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• Introdução ao Direito I

• Interpretação das leis, artigo 9.º C.C. (um)


• Regente: Prof.ª Doutora Anja Bothe

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Hermenêutica
• É a “teoria da arte de compreender”, Friedrich
Ernst Daniel Schleiermacher, 1786-1843
• O sujeito que compreende insere-se no
“horizonte de compreensão” e não se limita a
representar passivamente o objeto da
compreensão na sua consciência, mas
configura-o, … o sujeito desempenha na
chamada “aplicação do direito” um papel
activo-configurador.
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“O jurista tem de começar por conhecer
bem os textos legais, não se dispensando
de um primeiro esforço de exegese. Tem,
depois, de relacioná-los, para alcançar
deles uma visão de conjunto e apossar-se
do espírito que o domina e com isso faz
dogmática. Tem depois de descer à terra e
olhar para os concretos interesses vitais e
nessa medida recorre à jurisprudência dos
interesses”. Prof. Galvão Telles
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Método exegético
Tudo está na lei; não há senão que
lê-la e, depois, raciocinar o mais
vinculadamente possível à sua
letra. A exegese vive
estritamente vinculada à lei,
quer apenas conhecê-la
miudamente, preceito a preceito,
artigo a artigo.
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Método dogmático = jurisprudência dos
conceitos
A Ciência jurídica é puramente
reprodutiva, estática e lógica,
trabalha os materiais em que se
decompõe o direito positivo,
surpreende-lhe os princípios que o
enformam, formula conceitos,
descobre a lógica do todo, organiza
uma unidade sistemática. A
vontade do legislador e as noções
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Jurisprudência dos interesses
Os interesses em causa são o
elemento decisivo na
interpretação e aplicação do
Direito. O Direito existe, não
para satisfação da lógica,
mas para satisfação dos
interesses, como interesses
vitais que devem presidir à
interpretação e integração da 6
Art. 9.º, n.º 1 CC: “A
interpretação não deve cingir-
se à letra da lei, mas
reconstituir a partir dos
textos o pensamento
legislativo, tendo sobretudo
em conta a unidade do
sistema jurídico, as
circunstâncias em que a lei
foi elaborada e as 7
Necessária: interligação e valoração
que escapa ao domínio literal
“a partir dos textos “ Exegético
(Elementos literais ou gramaticais)

“o pensamento legislativo “Racional ou


Teleológico
“foi elaborada “Histórico
“é aplicada” Actualista
“unidade do sistema jurídico “
Sistemático
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• Literal ou gramatical (exegese) – tarefa do intérprete
é ler a lei e ver o que aí se diz, atendendo ao sentido
das palavras e à sua correlação.
• Art. 9.º, n.º 2: “Não pode, porém, ser
considerado pelo intérprete o
pensamento legislativo que não tenha
na letra da lei um mínimo de
correspondência verbal, ainda que
imperfeitamente expresso.”

O elemento literal é necessário (art. 9.º, n.º 2), mas


não suficiente, (art. 9.º, n.º 1).
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Art. 9.º, n.º 3. CC: “Na fixação do
sentido e alcance da lei, o intérprete
presumirá que o legislador
consagrou as soluções mais
acertadas e soube exprimir o seu
pensamento em termos adequados.”
Não há normas, frases ou palavras
inúteis.
A lei não impõe impossíveis.
Onde a lei não distingue, não cabe
ao intérprete distinguir.
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Elemento racional ou teleológico –
consiste no fim visado pelo
legislador ao fazer a lei, na razão
de ser da lei. Para se entender o
fim pretendido pelo legislador,
devem ser olhadas “as
circunstâncias” sociais,
económicas, morais e outras “em
que a lei foi elaborada”, art. 9.º, n.º
1 C. C. (chama-se occasio legis).
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Elemento histórico – o intérprete deve
recorrer à história para determinar o
sentido da lei. Para a interpretação do
sentido de uma lei, devem ser vistos
os antecedentes remotos da lei, o
modo como foram interpretadas, as
críticas que as suscitaram. Também a
história recente deve ser considerada:
projectos, anteprojectos, estudos,
discussão pública, actas das
comissões. Todos esses elementos
ajudam a esclarecer o sentido da lei.
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Elemento sistemático – as normas
jurídicas fazem parte de um
sistema de normas jurídicas. A
norma a ser interpretada não
existe de forma isolada, estando
integrada num sistema coordenado
de normas que obedecem a um
pensamento comum, uma ordem.
Assim, não são admitidas
contradições entre as várias
normas que integram o sistema.13
Debate-se:
• Podem ou não ser apontados outros
argumentos, que não aqueles quatro (o
gramatical, o lógico, o histórico, o sistemático)
com os quais se podem fundamentar decisões
jurídicas: p.e. a garantia da segurança jurídica
ou da justiça, valorização das consequências,
sensibilidade jurídica, praticabilidade,
homogeneidade do direito, etc.
(Kaufmann/Hassemer, 1994)
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O método jurídico deve variar em função de normas ou
princípios jurídicos uma vez que:

