômica com as lutas por reconhecimento de
diferenças culturais, de orientação sexual, de
gênero ou de raça?
• Como podemos compreender a especificidade
das lutas políticas contemporâneas?
• No centro mesmo dessa perspectiva teórica
encontramos a proposição da categoria
do reconhecimento social como uma noção
fundamental para uma reflexão das novas
contradições do momento em que vivemos;
• Na obra de Charles Taylor e Axel Honneth, o
resgate da categoria de reconhecimento como a
categoria central da política moderna remete a
uma intenção de recuperar a herança tradicional
hegeliana, segundo um registro não metafísico e
aberto à investigação empírica.
• Intuição original de Hegel: necessidade de
supor-se um contexto normativo preexistente
como dado primário e original para a prática
social e política e, portanto, de uma concepção
dialógica da formação da identidade social e
cultural;
• O conceito de reconhecimento, de Hegel,
buscava estabelecer uma mediação entre a
doutrina da liberdade moderna com a tradição
do pensamento político da antigo (Aristóteles),
que enfatizava o componente comunitário da
questão ética.
• O jovem Hegel procura construir esta mediação
na medida em que inverte o modelo de Hobbes e
de Maquiavel da "luta social", compreendida a
partir da perspectiva que enfatiza a
autopreservação material, em favor de uma
concepção que parte das motivações morais
como o dado fundamental;
• O reconhecimento é o componente central no
processo de formação ética do espírito humano
na exata medida em que o contexto de luta social
mostra seu significado específico, de perturbação
de relações sociais baseadas no reconhecimento
mútuo como um fator anterior, e prévio a
qualquer outro.
• Maquiavel foi o primeiro, no início da
modernidade, a perceber a autonomização das
esferas política e econômica em relação ao
contexto normativo tradicional anterior,
especialmente aquele de fundo religioso;
• A política, também, não pode mais ser percebida
com base nas noções clássicas de
comportamento virtuoso;
• Em Maquiavel, a esfera da ação social é o espaço
de luta pela preservação da integridade física dos
sujeitos;
• Por sua vez, Hobbes interpreta o homem como
um autômato (máquina programada que
desenvolve certos movimentos) que anda por si
só, ainda que dotado da capacidade
extraordinária de se importar com seu próprio
bem-estar futuro e sua autopreservação;
• É precisamente este comportamento
antecipatório que faz com que, ao deparar-se
com outro homem, perceba seu interesse na
autoproteção e a pretensão mútua de aumento
de poder relativo;
• O esforço filosófico e político do jovem Hegel
não se reduz à sua crítica à tendência de
reduzir-se o comportamento social aos
imperativos de poder baseados em ações
estratégicas e instrumentais (mercado;
autopreservação etc.);
• A reconstrução da modernidade busca uma
nova compreensão da sociedade moderna, que
exige a superação da concepção atomista que
estava na base de toda a tradição da
modernidade.
• De forma contrária às concepções atomistas,
portanto, importa chamar atenção para o fato
de que o processo humano de socialização
envolve desde sempre elementos de vida
intersubjetiva;
• Diferentemente de Hobbes, a luta por
reconhecimento não se limita à autopreservação
física, mas antes à aceitação intersubjetiva das
distintas dimensões da subjetividade humana,
sendo esta, precisamente, o substrato ético da
vida social enquanto tal.
• O contrato social não encerra a luta de todos
contra todos; o conflito é um elemento
constitutivo da vida social, na medida em que
possibilita a constituição de relações sociais cada
vez mais desenvolvidas, refletindo o processo de
aprendizado moral da sociedade em cada
estágio;
• O conflito indica o momento positivo de
formação e desenvolvimento do processo social,
sendo o próprio motor da lógica do
reconhecimento.
• O princípio da vida cotidiana tem a ver com o
potencial democrático da revolução ocidental, posto
que implica os ideais da igualdade e da benevolência
com relação aos outros homens; essas são
conquistas irrenunciáveis para os indivíduos
modernos;
• Taylor vai chamar o conjunto de ideais que se
articulam nesse contexto de princípio da dignidade;
dignidade designa a possibilidade de igualdade
tornada eficaz por exemplo nos direitos individuais
potencialmente universalizáveis;
• ao invés da honra pré-moderna, que pressupõe
distinção e privilégio, a dignidade pressupõe um
reconhecimento universal entre iguais;
• A identidade definida com base no princípio da
autenticidade é radicalmente moderna,
rompendo com a determinação externa de
papéis sociais pré-estabelecidos.
• A autenticidade, por definição, não pode ser
derivada socialmente, mas precisa ser gerada e
construída internamente.
• As grandes lutas e contradições sociais dessa última
metade de século, desde as lutas da contracultura da
década de sessenta, passando pelas novas definições de
papéis sexuais, pela influência do movimento ecológico,
pela radicalização da oposição entre espaços privado e
público, até às lutas das minorias contemporâneas, pode-
se observar a entrada em cena de um novo tipo de
aspiração política e existencial específica, compreensivas
a partir da crescente eficácia social do princípio da
autenticidade na modernidade tardia, com genealogia,
objetivos e lógica próprios.
• Nesse sentido, a luta pelo direito à diferença das minorias
que se percebem como oprimidas no mundo
contemporâneo pode ser compreendida como uma luta
pelo respeito a uma especificidade fundamentalmente
não generalizável.
• “[...] nossa identidade é moldada em parte pelo
reconhecimento ou por sua ausência,
frequentemente pelo reconhecimento errôneo
por parte dos outros, de modo que uma pessoa
ou grupo de pessoas pode sofrer reais danos,
uma real distorção, se as pessoas ou sociedades
ao redor deles lhes devolverem um quadro de si
mesmas redutor, desmerecedor ou desprezível.
O não-reconhecimento ou o reconhecimento
errôneo podem causar danos, podem ser uma
forma de opressão, aprisionando alguém numa
modalidade de ser falsa, distorcida e redutora”;
• O não reconhecimento é um aspecto fundamental
na perpetuação do processo de subordinação social
de determinados grupos sociais, por exemplo, no
caso da imagem negativa ou depreciativa que as
mulheres foram induzidas a ter de si mesmas no
interior de sociedades patriarcais.;
• Como parte desse processo de ausência de
reconhecimento da sua identidade, as mulheres
internalizaram uma visão da sua suposta
inferioridade, e esta imagem depreciada tem um
papel fundamental na preservação da
subordinação da mulher nas sociedades
contemporâneas, impossibilitando sua
emancipação efetiva, ainda que os obstáculos
objetivos de sua emancipação deixassem de existir.
• “O devido reconhecimento não é uma mera
cortesia que devemos conceder às pessoas. É
uma necessidade humana vital”.