1.Os princípios podem ser elementos


da interpretação.
2.Os princípios podem entrar em
contradição entre si.
3.Os princípios não se revogam
mutuamente.
4.Os princípios devem ser
ponderados pois traduzem valores
diferentes. 15
Caso prático 1: Nos termos do artigo 10.º do
Regulamento da C.P.: “1. É proibida a utilização
dos comboios por pessoas que não adquiram os
títulos de transporte. 2. A violação do disposto no
número anterior é punida…”
• Maria circulava num comboio da C.P. a cominho
de Oeiras sem bilhete. Quando foi confrontado
com a situação por um fiscal da C.P., Maria
respondeu que tinha cumprido o Regulamento em
causa e que não deveria ser sancionado, porque
tinha adquirido o título de transporte, apesar de o
ter deitado fora antes de entrar no comboio.
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• O fiscal da C.P. respondeu-lhe, dizendo que Maria
não podia interpretar daquela forma o
Regulamento com causa, dado que a finalidade é
precisamente a de evitar que haja pessoas que
circulem nos comboios sem bilhete.
• De qualquer forma, a resposta da Maria deixou o
fiscal confuso. Comente.

– Bib.: Daniel de Bettencourt Rodrigues Silva Morais,


Hipóteses…, aafdl, 2007

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Caso prático 3: O Decreto-Lei n.º 5/99 determina o seguinte: “Os
incidentes ocorridos na final da Taça dos Campeões Europeus
de hóquei em patins revelam a necessidade de legislação
destinada a evitar tais perturbações. Assim, nos termos do
artigo 198.º, n.º 1, a), Constituição da República Portuguesa, o
Governo decreta: Artigo 1.º. É proibida a realização de
quaisquer provas das competições europeias de modalidades
desportivas por equipas sem a presença de, pelo menos, 40
elementos da PSP ou da GNR….”
• Num jogo de andebol entre o CD de Bragança e Preussen
Münster, para a Taça dos Campeões Europeus, as bancadas
estavam absolutamente vazias. Havia no recinto apenas três
agentes da PSP. Quid juris?
Bibliografia: Pedro Ferreira Múrias, Exercícios de Introdução ao Estudo do Direito,
aafdul, 2001

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Caso prático 4: A Lei X estabelece que “é proibido fazer
ruídos anormais na proximidade de hospitais”. O
Decreto-Lei Y determina que “os automobilistas que
circulem a menos de 100 metros de qualquer hospital só
podem buzinar em situação anormal de emergência.”
• Adão seguia de bicicleta a cerca de 50 metros da “Clínica
Médica e de Internamento de Santo António” quando viu
Eva, a sua amiga. Para a chamar e poder saudá-la, Adão
accionou repetidamente a buzina da sua bicicleta.
• Adão violou alguma das disposições citadas?
• Bibliografia: Pedro Ferreira Múrias, Exercícios de Introdução ao Estudo do Direito,
aafdul, 2001

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• Caso prático 10: Basílio passeava no Jardim
Zoológico quando, ao contemplar a jaula dos leões,
lhe veio à ideia que a vida dentro de uma jaula deve
ser muito triste e aborrecida. Foi assim que, com
pena dos leões, se lembrou de comprar uma garrafa
de vinho para dar aos animais. Pelo menos por
alguns momentos, sob o efeito do vinho, os leões
poderiam esquecer o seu cativeiro.
• Carlos, tratador dos animais, deparou-se com
Basílio a dar de beber o vinho aos leões num balde.

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• Alertou então Basílio para uma placa colocada ao
lado da jaula na qual se podia ler o seguinte: “É
proibido dar comida aos animais”.
• Basílio respondeu-lhe que tinha lido a placa, mas
que ela não lhe dizia respeito, uma vez que não
estava a dar comida aos animais, antes estava a
dar-lhes uma bebida.
• Quid iuris?
• Bib.: Daniel de Bettencourt Rodrigues Silva Morais, Hipóteses…, aafdl, 2007

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